Tempestade
15 Lutar
Notas iniciais
“O grau mais elevado da sabedoria humana é saber adaptar o seu caráter às circunstâncias e ficar interiormente calmo apesar das tempestades exteriores”. Daniel Defoe
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– Música sugerida (This Is War — 30 Seconds To Mars) -
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Charlie Swan estava irritado, indócil e completamente entediado...
– Inferno! – Esbravejou desabafando para o amigo advogado. – O colégio na Suíça não irá receber Isabella até o início do próximo ano. – Compartilhou.
– Por que não? – Questionou Sam e o Swan soltando o ar com força...
– Algo sobre os malditos feriados do final do ano. – Expos ainda irritado. Charlie havia ligado para o colégio em que anos atrás havia enviado Isabella, na Europa, a intenção era despacha-la o quanto antes e voltar à normalidade de sua rotina, mas a resposta contrária da instituição o deixara enfurecido. – O diretor teve ainda a capacidade de questionar a sensatez de minha decisão em envia-la para lá sendo que Isabella estaria caminhando para seu último ano vindo em seguida a universidade... Ele teve a audácia de me aconselhar a manter minha filha por mais um ano aqui... Maldição, eles querem ou não querem dinheiro? Afinal é para isso que criam essas instituições de ensino ou não? Lucrar, é no que se resume tudo. – Soltava impaciente e o Uley...
– Na verdade... na verdade o homem não está errado, Charlie... Isabella ficaria de fato só mais um ano no internato e depois se encaminharia para universidade de qualquer forma... É ele...
– Eu não quero saber se ele está certo ou errado, se a ideia é coerente ou não... Nesse momento é a melhor solução que posso arranjar... Ou o que você sugere que eu faça agora, quando estou prestes a me casar... Minha noiva irá adorar a ideia não é mesmo? – Disse irradiando revolta e Sam apenas deu de ombros sem saber o que dizer, o homem ainda andava de um lado a outro na saleta adjacente ao quarto hospitalar em que a filha se encontrava. – Vou leva-la de volta ao internato mesmo, ao menos por enquanto e depois...
– Charlie... Não verão com bons olhos essa atitude... – Comentou cauteloso o Uley. – Afinal a menina passou por um momento de intenso stress...
– Que se dane os momentos que ela passou...
– Caro amigo... Sua impaciência não vai nos ajudar... Não se esqueça Charlie, ela é a herdeira e...
– Não precisa ficar me lembrando disso. – Vociferou.
– Precisa tê-la ao seu lado, precisa continuar sendo o papai e não se tornar o bicho papão, porque quando ela atingir a maioridade tudo vai mudar e o patrimônio passa a ser dela... E vamos combinar, isso não está longe de acontecer e...
– Inferno... Ela nem sabe quanto tem. – Esbravejou mais uma vez fazendo Isabella acordar no quarto ao lado e no mesmo instante bateram à porta, silêncio se fez e Sam abriu a mesma... Eram os Lefevre trazendo a preocupada Victoria... É claro que Charlie os recebeu bem e deixou que mãe e filha entrassem no quarto enquanto fazia sala para o pai da menina... Victoria observou a amiga e logo seus olhares se conectaram...
– Bella... – Disse com dor na voz e a jovem Swan sem conter-se mais uma vez deixou as lágrimas virem à tona... Victoria a abraçou como pôde. – Onde você se enfiou? Eu... Eu estava tão preocupada com você... – Dizia baixinho e os soluços misturados a choro impediam Isabella de falar... A mãe de Victoria assistia a cena com pesar no coração.
– Meu Edward, Vic... Meu Edward... – Repetia desolada... Os Lefevre ainda ficaram por lá mais alguns instantes e Victoria deixou todos os contatos possíveis para que Isabella pudesse com ela conversar nos próximos dias e se despediram chorosas.
