Teenage Dream

8 Capítulo Sete- Refúgio


Notas iniciais
O capítulo ia ser mais animado, mas eu fiquei triste (porque não vou ter como cursar psicologia na faculdade que passei –questões financeiras –então vou ter que passar um ano em cursinho para tentar federal...o que não acredito que dará certo) e foram dias tão tristes que eu acabei tendo que fazer esse capítulo um pouco mais dramático e tal. Mas achei que ele ficou muito bom e dá para entender melhor certa personagem. Espero que gostem! ps: disse que Teenage Dream e Clichê seriam provavelmente as últimas Reneslec que eu escreverias, mas tem três histórias rondando minha mente que se encaixam perfeitamente para o casal, então veremos o que vai acontecer.

Capítulo Sete- Refúgio

“Porque talvez

Você vai ser aquela que me salva

E no final de tudo

Você é minha protetora” –Wonderwall, Oasis

Olhei ao redor, querendo ver Lucy surgir de algum lugar, mas não precisei de muito para me dar conta de quem realmente tinha ido me buscar era Alexander, o namorado dela. O garoto dava um sorriso travesso e andou em minha direção, ainda carregando a ridícula placa em suas mãos.

–Olá, você é a Renesmee? –ele me perguntou, colocando a placa a centímetros do meu rosto.

–O que você está fazendo aqui? –arranquei a placa dele e a amassei.

–Vim te buscar –Alexander sorriu e cruzou os braços –Pensei que ruivos não ficassem bronzeados, mas até que você não está mais tão branca assim –inclinou a cabeça para o lado, avaliando meu rosto.

–Cadê a Lucy? –ignorei o comentário ridículo dele.

–Ela teve que ir resolver algo do aniversário dela, não entrou em detalhes, mas disse que era algo super sério, então pediu para eu vir te buscar.

–Obrigada por isso, mas posso pegar um táxi ou ligar para meus pais –comecei a procurar meu celular na bolsa.

–Não seja boba, estou de carro, rápido te deixo em casa –Alexander pegou minha mala mais pesada –Nossa, você comprou metade de Los Angeles, foi?

–É sério, você não precisa me deixar em casa –eu estava agoniada e irritada por Lucy ter feito aquilo, não conhecia Alexander de verdade e ela já o obrigava a virar meu motorista.

–Não é nada demais –ele já arrastava minha mala para fora do aeroporto e fui obrigada a segui-lo –Então, como foi a viagem? –perguntou em quanto guardava minhas bagagens no porta malas.

–Legal –murmurei, ainda constrangida com toda aquela situação.

–Parece que você voltou de um enterro, não de Los Angeles –Alexander sorriu para mim e entrou no carro, contra minha vontade entrei também.

–Eu moro perto do parque da cidade, na rua de trás, a penúltima casa antes da esquina –dei as coordenadas a ele, colocando o cinto de segurança.

–Estou sabendo, Lucy me deu o endereço antes de eu vir –o moreno ligou o carro –que tinha cheiro de novo –e dirigiu muito tranquilamente para fora dos limites do aeroporto.

–Como consegue dirigir tão bem do lado esquerdo? –questionei.

–Sabendo? –riu da minha expressão de raiva –Eu sou inglês, mas aprendi a dirigir nos Estados Unidos, antes de nos mudarmos para cá passamos um ano morando em Boston, pois minha mãe estava dando aulas em Harvard.

Olhei com os olhos arregalados para ele, não só pelo motivo da mãe dele ter dado aulas em Harvard, mas pela forma tão normal que falou aquilo. Alexander não viu minha expressão, pois estava concentrado na rua a sua frente, mas eu tinha certeza de que ele devia ter no mínimo notado o clima que ficou ali.

–Você está surpresa pela minha mãe ter dado aulas em Harvard? –ele por fim me olhou.

–Sim, mas também por você não te se gabado por isso –confessei –É Harvard, uma das melhores Universidades do mundo e sua mãe foi professora de medicina lá –comecei a gesticular demais e logo abaixei minhas mãos para meu colo.

–Ai é que está, foi minha mãe quem deu aulas lá, não eu –observou –Eu seria um idiota presunçoso se me gabasse por algo que ela fez.

–É, você tem razão –engoli em seco.

–Mas só a título de curiosidade, Harvard tem suas falhas.

–Disso eu sei, mas ela continua sendo Harvard, ninguém fica falando do lado ruim de Harvard.

–Mas todos sabem que ela tem um lado ruim, então não passam de hipócritas baratos.

–Até que você não é tão burro quanto eu pensava –deixei escapar, imediatamente mordi a ponta da minha língua, arrependida de ter dito aquilo.

–Como?

–Ai, foi mal, mas é que eu não te conheço e por todo esse seu estereótipo eu podia jurar que você só era mais um adolescente que se preocupa mais com seu cabelo do que com assuntos realmente importantes.

