Teenage Dream

9 Capítulo Oito- Aniversário


Notas iniciais
Então gente, Teenage Dream é muito mais fácil para eu escrever, por inúmeros motivos, então pretendo me concentrar nela por um tempo, mas não irei abandonar Clichê. Espero que gostem do capítulo. ps: Me sugiram nomes masculinos (ingleses) que combinem com o nome Catherine, agradecida.

Capítulo Oito- Aniversário

“Nós vamos ficar juntos, vamos comemorar

Vamos nos reunir, como se fosse seu aniversário

Eu não quero saber, o que eu vou fazer

Eu não me importo para onde você está indo,

eu vou junto com você” –Birthday, Kings of Leon

A frase de Lucy me pegou de surpresa, obviamente eu já tinha a visto amando antes, ela amava James e muito, mas saber que ela já estava amando Alexander era um pouco assustador. Não só por eles estarem juntos há pouco tempo, mas por eu não acreditar que ela já tinha deixado de amar o ex, pois apesar de tudo, James sempre foi o amor da vida da loira.

–Isso é sério? –perguntei perplexa.

–Acho que sim –ela suspirou, parando de chorar aos poucos –Alec me faz muito bem, ele e tudo que eu mereço, é inteligente, esperto, divertido, bonito. James me machucou muito, todos os caras que fiquei depois foram idiotas e imaturos, mas com Alexander é bem diferente.

–Tenho certeza de que serão muito felizes juntos –forcei um sorriso para ela –Então, que tal irmos logo para minha casa? Assim podemos aliviar todo esse estresse dançando no Xbox.

–É uma ótima ideia –Lucy deu um enorme sorriso, comendo mais alguns biscoitos –Vamos logo –descemos da casinha de árvore, deixamos o resto da comida na cozinha e rumamos para o quarto dela.

Bem diferente do meu, o quarto de Lucy parecia de uma princesa, com cores claras –rosa e branco –ela tinha um lugar muito bem decorado. Recheado de bichinhos de pelúcia, bonecas e uma imensa cama de casal, isso sem contar o tapete felpudo que revestia todo o chão.

–Só vou poder ficar com você hoje –ela falou do closeth –Meu aniversário já é na terça e como hoje é sábado ainda tenho muito o que fazer, não que meus pais se importem comigo, mas a festa tem que ser perfeita.

–Você precisa encontrar roupas e sapatos para mim –lembrei-me daquele detalhe –Ia fazer isso com a minha irmã em Los Angeles, mas me esqueci por completo.

–Esqueceu? Ou estava ocupada demais com Daniel? –ela colocou a cabeça para fora do closeth –Quero saber tudo sobre ele depois.

–Pode deixar –confirmei –Vou te contar tudo, na verdade, tenho uma novidade e vou precisar da sua ajuda –falei ao pensar na lista.

–O que é? –Lucy saiu por completo do closeth.

–Lá em casa te mostro, termina logo de arrumar suas coisas.

–Bem que podíamos fazer uma festinha do pijama –ela sugeriu –Alice e Bia devem estar entediadas.

–É mesmo –considerei –Vou ligar para elas depois.

–Pronto, vamos antes que um dos dois chegue em casa –ela saiu do closeth carregando uma bolsa grande –Quero ter um pouco de paz hoje.

–Prometo que terá isso lá em casa, só dramas do tipo: que cor pintar a cozinha?

–Isso é tudo que eu preciso –Lucy me abraçou –Obrigada por tudo, Rê. Não sei o que seria de mim sem você.

–Só uma loira falsificada –brinquei, fazendo ela me olhar feio, mas rir depois.

Lucy avisou Nelly para onde estava indo e a governanta, que a criou, adorou a ideia da garota ter um dia para se acalmar, longe da loucura que era aquele lugar. Logo entramos no conversível vermelho da minha amiga e dirigimos para minha casa.

–Papai! –exclamei empolgada ao ver que ele estava ali.

–Princesa, é tão bom te ver –ele se levantou do sofá e me abraçou –Como foi a viagem? Algum engraçadinho no avião? Sua irmã está bem? Vocês não aprontaram nada, não é?

–Não, foi tudo muito bem –garanti.

–Hey Lucy, eu trouxe torta de morango da lanchonete, se quiser só pegar na geladeira –falou para minha amiga.

–Tio, você leu meus pensamentos –Lucy sorriu e foi direto para a cozinha, ela já era de casa e circular livremente por lá era normal.

