Teenage Dream

26 Capítulo Vinte e Cinco- Itens


Notas iniciais
Espero mesmo que gostem do capítulo, se eu demorar muito para postar o próximo é porque estou tentando adiantar o máximo da história para então postar.

Capítulo Vinte e Cinco- Itens

“Diga, você não vai ficar para sempre?

Fique

Se você ficar para sempre, hey

Podemos ficar jovens para sempre” –Here’s To Never Growing Up, Avril Lavigne

Mamãe olhou de Lucy para mim, como se esperasse uma confirmação de quem realmente iria tomar aquele remédio, mas apesar de eu estar muito nervosa, não estava nem de longe no mesmo estado da loira, então não foi difícil concluir que era ela. Lucy esticou a mão para o remédio e mamãe hesitante o entregou.

––Vocês ficam aqui ––mamãe disse para mim, Rachel e os meninos, levando Lucy para o andar de baixo.

Suspirei alto, tirei as mãos de Alec que estavam em volta de mim e segui as duas, mesmo que mamãe tivesse ordenado minha permanência no quarto. Encontrei com Lucy sentada a mesa da cozinha, encarando o remédio e o copo de água que mamãe tinha colocado de frente a ela.

––Não vai beber? ––perguntei tensa.

––Renesmee, isso é decisão dela, só dela ––mamãe me censurou, afagando o cabelo de Lucy ––Querida, você quer que eu ligue para sua mãe?

––Não! ––Lucy disse quase gritando ––Ela me mataria se soubesse que eu fui descuidada a esse ponto, posso nem estar grávida, mas seria um caos.

––Ela é sua mãe ––mamãe tentou convencê-la.

––A mãe da Lucy é uma vadia! ––exclamei, sem ligar nem um pouco por ter usado aquele linguajar com mamãe, que me olhou surpresa ––Lucy conte para a mamãe, conte tudo ––insisti para minha amiga ––Ela pode te ajudar em algo, nós podemos te ajudar ––sentei diante dela, a olhando nos olhos.

Lucy segurou em minhas mãos, desviando o olhar para a cartela de remédio, começou a falar tudo que tinha para falar sobre os pais para minha mãe. Como eles estavam sempre discutindo, sobre ela ter crises e até mesmo ter se arranhado completamente uma vez por conta deles, como os Denali nunca perguntavam se ela estava bem, apenas a obrigavam a fazer o que melhoraria a imagem da família. Ela contou tudo e não chorou em nenhum momento.

––Oh Lucy! ––mamãe a abraçou, fazendo com que a garota derramasse suas primeiras lágrimas ––Precisa conversar com seus pais e contar como se sente.

––Eles não ligam, tia ––Lucy suspirou.

––Você ainda é menor de idade, senão eu mesma te traria para cá ––mamãe disse angustiada, limpando o rosto da loira ––Mas venha para essa casa sempre que quiser, pode passar todos os fins de semana aqui, se quiser que eu fale com seus pais posso fazer isso.

––Não tia, eu não quero que converse com eles ––Lucy disse quase implorando ––Mas obrigada por toda ajuda, logo me formarei e irei para alguma faculdade longe o suficiente para eles não poderem mais me controlar.

––E vai tomar a pílula? ––mamãe perguntou.

––Isso vai fazer de mim uma péssima mãe no futuro? Eu quero muito ser uma mãe excelente e presente na vida dos meus filhos, mas agora sou só uma garota de dezessete anos e se engravidar estarei perdida para todo o sempre ––Lucy voltou a abraçar minha mãe.

––Querida, você vai ser uma mãe incrível, tenho certeza disso. Mas você mesma sabe que agora não é a hora certa para assumir uma responsabilidade tão grande que é ter um filho, tome a pílula e se previna de sofrer e fazer seu filho sofre ––mamãe aconselhou.

––Está certa, tia Bella ––Lucy assentiu.

Ela olhou para mim e piscou, me fazendo sorrir, depois pegou o remédio e tomou. Nós três passamos algum tempo completamente caladas, até mamãe colocar uma expressão assustadora em seu rosto e gritar.

––Rachel, desça aqui com esses dois!

Não demoro muito para os meninos e minha irmã aparecerem na cozinha, Rachel estava com um sorriso amarelo no rosto, Riley tão nervoso que olhava apenas para os próprios pés e Alec com uma expressão entediada. Obviamente só estava assim porque o risco de grávidez indesejada não atingia a gente, até porque nunca nem tínhamos transado para isso.

