Tem algo errado nessa história!
13 Minhocas pretas!
Notas iniciais
Não nego que foi um jantar para lá de animado, mas não aguentei e me encaminhei para o quarto assim que todos decidiram seguir para o jardim afim de observar a lua.
O quarto estava escuro e senti como se algo puxa-se me para dentro, uma força invisível porem quase palpável. Mãos pareciam segurar meus pulsos e a porta se fechou atrás de mim. Mas oque será isso ?
– Hooo minha menina, está tão crescida- uma voz consideravelmente grave se faz audível, mas sozinha estou no quarto- Acalme-se, sou eu. Feche os olhos.
Por algum motivo idiota a voz era reconfortante, familiar e eu me senti segura repentinamente. Como uma tola louca para morrer, fechei meus olhos, e senti um leve beijo ser depositado em cada um.
– Agora sim, muito melhor. Abra os olhos, minha pequena Érika.
E assim eu o fiz, dando de cara com um homem de meia idade, entre 45 e 50 anos de idade. Seus cabelos eram castanhos e sua face era marcada por uma barba rala, que escondia precariamente uma cicatriz em sua bochecha esquerda, que era angulosa e avermelhada, sem duvida febril.
– Você... mas esta morto! Não pode...- afasto-me assustada, apavorada de uma maneira que nunca estive antes, nem nos meus jogos, simplesmente fora de controle, e sinto algo tomar conta de mim. Era estranho, um frio correndo por minhas veias. Em um impulso levantei minhas mãos em uma posição defensiva, notando algo parecido com ramificações saindo de minhas veias e formando coisas disformes em minhas mãos.- MAS QUE MERDA É ESSA!?
– Acalme-se Érika, sabe muito bem que perde o controle fácil, e se isso sair totalmente de você, Deus lá sabe oque pode acontecer!- interveio Anthony, tentando aproximar-se.
– ISSO OQUE? OQUE É ISSO? – berro em desespero- FAZ PARAR!
– Como...- ele parecia confuso, mas respirou fundo e me olhou com carinho- Acalme-se pequena águia. Estou aqui com você, mesmo depois de tudo eu estou aqui. Olhe para mim minha menina, e respire fundo. Só respire.
– É FACIL FALAR! NÃO TEM UM MONTE DE MINHOCAS PRETAS SAINDO DE VOCE!- berro em resposta e ele revira os olhos, murmurando algo inaudível e se aproximando a ponto de conseguir me tocar, puxando-me para um abraço.
O abraço é estranho e não consigo toca-lo, mas realmente me acalmou. Controlo minha respiração com esforço, porem mesmo com os olhos fechados sei que aquelas coisas em minhas mãos não sumiram.
– ACALME-SE! AGORA!
– NÃO GRITA COMIGO! COMO QUER QUE EU ME ACALME COM VOCE BERRANDO NO MEU OUVIDO!?- devolvo.
– Certo, desculpe-me.- ele acaricia minha cabeça e cantarola uma canção conhecida.
A musica me acalma aos poucos e sinto o frio em minhas veias desaparecer vagarosamente, levando consigo aquelas coisas pretas estranhas e a agitação em meu peito.
– Mais calma?- questiona Anthony e eu concordo com um aceno de cabeça, ainda atordoada- Ótimo, agora escute. O grande obviamente estava certo quanto a você e seus amigos, tem algo muito errado com vocês. Não posso ajudar muito, mas preciso que lembre-se de algumas coisas para que consiga mantê-lo controlado.
– Manter quem controlado?- questiono estupefata- Você esta me deixando receosa! E, além disso, como você pode estar aqui? Esta morto!
– Estou e não estou, depende do ponto de vista. Mas deixe-me prosseguir sem interrupções mocinha!- repreende ele, e vejo que mesmo depois de tanto tempo continua o mesmo homem- Como deve saber, a família de sua mãe possuía uma linhagem sombria a muito adormecida, essa linhagem possuía contato com a essência da morte e de lá saia seus ... dons. De alguma maneira estanha esse dom despertou em você, e isso é oque a torna instável. Sem nem mesmo saber, em meu leito de morte, você selou-me dentro de você, e junto comigo toda a morte que eu carregava e que nos rodeava em nosso dia a dia. Por isso você consegue me ver. Agora escute-me bem, esse fragmento da morte que esta destro de ti é dificilmente controlável, precisa aprender a mantê-la sob suas vontades e a usa-la da forma certa. Pelo que sua mãe me contou, quando fez 16 anos despertou a parte ruim desse poder, e com isso selado dentro de ti, as coisas hão de ficar pior. Você deve voltar para Great Waterfall, invocar a real forma do anjo da morte, e aprender a controlar oque têm dentro de você, ou continuara a sugar a força vital das pessoas ao seu redor.
– Calma. Muita informação. Pera ae.- peço- TU ENLOUQUECEU PAI? FALA SERIO! ISSO É RIDÍCULO!- berro novamente estupefata.
– Estarei sempre aqui quando precisar- falou ele, transformando-se em filetes negros que adentraram meu corpo de forma estranha e desconfortável.
– VOLTA AQUI! ISSO TA ERRADO! TA BRINCANDO COM A MINHA CARA?- grito para minha barriga, mas nada acontece.
Irritada, deito na cama e adormeço com as palavras de Anthony e do Mestre dos Magos em minha mente.
[...] nesse novo começo terá que tomar decisões importantes, mas saiba, o Grande sempre estará olhando por ti e por teus amigos. Não tema, por antemão lhe digo, o perigo sofrido por Willian agora caçara você.
