Tempestade
17 Inverno
Notas iniciais
"E no meio de um inverno eu finalmente aprendi que havia dentro de mim um verão invencível". Albert Camus
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– Música sugerida (California Dreamin' – Sia) -
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A cidade de Milton fica a pouco mais de onze quilômetros de Tacoma, cidade de nascimento de nossa pequena Swan, Isabella estava sendo deixada em Milton, a antiga fazenda fora o xodó do avô materno da Swan e essa paixão passara de pai para filha... Renée tinha assim como o pai um amor especial por aqueles hectares e seus moradores, era habito passar as férias ali e por conta disso criara grandes laços com a família Clearwater que depois da morte do pai de Renée passara a cuidar da fazenda... Sue e Harry eram queridos por Renée e até sua morte mantiveram estreitos laços de amizade, amizade essa que Charlie desprezava... Mas a antiga fazenda dos Clarke, sobrenome de solteira de Renée, se mantinha em pé, sendo muito bem cuidada... George Clarke, o pai de Renée fora um homem de muitas posses, o alvo para uma boa vida como Charlie pensara desde o começo e tinha sua verdade nesse pensamento... Renée apaixonara-se pelo ambicioso Swan e não demorara a se casar... Charlie naquela época fora um bom marido e até ganhara a confiança do sogro, mas nunca em sua totalidade... A precaução sempre foi uma conduta de George e essa fora passada a filha que mesmo casada se mantinha a par de tudo sobre os negócios de sua família... E por isso, hoje, Charlie Swan se mordia de raiva... Estava amarrado a um testamento que beneficiava única e exclusivamente a filha... George ao morrer deixara as instruções a Renée pensando na neta que estava para nascer... O testamento de Renée fora totalmente planejado por seu pai... Um tanto mórbido é bem verdade... Mas ao que tudo indica o velho Clarke sabia no fundo quem era o genro e mesmo o aceitando não permitira que ele se desse bem como tanto desejava... Apenas um Clarke de verdade merecia o patrimônio pensava o velho. Mas voltando a Milton... Ali estava Isabella... O pai depois que a tirara de Forks manteve-a em Tacoma na residência oficial dos Swan até que se descobriu a gravidez e o homem resolveu se livrar do problema, em parte... Mandar Isabella para a reclusa propriedade foi a única alternativa que Charlie conseguira para se livrar temporariamente do problema... Os Clearwater, é claro, receberam a jovem com carinho e atenção, mas Sue ao saber do motivo de Isabella estar ali não se absteve de falar o que pensava...
– Renée jamais abandonaria a filha. – Soltou altiva sem medo de enfrentar Charlie que de raiva mostra a vermelhidão na face.
– O que minha esposa faria ou deixaria de fazer não é da sua conta Suellen... Limite-se a cumprir as ordens que estou lhe dando... Não se esqueça que ainda mando aqui. – Declarou colérico e Sue sorrindo...
– Eu e você sabemos que isso não é definitivo, Charlie, quer dizer... Senhor Swan. – Soltou com certo deboche e o homem irritado saiu da sala caminhando para o grande gramado à frente da sede da fazenda que se via coberto de neve.
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Edward agora tinha um pai e esse pai estava esperando-o arrumar seus poucos pertences guardados no simples quarto de hotel para leva-lo dali... Carlisle estava determinado a cuidar do filho e Edward estava extasiado com a ideia de ter alguém interessado em cuidar dele... A descoberta da paternidade fizera Carlisle exultar com a novidade, pai de uma menina guardara no coração a vontade de ter um garoto... Mas a dificuldade da esposa em engravidar novamente lhe tirara a possibilidade, contudo isso agora mudara... Existia Edward e a cada dia Carlisle estava maravilhado com a ideia, cada dia se orgulhava um pouco mais do rapaz que tinha seu sangue... Na residência dos Cullen tudo estava preparado para receber o novo membro... Esposa e filha estavam ansiosas para conhecer o garoto que estava deixando o homem da casa empolgado... E Edward... Esse estava mais uma vez entre a ansiedade e a insegurança do que viria a seguir...
– Pronto? – Perguntou sorrindo o Cullen ao esfregar uma mão na outra e Edward assentindo...