––Sentem-se! ––mamãe ordenou, Riley sentou do lado de Lucy e Alec do meu, Rachel ficou de pé ––Métodos contraceptivos? Vocês já ouviram falar nisso? Quero os quatro fazendo pesquisas sobre isso e tomando cuidado com as vidas sexuais de vocês. A sorte de vocês é que Edward está no trabalho e levou o Senhor Masen com ele, ou todos estariam muito encrencados.

––Usamos camisinha, ela furou, deveríamos processar a marca ––Riley disse indignado.

––Só tomem mais cuidado ––mamãe bufou ––Lucy e Riley, vocês precisam conversar.

––Precisamos mesmo ––Lucy falou para o namorado ––Obrigada pela ajuda gente ––agradeceu, arrastando Riley para fora de casa.

––Rachel, vai terminar de arrumar suas malas, seu voo é daqui a pouco ––mamãe continuou dando ordens, minha irmã puxou uma mexa do meu cabelo, para deixar a mim e Alec sozinhos na garra de Isabella Masen ––Se eu souber que vocês correm o risco de serem pais antes dos vinte e cinco anos, juro que tomo a guarda da criança ––ameaçou.

––Mamãe, não vamos ter um filho ––resmunguei.

––Estão pelo menos se prevenindo? ––ela cruzou os braços nos encarando ––Camisinha, anticoncepcional e...

––Mãe, eu sou virgem.

––Renesmee, você já tem dezessete anos e namora Alexander há meses, esse papo de que ainda é virgem cola com seu pai, mas...

––Senhora Masen, Renesmee ainda é virgem ––Alec disse aquilo desconfortável, suas bochechas estavam coradas e a geladeira era muito mais segura de se olhar do que minha mãe.

––Só se cuidem ––mamãe pediu, ficando constrangida também, saindo da cozinha.

––Ela vai me matar de vergonha qualquer dia ––coloquei minha cabeça na mesa, querendo sumir do mundo depois daquilo.

––Melhor irmos pegar o Buster e esquecer dessa conversa horrível para sempre ––Alec falou, concordei e fomos atrás do meu cachorro.

Nos despedimos de Rachel, que logo voltaria para Los Angeles, informamos mamãe que iríamos mais cedo para nosso habitual almoço na casa de Alec e deixamos minha casa. Eu ainda estava cansada depois da festa do dia anterior, principalmente por ter acordado tão cedo e com todo aquele tumulto na minha casa.

Em minha cabeça eu só conseguia pensar em: Festa, Alec, Bebida, Raiva, Lucy, Choro, Camisinha e Sexo. Quando me dei conta estava no banco do motorista do carro de Alexander –já que ele me forçou a continuar praticando –rindo e chegando a lagrimar por conta disso, Alec começou a rir logo em seguida.

Buster adorava correr na praia, mesmo com as pessoas o olhando de cara feia toda vez que o viam entrando na água, ainda sim ele não passava de um filhote fofo e limpinho de ralos pelos marrons. Passamos primeiro na casa de Alec para buscar Jane, que adorava brincar com o cachorro e depois seguimos para a praia.

Entreguei a coleira nas mãos da caçula da família Cullen e fui logo atrás com Alexander, obviamente fiz com que o inglês me pedisse novas desculpas por ter bebido demais no dia anterior e me deixado brava, mas logo as pedidas cessaram e voltamos ao normal. Aquele onde tentávamos nos empurrar para a água e pedíamos clemência com beijos que faziam Jane gritar que éramos nojentos.

––Eu comecei a escrever ––sussurrei para Alec quando seu braço passou por meu ombro e Jane começou a correr com Buster pela praia.

––O quê? ––perguntou confuso ––Merda, temos algum trabalho de artes, ou coisa assim?

––Não ––ri ––O meu livro, eu finalmente comecei a escrever e dessa vez não é nenhuma ideia boba, vou realmente levá-lo até o fim.

––Está falando sério? ––questionou surpreso ––E esse fala sobre o que?

––Isso é segredo ––dei um sorriso sapeca, fazendo Alec bufar ––Mas prometo que você será a primeira pessoa a ler.

––Vou acreditar nisso ––Alec parou de andar, me fazendo parar de andar também.

