Tempestade
16 Lagrimas de esperança
Notas iniciais
“A neve e as tempestades matam as flores, mas nada podem contra as sementes”. Khalil Gibran
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– Música sugerida (Tears Always Win — Alicia Keys) -
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Estava a três dias em Seattle, a cidade estava preparando-se para o natal, ruas enfeitadas, comércio em polvorosa, porém uma única coisa lhe chamava atenção... Edward hospedara-se em um hotel simplório na parte centrar da cidade... Buscara pelo nome Cullen em todos os hospitais e clínicas que pudera encontrar e hoje, finalmente hoje descobrira que o pai trabalhava no Seattle Grace Hospital, era chefe do setor de Traumatologia... Um médico muito conhecido era o doutor Carlisle e também muito ocupado... Depois que Lince deixou Edward na rodoviária de Port Angeles o senso de direcionamento do Masen apontava para um único objetivo... Encontrar o pai... E agora ali na recepção do hospital depois de ter pedido uma audiência com o conhecido médico, Edward se via preso a insegurança e incerteza, mas permanecia firme... Só sairia dali depois de falar com seu provável pai, estava decidido a isso... Não fora encorajado a fazê-lo pela atendente, antes a mulher lhe dissera que era melhor voltar outro dia, mas o garoto se manteve firme e decidido a esperar...
– O garoto está a horas lá embaixo, se recusa a sair. – Afirmou Emma a velha enfermeira.
– Está um inferno aqui por conta daquele acidente na interestadual, peça que deixe um telefone e depois entro em contato. – Pediu Carlisle olhando o prontuário do paciente que acabara de ser instalado no quarto.
– Doutor ele disse que de lá não sai até que seja atendido pelo senhor. – Afirmou a enfermeira e Carlisle fitou-a interrogativo. – Eu... Bem ele disse que precisava muito falar com o senhor e que era da parte de Elisabeth Masen, disse que era urgente...
– Elizabeth Masen. – Repetiu e logo lhe veio à mente os tempos da faculdade de medicina.
– Eu posso chamar um dos seguranças e tira-lo de lá, o menino está sentado no chão com uma surrada mochila ao lado. – Explicou e como se a imagem da jovem Elizabeth carregasse na área de trabalho que era a mente de Carlisle, um rápido relacionamento foi relembrado e a curiosidade acendeu-se no médico.
– Não... Emma, faça-me o favor, encaminhe o rapaz para a minha sala... Assim que me desvencilhar daqui irei até lá. – Solicitou pensativo e a idosa enfermeira prontamente o atendeu... Carlisle continuou se ocupando de seus afazeres, mas o nome de Elisabeth Masen não saia de sua mente... A imagem ligeiramente apagada da jovem que um dia compartilhara de um momento muito íntimo com o médico povoava sua mente e a curiosidade o fazia correr para se livrar dos impedimentos que o forçavam manter-se longe de sua sala... Edward fora levado para a sala do grande médico e timidamente sentou-se em um pequeno sofá localizado ali... A frente do sofá, pendurado na parede estavam inúmeros certificados e premiações expostas... Carlisle Cullen adquirira ao longo dos anos um nome respeitado e considerado perante a classe médica e a sociedade de Seattle... Edward permaneceu fitando a parede, levantou-se e corajosamente aproximou-se dos quadros...
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Os últimos dias haviam sido uma mistura de enjoos, tontura e lágrimas... A apatia passara e dera lugar ao mal-estar... De início parecia algo como uma profunda depressão, mas os enjoos contínuos não combinavam com o quadro... Charlie Swan viu-se obrigado a chamar um médico depois que a filha pela segunda vez desmaiara no quarto sendo encontrada pela empregada... Enfim a verdade veio à tona assustando e chocando... A mão levada ao ventre parecia deixar as coisas ainda mais reais para a jovem Isabella...
