Tem um Anbu me seguindo!
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Não era difícil andar pela vila sem ser notado, afinal ele era um ninja, mas as pessoas nunca prestavam atenção nele. Por isso nunca precisou se ocultar parar ir para algum lugar normal da vila, até esses últimos dias.
Ele não estava assustado, ele sabia que deveria estar, mas não conseguia. Ficava ansioso, muito curioso em querer encontrar o seu perseguidor, se poderia chamar aquele Anbu assim.
Pulando pelos telhados parou para olhar em volta, sentindo nenhuma presença. Estava claro que o Anbu queria ser notado, por não tentar esconder esse fato, o difícil era desvendar quais eram esses dias que ele queria ser notado.
Felizmente esse não era um desses dias que ele ficaria paranoico em saber se tinha alguém o seguindo ou não. Se livrando desses inibidores, ele foi para o Ichiraku comer.
O cheiro era tão bom, principalmente quando você estava faminto. A tigela a sua frente com aquele conteúdo delicioso, os hashis e as pessoas andando atrás dele. Era um sentimento agradável de paz e tranquilidade.
Tinha comido tudo, respirado profundamente após tomar inteiramente o caldo e fechou os olhos apreciando o gosto.
– Oh! O seu amigo também gostaria de comer?
Iruka abriu os olhos quando o senhor tinha falado. Amigo? Que amigo? Quando olhou para o lado assustou-se quando viu que o Anbu estava sentado bem ao seu lado, com a típica máscara e uma mão no queixo enquanto sua cabeça estava voltada para ele.
– Há quanto tempo está aí? – perguntou e recebeu de vulta um levantar de ombros.
Talvez ele devesse desistir de receber alguma resposta daquela pessoa estranha. Contudo, era meio irritante pensar que estava fazendo parte de algo que não sabia. Virou-se levemente no banco e encarou o Anbu de perto, seguindo para os dois buracos na mascara, onde era escuro demais para ver. Abaixou um pouco a cabeça, estreitando os olhos e talvez ele tivesse imaginado aquele brilho vermelho de lá.
Ao escutar uma risada, olhou rapidamente para o senhor e sua filha que os encaravam. Sorriu sem graça e deixou o dinheiro sobre a bancada e saiu de lá sentindo a presença lhe seguindo.
Não levou nem cinco minutos para perceber que por onde andava as pessoas o encarava, sussurravam, encaravam e alguns tinham até coragem de apontar. Transmitiam medo e curiosidade, outros riam. Era tão constrangedor que chegou o mento que teve que parar e olhar para trás e encontrar o Anbu a cinco metros de distancia dele. Olhou para os lados envergonhado e fez um gesto sutil para chamar o Anbu para perto.
Era constrangedor demais já ter algumas pessoas olhando para ele enquanto tentava chamar o Anbu para perto sem ninguém perceber. Para sua tranquilidade o Anbu se aproximou e parou em uma distancia segura.
– Olha... Se vai brincar de me seguir hoje, pode ao menos fazer isso ao meu lado? – pediu baixo ainda recebendo os olhares. – Não quero que as pessoas pensem que você está me investigando.
Porém ele percebeu aquele vibrar dos ombros do Anbu, aquele tipo de riso característico que o outro fazia silenciosamente. Tinha se esquecido de que o seu mais novo colega estava se divertindo as suas custas.
Irritado, ele desistiu e voltou a seguir para casa pisando duro ainda com o cara de pau logo atrás, porém mais a vontade para estar próximo. Quando chegou em casa, subindo as escadas e chegando na porta. Destrancou-a entrou e bateu a mesma na cara do Anbu que o seguiu até lá.
Era uma satisfação mínima, mas era bom.
Respirou profundamente questionando-se se era saudável agir assim. Uma hora ele estava ansioso em saber se o Anbu apareceria, na outra hora estava querendo esganá-lo. Ele sabia que o Anbu nem deixaria tocar um dedo nele, mas na raiva as pessoas tiravam força.
Confuso, porém mais calmo, ele retirou o casaco que usava andando pela casa e ao chegar na sala se espantou com a janela aberta e o Anbu com uma perna já dentro.
– O que está fazendo? – correu para a janela e colocou a mão no peito do Anbu. – Por que está entrando? Você não foi convidado! – seu coração disparou e olhou para o Anbu boquiaberto. Ele não esperava aquilo.
Cadê o medo? O medo deveria aparecer ao ver aquilo, mas esse medo não surgia. E por poucos segundos ele paralisou encarando o Anbu, percebendo aquele brilho vermelho antes que o estranho colocasse os pés na sacada e ficasse lá o encarando.
Depois do choque a irritação voltou e ele fechou a janela com força antes de sumir no interior da casa.
Ao entrar no banheiro, fechou a porta e se sentou no chão encostando as costas contra a madeira e levou a mão ao peito. Seu coração disparou no susto e não foi um susto de medo, foi um susto inexplicável.
Será que esse Anbu tivera essa iniciativa de entrar porque a pouco tempo tinha sido convidado para se aproximar?
Era mais natural ele entrar do que esperar do lado de fora com todas aquelas pessoas vendo. E se os ninjas o vissem? E se os outros Anbus o percebessem por perto?
Era isso que esse Anbu tinha pensado ao tentar entrar pela sua janela?
