Teenage Dream
28 Capítulo Vinte e Sete- Desistir
Capítulo Vinte e Sete- Desistir
“Eu ainda lembro do olhar em seu rosto
Através da escuridão às 1:58
As palavras que você sussurrou para somente nós sabermos
Você falou que me amava, então porque você foi embora
Embora, embora” –Last Kiss, Taylor Swift
Minha cabeça estava explodindo, todas aquelas contas estavam me deixando louca. Eu queria enfiar meu lápis no coração de quem achou que matemática era algo legal um dia, pois aquilo só servia para desgraçar a vida de uma pessoa.
Suspirei alto, enrolando meus dedos no meu cabelo, os puxando um pouco para ver se conseguia de algum jeito fazer a dor par. Eu odiava fazer calculo, mas fazer prova do mesmo assunto era pior ainda, isso só piorava mais quando se tratava do SAT, um maldito teste que era o medidor do nosso aprendizado e muito cotado para as universidades.
Apesar de eu não ter me inscrito em nenhuma faculdade, o que ainda era segredo para todo mundo, tinha que fazer aquilo e tirar uma boa nota. Pelo menos isso eu devia aos meus pais, quem sabe eles não me matariam quando descobrissem do resto.
Não tinha ideia do que ia fazer depois da formatura, mas tinha dinheiro guardado e se minha família me expulsasse de casa eu teria como me manter por algum tempo, isso sem contar que eu poderia muito bem arrumar um trabalho e me mandar para alguma cidade grande do país. Minha intenção era ir primeiro para algum país da África ou da Ásia, mas não sabia direito como fazer isso.
Senti um grande alivio quando o termino da prova chegou, até mesmo a vontade de matar alguém com o lápis sumiu. As conversas depois disso foram completamente a respeito do teste e eu apenas falei que tinha sido bom. Nos reunimos na lanchonete depois da prova e fiquei aproveitando do colo de Alec, enquanto os outros não paravam de falar.
Eu me sentia muito mal por estar escondendo minhas reais intenções da minha família, dos meus amigos, mas nada se comparava ao que estava sentindo por ainda não ter contado nada a Alec. Ele ainda acreditava que eu estava me decidindo e era um fofo me dando o espaço necessário para pensar, o que com certeza seria muito ruim para mim quando revelasse toda a verdade.
Já estávamos no fim de Março e a partir de Abril as cartas da Universidade começariam a chegar. Em Maio aconteceria a formatura e logo ele estaria embarcando para Londres, então eu queria aproveitar os últimos momentos antes dele decidir me odiar por ter escondido por tanto tempo minhas decisões.
Eu estava quase adormecendo com Alec afagando meu cabelo, mas notei meu pai atender o celular atrás do balcão e ficar imediatamente pálido. Despertei e passei por cima de Jacob e Gabriella, que estavam próximos a mim, do outro lado do banco e fui até lá.
––Papai, o que foi? ––perguntei, mas ele continuava ouvindo quem quer que fosse do outro lado da linha.
––Sim, encontro vocês lá. Qualquer coisa me liga! ––desligou e olhou para mim esboçando um sorriso.
––Então, vai falar o que está acontecendo? ––indaguei.
––Rosalie foi levada para o hospital, ela vai ter o bebê ––anunciou.
Levei minhas mãos até minha boca e encarei meu pai chocada, claro que já estava na época e no tempo certo da namorada do meu irmão ter o bebê, mas eu estava da cabeça aos pés nervosa com aquela noticia. Ao mesmo tempo que quis sorrir, quis chorar e sorrir mais um pouco.
––Você vai ser avô! ––gritei, pela primeira vez me dando conta do novo titulo do meu pai, mas gritar não foi uma boa ideia pois todos que estavam na lanchonete lotada se viraram para me olhar.
––E você tia ––meu pai rebateu ––Escuta, preciso que tome conta da cozinha ––jogou o avental que usava para mim.
––Mas e a Sue? ––perguntei, me referindo a mulher que era o braço direito do papai na cozinha, as outras duas pessoas que trabalhavam cozinhado eram apenas assistentes.
––Ela está doente e eu estava assumindo aqui sozinho ––papai saiu de trás do balcão.
––Mas papai, é injusto que eu tenha que ficar aqui enquanto o bebê do Emm e da Rose está nascendo ––resmunguei.
