Notas iniciais
MILLLLLLL DESCULPAS E aqui está um capitulo grande como pedido de desculpas. ;)

Depois de anos Iruka não definiu muitas coisas como "Dele". Ele tinha a sua casa, os seus amigos, colegas e etc. Mas ele não poderia tomar como posse, isso não lhe agradava. Não quando ele perdeu os seus pais. Foi assim que ele não quis se apegar tanto, construiu uma barreira em criar um vinculo que ele chamasse como dele.

Contudo, de uns tempos pra cá essa posse tem feito um sentimento estranho em sua barriga toda vez que escutava uma frase do tipo:

"O Anbu do Iruka-kun apareceu de novo!"

"Olhe lá o Iruka-kun com o Anbu dele!"

"Bom dia, Iruka-kun, seu Anbu não apareceu hoje?"

Parecia que tinha algo em sua barriga toda vez que escutava esse tipo de frases. "Seu Anbu" "O Anbu do Iruka". Pela primeira vez em anos esse sentimento de posse lhe tomou, pois era a primeira vez que sentiu que tinha algo ou alguém.

Era ridículo, deveras estranho. Por que ele estava feliz por saber que ele tinha um Anbu Stalker definido como "dele"? Será que era o ego inflado? Saber que um chunnin insignificante com ele tinha alguém importante ao seu lado?

Ele estava assustado, mas não com o chato do seu Anbu Staker, mas com ele mesmo e esse sentimento de posse.

Seu Anbu Stalker...

Até o seu coração disparava em pensar nisso.

Se o seu coração disparasse somente nessas horas ele ficaria tranquilo, mas o seu coração não ficava tranquilo há dias.

Disparava quando andava na rua e reparava que Anbu o seguia ao longe. Disparava quando comia em algum restaurante e reparava que estava sendo observado, os batimentos ficavam pior quando o Anbu se aproximava, sentava ao seu lado e o observava comer. Disparava quando estava com os seus colegas ninjas e sabia que o Anbu o observava e quando era deixado sozinho o Anbu se aproximava e o acompanhava até em casa em uma distancia segura.

Era ruim gostar desse tipo de atenção? Em nenhum momento ele proibiu, ele sabia se ele proibisse o Anbu fazer alguma coisa ele o obedeceria, tinha testado isso um vez e deu certo. Porém, ele não proibia porque ele sabia que almejava por isso.

Quando ficava sozinho em casa o seu coração disparava em antecipação de repente olhar pela janela e encontrar o seu Anbu Stalker lá o observando, porém seu coração disparava ainda mais quando seu Anbu entrava em sua casa após o retorno de uma provável missão e silenciosamente o abraçava tentando transmitir "Estou de volta".

Ele achava que morreria de infarto toda vez que trocava de roupa e encontrava o Anbu em alguma janela o encarando. No começo ele fechava portas e janelas pra se trocar, depois ele começou a deixar uma janela aberta, depois outra e por fim a porta. Ele fingia que não reparava, quando estava tirando a camisa de costas da janela e sentia os olhos do Anbu lhe queimando.

No começo seu rosto queimava de vergonha e se questionava porque ele fazia esse tipo de coisa. Depois ele foi sincero com ele mesmo e afirmou que ele gostava dessa atenção.

Ele gostava de ser olhado, observado e ser o interesse de alguém. Era vergonhoso demais, mas sim... Ele gostava de ser observado com interesse pelo seu Anbu Stalker.

— Por que eu? — uma vez questionou cortando o silencio que estavam tendo durante um jogo de Shogi. — Por que ficar seguindo logo a mim?

O Anbu somente levantou a cabeça e o encarou através daquela mascara de cachorro, novamente longos segundos em silencio e sem movimentos até o Anbu abaixar a cabeça e voltar a jogar lhe ganhando o jogo e saindo sem lhe dar um abraço de despedida como sempre faz.

O Anbu idiota e chato sumiu durante dois dias sem dar sinal nenhum.

E Iruka quase enlouqueceu de preocupação.

Quase, pois no terceiro dia o maldito Anbu apareceu batendo no vidro da janela da sua casa acenando alegremente com a cara mais lavada do mundo. De primeiro momento Iruka o deixou entrar, e quando o Anbu abriu os braços esperando o tão sonhado abraço de retorno tudo que recebeu foi um soco na barriga.

