Tem algo errado nessa história!
8 Um ursinho de estimação
Notas iniciais
P.O.V. Érika.
Olho para tela orgulhosa, Willian finalmente acordou! Agora só existem 5 tributos entre ele e a vitoria. Estava demorando para que ele se livrasse da garota do 7!
Os jogos não são fáceis, eu mesma sei disso, existem marcas em mim que comprovam. Não marcas físicas, mas mentais, marcas que eu sei que carregarei por toda a vida, mesmo não tendo participado realmente dos jogos. Só espero que Willian não as carregue também.
Pego o elevador e subo até o terraço. Preciso de um pouco de ar. Lembrar do tal Cameron e de tantas outras coisas que aparentemente passei na arena me desgastaram muito. E digamos que o Gloss não me ajudou muito.
– Querendo fugir das responsabilidades, queridinha?- fala uma voz embriagada as minhas costas.
Queridinha. Queridinha! Viro-me e encontro o ser mais improvável do mundo sorrindo desdenhoso para mim.
– Haymitch...
–Então o tesourinho do 1 fez o dever de casa!- exclama ele debochado-Impressionante.
– Isso não vem ao caso, mas por favor me diz que você tem uma boa garrafa de whisky ou aguardente ai!- suplico, lembrando-me de seu vicio alcoólico e ele me olha surpreso.
– Aqui eu não tenho, mas venha comigo até meu complexo e eu lhe darei a melhor aguardente da capital.
– Obrigada- respondo, o seguindo pelo prédio até o complexo dos vitoriosos do distrito 12.
– Parece estar com problemas, queridinha- comenta ele, virando uma dose da bebida que foi servida assim que chagamos.
– Talvez eu esteja mesmo, mas a ultima coisa que quero pensar agora é neles.- respondo, virando uma dosa também e sentindo a bebida queimar por minha garganta, me fazendo engasgar.
– Não é habituada a beber, não é?- pergunta ele entre risos embriagados e descompassados.
– Sou, mas esse troço é muito forte. — retruco baixo e ele me encara serio demais para um bêbado- Acho que vou me habituar a aguardente logo logo.
– Qual seu problema? Pesadelos? Culpa?- questiona ele- Afinal não é normal uma vitoriosa do 1 agir da maneira como você age, principalmente levando em conta que ano passado você parecia muito orgulhosa de seus feitos.
Isso me atinge como um soco. Orgulhosa. Orgulhosa.
– Já disse que não quero falar sobre meus problemas- falo por entre dentes, o que mais pareceu um rosnado.
– Claro, queridinha!- defende-se ele, sorrindo e jogando as mãos para o alto- Só queria ajudar uma colega vitoriosa.
Reviro os olhos e viro mais duas doses seguidas.
Depois disso a conversa rolou de forma contida. Bebi mais uma dose. Em seguida mais uma. E mais uma. E eu perdia a conta de quantas doses após umas 21.
Lembro-me apenas de uma Lena desesperada batendo na porta do apartamento de Haymitch e reclamando que eu estava fedendo a bebida.
Depois disso eu apaguei totalmente.
E os pesadelos me levaram, embalando-me em uma canção de ninar cruel e sangrenta, porem dentre os pesadelos um sonho estranho se destacou, algo relacionado a uma marca.
***
P.O.V. Will
Acordo no outro dia com algo lambendo meu rosto.
– Mike cai fora- reclamo, batendo no focinho do meu cachorro e o afastando, mas ele insiste em me lamber e cheirar minha nuca- Ta bom... já vou...
Sento-me e me espreguiço, esticando os músculos tencionados pela noite mal dormida.
Abro os olhos a procura de Mike, mas não encontro meu bulldog, encontro um maldito urso que me olha de uma forma estranha.
– Merda- sussurro baixinho e o urso aos poucos vai virando a cabeça para o lado, como se estivesse me analisando. Analisando a presa.
Estico-me devagar ao encontro de minha espada, pego-a e com mais calma ainda volto à mão para o lado do corpo. Levanto-me vagarosamente, saindo do saco de dormir.
Tenho que ser cauteloso.
– Bom dia senhor urso — falo com voz mansa- Você esta com fome?
Como se entendesse o que eu digo, o urso bufa duas vezes.
– Quer comida heim? Posso conseguir algo para você, se você não me comer. Sabe... dizem que humanos não tem gosto muito bom.