––Não posso fechar a lanchonete, você não é a melhor cozinheira do mundo, mas é minha única opção ––falou, com um tom de brincadeira em sua voz.
––Na verdade ––meu olhar parou rapidamente na mesa onde meus amigos estavam, Alec e Lucy estavam me olhando de volta ––Tem alguém que cozinha muito bem e que podia nos ajudar nessa.
––Quem? ––perguntou, acenei para Lucy, fazendo com que ela fosse até papai e eu.
––Lucy ––respondi a pergunta de papai quando ela parou ao meu lado ––Você mesmo ensinou muita coisa para ela.
––Do que estão falando? ––a loira estava confusa.
––Rose vai ter o bebê a qualquer momento, papai e eu precisamos ir para o hospital, mas precisamos de alguém para substituí-lo na cozinha, então pensei em você ––expliquei.
––Isso não é uma boa ideia, meus pais vão querer me matar se descobrirem que eu estou trabalhando em uma lanchonete ––Lucy disse tensa.
––Eu preciso muito da sua ajuda, por favor ––comecei a implorar ––Quero muito estar lá quando o bebê nascer, poxa Lu, faz isso por mim. Sou sua melhor amiga, eu preciso que me dê essa força, só hoje.
––Tá bom, para de implorar, se humilhar é feio ––Lucy riu ––Tio, se eu espantar a freguesia a culpa é sua! ––exclamou para papai, que assentiu e a levou para a cozinha.
Aproveitei para ir falar com os outros sobre o nascimento do bebê e mesmo que Alec tenha pedido para ir junto, achei melhor ele ficar, afinal o local já estaria cheio da minha família. Então apenas arrastei Alice comigo e fomos com papai para o hospital.
Apesar de ser uma adolescente de dezoito anos, que tinha sido expulsa de casa pelo pai e madrasta, Rose teve uma gravidez tranquila tirando o susto que deu logo depois de ir morar conosco. Então, os médicos não viram problema em fazer o que ela tanto queria que era realizar um parto normal.
Mamãe e Emmett estavam com a garota na sala de parto, quanto isso meus avós, Alice, papai e eu ficamos na sala de espera. Eu estava tão ansiosa para ver o bebê que meus pés não pararam um instante sequer de batucar no chão, vovô Samuel me mandou diversas vezes parar de fazer barulho e eu só parei quando a bengala dele acertou minha panturrilha.
––Ai vô, isso doeu! ––massageei o local.
––Vê se fica quieta ––ordenou.
––Isso aqui está um tédio, não posso ir para casa? ––Alice perguntou cerrando suas unhas.
––Não, é o filho do seu primo que vai nascer, você não pode simplesmente ir embora ––vovô Charlie, pai da minha mãe disse sério, Alice revirou os olhos e continuou o trabalho em suas mãos.
Parto normal era uma desgraça, pelo menos para quem tinha que esperar, até mesmo me arrependi de não ter ficado tomando conta da lanchonete para meu pai. Entretanto, quando ele ligou para lá, recebeu gratas notificações de que estava tudo bem, ou seja, Lucy estava dando conta.
Só no meio da noite, que o bebê finalmente nasceu. Eu nem conseguia imaginar o quanto Rosalie deveria estar cansada depois de tanto esforço para ter o filho, ela merecia palmas por isso. Estávamos sendo avisados por uma enfermeira a respeito do nascimento, quando minha irmã mais velha chegou ao hospital correndo, ela tinha tentado ser o mais rápido possível em viajar de Los Angeles para Sun West.
––Nasceu ––a informei.
––Ah meu Deus, nasceu! ––Rachel gritou bem mais alto do que eu um dia conseguiria gritar, a enfermeira a olhou com raiva e minha irmã se desculpou.
––Podemos vê-lo? ––meu pai perguntou para a enfermeira.
––Duas pessoas por vez ––falou ao notar nossa grande família parada ali.
––Vai primeiro com o papai, Rach ––avisei para minha irmã ––Eu aguento mais um pouquinho.
Rachel agradeceu e seguiu com papai para ver o mais novo membro da família, voltei a sentar e daquela vez vovô Samuel não me brigou por eu estar inquieta batendo meus pés incansavelmente no chão. Um tempo depois meu pai e minha irmã retornaram, ambos com olhares emocionados e sorrisos no rosto.