— Seu idiota! — Iruka gritou agora lhe batendo diversas vezes . — Eu me preocupei com você. Você sumiu sem se despedir, sabe quantas coisas eu achei que tivessem lhe acontecido? — o Anbu chacoalhava os ombros parecendo se divertir com aquilo. — Não ria! — e o idiota do Anbu parecia se divertir ainda mais se abaixando e segurando pelas pernas e lhe jogando no ombro e girando e pulando naquela brincadeira. — Não tem graça! Me solte... Eu realmente fiquei preocupado com você!

Então o Anbu o colocou no chão e o abraçou e nesse momento, naquele aperto dos braços do Anbu, Iruka percebeu que o Anbu era humano também. O corpo quente, respiração ofegante provavelmente pela brincadeira. Mas não foi isso que fez Iruka reparar que o chato do Anbu Stalker era um humano que nem ele. Não, realmente não foi isso. Foi quando ele retribuiu o abraço, encolhendo a cabeça no peito escutando os batimentos cardíacos do platinado.

O coração do Anbu estava disparado.

—*-*-

Depois daquele dia eles entraram em uma acordo mudo, mudo da parte do Anbu, pois Iruka não parava de gritar. Colocou o Anbu sentado no sofá e começou a falar que a partir daquele dia o Anbu sempre se despediria com um abraço e quando retornasse também lhe abraçaria.

Eles não tinham mais ninguém, eram o porto seguro um do outro... Era isso que Iruka gostaria que fosse.

— Olha lá ele de novo. — Iruka parou o copo de saquê no meio do caminho para a boca e olhou para o seu amigo Mizuki. — Seu namoradinho Anbu está aqui de novo, atrás de você!

Iruka olhou para trás, não saindo de onde estava sentado e reparou que seu Anbu estava sentado no telhado lhe observando. Não era novidade esse tipo de coisa, estava acostumado. Provavelmente o Anbu retornou de alguma missão e agora estava lhe aguardando calmamente para irem para casa. Realmente não era novidade, mas a novidade era alguem classificar aquele Anbu como algo mais que amigo.

— Ele não é meu namorado. — retornou a posição inicial e solveu o saquê. Mizuki sentado ao seu lado naquela barraquinha continuou olhando para trás. Eles tinham resolvido sair pra beber, junto com mais dois colegas. — Não ligue pra ele, não é perigoso.

— Seu mascote as vezes não te dá nos nervosos te seguindo assim? — um de seus colegas perguntou rindo.

Seu mascote? Iruka começou a pensar se os seus colegas chunnins se referiam ao Anbu como algum tipo de mascote quando Iruka não estava por perto, pois Mizuke e o outro companheiro começaram a rir como uma piada interna. Iruka olhou para trás, vendo o Anbu sentado inabalavelmente no telhado do prédio da frente ainda o observando. Ele ficou com dó de seu Anbu, será que estava virando piada entre os ninjas por seguir e fazer coisas com um chunnin?

— Não o chame assim. — voltou-se para os seus amigos. — Ele é o meu amigo!

— Então não é seu namoradinho e nem seu mascote, é seu amigo?! — Iruka sentiu uma ironia na voz de Mizuki quando este pronunciou estas palavras e passou o braço pelo seu ombro. Talvez fosse o álcool, pois seu Mizuki não era assim. — Seu amigo limpa a sua casa?

— O-O que?

— Oras! — o seu outro amigo começou a rir. — Vai me dizer que não sabe dos comentários? Que você manda e desmanda do seu mascote Anbu. Todos da vila comentam que você faz ele de empregado.

— Claro que não! — se alterou. Ele não faria isso com ninguém, ele sempre se orgulhou em não se aproveitar das pessoas. Ele fez o Anbu carregar suas compras somente uma vez, porque estava com raiva, mas depois daquele dia o próprio Anbu se aproximava e lhe tomava as compras e o ajudava a carregar. — Ele me ajuda em algumas coisas, mas não mando em nada. Pois amigos se ajudam.

Isso mesmo, toda a ajuda vinda era sempre o Anbu que dava o primeiro passo. Carregar as compras, o ajudar a arrumar a casa, o acompanhar pela vila, o ajudar a se levantar quando caia quando estava com a mente perdida. Se oferecer para jogar, lhe estender um livro silenciosamente lhe recomendando, ajudando a arrumar a mesa mesmo que não fosse comer. O Anbu stalker não era seu empregado, era seu companheiro.

