Tempestade
18 Justiça... Cega?
Notas iniciais
“A justiça, cega para um dos dois lados, já não é justiça. Cumpre que enxergue por igual à direita e à esquerda”. Rui Barbosa
–;-
– Música sugerida (Somewhere Over The Rainbow — Matthew Morrison) -
–;-
Legalizar a situação de Edward havia levado à justiça a instaurar um inquérito para apurar quais eram as reais condições vividas pelos internos do Instituto Correcional e Edward por conta disso fora convocado a depor bem como outros internos e ex-internos, inclusive James Gigandet...
– Eles... Eles nos obrigavam a ficar só de cuecas... Nos... Nos batiam... Espancavam mesmo... E... Depois nos submetiam... A... A jatos de água gelada... Acho... Que para assim não ficar hematomas... Eu acho... – Depunha Edward e Carlisle ao seu lado em ira contida segurava o choro de revolta, de dor, de angustia pelas atrocidades vividas por seu filho... O interrogatório já durava duas horas... Horas torturantes para quem ouvia os absurdos e dolorosas para quem revivia... Na saída da sala Edward dera de cara com James... O rapaz arregalou os olhos ao ver o amigo... A meses vivia com a dor de imaginar que havia perdido o companheiro, sentia-se culpado achando que o ajudara a caminhar para a morte... E agora o via ali em sua frente, vivo...
– Edward... – Soltou em choque e sem importar-se com mais nada correu até o amigo e o abraçou... A cena era bonita de ver, o reencontro entre dois verdadeiros amigos. – Me disseram... Me disseram... – Falava tentando expressar sua alegria por descobrir que estava esse tempo todo sendo enganado. – Ora... Ao inferno com o que disseram... Eu já deveria imaginar que Edward Masen era duro de roer e não se deixaria ser morto. – Colocou com o humor de sempre e juntos riram... Os pais próximos assistiam à cena felizes por ver a interação e cumplicidade entre os filhos. Aquele encontro tinha gosto de vitória para Edward e James... Os grandes amigos se viam livres das atrocidades vivenciadas e com a possibilidade de um futuro pela frente tendo a apoio dos pais.
**
Samuel Uley era daqueles advogados chave de cadeia que sempre arrumava brechas para fazer a lei pender para o lado errado ou se olhar pelo lado técnico da coisa é aquele profissional capaz de fazer mágica mesmo não tendo nada a seu favor, é bem verdade que além disso ele tinha contatos no submundo de todas as esferas e conseguira através de uma troca de favores, se é que me entendem, o relato de um psiquiatra que atestava o desequilíbrio emocional de Isabella ao ponto de recomendar tratamento terapêutico sugerindo até uma internação... O psiquiatra em questão era conhecido no meio acadêmico, exibia com orgulho muitas credenciais e é bem verdade tinha muito conhecimento, mas tinha também um grave problema era viciado em jogos de azar e estava endividado até o ultimo fio de cabelo... Por conta disso o seu devedor sendo cliente de Samuel lhe obrigada a providenciar o atestado em troca de parte de sua dívida, juntando a isso haviam conseguido o depoimento de Hunter a favor da versão levado por Sam ao juiz o que validava ainda mais a história de que Isabella estava fora de si e precisava ser interditada... Uma cama de gato era o que era e muito bem armada... Charlie estava radiante com a notícia... Poderia muito em breve dispor de todo o patrimônio dos Clarke como bem quisesse e para tanto o Uley levara toda a questão a justiça e seria questão de dias para resolver a seu favor...
– Então comprovando a condição de desequilíbrio dela passarei a ter total poder sobre o patrimônio? – Perguntou Charlie.
– Exatamente... A partir daí terá você não só o direito de administrar, como tem feito até hoje, mas também de dispor como bem quiser do patrimônio... – Explicava o advogado.
– E assim poderei negociar ou até mesmo transferir para o meu nome o que achar interessante... – Emendava o Swan.
– Com certeza, mas recomendo que o faça com cautela... Vamos a conta gostas... Poderemos transferir documentos, ações, imóveis para o seu nome de uma forma que não deixe pistas já que na verdade muito poucos sabem qual é o real patrimônio deixado para sua filha... Tenho meios de facilitar as transferências... Lhe garanto que vai ser praticamente impossível descobrir depois. – Concluía Sam e Charlie sorria com a constatação.