––Vocês tem que ir conhecê-lo, agora! ––papai exclamou para mim e vovô.
––Tudo bem ––vovô disse como se também não estivesse curioso para conhecer seu bisneto.
Quando entramos no quarto onde Rosalie estava, procurei imediatamente pelo bebê no quarto, encontrando ele nos braços de mamãe. Emmett estava sentado na cama ao lado de Rose e ambos olhavam na direção do filho, como eu tinha previsto a garota estava muito cansada.
––Oi bebê ––murmurei para a criança no colo da minha mãe.
Ele tinha cabelos da cor de Rose e os olhos eram castanhos como os de Emm e da nossa mãe, estava enrolado em uma manta azul clara, com roupas quentes e uma blusa do Batman que me fez rir.
Imediatamente me lembrei de Miguel e como eu adorava aquele menino, como eu ia o visitar todos os domingos com a maior alegria do mundo e nunca reclamava por ter que acordar cedo para isso. O bebê de Emm e Rose também parecia ser muito bacana e fofo, mas minha mente só conseguia pensar no garoto de covinha na bochecha esquerda.
––Olha a tia Ness, Sam ––mamãe colocou o bebê virado na minha direção.
––Do que o chamou? ––perguntei olhando para ela, que olhou para meu irmão e Rose.
––Vovô ––Emmett chamou para vovô Samuel que estava sentado em uma poltrona ali, olhando o bebê de longe ––Rosalie e eu decidimos que o nosso filho vai ter o seu nome.
––Você roubou o nome do meu filho! ––exclamei indignada, mas me contendo para não gritar.
––Você está grávida? ––vovô me perguntou chocada, vi ele mais pálido do que papai aquela tarde.
––O quê? Não! ––neguei prontamente ––Mas se um dia eu tivesse um filho gostaria que ele tivesse seu nome ––cruzei os braços.
––Foi mal ––Emmett riu ––Mas não vamos mais mudar.
––Dane-se ––dei de ombros ––Não vou ter filhos mesmo.
––Obrigado pela homenagem ––vovô agradeceu ––Isabella, traga-o até aqui ––pediu para minha mãe, que prontamente levou o bebê até lá.
––Enfim, mesmo que vocês sejam ladrões de nomes de bebês, parabéns por terem feito sexo ––me aproximei do meu irmão e cunhada.
––Como?
––Ah, vocês sabem, o sexo de vocês ––fiz uma careta ––Resultou em um bebê bonitinho que eu sou tia, então parabéns por terem transado.
––Obrigada ––Rosalie riu ––Alías, seu avô já tinha concordado em ser o padrinho, você quer ser a madrinha? ––perguntou empolgada ––Minhas amigas estão disputando o lugar, mas você me defendeu aquele dia de Heidi e sempre esteve de olho em mim na escola, mesmo que não deixasse isso claro. Isso sem falar que foi uma das primeiras pessoas a saber sobre o Samuel.
––Aceito ––a abracei ––Claro que aceito ––Isso é tão importante, obrigada! ––abracei meu irmão também.
––Quer segurá-lo um pouco? ––mamãe veio com o bebê até mim.
––Quero sim ––confirmei, o pegando do colo dela com jeito.
––Nossa filha, nem sabia que você sabia segurar um bebê.
––Claro que eu sei ––minha mente voltou para Miguel e eu dei um sorriso triste, por ele não ter todo aquele aparato que meu sobrinho/afilhado estava tendo ainda no começo de sua vida.
––Tudo bem? ––ela me perguntou.
––Tudo ––respondi ––Hey Sam! ––voltei minha atenção para o bebê em meus braços ––Espero que você não seja tão ruim de matemática quanto eu!
**
Lucy tinha sido um sucesso, ela inventou de preparar um doce novo que fez os clientes adorarem. Papai ficou impressionado quantas pessoas compraram a nova sobremesa, pois sempre que um prato novo era colocado no menu ele tinha que fazer uma propaganda pesada para ele ser pedido imediatamente.
––Como conseguiu isso? ––perguntou para Lucy, no dia seguinte ao nascimento de Sam, ela, papai e eu estávamos juntos na lanchonete.
