Teenage clichê
23 Uvas cerebrais
Os dois amigos demoraram um pouco para chegar à casa de Carol, e, quando chegaram, ainda tiveram que esperar ela terminar de se arrumar(momento onde os 5 minutos se tornaram 25). Mikael encarava a escada impacientemente, enquanto Kevin se distraia com um jogo no celular.
—Carol, porque cê tá demorando tanto? -gritou Mikael, do andar de baixo.
—Pera, eu já tô indo. Não me apressa!
Demorou mais uns 5 minutos até que ela desceu as escadas. Mikael, ao vê-la, pensou imediatamente: c.a.r.a.l.h.o. Ele não conseguiu se conter:
—Puta que pariu, cê tá muito gata. Só acho que a gente devia transar hoje, pra aproveitar as visões boas de hoje.
—Honestamente: eu não sei se eu rio disso ou se eu te mato aqui mesmo. Vou escolher rir, porque não tô afim de beber sozinha.
—Bom, de qualquer forma, Carol, esse aqui é o Kevin, meu melhor amigo. Kevin, essa é a menina que eu tô comendo, a Carol.
Kevin não conseguiu conter um sorriso.
—É difícil comer alguém com um pau tao pequeno como o dele, mas a gente trabalha com o que tem, né Kevin? -disse Carol.
—É bem isso. Eu só aturo ele porque ele paga as contas. E os programas. E a maconha, e o álcool…
—Tão Skins -disse Carol, sorrindo para Kevin.
—O que?
—Tipo… -disse Carol, tendo sua fala interrompida por Mikael.
—Sinto muito atrapalhar o jogo fácil de vocês, mas eu quero beber. Então vamo logo.
—Vamo! Tô afim de tomar umas doses de juízo, se é você me entende -disse Carol.
Ela ficou meio incomodada com o que ela disse, porque ela nunca tinha agido daquele jeito na frente de um completo desconhecido. Por algum motivo, ela sabia que tinha dito aquilo para impressiona-lo. Afinal, um garoto charmoso como ele não aparecia frequentemente na vida dela. Mikael olhou para Carol como se ela tivesse alguma doença mental muito séria, e pensou em ser bem babaca, porém, a vontade de beber era maior. Os três foram até o carro e dirigiram-se até o novo Píer 57, o novo bar da cidade.
Durante o percurso, conversaram bastante ao som de BMTH:
—Bem, Kevin, me conta um pouco sobre você. O Mikael nunca te mencionou, e eu não consigo ser estranha com desconhecidos.
—O que cê quer saber? -perguntou ele, voltando seu olhar para ela.
Carol corou. Mikael pode ver através do retrovisor que aquela garota estava com os 4 pneus e o estepe arriados por um cara que ela nem conhecia. Carol, sua melhor amiga, estava linda: com o cabelo preso em um coque bagunçado, os piercings nem um pouco chamativos nas orelhas, a calça da sorte dela(toda rasgada por andar de skate) e um blusão, com uma havaiana. Ele achava isso charmoso nela, isso de não se importar com o exterior e ainda assim ser daquele jeito. Ele ficou tão ocupado admirando ela, que esqueceu de olhar para frente e bateu o carro em um poste.
—Que porra foi essa, cara? -perguntou Kevin, encarando Mikael.
—Vei, eu me distraí com… sabe… ali… Mano, eu quero saber quem foi que colocou esse poste ai. Ele apareceu do nada na minha frente. Ele me cortou -disse Mikael, enquanto coçava a nuca.
—Eu ia perguntar qual o teu problema mental, mas lembrei que já tenho a resposta. Obrigada por essa experiência de quase morte, espero que não possamos repetí-la -disse Carol.
Os três desceram do carro e foram andando, porque o bar era a uns 2 quarteirões de distância. Chegando lá, tinha uma fila enorme do lado de fora. Carol resolveu tirar a blusa, deixando o top preto(maravilindo),que parecia uma blusa, ficar de fora. Se aproximou do segurança, que logo liberou a entrada dela e dos amigos. No momento em que ela já havia entrado e se afastado do segurança, ela colocou a blusa novamente. Ela foi andando na frente, enquanto os meninos ficavam conversando logo atrás dela.
—Cara, na moral, onde tu conheceu ela? Que garota foda -disse Kevin.
—Né. Enfim, a gente tem que pegar uma mesa, né?
Mikael foi direto para o lado da Carol e Kevin foi logo atrás.
O bar era extremamente amplo. Com uma área cheia de poltronas com almofadas, carrinhos de bebida que perambulavam pelo ambiente, pessoas bêbadas e em altas pegações. Em um dos cantos do recinto, havia uma área com o teto de vidro, que permitia visualizar o céu estrelado e ainda dava aquele clima. Como é óbvio, tinha um enorme balcão e várias mesas dispostas ao redor de um palco, onde naquela noite haveria um DJ. Os três pegaram uma mesa, pediram uma porção de batata frita e pediram sal, tequila e limão. Fizeram a velha tradição umas 10 vezes pelo menos, até ficarem “felizes”.
—Eu tava com uma puta saudade de ti, cara -disse Mikael para Kevin.
—Mano, eu também. Eu tenho uma parada sérrissima pra te contar.
—Fala logo.
—Não me excluam, seus cocozentos -disse Carol, com um tom meio irritado.
—Ah, não posso falar com ela aqui -disse Kevin.
—Vei, se cê tá querendo transar com ela, cê tem que falar isso pra ela, não pra mim -disse Mikael, enquanto pedia por mais uma rodada.
—Aff Mikael, cê sabe mesmo como ser um puta cuzão -disse Carol, levantando-se e indo em direção até o banheiro.
—Cê não vai atrás dela não? -perguntou Kevin.
—Não. Ela consegue se virar bem no banheiro sozinha. Enfim, que que cê tinha pra me falar mesmo?
—Cara, é complicado. Eu não sei como te falar isso de um jeito delicado, então vou falar de uma vez.
—Cê tá ligado que já podia ter falado, né?
—Cala a boca.
Nesse momento, as 6 doses haviam chegado na mesa. Kevin virou as seis, uma por uma.
—Bem, seguinte: quando eu ainda tava em Dublin, eu tive que fazer um check-up na faculdade. Até ai tudo bem, eu fiz os exames e depois fui pro dormitório. Uns 3 dias depois, o reitor me chama na sala dele. Achei que tivesse sido pela pequena orgia que eu tinha organizado pra um colega meu, mas acabou que não era. O diretor disse que os resultados do meu exame não tinham sido bons. E ache que podia ser algo relacionado ao fígado, porque eu bebo álcool como se fosse água. Mas ele disse que era sobre o meu cérebro. Ele disse que eu tenho dois cistos, do tamanho de uvas, DENTRO do meu cérebro. E o pior, elas tão tipo tumores. Ou seja, eu tô desenvolvendo câncer.
—Pera… TU O QUE?
—Eu tenho câncer, cara. — nesse exato momento em que ele disse “câncer”, Carol voltou a mesa.
—Pera, cê é de câncer? Achei que eu fosse a única!
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