Teenage Dream

36 Capítulo Trinta e Cinco – Padrinhos


Notas iniciais
Gente, acredito que a história terá mais cinco capítulos e o epílogo, mas caso isso mude eu os aviso. Espero que gostem do capítulo :3

Capítulo Trinta e Cinco – Padrinhos

“Seis semanas desde de que eu fui embora

Agora você está dizendo que tudo mudou

E eu tenho medo de que eu poderia estar perdendo você

E todas as noites que passamos sozinhos

Me mata pensar em você sozinha

E eu queria estar em casa ao seu lado” –Close As Strangers, 5 Seconds of Summer

Uma pilha de folhas amassadas se acumulava aos meus pés, aquilo me irritava, mas aparentemente Buster estava se divertindo bastante com elas. Atirei mais uma folha no chão, suspirando por não conseguir uma página completa do meu novo livro, aquilo era uma tortura.

A música que tocava em meu quarto era uma das preferidas do Alexander de dez anos atrás e aquilo me fez ficar pior ainda. O Sol lá fora estava forte e seria um ótimo dia para uma praia, mas eu estava cansada demais para ficar perambulando pela cidade e ainda tinha que dar um inicio para meu novo livro.

Eu estava há seis semanas em Sun West, seis semanas que Alec tinham ido embora, minha passagem para o Chile tinha sido jogada no lixo na mesma noite que ele partiu para socorrer Irina. Não sentia mais vontade de estar em lugar nenhum e minha cidade natal parecia um bom refúgio, apesar de ter tantas memórias desagradáveis em diversos lugares.

Pelo menos ali eu tinha minha família, Miguel, amigos e o casamento de Lucy para ajudar a organizar. Era muito bom ocupar minha cabeça com detalhes como a cor das toalhas de mesa, mas eu precisava escrever e não conseguia fazer com que nada que colocasse no papel me agradasse.

––Filha, você não vai descer para almoçar? ––mamãe apareceu em meu quarto, olhei surpresa para ela, não acreditando que eu tinha passado a manhã inteira sentada sem escrever nada decente.

––Estou com um mal estar, não quero comer ––fiz uma careta, recolhendo as folhas que estavam espalhadas pelo chão, Buster tinha feito o favor de rasgar algumas delas.

––Você nem tomou café da manhã, passou o dia trancada aqui em cima ––ela suspirou.

––Eu estou tentando escrever ––suspirei, jogando as bolas de papel no lixo.

––Está com bloqueio? ––perguntou, apesar de ser jornalista não escritora, mamãe sabia muito bem como era não conseguir escrever nada ––Acho que deveria dar uma volta, para extravasar um pouco.

––É uma boa ideia ––concordei ––Pode me emprestar seu carro?

––Claro, a chave está lá na sala ––assentiu ––Procure comer algo enquanto estiver fora.

––Tudo bem ––concordei, colocando a coleira em Buster e o levando comigo para fora de casa.

Era uma entediante segunda-feira e apenas minha mãe e meu avô estavam em casa, papai estava no trabalho. Lucy tinha tirado o dia de folga dos preparativos do casamento, que ocorreria no domingo, então eu também estava de folga daquela correria toda que envolvia o casamento da loira e do cara mais narcisista do mundo.

Buster e eu seguimos sem destinos pelas ruas de Sun West, o cachorro estava sentado no banco do carona ao meu lado, enquanto eu continuava me torturando ao ouvir as músicas preferidas do Alexander de dez anos atrás. Aquele Alec que tinha amadurecido, arranjado uma noiva e que acabaria adotando o garotinho que eu tanto amava.

Não tive noticias do inglês desde que ele voltou para Londres, mas Lucy deixou escapar –ou fez isso para ver minha reação –que Alec estaria de volta para o casamento. Eu surtaria se ele aparecesse em Sun West carregando a tiracolo sua noiva que todos pareciam gostar demais, compraria outra passagem e daquela vez com toda certeza partiria para bem longe dele e daquela cidade.

Estacionei o carro em uma esquina qualquer, de uma rua qualquer, de um bairro qualquer. O local estava quieto e deserto, exceto por uma dona de casa regando seu jardim, uma criança brincando na varanda de outra casa e um casal de idosos conversando perto de uma caixa de correio.

Um pequeno sorriso se expandiu em meu rosto quando percebi o quanto gostava de Sun West, nem mesmo as agitações das grandes cidades conseguiam superar a sensação tranquilizante que tomava conta de mim por estar ali. Eu continuei parada onde estava, vendo a dona de casa entrar em na residência, a criança entrar após um chamado para almoço e o casal de idosos virarem a esquina de mãos dadas, conversando animadamente.

