Teenage Dream

35 Capítulo Trinta e Quatro- Cigarros


Notas iniciais
Espero que gostem :3

Capítulo Trinta e Quatro – Cigarros

“Quando eu estiver longe

Me lembrarei de como você me beijava

Embaixo do poste de luz da 6ª rua

Ouvindo você sussurrar pelo telefone

Espere por minha volta para casa” –Photograph, Ed Sheeran

Estava quente, eu sentia o Sol bater em meu rosto e meu braço esquerdo dormente, ainda assim a respiração de Alexander anulava tudo aquilo e tê-lo tão perto era recompensador. Sai de cima dele, que ainda dormia e me deitei ao seu lado, recuperando meu braço que estava preso junto ao seu corpo.

O homem, que um dia foi um adolescente tão inexperiente, não se moveu um centímetro e continuou em seu sono profundo. Eu permaneci em sua cama, afagando seu peito nu, livre de qualquer peça para cobri-lo, Alec estava muito mais lindo de que quando era um simples adolescente, suas feições maduras lhe deixavam tão atraente que eu poderia passar o resto do meu dia o olhando sem desviar minha atenção de si.

––Pare de me encarar, Renesmee ––sua voz rouca, misturada ao seu sotaque britânico me fez sorrir e voltar a deitar o mais perto possível dele.

––Não estava te encarando, estava te admirando ––beijei sua bochecha, o vendo abrir os olhos azuis de forma preguiçosa.

––Sei ––ele sorriu, beijando meu ombro ––Precisamos tomar café, estou morrendo de fome.

––Eu preciso fumar ––confessei.

––Não precisa não ––balançou a cabeça ––Essa merda vai acabar te matando ––nos sentamos na cama, ele tinha o lençol em volta de sua cintura e eu não me importava de estar coberta apenas do quadril para baixo.

––Só um cigarro, eu realmente preciso ––aproximei meu peito do dele, mordendo sua orelha de leve.

––Isso não é sexy, você está soando como uma viciada ridícula ––me afastou, revirei os olhos e desabei novamente na cama.

––Eu te odeio ––resmunguei.

––Não odeia ––ficou sobre mim ––Você jurou que me ama, lembra?

––Eu estava bêbada ––brinquei.

––Ah, então não me ama? ––seus lábios passearam por meu pescoço, fazendo com que eu ficasse arrepiada.

––Talvez ame ––comecei a ceder.

––Talvez? ––sua mão alcançou meu seio, o estimulando.

––Okay, eu te amo ––cedi de vez, o puxando para um beijo, mas fomos interrompidos com um grito vindo do lado de fora.

––Alexander, mamãe mandou você descer para tomar café!

––Pronta para reencontrar com Esme Cullen? ––perguntou dando um sorriso traiçoeiro.

––Nua? Não ––fiz uma careta ––Meu vestido está encharcado, como eu vou sair daqui?

––Seja criativa, você é uma escritora, use sua mente ––ele seguiu para seu banheiro, me deixando a mercê da minha própria criatividade.

Enrolei meu corpo no lençol e fui para o armário dele, consegui encontrar uma blusa grande de quando ele jogava no time de futebol americano, mas a não ser que eu quisesse estar nua na frente da sua família, eu não tinha o que vestir na parte de baixo. Voltei a me enrolar em seu lençol e a procurar por algo que eu pudesse usar ali, até que encontrei algumas roupas femininas misturadas com as suas.

––Ei, você vai ficar de lençol para o café? ––perguntou brincalhão ao sair do banheiro.

––São roupas da Irina, não é? ––perguntei com um vestido florido em mãos.

––Sim ––o sorriso desapareceu do seu rosto ––Desculpa, não era para você ver isso.

––Será que pode pegar algo com Jane? Qualquer coisa serve ––passei por ele e fui para o banheiro. Tomei um banho rápido, querendo tirar a imagem de Irina e Alec transando naquele quarto, era estranho não ser a única na vida dele, aquilo me deixava receosa e com muito medo de que tudo desse errado de vez.

Quando deixei o banheiro, ele me esperava com uma muda de roupas limpas e de Jane, dizendo que elas nem tinham sido usadas porque a irmã havia as comprado no shopping da cidade durante o dia anterior. Agradeci aquilo e me vesti, em silêncio e constrangida por ter encontrado as roupas de Irina.

