Teenage Dream

29 Capítulo Vinte e Oito- Amigo


Notas iniciais
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Capítulo Vinte e Oito- Amigo

“Amigo estou aqui
Amigo estou aqui
Os seus problemas são meus também
E isso eu faço por você e mais ninguém
O que eu quero é ver o seu bem
Amigo estou aqui
Amigo estou aqui”- Amigo Estou Aqui, Toy Story/Disney

O silêncio em meu quarto só era interrompido pelas ocasionais entradas da minha mãe ali, ela tocava em meu rosto, perguntava como eu estava e depois de receber um aceno de cabeça positivo partido de mim, deixava o lugar. Eu não queria sair dali, estava me sentindo tão mal e imprestável que só imaginar ir para qualquer outro cômodo da casa me dava vontade de chorar.

Eu ainda não tinha chorado, mesmo que tivesse certeza de que isso ajudaria e muito a dor que eu sentia a passar, mas eu simplesmente não conseguia fazer as lágrimas deslizarem por meu rosto. Sabia que ainda estava em choque e meus pais tentaram falar comigo sobre isso, mas eu não dei ouvidos. Ficar deitada em minha cama, encolhida e no escuro era muito mais reconfortante do que ficar ouvindo qualquer outra pessoa tentar me consolar.

Logo após o acidente, a polícia e ambulâncias chegaram. O motorista do outro carro era um desconhecido para mim, nem mesmo devia ser da cidade, ele também morreu com o impacto. Minha prima e eu éramos as únicas pessoas ali, fora os moradores que saíram de suas casas depois do acidente, como éramos as testemunhas, tivemos que ir para a delegacia, o que não me ajudou em nada.

Como Alice tinha bebido, eu menti e disse que estava dirigindo o carro dela, conseguindo livrá-la de uma boa encrenca com nosso avô que era o delegado da cidade. Depois de ouvirem nossos depoimentos fomos para casa, meus pais estavam tão chocados que nem mesmo me perguntaram nada durante a noite, apenas me deixaram ir para o quarto dormir.

Só que eu não dormi, eu não dormia desde a briga que tive com Lucy e Alec e ver o acidente esvaiu de mim tudo. Simplesmente não tinha vontade de fazer mais nada, nem mesmo respirar.

––Filha ––mamãe entrou no quarto ––Alexander está lá embaixo, ele quer subir para vê-la ––comentou.

––Não quero ver ninguém ––murmurei, notando o quanto minha voz estava rouca.

––Querida, ele é seu namorado ––disse, mas eu nem levantei meu rosto para ela, provavelmente minha reação apática deve tê-la convencido que eu queria ficar sozinha, pois logo ouvir a porta se fechar.

Sentei na cama, mas sem tirar a coberta de cima de mim, era como se aquele pedaço de pano pudesse me proteger do caos que tinha acontecido na madrugada. Fiquei encarando o mural de fotos na parede ao lado, a maioria ali tinham sido tiradas por aquele que agora estava morto e pensar naquilo era angustiante.

A porta se abriu e eu estava pronta para pedir que mamãe me deixasse sozinha, mas fui surpreendida por uma garota loira no lugar dela. Lucy estava usando um gigantesco óculos de Sol, mas seu nariz estava vermelho e os lábios tremiam.

––Eu disse para mamãe que não queria ver ninguém ––sussurrei.

Ela não disse nada, o que me surpreendeu ainda mais, Lucy apenas arrancou o óculos de seu rosto –o deixando cair no chão –e correu para a cama comigo. Os olhos vermelhos dela foram a última coisa que vi antes de nos abraçarmos e foi ali que finalmente chorei.

Não era só eu quem estava sofrendo pela morte de Demetri, Lucy também estava, os outros também deviam estar. A dor não era só minha e ali, chorando no colo dela, eu me dei conta de o quanto a vida é repleta de surpresas.

Em um dia, Demetri estava vivo, rindo e fazendo tudo que sempre costumava fazer. No outro dia ele não estava mais vivo, sua risada tinha sido apagada e ele não podia fazer mais nada.

Era cruel e aquilo me fez chorar para valer. Chorar nos braços de Lucy, que eu pensei que nunca me perdoaria de fato, mas ela ter ido até mim naquele momento tão difícil me mostrou que no mínimo ainda se importava comigo.

––Lucy, ele está morto!

––Eu sinto muito Renesmee, Demetri não merecia isso e você não devia ter visto tudo –ela tocou em meu rosto, tentando limpar minhas lágrimas ––Estou aqui para cuidar de você, tudo bem? Prometo que não vou sair do seu lado!

––Obrigada Lu ––a abracei com força ––Por favor, não morre. Por favor ––implorei.

––Renesmee, você precisa ser forte agora ––ela fez com que eu a olhasse ––Não por mim ou por qualquer outra pessoa, apenas por você mesma e pela memória do Demetri amiga ––beijou o topo da minha cabeça ––Imagino o quanto está doendo em você mais do que em mim, mas precisa suportar pelo seu próprio bem.