– Estou grávida Edward... Estou grávida meu amor. – Dizia baixinho, as lágrimas voltando a descer. – Estou com tanto medo, não sei... Não sei o que fazer. – Soltou angustiada. – Toda a segurança se foi, toda a certeza me deixou... Você me deixou... Eu sei que não foi sua culpa, meu amor... Mas ainda assim você me deixou e eu... Eu não sei o que fazer, não sei como conduzir isso... Eu preciso de você... – Dizia aos sussurros... O impacto da notícia a deixara muda e ainda submersa entre medo e dor... No andar de baixo o homem tremia, a raiva lhe dominando... Não bastasse a situação atual, o grande inconveniente... Agora tudo se ampliava, multiplicava... Ao invés de um eram dois... O médico que trouxera a notícia acabava de sair deixando para trás o estrago da descoberta... Subiu os degraus com largas passadas, parou em frente a porta entre aberta e escancarando-a... Fitou a jovem que se voltando, com semblante assustado, ainda em choque nada conseguia dizer ao pai... Deu um passo a mais e fitou o ventre ainda liso...
– Nós vamos dar um jeito nisso! – Disse imperativo, os olhos ferozes como os de uma fera enjaulada, encurralada e tomando a decisão... – Você vai tirar essa criança! – Sentenciou fazendo Isabella ofegar e em seguida mostrar-se uma fera ainda maior que ele.
– Isso NUNCA, nunca papai, entendeu? – Colocou levando sua mão protetoramente ao abdômen.
– Isabella isso é inadmissível, uma grande irresponsabilidade. – Expôs demonstrando indignação. – Ter o filho de um bandido... Uma adolescente deslumbrada que não sabe distinguir o certo do errado... – Jogava e a raiva que crescia nele crescia na jovem com a possibilidade de perder a única coisa que lhe mantinha ligada de fato ao seu amor... Ao seu Edward.
– Eu vou ter meu filho papai e isso se chama responsabilidade e amor. – Argumentou.
– Grávida de um delinquente... Por todos os santos, onde está essa responsabilidade? – Jogou alto e mesmo com medo Isabella manteve-se firme diante do pai.
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– A sociedade de Seattle agradece pelos serviços prestados a comunidade carente. – Leu o jovem Masen ainda admirando a bem-sucedida carreira do médico ali exposta... – Acho que mamãe estava certa quando disse que o senhor é um bom homem. – Afirmou baixo sem perceber que não estava mais só na sala...
– Eu tento... – Jogou chamando a atenção do garoto que um tanto assustado virou-se para a porta e ali viu o homem que tanto ansiava conhecer... Carlisle tinha a aparência de um homem maduro, vivido e bem-sucedido... Os cabelos aloirados com alguns fios brancos, os olhos azulados e a pele clara mostravam que o homem tivera até ali uma boa vida... Edward não podia se ver, mas tinha a certeza de que sua feição demonstrava um certo choque misturado a admiração... Carlisle teve vontade de rir, mas antes... – Quis dizer que tento ser bom. – Concluiu com um leve sorriso fitando o garoto a sua frente e o Masen pigarreou tentando afastar o medo e a vergonha... Passou a palma da mão na própria coxa e elevando-a...
– Edward... – Disse inseguro e Carlisle prontamente aceitando sua mão, tocou-a e ainda o fitando notou os esverdeados olhos do rapaz, de imediato lembrou-se de Elisabeth...
– Edward Masen. – Repetiu como se testasse o som de cada letra, sua mente levou-o a anos atrás... Um namorico despretensioso... Seria possível? Pensava.
– Sim, sou filho de Elisabeth, lembra-se dela? – Perguntou Edward agora voltando a respirar com mais calma... – Elisabeth Masen. – Colocou e aliviado constatou que conseguira finalmente ter a atenção do homem... Carlisle adentrou por completo a sala, as mãos passavam do cabelo a face, as lembranças lhe assaltando a mente...
– Por favor, sente-se. – Pediu e Edward o fez sendo seguido pelo médico que se sentou à sua frente. – Como vai sua mãe? – Questionou.
– Bem, na medida do possível, senhor. – Devolveu ainda inseguro e Carlisle mantendo os olhos fixos no garoto.
– Então... Edward... Em que posso lhe ajudar? – Perguntou... Edward sabia que chegara a hora... Não adiantava fazer rodeios, o ideal era ser direto...
