Notas iniciais
Guardian: desculpem, gente, mas sem previsão de atualização ó.ò Enem no fim do mês, vestibulares começando... Ai, estou cansada T-T
Ah sim, não podemos esquecer de uma coisa: agradecemos MUITO à Marii_W pela recomendação LINDA que ela fez pra fic *O* Mutio obrigada mesmo *-------*

— Levantem-se agora! — a voz de Mello nunca estivera tão alta e estridente. A veia principal de seu pescoço saltava da pele alva — Hora de mostrar do que a Alemanha é capaz! — uma bomba explodiu onde o mar revolto lambia a areia, por sorte longe das casas. Foi aquele som que acabou por despertar todos os homes do exército alemão.

— Mayday! Mayday! Ataque aéreo dos Aliados na praia de Omaha, na Normandia! Mayday! Repito: ataque aéreo Aliado na praia de Omaha, na Normandia! Reforços requisitados! Mayday! — o soldado responsável pela torre de comunicação improvisada no teto de uma das casas praianas gritava ao microfone tão molhado quanto ele.

Porém abandonou o posto com o impacto das ondas mecânicas liberadas pela explosão da bomba alcançando a construção. O homem bateu de costas em uma árvore a quase duzentos metros de onde estava originalmente e fraturou de uma vez as costas e, fatalmente, a cabeça.

Os paraquedistas aproximavam-se cada vez mais do solo, acelerando os sargentos a armarem seus homens.

— Saiam dessas casas agora se não quiserem morrer! — Matt arombava cada porta que encontrava. Gritava tanto que seu rosto estava quase tão vermelho quanto seus cabelos ensopados. Guiou a todos que estavam sem armas em direção ao arsenal enquanto ordenava aos soldados de plantão que abrissem fogo contra os Aliados caindo do céu — Homens! — gritou ele — Apontar!... Fogo! — e as balas se libertaram velozmente das metralhadoras, que cantavam alto e só se calavam quando ao acertar seus alvos.

Otto e Keehl tinham mais da metade dos homens armados e, infelizmente, se tocaram de que no mínimo uma dezena deles fora perdida. Muniram-se os dois também e os que chegaram após isso receberam ordens de utilizar as armas anti-navais afixadas ao longo da faixada de areia molhada, o que dificultava a movimentação do exército.

— Atirem! — Otto ordenou, e antes de terminar a frase, os navios ao horizonte, escondidos parcialmente pela cortina cinza de água, foram alvejados pelos alemães.

Tenente e sargentos — após a rápida passagem de Matt pelo arsenal — juntaram-se aos homens, portando metralhadoras MG- 42 e mirando nos paraquedistas ainda no céu e nos que conseguiam aterrissar.

Do outro lado não foi diferente. Tiros vinham de cima e atingiam crânios loiros, tingindo-os de escarlate; bombas mergulhavam na areia, vitimando cada vez mais homens; bolas de canhão vindas do mar voavam pelo ar cheio de grossas gotículas de água até atingirem o Eixo.

— Você estava reclamando que nada acontecia — Matt falou sarcástico à Mello, no mínimo intervalo de tempo que levou para recarregar sua arma. Seu comentário sarcástico ganhou um efeito extra com a bomba que detonou a uma distância perigosamente próxima de onde eles estavam, levando, além do barulho, a massa de ar quente decorrente da explosão, que balançou furiosamente seus cabelos molhados.

— Muito engraçado — Mello retrucou, tentando superar a baixa visiblidade e mirar em um soldado americano que ousava tentar se aproximar.

Mas logo os soldados que caíam e atiravam do céu não eram mais o maior problema e fonte de preocupação do exército alemão. Porque não deu muito tempo e os navios começaram a revidar ainda mais impiedosamente com seus canhões.

— Zur hölle fahren!¹ — Otto exclamou alto, afastando violentamente um de seus homens da arma anti-naval mais próxima. Não se demorou mirando, e mesmo assim conseguiu acertar e afundar o navio que liderava a frota.

Cinco soldados munidos de bazucas estavam em cima de uma das casas de cimento, posicionando seus armamentos de acordo com o segundo navio que avançava pelo oceano. Colocaram o equipamento munido no ombro e, à ordem do cabo, dispararam no horizonte, passando pela chuva como se ela não estivesse lá.

A trilha de fumaça deixada por poucos segundos no céus escuro levavam diretamente ao alvo, em situação de emergência então. O som do tiro misturou-se ao som das minas terrestres ativadas por indivíduos Aliados, quais guardaram vidas em si e cuspiram corpos e areia a mais de três metros de altura.

Mihael se permitiu um breve sorriso pela cena.

~x~

Amanhecia e a troca de tiros parecia estar longe de cessar. A chuva havia sido reduzida a uma fina e insistente garoa, e em uma mistura de fracas gotas e os primeiros raios de sol que rompiam o céu, os tecidos brancos e esticados dos últimos paraquedistas que caíam davam a impressão de ter trazido de volta a neve do inverno.