––Poder de persuasão tio ––ela falou, escrevendo a receita para ele em um papel ––Fiz pequenos copinhos para todos em amostra grátis, então quando as pessoas gostavam do doce pediam por mais ––entregou o papel para ele ––A calda de chocolate tem que ser quente, os pedaços de morango tem que ser ligeiramente grandes para o gosto não ficar tão doce já que tem caramelo envolvido.
––Sério, isso é muito bom! ––falei de boca cheia, experimentando o que ela tinha criado.
––Obrigada ––sorriu para mim.
––Sem chance alguma dos seus pais te deixarem vir trabalhar aqui? ––papai questionou para ela.
––É mais fácil eles pagarem para eu não vir ––ela fez uma careta triste ––Mas eu deixei a receita toda explicada ai ––apontou para o papel ––E ensinei o pessoal da cozinha a fazer, vocês vão conseguir sem mim.
––Você deveria virar chefe de cozinha ––eu disse depois de comer.
––Como se isso fosse possível ––Lucy riu.
––Tem certeza de que não quer tentar? Você cozinha muito bem, Lucy. Nem eu cozinho tão bem assim e olha que eu me acho muito ––papai pegou um pouco do doce para comer.
––Ontem eu me escondi na cozinha e mandei o pessoal servir os doces, foi fácil passar desapercebida, mas em algum momento isso chegaria aos ouvidos dos meus pais se eu continuasse aqui.
––E se você usasse a cozinha lá de casa? ––sugeri ––Tudo bem que não é tão grande quanto a daqui e que com o bebê indo lá para casa vai ficar menor ainda, mas pode ser um meio. Você podia aproveitar os dias que não temos treino de torcida e fazer uma quantia suficiente do doce para quando não fosse poder. Isso sem falar que eu tenho certeza absoluta que papai te daria um bom salário.
––Renesmee está certa ––papai concordou ––Mas basta você saber se quer isso, olha que eu realmente posso dar um bom salário e você não paga nada se quiser comer algo aqui.
––Isso é sério? Vocês realmente acham que eu tenho potencial para isso? ––questionou surpresa ––Porque eu inventei umas cem receitas nos últimos meses, de doces e salgados, a psicóloga disse que era um bom meio de ocupar minha memória ––falou a última parte para mim.
––Lucy, é o seguinte ––papai sorriu ––Rachel vai se formar logo mais na faculdade e vai ser uma bióloga, Emmett não tem jeito nenhum na cozinha e Renesmee definitivamente não quer ser a pessoa a tomar conta da lanchonete. Eu realmente preciso de alguém mais novo para tocar os negócios quando estiver velho e querendo passar mais tempo em casa do que aqui, você tem potencial para isso. É carismática, lida muito bem com o público, tem um senso incrível de negócios e com certeza cozinha muito bem.
––Está propondo que eu herde o lugar? ––ela deu um sorriso que eu nunca tinha visto, nem mesmo em seus melhores momentos.
––Em partes, quem sabe você desiste de advocacia, faz uma faculdade voltada para gastronomia e assume isso aqui depois de mim.
––Tudo bem ––Lucy sussurrou, parando para pensar ––Mas meus pais não podem descobrir de jeito nenhum. O pessoal que trabalha aqui pensou que eu estava fazendo um trabalho escolar cozinhando, como o senhor mesmo disse, então tem que pensar em algo para justificar as comidas que estão vindo de fora.
––Renesmee, alguma ideia? ––papai me perguntou.
––Vovô, ele fica em casa praticamente direto e o senhor aprendeu a cozinhar com ele ––falei ––Pode dizer para todo mundo que ele estava entediado e começou a cozinha muito, então você trouxe as coisas para cá.
––Rê, você está ficando rápida em pensar ––Lucy disse rindo.
––É um dom ––ri também.
––Então, você está contratada! ––papai exclamou contente para Lucy, que não se conteve em dar um gritinho animado.
**
Alexander dirigia cantando uma música qualquer, enquanto eu me distraía escrevendo em meu caderno. O livro ainda não estava pronto, ainda faltava revisar algumas partes e escrever outras, mas eu estava gostando bastante do resultado dele, mas por enquanto minha própria opinião era a única.
Por muitas vezes Alec tentou lê-lo, mas insisti que ele só tocaria naquilo quando estivesse finalizado, o que ainda levaria tempo. Ainda que já estivéssemos em Abril, cerca de um mês para a nossa formatura.