– Sim, estou. – Afirmou com coragem.... O percurso do simples hotel até a residência foi feito em silencio... Carlisle estava dando espaço para o filho, mas a ansiedade se mantinha em alta de ambos os lados...
– Sabe... É normal a ansiedade, até mesmo a insegurança... Mas tente relaxar... Garanto que elas estão muito mais ansiosas do que você. – Afirmava Carlisle com certo ar brincalhão e Edward tentou esboçar um sorriso e mais uma vez a imagem de Isabella veio a sua mente... Viver o novo, experiências novas... Como estaria o seu amor? Estaria bem? Ele ansiava que estivesse e não via a hora de poder ir até ela, pensava... Tacoma fica longe daqui? Questionava-se... Ela deve estar com o pai, certo? Indagava o nada e a angustia de não saber essas respostas lhe deixava entristecido... – Alice queria vir comigo, para lhe buscar... Eu devo alertar você, filho, que sua irmã... Bem... Ela é um pouco ansiosa na maioria das vezes. – Explicava Carlisle despertando a atenção do filho que voltava os olhos para o homem atento ao volante.
– Nunca pensei em ter irmãos... Ou melhor irmã... – Comentou e Carlisle sorriu.
– Digamos que Alice é um tanto incomum, algo como um fenômeno natural. – Colocava brincalhão fazendo Edward sentir-se curioso. – Me pergunto a quem puxou... Sim, porque sou tranquilo e Esme... Bem... Sua doçura e calma são mais do que exacerbadas... Mas Alice... É Alice é única você verá. – Alertou ainda brincalhão. – E me agrada ainda mais ter você aqui, porque assim terei com quem dividir a carga que é cuidar dela, às vezes. – Soltou piscando para o filho assim que parou no farol e pela primeira vez Edward riu trazendo ainda mais alegria ao coração do Cullen.
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Fitar o nada parecia ser a única coisa a fazer, talvez a inercia trouxesse as coisas ao seu devido lugar... Talvez o tempo voltasse e ele estivesse ali ao seu lado e essa assustadora novidade seria vivida a dois, como deveria ser, como precisava ser, haveria assim alegria genuína ao invés de angustia... Sentia-se sozinha, indefesa e despreparada...
– Bella, filha... Venha comer um pouco, você não pode ficar muitas horas em jejum. – Disse a voz doce de Sue, mas Isabella em silencio permaneceu estática apenas observando o extenso gramado coberto de neve a sua frente... Angustiada por ver a jovem tão deprimida... Sem conter-se mais se aproximou...
– Tem que ser forte filha... Aguentar firme porque nesse mundo ou nos tornamos mais fortes do que a realidade que nos abate ou nos tornamos fracos ao ponto de se deixar quebrar por essa realidade... — Dizia sentando-se ao lado dela, Isabella lhe contara o que passara até ali... A jovem sentira-se de cara confortável ao lado de Sue, talvez por ela ter sido tão próxima de sua mãe, o fato é que estar sendo amparada por alguém, sentir-se acarinhada estava lhe fazendo bem, mas ainda não estava sendo suficiente... Embora suas forças, agora, estavam tomadas pela vontade de trazer ao mundo o fruto do seu amor por Edward ainda assim ela tinha momentos de abatimento, instantes depressivos... Estava lutando para mudar isso, iria continuar lutando... Mas haviam instantes em que a dor precisava ser sentida como diziam e esse era um desses momentos. – Não deixe a dor te destruir querida, faça desse amor... Amor por esse garoto algo intenso, ainda mais sólido e deposite todo esse sentimento aqui... – Dizia apontando para o abdômen ainda liso da garota que mantinha o rosto molhado pelas lagrimas que desciam desenfreadas.
– Dói muito... – Confessou baixinho, o que mais doía em Isabella era a falta de Edward ao seu lado e a jovem senhora a recebeu em seus braços repleta de calor maternal.
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Esme ao lado do marido contemplava o garoto acanhado no centro de sua sala... A inglesa de temperamento doce ficara, em um primeiro momento, em choque pela novidade... Entendera é claro como tudo acontecera, em nenhum momento desconfiara do marido... Mesmo porque a idade de Edward batia com a época em que acabara de iniciar seu relacionamento com o marido, portanto a história fazia total sentido... E ver o semblante de seu querido Carlisle feliz com a possibilidade de um filho homem lhe acalentava o coração já que ela não conseguira lhe dar esse presente por conta de problemas uterinos depois do nascimento da filha...
