Tempos difíceis, medidas desesperadas
2 - Where am I? -
Notas iniciais
Atualmente
O que eu não conseguia entender, era por que de eu estar ali sentada, esperando o advogado me atendesse.
Assassinato!
Bufei.
Como se eles tivessem provas de que eu matei ou sou uma psicopata que se aproveitou de sua carreira para enlouquecer a vida dos outros. Eu me esforcei tanto, para chegar aqui e ir por água baixo? Nããão, não posso deixar isso assim.
É um pouco irônico ser uma psicóloga e me chamarem de psicopata.
28 de outubro de 2006
Eram carros bonitos, elegantes, mas que pareciam mais como de corrida de rua, como “Velozes e furiosos”. Era somente isso que eu conseguia decifrar, devido a correria que meus pés estavam. E, porra! Eu ainda não descobri quem é essa pessoa que está comigo, me guiando, talvez. Eu só sei que ele(a) está de capuz preto que faz parte do casaco, sapatos pretos manchados com barro, numa cor meio alaranjada.
Como que minha cabeça dói tanto, meu Deus?
UOW! O que ele está fazendo com um pano na mão no meu rosto? Me fudi.
14 de julho de 2003
Eu estou péssima. Coluna, cabeça, até mesmo meu quadril, por tanto dançar, será? Eu quero mais daquilo, eu quero mais bebida, eu quero mais diversão, eu quero mais praia, eu quero ir para a gandaia, eu quero MAIS! Quanto mais melhor.
Só que eu preciso pensar.
Primeiramente:
Aonde eu estou?
Para onde eu vou?
Ainda tenho que me preocupar com a faculdade?
E o dinheiro?
Cadê o Davi que eu não vejo desde ontem?
E por que eu estou enfiada num caralho de biquíni que não tampa nem a metade de meus seios?
Primeiro tento abrir meus olhos devagar, para me acostumar com a intensidade da luz... numa sala! Pronto eu estou provavelmente na sala da casa da festa de ontem. Percebo isso quando meus olhos dão uma viradinha sem mexer a cabeça e olho por cima, já tendo em minha cabeça que há alguns corpos desmaiados no chão, sofás, poltronas, almofadas e etc.
Levanto como uma morta-viva, querendo tirar de imediato a dor de cabeça e corpo com um paracetamol.
A cozinha é um tanto quanto agradável, tem cara de ser de um homem solteiro, vive sozinho, sem preocupações, mas nesse momento não tem como haver muitas definições: a casa está pura bebida no chão, grudando, me fazendo ter que andar nas pontinhas dos pés.
Eu quero mais, mas ao mesmo tempo quero que eu não fique assim no dia seguinte.
Trê doses de tequila com uma pequena ajuda do limão e sal , inúmeras garrafas de vodcas e a tradicional cerveja. Não foi uma boa ideia ter misturado as bebidas.
E agora?
Ouço passos vindos do corredor. E se o dono da casa me ver xeretando a cozinha? Absolutamente eu acho que sumo ou viro um tomate, de tão vermelho.
Atrás da porta ou de baixo da mesa para se esconder seria um tanto clichê de minha parte, não estamos em filmes americanos. Provavelmente, agora, minha única opção, mais original é pegar um copo e fingir pegar água no filtro.
— Bú! – Gritou perto de meu ouvido, fazendo que eu vire minha cabeça com um quase 360, numa careta apavorada, quase deixando meu copo cair. Minhas mãos estavam em meu coração e os olhos obviamente arregalados.
Quem é essa pessoa, meu senhor? Eu não o conheço. Nunca vi na minha vida. E por que infernos ela gritou no meu ouvido? São esses pequenos detalhes (pessoas) que me deixam irritada. Quando me dei por conta minha cabeça já estava voltando ao ‘tum tum tum’ com mais intensidade que antes. Isso não é legal, não é, não é. E é ai que eu me lembro que esta pessoa ainda está reparando minha reação.
— O que foi?
— Você parece ter medo de mim!? – Ow, ow, ow. Medo de você? Não, só medo de você me pegar mexendo em coisas que não devo. Penso em dizer. Hi hi hi!
— Não, não, só estava pegando um pouco de água, você sabe, ressaca... – Soltei um ar desconfortável pela boca, porém acho que foi um pouco perceptível.
— Calma aí, relaxa, cê tá em casa! – Descanso os ombros, deixando minhas pernas carregando um pouco mais de peso do que antes. Digamos que as palavras dele são um pouco reconfortantes.
— Ok, mas qual é a sua?
— Fernando, prazer! – Fernando é um nome bonito, claro, para um homem bonito, atraente, elegante, uma postura ótima.
— Então você é o dono da festa? – A curiosidade um dia ainda vai matar o gatoooo.
— Na verdade sou o dono só da casa, ontem à noite tava trabalhando. – Espera, ele trabalhou ontem a noite? Quer dizer que ele não ficou bêbado ontem?
— Trabalhador então? – Soltei um risinho irônico. – Apesar, me chamo Melanie. – Sorriso sedutor, sorriso sedutor, sorriso sedutor.
— Bom te conhecer, Melanie, mas você acha que são que horas? – Disse olhando para as minhas roupas ou melhor, para minha falta de roupas. Mas por que? São por acaso 5h da manhã? Eu não sei se eu ruborizei, sumi ou se eu devia correr e pegar qualquer blusa que eu visse pela frente.
— Calma, não fica com vergonha, só que são 6:30 AM e você está em pé, com cara de assustada, ressaca pesada e de biquíni. O que eu devo achar sobre isso? – Porra, se ele der um desses sorrisos novamente, eu choro. Por que tanta beleza em um ser só? Meu Deus!
— Você deve achar que eu sou uma louca, que invadiu sua casa e fica andando por aí seminua de manhã!
— Como as pessoas dizem, a primeira impressão é a que fica!
— Não tenha esse pensamento sobre mim, eu sou uma dama super comportada.
— Claro, claro, dá para perceber, pelo tipo de festa que você vai, só dá gente comportada então.
— Você não ia trabalhar? – Desconversei.
— Me expulsando da minha própria casa? Gostei de ver, eu só vou embora se você colocar uma blusa, antes que você fique mais vermelha. – Que abusado!
— Ok, agente se embarra por ai.
— Qualquer coisa eu te dou mais sustos por ai, só não morra por minha beleza. – Que otário.
— Pode deixar, da próxima vez eu fico mais atenta.
— Acho que você não tomou susto porque estava desatenta, como minha mãe diz, quem toma susto é quem tava aprontando. – Sacana esse cara, fala sério. Mas não deixei de soltar um sorrisinho. Foi com essa frase que ele me deixou rindo sozinha, só percebi quando ouvi a porta da saída se bater.
Ele não deveria ser rico, mas também não devia ser pobre. Pelo que eu vejo isso aqui parece a Tijuca, perto da Afonso Pena, se eu não me engano. E agora fica minha dúvida: como viemos parar aqui? Eu lembro de ir para o Jacarézinho, as bebidas, a nota de 20... Depois disso mais nada.
Tenho duas opções:
Ir embora, mas não ter para onde ir.
ou
Dormir.
A melhor opção é a minha escolha, vamos dormir porque mata a fome, não engorda e é saudável para a mente.
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