––Renesmee, tudo bem?

––Sim ––afirmei, engolindo e seco e terminando de vestir a blusa nova de Jane ––Acho que eu vou para casa, meus pais devem estar loucos por eu não ter dado noticiais ainda.

––É só um café da manhã, eles podem esperar por o tempo de um café da manhã ––disse sério e não me restou alternativas se não concordar, mas consegui no mínimo mandar uma mensagem para minha mãe dizendo que eu estava bem.

A família dele estava em peso na sala de jantar, o que me deixou tensa diante daquela situação. Jane tinha sido simpática no dia anterior, mas eu não sabia como os pais ou sua avó reagiriam a minha presença depois de tantos anos, sendo que Alec estava de noivo de outra a pelo menos uma semana atrás.

––Bom dia ––ele saudou, chamando a atenção para a gente, Esme que conversava com o marido nos olhou e ficou em choque quando nos viu.

––Renesmee! ––ela deu um sorriso imenso quando se recuperou da surpresa e deixou a mesa para vir até nós na entrada do cômodo ––Oh querida, você está tão linda!

––Obrigada Esme ––agradeci dando um sorriso mínimo ––É tão bom te rever ––falei, me permitindo abraçá-la e por sorte fui retribuída.

––Filha, é bom te rever também, meu bem ––beijou meu rosto e o afagou em seguida ––Pensei que nunca mais ia vê-la.

––Eu devia ter vindo aqui antes ––sussurrei me sentindo culpada.

––Deveria mesmo ––Esme enxugou uma lágrima que passeava por seu rosto ––Mas agora está aqui e isso é o que importa!

––Renesmee, eu acho que li cada um de seus livros pelo menos três vezes ––Cecília falou empolgada ––Você se tornou uma escritora incrível.

––Obrigada.

––Ei querida ––Carlisle se levantou para me cumprimentar ––Como foram suas viagens?

––Muito boas, uma melhor do que a outra ––me sentei ao lado de Alec para tomarmos café ––A Índia deve ter sido meu lugar preferido, pois foi minha primeira parada, mas cada país, cidade, ou até mesmo aldeiazinha tiveram seus charmes a me mostrarem.

––Tudo bem, ninguém vai perguntar onde está a Irina? ––Jane questionou confusa ––Sem querer ofender, Renesmee. Mas meu irmão está noivo e é no mínimo estranho ter passado a noite com outra mulher em casa.

E lá estava eu, sendo a ‘outra’. Esme olhou de modo severo para a filha, enquanto Alexander ao meu lado ficou com o corpo tenso, Carlisle e Cecília desviaram a atenção para outros lugares que não fosse eu.

––Eu não estou mais com Irina ––Alec comunicou.

Ninguém disse nada, mas vi Esme sorrir de um jeito vitorioso. Eu queria ir embora, estava me sentido envergonhada e levemente humilhada com tudo aquilo, minha cabeça estava doendo graças as bebidas do dia anterior e daria tudo para poder chorar um pouco.

Amava Alexander, mas a situação ainda era complexa o suficiente para não saber o que fazer. Entretanto, eu me mantive ali, sob o silêncio que reinava na casa dos Cullen. Forcei a mim mesma a comer algo, ainda que qualquer vestígio de fome tivesse desaparecido do meu corpo, enquanto isso a vontade de fumar só fazia aumentar.

––Eu preciso ir embora ––murmurei quando não consegui mais forçar a comida para dentro.

––Pai, pode me emprestar seu carro? ––Alec perguntou para Carlisle.

––Sim, claro ––o mais velho concordou.

––Não precisa, meu pai já deve estar na lanchonete, posso pegar o carro dele ––me pronunciei.

––Não, eu te levo ––Alec se levantou, pegando a chave com o pai ––Vamos!

––Foi bom ver vocês ––dei um sorriso sem graça para os outros e segui Alexander para fora da mansão da casa dos Cullen.

Entramos no carro de Carlisle e não falamos nada durante o caminho inteiro para a casa dos meus pais, a vontade de chorar ainda me dominava e eu daria um braço por um cigarro e uma bebida forte. Aquilo me revoltou, porque me fez perceber como estava soando como uma maldita viciada, então quando o carro entrou na rua que cresci, desabei em lágrimas.

