Teenage Dream

2 Capítulo Um- Inauguração


Notas iniciais
Só para deixar claro, Teenage Dream vai ser um grande flashback, ou seja, boa parte da história vai ser o passado dos personagens, fatos que aconteceram antes daquele dia no prólogo. Mas diferente da minha outra fic –Clichê –não vai haver intercalação a todo instante entre passado e presente, em certo ponto do enredo a história volta para aquela época do prólogo. Entendido? Espero que gostem.

Capítulo Um- Inauguração

Eu estou sozinha, comigo mesma, e é tudo que eu sei

Eu serei forte, eu estarei errada, mas a vida continua

Eu sou apenas uma garota tentando achar um lugar nesse mundo –A Place In This World, Taylor Swift

Sun West, Junho de 2014

Lucy Denali era alguém que não se devia bater de frente, nunca, a não ser que você queira arrumar briga com a mesma. Acredite, ninguém que isso, ela pode ser nova e baixinha –pouco mais de 1,60 de altura e prestes a completar dezessete –, mas é faixa preta em karate e pode te derrubar em um único golpe.

Aquele era o motivo que me fez sair cedo de casa em pleno primeiro fim de semana de férias, evitar uma briga com a minha melhor amiga. Mas se fosse possível, com certeza iria preferir ainda estar dormindo e só acordar no meio da tarde, para comer e voltar a dormir logo depois.

–Renesmee! –ouvi Lucy me chamar de algum lugar da loja que estávamos, minha capacidade de levantar de onde estava sentada era zero, então deixaria que ela me chamasse pelo resto do dia. Eu definitivamente não era uma pessoa matinal, odiava acordar cedo e não funcionava até uma da tarde, bem diferente de Lucy, que parecia ser ligada na tomada antes mesmo das sete da manhã.

Continuei analisando a forma como os vendedores tinham colocado o mesmo modelo de sapatilha em sequência, como se fosse interessante ver uma réplica de algo que você quer comprar, eu pelo menos não pagaria por algo que tinha pelo menos cinco iguais próximas. Essas pessoas não entendem nada de exclusividade mesmo, deviam ter uma aula de venda com meu pai.

–Você não me ouviu te chamar? –Lucy apareceu na minha frente, carregando pelo menos três vestidos em cada mão, ela estava tão enrolada, que até seu precioso cabelo loiro se encontrava descabelado.

–Lu, só quero ir para casa dormir –resmunguei.

–Ai Rê, não sei o que faço com você –ela suspirou teatralmente e sentou ao meu lado –Está na hora de agir, querida –falou no mesmo tom que minha mãe usava quando queria me dar conselhos.

–Do que está falando?

–Estamos em uma loja super bacana, com um monte de roupas legais e só pensa em ir para casa dormir, tem algo de errado com você –ela me encarou, fazendo com que seus olhos azuis estivessem avaliando cada detalhe do meu rosto.

–Tem, sou o tipo de pessoa que prefere dormir a ficar comprando roupas –revirei os olhos, o que a deixou aborrecida.

–Poxa Rê, vamos passar quase dois meses sem nos vermos, é nosso último dia juntas e você quer ficar dormindo? –o rosto dela adotou uma expressão triste, o que eu sabia que era bem raro, Lucy não ficava triste por qualquer coisa, muito menos por qualquer um.

–Desculpa amiga –abaixei minha guarda –É que papai me fez trabalhar ontem e como era sexta o movimento estava intenso, só estou cansada.

–Nem pensar –Lucy deu um pulo, ficando de pé –Nada de ficar cansada hoje, temos a inauguração do hospital, sabe o quanto isso é importante para a cidade e para a minha família.

–Sei, é um grande feito para toda a população de Sun West, que finalmente vai deixar de depender de um único posto de saúde e passar a ter um hospital de verdade –falei –E para a sua família porque isso garante a reeleição do seu pai, porque sem ele sendo o prefeito fantástico que é, não teríamos o hospital.

–Sabe que soou bastante arrogante falando assim, não sabe? –ela voltou a me encarar, não sabia ao certo porque, mas toda vez que Lucy me encarava eu ficava com medo, talvez fosse resquícios do tempo que ela ameaçava me bater se eu pegasse as bonecas dela e toda vez que eu pegava a garota realmente me batia.

–Eu só não me importo com essa festa –cruzei os braços –Sei que o hospital é realmente importante, mas para que uma festa de anunciação que ele ficou pronto? Seria muito mais fácil simplesmente colocá-lo para funcionar e pronto.

–Não assim que as coisas funcionam, Renesmee, está no seu sangue ser uma excelente administradora como seu pai e na minha família também.

–Lucy, meu pai é dono de uma lanchonete, seu pai é o prefeito da cidade, isso é muito diferente.