––Tudo bem ––concordei, ainda que estivesse chorando ––O que eu tenho que fazer agora?

––Tomar um banho, tirar esse vestido apertado, colocar roupas confortáveis e comer algo ––orientou.

Fui tomar o banho, me troquei e estava deixando Lucy pentear meu cabelo quando tomei coragem para perguntar:

––Você ainda está com raiva de mim pelo que disse outro dia?

––Eu te perdoo por tudo ––ela ficou de frente para mim ––O que aconteceu com Demetri me fez perceber o quanto fui idiota criando confusão por problemas pequenos ––segurou em minhas mãos ––A vida é curta demais para ficar de birra por algo com sua melhor amiga, você é uma das poucas pessoas que sempre estiveram ao meu lado, não quero afastá-la. Espero que também me perdoe por todos meus erros.

––Perdoo ––assenti ––E se quiser vou com você para Los Angeles, já perdi meu melhor amigo, não quero perder minha melhor amiga.

––Não, nem pensar ––Lucy negou ––Você vai viver sua vida como quer ––voltou a pentear meu cabelo ––Pronto ––terminou.

––Eu estou sem fome ––murmurei.

––Lamento muito, mas não pode ir para o velório sem nada no estômago.

––Vai ser hoje mesmo? Pensei que só seria amanhã ––suspirei.

––Sim, o enterro vai ser de tarde, o padrasto dele não quer esperar até amanhã e a mãe dele está tão mal que não conseguiu interferir nisso ––saímos do meu quarto de mãos dadas.

––O padrasto dele que deveria ter morrido ––resmunguei ––Buster, oi meu cão ––acenei para o cachorro que nos seguia até a escada.

No fim da mesma, Alexander estava sentado no último degrau, com a cabeça encostada nos joelhos. Seu corpo estava tremendo e imediatamente soube que ele estava chorando, olhei em desespero para Lucy e ela terminou de me ajudar a descer.

––Amor, olha para mim ––pedi ficando na frente de Alec, que chorou ainda mais ao ouvir minha voz.

––Alec, fala algo ––Lucy pediu sentando ao lado dele na escada, afagando suas costas.

––Ei, me deixe ver seus olhos ––implorei, tocando em seu cabelo.

Alec levantou o rosto, revelando seus olhos azuis avermelhados por conta do choro, assim como o nariz. Seu lábio inferior tremia e ele estava com as mãos tão fechadas que podia sentir o nó de seus dedos doendo.

––Me desculpa, por favor ––ele pediu ––Seus pais me falaram que contou na delegacia que iria vir para casa com Demetri, eu não aguentaria te perder, e ele era meu amigo também. Vocês todos me acolheram tão bem quando vim para cá e eu fui um babaca muitas vezes.

––Oh meu Deus, você ia voltar com o Demetri? ––Lucy indagou chocada com a revelação.

––Ia ––assenti, me enfiando nos braços de Alexander.

––Eu te amo ––seus braços me envolveram, quase como se eu pudesse quebrar a qualquer momento.

––Renesmee, comida ––Lucy lembrou, então deixei com que os dois fossem me entupir de alimentos.

Meus pais e o resto da minha família estavam na cozinha, mas não falaram nada, foi o pior café da manhã da minha vida. Eu quis muito voltar para minha cama, mas Lucy disse que eu devia me aprontar para o velório e enterro, então fui, sempre me apoiando nela para conseguir me manter de pé.

As lágrimas não paravam de aparecer em meu rosto desde que Lucy entrou no meu quarto naquele dia, estavam tão fixas quanto a imagem de Demetri morto a poucos metros de distância de mim. Eu queria gritar de frustração, mas sabia que aquilo não iria trazê-lo de volta, então chorava mais ainda.

A igreja estava lotada e eu não sabia se era por ser domingo, ou por que todos que um dia conheceram Demetri quiseram estar ali. Sentei com meus amigos no segundo banco, atrás da mãe dele, que chorava desesperadamente.

Lucy e Alec estavam ao meu lado, cada um segurando em minha mão. Eu tinha minha cabeça apoiada no ombro da minha melhor amiga e meu namorado –por que eu me recusava a pensar nele de outra forma –depositava afagos em meu rosto.

Quando o padre começou a falar, meu choro conseguiu soar mais alto do que o da própria mãe de Demetri. Eu estava com os olhos fixos no caixão fechado, sem conseguir realmente acreditar que meu melhor amigo estava lá dentro, morto.

Ainda me lembrava do abraço que demos antes de sairmos da festa, de como ele estava alegre, de nós dois prometendo que sairíamos juntos no dia seguinte. Quando roubamos a bandeira dos Volturi, quando fomos ao baile juntos, quando eu o beijei, estava tudo em minha mente e eu só queria revê-lo e dizer que o amava demais para perdê-lo.

––Eu não estou me sentindo bem ––murmurei, sentindo que a qualquer momento poderia desmaiar.

