Teenage Dream

5 Capítulo Quatro- Anjos


Notas iniciais
Bom, eu ainda não ia postar esse capítulo e tal, mas preciso contar algo. Estou pensando em transformar Teenage Dream em uma original aqui no site, ou seja, eu ia alterar algumas coisas, ou melhor, apagar e postar de novo, com tudo certinho para um original. Mas queria saber o que acham disso, to pensando nisso porque gosto demais dessa história e queria que ela tivesse uma visibilidade maior –isso incluiu meu desejo por comentários nela, já que eles estão bem poucos ultimamente –enfim, deem a opinião de vocês, vou super levar elas em consideração. Espero que gostem do capítulo.

Capítulo Quatro- Anjos

“Perdido na cidade dos anjos

Lá no conforto dos estranhos

Me encontrei nos Alpes queimados

Na terra de um bilhão de luzes” –City Of Angels, 30 Seconds To Mars

Uma vez, para um trabalho, tive que pesquisar sobre um tema de minha preferência e escrever um texto de opinião sobre o mesmo. Como eu tinha me esquecido da pesquisa –só lembrando na manhã que eu deveria entregar o trabalho para o professor –acordei mais cedo do que costumava, para poder fazer isso sem ferrar com a minha nota.

Como meu humor era péssimo pela manhã, a primeira coisa que digitei no Google foi dificuldade para acordar cedo e uma página levou a outra e eu parei em uma que falava sobre Sociedade B. Era basicamente um grupo de pessoas que não se encaixavam no horário comercial –das 8 às 18 –e queriam que os demais entendessem que isso não se tratava de preguiça, sim de uma série de fatores biológicos.

Obviamente eu me considerei uma pessoa B, afinal eu não era nada funcional pela manhã, mas quando fui expor essa ideia para meus pais, eles me mandaram parar de ser preguiçosa e ir trabalhar. Ao menos meu professor gostou do que escrevi, só não me deu nota máxima pois considerou que coloquei muito meus sentimentos no meu texto.

E toda essa linha de pensamento se dava pelo fato de que eu estava acordada às sete da manhã de um domingo, mas pela primeira vez na minha vida não tinha uma expressão de raiva por ter acordado tão cedo. Era meu grande dia, eu entraria em um avião, passaria meia hora nele e desembarcaria na Cidade dos Anjos.

–Querida calma, seu voo é só daqui há cinco horas –mamãe disse quando entrei as pressas na cozinha, ela era a única por ali.

–Tenho que checar minhas malas –comecei a preparar meu café da manhã –Ver se não esqueci nada, vai que eu perdi algum documento importante e não me dei conta –enchi um copo grande com leite –Além do mais, é verão, Sum West finalmente tem alguma finalidade e as ruas daqui até o aeroporto podem estar cheias, o aeroporto pode estar cheio.

–E você não quer correr riscos em sua tão sonhada viagem –ela sorriu para mim, bebericando um pouco do seu café –Leva um pacote de camisinhas, então –falou, me fazendo corar imediatamente.

–Mãe, eu sou virgem e não pretendo perder minha virgindade em Los Angeles –menti, era minha grande intenção naquela viagem, mas morria de receio de isso não agradar minha mãe.

–Ai Ness –mamãe gargalhou –Você tem quase dezessete anos, se no meu tempo as meninas já transavam cedo, hoje em dia está ainda pior, então não tente mentir para mim, você com certeza não é mais virgem.

–Estou falando sério, eu sou virgem –a encarei, deixando minha comida de lado –Nem tenho um namorado, como teria feito sexo?

–Querida, não é preciso ter um namorado para fazer sexo –falou rindo.

–Mamãe, você está me constrangendo –bebi um longo gole do meu leite.

–Tudo bem –ela suspirou –Já que você é virgem, promete contar para mim quando for decidir fazer pela primeira vez?

–Por quê? –a encarei meio enojada, minha mãe passava de todos os limites de boa convivência quando queria.

–Porque sou sua mãe –disse o óbvio –Devo participar da sua vida, te aconselhar, te orientar, te ajudar no que for preciso.

–Claro, o papo de sexo –revirei os olhos –Olha, eu já estudo educação sexual na escola, acho que não quero ver você me ensinando a colocar uma camisinha –fiz uma careta.

–Renesmee, eu não estou falando do ato sexual, estou falando de sentimentos, do seu psicológico.

