Teenage Dream
27 Capítulo Vinte e Seis- Conectados
Notas iniciais
Capítulo Vinte e Seis- Conectados
“Eu gosto da chuva de verão
Eu gosto dos sons que você faz
Colocamos o mundo de distância
Ficamos tão desconectados
Você é o meu refúgio
Você é o meu lugar favorito
Colocamos o mundo de distância
Sim, estamos tão desconectados” – Disconnected, 5 Seconds of Summer
Após nossa breve conversa, Esme me dispensou, afirmando que estávamos em uma festa e que não devíamos ficar chorando como duas menininhas, apenas ri e acatei a ordem dela de ir falar com as outras pessoas. Eu tinha meus amigos e muitas outras pessoas da escola para desejar feliz ano novo, levei um bom tempo até conseguir falar com todos eles, para me encontrar com Alec na ponta mais distante da praia, onde quase não tinha ninguém.
––O que está fazendo aqui tão longe? –––perguntei para o moreno, que bebia uma garrafa de champanhe encarando o mar.
–––Nada ––continuou olhando para frente ––Nessie, você iria para Inglaterra comigo? Digo, quando eu for para a Universidade ––disse hesitante ––Sei que você pretende se inscrever em todas aquelas faculdades, mas você poderia ir comigo para Cambridge.
––Eu não tenho dinheiro para algo tão grandioso ––murmurei.
––Eu pago ––me olhou suplicante ––Só vem comigo ––se aproximou de mim ––Eu quero você perto de mim, amor.
––Não é hora, muito menos lugar para conversar sobre isso. Falamos disso depois ––toquei no rosto amedrontado dele.
––Tudo bem, você está certa ––assentiu ––Foi mal, acho que esse clima de ano novo mexeu um pouco com a minha cabeça.
––E o champanhe também, né ––pisquei para ele, que riu baixinho ––Vamos para sua casa? ––perguntei ––A festa ainda vai demorar bastante por aqui e eu queria poder ficar um pouco sozinha com você ––aconcheguei meu corpo no seu.
––Vamos lá ––concordou me guiando para sua casa, sem que ninguém nos parasse para conversar.
Ficamos em sua cama, dividindo a garrafa de champanhe, enquanto o barulho da festa na praia parecia distante o suficiente para nos alcançar, um dos CDs do Arctic Monkeys tocava baixinho, completando o momento. Eu passava meus dedos pelo rosto de Alexander, enquanto o mesmo mantinha seus olhos fixos no meu, mesmo que a luz do seu quarto estivesse apagada e a pouca iluminação vinha pela janela, podia ver o quanto seu olhar estava brilhante aquela noite.
Encostei meus lábios nos seus, sentindo gosto de champanhe, minhas mãos passearam por sua camisa, a puxando para cima, Alec logo entendeu e a tirou. Desci meus lábios por seu pescoço, sentindo suas mãos na base da minha bunda, que estava descoberta graças ao fato do vestido que eu usava ter sido elevado pelos meus movimentos.
Alec nos girou na cama, ficando por cima de mim e tirando o vestido de vez do meu corpo, o jogando de lado junto com sua camisa. Seus lábios estavam avermelhados e aquilo parecia tentador demais, sem falar em seu cabelo bagunçado e o modo como ele percorria meu corpo com firmeza e jeito.
––Eu quero fazer ––sussurrei em seu ouvido, sem ter nenhum resquício de duvida daquela vez.
Olhei para ele, mas Alec apenas assentiu, voltando a me beijar. Mesmo certa do que eu queria, estava nervosa e dava para sentir que ele também, só que em algum momento teríamos que fazer aquilo. De preferência antes da formatura, pois era um dos itens da lista.
As mãos quentes de Alec tocaram o fecho do meu sutiã, o abrindo e o tirando de mim em seguida. Ele beijou minha boca uma última vez antes de se mexer na cama para ficar na altura de meus seios, passando a beijá-los e tocá-los.
Já tínhamos feito aquilo algumas vezes, mas naquele dia tudo parecia muito maior e melhor. Alec parou de beijar meus seios e foi descendo sua boca em direção a minha barriga, beijando cada pedaço de pele que eu tinha exposta. Seus dedos encontraram o elástico da calcinha que eu usava e a retirou de mim, me deixando completamente nua e sua boca continuou o percurso por meu corpo.
Nunca tínhamos feito sexo oral um no outro, nem mesmo tínhamos parado para falar nisso, então foi bem surpreendente quando ele começou a fazer em mim. Uma série de sensações estranhas percorreram meu corpo e eu segurei na beirada da cama ao sentir tudo aquilo, foi impossível não deixar um gemido mais alto escapar da minha boca e fechar os olhos para apreciar o momento.