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– Eis o que vamos fazer... – Disse Lince a um Edward pensativo ainda digerindo a conversa com a mãe. — Assim que você estiver reestabelecido vou leva-lo até Port Angeles e de lá você vai pegar um ônibus para Seattle e vai procurar o seu pai, se é como Elisabeth falou... Se o nome dele é conhecido por lá... Você não terá problema em encontra-lo... – Falava... – Eu tenho um dinheiro e juntando com o que sua mãe lhe deu e...
– Eu não vou poder aceitar... Nem mesmo esse dinheiro que ela deu eu vou poder aceitar...
– Mas é claro que vai aceitar. – Lançou interrompendo o garoto com certa rispidez. – Não é hora para orgulho, rapaz... Vamos seguir o plano e resolver logo isso... A essa hora a polícia já deve estar imaginando que você morreu afogado e vai logo parar com as buscas... O que vai lhe dar mais tranquilidade para transitar por Seattle até encontrar o tal Carlisle Cullen. – Definiu.
– Lince... – Chamou Edward inseguro. – Você acha... Acha que ele... Carlisle Cullen... Você acha que ele... Vai aceitar me receber ou... Ou me ajudar? – Questionou demonstrando medo em seu tom de voz e Lince teve vontade de tomar o menino em seus braços como se fosse um bebê, mas a máscara de homem durão não lhe permitiu transparecer tal sentimento.
– Ora garoto... Deixe de medos bobos... Seja... Seja homem... Coragem... Seu pai vai lhe ajudar... Eu sei que vai... É claro que vai. – Dizia torcendo para que aquilo fosse verdade e decidindo mudar de assunto. – Vamos precisar arrumar umas peças de roupas para você... Porque... Aquelas que estava na sua mochila... Bem... A lama as cobriu por inteiro e tornaram-nas imprestáveis. – Argumentava.
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– Já passam de quarenta e oito horas, senhor... Aquele rio é profundo e traiçoeiro... – Comentava o chefe dos mergulhadores para o xerife Lenox.
– Eu sei... – Esboçou a contragosto, não agradava ao homem imaginar que Edward Masen estivesse morto... Um jovem, ainda na flor da idade não merecia tal fim. – Vamos encerrar as buscas. – Decidiu por fim e Hunter que se encontrava próximo a porta da sala de seu chefe sorriu com a notícia.
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Isabella acabara de receber alta hospitalar, contudo Charlie não podia simplesmente virar as costas e ir embora... A polícia local ainda queria colher o depoimento da garota para fins legais como havia mencionado o xerife, colocando Isabella no carro se encaminharam para a chefatura de polícia... O xerife junto com Hunter os recebeu e Isabella completamente silenciosa, apática, se postou na cadeira à frente da mesa de Lenox...
– Bem... Senhor Swan eu preciso do depoimento de sua filha, como já sabe... – Declarou e Charlie assentiu tendo Sam ao seu lado. – O oficial Hunter irá participar da oitiva, pois era o responsável direto por Edward no Instituto Correcional. – Explicou indicando a presença do carrancudo policial ao seu lado. – As palavras que serão colhidas aqui serão registradas a título de esclarecimento, na verdade... – Destacou voltando os olhos para Isabella que fitava Hunter com insistência... Ela se lembrava dele, da noite do baile... Da forma grosseira e autoritária com que tratava os meninos e principalmente Edward, a revolta por aquele homem crescia em grande escala em seu interior... – Senhorita Swan... – Chamou e a jovem desviando os olhos se voltou para ele, Lenox deu-lhe um sorriso triste... – Eu sei que as últimas horas foram tensas, mas eu preciso que me diga... O que de fato aconteceu... Como Edward Masen a tirou do internato e a levou até aquela cabana na floresta... – Indagava e Isabella apenas o fitava, parecia não querer colaborar... Mas na verdade o que acontecia é que a mente da garota apenas visualizava Edward, o momento em que ele caíra no rio... A sensação de perda... A ideia de que nunca mais veria seu Edward... Sim, ele estava morto... Aquele rio o levara para sempre... Era as únicas coisas que pairavam sobre a cabeça de Isabella...
– Isabella... O xerife lhe fez uma pergunta, querida. – Colocou Charlie tentando parecer dócil.