–Ela está bem? –papai me perguntou –Os olhos dela estão vermelhos e inchados.

–Problemas em casa, vou dar uma festa de pijama para animá-la, tudo bem?

–Claro –ele concordou –Se precisar de algo é só pedir.

–Pizza, doces e refrigerante –pedi de uma vez –E quem sabe a casa só para gente, para eu poder chamar um pessoal com baldes de cerveja e animar isso aqui –fiz uma dancinha ridícula.

–Querida, seu senso de humor é péssimo, nem tente –papai fez uma careta –Vou pedir as pizzas e mando Emm trazer o resto da lanchonete, mas se contente com refrigerante, nada de cerveja.

–Vocês não me deixam ser uma adolescente normal –revirei os olhos, fingindo revolta.

–Tudo bem, fique ai tentando trabalhar no seu senso de humor precário, vou para meu quarto ver as contas do mês –falou.

–Algum problema?

–Não, mas se tiver eu uso o dinheiro da sua faculdade –piscou para mim.

–Na verdade, Rachel me mandou pensar melhor sobre esse assunto, ela acha que eu seria muito relapsa se não fosse para uma faculdade.

–Então pense nisso, sabe que vou te apoiar em qualquer decisão –papai beijou minha testa e subiu para seu quarto.

–Lucy? –fui atrás dela na cozinha e ela estava comendo sua amada torta de morango.

–Liga para as meninas –ela me lembrou –Não aguento mais a Alice reclamando que teve as férias mais escrotas da vida dela.

–Ela deve estar revoltada mesmo –peguei o telefone da cozinha e disquei primeiro para minha prima.

–Alô –a voz sonolenta dela atendeu.

–Festa do Pijama na minha casa, vem logo –falei.

–Nessie?

–Sim, vem logo. E se for reclamar das suas férias vai ficar encarregada de limpar sozinha tudo que bagunçarmos.

–Estou indo! –ela exclamou empolgada e desligou.

–Alice é tão fácil –peguei um pedaço da torta de Lucy e liguei para Beatriz –Bia? –chamei quando atenderam a ligação.

–Renesmee, pare de encher o saco da minha namorada –foi William quem atendeu.

–Comprou minha camisa? –questionei.

–Não, nem vou –ele riu de um jeito que era para soar assustador, mas só pareceu mais engraçado –Ai Bia, não me bate.

–Foi mal amiga, meu namorado é tão idiota! –a voz de Beatriz assumiu a ligação –Prometo que ele vai te dar a camisa.

–Espero mesmo, enfim, festa do pijama hoje.

–Ah, isso é sério? –Bia estava mais empolgada do que Alice –Eu te amo ruiva! Estou indo para ai agora mesmo, Lucy já foi?

–Sim, ela já está aqui.

–Ótimo, em meia hora ou menos estou ai –desligou, mas antes ouvi Will resmungando porque ela iria sair.

–Pronto, elas estão vindo –assim que acabei de falar a campainha tocou e fui atender –Demetri! –soltei um gritinho quando um flash me cegou.

–Hey Ness! –ele me abraçou –Pensei que você não ia mais voltar.

–Claro que eu ia voltar, eu nunca deixaria meu Albino de lado –enchi o rosto dele de beijos.

–Vamos sair?

–Não dá, as meninas vão vir para cá hoje –gesticulei para o carro de Lucy na entrada –Festa do Pijama. Amanhã saímos, prometo ser toda sua –pisquei para ele.

–Tá, posso ser trocado por um monte de garotas hoje –ele sorriu –Oi Lucy! –acenou, olhei para trás e vi minha amiga ali.

–Oi –ela sorriu para ele –Você vai ao meu aniversário, não é?

–Toda cidade vai, por que eu iria? –ele apontou a câmera para ela e tirou uma foto –Essa ficou boa.

Lucy foi até Demetri e o abraçou, voltando a chorar, ele me olhou confuso, mas devolveu o abraço. Apenas mexendo os lábios, sem deixar com que som nenhum saísse de minha boca, falei para ele que ela estava em um péssimo dia.

–Vai ficar tudo bem, Lucy. Eu vou ao seu aniversário, sei que sou irresistível e todos vão querer me ver, não precisa ficar triste. Prometo que vamos dançar o quanto você quiser, posso tirar fotos incríveis também –afagava o cabelo dela.