Entretanto, Alec deveria estar tão ansioso que não se demorou muito ali, voltou o caminho de beijos até meu pescoço, enquanto tirava sua calça e cueca de uma só vez. Me estiquei para capturar camisinha e lubrificante na mesinha ao lado da cama, o ajudando a colocar.
Eu estava tremendo e ele também, eu estava sentindo minhas bochechas coradas e as dele estava igualmente vermelhas, eu estava mais certa do que nunca que queria aquilo e esperava que ele pensasse da mesma forma.
O inglês se posicionou entre minhas pernas, respirando fundo, enquanto eu preferia prender a respiração. Quando o refrão de uma das músicas soou mais pesado e bem mais sexy do que tudo que eu já tinha ouvido, Alexander me penetrou o mais devagar que conseguiu.
Sua cabeça tombou ao lado da minha e ele gemeu, por outro lado, só consegui sentir dor e soltei toda a respiração que estava prendendo. Maldita Rachel, Lucy e Alice que sempre disseram que perder a virgindade não doía, eu só queria fazer aquela maldita dor parar.
––Você está bem? ––Alec perguntou no meu ouvido.
––Não se mexe, por favor ––pedi segurando em seus ombros.
––Está doendo muito?
––Sim ––gemi, mas nada bom como antes, escondi meu rosto em seu braço.
––Você precisa relaxar ––Alec sussurrou em meu ouvido ––Está tudo bem, não estamos fazendo nada de errado e eu te amo.
––Eu também te amo ––sussurrei de volta.
Alexander beijou atrás da minha orelha e passou algum tempo se dedicando aquela área, depois passou para meu pescoço e me beijou. Enquanto sua boca estava na minha, ele se movimentou lentamente dentro de mim, ainda doía, mas era bem menos e os beijos dele estavam me deixando claramente relaxada.
––Posso continuar? ––perguntou.
––Pode sim ––concordei.
Aos poucos ele começou a se movimentar mais rapidamente, mas não paramos de nos beijar e eu já conseguia retribuir os movimentos. Mexia meu quadril, pressionava sua cintura e fazia com que ele continuasse o que estava fazendo.
Eu queria aquilo, eu queria Alexander e eu estava cada vez mais perto de querer tudo ao lado dele. Quem sabe até mesmo segui-lo para a Inglaterra, mas era algo a ser considerado mais para frente.
Seu toque em minha pele me deixava quente, nossos corpos suados trabalhando juntos me deixava extasiada e tocar a mão dele me fazia acreditar que tinha o mundo inteiro me sustentando. Eu amava, amava, amava Alexander. Era tão forte e tão intenso quanto todas as sensações que eu estava tendo aquela noite.
O moreno gozou, extravasando depositando um chupão em meu pescoço, o que com certeza me deixaria marcada. O meu próprio orgasmo não chegou, o que foi terrível, mas a transa não tinha sido ruim, então eu não poderia reclamar daquela parte.
Rapidamente Alexander foi para o banheiro se livrar da camisinha e se limpar, não falávamos nada, nem mesmo conseguimos nos olhar graças ao constrangimento do momento. Então permaneci enrolada em seus lençóis, sentindo nossos perfumes misturados ali.
Nada mudava exteriormente quando se perdia a virgindade, mas ali, deitada na cama dele, eu me sentia mudada por dentro. Não era uma mudança gigantesca, nem mesmo uma epifania, eu só estava me sentindo mais preparada. Para viver, para amar e para encarar os dias que se seguiriam a minha frente.
––Renesmee? ––ele me chamou quando voltou para o quarto, vestido em uma calça de moletom preta e segurando um roupão em minha direção ––Quer conversar? Sei que não foi nada grandioso, que a gente bebeu antes de fazer, que está tocando uma banda que você não é fã...
––Cala a boca! ––exclamei pulando da cama, mas ainda enrolada no lençol ––Foi...interessante ––apoiei minha cabeça em seu peito ––Vamos melhorar com o tempo, nem todo mundo é um deus do sexo ––dei de ombros.
––Tem certeza que não está brava comigo?
––Não ––sorri para ele ––Tudo bem que eu podia ter no mínimo tido um orgasmo depois daquela dor filha da puta, mas juro que estou bem. Eu te amo Alec, isso vale tudo, pois não tive minha primeira vez com um cara qualquer e agora sempre que for virada do ano vou lembrar o que fiz.
––Podemos repetir isso todas as viradas do ano ––sua boca voltou a atacar meu pescoço, que era seu lugar preferido de me beijar ––Ou podemos repetir isso agora mesmo.
––Pode ir se controlando, ator pornô ––tirei o lençol do meu corpo e me cobri com o roupão ––Vou tomar um banho, se comporte.