––Leva ela para tomar um pouco de ar ––Alec disse para Lucy ––Vou procurar minha mãe ––minha amiga concordou e me levou para fora da igreja quente, me sentou em um banco e ficou abanando meu rosto com as mãos, meus pais só não me seguiram pois estavam com a mãe de Demetri.

––Filha, você está gelada ––ouvi a voz de Esme, depois a focalizei entre minhas lágrimas.

––Ei Esme ––disse seu nome, chorando mais ainda ao lembrar que ela tinha perdido um filho e apesar de Demetri ser meu amigo, eu tinha o visto crescer e era extremamente ligada ao mesmo ––Isso dói muito ––sussurrei.

––Eu sei, meu bem ––se ajoelhou diante de mim, passando a mão por meu rosto e checando minha pulsação ––Preciso que se concentre em sua respiração, respire com calma e feche os olhos.

Atendi o pedido dela e comecei a inspirar e expirar com mais calma, os olhos fechados, mas ainda sentia que a qualquer momento eu poderia simplesmente desmaiar. Percebi Alec sentar ao meu lado e me concentrei no cheiro do seu perfume e na sua mão agarrada a minha, foquei em lembrar de nós dois em momentos divertidos, tentando manter minha mente mais tranquila e aos poucos foi dando certo.

––Muito melhor ––Esme disse baixo, soltando gentilmente meu pulso e eu abri os olhos.

––Aqui ––Lucy me estendeu um copo de água gelado, que eu bebi praticamente em um gole só.

––Não é melhor ir para casa, querida? Você está muito pálida ––Esme disse preocupada.

––Eu tenho que ir ao enterro ––afirmei.

––Pelo menos passe o resto da missa aqui ––ela pediu, beijando minha testa ––Vou voltar lá para dentro, fiquem aqui com ela e qualquer coisa me chamem.

––Esme? ––a chamei antes que se afastasse ––Obrigada.

––Não por isso ––deu um pequeno sorriso e voltou para a igreja.

O silêncio se instaurou entre Alexander, Lucy e eu. Fiquei apenas olhando meu reflexo destruído no carro a minha frente, os outros dois estavam tão péssimos quanto eu, assim como qualquer outro amigo próximo de Demetri.

––Onde está a Gabs? ––indaguei ––Por que ela não veio?

––Ela está doente e achou que pioraria muito se viesse ––Lucy respondeu ––Mas a mãe está com ela e disse que na medida do possível está bem.

Voltamos a ficar em silêncio, até que o cortejo que seguiria até o cemitério na rua de trás saiu da igreja. Eu ainda estava muito fraca, então deixei com que Alexander sustentasse a maior parte do meu corpo, Lucy estava ao meu lado, atenta caso eu passasse mal de novo.

O Sol estava forte demais aquele dia, mas o lugar onde Demetri seria enterrado era debaixo de uma árvore. Alec nos posicionou na sombra e vi nossos amigos nos cercando, Alice ainda parecia em estado de choque como estava desde o acidente, Jacob precisava sustentá-la como Alec fazia comigo. Bia estava com o rosto lavado em lágrimas e completamente vermelho, agarrada a Will, que tinha uma expressão desolada.

Riley imediatamente foi para o lado de Lucy, sussurrando algo em seu ouvido, a olhando de um jeito tão carinhoso que eu nunca tinha visto em seus olhos. Ela então o abraçou e sussurrou de volta no ouvido do namorado, voltando a chorar em seus braços.

Mamãe e papai ainda estavam com a mãe de Demetri, já que o marido imprestável dela nem mesmo conseguia consolar a esposa, minha maior vontade era que ele estivesse morto, não meu melhor amigo. Alec seguiu meu olhar e fez com que eu apoiasse minha cabeça em seu peito para não ver mais nada, o que foi bom, até que o processo de colocar o caixão debaixo da terra começou.

Meu choro cessou quando o caixão foi colocado lá em baixo e eu sabia que estava paralisada, aos poucos fui conseguindo sentir de novo, principalmente as mãos de Alec em meus ombros. As pessoas estavam colocando flores para Demetri, mas eu fugi daquilo e tirei uma foto nossa do nosso bolso.

Era uma foto de nós dois qualquer, sem um dia especifico, apenas mais uma tarde na praia em Sun West. A coloquei perto do seu caixão, depois de beijá-la e sussurrar que eu o amava demais, então voltei para os braços de Alec e recomecei a chorar.

Me recusei a sair de perto do tumulo, mesmo depois de todos irem embora, meus pais tentaram me convencer, Lucy e Alec, mas eu queria algum tempo ali. Depois de muita insistência papai me deu dez minutos sozinha, então voltaria para me buscar.

––Albino, por que você fez isso comigo? ––perguntei confusa ––Eu não sei como eu vou conseguir suportar ficar sem meu melhor amigo. Sabe, eu tinha planos em te arrastar comigo para as minhas viagens, nós rodaríamos o mundo e seriamos invencíveis.