–Obrigada –Lucy se afastou dele e limpou o rosto –Se você não for estará muito encrencado na minha mão –lançou um olhar ameaçador para ele, mas logo em seguida beijou sua bochecha –Nessie, eu vou para seu quarto –ela pegou sua bolsa e seguiu para a escada.

–O que aconteceu com ela?

–Não tenho permissão para contar, então nem comente com ninguém que viu ela nesse estado –pedi.

–Tudo bem, isso morre comigo –Demetri assentiu –Vou deixar você dar sua festinha do pijama. Amanhã a gente sai para tomar sorvete de noite na praia?

–Perfeito –concordei –Te vejo amanhã –o abracei mais uma vez e me despedi dele.

Encontrei com Lucy no meu quarto, ela estava alinhando meus livros, com sua irritante mania de ser perfeccionista. Evitei falar isso para ela e procurei pelo que tinha de lhe mostrar.

–Lu? –a chamei.

–Sim? –ela continuava fixa nos livros.

–Vem aqui –me joguei na cama de Rachel –Olha só –estendi a lista para ela, a loira passou algum tempo lendo, para então me encarar confusa.

–Qual o significado disso?

–Trinta coisas que eu devo fazer antes da minha formatura –contei animada –Foi ideia da minha irmã, sabe como Rach tem uma mente criativa quando o assunto é diversão.

–E você vai beijar o Demetri? Nadar pelada? Infringir a lei? –perguntou gargalhando.

–Bom, eu não preciso fazer tudo –falei –Rach só me deu a lista, não tarefas, mas alguns itens são bem divertidos.

–Gostei desse de fazer uma tatuagem –Lucy deu um sorriso aprovador –Quem sabe eu cumpra esse com você.

–Seria demais –peguei a lista e a guardei –Então, você transou com o Alec? –perguntei, louca para saber disso.

–Sua pervertida –ela me jogou uma almofada, mas riu –E não, eu não sou assim tão vadia.

–Lucy, eu te conheço, você está esperando seu aniversário, não é? Para poder comemorar em grande estilo.

–E eu faria diferente? –ela suspirou de forma apaixonada –Vai ser no dia seguinte ao meu aniversário, porque no dia mesmo fica impossível com a festa, ele já até reservou um quarto de hotel.

–Oh tão romântico –debochei –Não se esqueça das velas e rosas vermelhas.

–Bom, pelo menos será melhor do que fazer sexo no carro de James.

–Lucy, sua primeira vez é algo que você não deve se lembrar, é ridícula. No carro é o poço do clichê de colegiais, ainda mais por ter sido depois de um baile.

–Não posso fazer nada –ela riu e se deitou na minha cama –Foi boa mesmo assim, você devia experimentar.

–Vai sonhando –revirei os olhos –O quão longe você já foi com Alec?

–Pouco, apesar de eu querer mais, só que não quis parecer uma vadia para o cara que estou namorando.

–Compreensível –assenti.

–Ele também é mais experiente do que eu, posso ter beijado vários caras, mas só transei com James e Alec já dormiu com mais de uma garota.

–Nossa, ele é bem rodado –gargalhei.

–E por que você não transou com o cara da viagem?

–Isso não estava em questão, apesar da gente ter chegado bem perto –abri um enorme sorriso só de me lembrar de Daniel.

–De acordo com aquela lista, você vai precisar fazer sexo, então começa a pensar logo com quem vai ser –Lucy me lançou um olhar desafiador.

Não demorou muito para que Beatriz e Alice chegassem, elas estavam realmente empolgadas com a ideia da festa do pijama. Passamos o resto da tarde dançando no Xbox da sala, servidas das pizzas que papai pediu. Só ali me percebi o quanto estava com saudades delas, eram minhas amigas e eu adorava as ter por perto.

Se fosse preciso definir cada uma de nós com poucas palavras, ficaria mais ou menos assim: Lucy a líder, Alice a atrevida, Beatriz a divertida, Renesmee a observadora.

–Ei meninas! –Emmett ficou todo animadinho quando chegou da lanchonete e nos encontrou ainda na sala –Como vocês estão?

–Continuamos não sendo para seu bico –Lucy gesticulou para ela e Beatriz, já que Alice era prima de Emmett e não tentaria nada com ela.

–Você é tão agressiva, gatinha –ele sentou ao lado dela no sofá –Sabe que se quiser sair comigo não precisa se fazer de difícil.

