Temptation.
8 Passado.
Notas iniciais
Syo despertou, abrindo os olhos aos poucos até reconhecer o local onde estava. Há um mês conhecera aquele lugar, no dia daquela festa. O loiro fitou o espelho que ficava em cima da cama de Ai e o viu dormindo ao seu lado, com o braço direito posto de forma possessiva sobre sua cintura. O Kurusu viu seu próprio rosto corar com as lembranças da nova noite que passou ao lado do mais alto. Era quase impossível de acreditar, mas ainda foi melhor e mais intenso que da primeira vez. O loiro levou a mão aos lábios e percebeu que estavam levemente inchados pelos beijos e mordidas dados pelo yakuza. O idol olhou para o lado e sua visão se perdeu na bela tatuagem de dragão que cobria parte do peito e do braço do bluenette.
Syo: "Lindo."
Pensou com um sorriso bobo no rosto. O Kurusu inconscientemente levou o dedo indicador ao braço do mais velho e delineou a linha da tatuagem. Ai abriu os olhos e ficou observando pelo espelho os movimentos do mais baixo e deu um meio sorriso. O Kurusu não percebeu que era observado e continuou contornando a tatuagem.
Syo: Você é tão perfeito, Ai.
Murmurou baixinho, sem notar que o bluenette ja estava acordado. Ai levou a própria mão para cima da do loiro e a apertou de leve. Syo se assustou ao notar que Ai estava de olhos abertos o fitando.
Ai: também me acho perfeito...
Piscou convencido ao chibi que estava morto de vergonha por ter falado aquilo e o Mikaze ter ouvido.
Ai: mas ouvir isso de você... Se torna muito especial, chibi.
O Kurusu corou.
Syo: você já estava acordado?
Ai: despertei quando seus dedos estavam tocando minha tatuagem.
Ele aproximou o rosto do idol e roçou o nariz no dele.
Ai: você gosta dela não é?
Syo riu baixinho.
Syo: é um desenho muito bonito...
Ele arfou com a intensidade do olhar do bluenette.
Syo: e fica mais em você.
Admitiu corando mais. Ai riu da repentina timidez do loiro e continuou fitando-o intensamente.
Syo: p-porque tá me olhando assim?
Perguntou corando. O Mikaze levou as mãos a bochecha do menor e acariciou.
Ai: Adoro saber que eu to te deixando corado assim.
Disse com um sorriso satisfeito. O menor cobriu o rosto envergonhado.
Syo: Idiota.
Falou manhoso, ouvindo Ai rir novamente.
Syo: Ainda não acredito que fez tudo isso só pra me ver de novo.
Falou, lembrando-se que o yakuza patrocinou sua marca e organizou o coquetel.
Ai: por que o espanto?
Syo arqueou a sobrancelha.
Syo: eu acho que... Quase um milhão de dólares é motivo o suficiente pra espanto.
O bluenette riu.
Ai: não são nada perto da vontade que eu tinha de te ter na minha cama outra vez.
Falou sem cerimônias. O Kurusu corou e mordeu o lábio inferior de leve.
Ai: e não é o suficiente.
Syo: hã?
Ai: eu quero te ter outra vez... Muitas outras vezes.
Os orbes do menor alargaram.
Ai: e pra isso eu seria capaz até de te dar aquela empresa...
Syo: não exagera, Ai.
Disse encabulado.
Ai: não sou exagerado... Eu prefiro determinado e intenso.
O Mikaze beijou os lábios do loiro e depois se afastou muito pouco.
Ai: aprendi desde cedo a lutar e sempre ter o que eu quero.
Syo: e agora seu novo desejo sou eu?
Ai sorriu.
Ai: sim. Eu disse ontem... Você é meu, Syo.
O Kurusu sentiu até o ultimo fio de cabelo arrepiar com a frase do bluenette.
Syo: "Eu não devia me excitar com essa frase."
Pensou mordendo os lábios. Syo fitou o bluenette, fixando seu olhar nos lábios do maior. O loiro tomou a iniciativa de puxar o pescoço de Ai e o beijar de forma necessitada. O yakuza imprensou o menor na cama e ficou por cima do mesmo, intensificando o beijo. O Kurusu acariciava a nuca do bluenette e gemeu quando o mesmo prendeu entre os dentes seu lábio inferior e o puxou de forma sensual. Syo olhava para Ai ofegante.
Syo: "Eu to completamente caído por ele."
Pensou derrotado.
Ai: você é lindo.
Sussurrou sensualmente logo lambendo os lábios do loiro.
Ai: é o mais lindo que já vi.
Syo riu.
Syo: eu vou fingir que é verdade.
Falou ironicamente.
Ai: apesar de ser um yakuza. Não é nenhum fetiche meu sair com chibis de 19 anos...
Sorriu maldoso.
Syo: então sou uma criança pra você?
Perguntou sorrindo de canto.
Ai: não exatamente. Mas se fosse... Seria a criança mais deliciosa do mundo.
O fitou maliciosamente. Syo mordeu os lábios de forma provocante a apertou os braços do maior. Ai o fitava intensamente e sorriu quando sentiu o chibi empurra-lo, fazendo-o deitar na cama, invertendo as posições. Syo se debruçou sobre o yakuza e atacou o pescoço do mesmo, descendo beijos e chupões até alcançar o mamilo direito e morde-lo levemente. Ai apartou os cabelos loiros entre os dedos e gemeu. O Kurusu estava satisfeito com as reações e decidiu descer os lábios pelo tronco do maior. O Mikaze observava os movimentos do menor com expectativa, sentindo seu corpo arrepiar quando seu membro foi capturado pelas mãos do Kurusu, que iniciou uma lenta masturbação. Ai gemeu e fechou os olhos. Syo desceu os lábios mais um pouco e lambeu a glande do bluenette, que se arrepiou. O idol olhou com desejo para o pênis de Ai e o abocanhou, sugando-o intensamente.
Ai: Syo!
O nome do Kurusu foi proferido pelos lábios de Ai como um longo gemido e o mesmo agarrou com mais força a cabeleira do menor. O loiro estava adorando ouvir os gemidos necessitados, roucos e uns grunhidos que o bluenette emitia.
Syo: “ele é minha perdição completa…”
Pensou enquanto acelerava mais as chupadas no falo do Mikaze que já estava cheio de tesão. Ele levou sua mão livre aos testículos e passou a tocá-los enquanto chupava a glande de Ai e a outra mão masturbava a base.
Ai: ah Syo… eu vou gozar na sua boca…
Ele mordeu o lábio inferior e fechou os olhos.
Ai: quero que meu esperma saia tão forte ao ponto de ir certo na sua garganta.
Ele abriu os orbes novamente e mirou intensamente o loiro.
Ai: deixar sua boca toda lambuzada pelo meu sêmen.