– Meu irmão é um gato! – Constatou Alice e Carlisle riu junto com a esposa.
– Alice comporte-se... Não vai querer que seu irmão tenha uma primeira impressão errada de você. – Advertiu a Cullen tentando quebrar o gelo... Alice... Esta ainda admirava o irmão, notava cada detalhe de suas feições e se comparava com ele... Estava feliz com a novidade, é certo que ainda não tinha por completo assimilado... Afinal que o tinha? Tudo era novidade para todos.
– Tudo bem. – Devolveu Edward e esforçando-se para se ambientar... – Você também é linda, apesar de ser baixinha. – Jogou provocando-a e Alice de boca aberta não soube de imediato como retrucar fazendo os pais rirem.
– Bem feito! – Esboçou Esme e todos riram, mas Alice sem perder a oportunidade seguinte...
– Já vi que vou amar e ao mesmo tempo odiar você, maninho. – Soltou cutucando-o na barriga e o clima se tornava ainda mais ameno.
– Vamos, vamos... Edward querido... Venha, vou lhe mostrar seu quarto... Deixe essa baixinha para lá... – Disse Esme tocando no braço de Edward...
– Mamãe... – Devolveu uma indignada Alice fazendo os demais rirem um pouco mais.
– Venha querido... Peço que não repare, o quarto está meio que improvisado... – Falava enquanto o conduzia para os quartos... — Vou precisar da sua ajuda para deixa-lo do jeito que lhe agrada. – Dizia Esme e Edward sem grande esforço sentia-se acolhido pela nova família... Carlisle vendo a cena a sua frente sentia-se orgulhoso da família que já tinha e da que estava se formando naquele instante...
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– Como assim ela vai ficar aqui? E... E os estudos dela? Ela está no último ano, não é? – Perguntava Leah Clearwater a mãe que preparava o almoço naquela manhã.
– Fale baixo Leah... Bella vai pensar que não é bem-vinda, o que não é verdade. – Advertiu Sue... Leah Clearwater morava na parte urbana de Milton e costumava visitar os pais aos finais de semana... Professora de ensino fundamental estava casada a pouco tempo com Paul Lahote, um esforçado advogado que tentava achar seu caminho para estabilizar-se e construir sua família com a esposa.
– Mamãe... Isso é absurdo... Ela deveria estar se preparando para a universidade e não aqui presa... O que o pai dela tem na cabeça? Por deus uma gravidez não é o fim do mundo. – Colocava indignada.
– Eu concordo com você filha... Mas não existe como ir contra a vontade dele nesse momento... O que devemos e vamos fazer é cuidar dela... Cuidar dela como se Renée estivesse aqui para fazê-lo, vamos fazer o que minha amiga não pode. – Afirmou voltando os olhos para a jovem Isabella que caminhava do lado de fora com um dos cachorros da fazendo a lhe acompanhar.
– Tudo bem. – Conformou-se Leah. – Então vamos ver essa questão dos estudos dela... Não é possível que ela vai parar de estudar, não vou permitir... Eu... Eu vou ver isso e ajudar no que posso. – Declarou firme e Sue sorriu orgulhosa da filha... A conversa ainda girando em torno da Swan foi interrompida pelo telefone e Leah pôs-se a atender... Do outro lado da linha tinha uma ansiosa Victoria na expectativa de falar com amiga... Isabella lhe escrevera contando o que estava passando e a ruiva estava subindo pelas paredes...
