Teenage Dream

22 Capítulo Vinte e Um- Detalhes


Notas iniciais
Oi gente, vim avisar que vou excluir minha conta no Nyah e......Brincadeira besta de quem tá com sono! kkkkkkkk POSTEI HISTÓRIA NOVA http://fanfiction.com.br/historia/592004/Reflexos/ leiam depois me briguem se quiserem por eu estar com bloqueio para Clichê. Espero que gostem do capítulo, em uma escala de 0 a 10 achei ele 100 no quesito fofura!

Capítulo Vinte e Um- Detalhes

“Sua mão se encaixa na minha

Como se fosse feita só para mim

Mas mantenha em mente

Isto era destino

E estou ligando os pontos

Com as sardas em suas bochechas

E tudo faz sentido para mim.” –Little Things, One Direction

A fala de Alec me fez ficar paralisada na cadeira onde estava sentada, tentei por diversas vezes falar algo, mas simplesmente não conseguia. Ele olhava para o outro lado do escritório, distraído demais em seus próprios pensamentos.

Minha mente ficava repetindo a frase dele que tinha um irmão mais velho que estava morto, aquilo no mínimo era angustiante. Desejei nunca ter ouvido aquele, mas de forma egoísta, pois eu não tinha ideia de como falar com Alexander após aquilo.

––Tudo bem, acho que foi cedo demais para te contar algo tão pesado assim ––Alec suspirou, ainda olhando para a parede do escritório.

––Não, acho que foi justo que tenha me contado, eu sou sua namorada, preciso saber dos detalhes da sua vida ––murmurei, mas sem conseguir mexer um músculo a mais do que os necessários para falar.

––Você está pálida, quer um pouco de água? ––ele caminhou até um frigobar embutido em algum canto do escritório.

––Quero sim ––continuei murmurando, Alec me entregou uma garrafinha de água, que eu bebi em um gole só.

––Melhor? ––ele perguntou quando sequei a garrafa, quase sem fôlego.

––Sim ––assenti ––Pode me contar mais sobre seu irmão? ––pedi.

––Está realmente bem para ouvir isso? ––ele voltou a sentar a mesa a minha frente, apenas balancei a cabeça positivamente, o incentivando a falar mais ––Ele se chamava Matthew, era quatro anos mais velho do que eu e era uma cópia exata do nosso pai. Estávamos morando em uma cidadezinha próxima a Londres e ele tinha apenas dezessete anos quando a doença foi descoberta.

––Qual doença? ––perguntei, se Alec conseguia se sentir calmo diante aquele assunto eu também deveria.

––Ele tinha um tumor cerebral ––Alexander precisou respirar fundo ao falar aquilo ––Um dia ele simplesmente desmaiou no treino de Rugby, foi levado para o hospital às pressas e lá detectaram o tumor. Já estava em uma fase muito avançada e nem mesmo meus pais e suas graduações, pós graduações e doutorados sabiam o que fazer.

Matt viveu por mais um ano no hospital, eu ia todo dia visitá-lo depois das aulas e nos fins de semana ficava lá direto. Jane era só uma garotinha de cinco anos na época, então vovó foi morar conosco para tomar conta dela e de mim. Meus pais não davam mais conta ––Alec apertou os pulsos e estalou o pescoço, mecanicamente.

––Sua mãe deve ter sofrido muito ––constatei, ainda mais depois de descobrir o que mamãe tinha passado durante a grávidez de Emmett.

––Ela tinha crises mil vezes piores do que as de Lucy, ela tentou se matar mais de uma vez ––ele contou, pela primeira vez deixando alguma expressão aparecer em seu rosto ––Os calmantes eram os únicos amigos dela naquela época, as facas também ––o moreno desceu da mesa, indo olhar pela janela atrás da mesa ––Você nunca vai ver minha mãe sem uma blusa de mangas, pois ela tem cicatrizes por todo os braços.

––Alec, não precisa falar mais nada se não se sente bem ––fui até ele, afagando suas costas.

––Eu sinto falta dele ––Alec murmurou ––Matt podia ser mais velho, mais legal, mas era meu irmão e crescemos juntos. Ele perdeu a formatura, a namorada terminou com ele, os amigos deixaram de aparecer, isso antes mesmo dele morrer. Então, nossa relação se estreitou, meu irmão me ensinou muita coisa durante aquele ano.

Perder Matt foi horrível, eu ainda me lembro do dia que cheguei ao hospital e os médicos estavam correndo para seu quarto, mas ninguém conseguiu salvá-lo. A depressão de mamãe só fez piorar depois disso, papai mergulhou de cabeça no trabalho e se não fosse por vovó Jane e eu tínhamos ficado jogados de lado.