E longe de diminuir, o número de inimigos apenas aumentava. Amanhecia, e junto com o sol, a chamada tropa anfíbia se mostrava. Centenas de homens disfarçados pela água, o brilho de suas armas e olhares provocando uma pontada de hesitação e temor nas tropas alemãs.

— Voltem! Agora! — Sargento Jeevas gritou para os homens o mais alto que pôde.

— O que está fazendo?! — Mihael exclamou para o ruivo.

— Se você não percebeu, há uma pequena diferença de números aqui!

— Matt, mas... — Mello estava totalmente desnorteado com aquela ordem.

— "Mas" nada, Keehl! Traga seus homens agora! — Otto mandou, reunindo os soldados para que voltassem para a base subterrânea de estratégias.

Recuo nunca foi uma palavra bem aceita, ainda mais pelos alemães. Afinal, eram alemães, não italianos. Todos estavam fazendo um alvoroço na tal base — mesmo que esta não fosse pequena, no momento, parecia ainda maior pela falta de homens — por conta da retirada.

O ânimo, a vontade de lutar, havia abandonado a grande maioria dos soldados, que em frente a tamanha e visível desvantagem, a única coisa que desejavam em pensamento era abandonar aquela batalha aparentemente perdida de uma vez,antes que as baixas fossem maiores. Eram alemães, eram orgulhosos, eram nacionalistas. Mas tinham apego à vida.

E um dos soldados expressou tais pensamentos em palavras.

— Resistir vai servir de alguma coisa a esta altura? Deveríamos entregar a França logo e... — mas foi interrompido por uma voz grave, séria. Otto, que até o momento analisava um mapa francês em cima da mesa, levantou o olhar nunca antes tão frio.

"Quem expressa esse desejo?" — o tenente se fazia ouvir no mais absoluto silêncio que havia se instalado, e andava na direção do dito soldado, com todos os outros lhe abrindo o caminho — "É você que expressa esse desejo?"

Otto ficou frente a frente com o soldado, o olhar frio fixo nele. Desnecessário dizer que o subalterno já se arrependia amargamente por ter aberto a boca.

"Aquele que não for com coragem à luta, pode se retirar. Não impedirei ninguém" — nesse momento olhou para cada um dos rostos de mesma nacionalidade que a sua, imaginando se alguém teria coragem o suficiente para se pronunciar. Ninguém — "Não queremos na morte a companhia de um homem que teme morrer conosco" — completou voltando o olhar para o homem à sua frente.

"No entanto, meus homens..." — aumentou o tom de voz, de modo que dava a impressão de que o ambiente estava vibrando com sua atuação, novamente alternando o olhar entre os integrantes do grupo que o rodeava — "... Se houver aquele que sobreviver a este dia e retornar em segurança à casa, erguer-se-á com orgulho quando este dia for mencionado. As pessoas se esquecerão. Mas, mesmo que se esqueçam de tudo, aquele todavia se lembrará com satisfação das proezas que levou a cabo naquele dia".

— Não deixar os homens desistirem usando as falas da peça "Henrique V" — Matt sussurrou — Impressionante.

— Mello apenas concordou mudamente, impressionado a contragosto.

"E os cavalheiros que temerem a derrota e deixarem este lugar, considerar-se-ão malditos por não terem estado aqui. Pouco, poucos e felizes, um exército de irmãos. Aquele que derramar seu sangue comigo na batalha de hoje, será meu irmão! Então, soldados, avancem. E que Deus protejam meus irmãos!"

— Traduzindo: ou vocês lutam, ou vocês lutam — Mihael sussurrou para o ruivo ao seu lado.

Diz-se que esta peça de Shakespeare foi encenada diversas vezes no passado, em ocasião de importantes batalhas. Não se pode ter certeza disto, mas uma coisa é certa: de algum modo, a atuação simples, o discurso que ecoava no esconderijo subterrâneo, conseguiram "acender" novamente o espíriot dos homens ali reunidos. Talvez fossem falas em tanto ultrapassadas para a época, mas isto não muda em nada o efeito que causou.

E Matt aproveitou a deixa para completar:

— Você suportariam a vergonha que os perseguirá caso fujam desta batalha?!

— Se for para morrermos — Mello completou -, morreremos de frente, lutando! Ou você vão desonrar a cruz que carregamos em nosso peito?!

A resposta unânime foi gritada pelos soldados. Talvez não fosse uma ideia muito inteligente fazer tanto barulho quando estavam debaixo da terra, mas nenhum deles se importou com isso. Na verdade, nem pensaram.

— NÃO SENHOR!!!

Otto deixou um mínimo sorriso de satisfação e orgulho tomar conta de seus lábios antes de gritar:

— Então cuidem das deridas e preparem suas armas! Até os reforços chegarem nós vamos acabar com o maior número possível desses americanos intrometidos!

Notas finais
¹Vá pro inferno (Zur hölle fahren)
Guardian: bom, como dito no próprio texto, essas falas em itálico são de autoria de William Shakespeare, com a peça "Henrique V". Hehehe Vimos isso no mangá do Ouran e, sei lá, pareceu legal de pôr :) Sem falar que eu achei o Otto bem foda usando um recurso literário para animar os soldados *¬*