–Emmet, você tem namorada –o lembrei –Se esqueceu da Rosalie?

–Não, droga! –ele saiu do sofá –Você sabe estragar o clima maninha, Lucy estava quase cedendo.

–Nem em seus sonhos –ela revirou os olhos.

–E você Bia? –ele se aproximou dela, que estava dançando com Alice.

–Meu namorado é o novo quarterback da escola, você não é mais tão interessante –ela riu da cara dele.

–Vocês são cruéis –meu irmão bufou e deixou os doces que tinha trazido da lanchonete comigo e foi para seu quarto.

Quando cansamos de dançar, seguimos para meu quarto, todas trocamos de roupas e ficamos reunidas na minha cama fofocando. Alice contava tudo que tinha acontecido na cidade para mim e Bia que tínhamos viajado, enquanto fazia tranças no cabelo loiro da namorada de William, eu estava fazendo cafuné em Lucy, que estava deitada em meu colo, quase dormindo depois de tudo que tinha acontecido com ela nas últimas horas.

Passamos o resto da noite conversando, sobre as férias, o aniversário de Lucy dali a alguns dias, o que esperávamos do último ano no colégio. Também mostrei a lista a elas e todas prometeram a me fazer cumpri-la por inteiro, afirmando que a ideia era incrível.

Tive que mostrar todas as fotos que tinha tirado com Daniel e contar tudo que sabia dele. Beatriz confessou que ela e William tinham tentado transar, mas só uma vez e foi tão estranho que preferiram esperar para tentar de novo, isso foi o suficiente para Lucy rir da cara dela, e Bia xingá-la.

As duas tinham um relacionamento instável desde que Lucy foi chutada pelo irmão de Beatriz, elas passaram um bom tempo sem nem mesmo olharem uma na cara da outra, mas por fim acabaram se reaproximando. Só que algumas vezes elas continuavam brigando, principalmente por Bia ter avisado que não era para Lucy ter se envolvido com James, sabendo como o irmão não prestava e como aquilo sobraria para ela depois.

–Isso é injusto –Alice suspirou chateada –Bia tem o Wiil, Lucy tem o Alec e Nessie tem o carinha de Los Angeles, por que eu devo ser a única solteira?

–Eu estou solteira, o que tive com Daniel ficou em Los Angeles.

–Mesmo assim você teve algo, o máximo de diversão que tive foi me empanturrar de bolo da vovó Renee.

–Vamos achar um cara para você –Lucy deu um tapinha na coxa de Alice –Meninas, eu preciso dormir.

–Acho que todas nós precisamos –conclui –Não parei desde que cheguei de viagem.

–Eu durmo com a Alice, ela não chuta igual uma maluca enquanto dorme –Bia pediu logo, sabendo o quanto eu chutava quando estava dormindo.

–Idiota –mostrei a língua para ela.

–Pode deixar, eu te suporto –Lucy expulsou as outras duas da minha cama e deitou comigo.

–Obrigada amiga –desliguei a luz do abajur –Boa noite gente!

–Boa noite –o coro respondeu e todas nós caímos em um silêncio tranquilizador.

–Rê, ainda dói muito –Lu sussurrou para que só eu ouvisse, apenas a abracei e deixei com que ela chorasse silenciosamente até dormirmos.

A cozinha estava uma loucura na manhã seguinte, quatro garotas conseguiam fazer muito barulho quando queriam. Mesmo assim, era perceptível o quanto mamãe estava feliz em ter todas nós em casa, ela sentia muita falta de Rachel e minhas amigas tapavam o buraco da falta de sua filha mais velha, peguei ela sorrindo diversas vezes para mim e só consegui sorrir de volta.

Apesar de sempre nos desentendermos, eu não podia deixar de agradecer por ela ser uma mãe incrível, que realmente se importava comigo. Só que ao mesmo tempo aquilo me incomodava, pois Bia tinha uma mãe tão legal, Alice tinha vovó que era uma mãe multiplicada por mil para ela, mas Lucy só tinha Carmen, que nem se preocupou em ligar para a filha no dia anterior.

Bia também não tinha ido escolher seu vestido para o aniversário, e como Lucy passaria o dia ocupada, com os preparativos finais para a festa, decidi dispensá-la daquela missão e ir com a outra loira. Alice iria conosco, mas vovô sempre a levava para pescar nos domingos, o que não era estranho, pois ela gostava daquilo.

