Tem algo errado nessa história!
15 Anjo da morte
Notas iniciais
P.O.V. Érika
Respirei fundo, chiando e tentando me acalmar. O medo toma conta de meu peito e parece que uma mão esmaga meu coração com força. Okay, estou aqui. E agora? Estou hiperventilando e minha cabeça esta uma completa confusão de memorias desse mundo e de outros, deixando-me em choque por um tempo.
—Acalme-se Érika, tem que continuar oque veio fazer aqui o mais breve possível- fala Anthony, surgindo a minha frente.
— Fácil é dizer, não foi você que quase matou seu cavalo!- devolvo berrando.
— Eu entendo pequena águia, mas você não possui o privilegio do tempo para desperdiça-lo lamentando-se.
Suspiro auto e tento me acalmar. Anthony se ajoelha a minha frente e toca em meu ombro, uma calma pareceu irradiar por seu toque, chegando a minha mente turbulenta e ao meu coração agitado.
— Oque você fez?- questiono curiosa, e noto que já não há tanto desespero em minha voz.
— Um truquezinho que aprendi com o Grande, um dia quem sabe o mesmo não a ensine. — responde ele e sorri calmo.
Levanto-me e respiro fundo, olhando em volta. O castelo continua negro e as sereias que nadavam pelas aguas ao redor paravam para olha-lo estupefatas, acusando-me com o olhar.
— O melhor que fazes é ignora-las por agora, não devolva o olhar. Sereias são conhecidas por guardar rancor e futuramente pode necessitar da ajuda delas.- pondera Anthony— Não que o sentimento delas por você agora seja bom.
— Animador!- resmungo e ele ri baixo- E agora?
— Entre no castelo, procure a fonte central, saberá oque fazer quando chegar lá.- responde ele, sumindo aos poucos- Boa sorte.
—Obrigada- respondo contrariada e volto-me para o castelo, temendo entrar e com medo do que posso encontrar lá.
As portas se abrem com um simples empurrão, dando visão de um local escuro, a possível iluminação vinda do sol obstruída pelas paredes, antes translucidas, e agora escuras.
— Ainda bem que nunca tive medo de escuro- murmuro baixinho.
Não consigo ver muito do salão de entrada, mas noto que é extremamente luxuoso. Águias adornavam estandartes que desciam do teto alto e tocavam o chão. Lustres de cristal reluziam o pouco de luz que resistia a penumbra e me pergunto quão belo seria esse local se não estivesse negro como esta. Culpo-me, mas não deixo de absorver o pouco que observo do belo local.
Por entre duas escadas que se entrelaçavam ao longo das paredes laterais e se encontravam na parede oposta a porta noto uma entrada para algum lugar, um pouco de luz passa pela abertura e ando até lá, hipnotizada pela beleza.
Após passar pela abertura, encontro em um tipo de jardim habitado apenas por tulipas negras, que sei que apenas brotam em circunstancias muito especificas de escuridão. Ao centro vejo uma fonte, a única coisa que notei ainda estar em seu estado original de cristal translucido, dela irradia uma luz fraca, mas que ilumina o jardim inteiro.
Aproximo-me sem perceber da fonte, e assim que toco o emblema de águia nela esculpido, o mesmo que decorava os estandartes, o brilho da fonte aumenta e agua começa a jorrar do seu topo ornamentado em abundancia.
Afasto-me um pouco assustada e noto que do meio do jato vertical de agua surge uma figura semi-humana, que vai se torando visível aos poucos. A agua não o toca, desviando de sua figura para lados aleatórios, e, dobradas em suas costas, um par de asas douradas definhadas destaca-se, como se tivessem sido queimadas.
—Finalmente, Érika- escuto-o falar em uma voz melodiosa que me encanta.- A herdeira retornou.
— Oque é você?- questiono curiosa.
— Como oque sou eu? Não vê?- devolve ele.
— Tá meio escuro sabe?
—Não deboche do anjo da morte, herdeira.- retruca, sua voz já não tão bonita aos meus ouvidos, suas palavras soando como lixas.
[...] Você devera voltar para Great Waterfall, invocar a real forma do anjo da morte, e aprender a controlar oque tem dentro de você, ou continuara a sugar a força vital das pessoas ao seu redor [...]
Lembro-me das palavras de meu pai.
— Quero sua verdadeira forma. Quero que me ensine a controlar oque tem dentro de mim.- falo com o máximo de bravura que consigo reunir.
— Minha verdadeira forma? Tem certeza do que me pede criança?- a sutileza cruel com que questiona me arrepia.
— Sim, sua verdadeira forma, eu a invoco.- devolvo, já não tão certa se isso é o certo a se fazer.
— Muito bem então, se assim deseja.
E perante meus olhos o anjo dourado com asas queimadas duplica de tamanho, enegrecendo e dando lugar a uma figura coberta por um manto negro, com asas tão esbeltas e escuras que chegavam a parecer ônix puro, sua face antes dourada e brilhante agora totalmente branca e opaca, os olhos dando lugar a duas concavidades vazias, porem o sorriso frio continuava o mesmo, os dentes brancos reluzindo. Uma espada maior que meus dois braços juntos pendia de sua cintura em um cinturão metálico, junto a um livro de capa cinza e um emblema estranho que servia como fivela do cinturão.
Medo e admiração. Isso define oque sinto agora. Medo por sua imponência e frieza, admiração por sua beleza imiscível.
— És a primeira que tem coragem de pedir para ver-me em minha forma real, seus ancestrais amedrontaram-se com minha forma quase humana e não se aventuraram a ponto de conseguirem meus ensinamentos.- a voz agora era fria e grossa, insondável e desprovida de calor ou emoções.- Não posso dizer que és sabia por isso, porém muito menos que é tola.
— Eu... Obrigada?- dou um sorriso amarelo, e a figura a minha frente não esboça nenhuma reação, sua postura superior e desdenhosa me intimida.- E agora?
— Você precisa completar sua jornada pelo mundo dos mortos, lá encontrara as raízes da maldição.
A agua da fonte começa a borbulhar em negro e o anjo estende sua mão. Não sei explicar o medo cagado que estou sentindo, mas por favor vida: QUE MERDA HEIM, SO ME FODO. Assim que seguro sua mão e subo na fonte, tudo enegrece.
Me sinto cair, cair e cair.
Está frio.
E eu gosto da sensação de poder que toma meu corpo e minha mente.
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