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Carlisle estava empenhado em ajudar e amparar o filho com tudo que era possível... A começar por sua situação perante a justiça e o fato de ter sido considerado morto, para tanto já contatara um advogado que já estava se movendo para resolver a situação... A outra preocupação era os estudos de Edward, com o tempo em que passara confinado no Instituto Correcional seus estudos haviam sido congelados... O garoto que já deveria estar no segundo ano ou até mesmo terceiro de uma universidade, estava atrasado e isso o pai não iria permitir... Já a convivência dentro da residência dos Cullen era para Edward uma grande novidade, ter uma família de verdade... Isso ele só experimentara quando o avô era vivo... Lembrar-se do velho Emmett deixava o garoto sempre saudoso... O dia chuvoso após uma noite toda de neve sendo derramada deixava um clima melancólico em Seattle... Uma oportunidade a mais para se ficar pensativo... Pensar no avô, na mãe e em Lince... Pensar em Isabella... James... Pensar no que viria a seguir... Voltar a pensar em Isabella e no momento em que poderia ir até ela... Essa conversa ele tivera com o pai e Carlisle lhe pedira mais alguns dias... O Cullen queria tempo para ao menos regularizar a situação do filho diante da justiça já que se descobrira que Elisabeth havia prestado queixa contra o companheiro, Phil, e isso mudava tudo na situação de Edward... Mas pensar em Isabella continuaria sendo o foco do garoto e o mantinha ansioso para vê-la, poder estar perto dela...
– Me fala dela. – Pediu Alice sentando-se ao lado dele. Edward mesmo surpreso sorriu, o temperamento irrequieto de Alice já não era uma surpresa... Eles já haviam conversado muito, sobre muitas coisas e é claro que ele havia contado sobre Isabella assim como a pequena Cullen lhe contara sobre Jasper, seu namorado que estava passando férias com a família na Florida, mas logo retornaria ou ela, Alice, ficaria maluquinha, como ela mesma dizia... Falar de Isabella... Isso sempre seria fácil para Edward...
– Ela... Ela tem a sua idade e... E gosta de ler e ouvir música... – Contava ao lembrar-se da primeira vez que vira Isabella sentada junto a velha arvore na floresta de Forks.
– Eu fico tentando imaginar vocês dois... Isso tudo é muito louco. – Confessou Alice e Edward riu ainda saudoso. – Conta mais. – Pediu e Edward continuou, lembrar de Isabella fazia bem ao garoto e ao mesmo tempo maltratava seu coração por imaginar mil e uma situação, preocupava-se em saber como ela estava, o que estava vivendo... Se o pai a tinha castigado pelo ocorrido ou não...– E o que a chuva tem a ver com isso? – Perguntou mantendo a curiosidade e o sorriso de Edward se intensificou quando olhando pela janela viu os respingos da chuva intensa molhando o vidro.
– Nos encontrávamos apenas quando chovia... Era nesses dias que a vigilância em cima de nós diminuía e assim podíamos ir para floresta sem sermos visto ou pegos. – Confessou.
– Agora entendo o porquê de você gostar de dias chuvosos. – Afirmou Alice abraçando de lado o irmão. – Você é um romântico incorrigível maninho. – Declarou e o garoto riu.
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Os sons da natureza traziam a sinfonia noturna junto com a chuva... Ela tentava ler dos livros que trouxera na bagagem... A concentração estava dando uma de difícil... A ideia de que Vitoria viria vê-la a tinha animado e quanto Leah Clearwater lhe dissera que daria um jeito para que ela concluísse seus estudos e se candidatasse para uma universidade as coisas pareciam dar indícios de que os trilhos passavam a ser transitáveis mais uma vez... Só que mesmo assim a sensação de incompleto permanecia... Isabella fechou o livro, afastou as cobertas e levantou da cama, vestiu seu pesado casaco... A casa estava silenciosa... Desceu as escadas, com cuidado abriu a porta principal e ganhou o gramado cheio de flocos de neve... Ainda chovia... Mas Isabella queria estar em campo aberto, queria sentir a chuva molhar seu corpo... Precisava... Talvez assim conseguisse sentir seu amor mais perto... Ela caminhou... O frio e a chuva não eram boas companhias ainda mais para quem estava em um estado delicado como o dela... Mas a cada passo o ar entrava com mais facilidade... Fingiu seguir a trilha que levaria a gruta, como se estivesse em Forks, como se fosse reencontra-lo dali a instantes... Até que parou diante do pequeno lago... Os pingos da chuva dançavam por sob as águas... Fitou o céu e deixou as gotas de chuva molhar seu rosto um pouco mais... Era uma despedida, acabara de decidir-se... Era uma despedida... Em um ato recorrente nos últimos dias, ela levou as mãos ao abdômen... Ela sorriu...
