Tem algo errado nessa história!
14 Great Waterfall
Notas iniciais
Os cavalos galopavam a uma velocidade impressionante, pulando por cima de arbustos e pedras sem o mínimo esforço. Nunca fiquei tão agradecida por conseguir calças para vestir, pois com aqueles vestidos logos, eu já teria ficado enroscada em algum galho e seria deixada para trás pelo lindo cavalo negro.
– Segure-se bem em mim e recline-se o máximo possível suas costas e sua cabeça para frente, se não quiser perde-la no caminho- dissera-me o animal antes de começar a correr, oque me assustou um pouco, admito.
Lena e seu cavalo correm a minha direita, o marrom do cavalo confundindo-se em meio às arvores que passavam como um vulto. Sinto-me culpada por metê-la nessa merda, ela esta correndo perigo comigo e com esses meus poderes locos. Decido tomar providencias apos refletir sobre o obvio. Não sei oque pode acontecer e não posso arriscar perde-la como quase perdi Willian.
– Tens nome?- questiono ao cavalo.
– Chamam-me de Umbra- responde ele sobre o vento.
– Sombra em Latim. Parece-me adequado. — comento- Então Umbra, sabe o caminho para Great Waterfall?
– Sim senhorita.- ele faz um pausa e relincha alto- Deseja que eu os despiste?- questiona, seguindo minha linha de pensamento.
– Não a necessidade, apenas avise seu amigo para que a leve em segurança ate as portas do castelo.
– Sim senhorita.- responde ele, diminuindo a corrida e parando aos poucos, com Lena ao nosso alcance.
– Érika, por que parou?- questiona ela exasperada e eu a olho profundamente- OH NÃO! VOCE NÃO VAI FAZER ISSO!- grita ela, me conhecendo bem o suficiente para saber oque eu faria.
Antes que ela argumente e me impeça, eu estendo a mão em sua direção. Filetes negros saem de meus dedos e a prendem ao cavalo, impossibilitando sua movimentação e prevenindo que não caia da cela enquanto estiver voltando.
– Desculpe-me, mas não vou ser a responsável por sua morte Lena.- falo e ela me olha feio, continuo antes que ela comece a berrar novamente- Eu sugo a vitalidade das pessoas ao meu redor, matando-as aos poucos. Não vou ficar sozinha com você e fazer oque fiz com aquele maldito pássaro. Desculpe. E, por favor, se possível atrase as buscas o máximo possível.- finalizo.
Desmonto de Umbra e sigo ate o cavalo de Lena, retirando as sacolas de comida e as armas enquanto ela argumentava em meus ouvidos, sendo perfeitamente ignorada.
Assim que termino de transferir as sacolas de um cavalo para o outro, Umbra relincha algo para o outro cavalo, que da meia volta e começa a retornar. Lena grita em plenos pulmões e tenho certeza que vou escutar muita bronca a próxima vez em que nos vermos, mas suspiro, sabendo que é o necessário.
– Vamos Umbra, quanto antes chegarmos, melhor. – peço, reclinando-me sobre o cavalo mais uma vez, que volta a corre a toda velocidade.
Viajamos por quatro dias e três noites, parando apenas algumas vezes para beber agua, comer algo e descansar.
Chegamos ao topo de uma grande montanha após um dia de subida íngreme, de lá podemos avistar lindas cascatas de agua, uma seguida da outra, suas aguas migrando entre o azul e o verde. Bem no centro da maior cascata estendia-se uma pedra por entre as correntezas, nela se avistava um lido castelo translucido, claro como as aguas da cachoeira. Ai lembrei de Frozen agora. Que bonitinho.
– Consegue atravessar a correnteza?- pergunto a Umbra.
– Creio que não senhorita, se fosse um rio não haveria problemas, mas estamos em meio a cascatas. Sinto muito.
– Não é sua culpa Umbra.
Penso um pouco e decido tentar controlar meus poderes. Reclino-me em Umbra e estico o braço, tocando a agua e pensando em uma ponte. Depois de alguns segundos, aqueles filetes estranhos saem em abundancia por minha mão e vão aos poucos criando uma ponte estranha sobre a agua ate a gigantesca rocha em que o castelo se encontrava.
– É seguro?- questiona-me Umbra.
– Não tenho certeza, mas vamos tentar.
Umbra começa a caminhar com cautela pela ponte, ate estar convencido de que é segura e começar a correr por ela.
Assim que chegamos a grande pedra, eu desmonto e vou ate o castelo, tocando as portas, admirada.
Como se meu toque despertasse algo, o castelo começa a ficar ainda mais claro e pequenas quedas da agua começam a surgir nas paredes, escorrendo como em vitrais, mas isso não dura mais que 30 segundos.
