Notas iniciais
Desculpa e boa leitura... ;)

Desde criança ele conheceu a definição de solidão. Depois do ataque da besta de nove caudas ele sabe muito bem o significado. Aquela sensação de isolamento, mesmo que estivesse rodeado de pessoas, o sentimento de vazio dominando e a vontade de chorar crescendo, porém na face carregava um sorriso.

Ah sim! Ele lembrava-se muito bem desse sentimento angustiante quando era mais novo. A solidão que lhe fez agir que nem um pateta na turma para chamar atenção, ter risadas e aquele falso sentimento de companheirismo, até chegar em casa e chorar com a solidão e a saudade de seus pais.

Ele acabou por se acostumar com a solidão, cresceu e fez amigos, se tornou um chunin e realiza as missões que o Hokage lhe designa. Apesar de que aquele senhor tem vindo falar de coisas sobre transmitir a vontade da folha para a nova geração.

É, ele estava realmente acostumado desde jovem com a solidão e com a sua rotina, então ele não poderia estar completamente louco em sentir seu coração disparado em acordar em sua casa e encontrar um Anbu sentado em frente à mesa na sua cozinha.

Não qualquer Anbu, não! Claro que não. Era o mesmo que no dia anterior carregou suas sacolas de compras até a entrada de sua casa e teve a permissão negada de entrar. Foi divertido ter um Anbu carregando suas compras, foi também divertido ver os ombros caídos do Anbu quando este percebeu que não poderia entrar, mas não era divertido você acordar descabelado, usando somente uma samba canção e o rosto completamente inchado de sono e encontrar aquele Anbu que nunca viu o rosto e nem sabe o nome lhe encarando com certeza, principalmente quando este lhe olhou de cima abaixo.

— Droga! – Iruka acabou por gritar e correr para o quarto.

Ele sentiu seu rosto esquentar, provavelmente estava vermelho. Ele não sabia ao certo porque teve que volta pro quarto e colocar a primeira camisa que viu, ele nunca tinha sentido uma vergonha como essa. Ele já tinha se trocado na frente de outras pessoas várias vezes, nunca teve vergonha, mas dessa vez nem conseguia controlar o coração disparado ao pensar que o Anbu de cabelo platinado realmente o olhou por inteiro descaradamente.

Ele não era atraente, então provavelmente o Anbu só tinha feito aquilo para lhe sinalizar como estava sem roupa. É, provavelmente isso.

— Tudo bem! – Iruka acabou falando alto, agora que tomou coragem e voltou para a cozinha encontrando o Anbu sentado no mesmo lugar. – Passado o susto que me deu, pode me explicar porque está na minha casa se não foi convidado?

Ele não sabia porque ainda continuava a tentar dialogar com aquele Anbu se este nem lhe respondia. Balançou a cabeça diversas vezes e andou de um lado pro outro colando as mãos na cintura.

— Vamos definir algumas coisas... – começou a falar ainda andando de um lado para o outro, percebendo que o Anbu ainda prestava atenção. – Esta é minha casa, ela é simples e pequena, eu sei, mas é minha casa. As pessoas normais costumam entrar em lugares quando são convidadas e você não foi. Ao menos que esteja me investigando, o que provavelmente não está, você não vai entrar aqui sem que eu te convide. Entendeu?

Parou de andar e olhou em direção ao Anbu que estava sentado, contudo concordou levemente com a cabeça.

Agora um pouco mais calmo com o entendimento do Anbu, Iruka respirou fundo e analisou o seu convidado indesejado. O Anbu estava quieto, não que ele já não fosse, mas ele estava mais quieto do que o normal. Analisando direito, ele estava com os ombros caídos e ainda sentado, continha algumas manchas e arranhões. Ao se aproximar do Anbu percebeu um pouco de sujeira, os cabelos cinza mais bagunçados e com algumas folhas.