Meu choro se tornou algo incontrolável e me deixei sentar debaixo da árvore, ainda encarando o lugar onde ele tinha sido enterrado. Ouvi passos e ao olhar para trás vi Gabriella, ela de longe parecia tão ruim quanto eu.

––Oi ––sentou ao meu lado, agarrada a uma pulseira que tinha uma câmera fotográfica como pingente.

––Sinto muito ––a abracei, deixando que meu choro se misturasse ao dela.

––Ele disse algo sobre mim antes de morrer? ––perguntou aos prantos.

––Disse que achava sua voz de gripada sexy ––respondi e rimos juntas, em meio ao choro ––Mas os olhos dele estavam brilhando quando falaram de você ––a olhei ––Demetri era apaixonado por você, Gabs.

––Eu vou sentir tanta falta dele ––soluçou ––Não consigo acreditar, Ness. Ele esteve ao meu lado desde meu primeiro dia na cidade, me ensinou a fotografar, fez tanto por mim, eu...

––Eu entendo sua dor, conhecia Demetri desde que era uma criança, não sei o que é viver em um mundo sem ele.

––Pode contar comigo para o que precisar, Renesmee.

––Pode contar comigo também ––desviei meu olhar para o tumulo ––Ele algum dia disse se eu era uma péssima amiga?

––Não, nunca! Você era uma das pessoas preferidas dele no mundo, Demetri nunca te achou alguém mal.

––O coração dele era tão grande ––apertei meus lábios.

––Ele estava tão feliz quando falou comigo ontem a noite ––Gabs comentou ––Estava ansioso com o resultado da faculdade, estava ansioso com o futuro dele.

––Não consigo mais ficar aqui, me desculpa ––me levantei ––Você era a namorada dele e está sofrendo muito, eu sou uma péssima companhia, estou tão morta quanto ele por dentro.

––Não tenho certeza se minha dor é tão grande quanto a sua, mas te compreendo ––Gabs respirou fundo tentando controlar o choro ––Acho que no momento ficar sozinha não é a melhor escolha para nenhuma de nós duas ––disse.

Estendi minha mão para Gabriella, ela a segurou e saímos juntas do cemitério. Abraçadas e compartilhando aquela maldita dor de termos perdido Demetri.

Nossos amigos quiseram ir para a lanchonete de papai, com o intuito de relaxarem depois daquele longo dia. Então lá estávamos nós, usando roupas pretas, encolhidos e com rostos manchados de choro.

––O que vai querer, Nessie? ––Leah perguntou para mim, deixando minha escolha por último, uma vez que eu estava lendo todo o cardápio, como se não o conhecesse de trás para frente.

––Hambúrguer triplo, com muito queijo e bacon. Coca-cola para acompanhar e uma porção gigante de batata frita ––respondi, sentindo todos me encararem por eu ter pedido algo que envolvesse carne, uma vez que eu era vegetariana a cada mês mais rígida com o que eu comia.

––Carne? ––Riley indagou por todos.

––Era a comida preferida do Albino ––respondi.

––Então acho que todos vamos pedir isso, em homenagem a ele ––Will se pronunciou em nome do grupo.

Ninguém disse uma palavra até que nossos pedidos chegassem, estavam concentrados em seus próprios pensamentos, o que eu sabia que cada um precisava pelo menos naquele momento. Quando meu hambúrguer foi colocado a minha frente, eu sorri ao lembrar de Demetri o comendo até passar mal, mas sempre alegando o quanto aquilo o deixava feliz, então dei a primeira mordida.

––Eu tinha esquecido o quanto carne é gostosa! ––exclamei ––Caralho, isso é muito bom ––dei mais uma mordida.

––Amiga, devagar ––Lucy pediu.

––Não quero mais ser vegetariana, não mesmo ––me deliciei mais um pouco com a carne ––Dane-se o mundo, eu quero ser carnívora para sempre! ––frisei, fazendo com que todos rissem ––Bem que Demetri disse que eu não demoraria muito até me dar conta disso, maldito Albino, mesmo morto consegue ter razão ––bufei, sentindo as lágrimas em meus olhos.

Passamos o resto do dia na lanchonete, conversando sobre Demetri, sobre carne, sobre vegetarianismo e sobre o casamento de Bia e Will que se aproximava. Vez ou outra Gabs e eu tínhamos um ataque de choro, os outros, mesmo com dor pela perda rapidamente nos consolavam.

Naquela noite Lucy dormiu na minha casa, não se importando em dividir a cama comigo depois de falarmos com minha irmã pelo Skype. Rachel se desculpou milhares de vezes por não ter estado ao meu lado naquele dia, mas eu não podia exigir isso dela, ela tinha sua própria vida a seguir e eu passei o dia cercada de pessoas dispostas a me ajudarem.

Lucy teve que ir embora pela manhã na segunda, mesmo que não fossemos ter aula por três dias por conta do luto declarado pela escola, mas ela disse que precisava encontrar com Riley para resolver algo. Papai tinha ido trabalhar, Emmett também e meu avô tinha ido com eles, pois gostava de tomar café na lanchonete e ficar olhando a praia, o que eu com certeza tinha herdado dele.