As paredes enegrecem e os belos vitrais se tonam negros com a agua escura. Afasto-me temerosa e observo o resto do castelo, agora completamente negro.
– Umbra- chamo, o medo transparente em minha voz.
– Senho...senhorita- olho para ele assustada com a fraqueza em sua voz e vejo que ele se esforça para ficar de pé. Estou sugando sua vida.
– SAIA DAQUI! VÁ EMBORA! SAIA!- grito desesperada, tentando empurra-lo de volta pela ponte, mas ao meu toque ele parece enfraquecer ainda mais. MERDA!
Afasto-me o máximo possível e me desespero em um nível fora do comum. O medo dilacera meu peito e respirar se torna uma tarefa árdua.
– Mas... senhorita, não pode... pode ficar sozinha- argumenta ele, se colocando de pé novamente e se aproximando. CAVALO TEIMOSO PORRA!
– SAIA!- faço um movimento brusco a fim de afastá-lo, mas acabo por disparar uma onda negra contra Umbra e joga-lo na encosta do outro lado das cachoeiras.
Recolho meus braços, já em prantos, e destruo a ponte que ligava a encosta ao castelo.
– Saia daqui Umbra, não posso ter ninguém comigo agora. — falo em voz alta ao ver o cavalo se levantando com todo esplendor que possuía antes de eu quase mata-lo. Se ele ouviu ou não eu não sei, mas escutei-o relinchar alto.
Dou a volta no castelo afim de tira-lo do meu campo de visão, sento-me no chão e tento controlar minha respiração. As lagrimas ainda queimavam em minhas bochechas, negras como rímel borrado na cara.
MAS QUE MERDA TA ACONTECENDO NA MINHA VIDA!?
***
P.O.V. Willian
La estava eu lidando com um Pedro puto e um Gloss já armado ate os dentes na sala de treinamento do Rei, tentando dar o máximo de tempo para Érika e Lena.
– Elas devem ter ido passear ou algo do tipo, não sejam exagerados, as duas são meio cabeça oca, mas nem tanto.- argumento, fingindo despreocupação.
– Acho que refutamos essa ideia sendo que não voltaram em 5 horas, não acha?- devolve Pedro, preocupado mais que o esperado. Vish, olha a Lena colocando as garras de fora.
Ouvimos leves batidas na porta e Pedro da o comando para que entre.
– Majestade, sinto interromper, mas acho que gostara de ver uma coisa- fala um guarda- Venha comigo, por favor. — Pedro começa a segui-lo, mas ele voltasse também para Gloss e para mim- Acho que devem nos acompanhar senhores.
Assim que chegamos às portas do castelo vemos uma cena que só posso classificar como cômica.
Caminhando pelo pátio havia um cavalo, e Lena estava presa a ele com umas cordas negras. Ela gritava para que arranjassem algo para cortar aquilo.
Comecei a rir alto, chamando sua atenção.
– WILLIAN SEU PUTO! PARA DE RIR E ME AJUDA PORRA! MINHA BUNDA TA DOENDO JA! E ESSE CAVALO NÃO PARA DE PULAR!- berra ela, indignada.
– Onde esta Érika?- questiona Gloss, ainda armado até os dentes e empunhando uma espada.
– Esse já é um problema. Soltem-me e vamos conversar. — responde ela, mais calma.
Pedro toma a espada das mãos de Gloss e corta a coisa preta que a prendia. Puxando-a do cavalo e a colocando de pé, porem sem solta-la. Lena o empurra sem delicadeza e o olha feio.
– Vamos entrar, estou com fome e vai ser uma conversa complicada.
*30 minutos depois*
– COMO ASSIM ÉRIKA FUGIU DE VOCE!?- grita um Gloss indignado.
– Já repeti 3 vezes! Você é surdo ou tem distúrbio de atenção?- devolve uma Lena, irritada- Os poderes malucos de Érika estão a deixando fora de controle, estávamos fugindo para Great Waterfall, mas ela enlocou e me prendeu com aquela coisa preta, o cavalo falante dela conversou com o meu e o mandou voltar para o castelo, e por fim ela fugiu. Entendeu agora loira burra?
Gloss a olha furioso, mas antes que comece o assassinato em massa, Pedro se mete entre os dois, que já se aproximavam furiosos um do outro, prontos para derramar sangue.
– E por que ainda estamos aqui? Vou providenciar um grupo de homens para seguir em viagem conosco. Arrumem-se. Vamos para Great Waterfall. –fala o reizinho, fodendo com a treta.
Bem. Lá vamos nós. De novo em resgate à Érika.
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