– Estaríamos na Califórnia a essa altura, não é amor? – Perguntou como se ele estivesse ali. – Você teria cumprido a promessa, teria nos levado até lá... Eu sei que sim... Você... Edward... Você teria cuidado de nós... Eu sei... – Dizia e as lagrimas misturavam-se ao sorriso que insistia em não deixar o seu rosto... Determinada... – Mas você não me deixou sozinha, não vai me deixar sozinha... Esse bebê vai crescer amor... E eu vou contar para ele como pai dele era maravilhoso e como ele teria sido grande se tivessem deixado... Porque, amor... Você teria sido grande, muito grande... Mas eu... Eu prometo que esse bebê... O nosso bebê vai ser feliz... Muito feliz... Eu te amo... Sempre vou te amar Edward! – Concluiu com a voz embargada, mas sem deixar o sorriso desaparecer... Isabella decidira-se ali que iria seguir... Iria lutar pelo seu bebê... Iria dar a ele tudo o que podia sempre recheado de muito amor... Um amor único... O amor que aprendera a sentir com seu Edward.
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A situação de Edward corria em segredo de estado, uma determinação do juiz da corte de Seattle... Diante dos relatos, depoimentos... A corte decidira por investigar a fundo a situação do Instituto Correcional, porque pelo presente momento as coisas se mostravam duvidosas quanto a seriedade dos trabalhos lá realizados para ajudar os internos... Até mesmo James Gigandet estava sendo chamado a depor, sim as coisas estavam mudando... Ao que tudo indicava o local era tudo menos um auxílio a garotos infratores... E junto a isso tinha a situação de Phil, Elisabeth teria colocado o homem em maus lençóis e por isso a situação de Edward mostrava-se outra a partir dali... Sendo assim o garoto estava agora sob a guarda de Carlisle e o processo para reconhecimento de paternidade já estava em andamento... Edward então pedira ao pai permissão para ir até Tacoma, encontrar Isabella era tudo que ele podia pensar e era nítida essa necessidade para quem com ele convivesse... Tanto que até mesmo Esme intercedera pelo garoto a quem ela estava começando a se afeiçoar... Carlisle permitiu e se ofereceu para ir junto, mas o jovem Masen orgulhoso como era disse que precisava fazer aquilo sozinho, ao menos de início... Então Carlisle com cuidados de pai decidira levar Edward até a cidade de Tacoma e por ele aguardar até que se encontrasse com Isabella... Edward aceitou a decisão do pai mesmo porque não sabia bem por onde começar a procurar por sua menina... Pai e filho foram até Tacoma e logo encontraram a residência dos Swan... Charlie é claro não desejava recebe-lo, mas preferiu faze-lo a ter alguém amolando-o em sua porta...
– Então você está vivo. – Constatou o Swan e Edward a sua frente com uma postura quase militar limitou-se a gestos curtos e calculados.
– Eu entendo que o senhor tenha talvez... Raiva de mim e...
– Raiva? Não, raiva, não... Eu tenho pena. – Afirmou sendo esnobe em excesso. – Mas tenho que admitir que você é audacioso garoto... Vir até a minha casa... Você é corajoso ou burro demais... Sim, porque até onde sei a polícia estava caçando você... É bem verdade que passaram a considerar que você havia morrido naquele rio, mas acho... Que... Basta eu fazer um telefonema e as coisas vão mudar e a caçada vai voltar com tudo... Por isso... – Dizia agora caminhando ao redor do garoto que se mantinha estático... – É... Eu acho que você é burro. – Afirmou mantendo a postura de superior... Edward respirou fundo... A vontade era de ser grosseiro, devolver na mesma moeda a arrogância, mas até mesmo naquele momento ele pensava em Isabella e por ela não iria afrontar o pai.
– Veja senhor... Minha situação com a justiça já está sendo resolvida... Por isso, se o senhor ligar para a polícia... O máximo que vai acontecer é descobrir que eles já sabem sobre mim. – Disse tranquilo, mas por dentro estava fervendo... Fervendo de raiva e ansiedade... Raiva de Charlie e sua postura entojada e superior e ansiedade por ver sua menina... Charlie sabia qual era o motivo dele estar ali e por isso decidiu ir direto ao assunto já que pelo visto o garoto não era tão despreparado quanto pensava...