Tomei um banho que incluía lavar o cabelo, mesmo que isso pudesse ser um problema quando meus pais me vissem, mas eu precisava acalmar meu corpo. Vesti minha calcinha e peguei uma camiseta grande de Alec do time de futebol para vestir, ainda dava para ouvir a festa na praia e meus pais nunca iam embora cedo, então eu sabia que tinha mais algum tempo até voltar para lá.
––Dorme comigo ––Alec pediu quando deitei ao seu lado na cama, seus braços imediatamente me envolveram e sua boca ficou a centímetros da minha.
––Não, meus pais me matariam se pensassem nessa hipótese ––neguei, fechei os olhos por um momento, sentindo os lábios de Alec tocarem minha bochecha ––Já disse que te amo?
––Pode dizer quando quiser, é indolor, quer ver? ––ele beijou minha testa, me aconchegando em seu corpo ––Eu te amo, eu te amo, eu te amo.
E eu acabei dormindo ouvindo o coro de ‘eu te amo’.
Acordei com o barulho de risadas e passos, me remexi e meu corpo esbarrou em algo, com certeza a parede do lado da minha cama. Eu sempre batia minha cabeça lá, pois era idiota o suficiente para isso, o que sempre fazia Rachel rir de mim. Só que daquela vez a parede parecia diferente e se mexia.
Abri apenas um olho, dando de cara com o peito de Alec a centímetros de mim, aquilo foi o suficiente para eu acordar de vez e sentar na cama. Já era de manhã e com certeza quase meio dia, isso era óbvio graças ao Sol forte que entrava pela janela que estava com as persianas abertas, meus pais iam me matar, eles realmente iam me matar. Isso sem falar nos pais dele, que com certeza não achariam a situação nada prudente.
––Alexander, acorda! ––sacudi meu namorado, que apenas virou para o outro lado e continuou a dormir ––Alec, estamos encrencados, acorda agora!
––Que foi? ––resmungou.
––Já é de manhã, nós pegamos no sono ––pulei da cama, vestindo as roupas que eu estava no dia anterior, minha frase fez Alexander acordar e me olhar assustado.
––Eles vão nos matar.
––Sim, eles vão nos matar ––concordei ––Camisa ––joguei a peça de roupa para ele se vestir, Alec bufou e saiu da cama colocando a roupa.
Saímos do quarto dele tentando fazer o mínimo barulho possível, mas quando passamos na frente da biblioteca de Cecília fomos detidos pela voz de Esme nos mandando parar. Ela estava lá dentro com a sogra e a filha, as três estavam com telas de pinturas as suas frentes e Jane estava sendo auxiliada pela avó ao pintar uma praia.
––Bom dia crianças ––Esme nos lançou um sorrisinho cínico, que me fez corar e apertar a mão de Alec mais forte ainda ––Dormiram bem?
––Sim ––Alec murmurou.
––Desculpe ter passado a noite aqui senhora Cullen ––murmurei também ––Já estou indo embora e...
––Não se preocupe ––Esme riu ––Seus pais te procuraram depois da festa e eu encontrei você e Alexander dormindo, então disse a eles que vocês tinham adormecido e que iria para casa quando acordasse.
––E você não quer nos espancar com revistas? ––Alec questionou surpreso para a mãe.
––Vocês fizeram algo que mereça isso? ––nos lançou um olhar de quem sabia do que tinha ocorrido, mas estava claramente sendo sonsa de propósito.
––Não mãe, claro que não ––Alec riu sem graça ––Vou deixar a Nessie em casa ––mostrou a chave em sua mão livre ––Já volto.
Alec dirigiu o mais rápido que pode para minha casa, eu treinava minha cara de inocente para meus pais, o que não estava aparentando que iria dar certo. No mínimo meu pai me proibiria de ver Alec por alguns dias e no máximo me proibiria de viajar com meus amigos para Aspen.
––Tudo bem, se você estiver viva depois disso me liga ––Alec beijou minha boca por um instante quando paramos na porta da minha casa ––Desculpa se te arrumei encrenca.
––Vou ficar bem, espero ––suspirei tirando o cinto ––Te amo, ontem a noite foi incrível e isso vale a pena o belo castigo que eu sinto que vou tomar.
––Tomara que não fique de castigo, quero viajar com você.
––Eu também, mas vamos ver como isso se desenrola ––respirei fundo e pulei do carro.
Na sala de estar papai estava carrancudo, de braços cruzados e fuzilando com o olhar o programa de televisão que meu irmão e Rosalie assistiam. Ele nem mesmo me olhou quando falei com ele, o que me fez sentir mal, por sorte mamãe veio da cozinha na mesma hora e me mandou ir até o segundo andar com ela.