––Me desculpa, por favor ––Alec pediu torturado, parando o carro na frente do jardim da minha mãe.

––Não é sua culpa ––tentei controlas as lágrimas, mas elas não paravam.

––Claro que é, nenhum deles sabia que eu não estava mais com Irina, cheguei anteontem de Londres e apenas disse que ela não pode me acompanhar. Eu não sabia que nós dois iríamos ficar juntos Renesmee, eu pensei que voltaria para a Inglaterra e que ela me aceitaria de volta. Por favor, me desculpa ––afagou meu braço.

––O que nós estamos fazendo? ––questionei o encarando ––O que estamos realmente querendo tirar disso?

––Eu não sei ––Alec suspirou.

––Nós nunca sabemos ––tirei o cinto ––Eu te amo, mas parece que nós nunca daremos certo.

––Renesmee, eu vou ficar um mês em Sun West, nós podemos usar esse tempo para decidirmos o que queremos.

––Eu quero você! ––exclamei de olhos fechados, mas o inglês não disse nada ––O que você quer, Alexander? ––voltei a encará-lo.

––No momento eu quero te ver sorrir, pois estou me sentindo péssimo.

––Podemos ir ver Miguel ––sugeri, por um minuto querendo deixar nossos problemas assustadores de lado.

––É uma excelente ideia ––concordou.

––Vou entrar para trocar de roupa, me espera aqui, não estou a fim de ter que explicar para minha família o que somos um para o outro no momento ––sai do carro de Carlisle.

Para minha sorte apenas meu avô e minha mãe estavam em casa, mas eu sabia que até a hora do almoço Emmett, Rosalie e os filhos deles apareceriam, assim como Lucy e Riley. Dei rápidas respostas as tantas perguntas de mamãe, não que eu estivesse a afastando, apenas não sabia mesmo o que lhe responder.

Quando fiquei sozinha em meu antigo quarto, entrei no site da companhia área, confirmando minha viagem para o Chile dali a alguns dias, até mesmo imprimi a passagem. Não que eu estivesse certa de que iria, mas queria ter algo em que me apoiar se as coisas entre mim e Alexander desmoronassem em nossos pés.

Depois de tirar as roupas emprestadas de Jane, me vestir adequadamente, comuniquei a mamãe que sairia e que seria muito provável que eu não fosse almoçar em casa aquele dia. Então retornei para o carro de Carlisle, e para Alec.

––Por favor, dirija o mais rápido que conseguir, eu preciso ver Miguel imediatamente ––clamei, finalmente conseguindo sorrir depois do café da manhã confuso na casa dos Cullen.

––Sim senhora ––ele concordou já dirigindo para longe da minha rua ––Eu o vi no verão, mesmo assim estou morrendo de saudades, não sei como conseguiu passar tanto tempo longe dele.

––Nem eu ––suspirei olhando pela janela, as casas, lojas, tudo parecia muito igual. Abaixei o vidro, sentindo o vento bagunçar meus cabelos e esfriar meu rosto, era realmente bom sentir aquilo, principalmente quando estava em Sun West.

Não falamos mais nada durante o caminho para o orfanato, mas não foi tão estranho quando a ida até minha casa. Eu estava inquieta e impaciente enquanto Alexander resolvia tudo para que tivéssemos acesso a Miguel, quando isso aconteceu faltei dar um grito de comemoração e segui a frente até onde meu garotinho estava.

Mais uma vez quis chorar ao ver o garoto lendo algo na biblioteca do local, simplesmente empaquei no lugar, sem forças de fazer mais nada. Ele estava tão crescido e tão bonito, eu queria ter visto cada mudança de seu rosto e aquilo me machucou, ia visitá-lo ao menos uma vez ao ano –antes de nunca mais ir –mas não era o suficiente para ver cada alteração em sua mente ou corpo, e lá estava ele, quase um adolescente.

––Miguel? ––a voz de Alec me despertou, o garoto tirou os olhos do livro que estava lendo.

––Alec, Ness! ––exclamou nossos apelidos, ou melhor, gritou.