–Mãe, você é jornalista, não psicóloga –fiz questão de lembra-la disso.

–Querida –ela me olhou séria –Rachel me contou quando pretendia transar pela primeira vez, ela estava com aquele garoto, o Joshua. Eu a orientei e ela não passou nenhum problema, por que com você tem que ser assim? Devíamos ser mais próximas!

–Ai mãe, eu não tenho paciência para essas conversas –suspirei, me controlando para não contar que Rachel não tinha nem de longe tido sua primeira vez com Joshua, que foi seu último namorado do colegial.

Minha irmã, tinha tido sua primeira transa com cartoze anos, em uma festa que ela foi fugida dos nossos pais. Joshua não foi nem de perto o primeiro cara com quem ela transou, mas eu não contaria isso para minha mãe, ou ela surtaria com Rachel e eu perderia minhas férias e por tabela a confiança da minha irmã mais velha.

–Tudo bem, se não quer falar sobre sexo, não falaremos –ela desistiu, mas foi por míseros segundos, pois logo achou outro meio de me atormentar –Como foi a festa de ontem?

–Chata, odeio essas festas que a Lu me arrasta para ir com ela –desisti do leite e parti para o cereal.

–Não conheceu ninguém legal? –ela perguntou esperançosa.

–O filho do diretor do hospital é legal –comentei, me lembrando automaticamente de Alexander e Lucy se beijando e depois do meu sonho, onde era eu quem o beijava.

–Isso é interessante, acha que rolou um clima?

–Mãe, você é absurda! –exclamei.

–O quê? Por quê?

–Não rolou clima nenhum, tá legal? Ele na verdade ficou com a Lucy, para de fantasiar coisas mirabolantes nessa sua mente.

–Desisto, é impossível conversar com você –ela saiu da cozinha irritada.

Não era minha culpa, mas eu e mamãe sempre acabávamos brigando, não sei exatamente o porque. Talvez por eu me sentir a menos preferida entre os irmãos, era bem provável ser isso. Rachel tinha as atenções sempre para ela –não importando de onde estivesse –, era esperta, comunicativa e nunca estava irritada com ninguém. Já Emmett era o único menino e mamãe o idolatrava por ser seu “príncipe”.

Quanto a mim, eu sempre ficava em segundo plano. Podia ter notas altas, mas meus pais e o resto da família diziam que aquilo não passava da minha obrigação. O fato de eu ser uma líder de torcida nunca agradou minha mãe, que declaradamente odiava qualquer coisa que expusesse uma mulher, ela tentou me subornar a sair do grupo, mas eu bati o pé e continuei. Fora o significativo caso que Lucy passava de mim em tudo, então eu sempre era a segunda em qualquer merda que tentasse fazer, então eu nunca era homenageada por porcaria nenhuma.

Eu podia amar minha mãe, mas ela sempre ficava forçando nossa relação, como se fosse a dona da verdade ficava querendo me encher de conselhos e me tratar como se eu fosse uma criancinha que precisasse de ajuda para atravessar a rua. E o jeito dela era bem pior do que o de papai, pois ele era superprotetor, mas sempre me incentivou a caminhar sozinha. Não via a hora de sair da casa dela e provar que eu podia muito bem atravessar a maldita rua da vida sem ela tentando controlar cada passo que dava.

–Nossa, como você acordou cedo –papai entrou na cozinha –Sua mãe entrou no quarto reclamando que você está dando uma de adolescente rebelde, devo me preocupar?

–Não –resmunguei, desistindo do cereal também, meu bom humor tinha ido para o espaço e voltei a ser a garota que odiava acordar cedo.

–O que ela falou para te irritar? –me perguntou, enquanto ia preparar umas panquecas.

–Ela quer me atravessar –me voltei para ele –Quer pegar minha mão e me guiar.

–Filha, não estou entendendo nada –ele me olhou confuso –Explique-se.

–Mamãe quer estar comigo a todos os momentos da minha vida, quer saber cada pensamento que eu tenho, quer ter controle de tudo que eu faço. Isso é frustrante!

–E sabe que isso só vai piorar –me lançou um olhar significativo.

–Contou algo para ela? –perguntei preocupada.

–Não –ele negou prontamente –Combinamos que seria você quem jogaria a bomba no colo dela –piscou para mim.