Analisando a situação, depois que o Anbu lhe deixou em casa com as comprar ontem, ele não mais apareceu. Somente agora e assim.

— Você acabou de voltar de uma missão? – perguntou pasmo e teve como resposta o aceno afirmativo do Anbu.

Ele estava um pouco surpreso. Ele sabia que uma missão Anbu era complicada e perigosa, então ele sabia muito bem que aquele Anbu provavelmente passou a noite inteira correndo risco de vida e ao invés de ir pra casa descansar, ele veio para sua casa.

Iruka escutava toda vez de seus colegas chunins quando iam para alguma missão sobre a vontade de voltar para casa no fim da missão. Escutava dos jovens solteiros a reclamação de cansaço e vontade de voltar e encontrar os familiares, dos casados escutava a vontade deles de voltarem para suas esposas ou esposos.

Se o Anbu veio para a sua casa é que não tinha ninguém para recebê-lo em seu retorno. Era triste pensar nessa situação, onde ele mesmo se encontrou diversas vezes. Retornar pra casa e ser recebido pela escuridão e o silencio ao invés de o aconchego do abraço de uma mãe, o cafuné do pai e o beijo de seu amor.

A solidão do retorno. Era sufocante saber que não tinha alguém que lhe desse motivação para voltar e aguardava seu retorno. Se aquele Anbu estava ali sentado na sua cozinha provavelmente sentiu a tristeza de voltar e encontrar ninguém com ele.

Bem, era isso que achava e estava cogitando. Contudo, ao olhar para o Anbu o viu olhando para a mesa, onde as mãos com a luva do uniforme se encontravam perdidas. Aquele Anbu transmitia uma solidão bem triste e ele se identificou com aquela tristeza.

Institivamente aproximou-se e abraçou o Anbu, como este estava sentado a cabeça dele ficou na altura da sua barriga. Sorriu um pouco e agradeceu que o Anbu não poderia ver seu rosto vermelho.

— Obrigado pelo trabalho duro e seja bem vindo. – sussurrou colocando a mão na cabeça do Anbu.

Aos poucos ele sentiu os braços do Anbu lhe circulando a sua cintura, retribuindo o abraço. Era bom, era quente e lhe transmitia uma sensação boa. Era algo que realmente não estava acostumado ao acordar.

Era bom para ambos, era bom esquecer um pouco daquela solidão.

— **-

Ele tentou, ele jurava que tentou, mas estava difícil não sorrir ao andar pela vila seguindo para o escritório do Hokage. Depois do abraço o Anbu transmitia um humor melhor, mesmo que depois disso ele pulou pela janela olhando para si.

Que sensação boa era aquela? Aquela sensação de ter sido a diferença no dia de alguém. Estava tão radiante, com o rosto doendo de tanto carregar um sorriso longo que teve que parar e se bater no rosto para se controlar. E mesmo se batendo não conseguia controlar o sorriso e aquela sensação estranha na barriga.

E ainda sentia o calor daqueles braços pelo seu corpo, mesmo após o banho.

Iria sabia que tinha que se concentrar rápido, ele estava voltando para sua rotina e não precisava ficar pensando em um Anbu desconhecido.

— O que está fazendo?

Iruka levou um susto e tirou a mão do lado do rosto onde havia batido e olhou para o lado encontrando Mizuki, sorriu sem graça ao ser pego naquela situação.

— Nada, só estava pensando em algumas coisas. – Iruka respondeu. – Estou indo para o escritório do senhor Hokage, e você? – decidiu tirar o foco de si.

— Estou fazendo a ronda. – Mizuki sorriu e depois o encarou, passado alguns segundos desconcertantes, Mizuki voltou a falar. – Sabe, Iruka, as pessoas da vila começaram a falar umas historias estranhas aí lembrei que você comentou sobre um Anbu que estava atrás de você.