Ele largou o livro e correu até nós, mas Alexander estava a um passo a frente de mim e capturou o menino em seus braços. Eu cheguei mais perto, analisando o sorriso alegre de Miguel e a calmaria que tomou conta de Alec.

––Ei Campeão, você cresceu muito desde o verão! ––Alec notou, mas isso não foi o suficiente para deixar Miguel sair de seu colo.

––Cresci? ––Miguel perguntou empolgado.

––Cresceu sim, daqui a pouco estará maior do que eu ––Alexander exagerou, me fazendo rir ––Olha só, eu trouxe essa sumida aqui para você ––virou Miguel na minha direção.

––Renesmee ––os olhos de Miguel ficaram brilhantes ao olhar para mim e aquilo me fez ficar lisonjeada.

––Vem cá, Campeão ––o peguei dos braços de Alec e mesmo ele sendo um garoto de dez anos quase do meu tamanho, recusei a me sentir uma fraca e o mantive perto de mim ––Oh, eu estava morrendo de saudades ––chorei, odiando ter voltado a ser a garota que chorava por tudo.

––Eu também ––Miguel murmurou colocando seu rosto no meu pescoço e se apertando mais ainda a mim.

––Prometo que nunca mais passo tanto tempo sem vir até aqui, meu amor ––beijei o rostinho dele ––Eu te amo muito, Miguel ––controlei o choro, antes que começasse a ter uma crise.

––Eu também te amo, Nessie ––repetiu.

Alec pegou Miguel de mim, como sempre fazia desde que ele era um bebê, não era como se disputássemos a atenção do garoto, mas queríamos a todo custo estar com ele o máximo possível. Enquanto Miguel crescia, Alec e eu íamos visitá-lo separadamente, mas durante todas nossas visitas falamos para o menino um sobre o outro, então ele tinha nos associado desde sempre.

Eu era a Renesmee amiga do Alexander, e vice-versa. Foi assim durante anos e eu sabia que éramos as pessoas no mundo que mais amávamos Miguel, por isso algo dentro de mim gritou de raiva imaginando que Alec poderia ter apresentado meu garotinho para Irina.

––Eu quero ficar com ele ––tirei Miguel dos braços de Alec, deixando a raiva em minha voz ser sentida.

––Então, eu consegui liberação para te levar para almoçar fora, que tal? ––Alec perguntou para o menino em meu colo.

––Isso é ótimo! ––Miguel ficou empolgadíssimo e pesado demais para eu aguentar, então me rendi e o coloquei no chão, mas mantive sua mão na minha.

––Vamos comer na lanchonete do papai? ––sugeri ––Podemos levar Miguel para a praia depois ––falei.

––É uma excelente ideia ––Alec concordou.

Pedimos que uma funcionária do orfanato separasse algumas roupas para Miguel e ele prontamente se vestiu com uma sunga, pronto para ser levado a praia depois de almoçarmos. Alec pegou a mochila com os pertences dele, enquanto eu continuava segurando na mão do menino, mas o inglês segurou na mão livre, até ser obrigado a soltá-la para dirigir.

Preferi ir no banco de trás com Miguel, por querer ficar perto dele, eu era uma idiota por não ter ido visitá-lo durante tantos anos. Alec e eu passamos o caminho inteiro conversando com o menino e quando chegamos a lanchonete de papai, topamos com o mesmo e com Lucy se preparando para irem almoçar na casa da minha família.

––Vocês por aqui ––Lucy nos lançou um sorriso malicioso ––Oi Miguel, lembra de mim?

––Sim, Lucy não é?

––Eu mesma ––ela beijou a bochecha do menino, que tinha ido visitar algumas vezes comigo ––Ele está enorme!

––Olá Alec! ––papai apertou a mão do inglês.

––Olá Senhor Masen.

––Nós estamos indo almoçar ––comuniquei a papai, que me olhava confuso.

––Por que não vão fazer isso lá em casa? ––perguntou.

––Fazemos isso outro dia ––olhei de forma insistente para papai ––Já contou a novidade a ele? ––questionei a Lucy.

––Qual novidade? ––papai perguntou.