––Sua mãe melhorou, ou ainda tem crises? ––perguntei baixinho.

––Ela passou alguns meses servindo para os médicos sem fronteiras depois da morte do Matt ––Alec se voltou para mim ––Ajudar pessoas que tinham problemas maiores a trouxe de volta para a gente, ela estava curada quando retornou para Londres, mas ele nunca mais foi mencionado.

––Não? Como não?

––As fotos, os pertences, tudo foi simplesmente lacrado e guardado no porão da nossa casa em Londres. Foi culpa nossa, sabe? Papai tinha muito receio que ela surtasse novamente, então evitava falar dele. Jane foi contornada muito fácil a não mencionar nosso irmão mais, vovó sempre foi neutra quanto a isso e eu vi muitas das crises de mamãe para querer que ela tivesse outras por minha conta.

––Sinto muito por tudo isso ––toquei em seu rosto.

––Estamos bem agora ––Alec beijou a palma da minha mão ––Mas mamãe se tornou uma pessoa muito séria e sincera desde então. Ela não é uma pessoa má, só não quer que eu ou Jane não tenhamos as oportunidades que Matt não teve, entendeu?

––Claro ––concordei ––Entendo perfeitamente o ponto de vista dela. Prometo ser a melhor nora que ela pode sonhar ––pisquei para ele, conseguindo que o clima pesado diminuísse, ao menos um pouco.

––Acho que agora posso te apresentar devidamente a casa ––Alec segurou em minha mão, me guiando pela mansão que ele morava.

O quintal era imenso, com uma piscina maior ainda, ladeada por uma área que daria uma festa perfeita. Só no primeiro andar tinham dois banheiros, a sala de jantar, a de estar, a de vídeo, cozinha e lavanderia. O segundo andar era composto pela biblioteca de Cecília, suítes, cinco delas, sendo uma reservada para os hospedes, entrei apenas na de Alec, mas só pela dele deu para ter uma bela noção de como as outras deveriam ser.

A entrada da suíte dele dava para uma espécie de sala com cores mais neutras e sem grande decoração, parte dela era destinada para uma mesa de estudos, lotada de livros e anotações, a outra comportava um aglomerado de almofadas gigantescas no chão, voltadas para a televisão e videogame fixados na parede. Alex explicou que a porta ali levava para o closeth e que o banheiro ficava dentro desse.

Uma divisória separava a salinha de onde ficava o que ele disse que era a parte mais legal do quarto, fingi não captar a malicia por ele estar se referindo, mas em questões de decorações era mesmo muito mais interessante. A parede que ficava atrás da cama era com um papel de parede fazendo referencias a vários filmes, músicas e séries, lembrando as frases que eu tinha em meu próprio quarto.

A cama era box, diretamente no chão, estava uma bagunça completa, mesmo assim parecia bastante confortável, o carpete cinza também parecia ser muito macio. Na parede lateral a cama, uma majestosa bandeira do Reino Unido ocupava seu lugar, só me fazendo lembrar o quanto ele gostava da Inglaterra e de toda cultura europeia em si.

O que mais conseguiu chamar minha atenção no quarto foram as janelas do chão ao teto –com grades de proteção –que permitiam uma vista incrível para a praia. Fui diretamente em direção a uma dela, analisando as pessoas no mar de longe, todas pequenas e parecendo serem formigas daquela distância e altura.

––Você tem a melhor vista da cidade! ––exclamei quando Alexander abriu a janela e o vento entrou varrendo meu cabelo.

––Aproveita ––Alec pegou a bolsa do meu ombro e jogou no pequeno sofá que tinha próximo a cama ––O que quer ouvir? ––ele se aproximou do sistema de som que tinha em uma prateleira ali.

––One Direction ––respondi prontamente ––Little Things ––completei, o vendo revirar os olhos, mas conectar seu celular no som e procurar pela música na internet ––Desistiu de criticar meu gosto musical?

––Sim, você não tem jeito mesmo ––a música começou e eu sorri por dois motivos, a música em si e Alec estar ao meu lado.

Fiquei mais próxima dele, colocando minhas mãos sobre seu peito, as deslizando lentamente para sua nuca, enquanto ele tocava na minha pele exposta graças a roupa que eu usava. O toque dele contra minha pele fez com que meu corpo inteiro arrepiasse e meus olhos fechassem, enquanto eu sentia Alec colocando seus lábios contra os meus.

Lentamente ele iniciou o beijo, ainda me tocando, ainda me fazendo ficar junto de si. Mordi o lábio inferior dele de uma forma que o fez gemer baixinho em meus braços, enquanto me empurrava com delicadeza contra a parede mais próxima de nós.