— E que histórias seriam? – Iruka não se conteve em perguntar, sabia que uma hora ou outra as pessoas falariam, não era natural que um Anbu ficasse atrás de um ninja comum.

— Que você está fazendo o Anbu de empregado!

Se seu rosto não estivesse vermelho seria sorte, porém sentia o calor sufocante e sabia que estava morrendo de vergonha. As pessoas da vila podem estar considerando várias coisas nesse momento. Como um chunin consegue mandar em um Anbu? Por que um Anbu andaria com um mero chunin? Por que estava lhe obedecendo?

— Preciso ir... – Iruka falou perdido e correu, fingindo não escutar Mizuki pedindo para esperar.

Como explicar uma situação que era inexplicável até mesmo pra ele? Um dia ele era um ninja normal e invisível, no outro ele era o cara que tinha um Anbu colado em si.

Era tudo tão surreal para ele.

— **-

Sarutobi sempre foi uma pessoa gentil, era amado pela vila e era sábio quando queria aconselhar. Era um pai para todos e nunca teve problemas com ele, mas foi uma surpresa voltar pra casa sem missões porque o Hokage lhe liberou.

Mas não foi um dia de folga qualquer, o Hokage conversou com ele sobre transmitir a vontade do fogo para os jovens da aldeia, ou seja, ser um professor na academia. Ele ficou interessado, mas tinha o fato que ele provavelmente seria o professor para aquele garoto, Naruto.

Ele não queria pensar que a criatura que matou os seus pais estava dentro daquele garoto e teria que dar aula para ele.

Não, não estava preparado para pensar nisso. Tinha que pensar em outra coisa, foi então que se lembrou da outra parte da conversa com o Hokage.

“O Hokage sentado a mesa do escritório, lhe olhando e sorrindo após ter feito a proposta e depois olhando para a janela.

— Um dos meus Anbus tem lhe causado problemas? – Sarutobi perguntou ainda sorrindo.

— Ham? – a vermelhidão do rosto surgiu ao imaginar as histórias que devem ter chegado aos ouvidos do senhor Hokage. – Nenhum problema, não se preocupe. – sorriu sem graça.

— Isso me deixa aliviado. – o Hokage suspirou calmo. – Se caso ele estivesse, iria chama-lo para conversar.

Iruka se sentiu aliviado que o Hokage não chamou o Anbu. Sentir-se-ia mal se caso o Anbu fosse repreendido por algo que não tinha feito de errado. Espere! Tinha algo de errado sim. De repente aquele Anbu passou a lhe seguir e vigiar, hoje mesmo tinha invadido a sua casa. Claro que tinha algo errado, tinha um Anbu stalker atrás dele.

— Sinto-me contente em ver vocês dois se dando bem, todos nós precisamos de alguém que nos traga alívio na mente. – Iruka prestava atenção a cada palavra do Hokage, tentando entender. – O que me deixa realmente curioso é como conseguiu fazer um dos mais fortes do meu esquadrão Anbu carregar suas compras. – ria perguntando.”

Realmente era vergonhoso pensar nessa conversa com o Hokage, nem queria lembrar-se do final dela, que ficou gaguejando tentando explicar e como sua mente ficou em branco pensando somente no abraço com aquele Anbu.

Era constrangedor demais pensa nisso o caminho inteiro até voltar para sua casa. Quando abriu a porta seu coração disparou ao ver o Anbu parado em pé na sua sala, virado para a estante onde tinham livros e suas fotos antigas com a família.

O Anbu com aquela mascara de cachorro virou e acenou com a mão um “olá”.

— Não se lembra da conversar que tivemos... Que eu tive com você sobre entrar sem ser convidado? – ele viu o Anbu dar de ombros, com um claro sinal de “Escutei, mas estou nem aí”. – Existe algo chamado invasão, e é claramente isso que significa. – o Anbu cruzou os braços, silenciosamente entrando na discussão também e se jogou no sofá. Iruka bufou com aquela atitude. – Se vai ser assim, vou fingir que você não existe.