Acariciei a orelha de Buster, vendo o cachorro adormecer ao meu lado, sorri novamente e liguei o carro. Passei a dirigir com um destino, a praia. Por uma graça divina estava usando biquíni, talvez por parte da minha mente acreditar que eu acabaria seguindo o mar uma hora ou outra. Gostaria de poder levar Miguel comigo, mas era segunda-feira e as visitas não eram permitidas durante a semana, o que era uma pena.

Deixei Buster dentro do carro, com parte da janela aberta para que o pobrezinho não sufocasse lá dentro, então fiquei apenas de biquíni e fui para o mar. A água conseguiu fazer com que a tensão em meu corpo fosse reduzida significativamente, mas eu ainda sentia muita vontade de ficar encolhida em algum lugar sem fazer absolutamente nada.

Quando ficar de molho cansou e senti fome, sai do mar. Chequei se estava tudo bem com Buster no carro e segui para a lanchonete do meu pai, além do mesmo, Lucy e meu irmão estavam trabalhando ali naquele dia. Então os três ficaram empolgados em me ver por ali.

––Vou trazer uma receita nova de torta de queijo para você ––Lucy disse quando arranjou uma boa mesa para que eu ficasse, por ser horário de almoço, o local estava cheio e meu pai e irmão que estavam trabalhando na administração do lugar estavam até mesmo tendo que servir mesas para a lanchonete não ficar um caos.

––Obrigada, mas acho que não estou muito bem para comer queijos, pode ser só uma salada com algum tipo de proteína ––pedi, sentindo minha voz arrastada de sono.

––Você está doente? ––Lucy perguntou nervosa, mesmo assim suas mãos não deixavam sua barriga, que ainda era algo mínimo, apesar de estar no terceiro mês de gestação ––Por favor, não me diga que está doente, o casamento está tão perto. Minha melhor amiga não pode ficar doente no meu casamento, isso estragaria tudo. Acha que não estará bem até lá? Eu posso adiar, vai me dar um trabalho imenso, mas eu faço tudo que for necessário para você estar bem em meu casamento.

––Lu, calma ––pedi rindo ––Não estou doente, só não quero comer queijo ––torci o nariz ––E não surte, eu estarei no seu casamento e serei uma excelente dama de honra e madrinha, do bebê também ––afaguei sua barriga, conseguindo um sorriso da loira.

––Obrigada amiga ––ela beijou minha testa ––Mas me prometa que se adoecer irá me comunicar imediatamente, eu não quero que algo dê errado no dia e se você não estiver lá eu ficarei péssima.

––Fique tranquila, eu estou bem, mas me veja logo algo para comer ––implorei.

––Tudo bem, vou fazer algo para você e peço para alguma garçonete trazer, adoraria me sentar aqui e conversar com você, mas estou trabalhando em meu bolo de casamento lá dentro.

––Não era mais fácil encomendá-lo? ––perguntei, mesmo que já soubesse a resposta.

––Não, é meu casamento quero cuidar de cada mínimo detalhe! ––exclamou, seguindo para a cozinha da lanchonete.

Eu ainda estava sorrindo quando meu olhar se desviou para a entrada da lanchonete, Esme estava entrando no mesmo momento, mas para minha sorte sozinha. Ela logo me avistou e caminhou em minha direção, eu não a via desde o dia após o reencontro, quando tomamos aquele terrível café juntas com os demais Cullen.

––Posso? ––perguntou apontando para a cadeira a minha frente.

––Claro, Esme ––confirmei.

––Como você está? ––indagou, me olhando de forma preocupada.

––Bem.

––Eu te vi na praia a pouco, precisava vir falar com você ––ela suspirou ––O que aconteceu entre você e Alexander...

––Não quero falar sobre isso ––suspirei.

––Renesmee meu filho te ama.

––Ama? Por que ele está com Irina nesse exato momento, então? ––rebati, me odiando por estar parecendo uma menina mimada.

––Ela não está com ela, Renesmee ––Esme disse séria ––Alexander só foi a Londres auxiliar uma amiga que tinha um problema, o pai de Irina sofreu um enfarte e ficou muito perto de morrer.

––Ele a ama.

––Ama! ––ela exclamou, enquanto a garçonete se aproximou de nossa mesa.

––Deseja algo, senhora? ––perguntou para Esme.

––Não, apenas nos dê licença ––a médica pediu e imediatamente ela se afastou.

––Esme, se você está aqui para ser a mensageira de Alexander, saiba que isso é ridículo ––afirmei ––Seu filho já é um homem, ele pode resolver os próprios problemas sozinho. Na verdade, Alexander não tem problema nenhum para resolver, ao menos não comigo. O que aconteceu entre nós terminou dez anos atrás, ponto final.

