Teenage Dream
6 Capítulo Cinco- Apaixonada
Notas iniciais
Capítulo Cinco- Apaixonada
“Isso é o que nos faz garotas
Procuramos pelo paraíso e colocamos o
amor em primeiro lugar
É algo pelo qual morreríamos tentando
É uma maldição”- This Is What Makes Us Girls, Lana Del Rey
Rachel era um belo exemplo do que eu queria ser quando fosse mais velha, ela era independente, morava em uma grande cidade, era vegana e sabia dirigir. Definitivamente tudo que eu iria querer para depois de me formar no colegial, isso sem contar com os garotos que faziam fila para ficar com ela.
Minha amada irmã era um pouco mais alta do que eu, e o mais aparecia para ela também no tamanho de seu sutiã, já que ela tinha peitos maiores do que os meus. Rachel também era dona de olhos um pouco mais verdes e um cabelo ruivo levemente mais escuro. Éramos parecidas de forma geral, só que ela era muito melhor em tudo do que eu, em tudo.
–Essas vão ser as melhores férias da sua vida, pirralha! –Rachel exclamou, quando parava um táxi para deixarmos o aeroporto de Los Angeles.
Aquela cidade era um sonho, movimentada, cheia de pessoas interessantes para se conhecer, isso sem se falar em ser um centro para os artistas. Eu queria estar morando ali, não na irritante Sun West.
–Posso vir morar com você? –perguntei, depois que entramos no carro e eu guardei minhas malas no porta malas.
–Você bem que poderia –Rachel colocou seus óculos escuros –Mas não quero arranjar briga com mamãe, ela me mataria se eu roubasse a pirralha dela –me empurrou com o ombro –Falando nela, como estão todos em Sun West?
–Todos normais, como sempre estiveram naquela cidade que sempre é normal.
–Quanta ironia –Rachel riu –Por isso adoro você, pirralha.
–Valeu –foi minha vez de rir –Então, sua colega de quarto não encrencou que eu vá ficar lá? –questionei, olhando pela janela a belíssima vista da cidade, eu tinha passado um fim de semana ali, mas foi com meus pais e Emmett, logo depois de deixarmos Rachel na faculdade.
–Não, ela passa mais tempo dando para o namorado dela do que outra coisa –Rachel sussurrou para que o taxista não a ouvisse.
–Rach –gargalhei –Você não presta mesmo.
–Só estou falando a verdade –ela sorriu e começou a falar sobre como tudo estava indo muito bem para ela ali.
As notas dela na faculdade eram boas, nãos excelentes, mas boas. Ela ia a festas todo fim de semana e estava sempre saindo com seus amigos, não estava com nenhum ficante fixo, muito menos pretendia arranjar um namorado, pois queria curtir cada segundo da vida, sem se preocupar com um cara cheio de cobranças para cima dela.
O trânsito de Los Angeles era uma grande porcaria, o ponto fraco da cidade, então demoramos quase uma hora do aeroporto para o apartamento que minha irmã dividia com outra garota, que ficava próximo a faculdade onde ela estudava. Mas nem o engarrafamento foi capaz de me desanimar e eu já estava mais empolgada do que antes quando chegamos lá.
–Melhor você ligar para avisar que já está comigo –Rachel falou, pegando um copo de água para beber, o apartamento era pequeno, um banheiro, dois quartos e uma sala cozinha.
Concordei e peguei meu celular na bolsa, ao ligá-lo novamente, as tantas mensagens do dia anterior e as daquela manhã apareceram. Só que eu sabia que devia ligar de uma vez para meus pais, depois leria tudo aquilo e responderia com paciência.
–Oi filha, como foi a viagem? Como Rachel está? Vocês já almoçaram? Chegaram direitinho no apartamento dela? –suspirei arrependida por ter ligado para mamãe, ela conseguia ser muito desesperada quando queria.
–Mãe, está tudo bem. Acabamos de chegar no apartamento dela, ainda não almoçamos, mas prometo que não vamos ficar sem comer. Vou descansar um pouco, depois a gente se fala, tudo bem?
–Mas...
–Mãe, prometo que depois a Nessie liga –Rachel pegou o celular da minha mão –Sim, também estou com saudades, te amo. Beijos –ela desligou e me devolveu o aparelho –Ela fica mais insistente a cada ano.
–Nem me fale.
–Pirralha, vou tomar um banho, depois a gente vai comer algo –ela me deixou na sala e seguiu para seu quarto.