Rosalie estava cuidado do bebê, com a ajuda de mamãe, a garota estava tendo aulas em casa para não perder o ano e aparentemente ela conseguiria se formar junto comigo. Seu pai tinha aparecido uma vez depois de Sam nascer, mas apenas para avisar que ele e a esposa estavam se mudando para Los Angeles.

Naquela manhã, eu estava sentada no balanço da minha casa, com Buster correndo pelo jardim da frente enquanto o observava, vez ou outra meus olhos recaiam sobre a casa de Demetri e eu sentia o choro voltar a me atormentar. Estava encolhida no balanço, quando vi o carro de Alec parar a minha frente e ele saiu segurando uma caixa de bombons de chocolate.

––Oi ––sentou ao meu lado.

––Oi.

––Trouxe para você ––me entregou a caixa de bombons, que eu imediatamente comecei a comer, porque melhor do que carne só mesmo chocolate ––Conseguiu dormir?

––Sim, acho que Lucy me passou a calma que eu precisava e eu estava exausta ––afastei o cabelo do meu rosto ––E você?

––Noite inteira acordado ––pegou um chocolate.

––Vem ––me levantei, o fazendo se levantar.

––Para onde? ––perguntou confuso.

––Só vem ––segurei mais forte em sua mão ––Buster, para dentro ––chamei por meu cachorro, que por sorte me obedeceu e entrou.

Segui com Alexander para meu quarto e o fiz deitar em minha cama, para então me aconchegar em seus braços, enquanto dividíamos a caixa de bombons. Eu não estava chorando naquele momento, o que era um milagre, mas meu coração estava doendo muito, demais, quase impossível de suportar.

––Como você conseguiu viver depois da morte do Matthew?

––No começo é pior ––se virou para me olhar ––Ficamos sem direção e querendo entender porque aquela pessoa que tanto amávamos simplesmente não resistiram por nós, então percebemos que elas precisavam simplesmente ir. Aos poucos essa dor insana dá lugar a raiva, depois saudade e no final você se vê convencido.

––Eu estou com tudo isso em minha mente agora mesmo.

––Porque você é uma escritora ––Alec murmurou, olhando no fundo dos meus olhos ––Já lhe falei isso antes, você sente demais, suas emoções são multiplicadas, porque é uma artista.

––Essa dor, ela sempre vai ser tão nauseante? Ou algum dia eu vou conseguir suportá-la.

––Vai suportar, vai doer ainda, mas você conseguirá se controlar ––afirmou, apenas assenti, continuando com meu olhar fixo nos seus ––Leu a mensagem que te mandei no dia da festa?

––Li.

––O que acha?

––Que você fica muito fofo pedindo por favor ––sorri ––Onde estava quando o acidente aconteceu?

––Chegando a sua casa, esperando com Lucy que você pudesse nos desculpar. Quando chegamos aqui seus pais foram informados e saíram para te ver, eu quis ir, Lucy também, mas estavam com medo de como reagiria.

––Eu ia responder a mensagem ––toquei no lugar onde a barba dele crescia ––Eu queria muito tê-la respondido, mas quando olhei para cima o acidente ocorreu.

––Você pode responder agora ––Alec beijou minha mão.

Peguei meu celular na mesinha e sem que ele visse digitei a resposta para sua mensagem:

“Me desculpe também! Eu te amo! Eu sempre vou te amar, Alexander! Fomos estúpidos e babacas juntos, mas estávamos quebrados e tristes, eu consigo entender. Nós vamos nos acertar, promete? Eu também quero muito estar com você no mínimo sem brigas. Obrigada por ter cuidado da Lucy enquanto ela estava mal, odeio a ver assim, ainda mais agora. Eu queria que tivéssemos nos encontrado na minha casa e ido até a praia, eu queria que nada que tivesse acontecido naquele dia tivesse sido realmente verdade.

Eu perdi três pessoas naquele dia, Lucy, Demetri e você. Minha melhor amiga já me perdoou, Demetri de certa forma ainda está vivo dentro de mim, mas e quanto a você? Eu te recuperei? Porque odiaria perde você para sempre, meu inglês preferido.

Eu te amo, por favor, me ame de volta!”

“Viu? Você é uma escritora!”

Sorri rapidamente com as palavras dele, para então voltar a ficar séria.

––Era muito sério quando escrevi que sempre vou te amar ––depositou um beijo no canto da minha boca ––Mas vou entender se achar melhor que nos afastemos agora porque eu vou embora logo mais.

––Não quero te perder ––enfiei meu rosto em seu peito ––Sei que vamos nos afastar, mas eu não quero que a gente termine magoados um com o outro. Eu sei que vai doer mais ainda se esperarmos até a formatura para terminarmos, mas eu não quero fazer isso agora, ainda temos alguns dias até isso.

––Eu vou estar ao seu lado em cada um desses dias ––me beijou, o que nos levou a fazer sexo pela primeira vez em meu quarto.