Syo quase gemeu em deleite com o membro no maior na boca. Aquilo tudo o excitava. O palavreado do yakuza, a forma como ele estava se contorcendo... Ai o estava deixando louco. O Kurusu intensificou a forma com que chupava o bluenette e ouviu um gemido alto do mesmo. Alguns segundos depois o loiro sentiu sua boca ser preenchida pelo prazer do maior, e acabou gemendo em deleite com o sêmen de Ai na sua boca. O Kurusu fitou o Mikaze arfando e com a boca parcialmente suja de esperma. Ai mordeu os lábios excitado ao ver Syo lambendo os próprios lábios para limpar todos os resquícios de prazer.
Ai: chibi…
O chamou rouco. O loiro fitou o Mikaze provocantemente e engatinhou sob seu corpo, até os rostos estarem na mesma altura.
Ai: você quer voltar a ficar vários dias sem andar chibi?
Ele pousou sua mão sob a face do menor e a acariciou.
Ai: por que ficar me provocando assim, deve ser o que está querendo?
Syo mordeu o lábio inferior e olhou de relance para o relógio e viu as horas.
Syo: eu quero você, Ai. Antes de ter que ir embora… eu quero você mais uma vez.
O Mikaze ficou o fitando por uns segundos e sorriu. Syo o encarava com a expressão manhosa.
Ai: o que você me pediria com essa carinha que eu não fizesse?
Syo sorriu e o beijou com vontade.
.......................................
Camus despertava de forma lenta. O loiro abriu os olhos com dificuldade e agradeceu a cortina impedir boa parte dos raios solares de adentrar o ambiente. O delegado olhou o relógio em cima do criado-mudo e viu que já era por volta das 10h00min da manhã. Ele suspirou e olhou para seu lado, a procura de Cecil, mas não o encontrou. O loiro arregalou minimamente os olhos.
Camus: Cecil?
O chamou. O quarto estava absurdamente silencioso. O maior se levantou e procurou o idol pelo apartamento.
Camus: aquele infeliz fugiu??
Estava começando a perder a paciência quando voltou para seu quarto e viu um papel perto da mesa onde ficava seu computador. O loiro se aproximou da mesa e pegou o papel.
Continue procurando...
Beijos
Seu Cecil.
O delegado franziu o cenho.
Camus: "O que ele está aprontando?"
Camus andou por todo o primeiro andar a procura do menor, mas não o encontrou.
Camus: Cecil, não me faça de palhaço, apareça logo!
O loiro já estava impaciente quando desceu as escadas. O delegado iria procurar o indiano na cozinha, mas percebeu que suas coisas não estavam no lugar que havia deixado no dia anterior. O loiro se aproximou desconfiado do cinturão e percebeu um papel branco preso junto ao cassetete. Camus pegou a carta e a abriu desconfiado, arregalando os olhos assim que começou a ler.
Bom dia Camus,
Se você achou essa carta provavelmente não estou mais na sua casa, e consequentemente você não me encontrou na sua cama...
Antes de tudo, desculpe deixá-la num lugar de difícil acesso, você deve ter perdido um bom tempo procurando, mas se eu não fizesse assim não seria surpresa, né?
Bem, eu esqueci de te falar ontem, mas estávamos ocupados demais pra eu lembrar disso... Eu vou entrar em turnê com o Starish em breve e ganhamos umas férias antes da extensa turnê de dois meses que teremos e eu to viajando agora.
Enquanto você lê essa carta eu provavelmente estou embarcando.
Então é isso, até daqui uns três meses... Ou quatro. Espero que tenha entendido a mensagem!
Beijos
Seu Cecil.
O loiro estava petrificado o mesmo lugar.
Camus: maldito!!
Gritou rasgando a carta em mil pedaços e depois atirando-a no chão.
Camus: esse moleque me paga!!
Pegou o celular e discou o numero do idol, mas estava fora da área de cobertura.
Camus: argh!!
Ele atirou o aparelho longe. Camus estava tão irritado que passou a andar de um lado para outro. Cecil sempre fugia dele daquela forma. Passavam uma noite maravilhosa e no outro dia o Aijima simplesmente evaporava e se levava meses até se verem outra vez. O delegado deveria parar de insistir em um moleque que nunca sabia o que queria. Quando estava com ele, Cecil mostrava querer aquilo, mas daí como lua que muda de fase… o indiano mudava de ideia e desaparecia até Camus encontra-lo, cerca-lo e eles ficarem mais uma vez.
Camus: eu preciso é parar de correr atrás desse moleque! Se ele não se decide… tem quem queira o que ele vive fazendo questão de largar.
Suspirou irritado consigo mesmo por ter se apaixonado pelo idol.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Algum tempo depois…
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Três meses se passaram desde que Ranmaru viu Reiji pela ultima vez. O moreno sumiu das baladas noturnas e o Kurosaki não tinha sequer uma noticia dele. O albino estava na ponte Rainbow Bridge, a noite estava particularmente linda aquele dia. Estavam quase no fim da primavera e as folhas de Sakura’s começavam a cair enchendo o mar com as belíssimas pétalas rosas. Ele não tinha nada pra fazer aquela noite, mas também não conseguia ficar em casa e se concentrar no trabalho. Os últimos meses foram um saco para o Kurosaki, e o mesmo não conseguia esquecer um dia sequer da dor nos olhos do moreno, as lagrimas e nele dizendo que finalmente Ranmaru havia se livrado do estorvo.
Ranmaru: pare de pensar nele!
Ralhou consigo mesmo.
Ranmaru: não é possível que…
Ele fechou os olhos tendo uma forte recordação do passado.
Ranmaru: que depois de 8 anos… eu ainda seja tão…
Ele cerrou os punhos com ódio da sua própria fraqueza. Ranmaru suspirou e ficou olhando o movimento das pétalas na agua.
......................................
Reiji corria de cabeça baixa, com os fones de ouvido no volume máximo. O moreno só queria esquecer e deletar do coração todo o sentimento que nutria por Ranmaru. O Kotobuki chegou à ponte Rainbow Bridge. Reiji teria continuado correndo se não tivesse visto a ultima pessoa que esperava ver naquele momento. O menor ficou sem reação por um momento ao ver o Kurosaki olhando para a água com um olhar perdido.
Reiji: Ran-Ran...
Murmurou para si mesmo, sentindo um aperto no coração. Reiji já ia dar meia volta para sair o mais rápido possível dali quando o olhar do albino foi em sua direção e os olhos do mesmo se alargaram. O Kotobuki sentiu seu corpo travar e não conseguiu sair do lugar.
Ranmaru: “não é possível…”
Pensou ao fitar o moreno que estava visivelmente tão surpreso quanto ele. Ranmaru viu que Reiji não estava disposto a falar consigo, justamente na hora em que o mesmo ia fingir que o albino não existia para dar meia volta e sair dali.
Ranmaru: vai sair correndo e fingir que não me conhece?