**
O inquérito sobre o Instituto Correcional chegara a tal ponto que o juiz responsável pedira o fechamento imediato do local e a transferência dos internos ainda existentes para outro programa... Por conta disso, é claro, Hunter e seus homens estavam na mira da justiça correndo o risco de serem exonerados e isso estava deixando o xerife Lenox mais do que irado já que o Instituto estava de certa forma sobre seu comando e agora ele constatava que debaixo do seu nariz as coisas estavam muito errados e cheirando muito mal...
– O que diabos andou fazendo aqui Hunter? — Questionou uma oitava acima o xerife e Hunter ainda tentando manter a pose...
– Fiz meu trabalho xerife. — Retrucou baixo.
– Ao inferno que não, você estava é criando animais e não cuidando de garotos, seu imbecil...
– Senhor...
– Cale-se idiota, é melhor se calar antes que eu acabe com você de vez. — Esbravejava e Hunter calado se colocou enquanto o xerife passava a andar de um lado a outro da sala e sem conter-se.– Por sua causa tenho agora a maldita corregedoria querendo o meu sangue... -Rosnava quase espumando de tanta raiva. – Mas fique tranquilo, muito tranquilo Hunter... Em breve o distintivo que você ostenta lhe será tirado porque eu não vou permitir que minha imagem seja maculada por erros seus sem que você seja sumariamente punido. – Afirmou duro e Hunter sem escolha calou-se percebendo que seus dias como oficial da lei estavam contados sem mencionar a grande possibilidade de ainda responder como civil pelas atrocidades que cometera no Instituto... É a situação de Hunter era mais do que complicada assim como a de seu amigo Phil... A justiça estava sendo feita e atingindo as pessoas certas agora.
**
Vitoria fora até a amiga com o consentimento de seus pais, estava histérica por notícias detalhadas do que estava acontecendo com Isabella...
– Mas eu achei que você iria voltar para o internato. – Disse Vitoria chateada.
– Vic... Diante da situação... Eu acho que as freiras não iriam me querer lá sem contar meu pai...
– Mas e os seus estudos? É o nosso último ano... E a universidade? – Questionava inconformada.
– Eu não sei... Eu vou ter um bebê, eu não sei... Leah, filha de Sue... Ela é professora e falou que vai me ajudar a completar o colégio para poder me candidatar... Ela me garantiu que vai dar um jeito para que possa fazer as provas de conclusão e ter meu diploma de ensino médio... – Explicava com certa animação, mas Vitoria não era pessoa de deixar a ferida quieta e sem pensar...
– Eu vou dizer amiga... Esse seu pai é...
– Eu sei... Pode apostar que sei, estou sentindo em minha pele o castigo. – Colocou interrompendo-a.
– Deixar você aqui é mais do que um castigo... Isso é errado e...
– Vic estou ciente disso, na verdade mais do que ciente... Tenho tido muito tempo para pensar sabe? Estive um tanto deprimida e chorei muito... Porque... Bem, Edward não merecia... Ele não merecia isso e eu... Eu também não merecia... – Dizia com a voz embargada e respirando fundo... – Mas... Eu tomei a resolução de que vou seguir em frente... Vou criar meu bebê... – Sustentava convicta. – Quando eu completar a maioridade... Eu terei direito à herança da minha mãe e não vou mais precisar passar por isso que estou passando porque meu pai... Charlie não terá mais poderes sobre mim e eu vou viver a minha vida com meu bebê em paz. – Declarou segura.
**
– Mas... Ela não quis nem te ver? – Perguntou James depois de ouvir do amigo o que acontecera quando fora em busca de noticias de sua Isabella... Edward apenas negativou com a cabeça. – Nossa, mas...
– Eu falei para ele que não deveria aceitar isso assim... Eu acho que ele deveria insistir. – Jogou Alice com o namorado ao lado... Jasper Whitlock finalmente voltara de suas férias, para a alegria da namorada e fora logo apresentado ao recém descoberto cunhado assim como ao mais novo membro do grupo que se formava, James...