Sua boca deixou a minha, indo explorar a pele do meu pescoço, com beijos e mordidas leves. Querendo um pouco mais de contato também deixei minhas mãos percorrem por dentro da camiseta que ele usava, sentindo seu corpo quente em meus dedos.

Fiz com que Alec me olhasse por um instante, querendo aprovação de algo, estávamos tão envolvidos que ele mesmo tirou sua camiseta, a jogando no chão depois. Minhas mãos então puderam correr livremente por seu peito e barriga, que estavam bastante desenvolvidos graças ao futebol.

Alexander estava com as mãos bem próximas do meu sutiã por dentro da blusa que eu usava, enquanto eu beijava seu pescoço e peito, raspando minhas unhas em sua costa. Minha vontade era de fazer muitas coisas com ele, mas sabia que não estava pronta e que levando em conta nosso relacionamento era cedo demais, então nosso limite seria até ali.

Fiz com que ele voltasse seus lábios para os meus e abaixei suas mãos até a altura da minha cintura. Ele riu quando fiz aquilo, mas logo o fiz se concentrar no beijo novamente, enquanto eu mesma não tirava minhas mãos de seu peito, querendo arranhar toda sua pele com as unhas longas que eu tinha.

––Crianças? ––a voz da avó de Alexander nos sobressaltou, fazendo com que parássemos de nos beijar no mesmo instante, olhamos na direção da porta do quarto e a vimos rindo da nossa cara ––Só queria avisar que Gianna preparou um Mousse de Chocolate caso queiram.

––Obrigado ––Alec agradeceu, corado e olhando para qualquer direção menos para a avó, ao contrário de mim que mesmo envergonhada não conseguia tirar os olhos de Cecília.

––Divirtam-se ––ela saiu do quarto gargalhando. Alec riu baixinho, enquanto se afastava de mim para vestir sua blusa, fui para o outro lado do quarto, desamassando a minha e tentando consertar o batom em meu rosto.

––Deixe-me ajeitar isso ––fui até ele, limpando a marca do batom que ficou nele.

––Obrigado ––me deu um rápido selinho ––Vamos comer e ficar bem longe do meu quarto e da minha avó –––ele segurou em minha mão, me levando para o primeiro andar.

Pegamos os doces e fomos para a área da piscina, Jane estava fazendo uma espécie de projeto de ciências e Alec me convenceu a ajudá-la, o que acabou sendo divertido. Infelizmente não pude ficar por muito mais tempo lá, afinal era o último dia de Rachel em casa e queria ficar um pouco mais com ela.

Alexander me deixou em casa, depois de uma rodada de beijos em seu carro. Rosalie já tinha voltado para casa e como não podia subir escadas estava acomodada em nossa sala, que tinha sido transformada em um quarto para ela, Emmett e papai tinham montado a cama do meu irmão ali e colocado os sofás espremidos de um lado, o que não me incomodou, pois eu queria ver a garota bem e principalmente o bebê.

––Eu vou fazer de tudo para conseguir vir no dia do parto do bebê ––Rachel comentou enquanto conversarmos com Rosalie, Emmett e papai tinham voltado para a lanchonete, meu avô estava em sua casa ouvindo música e fumando seu charuto e mamãe fazia algo na cozinha.

––Pelas contas da médica o bebê nasce dia vinte e seis de março ––Rose falou, afagando sua barriga, que de perto já parecia de uma grávida.

Rosalie, trouxe sua comida ––mamãe entrou na sala, carregando uma bandeja com sopa e uma comida leve.

––Obrigada –Rose deu um sorriso constrangido para ela, Rachel e eu a ajudamos a sentar na cama e minha irmã tentou pegar a bandeja da mão de mamãe, mas a mesma não deixou.

––Pode deixar que cuido disso, querida ––falou para Rachel, sentando ao lado de Rosalie, a ajudando a comer.

Tentei não expressar meu choque de ver mamãe sendo boazinha com Rosalie, mas a jornalista notou isso e piscou para mim. Eu sorri para ela e fui para o segundo andar com Rachel, percebendo que minha irmã estava certa quando disse que mamãe só precisava de tempo para se acostumar com a ideia de que seria avó precocemente.

Rachel aproveitou que estava sem nada para fazer para escolher algumas roupas que ainda estava em nossa casa para levar para Los Angeles com ela, outras para eu poder ficar de vez. Enquanto ela fazia isso, me lembrei de Alexander e do seu irmão mais velho, Matthew Cullen, que eu nunca iria conhecer porque estava morto.

