Tem algo errado nessa história!
7 A insanidade toma conta de mim, e agora não existe oque me impeça de vencer!
Notas iniciais
– MAS OQUE MERDA ELE ESTÁ FAZENDO?- grita Érika descontrolada.
– Érika se acalma, não adiante se descontrolar agora, você foi bem pior que ele se aliando ao garoto do 8 depois de largar a aliança carreirista- respondo com cautela, Érika pode ser linda e carinhosa, calma e controlada, mas quando ela explode, é melhor sair de baixo, seus jogos são a prova disso.
– Eu fui pior Gloss? EU FUI PIOR GLOSS!? ELE SALVOU MINHA VIDA! SE NÃO FOSSE POR ELE EU TERIA MORRIDO NAS MÃOS DO GAROTO DO 4! E VOCÊ SABE DISSO! EU DEVIA MINHA VIDA A ELE E ELE MORREU NA MINHA FRENTE POR INCOMPETÊNCIA MINHA! CAMERON ESTÁ MORTO! MORTO! E É MINHA CULPA!- berra ela, já soluçando.
Tento me aproximar para acalmá-la, abraçá-la, mas ela me repele e sai correndo. Gostaria tanto de poder correr atrás dela, mas é obrigatório que algum vitorioso fique no centro de controle para ajudar o tributo de seu distrito, e eu nunca odiei tanto a capital e suas regras como agora, a não ser quando transformaram minha Irma em uma vadia da capital.
– Por que eu fui abrir minha maldita boca? A 10 minutos atrás estava tudo bem, perfeito!- murmuro desgostosamente e engulo em seco, voltando a encarar as telas que estão focadas em Will e na garota do 7.
P.O.V. Will
Caminhamos por horas e horas e logo começa a escurecer, porem já estamos próximos da cornucópia e iremos caçar por aqui durante a noite, já que possuímos óculos noturnos.
– Vamos achar um lugar para deixar as coisas e sairemos para caçar, a noite as presas normalmente não se movem e fica mais fácil encontrá-las, já que a não se preocupam mais com os rastros por estar escuro- falo e Carla apenas concorda com um aceno de cabeça.
Achamos um buraco entre raízes de uma arvores grande o suficiente para guardar as mochilas e se tornarem praticamente invisíveis em decorrência da neve que as cobriu rapidamente. Fiz uma marca quase imperceptível na arvore e entreguei um dos óculos de visão noturna do distrito 11 a minha “aliada”.
– Seja cuidadosa e não faça barulho, vamos nos separar e nos encontrar aqui ao amanhecer- falo friamente e começo a me afastar.
– Willian.- chama-me ela, viro-me e a encaro impaciente- Se você encontrar Caio, não o mate, eu farei isso quando chegar a hora. E seja cuidadoso também, não estou afim de perder um aliado tão proveitoso cedo.- fala ela, olhando para baixo e eu apenas sinto pena de sua postura tão patética. Bufo e volto a caminhar- Boa sorte.
Essa garota vai me render problemas. Penso desgostoso.
Caminho por algum tempo sem encontrar nada, e a maldita dor no pescoço que tive o dia todo começa a piorar, resolvo para e verificar oque está causando esse incomodo.
Sento-me sobre uma pedra grande que encontrei no caminho e retiro o casaco, abaixando a gola da camisa até o ombro. Passo a mão sobre o pescoço e o noto quente em certo ponto, com uma textura estranha.
Com a lamina larga de minha espada, olho a área pelo reflexo e me surpreendo ao ver um símbolo estranho em preto brilhante estampado na pele. Tenho certeza que já vi esse símbolo antes, mas não consigo recordar aonde.
– Esse, meu jovem Willian, é um presente do Maior para você e suas amigas- fala uma voz as minhas costas, assustado, agarro a espada e viro-me em posição de ataque, me surpreendendo ao ver o maldito anão escroto e seu unicórnio estático- Esse é o símbolo Parabatai, uma marca que você conhece. A partir de hoje, você e suas amigas serão ligados por um poder maior que a simples amizades, serão mais que irmãos. Faça bom proveito, pois é uma dádiva de poucos.
– Como assim? Oque você....- não pude terminar a frase e o maldito mestre dos magos já havia sumido! Filho da puta!
Volto a analisar o símbolo e começo a lembrar de onde eu o conhecia. Parabatai. Parabatai. Mais que irmãos. Símbolo. Marca. Dádiva. Parabatai! INTRUMENTOS MORTAIS! ALEC E JACE! LUKE E VALENTIN ! E AGORA, EU, ÉRIKA E LENA! Oque é um pouco estranho, já que a marca de Parabatai só pode ser aplicada em duas pessoas, e nós somos três... mas vindo daquele mago idiota, regra nenhuma se aplica.
Escuto um farfalhar de algo embaixo da pedra em que me encontro, algo quase inaudível, mas não para mim. Desço com cuidado e rodeio a pedra, encontrando uma pequena abertura, que parece ter sido encoberta recentemente e as presas.
Tributo descuidado morrem cedo, você é sortudo meu amigo. Penso maldosamente e com a sola do coturno afasto a neve, esperando um alvo fácil e rápido de matar, mas não encontro nada disso.