— Tem certeza que não são namorados? — Mizuki o puxou para mais perto, o apertando pelo ombro. — O defende com tanto fervor e está vermelho.

— Você bebeu muito, Mizuki... — sussurrou sentindo o rosto mais vermelho.

— É irritante ver esse Anbu atrás de você o tempo todo!

Ele iria retrucar, ele queria, mas ao sentir os labios de Mizuki sobre os dele, ele gelou até a espinha. Ele sabia, Mizuki era seu amigo de infância, que aquele beijo não partiu de um desejo romântico ou carnal. Ele sentia as mãos de Muzuki o apertar para não conseguir sair, os lábios prensando com mais força sobre os seus, ele sentiu que Mizuki queria atingir o Anbu. Queria retirar alguma ação do Anbu e Iruka se sentiu tentando em também conseguir algum tipo reação. Todos eles queriam, pois escutou as risadas e palavras como "Ele não vem?" "Ele vai ficar parado somente olhando?"

E Iruka começou a sentir seu estomago se revirar em enjoo, o Anbu não iria vim? Não iria tentar separá-los? Mesmo se estivesse vendo Mizuki enfiar a língua na boca dele ele não sentia ciúmes?

E tão rápido foi, o beijo acabou. E Iruka olhou para trás, encontrando o Anbu no mesmo lugar, pacifico e calmo. Era estranha aquele sentimento de descontentamento, seu peito se afundando em dor e decepção. Iruka nunca achou que não ficaria bravo por uma brincadeira sem graça de Mizuki, ele deveria ficar bravo com Mizuki e não com o Anbu.

O que ele esperava? Que o Anbu saísse do lugar dele? Que lhe puxasse para os seus braços e lhe defendesse e dissesse para todos que ele o pertencia? Que tivesse ciúmes deles? Enquanto ele se sentiu como se... Como se...

Sentiu vontade de vomitar e chorar.

Ele correu atordoado, deixando seus amigos e o Anbu para trás.

— *-*-

Ele era um idiota. Claro que era um grande idiota. Ele achou mesmo que o Anbu iria sentir ciúmes mesmo. Achou que o maldito Anbu compartilhava os mesmos desejos que ele. Ele estava fazendo papel de palhaço quando se trocava achando e desejando que o Anbu estivesse lhe observando e sentindo desejo por ele.

Claro que não! Um homem formado, forte e qualificado como aquele Anbu jamais se interessaria por aquele chunnin sem graça. Idiota, idiota, idiota, era isso que dizia mentalmente quando batia na própria testa quando estava andando de um lado pro outro na sala da sua casa.

Seu coração disparou quando escutou o barulho na janela e quando olhou viu que o Anbu estava a abrindo para entrar. Então ele correu e fechou a janela trancando e gritando.

— Vai embora! — então ele percebeu que o Anbu fechou as mãos em punhos e pulou para o lado. — Nem pense nisso, vai embora! — gritou correndo para a cozinha e fechou a janela impedido o Anbu de entrar. Ele sabia que o Anbu poderia quebrar e invadir a hora que queria, mas no momento da raiva não estava pensando nisso. O Anbu o encarou através do vidro. — Não quero falar com você, vai embora! — então ele percebeu que o Anbu pulou para longe e Iruka respirou fundo e aliviado até o momento que escutou o barulho no seu quarto e saiu, ao chegar já era tarde e o Anbu já estava dentro. — Saia da minha casa, eu não te convidei. Eu quero ficar sozinho!

O Anbu tombou a cabeça e isso irritou ainda mais Iruka. Ele gostaria de ver as expressões daquele homem e não encarar aquela mascara. Então se aproximou e tentou empurrar o Anbu e viu este não sair do lugar, mas percebeu que ele tremia e abria os braços como se estivesse questionando "Por que?"

— Eu não quero falar com você! Eu estou bravo com você! — gritou e se distanciou passando a mão no rosto. O Anbu sacudiu o ombro rindo ironicamente se Iruka pudesse descrever aquele gesto e balançou a cabeça negativamente. — Não quero nunca mais conversar com você, me faz mal!

O Anbu parecia tremer mais, Iruka reparou que poderia ser de raiva e percebeu o Anbu gesticular furiosamente, batendo nas suas coisas andando pelo quarto e apontando para a janela. Era estranho, Iruka parecia compreender cada gesto, devido o tempo de convivência. Era como se o Anbu estivesse perguntando "Por que? Quem te faz mal são aqueles caras lá do bar".