– Edward certo? – Inquiriu com indiferença e Edward na expectativa por notícias apenas assentiu. – Isabella não está aqui. – Informou a verdade. – E mesmo que estivesse não iria querer vê-lo... Rapaz, ela sabe de toda a verdade, sabe o que fez, o que de fato representa... – Dizia de maneira maldosa e Edward confuso...
– Sim, sabe... Sabe porque... Eu contei tudo a ela, eu...
– De maneira romântica com toda a certeza. – Disse sério cortando-o, Edward sentiu-se pego desprevenido... É claro que sua Bella sabia de tudo, ele tinha contado tudo a ela... Ela sempre soube de tudo e confiava nele, acreditava em tudo que ele lhe contava, não fazia sentido ela desconfiar dele como o pai agora deixava parecer... – Veja... Minha filha é uma boa menina, foi educada com esmero... Entendo que o momento que viveram foi talvez... Intenso, dadas as circunstancias e a pouca idade... Mas Isabella sabe o lugar a que pertence e por isso mesmo preferiu retornar a sua antiga vida... Eu preciso lhe dizer que ela se arrependeu da decisão tomada... – Edward ouvia as palavras, a confusão lhe atingia... Sua Isabella teria desistido dele? Questionava-se... — Minha pobre criança se deu conta de que havia perdido sua mente em meio a um sonho infantil... O senhor a de concordar com ela... Foi de fato um sonho infantil, pois onde em toda a história seria possível alguém como ela se manter por muito tempo ao lado de alguém como... O senhor? Vamos e venhamos rapaz, Isabella tem educação, foi criada com luxos... O que o senhor poderia oferecer a ela? Nada não é mesmo? – Perguntou fazendo Edward abaixar o semblante, sentiu-se intimidado e mais uma vez as inseguranças o atingiram e como no tempo em que estava no Instituto sentiu-se inferiorizado. – Portanto eu acredito que seja melhor esquece-la não acha? Visto que ela já o fez em relação a sua pessoa, está neste momento tendo outras experiências em sua vida e o senhor deveria fazer o mesmo. – Finalizou.
– Bella... Não quer me ver? – Perguntou demonstrando sua confusão e Charlie aproveitando-se.
– Acredito que ouviu as palavras que acabei de proferir, não é? – Devolveu e Edward...
– Eu só quero vê-la... Apenas por alguns minutos... Eu...
– Acho que não entendeu rapaz... Ela não está aqui! – Soltou direto. – Isabella está fora do país... A pedido dela mesma, está em... Em uma viagem com a amiga... Victoria... Victoria Lefevre. – Declarou a mais pura mentira.
– Eu... O senhor... Pode me dar o telefone... O telefone de onde ela está? – Pediu e Charlie sendo incisivo...
– Escute aqui rapaz... Minha filha esteve em meus braços por dias e dias chorando... traumatizada por tudo o que você a fez passar... Pesadelos e mais pesadelos... Ela gritava em sonhos pedindo para você deixa-la em paz... Pedia socorro... – Continuava com as mentiras e Edward se mostrava agora assustado com o que ouvia. – Sabe o que foi para mim ver minha filha traumatizada com ficou? Sabe? Não você não sabe... Você foi um inconsequente levando uma menina frágil e despreparada a vivenciar momentos de horror... A coitadinha esteve a base de calmantes... Se não fosse a amiga carinhosa e os meus cuidados minha... Minha menina estaria em uma clínica de repouso. – Lançava teatralmente e Edward caia como um patinho. – Eu deveria processa-lo... Se é como está dizendo... Que com a justiça sua situação está sendo acertada... Eu como pai... Deveria processar você pelo que fez minha filha passar... – Continuava a se de fato Charlie fosse um pai prestimoso, aquelas palavras fariam sentido, pois Edward também enxergava desse forma, sempre enxergara... Tudo aquilo era demais para sua Isabella... A jovem era delicada e sim despreparada para passar pelo que havia passado. – Seja ao menos responsável uma vez na vida rapaz e desapareça... Suma da vida da minha filha... E coitada nem pode ouvir o seu nome que já começa a tremer de medo por relembrar tudo o que passou... Faça um favor a ela, suma! – Disse.