Enquanto Alec dormia na minha cama, depois de termos nos entregado um para o outro mais uma vez, eu sentei ao seu lado para escrever. Foram horas focada nas páginas do meu livro, até que eu o terminasse por fim.

Mais um item riscado. Mais um item a menos para a formatura. Mais um passo para o futuro.

**

Duas semanas antes da nossa formatura, eu estava sem fazer nada em um sábado à tarde em casa, apenas olhando de longe minha cunhada se virar com o bebê. Rosalie era apaixonada pelo filho, isso era inegável e eu admirava toda a garra que tinha tido para tê-lo.

––Oi amiga, oi Rose, oi bebê da Rose ––Lucy entrou em minha casa.

––O que está fazendo aqui? ––perguntei confusa ––Pensei que iria sair com Riley.

––E vou, mas vou sair com você e Alec também ––respondeu, me puxando do sofá.

––Alec está arrumando alguns documentos para a Universidade.

––No momento ele está no carro ai da frente com meu namorado e temos que ir logo.

––Para onde?

––É o seguinte, Rosalie, promete não contar isso que vai ouvir para ninguém ––pediu para Rose.

––Tudo bem, vou guardar o segredo de vocês, você também né filho? ––perguntou para o bebê em seu colo.

––Ótimo ––Lucy sorriu largamente ––Então, nós vamos ir fazer tatuagens! ––exclamou para mim.

––O quê?

––Olha, eu sei que você estava combinando de fazer a tatuagem com o Demetri há meses, mas ainda não tinham tido coragem. Sei também que eu não sou ele e que não posso cobrir a falta que ele faz na sua vida, mas eu espero que aceite fazer isso comigo––ela sorriu nervosa.

––Claro que aceito ––a abracei, sentindo vontade de chorar pela menção de Demetri e pelo o que ela estava fazendo por mim, mas me contive, não aguentando mais me debulhar em lágrimas todo dia ––Mas e seus pais? Eles vão surtar quando descobrirem.

––Não importa ––deu de ombros ––Vamos logo ––segurou em meu braço ––Tchau Rose, tchau bebê da Rose.

Lucy e eu entramos no carro de Riley estacionado na frente da minha casa, ela no banco do carona e eu no de trás, onde meu namorado estava. Imediatamente o beijei, adorando a sensação de ter seus lábios nos meus.

––Ei, sem sexo no meu carro ––Riley buzinou para nós, fazendo com que nos afastássemos.

––Então, como vamos fazer tatuagens se ainda somos menores de idade? ––ignorei Riley e perguntei diretamente para Lucy.

––Riley tem um primo que é dono de um estúdio de tatuagem na cidade vizinha, vamos para lá ––ela respondeu com o namorado já dirigindo.

––Tem certeza de que quer fazer uma tatuagem? ––Alec me perguntou.

––Sim ––confirmei ––Está na lista, vou cumprir. Falando na lista, eu defini meu livro, filme e música preferidos.

––Ah, você precisa contar para a gente! ––Lucy exigiu.

––O livro é Se Eu Ficar, porque sou uma idiota que ama esse aqui ––apontei para Alec ––E estava lendo esse livro quando nos beijamos pela primeira vez.

––Também te amo ––Alec voltou a me beijar.

––É sério, só eu tenho direito de transar nesse carro ––Riley nos interrompeu.

––E o filme? ––Lucy indagou rindo.

––Toy Story, acho que os três em um só, enfim Demetri e eu sempre assistíamos o filme. Na verdade a tatuagem que eu ia fazer com ele era a respeito disso, mas se você quiser fazer outra vou entender ––disse para Lucy.

––Qual era?

––Essa aqui ––peguei meu celular em meu bolso e mostrei a imagem da tatuagem que faria com Demetri, era a clássica frase do Buzz Lightyear: ao infinito e além.

––Clássica, eu amei, vai ser essa mesma ––vi os olhos de Lucy brilharem.

––Okay e a música? ––Riley perguntou.

––Teenage Dream, a versão do 5 Seconds of Summer da música é perfeita! Isso sem falar que eu sempre quis viver um sonho adolescente ––dei de ombros.

Quando chegamos ao estúdio, Lucy e eu começamos a debater qual séria o melhor lugar para a tatuagem. Ela queria no pulso, eu em algum lugar mais discreto, até que achamos um local em nossos corpos perfeitos.

––Vocês estão de brincadeira com a nossa cara, não é? ––Riley questionou irritado.

––Só pode ser ––Alec cruzou os braços.

––Qual o problema? ––Lucy perguntou.

––Vocês querem ficar sem blusas na frente desses caras ––Alec respondeu.

––Estamos de sutiãs e eles vão tatuar na nossa costela, nada demais ––teimei.

––Inadmissível ––Riley bufou.

––Escutem, vocês sabem que vocês querendo ou não vamos fazer isso, então simplesmente parem de contestar ––Lucy deixou claro, me arrastando para falar com os tatuadores onde queríamos as tatuagens.