Os olhos da cor do mar, o mesmo que batia em nossos pés, me fitaram. Por um instante pensei que surtaria e que todo aquele maldito medo do futuro voltaria, afinal lá estava eu com Alexander, mas e no dia seguinte? No próximo mês? Depois da formatura? E dali a dez anos, onde estaríamos?

––Renesmee ––sussurrou meu nome.

Não falei nada, apenas varri aquele medo para o fundo da minha mente e o beijei. O beijei como se o fosse perder naquele mesmo instante, como se eu tivesse certeza de que o futuro não seria tão bom quanto temia, o beijei com tanto amor que não cabia em mim, porque era isso, eu amava Alexander.

Amava tanto que nem mesmo tinha coragem de admitir.

Um trovão alto soou acima de nós, senti o Sol esfriar e quando me dei conta estava chovendo. E eu estava beijando o cara que amava na chuva, no meio da praia, como um maldito clichê que eu nunca pensei que iria viver.

As mãos de Alexander estavam em meus ombros quando o moreno me olhou, seus olhos me encaravam com a mesma intensidade que o mar estava durante aquela chuva. Seu cabelo completamente molhado caía por sua testa, seus lábios estavam entreabertos e mais vermelhos do que nunca.

Eu me sentia exposta, quase como se seu olhar conseguisse ler tudo que estava sentindo, como se ele soubesse o que eu sentia por ele. Mas não conseguiria falar aquelas três palavras, eram sérias demais para mim, tão assustadoras quanto o futuro.

Seu rosto ficou próximo ao meu cabelo molhado e destruído graças a chuva, Alexander beijou a pele do meu pescoço e mesmo com o clima esfriando, eu me senti quente. Apertei seus braços, não querendo que ele se afastasse de mim, nunca, poderíamos entrar no mar e ficar lá para sempre que eu não me importaria nem um pouco.

––Eu te amo ––Alec sussurrou em meu ouvido, fazendo com que eu apertasse ainda mais seus braços e até mesmo cravasse minhas unhas em sua pele ––Renesmee, você ouviu?

––Alec, não ––gemi.

––O que foi? Você é minha namorada, por que não posso dizer o que sinto? ––ele separou nossos corpos, me encarando com uma expressão nada boa.

––Eu não consigo dizer de volta ––tirei a franja do meu rosto, ela já estava quase na altura do meu queixo e aquilo incomodava tanto quanto não conseguir dizer o que sentia.

––É típico de você ––revirou os olhos ––Jane, leva o Buster para casa! ––gritou para a irmã, que mesmo com toda aquela chuva estava se divertindo com meu cachorro.

Jane bufou, mas acatou a ordem do irmão e seguiu para a casa deles, que estava bem próxima dali. Alec continuava me encarando, nem um pouco contente com minhas últimas palavras.

––Alexander, desculpa ––sussurrei, o vendo ficar de costas para mim e caminhar em direção ao trapiche da praia.

––Desculpas pelo que? ––ficou de frente novamente, mas continuou andando de ré ––Por não me amar? Tudo bem, eu entendo, você não precisa me amar como eu te amo. Pode viver sua vida sem me amar, não ligo para isso.

––Alec...

––Sério, não me ame. Eu posso amar sozinho ––deu de ombros ––As pessoas vivem amando sozinhas por ai mesmo, é claro que uma hora seria eu a ser o único que amava. Não importa, eu te amo e vou continuar te amando, então foda-se se não me ama ––voltou a ficar de costas, andando com mais pressa para o trapiche.

Respirei fundo e corri até Alec, querendo pular nas costas dele, sem querer acabei o derrubando na areia e caímos de um jeito horroroso no chão. Ele bateu o nariz e eu minha boca, passamos algum tempo jogados ali, com a chuva cada vez mais forte sobre nós.

––Eu te amo ––tapei meus olhos assim que falei isso ––Tanto que isso me dá medo, você sabe como eu sou. Pouco antes de você dizer que me amava estava pensando justamente nisso, em como eu te amava tanto que não teria coragem de admitir, mas foda-se, porque eu te amo.

Senti minhas mãos serem afastadas dos meus olhos e mesmo com toda aquela chuva pude ver Alec olhando diretamente para mim, me encarando de um jeito novo. Seu corpo estava parcialmente sobre o meu, as gotículas de água percorriam seu rosto e eu queria enxugar cada uma delas com minha boca, mesmo que aquilo parecesse nojento.

––Eu sabia que você me amava, você é tão fácil de manipular ––riu.

