Tempestade
13 À mercê
Notas iniciais
“Isto não é o fim. Não é sequer o princípio do fim. Mas é, talvez, o fim do princípio.” Winston Churchill
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– Música sugerida (Waiting For The End — Linkin Park) -
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A água gélida misturada a forte correnteza arrastaram o jovem Masen... A dor lhe dava a sensação de queimar até a alma... Ele conseguiu, com muita dificuldade, segurar-se em um galho pendendo na margem do rio quase tocando as águas... Força, você não pode se deixar vencer, não agora, sua mente um tanto perturbada e perdida berrava e a duras penas ele conseguiu se esquivar da forte correnteza, as pernas trôpegas, o braço já anestesiado, o frio... Frio, muito frio... Edward chegava a conclusão de que nunca sentira tanto frio como agora... Sua mochila, presa em suas costas pesava mais do que seu peso real e isso se dava ao fato de estar encharcada bem como todos os itens ali contidos... Ele arrastou-se por entre a vegetação virgem, selvagem... A chuva agora uma insistente garoa parecia aumentar o frio... Sem forças ele deixou-se cair, agora em terra firme, escondido dos olhos de qualquer um, nem mesmo um helicóptero conseguiria vê-lo...
– Bella... – Pronunciou baixinho... O ferimento a bala transpassara seu ombro e por sorte não lhe atingira nenhuma zona vital, a perda de sangue era significativa, mas a água gélida fizera a hemorragia ceder pelo tempo em que ele ficara submerso, porém agora voltava a atingi-lo e em instantes ele desmaiaria não fosse sua força de vontade em viver... Piscando com força, concentrou-se e abriu o zíper da mochila, puxou o primeiro pano que lhe veio a mão... Uma de suas velhas camisetas... Fez do pano uma faixa e prendeu-a como pôde em seu ombro, um arranjo provisório... E mesmo tonto, pensou em seu próximo passo...
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O xerife Lenox desembarcou da aeronave sendo recepcionado por um ansioso grupo... A suplica vinda dos lábios de Elisabeth Masen e o estado alterado de Isabella Swan deixaram o homem sem ação por instantes...
– Então senhor... – Levantou Hunter tão ansioso quanto os outros... Lenox olhou para Elisabeth e em seguida para Isabella e soltando o ar com força...
– Vamos manter a calma, ok? A forte correnteza do rio... Não nos deixa ter grandes expectativas, mas o rapaz é muito novo e nós vamos agir... – Soltou. — Scott entre e solicite a presença imediata de uma equipe de mergulhadores, vamos concentrar as buscas no rio. – Ordenou.
– Meu Edward... Edward... – Dizia Isabella baixinho.
– Eu acho que diante da situação senhor... Talvez seja tarde demais pedir uma busca... Aquele rio é traiçoeiro e... – Começou Hunter e todos se voltaram para ele, o xerife estreitando os olhos na direção de seu policial o fitou com intensidade e ele dando de ombros. – Bem... Senhor, sejamos sinceros é muito provável que a essa hora o corpo do garoto esteja bem longe e... Teve o tiro...
– MALDITO! – Soltou Isabella mais uma vez surpreendendo a todos e em uma atitude desesperada partiu para cima de Hunter, Elisabeth com a mão nos lábios deixava as lagrimas descerem...
– Isabella... Que loucura é essa minha filha? – Soltou Charlie voltando a segura-la enquanto ouvia os rosnados saindo de seus lábios...
– Sua filha não está bem senhor Swan. – Destacou Hunter tentando conter o sorriso que diabolicamente queria ganhar seus lábios, a maldade em seu coração parecia transbordar de alegria diante da possibilidade de Edward estar de fato morto.
– Feche a matraca Hunter e vá fazer algo útil ajudando Scott, por exemplo. – Jogou o xerife e Hunter se afastou. – Senhor Swan eu sugiro que leve sua filha ao hospital de Forks para que ela possa ser avaliada... Uma viatura os levará. – Declarou e Isabella...
– Não... Eu... Edward... – Dizia com lagrimas também escorrendo de sua face... O clima ia da consternação ao choque, da esperança a quase certeza... Sim, os sentimentos ali contidos eram contraditórios, muito contraditórios em se tratando de cada um dos presentes...
– Calma querida, calma. – Disse Charlie interrompendo a filha que mais uma vez se mostrava transtornada. – Irei fazer isso xerife... Sam me ajude aqui. – Pediu.