––Eu te amo! ––exclamei, fechando o caderno com força, olhando para meu namorado ––Te amo muito, amor ––continuei.
––Também te amo, mas por que isso de uma hora para outra e nesse tom desesperado? ––perguntou desconfiado.
––Só me deu muita vontade de falar ––forcei um sorriso, pois a verdade era que eu estava me declarando na tentativa de criar coragem de contar sobre as faculdades, mas nunca conseguia dizer.
––Tudo bem ––voltou a cantar e dirigir para sua casa, tínhamos acabado de sair do orfanato e iríamos almoçar com a sua família.
Entretanto, nosso almoço foi reduzido para apenas nós dois, pois Esme teve uma emergência no hospital. Carlisle tinha um almoço na casa dos Black e para ter companhia levou Cecília e Jane consigo.
Alexander ficou jogando videogame em seu quarto depois de comermos, enquanto eu procurava por uma música qualquer para ouvir. Acabei deixando tocar Lana Del Rey e quando me dei conta estava dançando ao som de alguma das músicas dela, de olhos fechados até que senti as mãos de Alec em minha cintura.
––Você é tão sexy ––beijou meu pescoço ––Eu te amo, sua maluca!
––Me leva para cama ––gemi quando sua língua percorreu um caminho perigoso em minha pele.
Imediatamente deitamos na cama dele, comigo por cima, já tirando sua roupa. Beijando seu corpo inteiro e depois de muitos meses tomando coragem para devolver o sexo oral que ele sempre fazia em mim, foi estranho no começo, mas acabou sendo tudo normal no final e eu ganhei um depois de dar.
––Sério, você tem cheiro de chocolate ––Alec sussurrou depois do que fizemos, queríamos muito continuar, mas precisávamos recuperar nossas forças primeiro.
––Alec ––comecei, mas não consegui concluir minha fala ––Eu te amo ––me enrosquei em seu corpo.
Aquilo foi o necessário para voltarmos a fazer sexo, a cada toque, cada beijo, cada gemido eu sentia mais ainda que estava perdendo Alec. O que foi péssimo para minha cabeça, mas que me fez ficar tão focada em fazer o melhor sexo de nossas vidas.
Alec adormeceu, enquanto eu afagava seu rosto. Beijei sua bochecha e tentei convencer a mim mesma que ele não me odiaria quando descobrisse que eu não iria com ele para Inglaterra.
**
Em uma sexta-feira sem jogo ou treino, Lucy e eu saímos da escola direto para minha casa, ela queria adiantar alguns doces para o fim de semana, já que tínhamos nossas obrigações com o grêmio pela manhã e uma festa a noite no dia seguinte. As comidas que ela fazia para a lanchonete estavam cada vez mais sendo pedidas e a garota estava cada vez mais animada com isso.
––Buster, para de me lamber ––Lucy sacudiu o pé enquanto meu cachorro teimava em ficar pulando nela ––Rê, já estou quase terminando, tira ele daqui.
Estávamos só nós duas em casa, papai estava no trabalho, vovô tinha ido com ele. Enquanto minha mãe foi com Rose, Emm e o pequeno Sam –que já tinha um mês de vida –para sua consulta rotineira com Esme, que tinha se prontificado em virar a pediatra dele assim que meu sobrinho nasceu.
––Buster, vem comigo ––chamei o cachorro para a sala, assim que cheguei lá ouvi a campainha tocar e fui logo atender ––Amor, eu não sabia que você vinha! ––pulei nos braços de Alec.
––Ness, eu fui aceito ––contou empolgado.
––Onde? ––minha animação evaporou imediatamente e me afastei dele.
––Cambridge, acabaram de me mandar o email avisando. Eles simplesmente adoraram meu currículo escolar, falaram até que morar nos Estados Unidos deve ter me ensinado muito e que eles contam comigo. Meus pais vão sair para jantar, temos que ir ––continuou sorrindo sem notar a expressão em meu rosto ––Mas antes você tem que checar seu email e ver a resposta deles. Estava pensando, podemos tentar ir para Inglaterra antes da formatura e procurar por um apartamento para ficarmos, algo pequeno, mas perto da faculdade...
––Alec, para ––o interrompi.
