Notas iniciais
Sejam bem vindos e boa leitura

A primeira vez que Iruka percebeu que estava sendo observado, ele achou que era algo da sua cabeça.

Sentado em baixo de uma cerejeira, ele sentiu a brisa lhe acariciar a pele com um pequeno sorriso nos lábios. A tranquilidade daquele campo era o que precisava naquele momento. Não tinha nada para reclamar, muito pelo contrário, estava indo muito bem com tudo.

Tudo estava tranquilo até o momento que um som de folhas o fez abrir os olhos e olhar para cima, entre as folhas rosadas, sentado em um galho, ele viu o Anbu.

A característica máscara do esquadrão estava posta no lugar, o uniforme impecável e um lenço vermelho em volta do pescoço que movia levemente com o vento, os fios de cabelos que mostravam pareciam cinza.

Incomodou-lhe sentir ser olhado fixamente, mesmo que a máscara com o formato de lobo impedia de ter certeza sobre isso.

– Olá? – tentou dizer e recebeu como resposta o silêncio. – Precisa de algo? – perguntou um pouco mais inquieto, porém novamente sem respostas.

Ele tentou prosseguir com o seu descanso depois disso, mas a sensação de estar sendo observado por aquele Anbu lhe deixou alarmado. Hora ou outra olhava para o galho e via que o Anbu ainda estava lá, com a cabeça direcionada para sua direção.

Quando o incomodo aumentou mais do que poderia suportar, ele se levantou e fez uma pequena despedida com a cabeça para o Anbu.

O restante do seu dia foi normal, pelo o que poderia dizer.

A segunda vez que sentiu que estava sendo observado foi quando estava parando em frente ao cenotáfio¹. Aquela estranha sensação que lhe causava um pouco de desconforto e não uma ameaça. Ao olhar para o lado, viu aquele mesmo Anbu, dessa vez sem o lenço vermelho e o uniforme sem as mangas. Olhou para o braço esquerdo, vendo a característica tatuagem do esquadrão.

– Olá!? – tentou falar ao Anbu que estava em pé distante uns dez metros, mas o Anbu somente tombou a cabeça de lado e olhou para a pedra memorial, passados alguns segundos voltou a olhar para Iruka. – Precisa de algo? – perguntou um pouco incomodado.

Sem resposta Iruka voltou a olhar para a pedra e sentiu um grande peso sobre ele, como se estivesse sendo analisado. Minutos depois tinha ido embora e deixado o Anbu para trás.

A terceira vez que percebeu, ele estava em pé sobre a colina sentindo o vendo e observando o horizonte. Com aquele sentimento de ser observado ele se virou e não encontrou ninguém entre as arvores, mas ao escutar o barulho ele correu para procurar quem fosse.

Ao chegar onde seria o barulho, ele viu aquele mesmo Anbu, dessa vez de costas seguindo para frente, como se tentasse andar para longe. Dessa vez ele estava diferente, estava sangrando.

– Você está machucado! – exclamou e correu para ajudá-lo, porém o outro somente levantou uma mão para impedi-lo de se aproximar mais. – Deixe-me ajudá-lo! — Anbu nada respondeu e voltou a andar para longe, mesmo mancando ligeiramente. – Oras, deixe de ser orgulhoso.

Ele tinha parado o Anbu e o feito se sentar no chão encostado em uma árvore. Vistoriou a bolsa que carregava consigo e achou um cantil de água e panos limpos. Não era muito, mas ajudaria um pouco e pelo que percebeu aquele Anbu não estava com ferimentos graves. Limpou o mascarado e fez pequenos curativos nele. Amarrando o tecido sobre um ferimento no braço que estava sangrando um pouco mais.

Quando terminou o Anbu se levantou e foi embora sem ter dito nada e muito menos agradecido.

Depois disso ele ficou pensando sobre esse ninja estranho que nunca conversou com ele. Era tão misterioso que o chegava a assustar, mas ao mesmo tempo lhe deixava ansioso de curiosidade.

