Tempos difíceis, medidas desesperadas
1 - Pilot - Welcome Drugs
Notas iniciais
Atualmente
E lá estava eu, esperando só o advogado me chamar para podermos esclarecer tudo de uma vez por todas.
Certo, vamos voltar um pouquinho. Isso tudo aconteceu a um tempo atrás.
28 de outubro de 2006.
Só ouvia o barulho dos carros, em alta velocidade, dando-me a impressão que estavam vindo todos em minha direção. Mas não podia estar acontecendo, pois eu estava sendo guiada, não estou tão drogada assim para não saber se a pessoa está me levando ou não. Eu sinto a presença dela, ou talvez seja coisa só da minha cabeça, mas eu sinto alguém puxando meus pulsos com uma brutalidade que me aparentava ser masculina. Pelo cheiro eu não o reconhecida, além do mais, agora seria impossível usar meu nariz. Nesse momento minhas narinas só servem para inalar mais droga, se é que isso é possível.
A droga, me fazia sentir uma pessoa sem problemas, sem me preocupar com a vida e quando é misturada com bebida, fica tudo ainda mais confuso, o confuso é legal, sem responsabilidade, sem pais para perturbar, sem estudo. Mas é claro que eu não sinto falta disso. Sou de capital, aprendo a me virar sozinha e a vida aqui não é fácil para ninguém.
Todo dia há uma pressão diferente, as responsabilidades vão tomando conta do nosso corpo como se não pudesse mais existir tempo para nos divertirmos. O interessante é que todos ao redor jogam — ou pelo menos uma parte — a pressão em cima das drogas, inclusive eu.
Sou psicóloga, louca, drogada, atendendo pacientes que sofrem as mesmas coisas que eu. Têm consultas que eu paro e penso "Quem mesmo que está dando os conselhos?".
13 de julho de 2003
Revoltada com meus pais. É isso que eu estou. Cansada de ficar de joelhos implorando por dinheiro dos meus pais, que falam que eu já gasto demais com a faculdade. O dinheiro não é um problema para nós, mas sim a dificuldade que ele têm em me liberar para eventos informais.
— Vocês não devem estar entendendo a parte do "eu preciso sair".
— E a senhorita não deve estar entendendo a parte do "Não" — Meu pai não somente deu ênfase como praticamente cuspiu as palavras em meu rosto.
— Ok, é isso que vocês querem? — Eles trocaram olhos confusos
E minha mãe logo disse:
— Calme, minha filha, tudo vai ficar bem, não vá fazer mal ficar em casa um dia.
— O problema é que vocês sempre falam isso e eu estuo cansada de ser a menina certinha que todos esperam, tenho que começar a ser mais esperta.
— Minha filha, olha, ser esperta não é rodar a bolsa na esquina, conseguir dinheiro dando a qualquer um e comprar drogas. Ser esperta é você aprender a ouvir o que as pessoas te falam, ter uma faculdade completa...
Eu não poderia deixá-la continuar com aquele falatório que só colocaria merda em minha cabeça.
— Chega mãe, acabou. Eu tenho minhas economias pra faculdade na poupança, vou pegar minha coisas e vou embora, pois eu sei que se eu precisar da ajuda financeira dos meus próprios pais, eu não vou poder ter. Mais tarde eu passo para embalar minhas coisas.
Eu até que consegui ver os olhos dos meus pais marejados, mas daquele jeito, me sufocando e manipulando, eu não aguentava mais. Teria que tocar a vida de agora em diante, conseguir um emprego seria meu primeiro passo.
13 de julho de 2003 — Noite
Esse mundo novo está sendo uma loucura, tudo girando e essa seria minha primeira vez fazendo algo que nunca estaria em minha lista de afazeres. Eu só sei que estou com um menino, homem ou sei lá que diabos era aquilo que estava me observando a inspirar o pó pelo nariz. Incrível de como a sensação é boa após inalado. Um frio na barriga, uma pontada forte na cabeça e bum! Está tudo girando e começando a se formar um bolô na minha cabeça.