––Desculpa ––gargalhou ––Estou falando rápido demais, não é? Mas tem tanta coisa na minha cabeça. Precisamos achar um lugar que aceite cachorros também ––olhou para Buster em seus pés.
––Alexander, eu não vou para a Inglaterra ––contei, depois de guardar aquilo comigo por mais de dois meses.
––Você não foi aceita? ––o sorriso se desmanchou em seu rosto ––Podemos esperar até eles fazerem uma segunda chamada, alguém pode desistir. Nunca me contou qual curso era, se quiser eu posso pedir para meus pais falarem com alguém lá de dentro.
––Eu nunca me inscrevi para Cambridge ––murmurei.
––O quê? ––ele gritou.
––Eu nunca me inscrevi para faculdade nenhuma ––confessei.
––Como você pode ter feito isso comigo? ––perguntou abismado.
––Porque eu não queria ir ––fui sincera.
––Eu não te obrigaria a ir ––continuou me olhando com ódio, o ódio que eu sabia que ele sentiria por mim depois de tudo aquilo ––Só queria que no mínimo se inscrevesse, você nem mesmo tentou. Não tentou nada nem nos Estados Unidos!
––Eu não quero ir para faculdade alguma!
––E que tipo de futuro você pensa que vai ter? ––voltou a gritar.
––O que está acontecendo? ––Lucy apareceu na sala.
––Sua amiga está jogando a vida dela no lixo!
––Renesmee?
––Não vou para a faculdade ––comuniquei a ela, podendo ver imediatamente sua expressão de frustração.
––Você desistiu de ter uma carreira, desistiu de mim, mas o que mais me machuca é ver que você desistiu de si mesma ––Alec passou a mão pelo cabelo, de onde estava podia sentir toda a agonia pela qual ele passava.
––Eu não desisti coisa nenhuma, eu finalmente encontrei a mim mesma, você acha que faculdade e um namorado é o suficiente para uma pessoa? ––rebati ––Quais chances eu teria de ir com você para a Inglaterra? Era uma faculdade extremamente conceituada, cara e você ia cansar de mim.
––Nunca vou cansar de você, será que não entende que eu te amo? ––ele segurou em meus braços, mas nem chegou perto de me beijar ––Você mentiu para mim, você tomou suas decisões e nem pensou em me contar. Foi egoísmo da sua parte, Renesmee.
––Alec, se acalma ––Lucy pediu.
––Me acalmar? ––me soltou e virou para a loira ––Eu fiz você me odiar quando fiquei com Renesmee, eu coloquei tudo em jogo quando me apaixonei por ela, mas sua amiga nunca consegue pensar nos outros. Você sabe quantas vezes te procurei para me ajudar a pensar em uma forma de ficar com Renesmee depois da formatura, foi você que me convenceu a pedir que ela fosse comigo para a Inglaterra. E depois disse que ela estava inscrita em Cambridge.
––Você disse isso a ele? ––perguntei para Lucy.
––Eu pensei que você realmente fosse ––ela suspirou ––Era para você ir, você sempre fez de tudo para me ver bem, eu queria te ver bem. Eu te inscrevi em Cambridge, quando percebi que você não tinha feito isso, te conheço o suficiente para notar o quanto esteve nervosa e inquieta nos últimos meses. Sabia que não iria se inscrever e sempre se desviava de qualquer assunto que envolvesse faculdade.
––Não, não é possível que fez isso! ––foi minha vez de gritar para valer ––Eu sou a porra da sua melhor amiga e você agiu pelas minhas costas ––acusei.
––Igual quando você ficou com Alexander sem me contar? Aquilo também não foi nada legal ––Lucy também ficou com raiva ––Eu te amo Renesmee, já tive essa conversa com você antes, sabe que eu nunca deixaria você se sabotar mais ainda.
––Eu não estou me sabotando, só não quero ir para a merda de uma universidade.
––Você não pode fazer isso ––Lucy bufou ––É seu futuro.
––Meu futuro, minhas escolhas. Não suas! Chega de ficar sempre em segundo lugar, eu estou na frente da minha própria vida e gosto disso.
––Então não tem mais lugar para mim na sua vida, se cuida ––Alec me olhou uma última vez e saiu da minha casa, batendo a porta com força.