– Eu tenho muitas coisas a contar ao senhor... Doutor Cullen... Mas acho... Acho que o melhor é começar pelo principal. – Destacou e tomando fôlego. – Minha mãe... Ela... Ela me confessou a alguns dias que... Bem... Que o senhor é meu pai. – Disse direto e os olhos de Carlisle logo demonstraram o choque diante da informação.
– Como? – Questionou confuso e Edward respirando fundo...
– Desculpe, senhor... Eu... Eu não tinha outra forma de dizer... A não ser essa... E...
– Elisabeth disse a você... Que eu sou seu pai? – Indagou e sem esperar a resposta levantou-se e começou a andar pela sala...
– Eu imagino que a notícia é no mínimo assustadora e...
– Eu diria isso... – Esboçou Carlisle mexendo nos cabelos e Edward se viu ali... A mesma atitude quando estava nervoso, inseguro... Mexer nos cabelos, puxar os fios como se assim a resposta, a solução surgisse.
– Ela me contou que... Que o senhor e ela... Que vocês estiveram juntos uma única vez e que... Que o resultado disso sou... Eu. – Esclareceu com o que tinha em mãos... Carlisle agora fitando a paisagem exposta na janela de sua sala... Buscou na memória esse momento... Sim, ele se lembrava... Sabia que era verdade... Ele e Elisabeth tiveram esse contato íntimo e daquele momento um filho fora concebido... Ao mesmo tempo em que a ideia parecia absurda parecia também plausível... Carlisle sabia que a possibilidade existia... Edward por outro lado cultivava o angustiante medo de não ser aceito e antecipando-se levantou-se...
– Eu... Eu entendo que o senhor não acredite... Que duvide e... – Colocava amedrontado e Carlisle voltando-se para ele esperou que continuasse. – Mas... Eu sei que existe uma forma de tirar qualquer dúvida... Uma... Uma forma de... De saber que minha mãe falou ou não a... A verdade e...
– Sim, Edward... Existe essa forma. – Concordou Carlisle e percebendo a insegurança nos olhos do garoto... – Me desculpe... Eu entendo que você esperava que eu reagisse melhor e...
– Não, senhor... Eu... Eu entendo sua desconfiança... – Retrucou de imediato.
– Fazem muitos anos que não tenho notícias de sua mãe... E de repente receber notícias dela acompanhadas de uma novidade assim... Bem... Eu estou um tanto surpreso e...
– Eu estaria aterrorizado. – Confessou Edward e Carlisle sorriu diante do comentário... Em seu coração algo passava a aquece-lo enquanto fitava o menino inseguro a sua frente.
– Talvez um pouco disso eu também sinta, garoto. – Colocou ainda sorrindo. – Eu... Peço que volte a sentar, vamos conversar mais um pouco... Quero saber mais de você... – Pediu o médico e Edward sabendo que não poderia escapar resolveu contar tudo ao homem... Carlisle Cullen era sua única salvação... Ter o apoio de seu suposto pai era sua única saída e por isso respirando fundo começou a contar o que lhe acontecera até ali...
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– Grávida... – Esboçou Sam chocado enquanto Charlie entornava uma dose de whisky.
– A maldita me apronta uma dessas e ainda quer dar uma de decidida... Como... Como se estivesse com a razão. – Lançava com revolta em cada sílaba... Samuel ainda absorvendo a novidade passou a pensar no que aquilo acarretaria, o silêncio foi o condutor naquele momento... Charlie fervia por dentro... Os pensamentos do Uley o levaram para caminhos interessantes e tão logo teve a certeza...
– Charlie... A ideia de interdição... – Colocou.
– O que tem? – Questionou o Swan.
– Você ainda continua com ela certo? – Perguntou.
– É obvio que sim. – Respondeu.
– Talvez o fato dela estar grávida possa corroborar para que se afirme ainda mais sua falta de controle... Fugir com um transgressor... Isso está mais do que provado... Depois da tragédia instalada ela se torna agressiva... Isso também está mais do que comprovado... Inclusive, entrei em contato com o policial Hunter e ele concordou em dar o depoimento contando como Isabella o atacou, eu acho que o homem vai ser capaz de detalhar a forma como ela estava fora de si aquele dia se tiver a mão molhada, se é que me entende. – Contava...
– Que seja... Contanto que ele nos ajude a provar que ela está desequilibrada. – Devolveu.
