Tempestade
21 Hoje
Notas iniciais
"Não é a ausência das tempestades que nos distingue, é o que descobrimos na tempestade”. Max Lucado
–;-
– Música sugerida (Your song — Ellie Goulding) –
–;-
O tempo passa e deixa seus rastros na vida de todos nós... Resta saber o que cada um faz com as fagulhas do que um dia foi, fez, passou, sentiu... Não é mesmo?
O "parabéns pra você" era a trilha sonora enquanto as velas em cima do bolo tremulavam, os olhos brilhantes e infantis se fechavam... Era a hora do desejo... Mamãe sempre diz que os desejos mentalizados no aniversário se realizam, pensava o pequeno que chegava aos seus sete anos... O sorriso estampado era sinal de que já havia feito seu pedido... Os olhos se abriram e os orbes verdes azulados reluziam a luz de velas... Ela também sorria e agora ainda mais ao vislumbrar seus lindos olhos, iguais aos dele... Edward... Ele estaria feliz aqui... Estaria se realizando ao ver Emmett grande, saudável e cheio de si... A algazarra se formou de crianças gritando ao redor da mesa... Sue como sempre organizava o momento para que todos pudessem obter um pedaço do delicioso bolo... A festa seguiu seu curso em um cenário repleto de bexigas azuis, a cor favorita do garoto...
– Sabe o que, mamãe? – Perguntou a uma Isabella alegre pela movimentação ao seu redor...
– O que amigo? – Devolveu.
– Nossa casa parece o céu com todas essas bexigas... Eu gostei! – Afirmou admirando a arte das tias Leah e Victoria... Emmett estava feliz, realizado pela festa em comemoração ao seu aniversário e Isabella repassava em sua mente os últimos anos vividos... Sua gestação, o nascimento do amor de sua vida, o malabarismo que fizera para ser mãe e ao mesmo tempo uma estudante universitária... Ela tivera a ajuda de muitos queridos... Os Clearwater permaneceram ao seu lado bem como a ruiva mais maluquinha que já conhecera, Victoria fora sua colega de quarto, na Universidade de Washington em Vancouver, e participara ativamente dos primeiros anos de Emmett... Isabella se decidira pelo jornalismo e Victoria caminhara para as leis, hoje era uma advogada em busca de espaço na grande Seattle... O jornalismo enchera os olhos de Isabella, mas foi na fotografia que a Swan agora Clarke se encontrara e especializara-se, tanto que naquele instante registrava feliz o aniversário de seu garotinho...
– Olha só está até babando... – Provocou Victoria dando um cutucão em Isabella.
– Ele está tão lindo, não está? – Jogou sem tirar os olhos de sua cria que ria ao lado dos amigos... Victoria sorrindo e admirando junto com ela a cena...
– Sim, meu príncipe é um lindo! – Declarou.
– E depois sou só eu que babo aqui. – Provocou de volta a mamãe Bella e as duas riram.
**
A cerimônia se daria em breve, o Palácio de Buckingham iria receber a família Volturi que orgulhosa estava... Aro Volturi teria a honraria de se tornar Sir... A rainha Elizabeth II estava concedendo a Aro o título de Cavaleiro da Grande Cruz da Mais Excelente Ordem do Império Britânico... O homem ao longo dos últimos anos se tornara uma personalidade na terra da rainha por conta do sucesso que a Volturi Aircraft Co. estava fazendo... Hoje em dia sua empresa não se limitava a oferecer o serviço de taxi aéreo, era agora uma montadora de jatos e graças a seu mais querido funcionário se tornava um dos nomes em qualidade e tecnologia no ramo... Esse querido funcionário era ninguém menos que Edward M. Cullen, como era conhecido hoje em dia... Um engenheiro aeronáutico renomado e formado com honras pela universidade de Oxford... É... Aro conseguira trazer o garoto para o seu convívio... Carlisle não gostara de início da ideia, mas notara o interesse do filho pela possibilidade e convencido por Esme aceitara a proposta... Hoje Edward residia em Londres e se tornara um grande homem, o orgulho dos Cullen.
– Eu como filha de um Sir... Serei o que? – Questionava Jane durante o café da manhã na mansão dos Volturi... A sala de jantar estava recebendo toda a família em Londres... Os Cullen vieram especialmente para a ocasião, Esme sempre carregaria o orgulho de ser uma Volturi assim como hoje sentia por ser uma Cullen... Alice e Jasper engrossavam a torcida junto com a pequena Rosalie, a única criança da família, sem contar Jane que seria uma eterna travessa... Edward para provocar, como sempre...
– Você vai continuar sendo apenas Jane, a chata. – Destacou recebendo uma língua de fora da prima de coração e todos riram.
– Papai olhe o Edward, está me provocando de novo. – Resmungou e Aro fingiu não ouvir e se voltando para Edward, aceitando a provocação... – Fique o senhor sabendo que terá sim muita importância o título de papai... Com toda a certeza o príncipe Harry irá me notar com mais facilidade a partir de agora, ainda mais com o vestido que irei usar na cerimônia. – Afirmou piscando ao final e desta vez Aro não conseguiu se conter e fechando os olhos com força...