––Não Renesmee, nada entre vocês terminou ––ela revirou os olhos, se interrompendo um momento para que a garçonete me servisse com a comida especial que Lucy tinha feito para mim ––Vocês dois ainda se amam, só estão sendo crianças mimadas que não enxergam a verdade, porque seus ideais são diferentes e porque estão com medo de se machucarem.

––Esme...

––Coma Renesmee ––ela me interrompeu ––É muito feio falar de boca cheia, sua mãe não lhe ensinou nada?

––Desculpe ––murmurei após engolir.

––Escute ––Esme voltou a me encarar ––A situação do meu filho com Irina é realmente algo complicado, eles ficaram noivos, iriam casar até o fim do ano e formariam uma família. Mas Alexander nunca deixaria Irina terminar o relacionamento deles se de fato quisesse passar o resto da sua vida com ela, ele te ama mais, é por isso que abriu mão dela.

––Não foi o que pareceu ––falei, tomando o cuidado de engolir primeiro ––Alec correu para ela na primeira oportunidade que teve, foi ela quem terminou, não ele. Se seu filho realmente não quisesse mais nada com Irina teria ele mesmo terminado.

––Renesmee, Alexander quis abandonar a faculdade por você ––Esme contou.

––Como? ––perguntei surpresa.

––Quando você foi para a Índia e perderam completamente o contato, Alexander quis deixar a faculdade e ir atrás de você. Foi a primeira vez que vi meu filho querer deixar o sonho de ser médico de lado, Renesmee. Alec sonha com isso desde sempre, ainda mais após a morte do irmão. Mas ele estava disposto a deixar tudo de lado porque queria você de volta.

––Ele ia fazer mesmo isso?

––Ia ––Esme assentiu ––Carlisle surtou, eu fiquei sem reação, ele estava certo de que faria isso.

––O que fez com que ele mudasse de ideia?

––Miguel.

––Miguel? Ele era um bebê naquela época, como ele pode ter influenciado na decisão do Alec?

––Ele ficou doente ––falou ––Nada muito grave ––acrescentou quando notou minha expressão preocupada ––Mas quando Alec soube disso, surtou. Pegou o primeiro avião para cá, mesmo que Carlisle e eu tenhamos o assegurado que cuidaríamos de Miguel pessoalmente. Acho que ele notou ali que ser médico era de fato seu sonho e maior vontade naquele momento, mal tinha começado a faculdade, mal sabia de qualquer coisa, mesmo assim se empenhou em ver Miguel bem.

Passou o tempo inteiro no hospital, só saia de lá se eu o ameaçasse, as vezes nem assim. Com isso a ideia de seguir você na Índia se foi, porque percebeu que ele queria seguir seu sonho e que você deveria fazer o mesmo com o seu ––finalizou.

––Eu teria o odiado se tivesse largado a faculdade para ir atrás de mim ––remexi meu suco ––Mas isso não justifica nada, Esme. Alexander e eu nunca daríamos certo, não demos certo dez anos atrás, não será agora que conseguiremos. Não temos nada forte o suficiente que nos liga, eu estarei em Sun West até o casamento de Lucy, depois irei para o primeiro destino que aparecer em minha cabeça.

––Só queria que soubesse minha opinião ––Esme deu um sorriso mínimo ––Irina é uma excelente pessoa, mas eu nunca vi meu filho feliz com ela da mesma forma que eu o vi feliz com você. Alec e você podem não ter algo forte e concreto os ligando, mas vocês tem essa intensidade latente de sentimentos.

––Eu acho que isso se perdeu ao longo dos anos.

––Não se perdeu, você e ele só estão se recusando a ver ––Esme levantou ––E eu posso adorar Irina, por ela ser muito bem portada, inteligente, carismática e com uma profissão que lhe dá uma segurança financeiramente ––a mulher disse, os olhos só me faziam lembrar dos de Alexander ––Mas você sempre será a minha preferida ––afagou meu rosto ––A garota que fez muito por meu filho e por mim, mesmo que não tenha planejado nada disso.

––Do que está falando?

––Matthew, ninguém mencionava ele até que você apareceu. Alexander nunca tinha sido plenamente feliz até você aparecer, nem mesmo Lucy conseguiu isso dele, mas você conseguiu. E o amor adolescente de vocês, tão puro e singelo me mostrou que eu não podia passar o resto da minha vida afastando aqueles que eu amava. Então não afaste quem ama, Renesmee, a vida é curta demais.

Depois de falar aquilo Esme foi embora, me deixando com a cabeça cheia e o prato pela metade. Perdi completamente a fome e fui embora também, quando cheguei em casa só consegui pensar em ir dormir e fiz isso pelo resto do dia.