–O que te levou a pensar isso?

–Sei lá, mas você é um cara bonito, filho de pais bastante ricos e tudo que Lucy me contou de você é o quanto seu cabelo é macio.

–É, ela gosta bastante do meu cabelo –Alexander gargalhou alto –Mas juro que não sou apenas um rostinho bonito, até porque quero ser um médico futuramente, não um modelo.

–Ela me falou isso também –admiti.

Ficamos em silêncio por um bom tempo, mas Alexander continuava sorrindo, não tinha como negar o quanto ele ficava bonito sorrindo. Não era um sorriso como o de Daniel, o do inglês tinha algo diferente, parecia que ele estava sempre feliz e aquilo era contagiante.

–Então, você já viu seu vestido e essas coisas de menina para o aniversário da Lucy? –me perguntou.

–Ainda não, mas tenho certeza de que a sua namorada vai ficar muito feliz em escolher tudo isso para mim –pondere –Vocês estão se dando bem? –resolvi perguntar, afinal eu só conhecia o lado da Lucy daquele namoro.

–Sim –Alexander sorriu ainda mais –Ela é muito legal, o verão foi incrível ao lado dela.

–Tudo bem, então saiba o seguinte –tirei o cinto e me virei no banco, para poder olhá-lo melhor, Alexander tinha acabado de estacionar o carro na frente da minha casa.

–O quê?

–Se você ousar a machucar minha amiga, será comigo que irá se entender, ouviu? Lucy é uma das pessoas que eu mais amo no mundo, odeio que as pessoas a machuquem, então não importa quem seja, vai pagar caro se a fizer mal.

–Eu não vou fazer mal algum a Lucy –ele disse sério, tirando o sorriso do rosto –Sei o que o ex dela fez, não sou um filho da puta como o James, então não se preocupe com isso.

–É só um aviso, eu posso ser magrela, mas posso te quebrar em várias partes –dei um soco no ombro dele, o que resultou em Alexander rindo.

–Vai nessa, lutadora de UFC –continuou rindo, por fim me rendi e ri também.

–Melhor eu ir –olhei pela janela e vi que meu avô estava na varanda, olhando na direção do carro com uma cara nada boa.

–Quem é ele?

–Vovô Samuel, ex militar –contei –Então aquele papo de eu te quebrar é sério, porque ele ainda tem contato com as forças armadas –desci do carro, seguida de Alexander.

–Aqui, quer que eu te ajude a levar para dentro? –ele perguntou ao tirar minhas malas do carro.

–Não, dou conta –respondi –Obrigada pela carona Alexander, você realmente não precisava ter se dado todo esse trabalho.

–Foi só uma carona –ele deu de ombros –E por favor, me chame só de Alec, só meus pais me chamam de Alexander e quando estão com raiva.

–Tudo bem, Alec –concordei –Te vejo no aniversário da Lucy.

–Provavelmente antes disso, a cidade é realmente pequena.

–Eu avisei –ri.

–Preciso ir agora, tenho que ir buscar meu smoking para o aniversário da Lucy –Alec beijou minha bochecha e tentei não parecer chocada com aquilo –Até mais Cenoura.

–Cenoura? –perguntei confusa.

–Vai, você é ruiva e só come vegetais –revirei os olhos para a piada estúpida dele, mas não consegui deixar de sorrir.

–Vai embora –peguei minhas malas e deixei com que ele entrasse no carro, esperei o mesmo dobrar a esquina para poder me virar.

Vovô estava me encarando, parecendo que a qualquer momento iria me matar, eu sabia o quanto ele era protetor e um garoto rindo e beijando meu rosto não era algo que ele queria para sua neta preciosa. Reuni coragem e me dirigi em direção a entrada da casa.

–Vovô, estava com tanta saudades de vocês –me inclinei para abraçá-lo.

–Quem era aquele garoto, Renesmee Masen?

–Namorado da Lucy, ele foi me buscar no aeroporto –contei.

–Se você precisava que alguém fosse te buscar deveria ter chamado seus pais, ou seu irmão –vovô se levantou da cadeira e com ajuda de sua bengala rumou para dentro de casa –É inadmissível que um garoto vá sozinho te buscar, é errado, entendeu?

–Vovó, foi só uma carona –entrei atrás dele, deixando minhas malas no canto da sala.

–Isabella! –vovô Samuel me ignorou e gritou por minha mãe.

–Filha, você chegou! –mamãe surgiu da cozinha, indo me abraçar –Oh, você está tão corada –me olhou melhor –As férias te fizeram muito bem mesmo –apertou minha bochecha –Como sua irmã está?

–Bem, ela está com saudades –contei.

–Isabella, Renesmee pegou carona com um completo desconhecido –vovô proclamou.