Senti vontade de chorar e pela primeira vez desde que descobri aquilo deixei as lágrimas virem à tona. Não chorava apenas por Alec e sua família terem perdido alguém tão importante para eles, apesar de metade do meu choro ser resultado disso, eu chorava por ter medo de perder um dos meus irmãos, meus pais, meus avós, Alice ou até mesmo Rosalie e o bebê. Eles eram minha família e me imaginar sem um deles doía demais, quando perdemos os pais de Alice eu era nova o suficiente para não entender a profundidade da situação, mas se acontecesse tão de repente comigo tendo meus dezesseis anos surtaria.

––Renesmee, o que foi? ––minha irmã questionou, deixando suas roupas de lado e indo até onde eu estava.

––Eu não quero te perder, Rach ––murmurei, chorando em seu colo.

––Pirralha, eu só vou para a faculdade, nada demais ––ela falou confusa.

––Não é isso ––balancei a cabeça ––Eu não quero te perder nunca.

––Por que estamos tendo essa conversa? ––Rachel perguntou me sentando em sua cama.

––Porque Alexander perdeu o irmão mais velho quando tinha treze anos, eu posso ter dezesseis, mesmo assim não acho que vou conseguir superar se perder você ou alguém importante para mim.

––Renesmee ––ela afagou meu rosto ––A vida é feita de perdas e vitórias, você precisa se acostumar com isso.

––Mas é assustador!

––Sim, sei que é, você sabe, todos sabem, mas não podemos fazer nada contra isso. As pessoas morrem todos os dias, isso é o ciclo básico da vida, o que resta a nós para diminuir essa dor é aproveitar os momentos que temos ao lado delas enquanto vivas.

––Você é tão inteligente –bufei, limpando meu rosto.

––Irmãos mais velhos sempre são os melhores ––piscou para mim ––Agora pare de pensar em tristezas e venha me ajudar.

Ir deixar Rachel no aeroporto no dia seguinte doeu muito, mas pelo menos eu não chorei mais. Após ela embarcar para Los Angeles, papai foi me deixar na escola, onde eu consegui chegar atrasada para a primeira aula, onde eu teria a oportunidade de questionar Lucy sobre ela e Riley.

Restou que eu esperasse até o almoço para conseguir falar com ela, deixamos nossos amigos de lado e mesmo que Alec tenha tentado me convencer a ficar com ele escondido em uma sala, fui conversar com ela. Nós duas seguimos para a arquibancada do campo de futebol americano, onde fizemos um piquenique de barras de cereais e maças.

––Então, como foi na casa dos Cullen?

––Tenso ––mordi a primeira maça ––O pai dele não fala muito, Jane me irrita, a avó é legal, mas também não tive oportunidade de falar com ela.

––E Esme é Esme ––Lucy me lançou um olhar que sabia demais.

––Sim, Esme é Esme. Ela é assustadora, até o barulho do salto dela me deu medo!

––Mas ela disse que não achava você a garota certa para o filho dela? ––Lucy perguntou, comendo uma de suas barras de cereais.

––Não –neguei ––Ela te disse isso?

––Disse ––Lucy riu ––Esme esperou Alec se distrair e falou que eu não era a garota certa para ele, mas que deixaria com que ele soubesse disso sozinho. Claro que na hora a odiei por isso, mas ela estava correta, você é a garota certa para Alec.

––Sou? ––perguntei hesitante.

––Vocês se provocam, é disso que um casal precisa. Vocês estão se descobrindo, se conhecendo, se intrigando. É só perceber o modo como se encaram, se beijam, suspiram e conversam.

––E desde quando você ficou tão observadora?

––Talvez eu esteja começando a parar de olhar para mim mesma e estou olhando para quem está a minha volta ––deu de ombros.

––Isso é ótimo ––assenti ––Acho que eu realmente me sinto mais viva com Alec, ele me faz prestar atenção em detalhes bobos, sabe? Tipo um jantar em família, fotos de quando era nova, até mesmo em ajudar a irmã dele a fazer um trabalho, é como se eu estivesse expandindo a minha mente. Ele me conta sobre os lugares em que morou, fala para onde quer ir e me contou sobre o Matthew.

––Eu sabia que ele ia ter coragem para te contar ––Lu afagou minha mão ––Os Cullen sofreram muito com a perda dele, não é?

––Sim, eu nem consigo me imaginar perdendo alguém tão próximo.

––Sempre vou estar com você –Lu jogou um pedaço da barra de cereal em mim, me fazendo rir.

––Agora me conta sobre seu encontro com Riley ––exigi.