– Veja senhorita, eu entendo sua dor... O trauma que deve ter passado... Mas precisamos entender o que de fato aconteceu... Precisamos saber se Edward Masen a sequestrou ou...
– Não... – Pronunciou-se de imediato. – Edward não me sequestrou... Ele... Ele jamais faria isso... Ele...
– Isabella, filha... Você precisa dizer a verdade, está diante de um homem da lei e...
– Ela irá cooperar, pode ficar tranquilo senhor Swan... – Anunciou Lenox e Charlie calou-se.
– Ele não me sequestrou... Eu e Edward... Somos namorados e...
– Namorados? – Questionou Lenox.
– Sim, somos namorados e eu... Eu fugi com ele por minha vontade. – Admitiu e o xerife a fitando com curiosidade.
– Veja senhorita Swan... Edward Masen era um interno no Instituto Correcional, estava cumprindo pena naquele lugar... Agora me diga... Como você e ele se encontravam para namorar? Como a senhorita afirma tal situação se ele não poderia sair de lá sem ser capturado no mesmo instante e...
– Nos encontrávamos na floresta...
– Na floresta...
– Sim, nos finas de tarde... Quando a vigilância se tornava menor... Ele ia me encontrar na floresta... Foi... Foi assim que nos conhecemos...
– Isabella... Você está dizendo que... Que se encontrava clandestinamente com esse... Esse delinquente? – Soltou Charlie Swan com rispidez e indignação.
– Estou dizendo que... Sim, nós nos encontrávamos na floresta e decidimos fugir juntos... Senhor... – Disse olhando diretamente para Lenox. – Edward não é um criminoso, ele... Ele é uma pessoa boa e...
– Céus... – Esboçou Charlie e Lenox ainda fitando Isabella.
– Senhorita Swan... Isso que fizeram... É ilegal, sabe disso, não sabe? – Questionou.
– Edward não é um criminoso, não merecia estar naquele lugar. – Devolveu.
– A senhorita afirma então que Edward Masen não a sequestrou? – Perguntou e antes que Isabella se pronunciasse...
– Minha cliente não está em condições de afirmar nada xerife, haja vista o que ela passou nas últimas horas, é temerário lhe exigir coerência. – Antecipou-se Sam Uley.
– Com certeza. – Afirmou Charlie, mas Isabella pensava diferente.
– Eu sei o que estou falando... Edward não é um criminoso e não me sequestrou coisa nenhuma. – Lançou uma oitava acima.
– Vamos nos acalmar sim. – Pediu Lenox. – Veja senhorita Swan... Os esclarecimentos que lhe peço são para que possamos esclarecer a situação e apenas isso... A situação atual não me faz pensar em ir adiante com o caso, porque... Bem... Ao que tudo indica, infelizmente... Edward Masen não... Ele não resistiu a queda que sofreu no penhasco... – Dizia com cautela, avaliando as reações de Isabella para ter a certeza de que Edward não a havia sequestrado mesmo... Aliás, ele achava que essa declaração era de fato verdadeira e apenas queria ter a certeza... O semblante de Isabella se transformou em uma máscara de dor, era nítida a reação de instabilidade... A respiração se tornando curta, a palidez ainda mais evidente em sua face, os olhos lagrimejando... – Nós encerramos as buscas por ele no rio, porque de fato pelo tempo do ocorrido... Não se pode esperar que ele tenha sobrevivido...
– Não... Edward... Não... – Pronunciou baixinho levando as mãos ao peito e se encolhendo na cadeira... Isabella desde o fatídico momento imaginara essa possibilidade... A dor que sentia desde então vinha dessa sensação... Mas ouvir as palavras... Trazer à tona a certeza desencadeava ainda mais dor e sofrimento.
– Ao menos o delinquente não irá mais fazer mal a ninguém. – Esboçou Hunter e Isabella ao ouvir...
– Ele não era um delinquente! — Disse alto levantando da cadeira, as mãos em punho, os olhos embaçados pelas lágrimas que transbordavam em sua face. – Ninguém conhecia Edward... Ninguém conhecia o meu Edward... – Afirmou transtornada.