– Juntando isso ao relato de um pai prestimoso e preocupado... Contando como a filha tem se comportado em sua casa... Os momentos em que alucina ao ponto de urrar na madrugada... – Dizia.
– Provar que ela está louca vai ser fácil... A menina andou dando um show para quem quisesse ver. – Alegou Charlie.
– Então sossegue, homem... – Recomendou Sam.
– Sossegar sabendo que um suja fraldas vai surgir para me atrapalhar ainda mais os planos... Inferno Samuel... Ele será um herdeiro também. – Comentou.
– É por isso que temos que agir logo. – Destacou o Uley.
– Vou fazer o quê? Força-la a tirar a criança? – Soltou.
– Não, de jeito nenhum... Isso não ficaria bem para a sua imagem... Vamos usar a novidade como pano de fundo para afirmar que ela está realmente fora de si. – Falou e Charlie passou a pensar. – Talvez... Tira-la daqui... Deixe-la isolada seja uma alternativa. – Pensava Sam.
– Levar para o internato está fora de cogitação... Ninguém vai quere-la assim. – Emendou o Swan também pensando e logo lembrou-se... – Tem a fazenda... – Colocou. – Aquele lugar seria a única coisa que penso em não mexer... Mesmo porque está no testamento como exigência por causa dos Clearwater... Aquela família era o xodó de Renée... – Lembrava com irritação.
– Sim, sim... Me lembro da condição de não se desfazer das terras e deixa-las sendo administradas pelos Clearwater. – Disse Sam.
– A mulher... Suellen Clearwater era amiga de Renée, amiga de infância... A idiota da minha esposa mantinha esse laço... Eu nunca entendi porque... Um povo simples demais... O que lhe daria? Enfim... Havia pensado que quando a interdição saísse... Deixar aquela fazendo intacta, seguindo as cláusulas do testamento... Juntar o pequeno apartamento em Seattle e o resto dispor... Vender, negociar até que possa passar para o meu nome sem deixar rastros como havíamos comentado... – Dizia e Sam assentia em acordo.
– Acho perfeito... Se um dia sua filha pensar em contestar a interdição... Vai dar a impressão de que o patrimônio simplório nunca foi tocado porque o grosso você já vai ter em seu nome e não terá como ela descobrir porque nunca soube que tinha. – Definiu sorrindo e Charlie o acompanhou.
– Pronto, está decidido... Vou enviar Isabella para a fazenda... Vai passar um tempo lá... Já que não posso obriga-la a realizar um aborto... Ao menos não terei que me preocupar em ouvir o choro do suja fraldas aqui... – Colocava satisfeito.
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– Então você fugiu com a menina...
– Isabella. – Disse Edward.
– Isabella... Fugiu com ela, mas descobriram e no desfecho você levou um tiro... – Repetia Carlisle as palavras que acabara de ouvir... Edward lhe contara toda a sua vida até o momento em que fora separado de Isabella... O médico estava se segurando para não sair correndo diante de toda a loucura que ouvia.
– Sim, isso mesmo, senhor. – Afirmou Edward no auge de sua inocência misturado a sua certeza de que Carlisle o ajudaria.
– Onde levou o tiro? – Perguntou e Edward apontou o próprio ombro.
– A bala saiu por trás... Lince disse que foi por pouco que não fez um estrago maior. – Declarou.
– Lince? – Perguntou o Cullen e Edward continuou a contar... Carlisle ouvia com atenção... – Resumindo... Você era um fugitivo que agora é considerado morto e sua namorada foi levada pelo pai dela. – Finalizou e Edward assentiu... Carlisle ficou em silêncio, pensando em toda a loucura que ouvira e voltando... – Sua mãe disse que não me contou sobre você... Ela disse que não me contou porque não queria atrapalhar a minha vida? – Questionou inconformado.
– Sim, senhor. – Respondeu Edward e Carlisle voltou a pensar e a cada segundo que passava a torturante incerteza atingia o coração ferido de nosso jovem Masen... Carlisle estava em choque, a novidade lhe pegara de jeito e ele parecia não saber o que fazer... Voltou os olhos para o garoto encolhido no sofá a sua frente e entristeceu-se ao relembrar o que aquele jovenzinho já passara na vida.