––Era isso que você queria? ––comecei a chorar ––Você deu um jeito de arruinar tudo para mim só porque eu fiquei com seu ex? Pensei que fosse alguém maior do que isso. Pensei que era minha melhor amiga e que eu podia confiar em você.
––Não, você não está dizendo isso ––Lucy me olhou horrorizada ––Eu nunca daria o troco em você por ter ficado com Alexander.
––É o que parece que fez!
––Não, isso é a porra da sua mente dando um jeito de me tirar da sua vida, porque estamos a um mês da formatura e vamos nos afastar. Mas, para sua informação eu também tomei a liberdade de te inscrever na faculdade de Los Angeles, para onde eu realmente quero ir, eu estava torcendo para você não ir com Alec e ir comigo. Porque você é a única pessoa no mundo de quem eu não desistiria!
––Lucy...
––Porque você nunca desistiu de mim! ––ela completou sem fôlego.
––Ei, que gritaria é essa? Dá para ouvir de longe ––papai e mamãe entraram em casa, seguidos de Emm, Rose, o bebê e meu avô.
––Os doces estão na cozinha ––Lucy sussurrou, saindo da minha casa também.
––Lá para cima, agora! ––mamãe ordenou ––Edward, vem ––o chamou.
Entramos em meu quarto, ela trancou a porta e me olhou de forma assustadora. Papai já sabia, eu tinha certeza disso, ele me olhava com piedade e dava um pequeno sorriso em minha direção.
––Eu não vou para nenhuma faculdade ––contei ––Vou me mudar para algum lugar e trabalhar, só não quero me tornar alguém que precisa de um diploma para provar algo. Além do mais, tem muitos lugares que quero conhecer e eu estou escrevendo, só quero ser uma escritora.
––Você pode contar comigo ––papai me abraçou, beijando o topo da minha cabeça ––Já estive em seu lugar, já deixei faculdade de lado para investir em meus sonhos, então invista nos seus, Eufrazino.
––Por favor, promete que não vai deixar de mandar noticias ––mamãe falou chorando ––Eu não quero te perder, filha.
––Não, não vai me perder ––fui abraçá-la ––Prometo que sempre vou voltar para casa.
––Tem algum lugar em mente? ––papai me perguntou.
––África ou Àsia, mas no momento não consigo pensar nisso ––suspirei ––Alexander e Lucy me odeiam.
––Eles só precisam entender suas escolhas ––mamãe me reconfortou.
**
Eu definitivamente não queria ir para a festa no dia seguinte, nem mesmo fui para a reunião do Grêmio, mas Bia e Alice não entenderam isso. Simplesmente chegaram a minha casa, me obrigaram a ficar pronta e me levaram para a festa.
Quando perguntei por Lucy, elas apenas disseram que Riley estava com ela. Quando perguntei por Alec, elas apenas disseram que Riley também estava com ele e eu não entendi absolutamente nada.
A festa foi uma merda, Alice encheu a cara e foi se divertir com um cara, Bia não desgrudou de Will e Demetri que estava por lá –sem Gabriella que estava doente –parecia ter muito o que beber e conversar com seus colegas do jornal. Então eu passei a festa inteira com o mesmo copo de bebida em mãos, checando meu maldito celular para ver se Lucy ou Alec tinham me desculpado.
Nada.
Nada.
Simplesmente nada.
––Vizinha, vai querer uma carona? ––Demetri se aproximou de mim, roubando o copo da minha mão e bebendo o conteúdo dela.
––Quero sim, essa festa já cansou ––aceitei, descendo do balcão onde estava sentada ––Falou com a Gabs?
––Sim, ela ainda está com muita tosse ––ele me conduziu para fora da casa de Caius –Mas a voz dela está com um tom sexy graças ao fato dela estar entupida ––Demetri comentou, me fazendo gargalhar.
––Renesmee! ––Alice saiu correndo de dentro da casa atrás de mim ––Ai que bom que te encontrei ––pareceu aliviada.
––O que foi? ––perguntei.
––Posso dormir na sua casa? ––indagou ––Não quero que vovô e vovó me vejam bêbada ––falou, revirando os olhos.
––Claro que pode ––concordei ––Vamos no seu carro?
––Sim ––assentiu ––Não quero deixá-lo aqui para algum idiota o arranhar ou algo assim –Alice pegou a chaves de dentro da pequena bolsa que estava em suas mãos ––Vai com a gente Demetri? ––perguntou para o loiro apoiado em meus ombros.