— Eles são meus amigos! — gritou respondendo aquela pergunta muda. — Eles não me deixam confuso como você está me deixando! Eu... — esfregou o rosto não contendo as lagrimas. — Por que você não fez nada quando Mizuki me beijou? — questionou já soluçando em meio ao choro. Ele não conseguia parar, estava confuso com aquele sentimento. Ele nem reparou que o anbu parou de tremer e o encarou. — Eu não queria ter beijado Mizuki, mas eu esperei que você fosse lá!

Silencio. Mais uma vez silencio, ele odiava esse silencio. Odiava ser o único que demonstrava algo.

— FALA ALGUMA COISA, DROGA! — o Anbu pareceu assustado com aquela reação. — Fala, reage, grite... Algo! — chorava. — Eu sou um idiota. Achei que você teria ciúmes, esperei que você fosse lá. Eu realmente achei que você me desejava! — esfregou o rosto tentando respirar, e se sentia um lixo. Ele não era virgem, teve algumas relações, mas foi por pura necessidade e não por algo amais. Algo que achou que tinha conseguido do Anbu, desejo. — Achei que você sentia algo, mas eu fui burro! Você sentiu nada... Sabe como eu me senti? Eu senti como se eu estivesse traindo você. Eu me senti péssimo. Como eu posso sentir que traí você sendo que não temos nada? Sendo que você sente nada por mim! Não me deixe mais confuso do que estou, vai embora!

— Não!

O chunnin parou e olhou gelado para o Anbu. Os olhos arregalados. Tinha escutado direito? Ele sentiu um calafrio gostoso subir sua espinha ao escutar aquela voz grave. Ele desejava que não fosse sua emoção e confusão que criou aquela fantasia. Fantasiando aquela voz lhe respondendo. Com um simples "não" ele parecia mais calmo, menos louco. Realizado em escutar aquela voz.

— Sua voz é bonita. — falou baixo, mais calmo e limpando o rosto. — Eu quero pensar, ficar sozinho... — o Anbu negou com a cabeça e foi aí que Iruka percebeu que o Anbu somente falou naquela hora para deixá-lo mais calmo, não falaria mais. Nessa hora ele começou a pensar com mais clareza. — Você sentiu ciúmes? Seja sincero. — seus olhos se levantaram percebendo a respiração mais profunda do Anbu e o acenar de cabeça afirmativa.

O coração de Iruka disparou em antecipação e de alguma forma sentiu sua estima crescer. Por isso que o Anbu somente o observava, ele lhe desejava e por isso que não fez nada contra Mizuki, pois como qualquer outro ninja principalmente do esquadrão Anbu, ele poderia morrer a qualquer momento e não queria se apagar ao Iruka e mesmo assim ele sentiu ciúmes.

Acordou dos pensamentos quando sentiu a mão com luva tocar o seu rosto, Iruka olhou diretamente para aquela mascara e sentiu novamente o frio gostoso e perigoso lhe subir a espinha ao encarar a mascara e conseguir ver um brilho vermelho. Respirou mais profundamente ao sentir o polegar tocar os seus lábios e acariciá-los. As luvas com garras faziam pequenas cócegas eu seu lábio, acariciando e apertando. Acariciando e apertando.

O Anbu queria beijá-lo, Iruka sentia isso, porém o fato de querer manter o anonimato atrapalhava o Anbu. Contudo, isso só pareceu atrapalhar por segundos, pois Iruka sentiu rapidamente um pedaço de pano que não sabia o que era ser amarrado sobre os seus olhos e sentiu o Anbu o levantar ansiosamente no colo e o jogar sobre a cama.

Agora sim achava que morreria do coração, com os olhos vendados e sentindo o calor do corpo do Anbu sobre ele, sentindo a devoção e a necessidade do maior em voltar a tocar os seus lábios e seu corpo se derreteu ao ser beijado. Os lábios eram macios, quentes e não faziam lhe sentir enjoado, mas sim nas nuvens principalmente quando sentiu a língua quente tocar a sua, batalhando e lhe tomando.

Sentia cada vez mais cede querendo cada vez mais beijos, se banhar nesse mar de sentimentos e se afogar nesses lábios.

Se perdeu nas mãos quando as mesma puxou o elástico do seu cabelo, soltando os fios.

Ele estaria vermelho, morrendo de vergonha, mas estar de olhos vendados lhe dava mais coragem em apertar o corpo do Anbu próxima ao seu, sentir mais do calor, mais dos lábios e o corpo se arrepiar. As mãos quentes devotando o seu corpo, acariciando em todas as partes.