– Edward... – Soltou decidido. – Me chamo Carlisle Cullen. – Colocou formal estendendo a mão e o jovem Masen levantando-se apertou a mão do médico. – É um prazer conhecer um rapaz tão corajoso como você. – Destacou. – Eu penso que o melhor é seguir a sua sugestão e tirar a dúvida fazendo um teste de DNA, você... Concorda? – Perguntou e Edward completamente decidido...
– Sim, senhor, eu concordo. – Afirmou.
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A denúncia de Elisabeth contra Phil fora aceita pela justiça e uma ordem de restrição logo fora espedida impedindo que Elisabeth fosse de alguma forma importunada pelo agora ex-companheiro... Phil agora responderia a um processo e a situação punha em dúvida a condenação de Edward e mesmo que ele fosse dado como morto ainda assim a justiça iria averiguar o caso... Elisabeth mesmo temerosa sentia-se vitoriosa e isso lhe dera forças para buscar notícias do filho... A porta da casa de Lince fora aberta para recebe-la...
– Lizz... – Soltou surpreso... O mecânico já sabia da novidade sobre a denúncia... Toda Forks estava sabendo, mas ainda assim não esperava encontrar Elisabeth Masen em sua porta.
– Você tem notícias dele? – Questionou com evidente preocupação em relação a Edward, Lince permitiu que ela entrasse...
– Ele me ligou ontem à noite, me disse que tinha descoberto onde o doutor Cullen trabalhava e que pela manhã iria até lá, mas até agora não deu notícias. – Explicou.
– Eu sei que Carlisle vai recebe-lo, quando ele contar quem é, Carlisle vai recebe-lo, eu tenho certeza disso. – Dizia confiante e Lince torcia para que ela estivesse certa.
– Meus parabéns por sua coragem Lizz... Sobre Phil e a denúncia. – Esboçou sincero.
– Quem sabe eu ainda consiga me redimir um pouco mais, fiz agora o que deveria ter feito naquela época... É como Edward falou, eu o teria livrado, mas fui covarde e... – Colocava angustiada e Lince sem conter-se aproximou-se e tocando em seus lábios...
– Não diga isso... Não se deprecie... Você estava com medo Lizz... Errou, mas estava com medo e agora se redimiu. – Definiu segurando o rosto da mulher que agora chorava.
– Meu filho sofreu tudo o que sofreu por culpa minha, Lince, por culpa minha... – Dizia em meio as lágrimas e o homem a abraçando tentava em vão acalentar aquele sofrido coração.
– Tudo vai se ajeitar, tudo... – Falava baixou para acalma-la.
– Eu só espero que tenha de verdade ajudado meu menino mandando-o para o pai, eu só espero... – Sussurrava ainda chorando.
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Se ver livre de um problema ainda passava pela cabeça do Swan, então jogar era uma alternativa...
– Você está em idade escolar, ainda precisa terminar o High School para poder ir à universidade... Me diga... Isabella... Como vai fazer isso com um filho nos braços? – Perguntou para a jovem encolhida na cama... Isabella elevou os olhos para o pai...
– Não sou a primeira e não serei a última adolescente grávida papai... Posso terminar meus estudos e ir para universidade. – Soltou sua opinião.
– Isabella isso é absurdo, minha filha... Não consegue ver? – Dizia dando uma de pai preocupado. – Você não sabe cuidar de si mesma quanto mais de uma criança. — Afirmou. – Pense na besteira que está fazendo... Manter essa gestação é uma loucura sem tamanho... Irá atrapalhar todo o seu futuro minha filha...
– Eu não vou desistir do meu filho... Eu não posso desistir da única coisa que me liga ao meu Edward... Não posso... – Dizia e o final esboçava baixinho e o homem enfezando-se.