–Claro que não, o seu tem que saber fazer o marketing correto da lanchonete, o meu do governo dele. Isso é tão óbvio –ela recolheu os vestidos –Mas agora é sério, você vai para aquela festa, não adianta bater o pé, então é muito melhor ir vestida decentemente.

–Não quero uma roupa nova –teimei.

–Ai que inferno, garota! –ela bufou –Você é muito chata, sabia? Olha esse vestido –jogou um verde em cima de mim –É o seu número e com certeza vai ficar perfeito em você, fora que você vai para a festa como minha convidada, então eu o pago, não precisa ligar para o preço dele.

–Você não vai desistir, não é? –levantei o vestido para poder vê-lo melhor, Lucy tinha bom gosto, o que significava que ele era muito bonito.

–Renesmee Masen, Lucy Denali nunca desiste –ela piscou para mim –Agora vamos ir provar esses vestidos maravilhosos –me empurrou na direção do provador.

Acabou que a loira acertou em cheio e o vestido deu certinho em mim, era um modelo normal de frente única, nada muito exposto, mas mesmo assim muito bonito. O fato de ser verde combinava perfeitamente com meus cabelos ruivos ondulados, que eu agradecia todo dia por ter herdado do meu pai que herdou de sua falecida mãe, meus olhos, em um tom de verde também acabavam sendo refletidos pelo vestido, com o penteado certo e uma maquiagem eu ficaria bastante apresentável para a festa que movimentaria nossa cidade pacata.

Lucy me deixou em casa depois das compras, mas antes que eu pudesse sair do carro dela, a garota fez questão de deixar claro que voltava depois para ir com ela e sua mãe para o salão de beleza, de lá sairíamos direto para a festa. Desisti de teimar, se a minha amiga não desistia, eu desistia, mas odiava ficar insistindo em algo que não via futuro.

–Como foram as compras? –mamãe indagou quando entrei em casa, ela estava digitando algo em seu notebook, com certeza algo para o trabalho, já que era jornalista do único jornal da cidade.

–Chatas, Lucy leva isso muito a sério –me sentei no sofá –Ela está com o vestido, alegando que eu acabaria tocando fogo nele para não ir a festa.

–Querida, se você estiver com tanto mau humor quanto parece, com toda certeza queimaria o vestido –mamãe riu, passando a mão despreocupadamente por seu longo e ondulado cabelo castanho.

–Não chegaria a esse ponto –me defendi –Só estou cansada, papai me explorou na lanchonete ontem, acho que ele me confundiu com o Emmett. Eu tenho notas altas, sabe? Minha faculdade está praticamente garantida, não sou o estúpido do meu irmão que tomou bomba, foi expulso da equipe de futebol e acabou destruindo toda a vida dele.

–Renesmee, cala a boca! –Isabella, minha mãe, ordenou. Era notável, pelo brilho nos olhos cor de chocolate dela, o quanto tinha ficado revoltada com meu comentário.

–Foi mal –contive revirar os olhos –Mas todo mundo sabe que o Emmett foi muito burro...

–Eu já mandei calar a boca –ela me interrompeu, fechando seu notebook –Você não pode julgar seu irmão, tem que apoiá-lo.

–Apoiá-lo? Emmett ferrou com a vida dele e eu tenho que passar a mão na cabeça dele como você faz? –fiquei indignada, meu irmão mais velho sempre fazia todas as besteiras que queria e mamãe sempre o defendia.

–Chega, é melhor terminarmos essa conversa agora.

–Isso explica o fato de você e papai brigarem, a senhora não aceita uma opinião contrária a sua –peguei minha bolsa e subi para meu quarto batendo o pé e logo depois a porta.

Eu sei que era errado brigar com mamãe, ainda mais quando ela se esforçava dia e noite para manter a casa em ordem para gente. Além de trabalhar ainda cozinhava, limpava e nos ajudava no que fosse necessário, mas saber que até quando Emmett estava errado ela o apoiava, irritava.

Amava meu irmão, me divertia com ele e passava horas conversando se fosse possível. Só que desde que ele tomou uma substância ilegal para ganhar massa muscular e foi expulso do time de futebol americano da escola, fazendo com que nenhuma faculdade o aceitasse mais, nossa relação ficou uma merda, porque eu não aceitava o fato dele ter acabado com a própria vida daquela forma.

Agora ele trabalhava na lanchonete do nosso pai, quando podia estar fazendo carreira no futebol, namorando a mesma garota que namorava desde os quinze anos e achando que a vidinha em Sun West era perfeita. Não era, eu sabia disso, era um lugar pequeno, para pessoas que pensam pequeno.