– Isabella... Filha... – Soltou Charlie dando um passo em direção a ela e Isabella afastando-se lhe fitou com raiva.
– Vocês mataram ele...Você matou meu Edward! – Esbravejava se lançando para cima de Hunter... Mas uma vez mostrando os seu desequilíbrio.
– Acalme-se senhorita... Vamos todos nos acalmar, por favor. – Pediu Lenox... Charlie com uma passada larga puxou a filha.
– Céus menina... Acalme-se. – Disse Hunter. – Vejo que o Masen virou sua cabeça. – Continuou.
– Hunter. – Chamou Lenox dando a ideia de que deveria parar, Isabella mantinha-se contida pelo pai...
– Acalme-se Isabella... Vamos filha, acalme-se... Parece uma louca. – Advertiu e ela soltando-se dele encostando-se na parede próxima foi escorregando até o chão encolhendo-se ainda mais e baixinho repetia o nome de seu amor... A dor lhe impunha sofrimento e desilusão... A desorientação causada pela certeza da perda lhe deixava sem chão, sua mente não raciocinava com coerência... Era nítido o seu desequilíbrio... Dolorosa era a cena. – Desculpem-me. – Pediu Charlie como sempre querendo transparecer o máximo do equilíbrio... Lenox logo deu a oitiva por encerrada para alívio de todos... Charlie e Sam viram a oportunidade de poder finalmente ir embora... Isabella estava com eles, mas ao menos iriam agora sair daquele fim de mundo.
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A necessidade de oficializar as coisas obrigou Lenox a chamar Elisabeth Masen na Chefatura de Polícia... Phil é claro acompanhou a Masen...
– Elisabeth... Infelizmente se faz necessária à sua presença de forma oficial... – Começou com tom profissional. – Nós encerramos as buscas a Edward porque diante da situação, de como tudo aconteceu... Bem, não nos resta outra conclusão a não ser a de que ele não conseguiu resistir a queda e a forte correnteza...
– Podemos então providenciar o enterro simbólico. – Emendou Phil sem conter a alegria.
– Cale a boca Phil! – Soltou Elisabeth em uma oitava acima pegando Phil de surpresa e Lenox fitando-o achou absurda a sua atitude...
– Ora querida, estou apenas pensando em uma forma de você se despedir do delinquente. – Devolveu com deboche... Elisabeth surpreendendo mais uma vez estapeou a face de Phil deixando-o estático num instante, mas no segundo seguinte partiu para cima dela sendo impedido pela mão de Lenox que percebendo para onde estavam se encaminhando as coisas aproximou-se do casal... – Sua desgraçada! – Esboçou.
– É... É exatamente isso que eu sou! – Declarou a Masen... Algo em Elisabeth havia mudado depois que vira o filho, as imagens de seu Edward derrotado, destruído, mexeram com seus brios... Elisabeth escolhera enterrar sua vida e levara a vida de seu filho junto, mas sua atitude com Edward fora um grito de liberdade ou ao menos a ideia de liberdade... Em sua atitude para com o garoto ela esperava mudar a realidade dele, torcia por isso, ansiava por isso para quem sabe assim ter um pouquinho de paz em sua consciência... Mas naquele momento, na chefatura de polícia... Sua atitude ainda mais corajosa mudava em definitivo todas as coisas... – Xerife Lenox... – Soltou voltando-se totalmente para o oficial. – Eu quero prestar uma queixa... — Soltou fazendo Phil arregalar os olhos e tentar em vão dar mais um passo em direção a ela e Lenox mais uma vez o impediu.
– Uma queixa? – Questionou prevendo o que viria a seguir, estreitou os olhos em direção a mulher que firme se mantinha. – Ok... Phil, espera lá fora, por gentileza. – Declarou...
– Sua maldita... O que vai aprontar? – Soltou Phil sem conter-se.