– Pois então... Você não me dá outra escolha... Não vai me envergonhar... Antes vou manda-la para ter esse filho longe daqui. – Declarou saindo do quarto ao passo que chocava a menina, mas nem essas palavras fizeram Isabella mudar de opinião... Voltou os olhos para seu próprio ventre mais uma vez coberto pelas mãos, algo mudava naquele momento... A descoberta trazia algo novo... Ainda doía... A perda ainda pesava... Mas a constatação trazia um renovo... De repente um sorriso surgiu... Ela não estava sozinha, percebeu... A ideia de ter um filho de Edward, um pedaço de seu amor lhe dava forças para enfrentar viesse o que viesse pela frente... E o sonho que tivera com seu Edward lhe vinha a memória de forma nítida...
[– Vamos sempre estar juntos, eternamente juntos... Você vai ver! – Afirmou mantendo a mão grudada junto a sua pele enquanto voltava a beija-la...]
Charlie deixara o quarto pensando ter feito a menina pensar em desistir... Ledo engano, o que ocorria agora era a certeza mais e mais ganhando força no interior da jovem Isabella enquanto o sorriso esperançoso invadia seus lábios... Nem mesmo a ideia de ser mantida longe, enclausurada fosse onde fosse lhe tirava a certeza de que Edward não a tinha deixado só.
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O exame fora feito com um pedido de urgência da parte do doutor Cullen... Após a retirada das amostras de sangue Carlisle levou Edward para um lanche rápido... O laboratório trabalhou em cima da urgência exigida pelo médico e três horas depois o envelope estava nas mãos do médico... Carlisle segurando o aguardado resultado do exame seguiu para sua sala junto com o Masen, Edward com certa impaciência se afastou dando ao homem privacidade e fingiu fitar o horizonte exposto pela janela... Carlisle estava prestes a abrir o envelope e parou analisando a situação... Conhecia Edward a menos de doze horas e já tinha por ele um sentimento profundo de apreço e respeito... Percebera que o garoto fora injustiçado em grande parte de sua vida, e se realmente fosse comprovado que era seu filho teria sido o garoto roubado da realidade que seria sua, a vida que deveria ter levado até aquele momento lhe tinha sido roubada... A injustiça era nítida e por isso o Cullen tomava ali a decisão... Virou-se para Edward, percebendo a inquietação do Masen que fitando o horizonte batia o pé insistentemente contra o piso da sala...
– Edward... – Chamou e o garoto ao extremo da ansiedade virou-se para prestar-lhe toda a atenção... Carlisle respirou fundo... – Independente do resultado que se encontra aqui... – Disse apontando para o envelope. – Independente da resposta aqui contida, eu quero que saiba... Ou melhor tenha a certeza de que eu me importo com você, tenho muito respeito por você e acima de tudo permiti que entrasse na minha vida no momento em que me contou sua história... Portanto garoto seja qual for o resultado desse exame seremos eu e você grandes amigos e estarei ao seu lado lhe ajudando como puder. – Afirmou o médico aproximando-se de Edward e sem mais demora abriu o envelope tendo o Masen o observando... A certeza lhe atingiu no mesmo instante em que bateu o olho no resultado, uma única noite, um momento breve lhe trouxera um filho e só agora, anos depois ele sabia da novidade... Carlisle sentiu as lágrimas inundarem seus olhos, elevou os olhos para fitar um Edward pra lá de ansioso... O resultado inconteste do exame não dava margem para dúvidas, o jovem Edward Masen era filho de Carlisle Cullen.
– Um filho... – Declarou com a voz embargada e Edward evidentemente emocionado engoliu em seco tentando em vão segurar as lagrimas que vinham com força, fechou os olhos com vontade saboreando o momento pelo qual sonhou toda a sua vida. – Edward. – Disse colocando a mão no ombro do jovem que já chorava... Carlisle agarrou seu garoto e lhe abraçou com todas as suas forças... O encontro feliz se dava, a injustiça revertida em justiça!
Spoiler —
– Isabella não está aqui. – Informou a verdade. – E mesmo que estivesse não iria querer vê-lo... Rapaz, ela sabe de toda a verdade, sabe o que fez, o que de fato representa... – Dizia de maneira maldosa e Edward confuso...
– Sim, sabe... Sabe porque... Eu contei tudo a ela, eu...
– De maneira romântica com toda a certeza. – Disse sério cortando-o. – Veja... Minha pobre criança se deu conta de que havia perdido sua mente em meio a um sonho infantil... O senhor a de concordar com ela...
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