Mais uma vez, o urso bufa duas vezes.
Aproximo-me dele com a mão livre da espada estendida em direção ao focinho. Nunca agradeci tanto por ter assistido “Como treinar o seu dragão”, só que nesse caso é um urso branco e gigantesco, oque me obriga a ficar na ponta dos pés para tocá-lo.
De primeira o urso se afastou, porem após algumas tentativas, permitiu que eu o tocasse, esfregando-se em minha mão.
– Você não é malvado- comento surpreso- Ou talvez seja e por isso nos damos tão bem-completo meio desgostoso, dando de ombros.
Afasto-me lentamente e desmonto o acampamento ao olhar atento do animal. Coloco a mochila sobre os ombros e arrumo as armas ao alcance fácil, afinal, se esse bicho quiser me comer, terei que ser rápido ao me defender.
Se bem que esse urso parece mais um mascote do que um inimigo.
–Então... que tal irmos atrás de algum animal para você?- questiono e o urso bufa novamente, rio e começo a caminhar, o animal segue-me pacientemente- Mas e ai? Qual seu nome?
O urso me olha com suas orbes completamente negras, mas parecia atento a conversa, como se entendesse perfeitamente oque eu falava.
Oque um animal como esses faz por aqui?
–Que tal ... Balu!? Como o do Mogli!- questiono animado, sempre gostei de Mogli.
O urso rosnou em reposta.
– Acho que não. Que tal... Janjão, do desenho Urso do Cabelo Duro – mais uma rosnada.
E assim foram indo as opções: Zé Colméia, Catatau, Ted, Gummi, Pooh, Koda, Kenai e mais tantos outros.
– Que tal... Beorn! Do Hobbit!- pela primeira vez, no lugar de rosnados, eu recebi duas bufadas- Então acho que é Beorn.
Depois de mais algum tempo caminhando, consigo abater duas gaivotas e uma lebre estranha.
– Que tal amigo? Esta bom assim?- questiono, mostrando os 3 animais em minhas mãos. Duas bufadas.
Estou certo de que esse urso me compreende. Novamente me pergunto oque um animal assim faz aqui. Qual o propósito disso?
– Deixe-me limpa-los, depois dividimos, mas você pode ficar com a lebre inteirinha- falo sorrindo e o urso mostra os dentes, como se tentasse sorrir também.
Limpo os animais e aço uma dais gaivotas para mim com o lança chamas, tostou um pouco demais, mas está comestível. Quando estou para pegar os demais animais para assar, me deparo com um urso de boca cheia e com alguns pedaços de carne ainda em suas patas.
– Parece que você não gosta muito de cozinhar seus alimentos não é?- comento e rio sozinho.
Acho que estou ficando realmente louco! Conversar com ursos! Vê se pode!
Beorn para de comer de repente e fareja algo à nossa esquerda.
–Tem alguém ali?- murmuro baixinho. Duas bufadas.
Tiro minha mochila das costas e a escondo na neve, agarro minha espada e firmo o colete de facas em meu tronco.
– Eu já volto, aja naturalmente -murmuro para o urso, que novamente bufa duas vezes e volta a comer.
Caminho silenciosamente pela neve em direção a minha esquerda. Em direção a Cornucópia. Não me surpreendo ao encontrar a garota do 10 ajoelhada a céu aberto. Como ela e o companheiro de distrito duraram tanto tempo? Escondo-me atrás de um dos muitos montes de neve esperando o momento oportuno de atacar.
Um canhão é ouvido.
Mas quem... ?
A garota do 10 levanta-se e eu noto sangue em suas roupas .
–Você já estava me irritando Caio.- comenta ela tristemente- Sinto muito, mas apenas um sai daqui com vida. Pelo menos Thomas vai ficar orgulhoso.
Caio. O garoto do 7. O garoto que Carla queria matar.
Thomas. Quem é Thomas? Parece que descobri uma aliança! De tributos masculinos só sobraram eu, o garoto do 3 e o garoto do 10, ou seja, um dos dois se aliou a essa pirralha.
Dou um passo para frente, mas me arrependo em seguida. Existe poucas arvores na arena, mas eu tinha que dar o azar de estar bem abaixo de um e de pisar numa porcaria de um galho!