Rachel estava em nosso quarto falando ao celular, com uma expressão de quem estava aprontando algo, então saiu dali assim que mamãe e eu entramos. Não antes de lançar um sorriso malicioso para mim e assoprar um beijo em minha direção. Revirei os olhos para ela e sentei em minha cama, olhando atentamente para mamãe, que não parecia brava.
––Bom, você quer que eu comece, ou quer fazer isso? ––ela sentou na cama de Rachel, de frente para mim.
––Começar o que? ––tentei me fazer de desentendida o máximo possível.
––Renesmee! ––exclamou meu nome como se fosse me dar uma bronca.
––Tá, eu fiz o que você está pensando ––me encolhi, desviando meu olhar para meus pés.
Mamãe passou um bom tempo calada, o que me assustou muito, então ergui minha cabeça notando as lágrimas em seus olhos. Fiz uma careta sem entender o motivo daquilo, ela estava triste por eu não ser mais virgem? Nem era algo tão importante assim e ela não chorou quando descobriu sobre Rachel ter perdido a virgindade.
––Mãe...
––Você se tornou uma mulher ––as lágrimas desceram por seu rosto ––Filhinha! ––saiu da cama para me abraçar com força, quase me sufocando em seus braços.
––Mãe, isso é muito embaraçoso ––falei com a voz abafada por seu abraço.
––Quieta, me deixe ter esse momento! ––ela me abraçou por mais um tempo, até que me soltou e sorriu largamente ––Você gostou?
––Mãe, isso é muito embaraçoso, por favor ––entortei a boca.
––Renesmee, sou sua mãe, pode contar tudo para mim ––insistiu.
––Posso dar ao menos um resumo? Nós dois fomos para a casa dele sem a intenção explicita de transar, mas ai aconteceu e não foi a melhor experiência da minha vida, mas foi bem legal porque estava com meu namorado ––contei, sentindo minhas bochechas ficarem vermelhas.
––Você o ama tanto ––mamãe apertou minhas bochechas, com certeza as deixando mais vermelhas ainda ––São tão fofos juntos, ai eu quero tanto encher a casa de fotos de vocês! Meu Deus, eu preciso mesmo tirar uma foto sua agora que é uma mulher.
––Menos mãe, muito menos ––pedi, cansada do jeito espalhafatoso dela.
––Ele foi gentil? Teve algum problema? Usaram camisinha? Vocês não usaram drogas para aliviar o momento, não é? ––começou a perguntar.
––Sim, não, sim, não ––respondi as perguntas em ordem.
––Ótimo, então posso mais do que nunca aprovar o namoro dos dois ––bateu palmas, parecendo uma adolescente agitada ––Eu até mesmo aprovo um casamento, claro que não agora, mas formam um casal tão lindo que eu iria amar vê-la casada com ele.
––Meu pai vai me matar ––mudei a linha de pensamento dela.
––Bom, Rachel ainda está viva ––mamãe ponderou ––Ele nem conversou nem nada com ela quando ficou claro que ela não era mais uma mocinha, então acho muito difícil que ele vá ter uma conversa sobre isso com você, mas prepare-se para aguentar o mau humor dele e um crescente ódio por Alec.
––Que saco!
––Mas não se preocupe, eu cuido de você, querida ––ela voltou a sorrir e a perguntar um monte de coisas, foi muito difícil dar respostas vagas a tudo e principalmente convencer mamãe a me deixar sozinha.
Quando ela finalmente saiu do quarto, Rachel entrou sorrateiramente no lugar, ficou fingindo arrumar sua cama, mas me lançava olhares divertidos. Bufei e joguei um travesseiro nela, arrancando uma gargalhada da mesma.
––Então, a pirralha transou? ––ela não se conteve ––Foi sexo selvagem? Vocês fizeram todas as posições do kama sutra? Encenaram algumas cenas de 50 Tons de Cinza ––a acertei com um segundo travesseiro.
––Não quero conversar sobre isso?
––Por que não? ––perguntou mais curiosa ainda ––Eu acabei de chamar Lucy para compartilhar da conversa, ela é sua melhor amiga e eu sua irmã, merecemos saber isso!
––Sério que você chamou Lucy para falar sobre minha vida sexual? ––encarei minha irmã perplexa.
––Qual é? Nós duas somos experientes, temos que estar ao seu lado para te orientar.
––Cheguei! ––logo depois Lucy entrou no meu quarto, sem bater na porta nem nada, porque ela não conhecia o significado de privacidade ––Você virou uma mulher, estou tão orgulha ––pulou ao meu lado na cama, me sufocando em um abraço igual ao de mamãe.
––Pode ir parando ––a afastei.
––Parar? ––ela gargalhou ––Eu ainda nem comecei, baby! ––bateu em meu joelho.