Decidiu contar para ninguém. Afinal, o que pensariam se falasse que achava que um Anbu o estava observando. Também não precisaria se preocupar, pois o Anbu não apareceu mais.

Ou foi um leve engano?

– * -

No seu dia de folga, na sua casa ele sentiu uma presença enquanto fazia o seu almoço. Correu e pegou a sua kunai e a jogou contra a janela, onde a sentia, porém a kunai foi repelida, pois o misterioso Anbu usou a própria para se defender.

Era aquele Anbu novamente, dessa vez no lado de fora da janela, em pé sobre a sacada. Iruka ficou surpreso e assustado em vê-lo. Ele sabia onde morava? Era pra começar a se assustar, mas não conseguia sentir medo, só um pouco de admiração.

Era normal sentir admiração por alguém que provavelmente estava lhe seguindo?

– Você realmente está me perseguindo? – perguntou um pouco pasmo e o outro nada respondeu. – Pelo menos está melhor. – concluiu olhando o corpo do outro.

Então viu que o mascarado fez um sinal com a mão, um sinal pedindo para se aproximar. Seu coração disparou, mas não se mexeu e voltou a olhar aquela mascara de lobo. Ou será que era cachorro?

Sentiu certo fascínio que o estranho tombou a cabeça de lado e o chamou mais uma vez para fora. Por que não? Se cocorresse algum ataque ele saberia se proteger. Era só curiosidade, nada mais.

Quando se aproximou e colocou parte do corpo para fora ele viu que o Anbu tirou das costas uma flor que o vento forte fez algumas pétalas voarem.

Pegou sem entender e olhou novamente para o Anbu, pedindo alguma explicação muda e tudo que recebeu foi silencio.

– Isso é uma forma de agradecer pela ajuda? – perguntou para o mascarado e novamente silêncio. – É meio irritante isso... – silêncio. Estava começando a ficar realmente irritado. – Tudo bem, vou aceitar isso como um “obrigado” se me falar quem é você. – mais silencio e um tombar de cabeça, estava começando a sentir o rosto quente com a raiva. – Alguma palavra! – silêncio. – Chega! Me irritei com você!

Então escutou um fungar abafado, como uma risada. Oh! O Anbu riu. O mascarado realmente estava rindo da situação. Ele estava se divertindo. E sem mais ele pulou da sacada e sumiu.

Não que ele tenha gostado da visita, o que deveria achar assustador, ou muito menos gostado de fazer parte dessa piada, mas ele colocou a flor dentro de um copo de água e sorriu.

Se a flor era um agradecimento, iria aceitar de bom grado.

– * -

O que ele não esperava era que aquele Anbu apareceria mais vezes para ele. Quando estivesse no parque, no mercado ou no Ichiraku. Todas as vezes em silencio, não se aproximava e ia embora como se fosse nada. Só observava de longe.

O que estava acontecendo?

Em um dos seus dias tranquilo, estava a beber com Mizuki e sentiu aquela mesma estranha sensação de estar sendo observado. Olhou para trás e viu ninguém.

– O que foi Iruka? – seu amigo perguntou o olhando.

– Acho que tem um Anbu me seguindo. – respondeu voltando para frente e franzindo a sobrancelhas.

Ele não queria falar sobre isso para ninguém, mas precisava desabafar. Estava se sentindo estranho.

– Fez algo errado para um Anbu te seguir? – Mizuki ria ao perguntar. – E deve ser um Anbu bem ruim para deixá-lo sentir a presença dele.

Dessa vez Iruka parou para pensar. Um Anbu não seguia ninguém se não fosse uma missão, mas se o ninja deixava sua presença aparente ele queria ser notado. O que ele realmente queria?

Notas finais
1 - Cenotáfio é um memorial fúnebre erguido para homenagear alguma pessoa ou grupo de pessoas cujos restos mortais estão em outro local ou estão em local desconhecido. Agradeço quem leu até aqui! ^^ Opinião é bem vinda. :D Esta fic também está sendo postafa no Socialspirit