––Eu ia esperar para contar no almoço, quando estivéssemos todos juntos ––Lucy sorriu ––Mas já que Renesmee não consegue ficar de boca calada, aqui vai a grande novidade, eu estou grávida!

Papai abriu um enorme sorriso e abraçou Lucy, era claro o quanto ele e mamãe tinham a loira como uma filha desde que ela pediu emancipação dos pais e foi morar conosco. No final das contas Lucy virou minha irmã de verdade, e eu amava aquilo, ela já tinha uma família.

––Parabéns, querida! ––beijou a testa dela ––Oh Deus, onde está o Riley, eu preciso parabenizá-lo por ter feito algo muito certo ––papai estava tão emocionado quanto Emmett e Rose tiveram seus filhos.

––Ele já deve estar indo para o nosso almoço ––Lucy respondeu ––Nós vamos nos casar.

––É claro que vão se casar! Riley não seria maluco de não casar com você, ainda mais agora que terão um bebê ––papai voltou a abraçá-la ––Vamos logo, Lucy. Mal vejo a hora de Bella ficar sabendo disso!

––Vemos vocês depois, se cuidem ––falei para os dois, que se despediram da gente e foram para o carro de papai.

Miguel, Alexander e eu entramos na lanchonete e acabamos sentando na mesma mesa que sentei com o inglês da última vez que estivemos ali juntos, o que era uma merda. Pedimos hamburguês, refrigerantes e batatas fritas, o que provava que o médico entre nós não se importava com comida gordurosa, apenas com meus cigarros.

––Alec, cadê a Irina? ––a pergunta de Miguel, sentado ao meu lado, fez com que meu corpo inteiro ficasse paralisado.

Ela o conheceu. Conheceu o garotinho que eu amava desde que era um bebê, o menino que eu peguei no colo em seu aniversário de um mês e chorei por ele não ter ninguém. Irina tinha visto Miguel, o tocado e com toda certeza o achado a criança mais amável do mundo. E Miguel sorriu ao falar dela, aquilo era demais para mim.

––Em Londres ––foi somente o que Alec respondeu, evitando me olhar ––Eu gostei do seu cabelo, quem cortou?

––Uma moça que trabalha lá no orfanato ––o menino deu de ombros ––Por que Irina não veio com você?

––O almoço chegou! ––forcei uma comemoração quando uma garçonete que eu não conhecia nos serviu ––Obrigada ––agradeci a ela.

––Então, por que ela não veio? ––Miguel continuou curioso ––Quando vai ser o casamento de vocês? Ela disse que seria em breve.

––Miguel, você precisa parar de falar e comer ––apoiei minha cabeça em minhas mãos.

––Ah, desculpe Nessie ––ele começou a comer.

––Isso, come ––comecei a comer também.

––Nessie, você conhece a Irina? Ela é muito legal, me deu um livro de fantasia bem bacana quando foi me visitar ––Miguel voltou a falar.

––Não a conheço ––suspirei ––Você gosta mesmo dela, não é? ––perguntei para ele.

––Gosto muito dela, muito mesmo. Alec e Irina me levaram para o parque quando me visitaram no verão. Ela conseguiu o convencer a ir na montanha russa com a gente, foi hilário ––Miguel riu de si mesmo.

––Tenho certeza de que ela é incrível ––murmurei, mais para Alec do que para Miguel.

Alexander conseguiu distrair Miguel, falando sobre algo que eu não consegui acompanhar, pois minha cabeça só conseguia formar a imagem de Irina visitando Miguel. Ela não tinha apenas Alec, tinha o garotinho também, mas a raiva que eu sentia se transformou em remorso, porque no fundo eu sabia que não era a primeira no coração de Alec, nem a pessoa que Miguel gostava muito.

Permaneci quieta durante o resto do almoço, falando apenas quando Miguel requisitava minha atenção, mas ele estava mais interessado em conversar com Alexander do que comigo. Queria pegar minha passagem para o Chile e embarcar o mais rápido possível, o dia que tinha começado da melhor forma estava se tornando um pesadelo.

Eu tive Alec durante uma noite, mas na manhã seguinte ele não era mais meu. Porque eu tinha me enganado, não estávamos no mesmo ritmo, a música havia chegado ao fim para nós.