Os meninos cederam a nossa insistência, mas ficaram bem próximos de nós enquanto éramos tatuadas. Aquilo doeu demais e prometi a mim mesma que nunca mais faria tatuagem nenhuma, mas no final o resultado ficou lindo. Lucy e eu estávamos diante de um espelho vendo as tatuagens, eu tinha escrito ‘ao infinito...’ e ela “...e além’.

Aquilo foi o suficiente para eu ao menos me sentir um pouco mais viva, a dor que eu ainda sentia pela morte de Demetri ainda estava lá. Mas sabia que teria que saber conviver com aquilo, pelas pessoas que ainda estavam vivas e que queria me ver bem.

Obviamente meus pais surtaram quando contei sobre a tatuagem, na verdade meu pai, mamãe tinha uma tatuagem no tornozelo que fez quando era só um ano mais velha do que eu, então não podia me criticar como queria. Eles debatiam se me deixariam de castigo ou não, mas desistiram, alegando que eu não tinha mais jeito, apenas ri e disse que os amava por serem os melhores pais do mundo.

**

No dia seguinte, um domingo, Alexander e eu seguimos nossa rotina dominical. Ele foi me buscar pela manhã em casa e fomos para o orfanato da cidade.

Miguel já estava um bebê grandinho de sete meses, Alec e eu adorávamos ficar brincando com ele por horas. Mas naquele dia eu não estava conseguindo acompanhar o ritmo dos dois, porque o aperto em meu peito era doloroso demais.

––O que foi? ––Alec indagou ao notar o quanto eu estava quieta, estávamos na área externa do orfanato, com Miguel no colo dele, puxando de leve meu cabelo.

––Essa é a última vez que vemos Miguel ––murmurei ––As próximas semanas serão cheias para a gente, não teremos os próximos domingos livres ––respirei fundo tentando não chorar, mas foi impossível.

––Sabe que podemos vir visitá-lo outras vezes, amor ––Alec beijou meu ombro.

––Você estará na Inglaterra e eu pelo mundo, não vamos mais vê-lo.

––Vamos sim ––Alec falou com confiança ––Sempre que viermos a cidade podemos vir visitá-lo. Também podemos manter cartas quando ele for maior e conseguir lê-las.

––E se ele for adotado?

––Isso será bom para ele, sabe disso ––falou suavemente.

––Eu te amo, Campeão! ––peguei Miguel do colo de Alec ––Você é a criança mais fofa desse mundo, nunca vou me esquecer dessa sua covinha ––beijei sua bochecha.

––Eu também vou sentir falta dele ––Alec confessou, tocando no braço gordinho de Miguel.

––Vamos tirar uma foto com ele ––falei, o que seria a primeira coisa que Demetri faria se tivesse conhecido Miguel.

––Tudo bem ––Alec concordou, pegando seu celular e tirando uma foto de nós três juntos ––Ei Campeão, quem diria, nós dois conseguimos o coração da garota mais chata da cidade ––meu namorado voltou a carregar o bebê, que olhava atentamente para ele.

––Eu amo vocês ––beijei a bochecha de cada um deles.

––Amamos você também, né Campeão? ––Alec perguntou para Miguel ––Sim tio Alec, amamos ela ––ele fingiu a voz de uma criança, o que imediatamente me fez rir.

Passamos mais algum tempo com Miguel e depois de eu ameaçar chorar novamente, saímos do orfanato. O almoço na casa dos Cullen foi tranquilo como sempre era, com a diferença que Esme começou a falar sobre Matt, o que surpreendeu todos ali.

––Matt adorava lasanha ––ela comentou sorrindo ––Deveríamos comer lasanha mais vezes ––piscou para Alec, que sorriu para a mãe assentindo.

Foi um dos melhores almoços na casa dos Cullen e eu adorei mais uma vez me sentir parte daquela família. Cada um deles tinha seu ponto alto, a inspiração de Cecília, a ironia de Jane, a inteligência de Carlisle e o fato de Esme ser uma guerreira depois de tudo. Eu os admirava cada vez mais e me sentia honrada em tê-los conhecido.

––Ness, mamãe quer falar com você ––Alec entrou em seu quarto um tempo depois de me deixar ali.

––Eu fiz algo de errado? ––perguntei preocupada ––Ela descobriu sobre a tatuagem e agora vai dizer que sou uma péssima influência para você?

––Não ––ele riu ––Mas é melhor não dizer nada sobre a tatuagem ––franziu o cenho ––Sabemos como ela é.

––Tudo bem, nada sobre tatuagens ––confirmei.

––Mãe, estamos aqui ––Alec bateu na porta do escritório.

––Entrem!

––Quer falar comigo, senhora Cullen? ––me sentei na cadeira de frente a sua mesa, com Alec atrás de mim massageando meus ombros.

––Alexander me contou que você não vai para nenhuma faculdade e que pretende viajar o mundo por um tempo.

––Sim, é o que eu quero para depois da formatura ––confirmei.

––Que tal trabalho voluntário na Índia? ––perguntou, me deixando perdida na conversa.