Como um raio, a garota do 10 já corre para longe, não tardo a segui-la. A garota é rápida, porem parece incerta em seu rumo. Está decidindo se corre para o aliado ou afasta-se dele.
Porem ela para. Para e vira-se para mim inexpressiva.
– Oque foi? Cansou pirralha?- questiono, parando a poucos metros dela.
–Eu sei que não vou ganhar, e nem quero. Mas também não vou deixar que chegue até Thomas tão cedo, ele sim pode ganhar esse jogo- fala ela, e abaixa olhar- Prefiro morrer aqui e agora do que ter que fazê-lo matar-me ou se matar por mim.
– Deixa ver se eu entendi...- comento debochado- temos dois amantes desafortunado aqui!?
– Não te interessa!- rosna ela, levantando um arco e atirando flechas em minha direção.
Então foi ela que pegou o arco na cornucópia. Pena que sua mira é péssima.
– Vamos lá pirralha! EU SOU UM ALVO FÁCIL! ME ACERTA!- grito, mantendo sempre o tom de deboche.
Desvio algumas flechas com a espada, mas nada muito certeiro. Após algum tempo entediante, suas flechas acabam. Mas como não bastava as flechas, ela surgem com um machadinho sei lá de onde e me olha meio desesperada.
– Acho que agora podemos brincar, não é?-questiono me aproximando.
– Não. Eu não vou morrer pelas mãos de um garoto arrogante e babaca do 1! Pelas mãos do distrito 1 não!- grita ela e com um movimento suicida e forte, a pirralha crava o machado em seu peito.
Fico paralisado. Mas oque...? Qual o problema dessa garota?
Aproximo-me lentamente e vejo-a sorrindo. Seus dentes repletos de sangue. O ferimento fundo escorrendo liquido viscoso e vermelho.
– Eu não vou morrer por suas mãos- sussurra ela.
Mais um canhão.
Dou as costas ao corpo e volto ao encontro de Beorn.
–Parece que agora apenas 3 tributos me separam da vitoria, Beorn- comento para o urso- Só mais 3.
Eu vou voltar. 20 mortos em 14 dias. Apenas mais 3 tributos com quem competir. Sim, eu vou voltar. Serei vitorioso.
O urso bufa três vezes e empurra o colete de facas que eu havia tirado em minha direção com a pata branca.
– Ainda com fome?- questiono, e como sempre, duas bufadas são minha resposta- Muito bem, vamos achar mais comidas para você antes que tente me devorar.
***
P.O.V. Lena
Corro desesperada pelo prédio da capital em busca de Érika. A criatura simplesmente sumiu!
– Já procurou pelos complexos dos vitoriosos? Quem sabe não encontramos ela conversando com alguém- sugere Effie Trinket. Não sei onde eu a achei, mas no meio do meu desespero ela apareceu para me ajudar.
– Não!- respondo frustrada.
– Calma minha querida! Ou vai borrar a maquiagem!- grita ela com aquela voz fininha e irritante que cruelmente eu também possuo- Vamos fazer assim, eu checo do andar 1 ao 6 e você do 7 ao 12. Podemos nos encontrar no ultimo andar.
– Okay.
Pego o elevador e subo para o 7 andar. Um por um eu chequei os complexos dos vitoriosos, até mesmo o quarto destinados aos tributos. Nada!
Chego ao 12 já descabelada e apavorada. E se tivessem a raptado? A matado por não obedecer a capital? E se Gloss teve um ataque de ciúmes e a trancou em algum lugar? CARALHO EU TO SURTANDO!
– Érika!- berro alto, abrindo uma porta atrás da outra dos apartamentos do complexo. Todos vazios.
Chego na ultima porta e giro a maçaneta. Trancada. Bingo. Com um movimento ninjastico eu acerto meu pé com o salto gigantesco na fechadura, a estourando por completo. Obrigada ao meu sensei por me ensinar a quebrar portas!
– ÉRIKA!- berro assim que invado o apartamento e me deparo com uma Érika semi-inconsciente largada num sofá de couro branco.
– Era mesmo necessário estourar minha fechadura?- questiona um cara relativamente velho, loiro e com uma barriguinha de bebida saliente. Ele fedia a aguardente.
– OQUE VOCÊ FEZ COM MINHA AMIGA SEU VELHO PERVERTIDO!?- grito, pulando em cima do velho e o derrubando no chão. O imobilizo com facilidade.