Rachel e Lucy questionaram bem mais do que mamãe, mas por elas serem da minha faixa etária e não a mulher que me deu à luz, foi bem mais fácil conversar com elas sobre aquilo. Na verdade foi ótimo, pois todas as duvidas que ainda permaneciam em mim, o fato de não ter sido tão bom e o os questionamentos sobre as próximas vezes.
Acabou que conversamos muito, rimos, as duas compartilharam suas experiências também e eu totalmente não liguei para nenhuma besteira a mais. No fim, até mesmo quando fomos jantar, a expressão raivosa no rosto do meu pai já estava mais suavizada e ele conseguiu voltar a falar comigo, mesmo que fosse só para pedir que eu passasse a salada.
**
Quando o dia da viagem chegou, meu pequeno, mas barulhento grupo de amigos se reuniu no aeroporto de Sun West ainda pela madrugada. Iríamos de lá para Los Angeles, onde tomaríamos um avião que seguiria direto para a tão sonhada Aspen de William e seu fascínio por esqui.
––Gente, todo mundo reunido para a foto! ––Lucy exigiu enquanto estávamos na fila de embarque para Los Angeles.
––Eu tiro a foto! ––Demetri se prontificou, mexendo em sua mochila para tirar sua câmera de lá.
––Calminha ai Albino ––Lucy o deteu ––Quero todo mundo nessa foto, então você não vai ficar por trás da câmera. Senhor, pode tirar uma foto nossa? ––perguntou para o homem com expressão entediada atrás de nós na fila, ele apenas deu de ombros e pegou o celular de Lucy para fotografar.
Levamos algum tempinho para nos organizarmos, mas acabamos conseguindo. Alice e Jacob se jogaram no chão, fazendo poses desnecessárias, mas que eram a cara dos dois. William colocou Beatriz em suas costas, a fazendo dar um gigantesco sorriso. Gabriella apertou as bochechas de Demetri, que riu como uma criança. Riley carregou Lucy e ela fez a melhor pose de estrela de cinema que conseguiu naquela posição. Alec apenas me abraçou, mas eu não resisti e o beijei, consecutivamente sorrindo e o fazendo sorrir junto comigo, então quando olhamos para frente, estávamos que nem dois bestas apaixonados.
A foto animou tanto Lucy, que ela nem se importou de ainda estar em Sun West, onde a reputação dos seus pais reinava e começou a cantar Teenage Dream da Katy Perry ali mesmo e quando me dei conta estava cantando junto com ela. Enquanto os outros fingiam que não nos conheciam.
Nosso caminho para Los Angeles foi rápido, então nossa animação foi bem contida, estávamos dividindo em pares então íamos conversando normalmente. Mas assim que chegamos a Cidade dos Anjos, nossa empolgação voltou com força total e ficamos tirando fotos dentro do aeroporto como perfeitos turistas, fazendo planos animados para quando chegássemos à Aspen e até mesmo cantando/conversando/rindo durante o voo de pouco mais de duas horas.
O lugar que ficaríamos em Aspen seria um chalé de apenas dois quartos, os pais de Will e Bia o escolheram sabendo que viajaríamos com namorados e namoradas, então as meninas ficariam com um quarto e os meninos com outro. A intenção deles era clara, nada de sexo.
––Vai ser ótimo dividir quarto com vocês, meninos ––Jacob brincou, afinal ele nunca tinha dado em cima de nenhum deles de verdade e os meninos realmente o consideravam um menino e sua sexualidade nunca foi motivo de chacota entre nós.
O chalé era bem próximo da pista de esqui, era pequeno, mas muito aconchegante, ainda que no meio da neve toda que tinha ali. A viagem cortaria mais dois itens da minha simplória lista, viajar com os amigos e fazer um boneco de neve.
Naquele primeiro dia, o anterior ao aniversário de William, passamos o dia na pista de esqui. Eu não sabia nada sobre aquilo, mas Lucy e Riley me ensinaram com muita paciência, Alec até mesmo sabia, mas algumas partes do lugar eram bastante altas e ele tinha medo disso, o que fazia dele um péssimo professor para aquela função.
No final eu acabei me saindo tão desastrada na missão quanto Beatriz, mas a garota nem ligava, pois estava cheia de encantos com William. Se mamãe não fosse tão histérica a faria perceber o quanto os dois eram muito mais fofos do que Alexander e eu.
––Comida! ––Lucy gritou da cozinha do chalé aquela noite, todos estávamos reunidos de frente a lareira, nos esquentando e tomando chocolate quente. Sugerimos ir jantar fora, mas Lucy pulou dizendo que fazia questão de cozinhar para a gente, eu sempre soube que aquilo era um hobbie para ela, mas estava cada vez se tornando mais importante em sua vida.