––Seu idiota ––ri também ––Mas eu te amo, satisfeito?

––Bastante ––piscou para mim, antes de encher meu rosto de beijos molhados de chuva.

Eu definitivamente o amava, mesmo que isso me fizesse temer ainda mais o futuro.

**

Os aniversários de Beatriz e William eram quase na mesma época, o dela pouco antes do natal e o dele pouco depois do ano novo. Os planos da loira para o seu era apenas reunir os amigos mais próximos em uma festinha mais intima, já os de Will era viajar com todo mundo para Aspen, pois ele adorava esquiar e a cidade no Colorado era a melhor opção entre todas para isso.

––Okay, mas como você vai colocar nove pessoas além de você em seu plano de viagem? ––Alice perguntou após conferir quantas pessoas tinham na mesa do refeitório, já que eram os amigos que Will queriam que viajassem com ele. Isso incluía ela mesma, Beatriz, Riley, Lucy, Jacob, Gabriella, Demetri, Alec e a mim.

––Gente, vocês irem comigo seria meu presente de aniversário, então cada um arcaria com suas próprias despesas.

––Nossa, muito altruísta ––bufei ––Esquece, eu te compro uma camiseta, não tenho dinheiro para cruzar o país só para esquiar.

––Eu pago sua parte, amor––Alec disse prontamente, estávamos nos chamando de amor desde que confessamos que nos amávamos, o que era fofo e estranho ao mesmo tempo, mas eu gostava muito.

––Não, nem pensar ––neguei.

––Lamento Will, mas também não tenho dinheiro para isso ––Gabriella sorriu sem graça.

––Nem eu ––Demetri, que assim como Gabriella já era parte fundamental daquele grupo, falou.

––Tive uma ideia ––Riley bateu na mesa, chamando atenção para si, até mesmo Lucy que estava com a boca colada no pescoço dele se assustou.

––Ninguém vai para uma boate de stripp, me recuso ––Jacob continuou cutucando a espinha em sua testa, com a ajuda de Alice.

––Não ––Riley negou ––Apesar dessa ser uma boa ideia, mas eu estava pensando em quem tem mais dinheiro ficar responsável por quem não tem para bancar a viagem.

––Isso é ridículo! ––exclamei ––Não acho nada justo fazer alguém gastar uma pequena fortuna comigo por conta de uma viagem.

––Poxa Renesmee, é meu aniversário ––William que estava do meu lado ficou me abraçando de forma sufocante, até que Alexander o afastasse de mim.

––Beatriz e Will vão fazer a viagem de qualquer jeito, então deixemos a parte deles de fora. Lucy, Alec, Jacob e eu temos as contas idiotas e lotadas dos nossos pais, podemos gastar à vontade ––Riley continuou a falar.

––Eu posso pagar sua parte se isso te deixa menos mal ––Lucy sorriu para mim.

––Alec pagaria a parte do Demetri, Jacob da Alice e eu ficaria com a Gabriella ––Riley narrou o resto do seu plano.

––Você o que? ––Lucy se voltou irada para ele.

––Ficaria com a parte de pagar a viagem da Gabriella, não é nada do que está pensando, linda ––beijou Lucy, que o afastou, continuando irritada. Mas aquele era o normal deles, ninguém ligava mais, os dois viviam se estranhando e fazendo as pazes na mesma velocidade.

––Quem concorda com isso? ––Alec perguntou para os demais, quem iria receber a ajuda de custo relutou um pouco, mas acabou cedendo, menos eu.

––Não, eu não vou aceitar isso ––continuei teimando.

––Então vamos todos sem você ––Jacob jogou uma bolinha de papel em mim ––Prometo tomar conta de Alec para você ––ele desviou sua atenção para meu namorado, que pigarreou, ficando mais próximo de mim.

––Renesmee, você precisa ir ––William disse aflito.

––Não, eu te adoro Will, mas você pode passar seu aniversário sem mim ––falei.

––Que garota difícil ––William bufou.

––Eu que o diga ––Alec concordou, ganhando um tapa na coxa de mim.

––Bia, vamos pegar alguma coisa para comer ––Alice a chamou, depois de um olhar significativo que William lançou para minha prima.

––É o seguinte Renesmee ––William começou quando as duas saíram ––Você tem que estar nessa maldita viagem, mesmo que fique puta da vida porque alguém vai pagar suas contas.