– Pelo bem da coroa... Querida... Não me envergonhe. – Pediu e todos voltaram a rir.
**
Isabella deixou a câmera de lado e passou a ajudar Sue a distribuir os pratinhos com bolo e sorvete a criançada amontoada ao redor... Emmett era daqueles garotos que faziam amizade fácil e por isso a meninada estava em grande número, mas existiam dois em especial que viviam grudados com o filho de Isabella... Eram eles Seth Lahote, filho de Leah e Paul, o netinho amado de Sue e Harry e o outro era Jacob Black, filho de Sarah e Billy Black, o casal se tornara próximo a Isabella por conta da amizade de seus filhos... E ainda existia Riley Newton, o garoto era recém chegado, filho de pais separados estava enturmando-se com os demais...
– Ei... Emmett... Olha só... – Cutucou Seth o amigo . — Riley conseguiu entrar para a liga mirim de baseball de Seattle. – Comentou despertando a atenção de Emmett.
– Você vai jogar em que posição? – Questionou Jacob e Riley cheio de orgulho...
– Rebatedor! – Afirmou com o peito estufado... Os meninos eram fãs do esporte e tinham até preferência... Os Mariners era a opção geral.
– Eu sei rebater. – Colocou Emmett e os amigos ao seu lado assentiram em concordância.
– Vocês poderiam vir comigo treinar... O treinador Whi... Whitlock... Disse que ainda existem vagas... – Explicava Riley e os meninos se entreolhando sorriram com a possibilidade.
– Seria o máximo jogar na liga. – Assinalou um Jacob sonhador.
– Foi meu papai quem me inscreveu, ele pode levar vocês lá... – Dizia Riley e de repente, pensativo... – Só tem um problema... – Colocou baixinho e os meninos curiosos...
– Qual? – Disseram em uníssono.
– Rosalie Hale. – Destacou Riley.
– Quem é essa? – Perguntou Emmett.
– Ela é simplesmente a lançadora mais violenta que já vi em toda a minha vida. – Confessou cabisbaixo e um tanto teatral para a sua idade.
– Ei deixe disso... – Desdenhou Seth.
– Meninas não são de nada... – Disse Jacob.
– Vocês não conhecem Rosalie... Ela é filha do treinador Whi... Whit... Lock... E... E... Ela simplesmente lança bolas muito velozes... Eu não consegui pegar nenhuma. – Contava derrotado. – E ela é maior do que eu... – Destacava, mas a questão era que para Riley sentir-se inferior era algo natural, o garotinho era cheio de complexos por conta dos problemas familiares que enfrentara nos últimos anos, uma separação difícil entre seus pais Mike e Jessica resultara nele morando com o pai e tendo a mãe afastada de sua convivência vivendo do outro lado do país...
– Qualquer um é maior do que você. – Disse Jacob, o que era uma verdade, Riley Newton era possuidor de uma estatura baixa igual ao pai... Seth cutucou o amigo recriminando-o... – Ora, mas é verdade. – Continuou o pequeno Black e Emmett...
– Sabe o que Riley? Sabe o que? – Lançou na ideia de animar o novo amigo, Riley fitou Emmett... – Nós vamos para a liga com você...Vou convencer a mamãe...
– É isso aí, nós vamos! – Afirmou Seth confiante.
– Vamos? – Questionou Jacob meio perdido e os meninos assentiram levando um brilho aos olhos de Riley.
– Sim, nós vamos e vamos mostrar que essa Rosalie Hale não é a única que sabe jogar baseball. – Colocou um confiante Emmett.
**
O café da manhã seguiu em clima descontraído, a pequena Rosalie estava sentada ao lado do tio, Edward era apaixonado pela garotinha...
– Tio Ed... Sou a melhor lançadora do time... – Contava animada.
– Querida gabar-se é feio. – Repreendeu com suavidade a mamãe Alice.
– Se ela diz que é, é por que é. – Disse Edward piscando para a sobrinha que sorriu enquanto Alice revirava os olhos pelo titio babão.
– Deixe o campeonato começar para poder dizer algo, princesa. – Pediu Jasper.
– Os meninos do time disseram que sou boa, papai viu. – Afirmou segura e todos riram. – Tio Edward... Você vai me ver jogar? – Perguntou esperançosa.
– Pode apostar que sim pequenina e ainda de quebra iremos juntos ver um jogo dos grandes Mariners. – Destacou.
– Teremos então a honra de ter você em casa? – Reclamou Esme e foi a vez de Edward revirar os olhos...
– Não é como se fizesse séculos que não vou, mãe. – Comentou cansado e Esme fazendo-se do ofendida...
– Faz quase um ano. – Reclamou, mas ouvir Edward lhe chamar de “mãe” sempre lhe emocionava... O feito já era antigo, a atitude carinhosa vinha de anos e o rapaz sentia-se feliz em fazê-lo.