– Phil não me obrigue a chamar alguém para retira-lo daqui. – Advertiu e Elisabeth no mesmo lugar se mantinha, mas por dentro o medo queria sufoca-la, contudo agora não tinha mais como retornar... A alternativa era única, seguir em frente... Phil se retirou... E Lenox voltou os olhos para a Masen...
– Quero começar dizendo que o dia que meu filho espancou Phil, foi uma tentativa de me defender... – Declarou e Lenox acomodando-se em sua cadeira esperou pela longa lista de denúncias... Phil Dwyer estava em maus lençóis daquele momento em diante.
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Era dia de Ação de Graças... Irina chegou a cobertura do noivo ostentando como sempre um ar de superioridade e Charlie é claro aceitava sorrindo a empáfia da noiva.
– Charles. – Disse beijando de leve os lábios do noivo, a sobriedade inglesa era uma herança adquirida do pai que mantinha com orgulho sua linhagem.
– Como vai querida? – Perguntou suave e ela retirando as luvas que vestia nada respondeu, antes...
– Onde ela está? – Inqueriu.
– Isabella está no quarto, acordou indisposta. – Declarou o Swan, o que era uma verdade... A jovem Isabella continuava apática, distante... Silenciosa... Charlie estava tentando manter seus planos... A noiva estava ciente da situação da futura enteada e achava mais do que adequado mantê-la escondida como era a vontade do Swan...
– Vamos cear com papai na mansão. – Destacou Irina. – O que você irá fazer com ela? – Questionou... Era espantosa a frieza que Irina Denalli carregava... Conhecera Isabella a dois dias demonstrada puro desprezo para com sua dor... Para a Denalli, a jovem Swan era um estorvo, atrapalhava seus planos... Sim, sim... Irina bem como Charlie tinha planos... E esses consistiam em comandar a lucrativa empresa do pai... Eleazar Denalli estava com seus dias contados... Um câncer no pâncreas estava levando sua vida pouco a pouco, mas o inglês se mantinha firme mesmo diante do terrível prognóstico.
– Ela irá ficar aqui. – Devolveu sóbrio. – Fique tranquila Irina... Esse contratempo não irá nos atrapalhar... Esperemos apenas o término dos feriados e estaremos livres disso. – Afirmou tranquilo... O pai de Isabella tomara a decisão de manda-la de volta ao internato, depois de analisar a situação achara que essa era a melhor solução diante de tudo.
– Bom, bom... Assim espero. – Retrucou Irina com o nariz empinado.
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O ferimento estava cicatrizando como o esperado... Ele iria se reerguer... Estava tendo ajuda para isso e iria segurar-se a esse bote salva-vidas com todas as suas forças... Não era hora para mais mágoas ou ressentimentos... Era hora de seguir em frente... Se colocar em segurança e resolver sua situação... Tinha um pai... Seria alguém... Seu pai era uma boa pessoa, fora o que dissera sua mãe... Ele iria lhe ajudar, pensava convicto... Era hora de ser otimista mais uma vez, concluía fitando o teto da rústica sala do amigo querido... Iria conseguir, venceria e iria atrás do seu amor... Espere, linda, espere, pedia em uma prece silenciosa... Isabella Swan... Swan, não iria esquecer o sobrenome... Iria atrás dela assim que tudo se resolvesse... Lince havia dito que não existiam mais buscas, Edward Masen fora considerado morto, lhe contara... Era estranho, ele não estava morto, mas era melhor assim, pensava e pensava... Até o sono lhe atingir...
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Chovia, como era bom ouvir o barulho dos pingos de chuva atingindo a folhagem das altas arvores... A sensação de umidade entrando nos ossos... O frio bem-vindo... E ainda sorrir por isso... Mas é claro que sim, sorria... Viveria eternamente com aquele sorriso porque a sua frente ela sorria...
– Você demorou. – Reclamou fazendo um biquinho ao final e ele não perdeu tempo agarrando-a e empurrando para dentro da gruta.
– Desculpe linda. – Devolveu no meio do beijo e ela sorrindo voltou a grudar os lábios nos dele... O calor invadia a alma, aquecia o coração...
– Como sempre não temos muito tempo...