––Isso não vai nos fazer passa mal, né? ––William perguntou intrigado, sentando-se a mesa com Beatriz em seu colo, o enchendo de beijos no rosto ––Amanhã é meu aniversário, eu odiaria passar mal ––fez uma careta.
––Eu devia ter colocado veneno em seu prato, seu idiota! ––Lucy bufou, mas revirou os olhos e voltou com sua pose de tudo sobre controle ––Quanto aos outros, espero que gostem da minha comida.
––Eu gosto de tudo que você faz ––Riley deu um tapa na bunda da namorada, a fazendo ficar corada e sentar instantaneamente.
A comida de Lucy estava incrível, o que nos fez passar um bom tempo sentados a mesa apreciando, enquanto conversávamos todos juntos sem parar. Até mesmo depois da comida acabar permanecemos ali, em algum momento eu parei de falar e simplesmente fiquei observando os outros.
Bia e Will continuavam em sua própria bolha de amor, Jacob e Gabriella que eram quem estavam ao meu lado conversavam sobre gays inrustidos. Riley e Alice arranjaram mais sobremesa e ficaram comendo enquanto planejavam uma festa digna de formatura para a gente.
A minha frente, Lucy estava sentada entre Alec e Demetri. Ela estava com a cabeça apoiada no ombro do meu namorado, enquanto sua mão estava apoiada no braço do meu melhor amigo. Os três conversavam entre si, Demetri mostrava algumas fotos em sua câmera e pareciam empolgados com aquilo.
Ver eles juntos não me causou raiva, ciúmes, nem nada parecido. Eu não tinha motivo para isso, mesmo que Lucy tenha sido namorada de Alec e que por muito tempo Demetri tivesse sido apaixonado por ela, simplesmente não importava. E não importava porque eu os amava tanto que esses detalhes eram os mais superfulos possíveis.
––Já é meia noite! ––Will exclamou, atraindo toda a atenção de quem estava ali para si.
Como se tivéssemos combinado, começamos a parabenizar o quarterback do time da nossa escola. Mas ele teimou que poderíamos deixar as felicitações para depois, pois tinha algo muito mais importante para fazer antes.
––Vamos lá para fora ––falou, segurando na mão de Bia e chamando os outros com a mão livre.
Mesmo no frio torturante que fazia aquela hora, seguimos William, apertando nossos casacos contra nossos corpos. Alec notou o quanto estava tremendo e o fato de eu não ser nem um pouco acostumada com aquela baixa temperatura não colaborou, então ele me envolveu em seus braços, me esquentando imediatamente.
––Bom, primeiro quero agradecer a todos vocês por terem vindo ––William começou a falar, ele estava nervoso, mas parecia bastante determinado ––Bia, eu te amo! ––exclamou para a namorada, a fazendo sorrir e sussurrar um ‘eu te amo’ de volta.
William suspirou e se ajoelhou diante de Beatriz, o que fez Lucy próxima a mim emitir um som de surpresa, enquanto nossa própria amiga apenas ficou de olhos arregalados. Era o que eu estava pensando? Will ia pedir Bia em casamento?
––Fiz questão de fazer isso aqui fora, porque você sempre disse que queria que os céus abençoassem nosso relacionamento, então aqui estamos ––Will puxou uma caixinha do bolso da sua calça, a abrindo e mostrando um delicado par de alianças ––Beatriz, eu te amo desde a primeira vez que te vi, por isso quero passar o resto da minha vida com você, pois eu quero ter muitas primeiras vezes com você ––aquilo fez Riley rir.
––Fica quieto Riley! ––todos nós gritamos para ele.
––Enfim ––Will deu um sorriso bobo ––Eu te amo, Bia. Você é a pessoa mais especial da minha vida, por isso quero você para sempre nela ––senti os braços de Alexander se apertaram mais forte ao redor de mim ––Aceita casar comigo?
––Aceito! ––Beatriz exclamou, rindo e chorando ao mesmo tempo.
Will pareceu muito mais aliviado, colou uma aliança na mão de Bia e a outra na sua, depois eles se beijaram e pareciam que nunca mais iam parar. Alice puxou as novas parabenizações, daquela vez referentes ao noivado e foi uma alegria só, eu até mesmo me contive de perguntar se casar tão cedo assim não era um erro.
Os noivos foram correndo para o chalé, tinham que ligar para os pais de Beatriz e para a mãe de Will para contarem o grande acontecimento. Os outros entraram também, pois não estavam mais aguentando o frio, mas fiquei para trás encarando a neve nas botas que eu tinha pegado emprestada com Lucy.
––Renesmee, você vai ficar ai fora? Está frio demais ––Alexander voltou da porta do chalé até onde eu estava ––Vamos entrar ––parou de frente para mim.