Mamãe se disponibilizou a levar a mim e Beatriz para o shopping, mas ela não poderia ficar conosco, pois iria sair para almoçar com papai, então ainda iria se arrumar para o encontro deles. Demorou muito, mas encontramos vestidos que consideramos excelentes para a festa, um azul para mim e um preto para Bia.

Ficamos por mais algum tempo pelo shopping, ela queria conversar sobre sua frustração sexual de não conseguir fazer sexo com Will, mesmo que eles já estivessem juntos por muito tempo. Como eu não tinha conhecimento algum nesse campo, preferi apenas ouvir ao falar alguma besteira, no fim sabia que Bia sempre ouviria conselhos sexuais de Alice, que do nosso grupo era a que já tinha transado com três caras, o que eu tentava não julgar, pois nenhum deles foi seu namorado e pelo fato dela ter apenas dezessete anos, completados dois meses antes.

As pessoas só chamavam Lucy de vadia, porque Alice era sempre muito mais discreta em suas conquistas, pois em comparação ela saía em disparada. Eu às vezes me sentia humilhada por ter uma lista ridícula de ficantes e sem nenhum sexo incluso.

Cheguei em casa pouco depois do almoço, mas estava tão cansada que fui direto para cama, só pedindo que eu não dormisse muito e esquecesse de sair com Demetri depois. Por sorte, mamãe estava avisada disso e assim que ela chegou me acordou, tive tempo suficiente para conversar com Lucy por ligação, me certificando que ela estava bem e depois ir me arrumar para sair.

Estar com Demetri era bem diferente de estar na companhia das meninas, mas por muitas vezes eu preferia a calma que ele transbordava, era muito mais fácil de lidar com ele do que com um monte de hormônios femininos, inclusive os meus. Enquanto tomávamos sorvete na beira da praia, pude contar tudo sobre Daniel e o quanto eu tinha adorado ele, e estava levemente chateada por ele ainda não ter me mandado uma mensagem sequer.

–Ele vai mandar, você voltou ontem, não seja egocêntrica –Demetri revirou os olhos –Os homens odeiam quando as mulher ficam com cobranças desnecessárias.

–Falou o namorador –o provoquei.

–Então, Lucy está mesmo firme com aquele tal de Alexander, não é?

–Sim, para valer –confirmei, vendo Demetri entristecer –Albino, você sabe como Lucy é e sabe que quando vocês ficaram ela só queria curtição...

–Eu sei –ele me interrompeu –Mas gosto muito dela, deve ser só um sonho bobo de um adolescente.

–Eu queria ter um sonho adolescente –murmurei.

–Como?

–Sei lá –suspirei –Mas minha adolescência é tão sem graça, monótona e entediante, como essa cidade –olhei ao redor, onde tudo estava quieto, mesmo que ainda fosse verão e em pleno domingo a noite.

–Pense no que você quer como sonho adolescente –Demetri sorriu –Você é uma garota incrível, vai arranjar um jeito de realizá-lo.

–Obrigada –sorrir de volta para Demetri e começamos a conversar sobre banalidades para nos distrairmos.

Quando o dia do aniversário de Lucy chegou, uma maldita espinha resolveu aparecer também e se instalar na minha testa. Minha única solução para não parecer ridícula foi aceitar a sugestão de mamãe e deixar a cabeleireira fazer uma franja em mim, o que foi doloroso, mas era uma franja bonita, que ia do lado direito para o esquerdo do meu rosto e cobria a espinha e parte de minha testa.

Tinha ficado bonito, palavras de Alice e ela era cheia de frescuras com cabelo, nunca cortava o seu –que era castanho claro e volumoso –então tinha direito de julgar o meu. Por fim me acostumei com a franja, ela tinha me salvado daquela espinha horrorosa e combinou com meu rosto.

Como Lucy era muito próxima da minha família, acabou por convidar todos nós para seu aniversário, até mesmo vovô Samuel, mas ele se recusou a sair de casa. Então papai e mamãe levaram a mim, Emmett e Alice.

Lucy estava belíssima em um vestido rosa e preto recebendo os convidados na entrada do salão de festas, acompanhada de seus pais, que estavam com a patética mascaras de que se amavam e amavam a filha. Minha vontade era entregá-los para toda a sociedade, revelar que eles não passavam de uma farça e faziam muito a mal a própria filha.

–Parabéns –fui a última da minha família a abraçá-la, Lucy soltou um gritinho animado ao me abraçar e demos alguns pulinhos de animação.