– Mas todo o tempo que temos é sempre maravilhoso. – Soltou feliz levando-a a sentar-se de frente para ele, em seu colo.
– Sim é e sempre será maravilhoso, porque eu amo você e estou aqui com você então com certeza é maravilhoso... Na verdade amor... É mais do que maravilhoso... – Dizia puxando a blusa dele e o resto tornou-se um grande borrão cheio de sussurros e suspiros... Mãos exploradoras... Lábios reivindicados... Juras eternas de amor... Edward e Isabella... Isabella e Edward... A sensação de alcançar o topo mais alto, a conquista das conquistas... — Vai sempre ser assim.... – Pronunciou com dificuldade pela falta de fôlego...
–Perfeito! – Completou o Masen sorrindo com ela ao seu lado... Nus e por incrível que parece aquecidos enquanto a chuva caia torrencialmente do lado de fora, era possível ouvir seus barulhos e para eles era a trilha sonora adequada... Ele virou-se de lado e espalmou o abdômen liso, delicado... – Vamos sempre estar juntos, eternamente juntos... Você vai ver! – Afirmou mantendo a mão grudada junto a sua pele enquanto voltava a beija-la...
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A sensação de acolhimento e segurança permaneceu até o instante em que ela abriu os olhos e fitando o teto do quarto que gritava impessoalidade constatou se tratar de mais um sonho... Um doce sonho... Contudo a sensação ainda persistiu fazendo-a levar a mão onde a dele, em seus sonhos, estava depositada... Em seu abdômen... E as lágrimas mais uma vez vieram... Até quando viriam?
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Sam Uley é claro aproveitou a brecha e como advogado da Denalli Air e amigo de Charlie Swan participou do jantar na mansão do velho patrão e ao final seguiu o amigo para um último drink em sua casa... Samuel Uley e Charlie Swan eram amigos de longa data, se existia uma pessoa que conhecia bem Charlie era Sam... Davam-se bem porque compartilhavam da mesma ambição desenfreada e da desmedida ansiedade pelo poder... É bem verdade que Sam tentara conquistar Irina Denalli e quando não conseguiu logo pensou no amigo e este tendo mais sorte seguiu conquistando espaço, mas a dupla era bem ajustada e se um se dava bem os dois lucrariam com isso... Por incrível que pareça, mesmo com todo o egoísmo e egocentrismo de Charlie, existia entre os dois cumplicidade e assim sendo a ideia de ter a Denalli Air nas mãos passara a ser uma grande possibilidade ainda mais quando Irina mostrou-se uma aliada ferrenha...Uma estranha aliada é verdade, a questão real era simples, Eleazar Denalli era um velho machista e inconformado por ter tido uma única filha... Uma mulher... Ele como Charlie achava isso uma inutilidade... Irina cultivava um único sentimento pelo pai, raiva, a falta de amor misturada ao caráter duvidoso da moça a fizeram ser essa aliada... Casar-se-ia com Charlie Swan e teria o controle da empresa aérea da família... Charlie e Sam aproveitaram isso e de quebra o Swan levava uma bela mulher para a cama, enquanto o amigo levaria muitas... É claro que Charlie o seguiria, no devido momento o seguiria como sempre o fizera quando casado com Renée... Os planos estavam bem encaminhados, muito bem encaminhados, mas... A novidade atual parecia pesar toneladas nos ombros de Charlie... Aquela situação lhe atrapalhava e muito...
– Ela continua calada? – Perguntou Sam referindo-se a Isabella.
– Durante o dia sim, mas de madrugada... É um pandemônio... Quase todas as noites... Já não estou aguentando isso... Ela grita... Chama pelo rapaz... É um inferno... – Comentava com mal humor.
– Está mesmo traumatizada. – Concluiu o Uley.
– Uma amolação é o que é. – Colocou o Swan. – E ainda vou ter que aguentar até o final dos feriados... Vou lhe dizer Sam... Preciso de uma solução mais contundente. – Jogou direto e Samuel elevando uma das sobrancelhas.