Fiz uma careta de desespero ao imaginar como isso seria terrível, o problema era que eu estava decidida de que não queria ir para uma faculdade e mamãe nunca concordaria com isso. Meu pai nunca tinha ido para a Universidade, ele sempre dizia que não tinha um curso que unisse as duas paixões dele em uma, então decidiu juntar dinheiro, emprestar dinheiro e montou a lanchonete, podendo conciliar a gastronomia e a administração de um empreendimento. Por outro lado, mamãe sempre foi a aluna exemplar, desde a educação básica até se graduar como jornalista.

Rachel estava na Universidade, cursando biologia, então mamãe tinha acertado com ela. Mas já tinha “perdido” Emmett e nunca iria querer que eu deixasse de estudar no Colegial. A grande questão era que eu não conseguia me imaginar em uma Universidade –fosse ela de alto padrão ou uma comunitária -, apesar das altas notas que eu fazia questão de manter. Meu sonho era ser bem maior do que isso, era por esse motivo que eu passava horas escrevendo, para um dia ter um livro de sucesso e provar que um diploma de faculdade não me tornaria uma escritora de méritos.

–Vai da tudo certo, Eufrazino –papai beijou minha cabeça, me chamando pelo apelido idiota de um desenho animado, aquele carinha que vivia correndo atrás do Pernalonga.

–Sabe que ela nunca mais vai querer olhar na minha cara –me levantei e fui ajudá-lo a preparar as panquecas –Ai mesmo que ela vai ficar me chamando de rebelde.

–Vou estar com você quando for a hora de contar –ele assegurou –Ela não resiste ao meu charme.

–Ai ela vai expulsar nós dois de casa –brinquei –Bom dia vovô –vi o mesmo entrar na cozinha.

–Bom dia? Só se for para você –ele sentou na cadeira que eu estava e pediu por comida, na verdade exigiu por comida.

Papai e eu trabalhamos juntos em produzir um café da manhã decente, já que mamãe não estava com vontade de cozinhar aquele dia e Emmett não sabia nem mesmo ferver uma água sozinho, sem quase queimar a casa inteira. O mesmo não acordou para tomar café coma gente, então foi apenas meus pais, meu avô e eu, ninguém disse uma palavra, mas a cada instante mamãe me encarava como se quisesse me dar mais um de seus tantos conselhos.

Como ainda tinha umas boas horas até ter de ir para o aeroporto, decidi matar o resto no tempo na casa ao lado da minha. Meu dia melhorou cem por cento quando Demetri abriu a porta para mim e me abraçou, eu precisava de colo do meu melhor amigo e só ali percebi isso.

Apesar de morarmos colados um ao outro, não nos víamos tanto quanto nos víamos antigamente. Demetri não era da turminha que eu andava na escola –aquela que incluía Lucy e todas as outras pessoas populares daquele lugar –, ele era do jornal da escola, mas precisamente fotografo, então nossos grupos não eram nada próximos.

–Por que está emburrada? Justamente no dia que vai para Los Angeles? –ele me fez entrar na casa dele e fomos direto para seu quarto, o que era um sinal claro que o padrasto dele estava por ali. Tanto Demetri, quanto eu odiávamos o padrasto dele, era um cara insuportável, não trabalhava –por conta de um acidente de trabalho antigo –, mas fazia de seu emprego chatear meu amigo.

–Mamãe, queria me aconselhar, sabe como é –me joguei em sua cama.

–Ness, ela é uma mãe, obvio que vai querer te aconselhar –ele sorriu, um sorriso que chegava ao seus olhos azulados.

–Vai para Los Angeles comigo, branquelo –pedi, o puxando para a cama –Vou sentir sua falta –encostei meu rosto em seu peito, brincando com seu cabelo loiro entre minhas mãos.

–Quem me dera –ele gargalhou –Seria mesmo demais, mas não tenho grana para isso.

–Que saco –resmunguei –Lucy não pode ir por causa dos pais dela, você por causa de grana, é nosso último verão antes de termos o ano mais intenso de nossas vidas, deveríamos ficar juntos.

–Deixa de ser poética, justamente por ser o ano mais intenso todos tem que descansar. Viajamos no verão que vem, para fechar com chave de ouro.

–Promete? –estendi meu dedinho para ele, Demetri riu, mas uniu seu dedinho ao meu.

–Prometo que viajaremos no verão que vem –beijou minha testa.