––Por que eu deveria estar? ––perguntei entediada.

––Porque vai ser um dia muito importante, amor ––Alec beijou minha cabeça ––Você vai aceitar, não vai mais questionar nada e quando descobrir a real intenção da viagem vai entender tudo ––sussurrou a última parte.

––Tá, eu me rendo!

Alexander e eu passamos bons minutos no carro dele antes de sairmos do mesmo para entrarmos na casa de Bia, mas a aniversariante e tudo o mais podia esperar. Estávamos no banco de trás, ambos sem camisa e nem ligando para que alguém nos pegasse ali, como realmente aconteceu.

––Casal, vocês tem que ir para a festa! ––Jacob bateu na janela, que já estava vergonhosamente embaçada.

––Merda ––me afastei de Alec, procurando por minha roupa, nos vestimos rapidamente e saímos do carro, indo para a casa de Beatriz, onde todos os outros já estavam e nos esperavam com sorrisos maliciosos.

––Vamos começar a festa! ––Riley aumentou o volume do som e alguém me disse que ele já tinha bebido significativamente, por sorte os pais de Beatriz estavam em Los Angeles aquele fim de semana.

O começo da festa se passou com a gente comendo, ouvindo música e conversando idiotices. Até que Lucy surgiu com uma ideia para mim.

––Hoje você vai completar alguns itens da lista, Rê ––sentou entre mim e Alec no sofá.

––Tipo quais? ––questionei arqueando a sobrancelha.

––Ficar bêbada, infringir uma lei, fingir ser outra pessoa, dançar loucamente e cantar no meio da rua ––listou, pois assim como eu já tinha decorado a lista que Rachel tinha criado para mim.

––Eu sempre faço merda quando estou bêbada ––franzi o cenho.

––Essa é a intenção ––Lucy me entregou seu copo ––Mas hoje vamos tomar conta de você e te ajudar com os itens.

––Alec? ––me virei para ele, sem saber o que realmente fazer.

––Vai ser divertido ––o moreno assentiu, completando o copo de Lucy com sua bebida ––Vamos colocar essa bendita lista para funcionar.

E colocamos, começando por me embebedarem. Riley adorou aquele item e disse que o cumpriria junto comigo, como se ele precisasse de uma lista para fazer aquilo, mas quando nos demos conta eu já estava alta o suficiente para começar a colocar os itens em prática.

Nos dividimos em carros e saímos para as ruas de Sun West, de acordo com Lucy, que estava guiando a situação, o próximo passo seria juntar dois itens em um só. Cantar no meio da rua e dançar loucamente, Alice e Bia se disponibilizaram em cumprir aquele comigo.

Fomos parar no parque de diversões perto da minha casa, desci do carro tremendo, mas as duas me fizeram continuar com aquilo. Eu não tinha ideia de qual música meu namorado e amigos colocariam para tocar, então fiquei esperando qualquer coisa.

Jacob e Demetri estavam perto do carro do primeiro, a música seria tocada ali, que tinha um som alto o suficiente. Meu melhor amigo riu da minha cara de desespero e foi a pessoa que clicou para a música começar a tocar.

Alice caiu em uma gargalhada ridícula quando ouvimos Like a Virgin da Madonna soar do sistema de som, as pessoas que estavam no parque estranharam a música e olharam na direção que ela vinha. Beatriz começou a fazer uma dancinha sem noção de levantar os braços para cima e rodopiar, me dando olhares para eu acompanhá-la.

Corando de vergonha comecei a imitá-la e Alice também, comecei a cantarolar a música, totalmente sem jeito. Nem mesmo bêbada aquilo era normal de se fazer, todos olhavam para nós e muitos estavam nos gravando.

Como eu já estava sem reputação alguma, decidi cantar mais alto e dançar mais loucamente ainda. Quando o refrão tocou mais uma vez fui até Alexander que estava encostado em seu carro, rindo desesperadamente da minha performance, então cantei diretamente para ele.

––Like a virgin. Touched for the very first time ––o beijei por um instante, depois puxei Gabriella pela a mão e a levei até onde Alice e Beatriz ainda dançavam, Lucy estava gravando e só não a puxei também porque sabia que se os pais dela descobrissem aquilo iriam odiar.

Quando a música acabou todos que viram nosso momento Glee aplaudiram e pediram mais, eu apenas agradeci e corri para o carro de Alec, tentando superar aquele momento de pura loucura. Voltamos para a casa de Bia depois daquilo e assistimos a gravação, ao menos eu tinha dançado muito bem, o que devia agradecer a equipe de torcida.