Acho que Derek era o nome dele, ou Dave, David, Davi. Isso Davi. Davi era o nome do garoto.
Algumas horas antes
E assim que pus os pés na areia da praia de Ipanema, pude ver um menino, que poderia ser um vício olhar para ele, como se fosse uma droga ou algo pior. Ele estava caminhando em minha direção, só que não era bem em minha direção, pois o cachorro dele estava preso em uma arvore atras de mim, porém tecnicamente foi em minha direção.
— Hey! — Fez um Hi-5 com as mãos e um sorriso encantador.
— Oi! — Falei Retribuindo seu elegante sorriso. – Seu cachorro? — Que pergunta idiota, é claro que é dele.
— Não. Estou levando 100 pratas para passar 1 semana com ele. — Ops.
— Hm. De qualquer forma, é um bonito cachorro não é? — Que burrisse a minha ficar fazendo um montão de perguntas, que coisa chata Melanie.
— Obiviamente bonito, o garotão aqui — passou a mão sobre a cabeça do chow-chow, que era todo raspado, exceto o rabo e a cabeça, parecendo um leãozinho de lingua azul ou roxa que não tinha conseguido decifrar ainda – é de raça, o dono dele o considera um filho, vão correr juntos, comem na mesma hora. Loucura e mimo.
— Mas as vezes um mimo é bom.
— Pode apostar que não, não nesse caso. — Eu assenti, virando o rosto para o mar – Hey, vem cá, você gostaria, de... Ah sei lá, ir a uma festa hoje? — Coçou a nuca, como um gesto de vergonha.
— Claro, adoraria, onde vai ser? — O questionei e acho que ele ficou um pouco constrangido de dizer onde era o local – Se quiser que eu não vá, pode... — Não consegui nem terminar de falar e soltou um "Jacarézinho". Jacarézinho é uma comunidade do Rio em que hm... O pau come lá dentro.
Embora fosse perigoso, eu não perderia a chance de estar com esse gato, eu somente assenti a cabeça e trocamos os nomes e celulares. A festa só haveria início as 23h.
23 de julho de 2003 — Madrugada
Já estava enturmada, quando vejo Davi, se aproximando com um amigo ao seu lado.
— Melanie, venha cá, vou apresentar uma coisa nova para você. — Disse colocando o braço em volta de meu pescoço, o apoiando em meus ombros. O que nessas horas eu só assenti e fui sendo guiada. – Chegamos, Melani...
— Me chama de Mel, por favor.
— Chegamos, Mel. – Era um cubículo que só caberia no máximo 3 pessoas, porém seu amigo ficou na porta vigiando e eu ainda sem nada a entender. Porém, quando coloquei meus olhos sob a mesa eu tinha entendido tudo.
Havia um desenho em linha reta feita com pó.
— Você só faz isso se quiser. — eu assenti, pensando em como eu fui certinha e como uma vez na vida eu poderia fazer alguma coisa arriscada.
Ele me esticou uma nota de 20 reais enrolada e eu estendi a mão para pegar, agachando, ficando com a cabeça na altura da mesa, para que eu pudesse conectar a nota com uma de minhas narinas e o pó.
Esse novo mundo está sendo louco, tudo girando, uma ânsia de vômito e essa seria minha primeira vez fazendo algo que nunca estaria em minha lista de afazeres. Eu só sei que estou com um menino, homem ou sei lá que diabos era aquilos que estava me ajudando a sugar o pó pelo nariz. Incrível de como a sensação é boa depois de inalado, um frio na barriga, uma pontada forte na cabeça e bum! Está tudo girando e começando a se formar um bolô minha cabeça.
Logo veio uma sensação pesada, agoniante, claustrofóbica por estar naquele cubículo. Saí empurrando tudo. Aquilo apesar de ser confuso, me deixava num estado de necessidade.
Logo veio uma voz em meu ouvido e falou:
— Se tomar alguma bebida as sensações vão ser melhores ainda. — A voz era feminina, mas eu estava pouco me lixando para saber quem era. Só queria saber agora como continuar a ter essas sensações maravilhosas. E pelo visto eu já sabia que o alcóol ajudava.
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