Sentia-se idolatrado quando sentiu os lábios descendo por seu pescoço, as mãos se livrando de seu colete e de suas roupas. Seu peito subia e descia de ansiedade e mordeu o lábio contendo um gemido que quase soltou ao sentir os lábios do Anbu sobre um dos seus ombros, depois uma mordida de leve que marcaria.

Ele não quis pensar que aquele é o mesmo ombro o qual Mizuki apertou, e nem poderia pensar pois soltou um gemido longo que não conseguiu reprimir ao sentir a língua quente lamber um dos seu mamilos e depois chupá-lo. Seu corpo se contorceu inteiramente com a sensação, nunca esperou que aquele lugar fosse tão sensível, talvez a culpa fosse pelos seus olhos vendados.

Dizem que os outros sentidos ficavam mais fortes quando um era tirado. Com os olhos vendados ele poderia sentir muito mais, o cheiro do suor impregnando o quarto, o calor do seu corpo se fundindo com o calor do corpo vestido do Anbu. A cama se afundando dependendo do movimento do corpo do platinado sobre o seu, seu corpo se arrepiando com os dedos com luvas acariciando cada gominho de sua costela e descendo as mãos até sua cintura, descendo cada vez mais até que não estivesse mais sentindo-as e nem o corpo sobre o dele.

— Não pare! — pediu morrendo de vergonha, sentindo o rosto queimando. Provavelmente estava completamente vermelho, mas ele queria sentir. Queria se doar nas emoções e receber prazer. — Cadê você? — tentou sentar, mas uma mão tocou seu calcanhar.

— Shhh. — escutou o Anbu fazer e voltou a se deitar.

Ficou longos minutos deitado esperando ser tocado novamente e morrendo de vergonha em pensar que ele estava completamente nu, excitado e exposto para o Anbu e este parado o olhando. Então se arrepiou ao sentir o toque de mãos sem luvas nos seus calcanhares, seu corpo se contorceu e quase explodindo de excitação ao ser tocado diretamente.

Por que era tão intenso? Estava respirando tão descontroladamente quando sentiu os lábios beijando um dos seus calcanhares e indo subindo por sua perna e beijando o interior de sua cocha, dando leves mordidas. As mãos quentes acariciando as suas cochas, indo para baixo de seus joelhos e levantando as suas pernas e as abrindo.

Sentiu a devoção em cada ato e gemeu alto segurando os lençóis com força quando sentiu a língua aveludada lamber o seu membro. Escutou a própria respiração alta, as mãos doendo de tanto apertar o lençol, o coração disparado e a falta de voz ao sentir as mãos calejadas segurando o seu membro, uma na sabe e a outra subindo e descendo lentamente.

Ele sentia que morreria de tão sensível que estava e quando sentiu a língua passando na fenda da glande de seu pênis jogou a cabeça para trás esquecendo-se do próprio nome. Foi uma tortura, o Anbu estava o maltratando ao lhe provocar daquele jeito. Ele não o colocava inteiro na boca, simplesmente segurava seu membro e circulava com a língua a fenda, volta ou outra chupando aquela parte para retornar a provocação com a língua.

Ele teria gritado, teria pedido, teria rasgado os lençóis com tamanha força que puxava o tecido. Eram muitas emoções que não conseguia conter até o ponto para parar para respirar quando o Anbu deixou de fazer aquilo quando ele quase gozou.

Estava atordoado, uma hora estava chorando, minutos depois estava em letargia por quase ter se liberado na boca de um estranho que lhe seguia. O estranho que pertencia a um esquadrão perigoso Anbu. O mesmo estranho que o pegou e o colocou sentado em seu colo naquela cama e voltou a lhe beijar. O seu Anbu bobo que o beijava como se fosse a agua que mataria a cede, que estava vestido completamente abdicando o próprio prazer para dar prazer ao Iruka. O mesmo Anbu bobo Stalke que parecia adora afundar uma das mãos em seus feios de cabelo solto enquanto com a outra mão segurava uma de suas nádegas.

Iruka quis muito gemer o nome daquele Anbu, mas não sabia do que poderia chamá-lo e muito menos quis pensar muito quando sentiu a mão do Anbu envolver o seu pênis e o masturbando. Ele mal conseguiu respirar, afastando-se do beijo para gemer, porém o Anbu voltava o beijar. Umino se perdeu completamente e descobriu que suas mãos estavam livres para tocar em seu Anbu.