– Calma docinho! Eu não fiz nada, ela só estava precisando relaxar.
– VOCÊ ESTUPROU ELA!? SEU NOJENTO DESGRAÇADO!- começo a socar desesperadamente o loiro fedendo a bebida.
–CARALHO GAROTA! PARA! EU NÃO ESTUPREI NINGUEM! EU SÓ A DEIXEI BEBER UM POUCO! – devolve ele, tentando se defender.
– Ata- respondo simplesmente e saindo de cima do cara, desamarrotando meu vestido e seguindo até Érika.- Porra Érika! Você ta fedendo a bebida!- ela resmunga alguma coisa e se vira de bunda pra cima. Desgraça.
– Você esta precisando de um psicólogo, queridinha- resmunga o loiro, levantando-se.
– Eu sei. Já me falaram isso antes- devolvo- Quem é você?
– Me admira uma acompanhante não conhecer o único vitorioso do 12- responde ele sarcástico e eu o olha boquiaberta.
OMG! É O HAYMITCH! MEU SENHOR DO MORRINHO ANDRADE!
– HAYMITCH!- grito, pulando nele e o abraçando desesperadamente.
– Parece que tenho uma fã- comenta ele, me afastando.
– Fã é apelido! Você é muito top cara! Bate aqui!- trocamos um High-five e eu esqueço completamente de Érika.
Começamos a falar da economia dos distritos e ele me olha como se eu fosse um alienígena por ser uma acompanhante inteligente.
– Lena? – chama Effie da porta, encarando a maçaneta incredulamente- Oque houve aqui?
– Eu arrombei a porta e achei Érika desmaiada no sofá.
– Oque!?- a mulher de atuais cabelos azuis corre até Haymitch e começa a estapeá-lo. Caralho! Até batendo em alguém ela é delicada!- SEU NOJENTO! VOCÊ ABUSOU DE UMA GAROTINHA DE 16 ANOS! EU NÃO ACREDITO NISSO HAYMITCH! MAS QUE VERGONHA!
– Eu não abusei de ninguém, docinho- responde o loiro, agarrando os pulsos da azulada e a parando com facilidade- A garota precisa espairecer e eu dei bebida para ela, só isso.
– VOCÊ DEU BEBIDA PARA UMA GAROTINHA DE 16 ANOS?- grita ela exasperada.
– Nem se preocupe Effie, Érika já é acostumada a beber desde os 14 — comento, dando de ombros.
Sigo até Érika novamente e tento colocá-la em minhas costas.
– Deixa que eu faço isso, queridinha- fala Haymitch, tomando Érika nos braços e rumando para a porta, com uma Effie indignada ao seu encalço.
Estou para segui-los quando uma súbita queimação surge na lateral do meu corpo. Filho da puta isso dói!
Corro até um espelho que se encontrava na entrada do apartamento e abaixo um pouco do lado do vestido, exibindo parte de minhas costelas e me deparando com uma marca preta estranha e brilhante.
– Esse, minha querida Lena, é um presente do Maior para você e seus amigos- fala uma voz as minhas costas, viro-me espantada, me deparando com o maldito anão escroto e seu unicórnio estático- Esse é o símbolo Parabatai, uma marca que você conhece. A partir de hoje, você e seus amigos serão ligados por um poder maior que a simples amizades, serão mais que irmãos. Willian já recebeu a sua e logo logo Érika também recebera. Faça bom proveito, pois é uma dádiva de poucos.
– Como assim? Oque você....- não pude terminar a frase e o maldito mestre dos magos já havia sumido! Caralho anão escroto!
Volto a analisar o símbolo e lembro-me de onde eu o conhecia. Parabatai. Mais que irmãos. Símbolo. Marca. Dádiva. Parabatai! INTRUMENTOS MORTAIS! ALEC E JACE! E AGORA, EU, ÉRIKA E WILL! Oque é um pouco estranho, já que a marca de Parabatai só pode ser aplicada em duas pessoas, e nós somos três... mas vindo daquele mago idiota, regra nenhuma se aplica.
–Lena! Vamos!- grita Effie do elevador e eu saio de meu torpor.
– Estou indo- respondo, e corro ao encontro dos três.
Espera só até Gloss ver Érika nesse estado! Vai dar treta! hehehe
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