Sentei no sofá e me dediquei as mensagens, deixei as de Lucy por último, tratando de responder as das minhas outras amigas primeiro. Digamos que eu tinha mais duas melhores amigas, Alice e Beatriz.
Alice era um pouquinho mais do que minha amiga, era minha prima, filha da irmã da mamãe. Os pais dela morreram quando ela tinha sete anos de idade, em um incêndio na loja que eles trabalhavam em Miami, depois desse baque em sua vida, Alice se mudou para Sun West e foi morar com vovô Charlie e vovó Renee, que eram os detentores da guarda dela, mas papai e mamãe sempre estavam por perto para tudo que ela precisasse.
Beatriz era minha amiga desde que eu fui para o colegial, quem apresentou ela para mim e Lucy, foi James –o ex de Lucy –eles dois eram irmãos, sendo que Bia era a mais nova. A garota era simplesmente pirada, chegava até a acreditar em Ovinis, mas eu a amava e nunca queria perder a amizade dela, justamente por ela sempre conseguir me fazer rir.
As mensagens de Alice eram basicamente pedindo que eu a levasse para Los Angeles, o que teria acontecido se ela não tivesse ficado de recuperação em Química na escola. Respondi mandando ela ir estudar, antes que nossos avôs deixassem de passar a mão na cabeça dela e a mandassem ficar trancada no quarto sem fazer mais nada o dia inteiro.
“Sua chata! Eu te odeio!” –foi a resposta dela.
“Sei que me ama, agora senta a bunda em uma cadeira e vai estudar!”
“Tá bom, já vou” –ela mandou de volta e parou de me enviar mensagens.
Passei para as mensagens de Beatriz, que estava desde o último dia de aula com a família e o namorado esquiando no Canadá. O que mais ela me enviou foram fotos dela esquiando, ou melhor, dela tentando esquiar, pois conseguia ser a rainha da falta de coordenação motora. Eu não fazia ideia de como ela se mantinha nas lideres de torcida caindo tanto quanto caía, mas continuava lá.
“Hey Bia, acabei de chegar em L.A!” –mandei a mensagem para ela.
“Nessie, estou com saudades de você já,Will mandou um beijo e quer que você compre presentes para ele daí”
“Manda o William, esse seu namorado chato, lembrar que ele está me devendo uma camisa nova do 5 Seconds of Summer, por ele ter destruído a minha quando derramou refrigerante em mim.”
“Hahahaha, Will mandou você parar de falar nessa banda, porque eu fico pensando demais no Luke de lá...Queria tanto ser namorada do Hemmings...Amiga, me leva para conhecer o Hemmo, por favor!” –eu tive que rir dela, se tinha algo que era o sonho de Bia era conhecer Luke Hemmings, vocalista do 5 Seconds of Summer, banda que nós duas éramos fãs.
“Tá bom amiga, quando eu for rica e influente prometo que te levo para conhecer ele, ai quem sabe vocês casam” –brinquei.
“Ahhhh Ness, por isso eu te amo! Vou sair agora com o Will, te mando mensagem depois.”
Sem ter mais para onde correr, me vi obrigada a ler as mensagens de Lucy, uma por uma antes de responder qualquer coisa a ela.
“Amiga, você devia ter falado comigo antes de sair da festa!”
“Chegou bem em casa?”
“Rê, você já está dormindo?”
“Posso passar na sua casa antes de você ir para o aeroporto?”
“Quer que eu te deixe no aeroporto amanhã?”
“Renesmee Carlie Masen, você está me evitando?”
“É sério, por que não está me respondendo?”
“Rê?”
“Estou prestes a sair de casa às cinco da manhã para ir ai na sua ver porque não está me respondendo. Eu te fiz alguma coisa?”
“Tudo bem, eu devo ter feito algo, né?
“Tá, não vou mais te perturbar, mas espero que ainda venha para meu aniversário, não será nada legal sem você aqui. Te amo Rê!”
Na hora me senti idiota por não ter respondido Lucy antes, o sonho que eu tinha tido não passava de um sonho, eu não podia afastar minha melhor amiga por conta disso. Não respondi as mensagens dela como fiz com Alice e Beatriz, resolvi ligar de uma vez, achando que ela merecia um tratamento mais especial.
–Renesmee? –a voz dela cantou meu nome quando atendeu –Ai, eu pensei que você estava com raiva de mim, mas ai vi que estava me ligando e sei que quando você liga para alguém é porque gosta da pessoa, não porque a odeia. Ah amiga, eu te amo!