––Qual vai ser o próximo? ––Lucy perguntou para os outros, me dando mais um pouco de bebida.

––Fingir ser outra pessoa! ––Jacob disse animado ––Alec, pode me emprestar sua namoradinha por algum tempo?

––O que vai fazer com ela? ––Alec perguntou desconfiado.

––Nada demais ––Jacob sorriu para mim, nos fazendo voltar para os carros.

O plano do Black era o seguinte, ir até um restaurante qualquer e encontrar um casal, iríamos dar em cima dos mesmos e fingir que queríamos sexo à quatro. Fomos para um restaurante quase nos limites da cidade, onde tínhamos mais chances de não encontrar com nenhum conhecido que sabotasse nossos planos. Apenas William e Alec desceram conosco ali, para nos proteger caso algo desse errado, o que era muito capaz de acontecer.

Jacob e eu ficamos em uma mesa analisando ao redor, até que um casal apareceu, eles deviam estar na faculdade, pois não nos conhecíamos da escola, mesmo assim eram jovens. Troquei um rápido olhar com meu amigo e nos levantamos, indo até eles.

––Boa noite, me chamo Megan! ––estiquei minha mão para o garoto, vendo sua namorada me encarar de cima a baixo.

––Eu sou o Calleb ––Jacob deu uma batidinha no peito do cara, claramente notando o quanto ele era forte.

––O que vocês querem? ––a garota, que tinha cara de poucos amigos, indagou.

––Vamos direto ao ponto ––Jacob deu um sorriso safado ––Megan e eu achamos vocês super gostosos, gostaríamos de saber se estão interessados em fazer sexo com a gente.

O casal se entreolhou e sorriram, o mesmo sorriso que Jacob tinha. Eu sabia o que aquilo significava, que eles estavam no mínimo considerando a ideia, ou já tinham a achando boa o suficiente e toparam sem precisar de mais tempo para pensar à respeito.

––Meu apartamento é aqui perto, podemos ir para lá ––o cara afagou meu rosto e eu gelei, Jacob também e nós dois ficamos sem saber ––O que me diz, gata?

––Foi mal pessoal, não é hoje que vocês vão fazer uma orgia ––ouvi William falar, afastando Jacob dali, enquanto Alec me tirava do restaurante o mais depressa possível.

Eu e Jacob rimos da situação assim que deixamos o restaurante, voltamos a rir quando contamos para os outros, mas Alec ficou bravo pelo cara ter tocado em meu rosto. Então demorei algum tempo o agradando, até que seu humor voltasse ao normal.

––O último item vai ser comigo ––Demetri anunciou.

––E o que seria? ––perguntei, mesmo sabendo que dos separados para aquela noite só restava o de infringir a lei.

––Pronta para roubar o que Heidi tem de mais valor?

––Está brincando, né? Renesmee não pode se tornar uma ladra ––Gabriella falou nervosa.

––Calma Gabs ––Demetri pediu para a namorada ––É o seguinte, a família da Heidi é super louca pelos Democratas e logo depois da posse do presidente, eles foram fazer uma visita a Casa Branca e ganharam uma bandeira do país nessa viagem de um cara importante e qualquer.

––É a bandeira na porta deles, não é? ––Alice perguntou.

––Essa mesma ––Demetri confirmou.

––Vai ser muito fácil para a Nessie roubar a bandeira, mas podem ficar tranquilos, Heidi narra a vida dela inteira na sala do jornal e nunca mencionou um sistema de segurança na sua casa.

––Mas se eles gostam tanto dessa bandeira estúpida vão acabar fazendo uma varredura pela cidade ––Bia comentou ––Heidi odeia a Nessie.

––Qual é? Ninguém vai pensar na Renesmee como a primeira culpada para esse crime bobo ––Riley bufou.

––Bom, posso roubar a bandeira e a jogar fora algumas ruas depois, perto daquelas fábricas, não vai ter ninguém naquela parte da cidade a esse horário ––sugeri para mim mesma.

Todos concordaram e pela terceira vez na noite fomos para as ruas, fui no carro com Demetri, Lucy e Alec. A loira e meu namorado estavam nos bancos da frente e meu melhor amigo e eu atrás, nos preparando para a corrida que faríamos para pegar a bandeira. Seria como éramos crianças e corríamos pela rua quando estávamos entediados, só que ali estaríamos roubando algo.