Indagou seriamente vendo o corpo do outro parar e continuar de costas para si. Nem Ranmaru sabia o porquê havia falado aquilo, seu corpo agiu como se tivesse vontade própria e só se tocou no que disse no momento em que o Kotobuki se virou para ele com um olhar gélido.
Reiji: Não tem ideia de como eu queria que isso fosse verdade.
Falou com o coração acelerado, tentando aparentar frieza. O albino cerrou os punhos visivelmente irritado com a resposta. O moreno sentiu seus olhos marejarem e virou-se novamente para ir embora.
Ranmaru: Vai mesmo fugir?
Falou com a voz carregada de amargura. O moreno fechou os olhos e respirou fundo.
Reiji: Qual é o seu problema, Ranmaru??
Falou com a expressão desesperada.
Reiji: Porque me odeia tanto?!
Gritou arfando. O albino arregalou minimamente os olhos.
Ranmaru: e quem disse que eu odeio você?
Reiji o fitou indignado.
Ranmaru: não perderia meu tempo com isso.
O Kotobuki começou a rir de forma amarga.
Reiji: claro… afinal de contas eu sempre fui isso pra você não é??
O maior desviou o olhar.
Reiji: olhe pra mim quando eu estiver falando!! Não queria que eu parasse?! Pois agora você vai me escutar!!
Ele se aproximou do Kurosaki.
Reiji: eu sempre fui uma perda de tempo não é?! Um estorvo! Ou uma diversão passageira??
Ranmaru: qual o drama Reiji?? Alguém como você que tá mais do que acostumado a transformar as pessoas em seus brinquedinhos sexuais não deveria ficar tão irritado com algo assim!
Disse, visivelmente tão irritado quanto o moreno.
Reiji: Brinquedinhos sexuais?
Falou irritado, aproximando-se do Kurosaki com a respiração alterada.
Reiji: Do que você está falando, seu imbecil?!
Indagou revoltado, empurrando o maior.
Reiji: Você me faz sofrer a cada dia desde que isso começou e vem falar que eu brinco com os outros?!
Falou chorando, vendo o albino arfar e cerrar os punhos.
Reiji: Eu me odeio!
Disse para si mesmo soluçando, olhando para o maior com o olhar cheio de sentimentos. Ranmaru deu um passo para trás com a intensidade do olhar.
Reiji: Eu me odeio porque te amo!
Gritou, confessando o sentimento que fazia o seu peito apertar há meses. Os olhos do albino arregalaram drasticamente quando Reiji confessou o que sentia, ele ficou sem saber o que dizer e outra vez as lagrimas começaram a descer pelo rosto do moreno e era visível o esforço que ele fazia para não desabar completamente.
Ranmaru: você… o que?
Reiji enxugou com as palmas das mãos as lagrimas em sua face.
Reiji: exatamente o que ouviu! Eu te amo!
Gritou com a voz embargada pela dor.
Reiji: não é possível que nunca tenha notado isso!! Acha mesmo que eu me humilharia daquela forma se não tivesse me apaixonado por você?! Acha que eu ficaria correndo atrás de alguém que evidentemente não fazia a menor questão de está ou não comigo?!
Outra vez as lagrimas voltavam a cair pelo rosto.
Reiji: você mudou tanto!! Nos primeiros meses que estávamos saindo você era tão bom, carinhoso… por quê?! Por que você passou a me tratar como lixo daquela forma?? Por que fazia questão de quebrar meu coração daquele jeito tão frio?!
Ranmaru o fitava com os olhos vazios.
Reiji: eu entendo que não me ame… mas você não tem o direito de tratar mal e quebrar o coração de uma pessoa que te amava tanto!
Os olhos de Reiji alargaram ao ver o Kurosaki rir, mas o riso era amargo… com dor… e seus olhos estavam gélidos, distantes.
Ranmaru: que ironia não é Reiji?
Reiji: hã??
Ranmaru: você que quebrou o coração de tantas pessoas agora vem falar isso pra mim?
Reiji: do que você tá falando?! Eu não…!
Ele não conseguiu terminar. Ranmaru o cortou no meio de sua fala.
Ranmaru: você enganou, se divertiu, usou, abusou e destruiu o coração e a personalidade de uma pessoa que te amava de verdade. Uma pessoa que não dava a mínima pra sua popularidade ou sobre como você era disputado pelos imbecis da sua turma…
O Kotobuki não estava entendendo nada.
Ranmaru: agora você ta aqui querendo jogar a culpa de tudo que passou pra cima de mim??
Reiji o fitava perplexo.
Reiji: Ran-Ran, eu...
Tentava falar completamente perdido. O Kurosaki de uma risada repleta de desdém.
Ranmaru: Você não lembra mesmo, não é?
Falou com a voz carregada de amargura e dor. O moreno olhou surpreso para o maior e tentou entender aonde Ranmaru queria chegar. O Kurosaki engoliu em seco e fechou os olhos por um momento. Assim que os abriu, colocou a mão no bolso da jaqueta e tirou um óculos de grau e colocou no rosto, em seguida, levou as mãos aos cabelos e os abaixou, tirando o máximo possível do arrepiado que virara sua marca. Reiji o fitou sem entender, até ver o maior lhe fitar com dor e decepção, embora ainda fosse visível a raiva. O moreno começou a ofegar.
Reiji: "Não pode ser! "
Pensou desesperado, tendo um flash de lembrança daquele mesmo olhar em um garoto de 14 anos.
Ranmaru: se lembrou agora?
Perguntou com o tom amargo.
Reiji: R-Ranm-…
Ele não conseguia nem ao menos pronunciar o nome do outro.
Reiji: não… não é possível você ser o Ranmaru que eu conheci há anos…
Ranmaru: eu não sou ele.
Disse irritado.
Ranmaru: aquele moleque idiota, sonhador e que era apaixonado por você não existe mais!
Reiji: p-para…
O choro já estava evidente e Reiji não conseguia mais evita-lo.
Ranmaru: você fez questão de destruir tudo de bom que existia em mim, Reiji!
Reiji: Ranmaru…
Ranmaru: você deformou a minha personalidade e me transformou nesse cara frio, sem coração e que te tratou como um lixo, como você mesmo disse!
Reiji pôs a mão na boca.
Reiji: como eu não pude lembrar…?
Ranmaru: porque eu fui insignificante demais pra você.
Sorriu, mas a dor estava em seus olhos.
Ranmaru: fui apenas mais um dos milhares de admiradores de Reiji Kotobuki… ou melhor, eu era mais insignificante que eles. Porque deles você queria só sexo e gostava disso… comigo você brincou, me usou da forma como quis e depois foi só me chutar não é?
Reiji: não!
Ranmaru: claro que foi!!
Gritou irritado.
Ranmaru: você lembra como acabou comigo?? Lembra toda a humilhação que me fez passar, Reiji?!
Flashback on.
Reiji: O que? Eu dando confiança pra um pirralho recém saído das fraudas?