–Como assim? –mamãe me encarou também –Você disse que Lucy iria te buscar no aeroporto.

–Ela ia, mas surgiu um imprevisto e ela pediu para que o namorado fosse me buscar, ele não é um desconhecido –respondi.

–Ah, o filho dos médicos? –mamãe indagou.

–Sim, ele mesmo. Vovô está surtando atoa –falei, recebendo um olhar mortal de Samuel Masen.

–Tudo bem, Renesmee já explicou quem era o garoto Senhor Masen, não precisamos transformar isso em um caos –mamãe intercedeu.

–Desisto, esse mundo não tem mais limites mesmo –vovô bufou e rumou em direção a sua casa.

–Querida, leve suas malas lá para a área de serviço e coloque as roupas sujas para lavar –mamãe ordenou –Vou terminar de aprontar o almoço, vai comer aqui? Eu tenho que ir para o jornal, aquilo está um caos.

–Acho que vou comer aqui mesmo –sai arrastando minhas malas para a área de serviço –Papai e Emm estão na lanchonete?

–Estão –ela respondeu da cozinha.

Separei minhas roupas sujas e as coloquei para lavar, depois subi com minhas malas, guardei tudo que estava limpo em meu closeth e me permiti deitar por alguns segundos na cama. Olhando para o teto do meu quarto, onde papai tinha revestido com estrelas que brilham no escuro, só consegui me lembrar da lista de coisas que Rachel tinha me dado para cumprir até minha formatura, de trinta itens, apenas um tinha se cumprido e eu estava curiosa em saber como colocaria os outros em prática.

Sorrindo, pela lista e por minhas férias terem sido melhores que o esperado –principalmente por ter conhecido Daniel –olhei ao redor. Meu quarto continuava o mesmo de antes da viagem, duas camas -uma minha e outra de Rachel, que em cima delas tinham nossos nomes- a janela entre as duas, um pequeno criado mudo no chão, com um abajur ali. As paredes eram amareladas, mas tinham papel de parede florido na da porta e a de trás da cama, a que ficava a escrivaninha possuía frases escritas, sejam de livros, filmes ou músicas que minha irmã e eu gostávamos, a outra parede dava entrada para o closeth.

E mesmo que tudo permanecesse o mesmo, eu sentia que eu estava começando a mudar. Provavelmente por estar amadurecendo, por ter passado mais de um mês em um lugar como Los Angeles, ficando com um cara mais velho e na companhia da minha irmã.

Meu celular tocou e aquilo me distraiu do momento de reflexão que eu estava, estranhei quando vi que era uma mensagem de Lucy. Só existiam dois momentos que ela me mandava mensagens: quando sabia que eu não poderia atender suas ligações, ou quando ela estava com problemas demais para falar. Ela já devia imaginar que eu tinha chegado, então não poderia ser a primeira opção.

“Pode vir aqui em casa? O mais rápido possível, por favor!” –ler aquilo varreu para fora de mim qualquer vestígio de felicidade, era obvio que ela estava com problemas, apenas coloquei uma blusa mais leve e desci correndo do meu quarto.

–O que foi? –mamãe perguntou quando cheguei a sala, minha agitação era aparente.

–Já está saindo? –notei a bolsa que ela carregava, mamãe apenas assentiu com a cabeça –Pode ir me deixar na casa da Lucy?

–Você acabou de chegar e nem almoçou ainda –ela fez uma careta, de quem estava prestes a negar.

–Vou almoçar com ela, preciso mesmo ir, mamãe –tentei convencê-la.

–Aconteceu algo?

–Não posso falar –mordi o lábio, como minha própria mãe fazia.

–Tudo bem, acho que entendo –mamãe me lançou um olhar compreensível –Vamos –gesticulou para a porta –Senhor Masen, Nessie e eu estamos de saída –gritou para vovô, que estava na cozinha.

–Tanto faz –ele resmungou, fazendo mamãe rir.

Durante todo o caminho até a casa de Lucy, tive que aguentar as inúmeras perguntas de mamãe sobre a viagem, me limitei ao falar o básico, deixando de fora as festas com álcool e Daniel, já que ela não ficaria nem um pouco feliz se soubesse que Rachel tinha levado uma adolescente de dezesseis anos onde tinha bebida liberada. Mamãe também não gostaria nada se descobrisse que eu tinha ficado com um cara de vinte e um anos, ela surtaria e me deixaria de castigo até eu me formar.

–Quer que eu venha te buscar? –mamãe me perguntou ao parar o carro na frente do enorme portão da casa/mansão dos Denali.

–Não, mas qualquer coisa eu te ligo –respondi e deixei o carro, mamãe não saiu dali até que abrissem o portão para eu entrar –Oi, eu posso falar com a Lucy? –perguntei para a nova empregada que abriu a porta da frente para mim.

–Quem é você?