O tocou, explorando o queixo em meio ao beijo, segurando o choque do seu corpo com os dedos subindo e descendo em seu membro. Explorou mais o rosto, subindo do queixo para a área dos olhos sentindo uma elevação vertical sobre a área do olho esquerdo. Muito provavelmente uma cicatriz pensou quando o Anbu parou de lhe beijar e aproximou os lábios de seu ouvido.

— Você é lindo! — escutou a voz rouca de desejo sussurrar em seu ouvido.

E não sentiu mais nada, somente a felicidade, a estima e o prazer crescer com aquela frase sussurrada no escuro da venda e então a libertação na mão do Anbu.

Ele não tinha percebido que havia apagado, percebeu somente quando acordou e se encontrou sem a venda, deitado embaixo dos lençóis e vestido com o seu pijama. Sentiu-se envergonhado em ter apagado por causa de uma masturbação, contudo pode ter sido isso somado com o abalo emocional e a bebida que tomou.

A casa estava vazia, a janela aberta e Iruka se sentiu um pouco egoísta por somente ele ter sentido prazer, porém ao mesmo tempo ele se sentiu feliz ao ponto de esconder o rosto debaixo das cobertas e ria batendo as penas na cama feliz.

O Anbu havia sentido ciúmes dele e o achado lindo. O seu Anbu bobo o achava lindo! Apesar que ele achava que essa frase tinha saido da sua imaginação. Ele se sentiu tentado em provocar mais vezes o Anbu somente pra conseguir mais reações e palavras.

No dia seguinte ele descartou a ideia de provocar o Anbu quando Mizuki veio até ele com o olho completamente roxo e inchado — provavelmente de uma agressão — para lhe pedir desculpas e dizer que nunca mais o beijaria.

Ele nem precisou perguntar quem tinha feito, afinal o responsável estava encarando eles ao longe com um ar de contentamento.

—*-*-

Iruka nem precisou falar novamente sobre o assunto dos toques com seu Anbu, parecia que a "relação" deles havia evoluído de uma forma que nem eles mesmos planejaram. O Anbu continuava o seguindo, lhe ajudando nas tarefas e lhe irritando, só que dessa vez com mais toques.

Porém os toques sempre eram da parte do Anbu, o mesmo não permitia que Iruka retribuísse o prazer que recebia.

Se Iruka estava cozinhando algo, de repente ele sentia as mãos lhe envolvendo e o abraçando por trás. Se ele estava tomando banho o Anbu entrava no banheiro e o observava banhar, no começo morria de vergonha, mas o fato do outro usar mascara ajudava a não morrer com o rosto vermelho, principalmente quando o Anbu resolvia ajudá-lo a se secar e vestir com uma devoção constrangedora. Se ele estava andando na vila, as vezes o Anbu se aproximava segurava a sua mão e se distanciava lhe dando espaço. Quando se despediam para alguma missão, Iruka fechava os olhos e o Anbu confiava e lhe beijava lentamente como despedida e ao abrir os olhos a mascara do Anbu estava posta no lugar.

Era sempre assim, quando se beijavam ou era quando estava vendado ou quando o Anbu tinha certeza que Iruka não abriria os olhos para vêlo.

Tinha virado um acordo silencioso entre eles.

"Boa sorte na missão" Beijo delicado e abraço leve.

"Bem vindo de volta, obrigado pelo trabalho duro" Beijo ardente e um abraço apertado.

Tudo acompanhado com um sorriso bobo.

Quando o desejo tomava conta do corpo, era somente o Anbu se aproximar e acariciar a área do seu rosto perto de sua orelha que Iruka sabia que o Anbu queria tocá-lo.

E Iruka permitia.

Umino não sabia o motivo de permitir, afinal, ele era vendado e deitado deixando o Anbu tocar com as mãos quentes e lhe tomando o prazer com aquele boca.

As vezes era um toque rápido, e as vezes passavam horas com o Anbu beijando toda a extensão do seu corpo.

O Anbu nunca o penetrou e Iruka tinha palpite do motivo.

—*-*-

Mas tem um momento que o silencio agradável e os toques não são suficientes depois de alguns dias nisso e Iruka sabia que um dia chegaria a hora que ele mesmo desejaria mais do que isso, principalmente da demonstração publica do Anbu de lhe acariciar, abraçar e demonstrações de cúmes publicas quando alguém se aproximava com segundas intensões.