Gargalhou, olhando para o namorado com um sorriso safado em seguida.
Reiji: Você sabe que meu gosto é melhor que esse, querido.
Deu um selinho no maior.
Reiji: Não tenho vocação pra ser babá.
Disse com desdém. Naquele momento, o Kotobuki viu o albino se revelar e olha-lo com os olhos cheio de dor e decepção. Reiji arregalou minimamente os olhos. O namorado do moreno começou a rir.
?: Você é ótimo, amor!
Falou abraçando o Kotobuki por trás. Os olhos prata do garoto estavam marejados por trás da lente dos óculos. Ele amassou um papel que tinha nas mãos e o socou no bolso, correndo em seguida em direção à saída do colégio. Reiji olhou o menor correndo e se sentiu mal. Mas não poderia correr atrás dele. Depois se explicaria, quando o albino fosse até a sua casa no horário de sempre.
Flashback off.
Reiji tinha a mão na boca e sentiu seu estomago embrulhar.
Reiji: "Eu sou um monstro!"
Pensou com repulsa de si mesmo. O moreno fitou o maior tentando dizer alguma coisa, mas as palavras pareciam ter fugido.
Ranmaru: eu te amava…
Disse de um jeito mais calmo, mas a dor não havia sumido do seu semblante.
Ranmaru: eu fui idiota por gostar de alguém que estava muito a minha frente… eu não tinha nada de atraente e muito menos que pudesse te dar em troca…
Reiji: Ran-Ran…
Ele tentou se aproximar, mas Ranmaru recuou vários passos.
Ranmaru: eu tava satisfeito sabe?
Ele riu amargamente.
Ranmaru: eu sabia que era impossível um dia você notar que eu existia… eu sabia que jamais você ia gostar de mim… eu tinha aceitado isso e era feliz só te idealizando. Mas aí você chegou perto de mim… começou a me rondar e eu burro, estupido e apaixonado por você… caí.
O Kurosaki sentia os olhos quererem trair toda a armadura que ele aprendeu a fazer durante os anos, mas ele sempre segurava para não deixar a emoção vir demais.
Ranmaru: eu achava que você era diferente. Era muito além daquela imagem de um garoto jovem e popular. Eu via qualidades que achava que você tinha… mas no fim você era igual a todos os estúpidos dos seus amigos e daquele imbecil que você namorava!
Ele estreitou o cenho.
Ranmaru: na verdade… você era pior que eles. Porque você sempre soube que eu te amava, mas mesmo assim continuou se divertindo e brincou comigo.
Reiji: você sumiu desde aquele dia…! Não me deu chance de…
Ranmaru: de o que?! Vai falar que me amava e só descobriu quando falou tudo aquilo para o seu namorado?!
Ele riu.
Ranmaru: ou você ia me enganar outra vez? Queria me encontrar pra inventar alguma desculpa e continuar me usando até o ano acabar e você ir pra faculdade?
Reiji chorava desolado.
Reiji: Desculpa.
Pediu soluçando. O Kurosaki voltou a rir com amargura.
Ranmaru: Você é inacreditável. Desculpa?
Indagou com desdém.
Ranmaru: É sério isso, Reiji? Depois de todos esses anos você me olha chorando como se realmente se importasse e diz “desculpa”??
O albino virou de costa e apoiou as mãos no alambrado da ponte. O Kotobuki andou alguns passos e tentou tocar em Ranmaru, mas não teve coragem e acabou desistindo.
Reiji: De todas as besteiras que eu fiz, aquela foi uma das piores.
Disse com sinceridade e dor na voz.
Reiji: Eu não sabia que ele se referia a você, Ran-Ran. Eu não fazia ideia...
Em um impulso, o moreno segurou o ombro do maior e apoiou seu rosto na costa dele, soluçando.
Reiji: Eu não sabia. Me perdoa, Ran-Ran. Eu imploro, me perdoa.
Desesperou-se, abraçando o Kurosaki por trás e molhando o casaco com as lágrimas. Ranmaru fechou os olhos e lembrou de como conheceu o moreno.
Flashback on.
Era o primeiro dia de aula de Ranmaru. O mesmo estava perdido e só depois de vários minutos é que conseguiu encontrar a biblioteca. Como não conhecia ninguém, preferia a companhia de um livro na hora do intervalo.
Ranmaru: espero que o Ai e o Camus não faltem amanhã…
Resmungou. Seus melhores amigos resolveram, juntos, faltar o primeiro dia de aula. O Kurosaki conseguiu encontrar o livro do seu interesse, o problema é que ele estava em uma prateleira muito alta e ele não conseguia alcançar mesmo pulando.
Reiji: precisa de ajuda, fofinho?
Perguntou um garoto aparentemente mais velho que ele e moreno.
Ranmaru: e-etto… eu queria aquele livro.
Apontou para o objeto. O moreno pegou e o entregou, logo sorrindo em seguida. Ranmaru sentiu seu rosto esquentar um pouco, aquele garoto era muito bonito e parecia ser bem amável com as pessoas. O Kotobuki se despediu do pequeno ainda deixando um Ranmaru meio fascinado o olhando.
Flashback off.
O Kurosaki pegou as mãos do menor e o fez solta-lo.
Ranmaru: não peça desculpas… isso não tem mais importância. Foi há muito tempo…
Ele se afastou do Kotobuki.
Ranmaru: não somos mais os mesmos. E aquele sentimento não existe mais…
Reiji soluçou na hora.
Ranmaru: o engraçado… é que você partiu meu coração há 8 anos de eu partir o seu.
Disse o fitando seriamente. O moreno recolheu a mão e abraçou o próprio corpo, sentindo seu coração apertar mais a cada segundo com as palavras do albino.
Reiji: Ran-Ran...
Falou baixinho, olhando para o maior com os olhos marejados. Ranmaru o encarava com o semblante frio. O moreno deu um passo à frente, ficando cara a cara com o Kurosaki. Reiji levou a mão direita ao rosto do maior e o tocou na bochecha carinhosamente. O Kotobuki ficou na ponta dos pés e colou seus lábios no de Ranmaru. Reiji tentou iniciar um beijo, mas Ranmaru não correspondeu e permaneceu imóvel como uma estatua. O moreno sentiu o gosto das próprias lágrimas e descolou ou lábios da boca do Kurosaki. Reiji sentiu seu mundo desabar e apoiou a cabeça no peitoral do maior, soluçando.
Ranmaru: para de chorar… isso não adiantará de nada…
Falou baixo. Reiji mordeu o lábio inferior.
Reiji: eu te amo… eu te amo tanto Ranmaru…
Ele o fitou, ainda com as mãos agarradas a jaqueta do albino.
Reiji: me perdoa… por favor! Eu era um moleque estupido… egoísta… mas…
Ele respirou fundo.
Reiji: eu amo você de verdade!
Ranmaru: vai passar…
Falou baixo e amargo.