– Eu já lhe falei... As cláusulas deixadas no testamento são muito claras... Ela recebe tudo quando atingir a maioridade e com isso você deixa de ser o guardião legal. – Devolveu o discurso já dito inúmeras vezes.
– Eu sei... Estou cansado de saber, como também sei que se não existe ninguém para contestar...
– É verdade sem contestação isso pode mudar, mas o porem é... Existe o testamento e Isabella sabe dele... Renée disse a ela, não é mesmo? – Jogou e Charlie bufando assentiu...
– Aquela desgraçada disse. – Confirmou.
– Então... Se existe um testamento existe algo a ser deixado... Como vai abrir o testamento sem ter nada nele? – Disse e Charlie permaneceu mudo. – A única coisa que mudaria isso é provar algum tipo de incapacidade ou a... Morte...
– Não... Morte não... Essa culpa eu não levo... – Interveio o Swan.
– Eu concordo... Morte é demais. – Retrucou Sam. – Sobra a incapacidade, mas a questão é que sua filha é bem capaz e pelo visto isso não vai mudar até ela atingir a maioridade. – Concluiu entre um pensamento e outro algo surgiu...
– Sam... Se existisse algum tipo de incapacidade... Algo que a impediria de comandar seu patrimônio... Tudo permaneceria em minhas mãos, certo? E por conta dessa incapacidade eu teria livre acesso, pleno poder para fazer o que bem entendesse, não é? – Consultou.
– Sim... Se constatada a incapacidade... O tutor permaneceria sendo você, mas com esta ressalva... Você teria pleno poder de administrar como quisesse, porque aí seria você que decidiria o futuro do patrimônio tendo em vista que ela não pode fazê-lo. – Explicou.
– Mas isso pode ser contestado, não é mesmo? — Inquiriu.
– Sim, claro... Se houver dúvida... Ou se a situação mudar... Qualquer um pode contestar... Principalmente a pessoa incapacitada em questão, mas daí a se resolver é complicado... Existem recursos e mais recursos que se cabem... Porque a partir do momento que se constatou a incapacidade, mudar isso leva tempo. Devolveu e Charlie voltou a pensar... A palavra incapacidade chocou-se com a palavra desequilíbrio... Um alerta se fez soar... Um alerta positivo, oportunista e muito bem-vindo para Charlie Swan... Lembrou-se do resgate de sua filha das mãos do bastardo delinquente e de suas atitudes no momento... Lembrou-se da reação de Isabella assim que chegaram a chefatura de polícia... Lembrou-se dela no dia em que estiveram na frente do xerife pela última vez... Puro desequilíbrio, lembrava... Sam calado passou a observar o balanço do liquido âmbar no copo que segurava respeitando assim o silêncio do amigo que também saboreava seu whisky.
– Sabe Samuel... Você acaba de me dar uma ideia interessante. – Jogou pensativo e o advogado mantendo o silêncio esperou pela continuação, viu o sorriso atingir os lábios de Charlie e em seguida desaparecer dando lugar a uma seriedade diabólica, estranha... – Minha pobre menina vai precisar de ajuda... – Soltou pensativo, o deboche e a ironia transbordavam em cada palavra sem contar como tom maquiavélico que vinha ao fundo. — Digo, uma ajuda psicológica porque é obvio que ela está abalada... E nesse caso uma... Interdição seria a melhor solução, não acha? – Questionou agora mostrando os dentes e Samuel no mesmo instante deixou mostrar os seus em resposta.
– Charlie, bom amigo... Sinto lhe informar, mas acho que sua filha não possui a condução plena de suas faculdades mentais nesse momento. – Devolveu ainda sorrindo.
Spoiler -
– Edward Masen. – Repetiu como se testasse o som de cada letra, sua mente levou-o a anos atrás... Um namorico despretensioso... Seria possível? Pensava.
– Sim, sou filho de Elisabeth, lembra-se dela? – Perguntou Edward agora voltando a respirar com mais calma... – Elisabeth Masen. – Colocou e conseguiu finalmente ter a atenção do homem...
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