Ele estava com cabeça cheia, ainda indeciso com a resposta que poderia dar para o hokage sobre ser o novo sensei da academia, uma resposta que estava enrolando faz tempo. Ele queria pedir uma opinião e quando olhava para o lado do sofá e encontrava o seu Anbu sentado lendo um livro ele quis desabafar.

Porém ele sabia que não importava o que ele falasse, o Anbu somente ficaria em silencio e somente tentaria gesticular ou fingir que não escutou. Era assim quase todos os dias, Iruka fazendo um monologo e o Anbu em silencio. E nessa hora Iruka realmente queria palavras.

Lhe tirar daquela confusão.

Percebeu que aquilo que tinham não iria evoluir se o Anbu continuasse ignorando as suas perguntas básicas. "Qual o seu nome?" "De onde veio?" "Por que resolveu me seguir?" Por que demonstra ciúmes em público se não estamos namorando?"

— Nós somos namorados? — teve coragem de perguntar e percebeu que o Anbu ficou rígido e não se moveu do lugar. Ele sabia que não poderiam, estava claro que o Anbu não queria firmar algo sério com alguém por isso não mostrava o rosto, por isso que não falava seu nome e nem fazia amor com ele. Amar alguém no mundo ninja significa se preocupar com a pessoa quando ela sai para uma missão e se preocupar em voltar vivo para a pessoa amada quando você mesmo sai para uma missão. O Anbu nem se deu ao trabalho de mover a cabeça para acenar um "não". — Não precisa responder, eu já entendi.

O Anbu não queria vinculo emocional, mas Iruka estava completamente apaixonado.

O silencio que veio a seguir foi constrangedor. Ambos estavam incomodados, ao ponto de Iruka se levantar e seguir para a cozinha e pegar um copo de agua contendo a vontade de chorar e a dor no peito.

Então o "seu" Anbu não era exatamente seu.

—*-*-

Depois desse dia o silencio foi tomado pelas palavras de Iruka. Ele não fechava os olhos para o Anbu poder o beijar, ele ficava distante dava um tapinha leve no braço e falava:

— Boa sorte na missão, retorne em segurança.

O Anbu o encarava longos segundos e depois pulava a janela. Quando o Anbu retornava da missão e abria os braços para a recepção, Iruka permanecia distante e não o abraçava e o beijava.

— Bem vindo de volta!

Então o Anbu abaixava os braços e o encarava enquanto Iruka seguia para outro cômodo sem tocá-lo.

Quando o Anbu levantava a mão tentando lhe dar carinho no rosto, mas Iruka desviava lentamente e inventava algo pra fazer. Umino passou a trancar a porta do banheiro quando tomava banho e a pedir licença quando se trocava, fechando porta e janelas.

Quando cozinhava, se esquivava do abraço por trás e pedia para não tocá-lo enquanto estivesse cozinhando.

Uma vez voltando de uma missão encontrou o Anbu junto com os outros do esquadrão no bosque de Konoha, eles se encararam e o Anbu levantou a mão acenando e o chamando, mas Iruka seguiu em frente como se não tivesse visto nada, nem trocaram palavras.

Ele deixou o Anbu para trás com a mão estendida.

Iruka não queria ser tocado pra que não roubassem sua sanidade, pois alguém tinha roubado o seu coração.

—*-*-

Um dia o silencio na sua casa era tão constrangedor, principalmente com o Anbu parado a sua frente esperando que falasse algo — provavelmente uma explicação de suas atitudes atuais — que Iruka resolveu acabar com tudo aquilo.

— Eu aceitei o convite do Hokage-sama em ser sensei na academia ninja. — o Anbu parecia lhe escutar atento, animado que enfim Iruka lhe dava atenção. — Por favor, não me siga lá. — viu o Anbu ficar rígido. — Não seria bom ficarem comentando que o sensei das crianças tem um Anbu atrás dele. — estava sentado em frente a mesa, tomando o chá. — Na verdade, por favor, pare de vez de ficar me seguindo. Não é bom pra mim, e nem pra você. — o coração disparou quando ele viu o Anbu puxar outra cadeira e sentar a sua frente. — As pessoas fazem piadas sobre nós, sobre você. Acho que está na hora de terminarmos com isso.