Depois de comermos, atravessamos a rua e fomos para a praia. Alec tinha colocado uma sunga, como se tivesse previsto que iria para a praia e entrou na água com Miguel, os dois se divertiam e apesar de eu estar chateada, não contive sorrisos e gritos animados ao vê-los brincando com uma bola.

Eles eram lindos, eu os amava, eu os queria ver felizes. Isso significava que estaria disposta a abrir mão de ambos se fosse preciso.

Desejei que Demetri estivesse vivo, apesar de ter Lucy, algumas coisas eu sempre consegui dividir melhor com meu melhor amigo. Sentia falta até dos flashes incessantes de sua câmera enquanto conversávamos.

No meio da minha divagação, Alec deixou Miguel brincando com algumas crianças que estavam por ali e sentou ao meu lado na areia. Não falei nada, apenas apoiei minha cabeça em seu ombro, me molhando um pouco graças a isso, meus olhos continuavam fixos no garotinho de dez anos quando perguntei:

––Irina gosta dele?

––Gosta, estávamos pensando em abrir um processo de adoção depois do casamento.

Alec voltou a brincar com Miguel e depois deles se cansarem, voltamos para o orfanato. Passei longos minutos abraçada ao menino, prometendo a ele que eu voltaria a vê-lo em breve, eu deveria fazer aquilo, eu tinha que vê-lo, antes que Alec voltasse para Irina e eles formassem uma família.

Depois do orfanato, Alec seguiu com o carro do pai para a casa dos meus pais. Eu sabia, que ele sabia, que nada estava como imaginamos que iria ficar. Estava pronta para pedir que ele fosse embora de vez da minha vida, quando Lucy e Riley apareceram, nos intimando a entrar logo e participar do que era a comemoração do noivado e do bebê deles.

Não tivemos escolha senão ceder aos dois, minha família estava lá, os pais de Riley e nossos amigos mais próximos. Era uma mini festa, mas todos estavam felizes demais com tudo aquilo, foi o suficiente para eu conseguir me distrair de tudo que estava rondando em minha cabeça.

Meus sobrinhos –Samuel e Stefan –me fizeram jogar videogame com eles, então quando perdi a terceira rodada, fiz meu irmão assumir meu lugar. Procurei por Alexander no meio da comemoração, mas não o encontrei.

––Mamãe, viu Alexander? ––perguntei para ela que conversava com a mãe de Riley.

––Lá em cima, ele teve que atender uma ligação.

Assenti e fui para o segundo andar, não ouvia a voz de Alec, mas a porta do meu quarto estava entreaberta e a luz ligada, então segui para lá. Perto da minha escrivaninha, ele estava com um papel em mãos, o rosto contorcido em uma careta e os olhos cheios de lágrimas.

––Alexander?

––Então,você vai para o Chile daqui a uma semana? ––balançou o papel a minha frente, me fazendo notar que era minha passagem.

––Eu não queria ir, mas acho que não a mais espaço para mim em sua vida ––sussurrei.

––Você nunca espera nada ––ele largou o papel sobre minha mesa ––Sempre foi assim, você nunca vai mudar, Renesmee. Nunca se dá uma chance, porque é medrosa!

––Alec, você não tem o direito de me julgar.

––Não, você tem razão ––respirou fundo ––Irina me ligou.

––Claro que ligou ––cruzeis os braços ––Quando vai ser o casamento de vocês? Eu já posso encomendar meu vestido?

––Não sei se ainda vai ter um casamento ––Alec continuou me encarando ––Mas ela me ligou porque o pai sofreu um ataque cardíaco, ela precisa de mim em Londres. E sabe o que é melhor? Ela não está me afastando, porque não se afasta alguém quando se ama.

––Vai embora, por favor ––implorei ––Sai da minha vida, Alec!

––Então esse é o fim?

––Não ––neguei ––Nosso fim foi há dez anos, nós só fomos patéticos pensando que poderíamos ficar juntos depois de tudo.

––Você está certa, nós só fomos estúpidos e infantis querendo reatar algo que começou errado ––se encaminhou para a porta do meu quarto ––Adeus!

Notas finais
Ah como eu gosto de surpreender vocês kkkk Ameaças de morte nos comentários, por favor. Beijos. Lola Royal. 01.03.15