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Para onde ir... Isabella... O que fazer... Bella... A mente de Edward era um emaranhado de pensamentos e em todos eles a imagem de sua amada namorada se sobressaia... Ele precisava reencontra-la, precisava saber como ela estava... Ele precisava fugir, precisava de ajuda... Uma confusão de ideias e a necessidade de agir lhe atingiam e mesmo tonto e desnorteado, com dores, sangrando e com frio ele andava... Estava perdido... Sem saber ao certo que caminho tomar... O canivete preso a calça foi lembrado... Edward respirando com dificuldade puxou a pequena e avermelhada peça e tentou visualizar a minúscula bussola... Os olhos um tanto turvos pelo sofrimento exigia um esforço a mais e é claro ele não decepcionaria... Buscando toda a atenção possível observou a bussola e pensou sobre a direção que deveria tomar... Voltou a caminhar depois de retirar o blusão, que pesado, por estar molhado lhe incomodava ainda mais, o frio ainda continuava a lhe atingir, mas ele não se importou e permaneceu apenas com a camiseta...
– Estou indo amor. – Declarou com determinação, em alto e bom som... Sua mente apontava Forks, era para lá que deveria ir... A polícia de Forks o estava caçando era verdade, mas era também o lugar para onde haviam levado sua namorada e era para lá que ele iria...
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– Ela está dormindo? – Perguntou Sam sentando no sofá da pequena saleta no quarto do hospital... Isabella fora examinada e se constatou que estava com os nervos abalados, um choque emocional diante de tudo que passara nas últimas horas.
– Teve que ser sedada, mas finalmente me deu um pouco de paz... Não aguentava mais ouvir aquele choro constante. – Resmungou o Swan.
– É, caro amigo... O desequilíbrio dela assustou a todos, de fato ela tem sentimento por esse tal Edward. – Esboçou Uley fazendo Charlie se enfezar um pouco mais.
– Não vejo a hora de sair daqui, e vou agir como já tinha comentado, manda-la para o exterior o quanto antes. – Afirmou tentando conter a irritação.
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Edward chegou até as proximidades de Forks... O dia declinava, esgueirar-se pelas esquinas e becos da pequena cidade era sua única alternativa, ele esperou que a noite chegasse em definitivo... Procurar a mãe não era uma opção... Uma única pessoa veio a sua mente, sua desnorteada mente, apenas ele poderia ajuda-lo, ao menos assim pensava e antes que a polícia o capturasse tentar um contato seria sua última chance... Edward se encaminhou para o único lugar onde achava ser possível conseguir ajuda... Deu a volta no terreno, encaminhando-se para o fundo da velha casa, Lince Tracker estava assistindo ao jogo dos Mariners televisionado, a cerveja ao seu lado e um imenso pacote de salgadinhos em seu colo... Ao inferno com o colesterol, pensava o homem torcendo por seu time... O velho cão ao seu lado rosnou uma, duas, três vezes...
– Qual o problema Bud? Deixe-me assistir ao jogo em paz rapaz. – Resmungou. – Rebata direito inferno, assim vamos perder. – Dizia alto como se os jogadores pudessem ouvi-lo, Bud rosnou mais uma vez e caminhou até a porta dos fundos... – Bud? Venha aqui pulguento... Bud? – Chamou mais uma vez e percebendo que o cachorro não arredava pé da porta se interessou... Levantou da poltrona e foi ver o que tanto incomodava seu amigo peludo... – Qual o problema? – Questionou e Bud latiu. – Ok, ok... Vamos ver do que se trata. – Disse convencido, pegando uma velha lanterna abriu a porta dos fundos e com Bud ao seu lado ganhou o quintal que tinha em seus limites uma vasta vegetação... Com a lanterna em mãos apontou para a vegetação, vasculhando de longe o local e Bud continuava a rosnar... – Tem alguém aí? – Gritou questionador... Respirando fundo percebeu o Masen que aquele era o seu momento.
– Sou eu Lince. – Disse um tanto envergonhado, rosto machucado, camisa ensanguentada.
– Edward... – Disse surpreso. – O que no inferno você está fazendo aqui? Pensei que já estivesse longe... – Disse aproximando-se do garoto cabisbaixo. – Estão em uma verdadeira caçada atrás de você... Na verdade, alguns acham que você está morto, eu estava custando a acreditar... Na verdade achava que você estivesse bem longe daqui... Mas não, você pelo visto é maluco...