––Riley é tão quente! ––Lucy sussurrou, mas com firmeza em seu tom de voz ––Eu passaria o dia inteiro transando com ele.

––Credo, sua tarada! ––acusei rindo.

––É verdade, tentamos ter um encontro bonitinho em um restaurante e tudo mais, mas foi só entrarmos no carro dele que o clima esquentou e...

––Você transou com ele no carro –completei.

––Acho que tenho fetiche em transar em carro, ainda mais se for em lugares que posso ser pega ––Lucy gargalhou, me fazendo gargalhar junto com ela.

––Mas aonde isso vai parar? Digo, o que está acontecendo entre vocês dois.

––Não sei ––ela franziu o cenho ––Mas não quero me prender aos detalhes, a vida é bonita demais para eu ficar me preocupando com o futuro.

––É uma bela filosofia de vida ––concordei.

As semanas seguintes de setembro passaram preguiçosamente, regadas a deveres de casa, da torcida, compromissos com o Grêmio Estudantil, trabalho na lanchonete, amigos e namorado. No último caso, Alec e eu tínhamos que nos dividir entre nossas tantas tarefas, aproveitando ao máximo os fins de semana para isso, algumas vezes fui almoçar ou jantar na casa dele, mas Esme mantinha sua pose afastada e indiferente, por outro lado Carlisle ficou mais comunicativo com o tempo e infelizmente Cecília precisou viajar para Londres.

––Não acredito que me obrigou a vir aqui ––resmunguei quando entramos na igreja, por sorte não falei alto o suficiente para que alguém além da minha amiga ouvisse, ela revirou os olhos e me puxou para o banco onde os pais dela foram sentar.

Obviamente eu fiquei enojada de ver o Senhor e a Senhora Denali brincando de família perfeita em plena igreja, mas não espalhei para o mundo minha revolta com eles. Lucy também estava vestida em seu melhor papel de menina perfeita e mesmo que eu soubesse que ela não queria aquilo, não a fiz ser a Lucy de verdade, pois a garota não seria ela mesma em um lugar como aquele, onde todos esperavam que os Denali fossem perfeitos e exemplos para a sociedade.

Quando a missa acabou, seguimos para o orfanato da Igreja, onde alguns voluntários levavam café da manhã para as crianças. Lucy e eu tínhamos comprado comida da lanchonete do meu pai justamente para aquilo e ali estávamos servindo crianças que me deixavam morrendo de medo.

––Lembra que são apenas crianças, elas não vão te comer viva ––Lucy voltou para perto de mim, depois de sua rodada como garçonete ––Vão querer jogar um molho em você primeiro.

––Nossa, muito engraçado ––bebi um pouco de suco.

––Medo de crianças? ––uma loira alta perto de nós perguntou, era uma das voluntárias também.

––Um pouco ––confessei.

––Se quiser saber de onde vem esse medo sou psicóloga e posso te ajudar ––a mulher disse sorrindo amigavelmente.

––Você é psicóloga? ––Lucy quase gritou a pergunta, me fazendo engasgar com o suco.

––Sou sim, Katrina Nicholls ––se apresentou.

––Trabalha no hospital? Posso marcar uma consulta com você sem a necessidade de meus pais saberem? Qual seu número? ––Lucy começou a perguntar.

––Aqui meu número ––Katrina pegou um cartão de seu bolso ––Liga para mim e acertamos todos os detalhes, mas se você quiser não precisa que seus pais te acompanhem ou saibam, apesar de que seria muito produtivo que eles soubessem da sessão.

––Algum dia eu conto ––Lucy ficou encarando o cartão ––Obrigada Katrina, amanhã mesmo te ligo.

––Tudo bem, se quiser ir falar do seu medo de crianças é só aparecer ––a mulher falou a última parte para mim, se afastando da gente para servir mais algumas crianças.

––Vai ao psicólogo? ––perguntei para Lu.

––Eu preciso começar a tratar o que sinto, antes que enlouqueça ––Lucy continuava olhando para o cartão.

––Você vai ficar bem ––afaguei seu ombro ––Está há bastante tempo sem ter uma crise.

––Mas não sabemos quanto tempo eu tenho até ter uma nova crise ––Lucy disse baixo.

––Vamos ver os bebês ––tentei animá-la.

––Renesmee Masen querendo ir ver bebês? E seu medo de crianças? ––perguntou zombando da minha cara.

––Não é medo, só que elas são muito para mim.

––Sabe, eu posso não ser psicologia e ser uma leiga total para isso ––Lucy começou, enquanto me conduzia para a parte do orfanato destinada aos bebês ––Mas o seu problema com crianças em geral é que elas te fazem pensar no futuro, você simplesmente tem medo de pensar em como vai estar daqui a alguns anos e principalmente se vão ter crianças em sua vida.