Alec parou o carro duas casas depois da de Heidi, onde além daquela vadia, o diretor da nossa escola também estava. Demetri e eu descemos do carro andando, mas em um ritmo rápido, checamos a área e tudo parecia seguro o suficiente para cometermos nosso pequeno furto.

A bandeira estava pendura próxima a varanda, Demetri e eu a tiramos do suporte e tudo estava indo muito bem, até ouvimos um rosnado. Olhamos para a porta da casa e deitado no tapete de boas vindas estava um Pitbull, um maldito Pitbull que estava solto.

Demetri segurou em meu pulso e me puxou, com a bandeira em mãos começamos a correr desesperadamente para o carro. Com o cachorro dos Volturi latindo e correndo atrás de nós, não sei como, mas conseguimos chegar ao carro antes daquele cão assassino tentar arrancar uma perna nossa fora.

––Corre Alec, corre! ––gritei, enquanto o cachorro pulava do lado de fora, ainda latindo e rosnando para a gente ––Se livra disso ––joguei a bandeira no colo de Lucy quando o carro começou a se movimentar.

Depois do susto e da bandeira ter sido jogada em uma rua que não veria movimento algum nas próximas horas, Demetri e eu começamos a rir, fazendo Lucy e Alec rirem também. Meus olhos estavam lacrimejando de tanta risada que eu dei e soube que além de ter infringido uma lei, ter fingido ser outra pessoa, ter cantado na rua e dançado loucamente, eu também tinha realizado mais um item da lista sem me dar conta.

Eu estava rindo até chorar, mas definitivamente não era por qualquer besteira. Estava rindo por tudo aquilo que tinha acontecido, por ter quase sido morta por um Pitbull, encenado uma cena digna de musical no meio da rua, ter proposto sexo para desconhecidos e por estar com as pessoas que eu mais amava naquela cidade, tirando minha família.

Lucy era minha melhor amiga, a garota que estava sempre pronta para me ajudar no que fosse preciso e me deixava cuidar dela também. Demetri o melhor amigo que alguém pode ter, sempre paciente e pronto para te estender uma mão e dizer que tudo ficaria bem. E Alexander, o cara que eu amava, que sorria para mim e fazia meu coração parar.

Eu sabia que queria algo para meu futuro, deixar Sun West e conhecer o mundo, mas se um dia precisasse voltar aquela cidade, seria levando em conta aquelas três pessoas. As três pessoas que eu nunca conseguiria me esquecer.

**

Os dias depois daquela loucura toda dos itens, foram calmos, estávamos de férias de inverno graças a proximidade das festas de fim de ano e podíamos passar bastante tempo fazendo nada, mesmo que juntos. Alec e eu quase não nos separávamos, se ele não estava na minha casa, eu estava na dele, ou estávamos saindo juntos para algum lugar, o que era sempre muito bom.

Nossa viagem em grupo para Aspen estava certa, apesar de algumas famílias terem relutado bastante para permitir, já que não teria um adulto responsável e iríamos com meninos e meninas. Mas, depois de muita insistência, todos conseguimos nossas permissões.

Iríamos viajar no dia três de Janeiro e passaríamos rápidos dois dias lá, que foi o que conseguimos com muita luta de nossos pais. Mas Will estava tão empolgado com a viagem que ninguém ousava contestá-lo, pois o que importava era que seu aniversário no dia quatro seria lá, com a namorada e amigos.

Passei o Natal em casa, com toda minha família e Lucy, que não quis passar com os pais e as brigas deles, eles nem mesmo se importaram com isso. O feriado foi baseado em Rachel, Lucy e eu conversando o tempo inteiro, principalmente sobre os itens da lista e nossos namoros, minha irmã mais velha estava saindo com um cara de Los Angeles e talvez ela aceitasse ser namorada dele.

Alec e eu combinamos em não trocar presentes de Natal, pois tínhamos aquela aversão a igreja e a tudo que era voltado a extrair tempo e dinheiro desnecessários das pessoas. Entretanto, decidimos comprar presentes em conjunto para uma pessoa em especial e no dia seguinte ao Natal fomos ao orfanato levar roupas, fraldas e tudo mais que Miguel poderia precisar.