–O que aconteceu com seu cabelo? –ela notou.

–Ganhei uma espinha de presente –passei a mão pela frente.

–Bom, ao menos o corte ficou bonito –piscou para mim –Está se formando fila –olhou para os convidados que estavam se acumulando atrás de mim –Melhor você entrar logo, te vejo depois –voltou a me abraçar.

Cumprimentei os pais dela e segui para o salão, a decoração estava impecável, como tudo que Lucy colocava as mãos, ela tinha um dom incrível de organização e mesmo aquilo sendo reflexo dos pais, era algo que acabava a ajudando de várias formas. Meus pais já estavam sentados com os de Beatriz e de Riley, outro de nosso grupinho de amigos.

Tinham várias pessoas da nossa escola ali, mas segui para a mesa onde a maioria dos meus amigos estavam, cumprimentando os outros com sorrisos e acenos, depois falaria melhor com cada um deles. Mal cheguei perto da mesa para onde estava me dirigindo e fui abraçada por Jacob, que me deu um selinho, o que era normal entre ele e eu, pois a cidade inteira já sabia que o mesmo era gay.

–Senti sua falta, cabelos de fogo. Trouxe um cachecol maravilhoso para você da França, depois lhe entrego.

–E como eu vou usar um cachecol no calor de Sun West? –questionei.

–Droga, não pensei nesse detalhe, vamos dar um jeito nisso –prometeu.

–Tudo bem –sorri e fui falar com os outros que estavam na mesa, tirando meu irmão e Alice.

Rosalie, a namorada de Emmett vestia um belíssimo vestido verde, mas notei que ela tinha engordado significativamente durante o verão, o que seria um caos nas voltas as aulas, já que a garota de cabelos castanhos acobreados era capitã das lideres de torcida. Riley, um loiro de olhos castanhos cor de chocolate, me lançou um olhar muito sugestivo ao ver meu vestido curto, mas não dei um mínimo de moral para ele, afinal eu não daria chance para o cara que tinha transado com Alice.

–Comprei sua camisa, vou te levar outro dia –William, murmurou contrariado quando fui cumprimentá-lo, apenas gargalhei e abracei o loiro de olhos azuis claros.

–Sabia que você ia comprar.

–Oi amiga! –Bia foi a próxima a me abraçar –Você está incrível com esse cabelo!

–Valeu –agradeci e me voltei para Alec, que conversava com Alice, ele tinha sido apresentado para meus amigos antes de eu voltar para Sun West, já que fui a última que viajou a retornar –Oi inglesinho –estendi minha mão para ele, não tendo certeza se um abraço já era algo normal para nós dois.

–Oi Cenoura –ele rebateu, apertando minha mão –Gostei do cabelo, parece o da minha irmã quando ela tinha cinco anos –provocou, fazendo Alice rir.

Bufei e fui me sentar perto de Riley, mesmo que ele continuasse com aquela carinha de quem queria muito mais do que ser apenas meu amigo aquela noite. Demetri não iria, pois tinha brigado com o padrasto, o que era um saco, sugeri que meus pais fossem falar com a mãe dele, mas ele negou, dizendo que não adiantaria de nada, já que era o padrasto que sempre tinha as decisões da casa em suas mãos.

Estar com meus amigos aquela noite foi divertido, mesmo que Lucy só conseguisse passar alguns minutos com a gente, antes de ter que ir falar com o restante dos seus convidados, parecia que toda a cidade tinha sido convidada. Até a hora dos parabéns, permanecemos todos em nossa mesa, apenas comendo e conversando, eu falava mais com Riley, Bia e Will, mas falei com Alec algumas vezes e ele me fez rir de algumas piadas idiotas.

Quando Lucy finalmente se reuniu com os pais perto do bolo, todos ficaram de pé para cantar os parabéns para ela, imitações de fogos de artifício foram soltos de perto do bolo, criando um visual incrível. Eu não sabia se tirava fotos dela naquele momento, ou se guardava as imagens apenas em minha mente, preferi seguir a segunda opção, sabendo que tinham fotógrafos para aquilo.

Assim que a pista de dança foi liberada, Alexander foi dançar com a namorada e Jacob me arrastou para dançar também. Eu amava dançar com Jake, então ficamos durante um bom tempo dançando juntos, mas ele começou a se requisitado para dançar com outras garotas e teve que me deixar sozinha, o que não durou por muito tempo, por Riley surgiu me tirando para dançar.