––Lu, para de falar! ––pedi, revirando os olhos, o que a fez rir.

Lucy ficou com um sorriso imenso no rosto quando entrou no berçário, com toda certeza só não gritou de emoção para não acordar ou assustar os bebês. Mesmo de salto alto, a loira correu para ver as pequenas pessoas, brincando com os que estavam nos colos das funcionárias do orfanato. Pela minha rápida contagem, deveria ter ao menos treze bebês ali e aquilo me assustou, pois era um número alarmante de crianças recém-nascidas abandonadas.

––Rê, vem ver como os olhos dessa menina brilham! ––Lucy exclamou, pegando um deles no colo.

Caminhei até Lucy a vendo brincar com a garotinha em seu colo, ela deveria ter quase um ano de idade e era realmente dona de brilhantes olhos azuis. Minha amiga fazia caretas para ela, fazendo a menina rir e fazer com que ficasse mais fofinha ainda.

––Essa é a Hanna ––uma das funcionárias falou para Lucy.

––Eu a levaria para casa se pudesse Hanna Banana ––minha amiga depositou um beijo na bochecha da garotinha e a devolveu para a funcionária.

Lucy continuou indo de berço em berço falar, brincar ou apenas ver os bebês dormindo, compenetrada em sua missão. Eu a conhecia o suficiente para saber que o maior desejo da minha amiga sempre foi ser mãe, uma mãe de verdade, daquelas que assa biscoitos e beija os machucados dos filhos. E eu sabia que um dia Lucy Denali seria a melhor mãe que uma criança poderia ter, a mãe que ela deveria ter tido.

Aproveitando que ela estava distraída, me voltei em direção a saída do berçário, mas ao primeiro passo que dei o bebê no berço mais próximo de mim começou a chorar. Olhei em volta esperando que uma das funcionárias ou até mesmo Lucy fossem até ele, mas todas estavam com bebês em colo.

––Pode segurá-lo por um instante? ––uma das mulheres me perguntou.

––Eu...

––Já vou levar a mamadeira para ele ––insistiu, suspirei, mas mesmo assim fui até o berço.

Completamente sem jeito o peguei no colo, ele era muito pequeno, provavelmente nem tinha um mês de vida e morri de medo de deixá-lo cair ou coisa assim. Aproveitei a cadeira próxima ao berço e me sentei, tomando o maior cuidado para o bebê não se machucar, ele ainda chorava, mas não era tão histérico quanto o bebê que Lucy tinha em seus braços.

––Vamos lá campeão, só mais um pouco e você comerá ––o incentivei ––Qual o nome dele? ––perguntei.

––Miguel, está completando um mês hoje –ganhei bem mais do que uma simples resposta.

––Olha só! ––exclamei ––Alguém aqui está completando um mês de vida ––voltei a ficar de pé, tentando acalmá-lo ––O que me diz sobre já ter um mês de vida, pequeno Miguel? ––perguntei para o bebê, que tinha olhos castanhos claros e um cabelo ralo que aparentava que também seria castanho, ele era lindo e tinha uma covinha na bochecha esquerda que me deixava com vontade de apertar.

Ainda sem jeito, tentei mantê-lo o mais confortável e protegido em meu colo, o choro ainda era presente e ver seu rostinho fofo com aquela expressão de sofrimento me machucava mais do que um dia pensei que seria possível. Comecei a andar pelo berçário, tentando distraí-lo, mas eu não tinha prática e ele estava com fome, o que era uma péssima combinação.

––Quer que eu o segure? –Lucy perguntou, depois de trocar a fralda do bebê que estava com ela.

––Não, estamos nos entendendo ––falei, segurando Miguel mais perto de mim.

––Rê, ele está chorando ––Lucy disse como se eu fosse uma louca.

––Mas não quero largá-lo ––protestei, deixando meus olhos se voltarem para o bebê.

––Tudo bem ––minha amiga estendeu as mãos para cima se rendendo ––Vou pegar a mamadeira para ele, acha que dá conta de amamentá-lo?

––Bom, eu sou garçonete, servir é minha especialidade ––voltei para a cadeira com Miguel.

Lucy foi pegar a mamadeira que uma das funcionárias preparou e voltou para perto da gente, tendo que me ajudar na missão de dar o leite para ele. Nunca tinha dado de mamar para um bebê, na verdade Miguel era o primeiro bebê que eu carregava e ficava tão próxima por mais de três segundos, então aquele momento em que eu o segurava e colocava a mamadeira em sua boca, o alimentando e saciando sua fome foi estranho, mas ao mesmo tempo emocionante.