[...] invocar a real forma do anjo da morte [...]
[...] você selou-me dentro de você, e junto comigo toda a morte que eu carregava e que nos rodeava em nosso dia a dia [...]
[...]esse fragmento da morte que esta destro de ti é dificilmente controlável, precisa aprender a mantê-la sob suas vontades e a usa-la da forma certa [...]
***
Acordo sobressaltada e com medo que o frio que eu estava sentindo significava a volta das minhocas negras. Pulo da cama e olho ao redor, me deparando com as mantas jogadas ao pé da cama e um janela aberta.
Bufando, aproximo-me da janela e me debruço sobre ela, olhando para a vista. Um pássaro azul pousa ao meu lado todo contente e começa a assoviar. Sorrio e toco-o com a ponta dos dedos. Acaricio suas penas por algum tempo até que noto como parou de cantar.
Desvio o olhar da paisagem novamente e olho para o pássaro, que agora tinha suas penas negras e se encontrava inerte no beiral da janela.
Afasto-me horrorizada.
[...] Você devera voltar para Great Waterfall, invocar a real forma do anjo da morte, e aprender a controlar oque tem dentro de você, ou continuara a sugar a força vital das pessoas ao seu redor [...]
– HÓ MEU SANTO UNICÓRNIO! NÃO!- grito desesperada.
Em pouco tempo Lena invade meu quarto com uma espada em punhos, procurando por um invasor. Seus olhos percorrem o quarto e ela me olha confusa.
– Érika, você gritou por que sua retardada!? ME ACORDOU PORRA!- fala ela indignada, mas seu olhar pousa sobre o pássaro e sua boca se abre em um perfeito `O´.
– Lena, eu não fiz por querer! Juro que não fiz!- me defendo em pânico.
Ela anda ate a porta e confere se alguém esta no corredor ouvindo o tumulto, fechando a porta em seguida.
– Me conta agora oque esta acontecendo!- exige ela. Eu despenco na cama e ela senta ao meu lado. Conto tudo, desde Anthony até o pássaro.
– Okay. Vamos processar isso.- ela respira fundo- WILLIAN! VEM AQUI AGORA!
– CHEGUEI!- berra ele, escancarando a porta após alguns segundos.
– Você ouviu né?- questiona Lena seria.
– Sim, desculpa ouvir atrás da porta, mas eu estava com um pressentimento de que algo ruim estava acontecendo e vim correndo para cá.
– Deve ser efeito da tal marca Parabatai.- argumenta Lena, dando de ombros- Agora foco. Oque você acha?- questiona, ainda seria, oque me deixa ainda mais apavorada, afinal desde quando Lena é seria?
– Acho que devemos ir para Great Waterfall, – responde ele de imediato- e acabar logo com essa doideira. Quem sabe não vamos logo para casa?
– Mas vocês não podem ir comigo! Eu estou sugando a força vital de quem esta ao meu redor!- argumento desesperada- Posso acabar matando vocês como matei o passarinho!- eles estão para argumentar quando eu os interrompo- NÃO! EU VOU SOZINHA! VOCÊS FICAM AQUI!
Os dois se olham em uma conversa muda e eu bufo por estar entendendo tudo, afinal eu os ensinei a se comunicarem assim.
***
P.O.V. Lena
Olho para Willian e ele para mim e um porra muito doida de conversa muda rola ali.
“- Alguém tem que ir com ela”- digo pelo olhar
“- Eu sei! Ela não vai nem conseguir sair do castelo sem um de nos com ela”
– Mentira! EU GANHEI OS JOGOS TAMBÉM LEMBRA!? EU SAIRIA NUMA BOA!- argumenta Érika, metendo-se na nossa conversa, mas nos a ignoramos.
“- Eu vou, por algum motivo conheço a área e fiz uma promessa babaca de protege-la. E não to afim de lidar com Gloss de TPM”– digo e Will revira os olhos
“- E eu to!?”– ele revira os olhos novamente- “ Tudo bem! Eu fico e me faço de desentendido”
– Não Lena! Você não vai comigo!- bufa Érika- E o Gloss não está de TPM, só esta confuso!- defende ela com um biquinho.
– Érika, querida, eu vou e ponto final! Você não pode me impedir docinho!- devolvo sorrindo- E por algum motivo que eu não me lembro eu prometi protege-la e vou fazer isso.
– Nesse mundo eu salvei sua vida de um grupo de ninfas putas da cara por que você despertou por acidente uma caralhada de homens dos encantos delas e elas queriam te matar. Ai você prometeu me proteger quando me fosse útil.- lembra-me ela e uns flashes de memoria muito doidas surgem em minha mente. Começo a rir como uma maníaca.
– AI! VERDADE! QUE ENGRA! UI! — rio mais um pouco e olho para Érika travessa- VIU! NINGUÉM PODE COM MINHA BELEZA IMBATÍVEL! HÁ!
Érika e Willian trocam um olhar de “WTF!?”, mas não comentam nada.
– Muito bem, arrume suas coisas.- falo após me acalmar. Érika esta por argumentar, mas com olhares fulminantes vindos de Will e de mim, ela se da por vencida- Leve só oque for necessário, a caminhada é longa. Ou talvez nós possamos....- sorrio diabólica e os dois compartilham meu sorriso, seguindo minha linha de pensamentos.
– ASSALTAR A COZINHA E ROUBAR OS CAVALOS!- exaltamos os três juntos e rimos como fazíamos antes de virmos para essa aventura loca.
Great Waterfall ai vamos nos!
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