– Eu... Entendo ela... Foi traumatizante tudo o que aconteceu... – Dizia tentando convencer-se de que fora melhor assim já que Isabella ficara traumatizada como lhe tinha dito Charlie Swan... A verdade é que doía, a rejeição doía, a perda de contato doía, a falta de perspectiva doía e por isso ele decidira seguir em frente guardado o que fora bom, sempre guardaria com carinho, pensava todas as vezes que lembrava dela.
– Isso é absurdo maninho. – Resmungou Alice.
– Baby não ve que isso deixa seu irmão triste? – Soltou Jasper tentando parar a namorada.
– Tudo bem, eu estou bem e vou ficar melhor. – Jogou Edward esboçando a intenção de um sorriso. – Mas me diz Jimy como andam as coisas? – Perguntou mudando de assunto e o amigo com o sorriso malandro de sempre.
– Estou caminhando muito bem companheiro... Eu vou terminar meus estudos, atrasados é verdade, mas vou terminar e vou para universidade... Meu pai insiste nisso e eu estou até gostando da ideia. – Dizia animado.
– Maninho pode apostar que disso você também não vai fugir... Papai vai com certeza lhe enviar para uma universidade. – Comentou Alice e Edward surpreso...
– Eu... Em uma universidade? – Perguntou quase sussurrando... Para o Masen era algo fora do normal essa possibilidade tendo em vista o que vivera até hoje... Nosso jovem Edward ainda não se acostumara com o futuro que se descortinava a sua frente.
**
A visita de Vitoria teria que ser curta porque a volta as aulas estava a porta... Por isso as amigas estavam aproveitando para matar as saudades, a ruiva viera para ver de perto como Isabella estava, trazendo-lhe sua solidariedade e conforto e isso tinha a anuência dos pais que haviam se compadecido com a situação da jovem Swan... A mãe de Vitoria ficara tão envolvida com a situação da menina que até lhe enviara um presente com a intenção de permitir assim a continuação do contato entre as jovens amigas.
– Um telefone para mim? – Perguntou uma Isabella surpresa e Vitoria sorrindo assentiu.
– Sim... Eu ganhei um de natal e minha mãe fez questão de comprar um para você... Assim poderemos nos comunicar sempre que quisermos. – Disse animada e Isabella sorriu mexendo no aparelho em sua mão. – Ele tira fotos e eu exijo que você tire várias e várias viu? Quero acompanhar de perto a evolução do meu afilhado ou afilhada. – Colocou sorrindo... Ter a ruiva por perto estava deixando nosso menina mais feliz e isso se via de longe... A conversa continuou, como sempre confidentes uma da outra... – Bella... Me diz... Como... Como foi? – Perguntou sem jeito apontando para a barriguinha de Isabella e a jovem entendeu de imediato qual era o assunto.
– Bem... É só lembrar das aulas de biologia e você terá uma noção. – Colocou saindo pela tangente e Vitoria estreitando os olhos não se convenceu...
– Isabella Swan não me enrole... Diz logo e diz tudo, cada detalhe. – Insistiu e Isabella ficou no mesmo instante ruborizada.
– Detalhes nem pensar Vitoria! – Definiu.
– Droga Bella, me conta... – Disse fazendo manha. – Diz vai... Doeu? – Questionou ao máximo da curiosidade e a amiga se convencendo de que não tinha escapatória...
– Ok... Bom... Doer... Eu não diria que doeu... Na verdade não é uma dor... É uma queimação, um desconforto que depois diminui e... Bem aí fica bom... – Dizia e ao mesmo tempo que lembrar-se daquele dia era bom era também doloroso porque logo a levava a lembrar do depois e isso doía como se estivesse acontecendo de novo e as lagrimas se pronunciavam, mas é claro que com Vitoria por perto chorar não era uma opção...
– Droga... Eu nem beijar beijei direito e você já está gravida. – Resmungou despertando a amiga que tento real noção do comentário não se conteve e riu. – Ora Swan não ria... Isso é injusto, completamente injusto! – Concluiu contrariada.
Spoiler —
– Vai permitir que sua filha seja uma pessoa sem instrução, sem nível universitário? O que os seus amigos... Clientes... Investidores, iriam achar Charlie? – Lançou e o homem sorriu debochado, mas no fundo caíra na jogada da filha.
– Charlie? Ora querida... Não sou mais o papai? – Devolveu com sarcasmo e Isabella retribuindo o sorriso.
Fale com o autor