Ranmaru: a dor… as lagrimas… o amor…
Reiji o olhou sem saber o que falar para convencer o outro do que sentia.
Ranmaru: do mesmo jeito que passou o meu. Eu chorei tanto por sua culpa, que secou todas as lagrimas e as minhas reservas de amor pelos próximos 20 anos.
Falou amargo.
Ranmaru: também aprendi a não confiar mais em ninguém.
Ele suspirou.
Ranmaru: daqui a um tempo… vai esquecer o que sente hoje. E talvez isso te torne um cara frio, amargo… ou talvez você volte a ser o Reiji que eu conheci há 8 anos.
Reiji lembrou de como era antes de reencontrar Ranmaru... Festas, sexo sem compromisso, vários ficantes... Era uma vida tão mais fácil. Mas o moreno lembrou-se do que disse ao melhor amigo.
"Eu não consigo, Ainyan. Eu amo o Ran-Ran, é impossível esquecer o amor da sua vida.".
Reiji fechou os olhos e apertou sua blusa em direção ao próprio peito no intuito de diminuir a dor que sentia. Era um ponto sem volta. Amava Ranmaru e o havia perdido. Voltar a ser como antes não era uma opção. Reiji sempre seria uma pessoa incompleta de agora em diante. O Kotobuki fitou o maior com um olhar derrotado.
Reiji: Não Ran-Ran... Não vou ser o que eu era antes. Também não vou ser um cara frio e amargo.
Falou desolado enquanto as lágrimas banhavam o seu rosto.
Reiji: Eu serei um nada.
Disse com uma risada de desespero. Reiji desistiu. Ranmaru desviou o olhar do outro, ou acabaria fazendo algo que não podia.
Ranmaru: é melhor… não nos vermos mais. Como você disse pra mim naquele dia no treino…
Reiji o fitou.
Ranmaru: acabou.
Falou aquilo olhando firmemente nos olhos do moreno.
Ranmaru: e dessa vez é pra sempre…
Se virou de costas para o Kotobuki. Reiji sabia que o Kurosaki diria aquilo, mas ainda assim, doeu. Doeu muito.
Reiji: Tudo bem...
Murmurou baixinho.
Reiji: Mas saiba que se eu pudesse voltar no tempo, eu nunca teria dito aquilo à pessoa que me amou de verdade.
O moreno levou às mãos a boca soluçando.
Reiji: Eu queria mudar aquilo.
Falou desesperado.
Ranmaru: Mas você não pode... Não pode reverter toda a dor que eu senti por sua culpa. Adeus Reiji.
Disse frio, andando para longe do Kotobuki sem olhar para trás. Reiji se ajoelhou no chão e apoiou a cabeça no ferro e ficou chorando. Queria esquecer aquela maldita dor ou ao menos que seu coração se acostumasse com ela. Mas em ambos os casos, uma parte de si estaria eternamente faltando.
.................................
Ranmaru seguia o caminho para seu apartamento a pé e sua mente refletia em tudo que havia passado agora há pouco. Ele não acreditava no que tinha acabado de acontecer. Como um segredo que ele guardou durante todo o tempo que esteve com o Kotobuki veio a tona daquela maneira?
Ranmaru: isso não deveria ter chegado até aqui…
Falou baixo para si mesmo e seus olhos se perderão em um ponto qualquer enquanto sua mente regredia há 8 anos. Numa época em que ele era o oposto do de hoje e também onde amava Reiji mais que tudo na vida dele.
Flashback on.
Já estavam há uma semana desde o inicio das aulas. Ranmaru estava na biblioteca fazendo o trabalho, ou melhor, ajudando Ai e Camus a fazerem o trabalho de física da professora.
Ai: não consigo entender porque precisamos saber disso…
Falou entediado.
Ranmaru: talvez seja pra você não reprovar no colégio, Ai.
Disse rindo.
Ai: mas eu duvido que eu vá precisar de uma chatice como física, química, matemática para poder viver! Isso é desculpa para prender a pessoa na escola, obriga-la estudar e ainda nos fazer pagar para sofrer!
Camus: tava demorando para o revoltado dar piti.
Ai: eu sou revoltado mesmo!
Cruzou os braços.
Ai: isso é muito abuso dos adultos!
Ranmaru riu do amigo.
Ranmaru: eu já disse que ajudo vocês com o trabalho, mas precisam cooperar.
Camus: você é um nerd assustador, Ranmaru.
Ranmaru: eu gosto de ter minhas notas altas. Deveriam tentar isso do que colar. Fomos expulsos da escola anterior porque os dois colaram e me levaram junto.
Ai e Camus começaram a rir.
Ai: gomen Ranmaru. Mas amigos nos piores e melhores momentos…
Piscou ao albino que suspirou desanimado. O Kurosaki levantou a vista e viu a pessoa que tinha tirado sua atenção desde o primeiro dia que chegou aquele lugar. O moreno entrou acompanhado de sua turma e passou perto deles. Ranmaru já sentiu seu rosto esquentando, mesmo sem Reiji nem olha-lo, mas só a presença do mesmo conseguia deixar o albino nervoso.
Ranmaru: “o que tá acontecendo comigo?”
Indagou confuso de seus próprios sentimentos. Um dos caras que acompanhavam o Kotobuki passou a mão pelo ombro dele e o puxou com força para si.
?: nee Reiji… me ajuda com o exercício do professor de ética.
Reiji: você ainda não fez?
Perguntou surpreso.
?: essa matéria é um saco! E tenho outros assuntos mais importantes…
Ele falou aquilo fitando uma garota que era de sua sala, olhando bem pra bunda da mesma. Reiji riu.
Reiji: a bunda da garota aí não te fará passar de ano, baka. Mas eu ajudo sim.
O garoto sorriu e o agradeceu. Ranmaru observava tudo que Reiji fazia, como falava, ria, agia com os amigos.
Ai: alienígenas de marte, por favor, devolvam o jovem Ranmaru Kurosaki de volta a terra. Repito: alienígenas de marte, por favor, devolvam o jovem Ranmaru Kurosaki de volta a terra.
Fingiu falar que nem locutor de radio. Camus riu da cara do albino.
Ranmaru: q-que foi?
Ai: você ta voando aí e eu to te chamando há horas…
Ranmaru: desculpa… onde estávamos?
Perguntou sem graça. Ai e Camus se entreolharam não entendendo nada. O albino sorriu notando que acabara de descobrir o nome do garoto que o ajudou no primeiro dia de aula.
Ranmaru: “Reiji…”
Flashback off.
Os olhos do Kurosaki se estreitaram fortemente lembrando do passado.
Ranmaru: droga…!!
Bufou, passando a mão no cabelo.
..........................................