Logo peguei o jeito da coisa e Lucy achou seguro parar de sustentar meu braço, me deixando de certa forma responsável completamente por Miguel e a missão de amamentá-lo. Ele sugava com vontade o leite da mamadeira, os olhos estavam fechadinhos e sua covinha aparecia ocasionalmente.

Miguel era tão bonito, pequeno e indefeso que me questionei como uma mãe, um pai ou quem quer que fosse conseguiu abandoná-lo. Em minha mente criativa demais, imaginei alguém o largando na porta do orfanato, em um dia que Sun West sofreu de uma torturante chuva, ele estaria chorando muito, com medo, frio e fome.

––Rê, você está bem? ––Lucy me chamou, olhei para ela e por notar minha vista embaçada percebi que eu estava com os olhos lacrimejados.

––Como alguém pode ter abandonado alguém tão pequeno como ele? ––questionei, voltando minha atenção para Miguel, que já estava na metade de sua mamadeira.

––Existem muitos pais cruéis nesse mundo, amiga ––ela deu um sorriso triste para mim, afagando meu joelho ––Mas vamos pensar positivo, Miguel pode ser adotado por uma família muito legal e vai crescer tendo pais maravilhosos.

––Espero que sim ––pegando a mim mesma de surpresa me inclinei para beijar a cabeça dele.

Lucy riu do meu ato, mas não disse nada, o que era ótimo, pois eu mesma não tinha nada para falar. Quando Miguel terminou de mamar, ela me instruiu a colocá-lo para arrotar, voltei a ficar de pé, fazendo o que tinha sido ordenado. Até mesmo das as batidinhas na costa dele me deixavam com pena, então eu fazia tudo com a maior delicadeza possível, não querendo que ele sentisse alguma dor.

Depois de um tempo, Miguel finalmente arrotou, Lucy estava colocando outro bebê para mamar e as funcionárias davam conta dos outros, então eu poderia continuar com o pequeno. Como ele tinha parado de chorar, tudo entre nós ficou bem mais calmo, eu fazia caretas para ele, o vendo olhar para mim de forma curiosa.

––Então Miguel, me explica como pode ser tão lindo ––pedi passando o dedo por sua bochecha, bem onde sua fofa covinha se encontrava ––Um dia você vai ter um papai e uma mamãe maravilhosos, eles vão te amar mais do que tudo no mundo, serão uma família feliz e você nunca mais será deixado de lado ––disse em tom de promessa.

Miguel já estava quase dormido, então aproveitei os últimos minutos com ele até que tivesse que colocá-lo em seu berço. Não me cansava de olhá-lo, sentir sua respiração e a calma que ele transpassava. Nunca uma criança tinha mexido comigo daquele jeito e era assustador, mas ao mesmo tempo emocionante.

Quando ele dormiu de vez, sua mão estava enrolada em volta do meu dedo, o que me fez sentir mal por ter que soltá-la para recolocá-lo no berço. Mesmo assim o fiz, o deixando aninhado em seu cantinho, dormindo como um anjinho. Fiquei agachada ao lado do berço, segurando nas grades, enquanto velava seu sono.

––Amiga, precisamos ir, Riley chegou ––Lu sussurrou para não acordar Miguel.

––Tudo bem ––me levantei ––Tchau Miguel! ––toquei em seu rosto ––Foi muito bom te conhecer.

––Você realmente gostou dele ––Lucy comentou enquanto íamos nos encontrar com Riley no estacionamento da igreja, já que iríamos com ele para a praia, onde encontraríamos Alexander.

––Miguel? ––perguntei e ela confirmou ––Ele é diferente ––murmurei para mim mesma.

––Parece que você está diferente também ––uniu o braço ao meu.

––Provavelmente, estamos amadurecendo ––pensei no assunto, Lucy assentiu, parecendo entender perfeitamente o que eu falava.

––Meninas, não me façam ter um ataque cardíaco com tanta beleza! ––Riley exclamou quando nos aproximamos dele.

––Se concentre em sua namorada, cunhado ––apontei para Lucy, que me olhou de um jeito zangado. Com certeza por tê-la chamado de namorada de Riley –o que ela não era e fazia questão de frisar todo dia, apesar deles viverem se pegando as escondidas –e por insistir em chamá-lo de cunhado, fazendo clara referência de que eles estavam tendo algo, afinal Lucy era uma irmã para mim.

––Entra no carro, Renesmee! ––Lucy ordenou, indo para o banco do carona.