–Também te amo Lu –ri baixinho –E é claro que não estou com raiva de você, nem nada disso. É que quando voltei para casa depois da festa desliguei meu celular e só o liguei há pouco –menti, pois eu havia ligado o aparelho no aeroporto –Mas enfim, desculpe não ter respondido antes, queria que você tivesse ido me deixar no aeroporto, teria sido legal.
–Vou te buscar na volta –ela disse, voltando a ser a Lucy empolgada de antes –Enfim, você viu com quem eu fiquei ontem, não é?
–Vi sim –murmurei.
–Renesmee, ele beija muito bem! –ela deu um gritinho empolgado –Fora que é super charmoso e dançou pra caramba comigo, acho que estou apaixonada por ele!
–Calma ai –me surpreendi com aquilo –Lucy Denali está apaixonada por outro cara que não seja James Muller?
–Não, por favor –ela gemeu –Nem fala o nome dessa praga pra mim, estou disposta a esquecer James de vez.
–E pretende ficar outras vezes com o inglês? –perguntei me lembrando da breve conversa que tive com Alexander aquela manhã, ainda no aeroporto de Sun West.
–Com toda certeza, estou falando sério, ele é tipo o cara mais perfeito que já fiquei depois de James e olha que foi apenas um beijo.
–Então, boa sorte para vocês –forcei uma risada –Vou desligar agora, falo com você outra hora.
–Tudo bem, tchau Rê. Não esquece que eu te amo!
–Também te amo –desliguei em seguida, fiquei vegetando no sofá, pensando no quanto Lucy estava feliz por ter ficado com Alexander, ela não ficava assim desde que levou um fora de James quando ele foi para a faculdade e na época ela tinha acabado de completar dezesseis anos e namorava com ele desde os cartoze.
–Renesmee? –despertei dos meus pensamentos com o grito dado por minha irmã.
–Que foi?
–Mandei você sair desse sofá, vamos sair para comer algo –ela pegou sua carteira e celular.
–Por que não comemos aqui? Vai poupar dinheiro –falei.
–Porque eu não cozinho, nem a vaca da minha colega de quarto –Rachel revirou os olhos, arrastando minhas malas para o quarto dela e as trancando lá –Quando se está em Los Angeles, ficar em casa comendo é chato, temos uma cidade lá fora para explorar, então vamos lá fazer isso –me puxou para fora do apartamento.
Rachel era sem duvida alguma a melhor companhia que eu poderia ter em Los Angeles, em apenas um dia ali, ela já me apresentou para um monte de seus amigos, me levou a lugares incríveis e até foi falar com um cara para fazer uma identidade falsa para mim. Ela disse que eu já tinha dezesseis anos, quase dezessete e precisava de uma, para poder aproveitar a vida melhor, com tudo liberado.
Como era domingo e a identidade não ficaria pronta em alguns dias, passamos aquela noite em casa, pois ela não queria que eu arranjasse problemas, o que resultaria nela com problemas também. A colega de quarto dela foi ficar com o namorado, então fomos apenas nós duas comendo uma pizza vegetariana na sala, vendo filmes que minha irmã definia como Cults, para mim eram todos sem sentido e entediantes.
–Então, algum garoto em especial tem balançado o coração da pirralha? –ela me perguntou.
–Não, estou tranquila –dei de ombros –Não quero me apaixonar.
–Ness, sei que eu sou a primeira a falar que se apaixonar é uma furada, mas é ao mesmo tempo muito bom –minha irmã pausou o filme para me olhar –Você é uma adolescente cheia de desejos para sua vida quando se formar no colégio, mas está esquecendo que esse tempo que está lá é cheio de momentos que devem ser vividos.
–Você não deveria me aconselhar apenas a estudar?
–Olha, é importante que estude, mas também é muito importante que viva –disse –Sério, eu curti bastante durante meu tempo no colégio e ainda assim estou em uma boa faculdade. Tente aproveitar mais um pouquinho esse ano, festas, amigos, garotos, vai passar rápido e quando você se der conta já vai ter acabado e ainda haverá arrependimentos por não ter feito algumas coisas. Se tem uma dica que eu posso te dar pirralha é que você viva intensamente cada minuto.
Foi com aquela filosofia de vida que eu fui dormir, ou fui para o sofá, enquanto minha irmã rumou para o quarto dela. Fiquei trocando algumas mensagens com Beatriz, que me contava sobre seus hematomas das quedas daquele dia, era sempre divertido conversar com ela, risada garantida.
“Amiga?” –chegou uma mensagem de Lucy.
“Oi Lu”
“Fiquei com ele mais uma vez!!!”
“Alexander?” –digitar o nome dele foi incomodo, mas reprimi aquele absurdo dentro de mim.