Estar com Demetri era um paraíso, além de ser meu melhor amigo, ele era o melhor cara do mundo. Justamente porque ele nunca partiu meu coração, nem corria o risco de partir. Entre nós nunca houve uma centelha que fosse de desejo reprimido, posso afirmar isso até da parte dele, porque sempre fomos sinceros entre nós.

Eu queria levar Demetri comigo por todo o mundo, eu poderia escrever e ele registraria cada momento, poderíamos formar uma boa dupla de artistas, só que bem diferente de mim, ele queria ir para uma Universidade. Precisamente a de New York, para estar mais perto do New York Times e realizar seu sonho de ser fotografo de lá.

–Como foi a festa? –ele questionou, fazendo com que eu resmungasse mais uma vez.

–Chata –dei a clássica resposta.

–Tenho certeza de que não foi tão chata –ele sentou, me obrigando a sentar também –Me conte todos os detalhes –pediu, como se fosse uma das minhas amigas.

–Bebi um pouco, nada demais. Vi Lucy fazendo um discurso, nós duas dançamos, conheci um cara.

–Que cara? –Demetri me cortou.

–Alexander Cullen, filho do diretor do hospital –contei –Ele e Lucy se pegaram –completei.

–Lucy é tão rápida –Demetri bufou, vi claramente seus olhos ficarem tristes. Eu sabia o quanto ele era apaixonado por ela, apesar deles nunca terem sido amigos –só se conheciam e se falavam por minha causa -, eles tinham ficado logo depois que ela foi deixada pelo ex namorado, aconteceu em uma festa e não passaram de alguns beijos, mas foi o suficiente para Demetri ser mais um enfeitiçado por Lucy.

–É –concordei –Eles até que formam um belo par –fiquei encarando minhas unhas.

–E por que você parece incomodada com isso? –Demetri questionou, fazendo com que eu voltasse a olhá-lo.

–Porque eu o conheci primeiro, na lanchonete, antes da festa. Só que ai ele ficou com a Lucy e isso fudeu com a minha cabeça –suspirei –Acredita que eu sonhei que beijava o garoto?

–Então, você também quer ficar com ele –não foi uma pergunta, Demetri me conhecia o suficiente para saber disso.

–Ele é lindo –admiti –Tem algo nele que é muito envolvente –continuei a falar –Mas ele ficou com a Lucy, então sem chances.

–Sabe o que eu acho? –Demetri levantou da cama e foi pegar sua câmera, a direcionando para mim, eu já nem me importava com ele tirando fotos minhas a todo instante –Que você nem vai lembrar desse cara quando voltar, porque Los Angeles vai ser foda!

–Espero que seja –sorri para a próxima foto.

Passei mais algum tempo com Demetri e depois voltei para casa, chequei minhas malas, meus documentos e fui me arrumar para a viagem. Papai e Emmett teriam que ir para a lanchonete, então não poderiam me deixar no aeroporto, quem cuidaria disso era mamãe, mas pelo nosso desentendimento, tinha certeza de que ela nem estacionaria o carro para eu descer.

Papai repetiu suas recomendações para mim, Emmett me mandou aproveitar por ele e vovô disse que era para eu ficar por lá, por ser muito mais interessante do que Sun West. Quanto a mamãe, não disse uma palavra sequer até o caminho do aeroporto e confesso que aquilo me chateou, era naquele momento que ela devia falar algo e simplesmente ficava quieta.

–Boa viagem –falou quando parou o carro na frente do singelo aeroporto que Sun West tinha, na divisa com a cidade vizinha.

–Valeu –me estiquei para pegar minha bolsa do banco de trás –Mãe? –a chamei antes de sair do carro.

–Sim?

–Posso te dar um abraço? –perguntei hesitante.

–Claro que pode! –exclamou emocionada, me puxando para seus braços –Me liga assim que chegar lá, não saía de perto da sua irmã, não faça nada que pode se arrepender e por favor, não esqueça que eu te amo.

–Também te amo –beijei o rosto dela –Agora tenho que ir –sorri e sai do carro, passando antes no porta malas para pegar o restante das minhas coisas.

–Não quer que eu espere o voo com você? –ela me perguntou, colocando sua cabeça para fora do carro.

–Não precisa –neguei –Tchau mamãe, não mime muito o Emm –beijei o rosto dela, que sorriu e eu finalmente pude seguir para dentro do aeroporto.