E foi isso que ele fez, em nenhum momento se virou para o Anbu e conversou com ele. Arrumou sua casa normalmente, ignorando o sofá onde o Anbu estava sentado, arrumou seu quarto e a cozinha, sentindo o vento gelado entrar. Com certeza faria frio mais tarde.

Quando tinha arrumado tudo e terminou o banho, quando voltou para a sala o Anbu ainda estava lá. Suspirou e se sentou na poltrona na frente do sofá e cruzou os braços.

— Não tem ninguém em casa esperando você? – enfim perguntou quebrando o gelo e teve uma resposta negativa com o movimento da cabeça do Anbu. Então sua hipótese do Anbu ser solitário estava certa. – Hoje você tem missão? – agora um aceno afirmativo.

Com um suspirar e uma ideia em mente ele se levantou e foi para o quarto chamando o Anbu com um sinal com a mão. Ao entrar no cômodo, percebeu que o Anbu parou na entrada do quarto com a cabeça tombada lhe observando.

Sorriu ao abrir uma gaveta do seu guarda roupa procurando uma coisa, e quando a encontrou ele se aproximou do Anbu e passou com cachecol branco em volta do pescoço do platinado. Ele lembrava da primeira vez que viu o Anbu e como este estava usando um cachecol vermelho.

— É para proteger do frio, provavelmente vai ficar gelado mais tarde. – explicou para o Anbu, levantando levemente o olhar para a máscara do esquadrão. – Pareço aquelas mães preocupadas, só falta eu dizer para voltar em segurança para casa. – ria.

Contudo, seu sorrido morreu quando sentiu a mão com luva do Anbu tocar seu rosto. O Anbu usava as pontas dos dedos, onde se localizava as características garrinhas da luva. Lentamente desceu as pontas dos dedos para sua garganta. Iruka não conseguia respirar direito, sentindo o arrepio causado pelo toque desejando mentalmente que não houvessem luvas, principalmente quando ambas as mãos do Anbu foram em direção a sua cintura.

Institivamente Iruka levantou ambas mãos e apoiou nos braços do Anbu, percebendo que aquele era o uniforme com mangas. Ele não teve tempo para pensar em nada, nem conseguiria depois que o Anbu puxou sua cintura para abraçá-lo. Um abraço apertado, quente e viciante. Dominava-lhe o corpo ser abraçado assim, sentindo esse calor. Ele com certeza ficaria viciado naqueles braços, viciaria facilmente naquele abraço trocado entre dois solitários.

Um abraço que significava muitas palavras, entre elas “Em breve voltarei”.

E Iruka desejou mais abraços, principalmente quando o Anbu se afastou e seguiu para a janela. Ele era solitário, viciar-se-ia facilmente naqueles braços, aqueles que levavam embora a solidão que tentou esconder.

Quando o Anbu pulou e sumiu da sua visão ele soube que pode existir esse sentimento bom de ter alguém a sua espera em casa, mas também existe aquele sentimento angustiante de ficar aguardando o retorno.

Aquele sentimento materno de proteção. Não, não era materno estava se enganando quanto a isso, principalmente com aquela sensação diferente na barriga.

— Por favor, volte seguro para casa. – sussurrou pro nada, torcendo para aquele chato do seu Anbu stalker voltar.

E ele esperava que fosse logo.

Notas finais
DESCULPASSSSS Meu notebook ficou muito tempo sem funcionar, faz pouco tempo que eu o peguei de volta e não tive a vergonha na cara de escrever, mas agora tomei vergonha na cara e escrevi... kkkkkk Acharam o capitulo meio enrolado? Sim? Não? Eu gosto de desenvolver as coisas lentamente, mas não se preocupem que essa fic será de poucos capítulos. :D Espero voltar a postar regularmente. ;) Comentários são bem vindos. Beijos... ;*