––Podemos fazer um boneco de neve antes? ––perguntei baixinho ––Está na minha lista.
––Nessie, você pode fazer isso amanhã de manhã quando estiver mais quente ––ele pegou na minha mão, mas não senti seu toque como queria pois ele estava de luvas.
––Eu quero fazer agora ––comecei a juntar a neve, ele suspirou, mas começou a me ajudar.
Passamos o tempo todo, enquanto fazíamos o boneco de neve, calados. Quando terminamos, risquei mentalmente mais um item da minha lista, que estava cada vez mais próxima de ficar completa, a formatura estava chegando, o verão estava chegando e a partida de Alec para a Inglaterra também.
Pensar naquilo me irritou tanto que eu comecei a desfazer o boneco, sobre o olhar confuso do meu namorado, mas ele não disse nada e pude sentir que ele sabia o que tinha em minha mente. Eu queria ficar com ele, mas não tinha como segui-lo para a Inglaterra, para uma faculdade cara, era utópico de mais.
––Tá bom, para ––ele deteu minhas mãos de continuarem desfazendo o boneco.
––Me dá um tempo para pensar ––pedi.
––Tá bom, eu vou entrar, vê se não demora ––apontou para o chalé.
––Não ––balancei a cabeça ––Me dá um tempo até ter sua resposta ––sussurrei.
––Mas eu não fiz nenhuma pergunta.
––Está nos seus olhos, Alexander. Você quer saber se vou para a Inglaterra também.
–Tudo bem, é isso ––bufou ––Mas você sabe muito bem que o tempo está passando e que precisa se decidir. Eu vou de qualquer jeito para a Inglaterra e amaria que fosse comigo, mas a escolha é sua ––tirou a luva e tocou em meu rosto.
––Obrigada ––o abracei ––Obrigada por me dar o direito de escolher.
––Nunca te forçaria a nada ––depositou um beijo na minha testa ––Agora vamos entrar, você está congelando!
O chalé estava movimentado, afinal todos ainda estavam comemorando o noivado de Bia e Will. Pelo que nos falaram os pais de ambos aceitaram a novidade muito bem e fariam um jantar quando voltássemos para Sun West. Levamos muito tempo até meninos e meninas se separarem e irem dormir, cada um em um quarto.
Fiquei na mesma cama que Lucy, ela estava trocando mensagens com Riley, mesmo que estivessem a duas portas de diferença. Enquanto eu me sentia vazia, por não ter ideia se seguir Alec para a Inglaterra era uma boa ideia ou não.
––Rê, estou sentindo sua tensão daqui, o que houve? ––perguntou baixo para não acordar as outras.
––A Inglaterra é legal?
––Bom, se eu estivesse lá a Inglaterra seria definitivamente o melhor lugar do mundo ––Lucy desligou o celular ––Mas, por que a pergunta?
––Alec quer que eu vá com ele.
––E você?
––Eu não sei aonde quero ir.
Nosso tempo em Aspen foi incrível, mesmo que eu tenha caído muitas vezes enquanto esquiava, mas nada superou quando o avião vindo de Los Angeles pousou em Sun West. Eu me senti tão feliz por estar de volta, que até mesmo me assustei, nunca acreditei que sentiria tanta falta daquela cidade.
**
Janeiro passou tão rápido que quando me dei conta já estávamos em Fevereiro. E minha vida estava completamente ocupada de deveres e tarefas, de todos os tipos.
Eu havia tirado minha carteira de motorista, mas papai não confiou o suficiente em me dar um carro. Eu havia virado uma das madrinhas do casamento de Bia e Will –que ocorreria uma semana antes da formatura –então estava ajudando minha amiga a preparar uma festa de casamento na beira da praia. Na mesma praia que aconteceria o festival de talentos da escola, o que eu precisava ajudar a organizar também por ser do Grêmio Estudantil.
Eu estava tendo aulas pesadas de calculo com Alec, pois ele se recusava que eu me desse mal quando estávamos tão perto da formatura, minhas notas aumentaram significativamente e até mesmo meu padrinho reconheceu que Alexander era um bom professor de reforço. Eu estava trabalhando para meu pai, como sempre, mas não conseguia achar aquilo chato. Eu ia visitar Miguel, com Alexander, todo domingo antes do almoço.
Eu conheci o namorado da minha irmã pelo Skype, Santiago era lindo, mas ela disse que já estava se enjoando dele. Eu transei mais duas vezes e com a prática aquilo foi ficando cada vez melhor.
E eu estava sem ideia de o que faria quando precisasse dizer a Alec que eu não me inscrevi para nenhuma faculdade na Inglaterra. Mas que aquilo não significava que eu já tivesse tomado minha decisão final, afinal eu nem mesmo sabia se queria uma faculdade. Então poderia ir com ele sem a necessidade de uma faculdade.
