Seguiu-se um silêncio enorme entre eles. Até que Kevin quebrou o gelo:

—Não sou não, Carol. É que a gente tava falando de uma das ex do Mikael.

—Aaaaah, entendi. Então deixa pra lá. Vamos falar sobre coisa boa -disse Carol, sentando-se ao lado de Mikael.

—Tipo? -disse Kevin.

—Ah, sei lá. Tipo, cê podia falar pra gente do seu tempo no Canadá e tal. -disse Carol, tomando um gole da cerveja que estava na mesa.

—Foi muito bom, eu conheci muita gente legal, estudei e me diverti pra caralho. Mas senti falta daqui, da vida aqui em si. Mas chega de mim por hoje, me fala sobre você. Quem é a Carol realmente?

Carol corou. Mikael teve uma ânsia de vômito. Ele não conseguia acreditar em como Kevin conseguia agir tão normalmente(no caso, queixar sua melhor amiga) depois de ter despejado aquela bomba enorme no colo dele. Além disso, a bebida também não caiu tão bem pra ele, pois estava de estômago vazio.

—Dá licença, eu não tô me sentindo bem -disse Mikael, indo até o banheiro às pressas.

—Não esquece de segurar o cabelo pra não sujar! -gritou Carol.

Mikael não virou em momento algum. Chegou ao banheiro e despejou tudo que estava em seu estômago no vaso. Ele sentou no chão e chorou. Perguntou a si mesmo se era por estar bêbado demais ou por estar realmente triste. Percebeu que ele era triste; que isso só tinha servido pra mostrar o vazio dele e o quanto ele se importava com as pessoas que estavam na vida dele. Ele sentou no chão do boxe do banheiro, tirou um cigarro de maconha do bolso e ficou lá. Enquanto fumava, ouvia os barulhos no boxe ao lado, de duas pessoas fazendo sexo. Não se importou, apenas queria esquecer do que tinha acontecido.

10 minutos depois, ele foi procurar Carol e Kevin. Achou-os na mesma mesa, conversando. Carol ria bastante de algo que Kevin contara, e ele olhava pra ela de um jeito estranho enquanto falava. Mikael resolveu interromper a porra toda.

—Galera, surgiu uma parada e eu vou ter que ir. -disse Mikael.

—Ah não, a gente acabou de chegar! -disse Carol, em um tom meio irritado e triste.

—Mik, pode ir. Eu levo a Carol pra casa.

—Mas vocês vão embora como?

—A gente vai de taxi, cara. Relaxa, pode ir, precisa se preocupar com a gente não -disse Kevin, dando um olhar de “tá tudo bem?.

—Beleza, divirtam-se -disse Mikael, saindo às pressas.

Kevin e Carol estranharam o comportamento de Mikael, mas nem deram tanta importância. Resolveram socializar com outras pessoas que estavam ao bar, e acabaram ficando amigos de um grupo com 5 pessoas(3 homens e 2 mulheres). Kevin e os dois rapazes começaram a conversar sobre viagens, enquanto Carol e as meninas falavam sobre livros. Carol ficou bem amiga de uma delas, Sasha, que era de sua sala, mas as duas nunca haviam se falado. Os sete ficaram juntos até umas 3 horas da manhã, quando Kevin resolveu levar Carol pra casa. Ele deu o casaco dele para ela, pois a garota tremia-se de frio. Os dois pegaram um Uber e se foram.

No carro, eles conversaram mais um pouco, até que de repente, ficou um silêncio estranho. Kevin recostou a cabeça e fechou os olhos. Carol observou-o, cada linha de expressão dele, a barba por fazer e o cabelo desgrenhado. Aproximou-se do motorista e disse, jeitosamente:

—Qual seu nome?

—Raul.

—Ah, oi, sou a Carol. Eu queria te fazer uma pergunta, já que você é casado e deve ter experiência nisso -disse ela, apontando para a aliança no dedo dele.

—Pode perguntar, senhorita.

—É estranho uma garota que você mal conhece te roubar um beijo?

—Ahm… Não me leve a mal, mas…

—Relaxa, eu quero beijar o cara daqui de trás, mas tô com medo dele ficar com medo de mim.

—Ah. Eu não acharia estranho. Fora que se não der certo, a senhorita pode culpar o álcool.

—Boaaaaaa. Ai, tô nervosa.

—Vai dar tudo certo -disse Raul, dando um sorrisinho.

Carol respirou fundo e aproximou-se de Kevin. Pos suas mãos no rosto dele, e colou os lábios aos dele, afastando-se logo depois. Ambos encararam-se por um momento, até que ele a puxou para perto dele, colocando uma de suas mãos atrás do pescoço e a outra na cintura. Os rostos se encontraram, e as bocas se perderam uma na outra. Ela tem gosto de morango com vodka, pensou ele, mordendo o lábio inferior dela, e ela não pode conter um sorriso de satisfação. O cheiro inebriante de verbena parecia fazer ela o querer mais. As mãos de Carol brincavam com os cabelos claros dele, enquanto ele contornava a maçã do rosto dela com o polegar. Chegaram à casa dela, mas não pareciam querer largar um do outro, mesmo tendo feito isso. Os beijos loucos e roucos cessaram com selinhos, e os dois se entreolharam. Ela despediu-se, mas ele a puxou novamente e deu-lhe um beijo antes dela ir. Ela conseguia sentir o pulsar do coração dele somente através daqueles lábios macios. Ele a esperou chegar até a porta e entrar na casa, até dar outro endereço para o táxi. Enquanto ia para casa, Kevin sorria ao lembrar da avulsidade daquela garota. Raul então falou com ele:

—Tá tudo bem, senhor Kevin?

—Tá sim, Raul. Tá tudo perfeito. Na verdade, eu quero te perguntar uma coisa.

—Pode falar.

—Cê sabe o que deu nela?

—Bem, ela estava um pouco receosa de tomar alguma iniciativa, então eu a encorajei.

—Ah. Fez muito bem. Caralho, que garota.

Kevin pediu para Raul ligar o rádio, e começou a tocar "Felina", do SAPDL. (essa minha mania de conseguir ser foda, né?). É, talvez ela seja isso mesmo, pensou ele, antes de fechar os olhos e aproveitar a música.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.