–Você está muito bonita hoje –o loiro disse, conseguindo que eu ouvisse mesmo com a música eletrônica altíssima –Quer ir lá para o jardim? A gente pode conversar melhor.

–Eu não vou ficar com você –fui taxativa em minha frase e me soltei dele –Você foi o cara que tirou a virgindade da minha prima e nem se deu ao trabalho de pedi-la em namoro, eu seria uma vadia se aceitasse ficar com você depois disso.

–Ei! Alice quis transar tanto quanto eu, ela não parece nem um pouco mal por eu não ter pedido ela em namoro, então não me faça sentir culpa por isso, porque não tinha nem um mês que dormi com ela e a garota já estava com outro.

–Isso não vem ao caso –mordi a boca, ao me lembrar da história, Riley de fato não era culpado de nada, mas eu não conseguiria ficar com um cara que tinha feito bem mais do que simplesmente beijar minha prima.

–Tudo bem, desculpa –me rendi –Mas não vai rolar nada entre a gente.

–Renesmee, nos conhecemos a anos, algo entre a gente poderia ser muito bom –ele insistiu.

–Não tem clima para mim, não só por meus pais estarem aqui, ou por você ter ficado com a Allie, eu só não consigo me imaginar ficando com você. Desculpa –suspirei e sai da pista de dança, voltando para a mesa, onde apenas Alec estava.

–Vocês estavam brigando? –ele apontou com o queixo para Riley, que seguia em direção a um grupo de garotas da nossa escola.

–Um pequeno desentendimento –sentei ao lado do inglês –Ele ficou com a minha prima e agora quer ficar comigo.

–E as meninas tem o pacto de não dividirem o mesmo homem, mesmo que eles não estejam mais com uma delas.

–Isso, é tipo a lei mais sagrada que existe no mundo das meninas –assenti –Seriamos todas vadias se fizéssemos o contrário.

–Quer dançar? –ele questionou, de forma entediada –Lucy tem que dar atenção aos outros para ser uma incrível anfitriã e eu conheço pouca gente ainda, ficar sentado sem fazer nada me dá sono.

–Tudo bem, vamos lá –me levantei da mesa e fomos para a pista de dança.

Alec era totalmente sem jeito dançando, eu tinha o visto dançando com Lucy antes e notado o quanto aquilo a irritou, já que ela era uma dançarina completa. Só que eu não consegui ficar irritada com a forma desengonçada que ele se mexia, apenas achava graça e tentava ensiná-lo a se mover da melhor maneira possível, o que não era muito fácil, uma vez que a música era animada demais para aulas de dança.

–Eu só péssimo nisso –ele gargalhou, pisando no meu pé –Foi mal, Cenoura.

–Até o fim da noite você quebra meu pé –estava doendo, mas eu só conseguia achar graça de toda aquela situação.

–Quer parar? –perguntou preocupado –Sou um péssimo aluno.

–Não, eu não desisto tão fácil –me recompus –Vamos tentar fazer você parar de parecer um cavalo que acabou de nascer.

–O quê? –não entendeu minha comparação, apenas sorri e dei de ombros.

–Aqui –coloquei as mãos dele em minha cintura, sentindo um arrepio percorrer meu corpo quando o contato entre a gente ficou em níveis bem elevados de proximidade –Você só precisa seguir meu ritmo –murmurei, sem conseguir desviar meus olhos do dele e Alec também não desviava.

–Estou pronto –ele deu um daqueles seus sorrisos contagiantes.

Comecei a me mexer conforme a música, fazendo com que o inglês acompanhasse meus movimentos. A música era a única coisa que eu conseguia prestar atenção sem ser as mãos de Alec em minha cintura, os olhos dele vidrados no meu e minhas próprias mãos em seus ombros.

Uma sensação estranha tomava conta de mim, mas eu não conseguia identificá-la, muito menos me distanciar de Alec para pensar melhor. Só que no meio daquilo tudo a conversa que eu tinha tido com Demetri dois dias antes voltou a latejar em minha cabeça e eu só conseguia pensar em duas palavras: Sonho Adolescente.

E aquelas duas simples palavras, cabiam perfeitamente quando referidas ao garoto que estava dançando comigo. O namorado da minha melhor amiga.

Notas finais
Gostaram? Por favor, comentem. Beijos. Lola Royal. 14.12.14