A garota do 9 me olha com maldade e aponta seu lança chamas em minha direção. Sabia que esse garota ia ser um problema!
Saio correndo bem a tempo de fugir das chamas que rugiram na minha direção. Filha da puta! Oque eu faço agora!?
Continuo correndo, mas com o canto do olho consigo ver as chamas vindo novamente em minha direção. Oque eu faço caralho!? Oque eu faço!?
Em uma tentativa desesperada de não virar churrasco, subo na arvore mais alta e congelada que encontro, a escalada é relativamente complicada, mas o gelo me cobrira por algum tempo e a arvore não queimara antes que ele derreta.
Só mais um pouco. Só mais um pouco e chegarei ao topo. Pensava esperançosamente, mas nem com minha velocidade passei intacto. As chamas lamberam minhas costas, destruindo meu casaco, e parte do meu cabelo, onde, com um pouco de neve de um galho, apago o fogo.
Só mais um pouco. Ai. Está doendo.
Escuto um barulho conhecido e olho para cima, encontrando um pequeno recipiente prateado e um pára-quedas preso no topo da arvore.
Só mais um pouco. Quase lá!. Escuto o barulho dos galhos queimando aos poucos e sei que meu tempo está acabando.
Chego ao topo da arvore e agarro o pára-quedas, abrindo a caixa prateada e encontrando pulseiras estranhas e um recipiente de remédio.
Agarro o bilhete.
“Willian seu palherma!
Como você se alia a uma garota do 7!? Não aprendeu nada ainda!? Ela é fraca!
Enfim... o remédio é para suas queimadura e as pulseiras formaram uma armadura a prova de fogo, mas tem um limite, acabe com a garota o quanto antes. Prenda uma em cada pulso, nos tornozelos e a maior no pescoço.
Cuidado e Boa Sorte
Érika.”
Literalmente minha salvação caiu do céu.
– Obrigada aos meus patrocinadores- murmuro baixo, mas sei que as câmeras e microfones captaram a mensagem. As vezes ajuda ser o queridinho da capital.
Retiro o casaco em fragalhos e sigo as instruções de Érika, sinto algo como uma película cobrir meu corpo e sei que a armadura está em funcionamento.
Desço a arvore rapidamente e antes de chegar ao final já sinto o calor das chamas sobre meu corpo, mas eu não estou em chamas, estou vivo e em perfeitas condições.
–Mas que merda é essa?- grita a garota frustrada.
–É sua perdição- respondo, parando a sua frente com minha espada em mãos.
– Eu não vou perder para você- retruca debochada. Mandando chamas em minha direção novamente. Não desvio, apenas deixo que venham e me maravilho com a visão do interior das chamas.
O fogo se dissipa, e eu observo meu alvo, que me encara com incredulidade.
– Agora é a sua hora — corro em sua direção e minha espada se aloja em seu ombro.
Ela revida, mesmo machucada, acertando o cabo do lança-chamas em minha perna e me desequilibrando. Cambaleio um pouco para o lado e ela aproveita, me acertando um soco no estomago. Droga! Ela é rápido!
Laço o cotovelo para trás, lhe acertando a face e a distraindo. Não posso perder tempo. Coloco-me as suas costas e minha espada se encontra com seu pescoço. Puxo-a e sinto a pele da garota se rasgar sobre a lamina.
Não satisfeito, afinal eu estou todo queimado por causa dessa babaca, laço novamente a espada em direção ao seu pescoço, e a cabeça rola para longe. O corpo cai no chão, sem vida (e sem cabeça) e o canhão sooa.
– Ninguém brinca comigo. Ninguém.- falo para o corpo da menina, mesmo sabendo que ela não me respondera.
Depois de muito observar o estrago que fiz, volto a caminhar, o lança chamas preso em minhas costas. Uma arma útil demais para ser levada com o corpo.
Chego ao local onde as mochilas foram escondidas e sento-me no chão forrado de neve.
Retiro as pulseiras e guardo-as no fundo da mochila, escondendo-as entre as coisas. Pego o remédio que recebi e passo em minhas queimaduras, que em instantes param de arder e perdem a vermelhidão.
– Oque aconteceu com você? Quem te atacou? — questiona Carla quando chega.
– Não interessa, a garota já está morta- respondo frio e agarro um pedaço de carne seca, mordendo com força.
– Precisa de ajuda com os ferimentos?
–Não.
Carla da de ombros e senta-se um pouco distante, estendendo o saco de dormir e me avisando para acordá-la na troca de turno.
Estamos na reta final.Conto mentalmente os tributos.
Eu. O garoto do 3. A garota do 5. Os dois do 7. Os dois do 10.
17 tributos mortos em 13 dias.
7 ainda vivos.
6 para matar e vencer.
6 é o numero entre eu e a saída.
6 não podem mais existir.
Só 1 sai vivo e isso é Cruel.
Mas a partir de agora serão apenas 5.
Minhas espada desce em direção ao coração da garota do 7, minha fraca aliada.
O canhão sooa.
E agora, apenas 5 tributos me impedem de sair.
Sinto a insanidade tomando conta de meu cérebro e percebo que estou enlouquecendo com esses jogos.
Mas não me importo.
EU VOU SAIR DAQUI.
EU SEREI O VITORIOSO.
E nada, nem ninguém me impedira.
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