O Anbu abaixou a cabeça e parecia pensativo e de repente — assustando Iruka — o Anbu se levantou e começou a andar de um lado para o outro. Esfregando a mão uma na outra e parou de costas para Iruka.

— Quando começa na academia?

O coração de Iruka disparou, quase saiu pela boca quando escutou aquele voz que tanto ansiou escutar novamente. O Anbu permanecia de costas, aguardando resposta e o Umino ainda estava impressionado que o Anbu começou um diálogo com ele.

— É... Se-semana que vem. — respondeu ainda pasmo e observou o Anbu se virar para ele e o encarar através daquela mascara.

— Irei partir em uma missão de três dias com o prazo de retorno ao meio dia. Podemos nos encontrarmos lá nesse horário quando eu retornar da minha missão? — e Iruka não conseguiu responder de imediato, ainda estava com o coração disparado em poder ter um diálogo grande com aquele Anbu. Era irônico ele não conseguir falar e o Anbu falar. A única coisa que conseguiu fazer foi acenar afirmativamente. — Ótimo! — o Anbu parecia muito feliz. — Me encontre no memorial daqui três dias ao meio dia. — afirmou se direcionando para a janela, mesmo que Iruka diversas vezes o tenha dito para usar a porta.

Meio atordoado Iruka observou o Anbu e sentiu o coração parar de bater quando este se virou para ele e abriu os braços. Ele não ia fazer isso, ele estava conseguindo recuperar seu coração ao se distanciar aos poucos do Anbu. Ele não poderia cair no abismo novamente e imaginar que o Anbu estava dialogando com ele e marcando encontro para não perdê-lo.

Ele não queria criar essa esperança.

— Não vai me dar um abraço? Vou sentir sua falta.

E seu mundo se quebrou com aquelas palavras do Anbu e seus olhos se encheram de lágrimas que ele não poderia explicar ao se levantar e correr e se afundar no calor daquele abraço que tanto sentiu falta nesses dias.

— Boa sorte na sua missão. Eu te amo! Por favor, volte seguro para casa!

—*-*-

Verdadeiramente esperou, mesmo envergonhado ao lembrar que ele confessou os sentimentos, esperou o dia que o seu Anbu voltasse. No terceiro dia, no horário marcado, ele estava no memorial olhando a pedra com o nome dos ninjas mortos em batalha.

Ele confessa que esperou as primeiras horas com um sorriso, mas quando céu estava negro e cheio de estrelas, ele não estava mais com o sorriso.

No dia seguinte ele voltou ao memorial, cogitando uma hipótese de atraso do retorno na missão. Dessa vez ele levou comida pra ele poder esperar sem sentir fome e sorria vermelho ao lembrar do abraço do Anbu lhe apertando mais forte quando escutou o seu "Eu te amo".

E ficou esperando, mesmo que o Sol estivesse muito quente.

No dia seguinte ele resolveu retornar para o memorial novamente, mesmo que toda a Aldeia estivesse em comoção devido ao massacre do clã Uchiha recentemente. Toda a aldeia estava em luto, mas ele precisou ir para aquele memorial esperar que o seu Anbu voltasse bem e seguro.

Claro que ele estaria bem, nada tinha ocorrido com ele. Logo ele voltaria e encheria o saco.

No dia seguinte indo ao memorial ele não sorria mais esperando mesmo na chuva o seu Stalker voltar e o abraçar.

Após as aulas que dava na academia, ele abandonava os amigos e corria para o memorial para esperar encontrá-lo bem. Mesmo sua mente alertando que ele não poderia se agarrar na fé de um amor unilateral por um Anbu que ele nem sabia o nome e nem onde morava que poderia morrer a qualquer momento em uma missão perigosa.

Que por isso o Anbu nunca quis vinculo afetivo com ele.

No sexto dia indo ao memorial começou a perder as esperanças.

No nono dia ele começou a chorar sem parar, implorando que ele estivesse bem.

No decimo segundo dia as lagrimas secaram e ficaram as incertezas.

No vigésimo ele não foi mais.

Notas finais
Vou ficar no cantinho pra me baterem. Mereço. No fim meu notebook deu merda e eu fui comprar um novo!! aaheee Fiz um capítulo grande como um pedido de desculpas. Então esse é o penúltimo capitulo e o próximo é o ultimo. Esse capítulo não ficou do jeito que eu gostaria, mas espero que agrade. Amei os comentários e os favoritos, eles me incentivam muito... Adoro vocês!! Beijos e até a próxima.