– Desculpe vir... Aqui... Eu não tenho... Para onde ir. – Disse Edward ainda envergonhado... Lince olhou para todos os lados daquela imensidão escura que era seu quintal naquele momento...
– Maldição, venha vamos entrar... Sua aparência não é nada boa... – Lançou virando-se em direção a casa. – O que aconteceu com seu ombro? – Perguntou e Edward o seguindo direcionava-se para a casa.
– Levei um tiro de raspão. – Confessou... Lince o acomodou na cadeira da modesta cozinha.
– Deixe-me ver isso. – Pediu e sem cerimônia rasgou o que restava da velha camiseta que o garoto usava... Os suspiros de dor eram audíveis, mas o velho amigo não se deixou levar... – Ao menos a bala saiu, se estivesse alojada seria um problema... – Afirmou. – Venha... Você precisa de um banho, um curativo, roupas secas...
– Eu... Obri... Obrigado, Lince. – Declarou baixinho.
– Cale a boca e levante, vamos cuidar logo disso... Vamos logo antes que você tinja toda a minha cozinha de vermelho... – Jogou com certo tom ranzinza e Edward teria sorrido se não estivesse com tanta dor... Dor no corpo e na alma... Sua Bella, como estava, onde estaria... Lince jogou o Masen no chuveiro... – Que confusão foi essa que você se meteu, garoto? – Questionou... O garoto respirou fundo, lutando com a dor...
– Eu não podia continuar lá... Nem mais um segundo... Não dava Lince, simplesmente não dava e...
– E para piorar você ainda arrasta uma menina com você... – Disse cortando o garoto...
– Bella...
– Me diz que você não a sequestrou, você não fez isso, certo? – Perguntou cauteloso... Edward em choque, olhos arregalados elevou o semblante...
– É o que estão dizendo? Estão... Estão achando que eu... Eu a sequestrei? – Perguntou desnorteado e antes que Lince se pronunciasse. – Eu... Eu não fiz isso, jamais faria isso, Lince... Bella... Ela... Ela é minha namorada e...
– Como assim namorada, garoto? – Perguntou confuso. – Vocês estavam em lados opostos... Você confinado e ela no internato... Como, por todos os santos vocês... Vocês... Como? – Inqueria sem acreditar e Edward respirando fundo contou. – Vocês então... Se encontravam na maldita floresta. – Definiu ainda em choque.
– Eu diria bendita floresta. – Esboçou Edward baixinho e elevando o semblante mais uma vez. – Lince... Eu... Eu preciso saber como ela está... Preciso saber dela... Preciso ir atrás dela e...
– Opa, opa, opa, garoto... Nem pense em uma loucura dessas... A polícia lhe pegaria no mesmo instante. – Declarou fechando o registro e ajudando Edward a sair do banheiro...
– Mas... Eu... Eu preciso...
– Edward... Entenda uma coisa... – Falou ajudando-o a se sentar. — Você está sendo caçado... CAÇADO, garoto... Não é só a pena que você cumpria lá que lhe pesa nos ombros agora... O fato de ter fugido, causado todo esse alvoroço e ainda por cima levado a tiracolo uma menina rica... Céus... Sua pele virou alvo, um completo alvo e... – Dizia e a preocupação atingiu-lhe em cheio. – Menino, você precisa sair daqui, precisa de ajuda... E essa ajuda eu... Eu não posso lhe dar... Não tenho meios para fazê-lo... Essa briga vai ser grande Edward e... – Dizia e antes que revelasse o que prometera nunca contar e calou-se.
– Lince, você... Você não está entendendo... Eu preciso...
– Quem não está entendendo é você, garoto, e agora chega... Você vai fazer o que estou dizendo e amanhã, com calma vamos ver um modo de tirar você daqui. – Declarou duro e Edward debilitado como estava calou-se... O homem observou o ferimento de Edward e percebeu de fato se tratar de algo superficial para alivio deles, na situação que se encontrava, Edward, precisar de um médico ou um atendimento hospitalar seria uma grande complicação...
– Sei que estou complicando... Sua... Vida, Lince. – Disse baixinho.
– Cale a boca, garoto. – Ordenou ao passar uma toalha no ombro ferido de Edward que gemeu de dor, a ferida aberta minava água misturada a sangue... – Aguente firme, mantenha o pano pressionando o ferimento, ok? – Lançou calçando suas velhas botas. – Fique quieto aqui, se alguém bater à porta faça ouvidos de surdo... Vou até a farmácia e volto logo. – Explicou saindo rapidamente... Edward lutava para ficar acordado, mas seu estado lhe exigia algumas horas de sono e foi o que aconteceu instantes depois.