O bebê já estava grandinho e cada vez mais esperto, Alexander e eu passamos aquele dia inteiro com ele. Nos perdemos no tempo com aquele ser fofo que tinha uma covinha e só saímos do orfanato depois que as funcionárias nos expulsaram educadamente e que nossas mães nos ligaram ameaçando por já ser tarde.

No ano novo, a nada grande população de Sun West se reunia na praia para a virada de ano, então eu passaria o momento com minha família e amigos ao mesmo tempo, o que era ótimo. Lucy não ficava muito feliz com isso, pois tinha que passar a noite inteira fingindo estar bem perto dos pais e das mascaras que eles usavam, mas naquele ano Riley pareceu ser tudo que ela precisava.

Nem mesmo a presença de James ali a abalou, a loira estava sempre sorrindo, com Riley a abraçando e por muitas vezes a vi abraçando os pais, mesmo que os próprios pareceram não notar isso. Mas pelo menos aquela noite eu tentei não me irritar com nada, ou cometer alguma estupidez.

Eu estava me divertindo e todos também aparentavam estar se divertindo muito, estava aproveitando o tempo com minha família, amigos e principalmente com Alexander. Até mesmo consegui manter uma longa conversa com Esme e a mesma nem estava parecendo tão assustadora.

Quando meia noite foi anunciada, eu beijei Alexander, sentindo ele sorrir junto comigo. Era nosso primeiro ano novo juntos e internamente eu clamava por mais daquilo nos próximos, pois ao mesmo tempo que doía amá-lo, me fazia bem, porque tínhamos aquela relação que Lucy sempre disse ser a certa, nós nos provocávamos e aquilo era o suficiente.

––Feliz ano novo, amor ––beijei a ponta de seu nariz, o fazendo rir.

––Feliz ano novo, Cenoura ––me rodopiou ––Eu te amo sua chata.

––Também te amo ––foi minha vez de rir ––Vou falar com a minha família, vai falar com a sua e depois trocamos ––ele concordou e fomos falar com nossos parentes.

Após eu falar com cada membro da minha família, fui falar com os da de Alec, até chegar em Esme estava tudo bem. Quando parei de frente para a médica, seus olhos azuis como os do filho me avaliavam atentamente, como da primeira vez que estive em sua casa.

––Feliz Ano Novo, Senhora Cullen ––estendi a mão para ela.

Esme olhou para minha mão trêmula e revirou os olhos, afagou minha cabeça como minha própria mãe fazia e sorriu. Sorriu de verdade, como eu nunca tinha a visto sorrir, na verdade eu nem mesmo sabia se já tinha a visto sorrir antes.

––Você com certeza é a garota certa ––murmurou, mas parecia emocionada ao falar aquilo.

––Como? ––perguntei sem entender.

––Você é a garota certa para meu menino ––ela voltou a sorrir e vi algumas lágrimas rolarem por seu rosto ––Desculpe por qualquer coisa, Renesmee, eu só queria protegê-lo de se machucar.

––Acha que sou a garota certa para Alexander? ––perguntei sem acreditar.

––Você com certeza é, querida. Nunca vi meu filho tão bem, tão vivo como quando ele está com você ––os olhos dela vagaram para onde Alec estava conversando com meu pai, os dois riam de algo, mas eu podia sentir a intensidade da risada do inglês dali ––Vocês tem sorte de ter um ao outro ––Esme me abraçou, me pegando de surpresa.

––Senhora Cullen...

––Eu sei que é assustador, que você tem apenas dezessete anos e muitos receios com o futuro, mas quando se tem um passado bom o futuro é só algo a mais a se conquistar ––voltou a me olhar ––Não importa se você estará com ele daqui a um tempo, importa o que viveram e o que estão vivendo. Apenas viva, a vida é muito curta, filha.

––Me chamou de filha? ––perguntei gaguejando.

––Sinto como você fosse uma para mim, talvez por eu ser tão cuidadosa e preocupada com os meus, eu me preocupo com você também. Me preocupo desde que Alexander me disse que estava te namorando, porque eu queria que ele fizesse a garota feliz, porque é muito difícil conviver com a tristeza.

––Sinto muito por Matthew ––foi minha vez de abraçá-la.

––Tudo bem, querida ––Esme afagou minha costa ––Apenas siga meu conselho e viva, com ou sem meu filho ao seu lado, somente quero que os dois sejam felizes.

Notas finais
Por favor, comentem. Beijos. Lola Royal. 13.02.15