Templar: The Rise Of The Fallen Knights
2 Madrugada conturbada
Notas iniciais
Era um dia nublado e de pouca visibilidade, eu estava, como de costume, perseguindo uma criatura das trevas. Bem vindos à minha rotina. Pra quem não sabe, meu nome é Cato. Dois anos atrás eu perdi meus melhores amigos para essas feras, e hoje, eu busco vingança. Nem o grande poder de influência dos Templários poderia me ajudar, por isso eu larguei meu posto de Cavaleiro.
A criatura que eu estou perseguindo é um demônio aquático que está aterrorizando essa pequena aldeia. A besta é conhecida pelos habitantes como Ralph. O líder da vila me ofereceu uma quantia inestimável se eu eliminasse o monstro, mas eu recusei o dinheiro. Eu mato monstros por vingança, não por profissão.
Lago Stockhold 1:23 AM:
Após ser guiado pelos comerciantes cheguei, enfim, ao lago Stockhold, assim batizado em homenagem ao senhor Arnold Stockhold, que morrera tragicamente dez anos atrás.
Após agradecer e pagar os comerciantes que me serviram de guias, aproximei-me do lago cautelosamente. Estava escuro e o ar tinha uma névoa que dava àquele lugar uma cara ainda mais assustadora. Logo de cara notei a algo se mexia lentamente no meio do lago. Eu poderia ter atirado com uma besta, mas era perigoso demais dadas as circunstâncias que a criatura devia ter uns oito metros de acordo com a descrição dos comerciantes.
-É cada uma em que eu me meto... – falei preparando o equipamento na margem do lago.
Esperei horas com a besta carregada e a espada ao lado, mas a criatura não saia de baixo d’água. “É um demônio aquático, o que você esperava?” pensei. Por fim resolvi que teria de entrar no lago. Peguei minha espada e mantive uma besta presa nas costas, pro caso de ter que atacar de longe.
-Se você não vem até a morte, a morte vai até você! – falei entrando cautelosamente no lago.
A cada passo mais um pouco do meu corpo afundava naquelas águas gélidas e pouco movimentadas. Olhei de um lado à outro e então comecei a andar cuidadosamente até onde a criatura se movimentava na água. Mantive certa distância, ela parecia não me visto ainda. Aproveite a chance e enterrei a espada onde podia ver movimento na água. Imediatamente a água foi colorindo-se de vermelho. Sangue. Mas uma coisa não fazia sentido, havia tão pouco sangue na água. Retirei minha espada do lugar onde a cravara e para minha surpresa eu havia acertado um peixe. Nesse momento comecei a ouvir sons de respiração atrás de mim. Virei-me e ali estava, uma criatura com dois metros de altura e dentes de tubarão. Seus olhos eram como os de um sapo, e sua pele, escamosa. Garras potentes saíam de seus dedos. Ele ficou me olhando por alguns segundos até que fez um som de rosnado e eu só tive tempo de sair da sua frente antes que ele abrisse a boca e um raio de luz azul destruísse tudo até a outra margem do lago. Corri até a margem oposta tentando escapar do próximo tiro, na terra eu correria melhor. Ele estava mirando em mim e foi quando pensei que não escaparia, ele lançou mais um raio, mas por sorte não me atingiu. Eu não entendia como, pois estava na minha reta, era pra ter despedaçado minha cabeça. A menos que... Olhei para o chão, eu estava fora do lago. Será que? Sim! Ele é um demônio aquático, está limitado a viver no lago, e seus ataques não podem ultrapassar o mesmo.
-Parece que descobri seu ponto fraco! – falei.
Peguei a besta e carregai uma flecha. A criatura andava de um lado a outro ainda de pé usando suas pernas/nadadeiras, e aquilo era incrivelmente assustador. Sua pele verde era ainda mais estranha que sua anatomia. Eu só tinha um tiro, sabia que se errasse ele mergulharia e eu não poderia derrotá-lo mais. Mirei em algum ponto no meio de sua testa, ele ia da esquerda para a direita e vice-versa, andava mais ou menos um metro para cada lado. Ele foi para a esquerda e calculei que ele levava três segundos para fazer esse movimento. Precipitei minha besta para a direita e quando ele se aproximou, atirei.
A criatura pôs suas mãos escrotas na testa e soltou um rosnado de dor que se fez ouvir em todo o vilarejo. Sangue azul caía de sua cabeça enquanto ela tentava tirar a flecha de lá. Menos de cinco segundos depois ela caiu e à sua volta o lago tingiu-se de azul escuro. Estava acabado. Só faltava avisar o líder da vila e seguir em frente para uma nova cidade.
_____________________________________________________________________________
Eram quatro da manhã quando cheguei à vila. Todos estavam fora das casas segurando seus filhos e me olhando seriamente. Ignorei-os, pois já havia me acostumado com a rejeição. Segui em frente até o final da vila onde vivia o líder. Ele encontrava-se fora da casa também, com uma besta nas mãos, mas diferente dos outros ele sorriu a me ver.
-E então Cato, você conseguiu? – ele perguntou um pouco mais sério.
-Sim, senhor. Tudo o que resta de Ralph agora está no fundo do lago servindo de comida para os peixes. – falei sorrindo também.
As pessoas começaram a se aproximar cochichando algo sobre o meu jeito. Curiosos intrometidos. O líder da vila percebeu isso e logo tratou de resolver:
-Escutem aqui, todos para suas casas. Esse rapaz acaba de matar Ralph – todos fizeram cara de espanto – Ele fez mais por nós do que qualquer um de vocês possa ter feito algum dia. E além do mais, ele fez isso sem cobrar um centavo. É uma pessoa generosa que merece nosso respeito!
-Por favor senhor, assim eu vou ficar sem jeito. – falei sorrindo.
Ele estava prestes a responder algo quando foi impedido por um homem a cavalo que vinha em direção à prefeitura.
-Alto lá meu amigo! Em que podemos ser úteis? – o líder perguntou firme.
-Senhor, meu nome é Frank, eu estou atrás do senhor Cato faz três dias. Disseram-me que poderia encontrá-lo aqui. É urgente. – ele falou sem fôlego.
-Eu sou Cato. O que deseja? Estou a seu dispor. – falei me aproximando.
-Ah, graças a deus senhor! Eu tenho um recado do vilarejo de Hilldown senhor. É a sua noiva... – ele falava quando o impedi.
-O que aconteceu com Camille? – falei desesperado.
-Senhor, ela foi... Bem, encontraram o corpo em uma caverna. Meus pêsames senhor. – ele falou.
-Ó meu deus não... Eu jamais devia tê-la deixado lá sozinha... Porque meu deus? Por quê?! – falei em prantos.
-Me desculpe senhor, mas tenho ordens de leva-lo, se o senhor quiser é claro, para a cidade para o enterro da senhorita Camille. – falou o jovem em tom compreensivo.
-Tudo bem. Vamos partir o quanto antes... – falei ainda chorando.
Despedi-me dos habitantes da vila e do líder e partimos assim que o sol nasceu. A tristeza me consumia por dentro. Eu me culpava pela morte dela.
Eu e o rapaz fomos no mesmo cavalo porque eu não estava em condições de cavalgar. Meu cavalo foi amarrado ao dele. Adormeci durante a viagem e só me acordei com o jovem me chamando.
-Senhor, acorde. Chegamos à Hilldown. – ele falou receptivamente.
Fale com o autor