––Como?

––Uma ONG que eu auxiliava em Boston, enquanto trabalhava em Harvard, está precisando de gente para ir trabalhar como voluntário na Índia por um ano depois do verão. É basicamente ajudar crianças a aprenderem a ler e escrever, nada que precise de um diploma de faculdade. Ainda assim é uma experiência imensa e a partir dela você pode ir para vários outros lugares do mundo ––explicou.

––Sério? ––senti meus olhos brilharem.

––Sério ––Esme afagou minha mão ––Eu te indiquei, você só precisa entrar em contato com eles e acertará tudo para sua viagem. Você tem um grande potencial para ajudar as pessoas, Nessie.

––Obrigada! ––me levantei para abraçar a mulher que naquele momento era bem mais do que minha sogra ––Eu estava tão sem rumo.

––Agradeça ao Alec ––ela sorriu ––Foi ele quem pediu que eu te ajudasse nisso.

––Você é tão controlador ––fui abraçá-lo.

––Sou sim, mas eu não queria ir para Inglaterra sem ter certeza de que você estaria tendo o futuro que quer e merece ––beijou a ponta do meu nariz me fazendo rir ––Agora manda um email para a ONG e confirma logo que vai ––ordenou brincando, mesmo assim fui fazer minha confirmação.

**

Dois dias depois, na terça-feira, era aniversário da cidade. Logo feriado e sem escola para nós, mesmo assim tínhamos que comparecer a eventos em homenagem aos cento e cinquenta e sete anos de Sun West.

Lucy ia discursar na cerimônia organizada pela prefeitura, ela estava tão contente com aquilo que eu acabei até mesmo me animando para ir para o evento. Estava sentada junto de Alec e Gabriella quando foi a vez da nossa amiga subir ao palco para falar seu discurso.

––Bom dia a todos ––ela saudou, com um doce sorriso no rosto ––Se me permitem, antes do grande discurso, eu queria agradecer a presença de cada um de vocês que vieram aqui hoje.

A loira tinha uma pasta nas mãos e a colocou no suporte a sua frente, sem nem chegar perto de abri-la. Algo me dizia que ela ia fazer algo, eu conseguia sentir isso, mas não tinha ideia do que era.

––Hoje, Sun West está aniversariando com famílias, amigos e amores presentes por cada canto da cidade ––começou a dicursar ––Mas o que muitos de vocês não sabem é que o homem exemplar que escolheram para governar nossa cidade e a mulher que é sua esposa, não passam de dois falsos.

Eu gelei ao ouvir aquilo, Alec me encarou preocupado e eu notei todos ali cochichando. Os Denali que estavam no palco também tentaram impedir Lucy de continuar a falar, mas Riley os deteu.

––Eleazar e Carmen Denali são meus pais ––Lucy voltou a falar ––Eu os amo, mas o meu amor nunca foi o suficiente. Eles só conseguem pensar no poder que tem em suas mãos com a prefeitura e o jornal, o casal número um da cidade na verdade se odeiam.

Gritos, discussões, brigas, xingamentos. Eu tenho dezessete anos e passei minha vida inteira no meio do caos que era ser filha desses dois. Não sei se eles me amam, ou se um dia realmente se amaram. Mas sei que eles amam o poder e o dinheiro, por isso continuam juntos.

Não somos uma família de verdade, nunca fomos. Nem mesmo quando eu era uma criança. Eu costumava chorar a noite inteira pelo o que eles diziam um ao outro, pelo fato deles não dizerem que me amavam, por eles só exigirem que eu fosse a filha perfeita.

Eu não sou perfeita! Eu perdi minha virgindade em um carro, com um cara que me chutou pouco depois disso ––ela contou, chocando todos pela sua sinceridade, algumas filas a minha frente James estava com sua família e vi uma careta em seu rosto ––Eu fiquei com vários garotos, eu tentei fugir, eu me automachuquei uma vez. Eu surtei com a minha melhor amiga por ela ter beijado meu ex namorado. Eu transei com meu melhor amigo tentando encontrar um pouco de felicidade ––sorriu ao mencionar Riley.

Essa é a verdade. A verdade está por trás dessa maldita máscara ––Lucy suspirou ao microfone ––Mas eu sei que eu não fui a única que usou uma, eu sei que as pessoas as vezes preferem esconder a verdade ao se machucarem. Só que eu não quero mais usar!

Papai, mamãe ––se virou para eles ––Eu não vou mais estudar direito como vocês queriam. Eu não vou mais permitir que controlem a minha vida ––pegou a pasta e estendeu na direção dos dois, que a encaravam de um jeito nada bom ––Essa é a documentação da minha emancipação, encontro vocês amanhã de manhã para assinarmos toda a papelada. Amanhã eu não serei mais dependente de vocês, amanhã eu vou ser totalmente livre ao infinito e além.

Notas finais
Emancipação é o processo de uma pessoa menor de idade virar independente aos pais. Espero que tenham gostado. Por favor comentem. Beijos. Lola Royal. 19.02.15