Minha vontade de rodar o mundo, lançar um livro e ser reconhecida positivamente era tão grande, que eu não aceitava nada que batesse de frente com isso. Eu queria deixar Sun West e ir viver em grandes metrópoles, onde a vida realmente acontece, não ficar mofando ali como meus pais, apesar deles jurarem amar a cidade.

–Abre a porta! –ouvi a voz do meu pai, logo após algumas batidas na mesma.

Obviamente obedeci e me levantei para ir abrir a porta para ele, Edward Cullen era filho de militar, teimar com ele não era uma escolha saudável de se fazer. Além do mais, ele concordava comigo na burrada que Emmett tinha feito, então eu não escutaria tanto assim dele.

–Você vai pedir desculpas a sua mãe –falou assim que abri a porta, se tinha alguém que dava medo de encarar fora Lucy, esse alguém era meu pai. Os olhos dele, esverdeados como os meus, pareciam ter a capacidade de ler cada pensamento alheio.

–Papai, só falei a verdade, você me criou para isso –disse.

–Renesmee, desce e vai pedir desculpas a sua mãe, não piora as coisas –apontou na direção da escada.

E eu com certeza o obedeci novamente, antes que ele se zangasse comigo e decidisse cancelar minhas férias de verão. Estava tudo acertado para passar dois meses em Los Angeles com a minha irmã mais velha, Rachel, então não perderia a grande oportunidade de ir.

–Mamãe, desculpe –abaixei minha voz, a deixando potencialmente doce ao falar com ela.

–Tudo bem, foi só uma revolta adolescente –ela me abraçou e eu imediatamente deixei com que o meu lado rebelde fosse posto de lado. Mamãe podia ter seus defeitos, mas era minha mãe e eu continuaria amando-a apesar de tudo.

–Isso, já que agora se acertaram, vai chamar seu avô para almoçarmos –papai sorriu –Vou aproveitar que o novo Emmett, responsável esta na lanchonete e cuidar do almoço por conta própria –segurei minha língua para não mandar ele tomar cuidado com o estrago que meu irmão podia fazer sozinho na lanchonete, fui logo chamar meu avô, que morava em uma espécie de casa de hospedes que tínhamos no fundo da nossa, depois do quintal.

Não éramos multimilionários, longe disso, mas papai era um ótimo gerenciador e soube muito bem investir em seu negocio, que rendia muito por ser próximo a praia, tudo isso nos proporcionava um estilo de vida tranquilo. Uma casa com três quartos, onde o dos meus pais era suíte, um banheiro considerável que eu dividia com Emmett e Rachel quando ela ainda morava com a gente, porão, sótão, garagem, cozinha e sala de jantar e de estar.

–Vovô, vamos almoçar –entrei na casa dele, o encontrando fumando seu inseparável charuto sentado diante da televisão desligada.

Um fato sobre meu avô, ele era mais mau-humorado do que eu, só que ele não melhorava pela parte da tarde, continuava irritadiço por todo o dia. Papai dizia que isso era por ele ter lutado na Guerra do Vietña durante anos, mas mamãe tinha a teoria de que era por ele ter perdido a esposa para um câncer, quando papai era apenas uma criança de quatro anos de idade.

–Criança, sabia que se eu fechar os olhos posso me lembrar com exatidão do sangue que perdi quando me acertaram com um tiro na coxa? –ele fechou os olhos, como para provar sua teoria.

–Então não feche os olhos, vovô –toquei em seu ombro –Vamos almoçar, ficar pensando em sangue vai tirar seu apetite.

–Foi em 72, eu estava naquela guerra uns sete anos mais ou menos –ele abriu os olhos, mas ficou olhando distraidamente para seu charuto –Eu ainda não conhecia sua avó, nem tinha uma namorada, mas fiquei sussurrando que não queria deixar minha amada sozinha.

–Por que fez isso? –perguntei curiosa, sem saber daquela extensão da história de quando ele levou um tiro.

–Porque pessoas que amam são mais felizes –ele franziu o cenho –Isso é tão patético, não concorda?

–Concordo, ninguém precisa de amor para ser feliz. Todos precisam de comida, então vamos logo comer –o apressei.

–Viu? Você é encantadora, justamente porque não tem um namorado, as pessoas são mais felizes quando são elas mesmas, isso sim –ele gargalhou por um instante, se levantando de sua cadeira e pegando sua bengala –Deixe-me lhe dar um conselho, Criança –tocou em meu rosto –Nunca se apaixone, é cruel e devastador, no fim você acaba perdendo, tendo que clamar por algo que não possui.

–Pelo que?

–Amor alheio, a droga mais fatal que existe, pois ela não se compra e quando você se vicia precisa depender que a outra pessoa tenha a boa vontade de lhe dar um pouquinho.

Notas finais
Por favor, comentem! Beijos. Lola Royal. 12.11.14