“Sim! Fomos ao cinema, mas não vimos o filme, porque passamos o tempo todo conversando, depois ficamos no carro dele, conversando mais e quando ele me deixou em casa me beijou. Amiga, eu agora tenho certeza de que estou apaixonada por ele.”
“Own, minha Lucy está apaixonadinha!” –fiz graça com ela, mandando emoticons de dois bonequinhos se beijando.
“Para vai hahaha A culpa é dele que é irresistível, aquele sotaque dele é incrível! Ah amiga, eu quero ele para sempre comigo. Já imagino a gente casando, sério, vou ser uma advogada fodona e ele um médico super conceituado. CASAL PERFEITO!”
“Ele quer ser médico?” –perguntei.
“Sim, como os pais dele, ele diz que até já escolheu a especialização, CIRURGIÃO! Gente, ele é muito perfeito. Esse garoto não tem defeito nenhum, sério mesmo. Já me imagino sendo a Senhora Alexander Cullen. Rê, anota ai, vou casar com ele!”
“Anotado.”
“Ai amiga, não vejo a hora de vocês se conhecerem melhor, tenho certeza de que vão se dar super bem e seremos um trio inseparável.”
“Sei lá, sempre detestei o James, não sei se vou gostar desse.”
“Alexander é absurdamente diferente de James, primeiro porque ele não é um idiota que nem aquele desgraçado. Sério, vocês vão se dar bem, serão amigos e eu a namorada maravilhosa dele.”
“Tudo bem, Lu, você que sabe.”
“Ahhh ele mandou mensagem dizendo que vai me ligar, ele é tão perfeito! Tchau amiga, arranja um namorado tão perfeito quanto Alec!”
“Quem é Alec?”
“Alexander, é o apelido dele. Depois nos falamos melhor. Beijos Rê.”
Depois daquela me obriguei a dormir, estava feliz por Lucy, mas chateada por ela estar claramente partindo para seu segundo namorado, enquanto eu continuava sem ter tido nenhuma relação amorosa que desse certo. Eu definitivamente seguiria o conselho da minha irmã e aproveitaria aquele último ano de escola intensamente, quem sabe assim arranjasse um namorado, ou um cara que eu ficasse por mais de uma semana sem enjoar da cara dele.
Na manhã seguinte, Rachel me acordou cedo para irmos correr na praia. Ela tinha sido líder de torcida e mesmo depois de se formar na escola não deixou de se exercitar, para não perder o corpão que ela tinha, eu era um pouco mais magra do que ela, na verdade muito mais, tinha herdado o biótipo de mamãe que era gordura zero, as vezes aquilo me incomodava, porque quase não tinha peito ou bunda, por sorte minhas pernas eram bonitinhas.
Aquela primeira semana de férias com a minha irmã se resumiu nela me levando para conhecer todos os pontos turísticos de Los Angeles, pelo que ela disse, eu iria conhecer a parte boa da cidade quando minha identidade falsa ficasse pronta. E quando ela ficou pronta, na sexta, minha irmã me arrumou para parecer mais atraente e mais velha e me levou para uma festa.
Ela me levou para um bar, onde todos os amigos dela estavam, o que acabou sendo um saco, porque eu não passava de uma pirralha no meio de um monte de gente mais velha. Eles não tinham assunto comigo e eu não tinha nada para falar com eles também, fiquei mais tempo mexendo em meu celular do que tentando socializar com as pessoas que estavam ali.
Revirando o Facebook descobri que Beatriz tinha torcido o pé, mas nada grave, a foto que ela postou para anunciar isso era de William a carregando no colo e a beijando, eles eram bastante grudentos. Alice estava reclamando de Química, como sempre. Demetri postou uma foto hilária de duas crianças -que eu não sabia quem eram- fazendo caretas. Jacob estava em uma viagem pela Europa, então nem se dava ao trabalho de atualizar suas redes sociais e Lucy só postava algo que era realmente importante para ela, como uma foto dela e Alexander se beijando.
Era inegável que os dois faziam um casal realmente perfeito, eram lindos, ricos e com futuros impecáveis a sua frente. Ainda não estavam namorando, mas ela me confidenciou por mensagem horas antes, que no dia seguinte ele jantaria na casa dela, com o Prefeito e a Senhora Denali, o que era um clássico indicativo que era para eles se assumirem como namorados.
Eu torci para que eles ficassem juntos de uma vez, para que eu deixasse para lá aquela vontade insana de estar no lugar de Lucy. Ela estava apaixonada por Alexander, não eu.
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