Ainda teria que esperar por mais algum tempo, então decidi ir comprar algo para comer durante a viagem, mesmo que ela não fosse longa. Só não ia de ônibus para Los Angeles, o que duraria cerca de meio dia, porque meus pais não aprovaram a ideia, o que eu adoraria que tivessem permitido.

Antes de seguir para alguma lanchonete para comprar comida, liguei meu celular pela primeira vez no dia e ignorando as mensagens, notificações e tudo mais que tinha por ali, conectei meus fones de ouvido e passei a ouvir música. Não selecionei nenhuma playlist, então tinha de tudo por ali, desde Elvis Presley a One Direction, meu gosto era muito variado.

Eu estava na fila, esperando pacientemente minha vez para comprar doces, quando senti meu fone ser tirado da minha orelha esquerda, o que dificultou ouvir os meninos da 1D cantarem You & I. Olhei para os lados e vi uma figura próxima a mim, foi impossível não parecer surpresa ao ver Alexander parado perto de mim.

–One Direction? Sério? –ele estava usando o lado do meu fone que tirou de mim.

–Sim, qual o problema? –puxei meu fone de volta.

–Nada não –ele deu um sorriso de quem claramente estava sendo irônico –Só não pesei que alguém tão decidida como você fosse gostar de uma boy band como essa, é meio decepcionante.

–O meu gosto musical não é da sua conta –deixei bem claro –E o que está fazendo no aeroporto? Já se cansou de Sun West.

–Não –ele respondeu, ainda sorrindo –Vim buscar uma pessoa, estou esperando o voo dela chegar e você, já está indo para Los Angeles?

–Sim, finalmente –chegou minha vez de comprar e peguei uma boa quantidade de doces para a viagem.

–Nossa, não é muito doce? –ele roubou um da minha mão, enquanto eu deixava a doceria.

–Isso também não é da sua conta –bufei.

–Tudo bem –ele riu –Sabe o que é da minha conta?

–O quê? –perguntei, mesmo que não estivesse nenhum pouco afim de conversar com ele, justamente com ele. Estar perto dele só me fazia lembrar do meu sonho, aquele que eu o beijava.

–Você acha que eu tenho chances com a Lucy? –perguntou, andando ao meu lado e ainda roubando meus doces.

–Pergunta isso para ela.

–Qual é, você é a melhor amiga! –ele exclamou –Ela não parou um instante sequer de falar de você ontem a noite, todo assunto que falávamos Lucy acabava falando de você também.

–Vi vocês ficando ontem, isso já não é ter uma chance com ela?

–Foi só um beijo, meio que impróprio, porque os nossos pais estavam lá e era um evento importante –ele ficou mexendo a mão em um gesto de quem não estava nem ai –Mal nos falamos depois daquilo, mas trocamos nossos números, então preciso muito saber se eu faço o tipo dela para continuar investindo.

–Faz –cedi e respondi a pergunta dele –É totalmente o tipo dela, então pode ir lá e pegar minha amiga –eu já estava me encaminhando para o embarque, louca para me livrar dele.

–Valeu, Rê!

–Não me chama de Rê –me voltei furiosa para ele.

–Ei calma, por que não? Não é o seu apelido? –ele estava com ambas as mãos voltadas para cima.

–Não, me chama de Nessie, ou Ness. A única pessoa que me chama de Rê é a Lucy e eu não quero ninguém me chamando como ela me chama –pontuei.

–Tudo bem, me desculpa, é que ela só se referia assim a você, então ficou na minha cabeça.

–Tá.

–Então, boa viagem, Nessie –ele pegou minha mão e depositou um beijo nela, olhando para meus olhos enquanto fazia isso, o que fez com que eu me arrepiasse –Te vejo quando voltar –disse sério e caminhou para um lado oposto ao meu caminho.

Ferrada, com toda certeza era isso que eu estava. Aquele garoto tinha uma placa gigante apontando para si e ela gritava problema.

Por sorte a viagem foi rápida, ou eu não conseguiria aguentar tanto tempo sozinha, remoendo Alexander e aquele jeito galanteador barato que ele tinha. Mas deixei –pelo menos por hora –qualquer pensamento relacionado a ele quando sai do avião, peguei minhas malas e encontrei com minha irmã me esperando, nos abraçamos por um algum tempo, para então ela perguntar:

–Pronta para um pouco de perdição na cidade dos anjos?

Notas finais
Por favor, comentem! Beijos. Lola Royal. ps:Capítulo de Clichê deve sair até segunda-feira. 27.11.14