O Kotobuki não sabia dizer como conseguiu chegar em casa. Reiji se sentia completamente desnorteado e sem rumo. Havia perdido o amor da sua vida, e a culpa era toda sua. O moreno já não tinha lágrimas para derramar, mas o rosto permanecia inchado pelo choro compulsivo de momentos atrás. Reiji foi tirando a roupa sem muita vontade e entrou no banheiro. Precisava urgente de um banho. O Kotobuki ligou o chuveiro e deixou a água escorrer pelo corpo. Acabou se sentando no chão e encostando a cabeça na parede enquanto a água permanecia caindo. Sua mente começou a vagar nas lembranças de oito anos atrás.
Flashback on.
Reiji era um dos mais populares do Colégio Saotome. Com um sorriso simpático e beleza marcante, o moreno arranjava admiradores em todos os lugares que passava. O Kotobuki tinha uma vida social agitada, andava com uma carteira de identidade falsa, presente do melhor amigo, Aine, e conseguia facilmente entrar nas festas. Em uma dessas conheceu seu atual namorado, um loiro muito bonito, que estudava na mesma sala que ele, mas os dois foram ter contato pela primeira vez nessa festa, e Reiji rapidamente foi pedido em namoro. A vida de namorado era um saco na opinião do moreno, embora tivesse algumas vantagens como sempre ter alguém para transar, mas o Kotobuki não se importava com todas as exigências. Ele simplesmente as ignorava.
Reiji beijava um ruivo do segundo ano de forma lasciva no banheiro do colégio. Já tinha notado os olhares do garoto para si, e quando coincidentemente o encontrou no banheiro, não resistiu jogar um charme e ficar com ele. Para sua infelicidade, o moreno não pode ter mais que uns amassos, já que seu namorado estava no colégio e poderia vir atrás dele a qualquer momento se notasse a demora.
Reiji: Não diga nada a ninguém sobre isso, é o nosso segredinho.
Falou dando um ultimo beijo no ruivo e piscando em seguida. O Kotobuki saiu do banheiro com um sorriso torto, e acabou vendo um garoto fitá-lo com certa admiração. Mas o mesmo virou o rosto assim que foi flagrado. Reiji deu uma risadinha e parou para beber água no bebedouro, indo para sua sala em seguida.
Flashback off.
O moreno tinha os olhos fechados e a mão no peito. Como não o reconheceu? Quantos Ranmaru’s albinos haviam nesse mundo para o Kotobuki não reconhece-lo?
Reiji: Eu sou um idiota. Eu também me odiaria no lugar dele.
Murmurou para si mesmo com um sorriso amargo. A discussão com Ranmaru pareceu retirar um bloqueio de sua mente, por as lembranças daquele período pareceram fluir mais do que a água que caia abundantemente do chuveiro ligado.
.............................
Ranmaru estava chegando ao seu apartamento e logo quando entrou, se jogou no sofá e respirou fundo. Sua mente estava um inferno, lembranças que ele havia lutado pra esquecer estavam voltando com toda a força.
Ranmaru: eu não posso ficar me torturando por isso… eu já sofri o bastante por ele.
Pensou, fechando os olhos.
Flashback on.
Ranmaru tinha conseguido sair no meio da aula, inventando que precisava ir à enfermaria por não estar se sentindo muito bem, só para poder ir a piscina onde ele sabia que Reiji estaria treinando com seu time para concorrer nos próximos campeonatos regionais. O Kotobuki era o capitão do time e Ranmaru havia até cogitado a ideia de entrar para o clube de natação, mas no fim desistiu. Todos os caras dali eram incrivelmente atléticos e bons, ele não ia conseguir chegar aquele nível e provavelmente acabaria pagando mico na frente do Kotobuki, mas do que já pagou ao longo daquele tempo. O albino já estava com seus 14 anos e Reiji tinha 17, onde um garoto a um ano da maior idade, bonito, popular e com namorado olharia para um pirralho que ficava enfiado nos livros na maior parte do tempo?
Ranmaru: ele é bom demais pra mim…
Falou sorrindo e espiando o Kotobuki enquanto nadava graciosamente na enorme piscina e ria com seu time.
Ai: posso saber o que você tá fazendo espiando o time de natação?
O bluenette perguntou, agachado ao lado do Kurosaki. Camus estava com ele também.
Ranmaru: ahh!! Ai! Vocês não deveriam estar na aula??
Camus: você também.
Falou, sorrindo de canto.
Ai: não enrola! O que tanto faz olhando para os populares metidos a bestas daqui?
O Mikaze arqueou a sobrancelha.
Ranmaru: n-nada. Eu só gosto de ver eles nadando e…
Naquele momento ele ouviu o namorado do moreno o chama-lo e Reiji quando saiu da piscina logo foi beijado pelo mesmo. Os olhos do menor abaixaram diante daquela visão.
Ai: Ranmaru… você não tá afim daquele cara não é?
Indagou e só confirmou o que já desconfiava quando o rosto do outro atingiu um vermelho intenso.
Ranmaru: o que?? Eu? Não! Por que eu ia gostar do Reiji-senpai e…
Camus: Reiji-senpai?
O fitou incrédulo.
Ranmaru: ele é nosso veterano e…
Ai: e daí? Eu não o chamaria de senpai nem aqui e nem na esquina.
Cruzou os braços.
Ai: eu não acredito que você tem uma queda por esse cara.
Ranmaru: eu não tenho…
Camus: então porque o fica stalkeando há meses?
Ranmaru: em??
Camus: acha que já não tínhamos percebido isso?
Ai: só confirmamos agora.
O Kurosaki desviou o olhar.
Ranmaru: etto… bom… eu sei que ele nunca olhará pra mim… é só…
Ai: amor platônico de infância?
O Kurosaki não respondeu. Ai suspirou.
Ai: você vai se machucar desse jeito. Aquele cara não vale nada!
Ranmaru o fitou.
Ai: ele namora e trai o namorado com o colégio inteiro. Tanta gente no universo pra você resolver gostar e vai se enrolar com esse tal de Reiji??
Ranmaru: ele tem qualidades! As pessoas só sabem ver isso nele e…
Camus: os defeitos dele superam qualquer qualidade que possa ter.
O albino soltou um muxoxo.
Ai: quer ter seu amor platônico, pode ter… mas, por favor… não se envolve demais com isso. Esse Reiji é um cafajeste de primeira. Ele só brincaria com você.
O Kurosaki balançou a cabeça positivamente.
Ai: agora…
Ele olhou para os três.
Ai: por que estamos agachados mesmo??
Camus riu.
Camus: culpa do Ranmaru que ta treinando camuflagem na selva.
O albino bufou arrancando outro riso de Ai e Camus.
Camus: mas esse namorado dele é um idiota também. Eu matava meu namorado se eu descobrisse que ele me traia.
Ai começou a rir.
Ai: meus pêsames para seu namorado no futuro.
Camus: digo o mesmo para o seu.
Eles riram. Ranmaru continuou olhando Reiji conversar com o namorado, mas em um momento o moreno levantou a vista e seu olhar encontrou o do Kurosaki que desviou rapidamente.