– Eu... Eu não queria que ela passasse por nada daquilo... Eu...
– Pois é, mas ela passou e por isso caiu em si... Tudo foi demais... O medo foi demais... A angustia de se ver no meio tiros foi demais... Ora essa o que você esperava de uma menina que nunca havia saído do mundo ao seu redor... Ela me pediu perdão, rapaz... Me pediu perdão pela loucura que cometeu... É bem verdade que sentiu muito sua morte, porque afinal haviam nos dito que você estava morto... Eu poderia até contar a ela que está vivo... Mas pense... Pense, senhor Edward... Será tão sem coração que irá infligir a ela todo aquele sofrimento vindo à tona mais uma vez... Você não viu minha menina em seus pesadelos... Nenhum pai merecia passar por isso... Nenhum! – Concluiu dando sua cartada final e Edward desconcertado...
– Bem... Eu... – Começou sem saber ao certo o que dizer, estava quebrado por dentro... Havia só causado dor a um ser tão delicado como Isabella. – Eu... Senhor... Eu estou em Seattle com... Com meu pai... Ele é médico lá... Eu... Bem... Se um dia Isabella... Se um dia Bella quiser me ver... Se ela... Bem... Eu vou deixar o meu telefone e...
– Certo, certo... Deixe o número... Eu passarei para ela... Não agora... Daqui a um tempo... A pobre está agora se recuperando de tudo, não é justo lhe atormentar. – Soltou e Edward sem graça escrever o número da casa de seu pai em um pedaço de papel... Desculpou-se por ter vindo e saiu cabisbaixo... Charlie, assim que a porta de seu apartamento se fechou, sorriu vitorioso. – Um a menos em cima da herança! – Definiu aliviado pensando na única coisa que lhe importava.
...
Edward caminhou para fora do luxuoso condomínio... Desorientado, sem chão... Respirou fundo e voltou seus olhos para a imponência do edifício... Isabella havia sofrido... Sua Isabella estava traumatizada... Lembrou-se dos últimos instantes ao lado dela... Dos gritos... Do choro... Dela parando no meio do caminho ao ouvir a voz do pai... Dela voltando-se para ver o pai... Isabella amava seu pai, constatava... Ele era o pai dela e a vira sofrer por conta do que ele tinha feito... Havia levado uma menina a cometer loucuras e o resultado disso era ela traumatizada de um lado e ele agora perdido... Lembrou-se das palavras de seu amigo James...
[- Ela é uma garota riquinha e mimada meu bom amigo, jamais vai conseguir viver algo assim com você. – Disse sério. – Edward, sou seu amigo... Cara, isso não daria certo nem em mil anos. – Afirmou preocupado.]
– É Jimy... Você tinha razão... Isso não daria certo! – Afirmou e uma lagrima desceu molhando seu rosto e sendo prontamente eliminada... Mais uma vez respirou fundo... Lembrou-se do sorriso de Isabella, seus delicados traços... Da noite de amor na cabana... – Desculpe Bella. – Disse baixinho e decidido caminhou a procura de um taxi que o levasse ao hotel onde o pai o esperava... Edward estava naquele momento fechando um ciclo... As inseguranças de uma vida, os sentimentos de inferioridade e aversão a si próprio davam as caras mais uma vez agora aliados ao relato do pai de Isabella... É... Ela não poderia ser minha... Ela... Pobrezinha foi forçada a uma situação fora de seu controle por conta de um momento de solidão, concluía guardando em seu interior o amor que por ela sentia e ao mesmo tempo enterrando tal sentimento... – Ao menos isso serviu para o seu pai se preocupar mais com você, Linda... Ao menos isso! – Definiu. – Seja feliz Bella, seja muito feliz! – Soltou abrindo a porta do taxi e entrando nele.
Spoiler —
– O que diabos andou fazendo aqui Hunter? — Questionou irado o xerife Lenox e Hunter ainda tentando manter a pose...
– Fiz meu trabalho xerife. — Retrucou baixo.
– Ao inferno que não, você estava é criando animais e não cuidando de garotos, seu imbecil...
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