**
– Nós vamos construir aviões! – Destacou praticamente batendo o pé e Charlie se viu frustrado ao constatar o quanto sua esposa estava se portando como uma deslumbrada, sem noção... Sim, porque a DenaliAir era uma empresa de taxi aéreo e não possuía cacife suficiente para se tornar uma montadora de aeronaves... Mas a jovem Irina estava pra lá de contrariada por ver sua grande rival inglesa, a Volturi, tornar-se com sucesso uma montadora e não mais uma simples empresa de taxi aéreo.
– Querida... Os investidores já disseram não. – Repetiu pela milésima vez o cansado Swan e a esposa demonstrou na face sua contrariedade.
– Pois você... Como diretor financeiro tem que faze-los enxergar que vale a pena investir na ideia. – Destacou aos berros... Irina Denali era a atual presidente da DenaliAir, é bem verdade que não comandava sozinha, existia um conselho administrativo que a controlava... Mas ela era presidente, conseguira esse feito... O desejo de Charlie havia sido usurpado pela, na época noiva, e hoje esposa, e ele tinha se mantido no cargo que ocupava antes do sogro falecer... Nada havia mudado, ao que parecia... Ele e Irina haviam se casado e fingiam viver bem, mas Charlie na verdade era o cachorrinho da esposa que abanava o rabo e dizia sim para todas as suas vontades, só não naquele momento e isso estava deixando as coisas complicadas... No fundo, no fundo Charlie Swan vivia uma tormenta maquiada... Vivia de aparências e cheio de desconfianças... Tinha uma esposa que não lhe suportava e corria o risco de ser chutado de um instante a outro... Como é duro viver na corda bamba, não é? Mas o que era complicado se engrandecia junto com o fato de que a DenaliAir passava por uma crise sem precedentes, reflexo da crise em que os USA havia passado e agora começava a se recompor, mas a deslumbrada e mandona esposa não enxergava ou fazia questão de não enxergar...
– Irina é mais do que temerário impor essa proposta ao conselho... Não temos capital de giro suficiente para bancar a estrutura de uma montadora e...
– E que você é um incompetente Charles... Um completo incompetente... – Gritava...
**
Era noite... Chovia em Seattle... Emmett já estava de pijamas, preparado pela mamãe para obter uma boa noite de sono depois de um dia cheio de festa... Ele saíra do banheiro, onde acabava de escovar os dentes e se deparava com uma Isabella fitando as gotículas de chuva que respingavam no vidro da janela...
– Mamãe... – Chamou despertando-a de seus devaneios... Devaneios esses que a levavam a Edward... Como sempre seria... As lembranças de sua curta vida ao lado do seu amor sempre voltavam, castigavam e ao mesmo tempo aqueciam seu coração... Isabella voltou-se para o filho.
– Terminou? – Perguntou tentando sorrir, mas Emmett era perspicaz, extremamente sensível a mãe... O garoto franziu a testa e Isabella ainda sorrindo. – O que foi? – Questionou aproximando-se dele que estava parado ao lado da cama.
– Você tava pensando nele... – Disse baixinho enquanto a mãe começava a mexer nos lençóis e cobertas de sua cama preparando-a para que ele se deitasse... Isabella não queria terminar o dia de seu pequenino de forma melancólica...
– Nele? – Jogou com certo humor na intenção de descontrair, deu uma palmadinha na cama mostrando onde o pequeno deveria se colocar e Emmett atendendo subiu no colchão e se acomodou.
– É mamãe... Você tá pensando no papai. – Disse sério.
– Por que acha isso? – Questionou cobrindo-o e se sentando a sua frente... Emmett revirou os olhos.
– Porque quando você pensa nele... Fiica assim... Sem falar e olhando para o nada... E fica triste e...
– Ei... Eu não fico triste quando penso no seu pai. – Argumentou cortando-o. – Eu fico... Saudosa... É isso, saudosa... Apenas isso... Triste não, nunca... Pensar em Edward nunca vai me deixar triste... Seu pai era uma pessoa fantástica e que só me deu alegrias. – Dizia determinada.
– Sabe o que mamãe? Sabe o que? – Colocou esperto e dessa vez era ele que queria animar a mãe que, sim, até instantes atrás parecia melancólica.
– O que amigo? – Devolveu como de costume.
– Eu sei qual alegria o papai te deu... Fui eu! – Afirmou piscando no final e Isabella foi obrigada a rir e ao mesmo tempo concordar.
– Sim amigo... Você foi uma alegria que ele me deu... Edward sempre me deu alegrias, Emm... Sempre. – Colocou sorrindo e agarrando o filho com beijos.
Spoiler -
– Estão chamando a sua criação de engodo, dizendo que seria impossível um capacitor impulsionado por energia solar sustentar uma aeronave... – Colocou a loira com o gravador em sua mão, ele a fitou com tranquilidade... – O que você me diz? – Questionou.
– Einstein uma vez disse: O impossível existe até que alguém duvide dele e prove o contrário... Amanhã irei sobrevoar Seattle com o Tempestade e o impossível se mostrará completamente possível. – Afirmou sorrindo e a moça voltou a sentir-se deslumbrada por sua beleza.
Fale com o autor