Flashback off.
O albino abriu os olhos amargurados e sorriu recordando de quantos avisos seus melhores amigos deram a ele naquela época. Mas como estava apaixonado pelo moreno, se deixou levar pelo mesmo e esqueceu da fama que o país inteiro sabia que Reiji possuía. Só não imaginou que ele seria tão cretino daquela forma.
.................................
O moreno saiu cabisbaixo do banheiro. Sequer teve coragem para por alguma roupa e apenas se jogou na cama vestindo o roupão de banho, sem se importar se estava deixando sua colcha de cama ensopada. As memorias continuaram atormentando sua cabeça. Porque não lembrou disso no momento em que reencontrou Ranmaru? Reiji suspirou, perdendo-se novamente no passado.
Flashback on.
Reiji estava no vestiário do time de natação. Terminara seu banho e saia enrolado em uma toalha. O moreno tinha um sorriso malicioso nos lábios. Não era a primeira vez que flagrava o garoto do primeiro ano o fitando. O Kotobuki não era do tipo que gostava de crianças, aquele garoto provavelmente nem sabia beijar... Mas algo por trás daqueles óculos chamava a atenção. Talvez fosse o exótico cabelo branco.
Reiji: Eu nunca fiquei com um albino.
Falou para si mesmo, rindo em seguida. Reiji terminou de se vestir e saiu apressado do vestiário. Havia marcado um encontro com Aine, seu melhor amigo. O Kotobuki foi em direção à saída e viu o pirralho de mais cedo andando junto com um garoto loiro e um bluenette. Deu um sorrido cínico e saiu do colégio, vendo Aine de braços cruzados, encostado em uma moto.
Aine: Tá precisando de um relógio novo??
Indagou irritado.
Reiji: Desculpe Ainyan, o treino demorou a acabar hoje.
Disse sorrindo sem graça, vendo o bluenette rolar os olhos.
Aine: Anda, vamos logo.
Falou, dando um capacete para o moreno. Os dois subiram na moto e foram até a casa do Kisaragi. Assim que almoçaram, foram para a sala e Reiji se jogou no sofá sorrindo pensativo. Aine arqueou a sobrancelha e se sentou ao lado do Kotobuki.
Aine: Pode falar.
Disse com um suspiro.
Reiji: Você me conhece bem mesmo, Ainyan.
Falou rindo.
Aine: Quem é o cara da vez?
Indagou curioso.
Reiji: Não é um cara, é um garoto na verdade.
Disse com um meio sorriso.
Aine: Decidiu abrir uma creche?
Perguntou sarcástico. Reiji começou a rir.
Reiji: Claro que não, Ainyan... Mas o pirralho não é de se jogar fora... Tem uma bunda...
Falou malicioso. Aine rodou os olhos.
Aine: Você não presta.
Sacudiu a cabeça negativamente, embora estivesse com um sorriso malicioso.
Reiji: Hoje ele tava me olhando... Tão inocente... Dá vontade de corromper.
Mordeu os lábios em expectativa. O Kisaragi suspirou.
Aine: Você não tem jeito mesmo.
O Kotobuki riu e o bluenette acabou o acompanhando.
Flashback off.
Reiji bateu na própria testa.
Reiji: Idiota! Eu sou um idiota!
Suspirou, olhando para o teto do quarto e deixando sua mente vagar novamente no passado.
Flashback on.
Reiji foi a biblioteca buscar um livro para estudar para a prova de biologia. A mesma estava estranhamente vazia para uma semana de prova. O Kotobuki ia para a sessão onde tinha o livro que queria, quanto viu o garoto que sempre lhe secava nos treinos do time fitando a estante de livros de história. O moreno se aproximou.
Reiji: Precisa de alguma ajuda, fofinho?
Ofereceu-se com um sorriso, vendo o garoto corar.
Ranmaru: S-Senpai!
Exclamou assustando, vendo o mais velho rir.
Reiji: Você fica uma graça corado, sabia?
Sussurrou no ouvido do menor. Ranmaru mordeu os lábios nervoso.
Reiji: O que acha de ir tomar um sorvete comigo hoje a tarde?
Convidou com um sorriso que fez o mais novo se derreter. O albino sabia que tinha prova no dia seguinte e que combinara de ajudar Ai e Camus a estudar história, mas a resposta saiu sem hesitar.
Ranmaru: Hai Reiji-senpai.
Falou com um sorriso tímido. O mais velho sorriu satisfeito.
Reiji: Me encontra na sorveteria Frozen às 15h.
Piscou.
Ranmaru concordou com a cabeça, corando novamente.
Flashback off.
Reiji tinha os olhos fechados e a mão no peito.
Reiji: Eu não tinha ideia que ele era o amor da minha vida.
Falou com pesar para si mesmo, deixando uma lágrima solitária cair.
Reiji: Ah Ran-Ran!
Disse desesperado, pegando a almofada que tinha na cama e colocando no próprio rosto.
..................................
O Kurosaki estava em sua banheira de hidro. O maior tentava acalmar os nervos com um banho relaxante, mas nada conseguia fazê-lo esquecer das malditas lembranças do seu passado com Reiji. Ranmaru se recordou do “primeiro” beijo deles logo depois que se reencontraram naquela noite na boate.
Flashback on.
Ranmaru e Reiji já estavam conversando há um bom tempo e degustando do vinho que o moreno oferecera ao Kurosaki.
Reiji então Ran-Ran… você não devia morar há muito tempo aqui não é? Ou pelo menos não frequentava as casas noturnas da cidade.
O Kurosaki o fitou.
Ranmaru: morava em Osaka. Voltei para Shibuya há uns dois anos e no começo não vinha muito para balada mesmo.
Reiji: por que não morava aqui? É de Osaka?
Ranmaru: bom… na verdade nasci aqui. Mas me mudei para lá quando era adolescente. Problemas pessoais.
Falou com um certo pesar na voz e o Kotobuki percebeu e dessa forma escolheu não tocar mais no assunto.
Ranmaru: como adivinhou que eu não vinha muito para baladas?
Reiji sorriu.
Reiji: eu já teria te avistado antes…
Ranmaru: são tantas pessoas. Você provavelmente esqueceria.
Falou o fitando. Reiji se aproximou dele e murmurou.
Reiji: não me esqueceria de alguém como você, Ranmaru.
Os dois ficaram se olhando por uns segundos.
Ranmaru: “você já esqueceu…”
Pensou sentindo na hora seu coração apertar.
Reiji: vamos dançar??
Convidou animado se levantando do banco.
Ranmaru: claro.
Aceitou sorrindo de canto e seguiu o moreno pela pista de dança. Logo quando chegaram ao centro, Ranmaru puxou firme o braço de Reiji e trouxe seu corpo para junto do seu. O Kotobuki estremeceu de leve sentindo o braço forte do maior rodear seu corpo, ambos estavam próximos demais e seus olhares presos um no outro de forma intensa.