––Não ––ele balançou a cabeça ––Tô com o carro da minha mãe, se eu não levá-lo de volta ela me mata e meu padrasto também ––respondeu ––Vejo vocês depois meninas ––fez uma reverência e beijou a mão de cada uma.
––Quero sair com você amanhã ––o abracei por um instante ––Como nos velhos tempos, só nós dois ––deixei bem claro, colocando autoridade na minha voz.
––Sim senhora ––Demetri concordou com um largo sorriso ––Amanhã passo na sua casa para te pegar. Baixinha? ––chamou por Alice.
––Oi?
––Você está muito gostosa hoje ––falou para ela.
––Cala a boca, Demetri! ––ela bateu no braço dele, mas riu.
––Tchau para vocês meninas ––ele saiu na direção do seu carro e fomos na direção do da minha prima.
Nós duas deixamos a frente da casa de Caius, logo depois de Demetri sair cantando pneu no carro da frente. Boa parte do caminho se deu comigo reclamando o quanto estava irritada com Alexander, por ele ter sido um idiota comigo por achar que estava no direito de escolher o meu futuro.
––Ness, Alec só não quer se separar de você, é por isso que ele quer que você vá para a mesma faculdade que ele ––Alice comentou.
––Mas ele quer que eu vá para a Inglaterra, não quero ir para lá ––bufei ––Quero um lugar menos comum, mas interessante, algo novo ––continuei irritada, senti uma lágrima em meu rosto e tratei de limpá-la.
––Calma ––Alice pediu, afagando meu braço ––Vocês vão se entender, formam um casal perfeito.
––Mas ele não entende––fechei os olhos por um instante, os abrindo quando ouvi meu celular anunciar uma mensagem, rapidamente a abri e vi que era de Alec.
“Desculpa! Eu te amo! Eu sempre vou te amar, Renesmee! Fui um estúpido babaca ontem com você, mas eu estava triste. Quero muito conversar, não sei se vamos nos acertar, mas quero que seja algo no mínimo sem brigas. Lucy também quer, nós dois passamos o dia na fossa e ela está tão péssima quanto eu. Estou indo te pegar na sua casa, vamos para a praia? Por favor, eu te amo!”
Antes que eu pudesse processar aquilo, tudo aconteceu muito rápido. O carro de Alice parou no sinal vermelho, mas o da mãe de Demetri ultrapassou e em questão de milésimos o mesmo foi atingindo por outro carro que estava em alta velocidade, vindo de outra direção.
Não era como nos filmes, nem como nos livros. A ficção podia ser bem triste, mas a realidade chegava a ser bem pior. O carro em que meu amigo estava foi atingido, bem do lado onde ele estava, depois atirado a metros de distância, o grito que Alice deu foi agudo, mas a minha cabeça fazia um barulho muito pior.
Eu não consegui gritar, mas minha mente resolveu se despertar e trabalhar a uma velocidade incrível. Era a adrenalina tomando conta do meu corpo.
Consegui me lembrar de coisas que normalmente não lembraria, como Demetri criança, brincando na praia comigo. Ele sempre conseguia fazer os melhores e maiores castelos, enquanto eu ficava frustrada por não conseguir.
Me lembrei de quando roubamos bebida do padrasto dele e bebemos escondidos no meu quarto, tínhamos apenas treze anos e passamos muito mal, mas para não deixarmos ninguém descobrir e acabarmos encrencados, um cuidou do outro. Eu consegui me lembrar de muita coisa de nossas vidas, durante um pequeno espaço de tempo.
Demetri era o garoto branco demais, com o cabelo loiro de dar inveja a qualquer garota, olho azulado e um sorriso amigável. Sim, amigável, ele era meu melhor amigo.
E meu melhor amigo tinha se envolvido em um grave acidente de carro.
––Não, Demetri! ––gritei, saindo do carro correndo.
Tentei me aproximar do carro onde ele estava, mas simplesmente não consegui, nem mesmo pegava fogo, só que eu não precisei. O corpo dele tinha sido jogado para fora e estava caído perto do mesmo, Demetri estava morto, eu tinha perdido meu melhor amigo, eu tinha perdido mais alguém, eu devia ter ido naquele carro com ele e morrido também.
Fale com o autor