Não era hora de pensar. Deveria esfriar a cabeça a cabeça com um banho. E foi isso que ele fez, mesmo que de vez enquanto ele olhava para a porta para ter certeza que o Anbu não entraria. E mesmo com ansiedade ele secou o cabelo e saiu.
Pisando levemente ele espiou a sala e a encontrou vazia. Passou horas assim, toda vez que tinha que andar por lá ele sempre olhava para a janela. Meio perdido com os cabelos soltos para secar rápido, ele se aproximou da janela e olhou para o céu quando a abriu.
Ele era novo, estava seguindo o começo de sua vida ninja. Ainda estava decidindo o que fazer e como lidar com tudo. Era meio solitário as vezes, contudo estava acostumado em comparação a quando era mais novo. Agora que ocupava a mente com missões e aprendia mais com os outros chunnins a solidão tinha varrido. Mas uma pontinha de dúvida na sua mente carregava o que o terceiro tinha dito uma vez
– Vontade do fogo... – sussurrou para o nada. A vontade de transmitir as esperanças da folha para os futuros ninjas.
Era de ir dormir e não pensar sobre essas coisas. Voltou a fechar a janela, seguiu para o quarto e se jogou sobre a cama. Por instinto olhou para a janela que se localizava sobre a cabeceira da cama e encontrou a Lua iluminando fortemente, sorriu fraco e fechou os olhos pronto para dormir quando escutou um barulho.
Ao abrir os olhos novamente ele levou um susto ao ver uma mascara Anbu de cabeça para baixo olhando para ele. Pulou da cama pronto para atacar e viu que era aquele Anbu de cabelo platinado pendurado de cabeça para baixo olhando para ele.
– Seu idiota! – gritou e pegou um travesseiro correndo até a janela a abrindo e jogando o travesseiro até o Anbu, que desviou. – Quer me matar de susto?! Vá embora! – ao se calar percebeu que os ombros se sacudiam novamente rindo silenciosamente. – Maldito! – pulou pela janela.
Ele sabia que estava sendo infantil, pular pela janela, subir pela sacada e segurar as paredes para pegar o outro, mas ele estava nervoso. Ele verdadeiramente tinha se assustado. Por isso perseguiu o Anbu até chegarem ao telhado e ele tentou pular sobre o estranho, porém foi derrubado.
Foi uma sensação estranha, tapeado com o básico. Uma rasteira, o Anbu segurando os seus braços e a queda sobre o telhado. A sensação maior foi o Anbu ficar sobre ele, seu corpo estava quente e levou o dedo indicado para frente da mascara e pediu silencio e apontou para o céu.
Pela primeira vez ele poderia agradecer por ter sua atenção distraída, para ele não se sentir constrangido por estar deitado no telhado com o estranho semi em cima dele. Ao olhar para o céu a noite se sentiu mais impressionado com a Lua e as estrelas.
Era uma vista linda.
O Anbu se deslocou sobre ele e deitou-se ao seu lado. As luvas que possuíam a pequena curvatura nas pontas como garras pegaram um mexa de seu cabelo solto. Não gostava de soltá-lo, mas como ia dormir não tinha reparado que se esqueceu de amarrar ao correr atrás do Anbu.
Viu fio a fio cair da mão e observou o Anbu se deitar de costas e colocando as mãos sobre a barriga. Iruka poderia dizer que se não fosse aquela mascara de lobo, poderia imaginar o estranho carregando um sorriso. No final acabou por sorrir, foi estressante, mas foi agradável.
Também olhou para o céu observando as estrelas.
– Se queria me chamar para observar o céu era só ter me chamado! – resmungou e escutou uma risada baixa abafada pela mascara.
É, até que valeu a pena ter subido até lá.
Ele só não esperava que na manhã seguinte ele acordaria naquele teto, com uma dor nas costas horrível e abandonado. Ele ficou furioso, por que o Anbu não o acordou? Largou lá.
Ele passou o restante do dia de mal humor, lógico que não jogando em ninguém. Ninguém tinha culpa que aquele estranho o largou dormindo naquele teto. Ele passou o dia fazendo as suas missões básicas bufando, até o seu amigo Mizuki perguntou se ocorreu algo, mas nada respondeu.
No final do dia, quando tinha feito as suas compras ele andava pela vila carregando as sacolas e olhando para o céu que começava a escurecer. Sua atenção foi puxada quando viu duas garotas sussurrando e apontando para as costas dele.
Ao se virar viu que o Anbu parou de andar ao mesmo tempo em que ele e levantou a cabeça. Dessa vez o estranho acenou um “oi” com a mão sem a vergonha. Ele poderia gritar com esse Anbu, ser ele mesmo e dar um cascudo, mesmo que parecia infantil, mas tudo que fez foi andar até o Anbu e estender as sacolas.
– Se vai ficar me seguindo, pelo menos faça algo de útil. – falou entregando duas sacolas, cada uma em uma mão do Anbu que olhou para elas e levantou a cabeça a tombando para o lado. – Vamos!
Não se importou muito que agora estava chamando mais atenção andando a frente enquanto um Anbu o seguia carregando suas sacolas. Também não se importou muito que as pessoas começavam a ficar mais impressionadas e talvez especulando coisas. Na verdade ele achou divertido.
Dessa vez, ele tentou andar ocultando o sorriso que carregava.
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