–Renesmee, Lucy está te esperando na casinha da árvore –Nelly, que era a governanta na casa apareceu, liberando minha passagem.

–Obrigada Nelly –entrei na casa –Será que pode me ver sorvete e biscoitos? –perguntei, sabendo que minha amiga precisaria daquilo.

–Sim, vamos –a mulher me guiou para a cozinha, mesmo sendo uma casa enorme, uma verdadeira mansão, eu já conhecia cada lugar dali, por viver indo para lá com Lucy. Conhecia tão bem o lugar que até mesmo pequenas mudanças como um quadro trocado de lugar era perceptível para mim –Tente alegrá-la um pouco, ela está muito mal –Nelly sussurrou para mim, ao me dar sorvete e biscoitos.

–Pode deixar –sorri em agradecimento para ela e sai pela porta dos fundos, passei pela piscina da casa e caminhei em direção a casinha da árvore.

Lucy sempre ia para lá quando algo dava errado, era o refúgio dela, o lugar onde a loira se sentia protegida, longe de tudo que a fazia mal. Eu era a única pessoa que tinha o direito de entrar ali, era algo que todos sabiam e ninguém tentava contrariar, pois estava muito óbvio para todos que sempre que acontecia algo com ela, era eu quem a protegia.

Com um pouco de dificuldade, por estar carregando várias coisas, consegui subir na casinha. A cena que eu vi quando cheguei lá em cima despedaçou meu coração imediatamente, Lucy estava encolhida no canto, abraçando as próprias pernas e chorando muito. Deixei os doces de lado e prontamente a abracei, o que só fez com que ela chorasse ainda mais.

–Conte o que houve –pedi, ainda a mantendo em meus braços.

–Eles brigaram...de novo –contou enquanto chorava –Foi muito ruim dessa vez –ela tremeu –Falaram coisas horrorosas sobre o outro, quebraram coisas, acordaram os empregados.

–Lucy –a apertei mais forte, sentindo o choro dela só piorar.

–Eles só sabem brigar, se xingar e demonstrar ódio um pelo outro. Eles não estão nem ai para mim, não perceberam o quanto eu estava chorando enquanto eles brigavam, se a Nelly não tivesse ido para meu quarto acho que nem estava aqui.

–O quê? –a afastei de mim, encontrando seus olhos azuis aterrorizados –O que quis dizer com isso, Lucy?

–Pensei em ir embora, pegar o dinheiro que tenho guardado e me meter em um ônibus para qualquer lugar –murmurou –Não aguento mais isso, fingir que tudo é perfeito, que minha família é perfeita, que eu sou perfeita.

–Não, nem comece a pensar nisso –segurei no rosto dela –Você não vai fugir, ouviu bem? Lembra que tem que ser a Rainha do Baile esse ano, já tem o namorado perfeito, só falta isso!

–São futilidades! –ela exclamou –Eu sou uma pessoa fútil, tudo que faço não passa de uma máscara que meus próprios pais construíram para que aparentássemos ser uma família feliz e que todos quisessem imitar. Tudo isso é só para meu pai ter o cargo de prefeito em mãos o máximo que conseguir e para minha mãe continuar sendo a editora chefe do jornal, são as malditas conveniências, eles não estão nem ai para mim, só me usam quando precisam. Eu quero ir embora daqui, eu preciso ir para bem longe deles –ela voltou a se abraçar.

–Lu, eu não posso ficar aqui sem você –disse em desespero –Você é minha melhor amiga, eu não quero te ver ir embora, sei que seus pais são filhos da puta, mas se você fugir vai sofrer ainda mais. Vou sofrer vendo você sofrer.

–Mas dói muito, Rê.

–Eu voltei –limpei o rosto dela –Estou aqui, vou ficar ao seu lado, vai para minha casa hoje, ai você alivia a mente.

–Quero cancelar meu aniversário –sussurrou.

–Não Lucy –balancei a cabeça –Não pode fazer isso, você estava super animada com ele, vai te fazer bem –voltei a abraçá-la –Promete que não vai fazer isso.

–Prometo –falou baixinho –Preciso de chocolate, por favor.

Peguei o sorvete, que estava derretendo, os biscoitos e entreguei para Lucy. Comemos juntas, enquanto ela continuava chorando, eu não tinha ideia do que fazer para animá-la, eu era mau humorada de nascença, divertir alguém não se aplicava a mim.

–Então, obrigada por pedir que Alec fosse me buscar –falei –Ele é bem legal –comentei –Vocês dois combinam muito.

–Ele é demais mesmo –ela deu um mínimo sorriso.

–Você está apaixonadíssima por ele –a empurrei de leve com o ombro.

–Eu acho que amo o Alec!

Notas finais
Gostaram? Preciso mesmo saber o que estão achando da história, então comentem, por favor. Beijos. Lola Royal. 12.12.14