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O xerife Lenox designara Hunter para colher informações do estado em que se encontrava Isabella Swan, a contragosto o policial foi e a encontrou adormecida com um pai mal-humorado ao lado...
– Sua filha teve sorte... Aquele garoto é um delinquente, um quase assassino. – Soltou Hunter, seu ódio de Edward pelo visto nunca esfriaria, mesmo com a hipótese de que o garoto estivesse morto ainda assim o policial permanecia nutrindo a raiva... E esse sentimento não se devia apenas a ligação dele com o padrasto do Masen, não, nem de longe... Na verdade essa ligação fora apenas o início de tudo... O que na verdade fazia Hunter ter mais e mais raiva de Edward era o fato do garoto não se dobrar a ele... Sua postura inabalável mesmo diante dos castigos, que não foram poucos... Até mesmo as surras com a desculpa de disciplina-lo... Até nesses momentos, Edward, se mantinha firme, diferente dos demais que sempre se rendiam, até mesmo choravam... Edward não, ele se mantinha inabalável, alimentando a revolta e isso feria os brios do corrupto policial.
...
Phil interceptando o amigo no caminho de volta a chefatura...
– Acha mesmo que ele está morto? – Perguntou e Hunter quase rosnando pelo incomodo de ter o amigo de infância lhe importunando...
– Inferno... Sim Phil... Eu já disse que sim... Ou você não conhece a violência daquele rio nessa época do ano...
– Aquele garoto é valente Hunt... Um touro endiabrado... Eu não sei, não sei mesmo...
– Pare de resmungar... Ao menos com isso você ganhou a casa... Não é grande coisa, um casebre se levar em conta o estado de má conservação... Mas ao menos pode dar algum dinheiro se você precisar. – Colocava com desdém... A casa a que se referia era a única herança deixada por Emmett Masen a filha e o neto... Sem Edward para reivindicar o imóvel e sendo Elisabeth fraca como era, o imóvel tornar-se-ia um presente para Phil.
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As compras necessárias foram rápidas e sem levantar suspeitas Lince saiu da farmácia fazendo um trajeto diferente e propositalmente passando em frente à casa dos Masen... A picape de Phil não estava na garagem o que lhe deu mais força para agir... Bateu na porta e a demora em ser atendido não lhe venceu... A porta se abriu e uma desconfiada Elisabeth apareceu olhando para todos os lados...
– Lince... – Disse baixinho, demonstrando o medo habitual. – Você não deveria estar aqui, sabe disso... Phil pode chegar a qualquer momento e...
– Um dia eu fui muito bem recebido nessa casa... – Colocou com certo amargor. – Mas tudo bem...
– Lince, por favor...
– Só estou aqui por ele... – Disse fazendo-a se calar. – Edward não merece nada disso e você sabe...
– Por todos os santos... Você sabe dele? – Questionou desesperada abrindo ainda mais a porta e se colocando do lado de fora.
– Não que você mereça saber, mas sim... Sei dele e espero que ao lhe informar isso eu não esteja prejudicando ainda mais o pobre garoto...
– Por favor, Lince... Me diga... Onde está meu filho... Ele está bem? – Perguntava aos tropeços. – Phil disse que estão cogitando a... A possibilidade dele... Dele...
– Não, ele não está morto... – Antecipou-se cortando-a. — Está bem vivo e precisando de ajuda. – Afirmou endurecido. – Se ainda lhe restar dignidade Liz... Apareça em minha casa, antes... Antes que ele vá embora... Porque é o que vai acontecer... Vou fazer o que você como mãe não fez... Vou ajudar Edward a sair daqui e ter a possibilidade de um futuro e isso eu não vou fazer por você... Vou fazer por ele e pela memória do Sargento Masen... O velho Emmett, tenho a certeza teria ajudado o neto. – Concluiu deixando Elisabeth sem palavras e virando as costas foi embora.
Spoiler —
Edward olhou fundo nos seus olhos e ali ela viu, lembrou-se, de quem a anos não via... A certeza mais uma vez lhe invadiu e decidiu contar tudo.
– Seus olhos... Eles são iguais aos dele, é como se olhasse para Carlisle agora.
– Como? – Perguntou Edward confuso.
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