––Pede logo ela em namoro, cunhado ––falei para Riley, só para atentar mais a vida dela.

O caminho até a praia passou com Lucy extremamente quieta, lixando suas unhas sem nem mesmo olhar para mim ou Riley, enquanto isso eu cantarolava uma música e o loiro ficava me mandando calar a boca, o que me fazia cantar mais. A tensão entre os dois era notável, mas dava para perceber que depois de semanas o que eles estavam tendo não era apenas curtição.

Eles passavam o tempo livre que tinham juntos, nossos amigos mais próximos sabiam do envolvimento deles, até onde sabíamos Riley não estava se envolvendo com mais nenhuma garota e mesmo assim os dois não assumiam um relacionamento sério. Com certeza aquilo era difícil para Lu, afinal os últimos relacionamentos dela foram cheios de conflitos, inclusive por minha causa, então ela estava tentando se proteger de todas as formas possíveis de não sofrer de novo.

––Oi Cenoura ––Alec abriu a porta do carro de Riley para que eu saísse quando foi estacionado próximo a praia.

––Oi, estava começando a sentir sua falta –me pendurei em seu pescoço, depositando um beijo no canto da sua boca ––Você não vai acreditar no que eu fiz hoje.

––O quê? ––perguntou.

––Fui voluntária no orfanato, servi comida para as crianças e ainda ajudei a cuidar de um dos bebês ––contei como se eu tivesse descoberto a cura para uma doença terminal.

––Bem legal ––ele sorriu, passando seu braço por cima do meu ombro ––Vamos apostar corrida até a água, seu idiota? ––perguntou para Riley, rindo da cara do amigo.

––Como se você fosse ganhar ––Riley colocou seus óculos de Sol na mão de Lucy, disparando em uma corrida com meu namorado em seguida.

––Riley nunca vai me pedir em namoro, não é? ––Lucy questionou irritada.

––Vocês já conversaram sobre isso? ––perguntei enquanto via os meninos tentando atrapalhar a corrida um do outro como duas crianças.

––Não para valer, sempre que o assunto é mencionado alguém desconversa. Acho que é porque ele nunca teve uma namorada e eu tive péssimas experiências ––chutou um montinho de areia ––Estou começando a acreditar que o amor não é para mim.

––Para de frescura e vamos apostar corrida também ––a provoquei, Lu me olhou com falso choque e começou a correr antes de mim.

Eu cheguei primeiro a água, ganhando a corrida como Riley tinha ganhado a dele contra Alec. Meu namorado estava revoltado dizendo que o amigo roubou, então fui para perto dele o acalmar. Alexander e eu estávamos disputando quem passava mais tempo sem respirar de baixo da água, então não vimos quando a conversa entre os dois começou, mas logo notamos os gritos de Lucy.

––Eu só quero saber o que realmente há entre a gente!

––Nós somos amigos! ––Riley rebateu, passando a mão pelo cabelo molhado.

––Amigos? Nós transamos quase todo o dia, você sabe sobre tudo sobre mim agora, me sinto uma idiota perto de você, e você sussurra meu nome enquanto está dormindo.

––Tudo bem, talvez eu te ame! ––Riley continuou gritando ––Mas se isso der errado entre a gente eu não quero perder a minha melhor amiga, porque eu te amo demais para ficar longe de você, ou te machucar.

––Você a ama? ––eu perguntei, já que Lucy estava literalmente em choque.

––Amo ––Riley bufou ––Está satisfeita? ––perguntou para Lucy ––Eu te amo!

Lucy continuava encarando o nada, Riley então revirou os olhos e saiu da água, indo para o trapiche quase no fim da praia. Alec ao meu lado estava sorrindo de um jeito travesso, então suspeitei que ele já soubesse dos sentimentos de Riley.

––Você sabia, não é?

––Sabia –Alec assentiu ––Lucy ––a chamou e ela por fim o olhou ––Quando terminei com você, Riley apareceu na minha casa, me xingando de todos os nomes que era possíveis. Ele estava revoltado por eu ter te abandonado, ele ameaçou me matar se eu te ferisse de novo e não matou, mas me deu um soco bem forte no estomago quando soube sobre mim e Ness. Riley realmente ama você.

––Eu o amo também ––ela murmurou ––Rê, o que eu faço?

––Vai viver seu presente ––apontei para onde Riley estava ––Quem sabe ele faça parte do seu futuro.

Notas finais
Gostaram? Comentem, por favor! Não esqueçam de ler Reflexos http://fanfiction.com.br/historia/592004/Reflexos/ Beijos e bom fim de semana! Lola Royal. 07.02.15