Eu ainda tinha tempo.
**
No último fim de semana de Fevereiro, a praia estava lotada para o Show de Talentos da escola, Lucy era tão influente que além disso conseguiu liberação para que todos acampassem na praia. Ela fez aquilo por mim, pois queria que eu cumprisse mais alguns itens da lista, como dormir sob as estrelas, ver o por do Sol e o nascer do mesmo, mas de uma forma especial.
William e eu seriamos os únicos do nosso grupo a nos apresentar no Show de Talentos, pois ele queria tocar e cantar uma música que a noiva gostava e eu tinha que prova que tinha aprendido a tocar um instrumento. Por sorte eu não cantaria, ficaria apenas tocando e melhor ainda era o fato da música ser do 5 Seconds of Summer.
––Tadinha, ela pensa que sabe cantar ––Heidi disse para uma amiga quando saiu do palco depois de apresentar um show chato e demorado de mágica.
––Posso tacar o violão na cabeça dela? ––perguntei para Will quando a vadia se afastou de onde estávamos.
––Não, você já se vingou com a história da bandeira ––dei um sorriso ao ouvir aquilo, pois os Volturi passaram semanas procurando a maldita bandeira que eles tanto idolatravam, até mesmo cartazes foram espalhados pelas ruas e ninguém a encontrou.
Logo Lucy, que estava apresentando o que ela chamava de “O melhor Show de Talentos do Mundo”, anunciou a mim e a Will. Eu estava nervosa, mas mesmo assim consegui tocar o que eu tinha que tocar, por sorte William também tinha um violão em mãos e se caso eu fracassasse ele assumiria sozinho, mas até que tudo deu certo e conseguimos chegar ao fim da música sem nenhum erro, mas em momento algum tive coragem de olhar para a multidão a minha frente.
Quando o Show de Talentos chegou ao fim, todos começaram a montar suas barracas, eu ficaria na mesma que de Lucy, por motivos de que o diretor não queria meninos e meninas dormindo juntos. Entretanto, Alec dividiria a barraca com Riley e eu trocaria de lugar com o loiro no meio da noite.
––Deus, vocês não sabem nem montar uma barraca ––Riley fez uma cara de desaprovação ao ver Lucy e eu sofrendo para montar a nossa.
––Vai se fuder, Riley! ––a loira exclamou, não sendo nem um pouco educada com o namorado, o que fez os dois começarem a brigar, muito típico dos dois.
Alec sorriu para mim e foi me ajudar a montar a barraca, mas o processo atrasou bastante, pois passamos mais tempo nos beijando do que qualquer outra coisa. Quando Riley e Lucy se acertaram, o que também era típico, foram terminar a armação.
Não só eu, mas todos os alunos da escola que compareceram ao evento se reuniram para assistir o por do Sol. Foi lindo e eu estava colada em Alec durante todo o processo, minha mente estava vazia e eu só conseguia apreciar o momento.
No meio da noite, depois de uma fogueira, uma roda de música e algumas bebidas clandestinas, eu e Riley trocamos de barraca tentando passar desapercebidos. Alexander estava brincando com a lanterna, mas a deixou de lado quando me uni a ele.
––A noite está estrelada ––comentei olhando pela parte superior da barraca dele, que era telada e permitia que víssemos o céu.
––Vem ––Alec me puxou para seus braços, fazendo com que eu deitasse em seu peito.
Fiquei encarando o céu, pela primeira vez iria dormir vendo as estrelas reais, nos braços do garoto que me amava e que eu amava. Beijei os lábios de Alexander, me sentindo desconectada de todo o mundo, mas muito conectada a ele.
Foi a segunda vez que dormi à noite –literalmente –com Alec, foi melhor do que a primeira vez e eu internamente queria que tivessem mais noites assim. Mesmo sem saber do nosso futuro, principalmente do meu.
Acordei um pouco antes do nascer do Sol, todos ainda estavam dormindo, incluindo Alec. Sai da barraca tomando cuidado para não acordá-lo e caminhei para o trapiche, me sentei na ponta, olhando para a água embaixo de mim, até o Sol começar a nascer.
Eu estava sozinha. Eu tinha tomado minha decisão. Eu sabia que não queria ir para a Inglaterra. Eu sabia que o mundo era o que eu sempre quis, dormir observando as estrelas na noite anterior me fez voltar a ser a garotinha que almejava o mundo.
Respirei fundo e me inclinei, pulando na água. Eu não estava mais conectada aos outros, nem mesmo ao Alec. Pela primeira vez senti que estava conectada a mim mesma, pois eu sabia o que queria.
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