Reiji: “ele é perfeito.”
O menor sorriu.
Reiji: “delicioso do mesmo jeito que imaginei quando o vi naquela noite.”
Só a ideia de ficar com o Kurosaki fazia os pelos do corpo do moreno se eriçarem no mesmo instante. Ranmaru era lindo, excitante, tinha uma voz rouca que deixava o Kotobuki maluco, um corpo definido e perfeito, uma pegada que com certeza deveria deixar qualquer um desestabilizado na cama… e a boca tão deliciosamente delineada que despertava todos os pensamentos mais traiçoeiros e sacanas de Reiji.
Reiji: “como será beija-lo?”
Indagou a si mesmo enquanto os corpos dançavam no ritmo da dança envolvente e sensual que tocava. Os orbes do menor desceram para a boca do albino e sua vontade de tocar aqueles lábios aumentava a cada segundo.
Ranmaru: algum problema, Reiji?
Perguntou com a voz rouca notando o olhar do outro para si. Reiji sentiu até o ultimo fio de cabelo se arrepiar. O Kotobuki o fitou intensamente e foi aproximando os lábios aos poucos, até que menos de um centímetro os separassem. Ranmaru prendeu a respiração por um instante. O moreno lambeu os lábios do outro de forma sensual, vendo o Kurosaki entreabri-los de leve. Reiji aproveitou a oportunidade e levou os braços ao pescoço do mais alto, juntando ainda mais os corpos.
O Kotobuki roçou os lábios de maneira provocante, até sentir o albino agarrar sua cintura com força e capturar seus lábios de uma vez. Reiji enfiou a língua na boca do maior, sentindo seu corpo inteiro arrepiar-se com a intensidade do beijo. Ranmaru devorava os lábios do Kotobuki, deixando-o completamente sem fôlego. Reiji gemeu nos lábios do Kurosaki e levou as mãos ao cabelo do mesmo, acariciando-os de forma provocante.
Ranmaru: “o gosto dele… ainda é o mesmo”.
Pensou enquanto o corpo reagiu ao gemido sexy que Reiji deu. A mão destra do albino desceu pela lateral do corpo do menor e voltou a subir para a cintura, alisando sua pele por cima da roupa. Reiji se agarrava forte ao outro e com mais necessidade o beijava. Os lábios do Kurosaki estavam deixando-o insano.
Reiji: “kami-sama… eu preciso tê-lo!”
Eles se separaram ofegantes e ambos estremeceram quando os olhos se encontraram.
Ranmaru: “não é possível que eu ainda…”
Pensou vendo o sorriso satisfeito e sempre tão belo do moreno surgir em seus lábios.
Flashback off.
Os olhos do Kurosaki estreitaram fortemente e ele afundou mais na banheira, querendo esquecer daquilo… queria esquecer Reiji.
Ranmaru: que tipo de idiota amaria duas vezes o mesmo cara que ferrou sua vida??
Disse revoltado consigo mesmo.
Flashback on.
Ranmaru estava numa felicidade que ele jamais conseguiria descrever. Depois do convite de Reiji, o menor mal conseguiu se concentrar nas aulas e pior foi mesmo convencer Ai e Camus que ele tinha um compromisso e que só poderia estudar com os dois mais tarde. Se os garotos descobrissem com quem era o compromisso do Kurosaki, ambos enfartariam e proibiriam o mesmo de ir se encontrar com Reiji.
Reiji: você é bem inteligente, Ran-Ran.
Elogiou o menor que estava com o rosto ruborizado por Reiji estar tão perto.
Ranmaru: o-obrigado.
O Kotobuki sorriu.
Reiji: “tão inocente…”
Pensou logo sentindo o corpo reagindo.
Reiji: e kawaii quando fica corado.
O albino corou mais, porém sorriu.
Ranmaru: mas você também é muito inteligente. Tem as melhores notas da turma e…
Ele se tocou na hora do que havia falando pelo olhar do outro.
Reiji: como sabe?
Pergunto sorrindo cinicamente.
Ranmaru: e-etto… b-bom… eu ouvir falar e…
O moreno encurtou mais a distancia e quase o menor cai do banco pelo susto.
Reiji: você fica me stalkeando Ran-Ran?
Ranmaru: ehh??
Reiji riu.
Reiji: não que ache ruim. Mas eu já notei seus olhares pra mim…
Disse diretamente e adorou ver como Ranmaru reagiu aquilo.
Reiji: “então esse garotinho realmente tem olhos só pra mim hã?”
Ranmaru: R-Reiji-senpai… eu posso explicar… eu…
Reiji: shh…
Pôs o dedo indicador nos lábios do outro.
Reiji: esse foi o motivo por eu ter te convidado, Ran-Ran. Relaxe…
Piscou ao pequeno que estava mais corado que uma maçã.
Reiji: “isso será divertido.”
Os olhos acinzentados fitaram um resquício de sorvete de flocos, que era o preferido de Ranmaru, perto dos cantos dos lábios deste.
Reiji: está sujo bem aqui…
Levou seu polegar ao queixo do Kurosaki.
Ranmaru: onde?
Ele ia pegar um lenço, mas Reiji se adiantou.
Reiji: eu limpo.
Falou com uma voz sensual. Ranmaru prendeu a respiração quando o moreno se aproximou como um predador. Reiji deixou seu rosto a um centímetro do outro. O moreno lentamente lambeu o resto de sorvete do queixo, deixando sua língua propositalmente encostar no lábio inferior do menor. O albino arrepiou-se e entreabriu os lábios assustado, dando a oportunidade que o maior precisava. Reiji encerrou a distancia entre os lábios e já foi atacando a boca de Ranmaru, beijando-o de forma dominante. O albino sentiu que seu coração podia sair pelo peito a qualquer momento. Aquele era seu primeiro beijo, e com o garoto que amava. Não podia estar mais feliz. O Kotobuki sorriu entre os lábios do menor.
Reiji: "Tão inexperiente..."
Pensou malicioso ao perceber que o menor não sabia o que fazer e estava completamente entregue aos seus comandos. O moreno aproveitou para explorar toda a boca de Ranmaru, divertindo-se com as sensações do corpo do menor. O fôlego do mais novo não resistiu e o mesmo separou o beijo ofegante e completamente corado. Reiji deu um meio sorriso e levou a mão direita ao queixo do menor, analisando-o.
Reiji: Está limpo!
Afirmou, piscando para o Kurosaki e voltando a tomar seu milk shake.
Flashback off.
Os olhos de Ranmaru estavam fechados.
Ranmaru: eu…
Murmurou baixinho.
Ranmaru: eu sou idiota o bastante pra amar o mesmo cretino que brincou comigo duas vezes…
Admitiu derrotado sentindo o sentimento que ele achou que tinha superado voltar a fazer seu peito doer na mesma intensidade de anos atrás.
Fale com o autor