**

Lucy teria o casamento que sempre sonhou, na igreja da cidade, com a recepção no salão de eventos, com mais convidados que eu jurava ser capaz de suportar. Riley praticamente foi jogado de lado durante as semanas dos preparativos para a cerimônia, mas eles estavam com pressa de se casarem antes que a barriga dela fosse algo que a impedisse de usar um vestido do modelo que queria, então o loiro não devia atrapalhar em nada.

Então, era ai que eu entrava, como a dama de honra e fiel escudeira. Nós duas conseguimos planejar a melhor festa de casamento que aquela cidade veria, nem mesmo a festa de formatura que organizamos no colegial chegaria aos pés daquele casamento.

––Deus, estamos tão lindas! ––Beatriz exclamou quando fizemos nossa última prova dos vestidos de madrinhas, Alice tinha recusado ser uma das madrinhas, alegando que não acreditava em casamentos e Jacob não queria ser padrinho porque não queria ficar comprometido com o casamento uma vez que só apareceria no dia da festa.

Sendo assim, Bia e Will, Alexander e eu, seriamos os padrinhos do casal. Mas o inglês não estava sendo tão efetivo na organização do matrimônio de nossos amigos quanto deveria ser, apesar de ele ser o cara que passava horas no telefone com Riley, que estava tendo uma típica crise de menino solteiro prestes a ter uma família.

William seria o mais indicado para ‘acalentar’ Riley, mas o primeiro era tão adorador de casamentos, famílias e tudo mais que só conseguia ver o lado bom e deixar o noivo da vez mais paranoico ainda. Alexander conseguia ser mais pé no chão e acalmar o amigo, mesmo que a quilômetros de distância.

––O vestido poderia ser azul ––me queixei, fazendo cara feia para o tecido rosa que envolvia meu corpo.

––É a Lucy, acha mesmo que ela não colocaria um rosa em seu casamento? ––Bia sorriu, vendo seu vestido de vários ângulos no grande espelho a nossa frente ––Hanna, pare agora mesmo de puxar o cabelo do seu irmão! ––exclamou para a filha mais velha, indo até as crianças a separarem.

Eu torci o nariz para aquilo, não para as crianças em si, mas para o trabalho que elas davam. Aquilo seria capaz de enlouquecer uma pessoa, eu não fazia ideia de como meus pais conseguiram cuidar de três filhos sem se divorciarem ou nos mandarem para internatos, porque ser pai deveria ser o trabalho mais difícil de todo mundo.

––Meninas? ––ouvi a voz de Lucy e a vi pelo espelho entrando no salão da loja onde estávamos experimentando nossos vestidos.

O vestido de noiva dela era algo único, feito especialmente para ela, e pelo sorriso que minha melhor amiga estampava eu sabia que ela estava muito contente com ele. Era um vestido de princesa, justo –respeitando sua barriga de grávida –até a cintura e que se abria em uma saia rodada e gigantesca. Uma faixa rosa estava sob sua barriga e seu véu era simples e delicado.

Ela estava linda, simplesmente e unicamente linda. E aquilo me fez chorar.

––Oh eu estou feia? ––Lucy perguntou nervosa com meu choro ––Beatriz, tem algo de errado comigo?

––Não, você está incrível! ––Beatriz anunciou e aquilo me fez chorar ainda mais ––Renesmee, o que você tem?

––Você está tão perfeita amiga ––caminhei até Lucy, a envolvendo em meus braços ––É a noiva mais bonita que já vi, me desculpe Bia ––olhei para a outra que fez um sinal compreensivo para mim ––Será que Riley não deixa que eu me case com você, Lu?

––Rê, não seja ridícula ––Lucy riu, em meio ao choro que imitava o meu.

––Eu te amo amiga ––beijei o rosto dela ––Eu te amo também, bebê ––me ajoelhei, nem ligando para meu horrível vestido rosa e depositei um rápido beijo na barriga dela.

––Ah amiga ––Lucy chorou ainda mais.

––Vocês precisam beber algo ––Bia disse quase chorando também, já munida de uma taça de champanhe que a funcionária da loja lhe ofereceu.

––Eu não posso, estou grávida ––Lucy enxugou suas lágrimas.

––Eu bebo por você ––peguei as duas taças restantes para mim, bebendo tão rapidamente que mal senti o gosto do champanhe.

––Ei, além de fumante compulsiva agora é alcoólatra? ––Lucy chamou minha atenção.

––Não, eu não estou mais fumando ––devolvi as taças para a funcionária ––E não bebo desde a festa de reencontro.

––Não? ––Bia e Lucy questionaram surpresas.

––Não, Alec me chamou de viciada e apesar de isso ser verdade me afetou de alguma forma, mas não importa ––dei de ombros ––Agora vou tirar esse vestido rosa broxante e só vê-lo no domingo!

**

Na sexta-feira, ás vésperas do casamento, aconteceriam as despedidas de solteiros dos noivos. A de Lucy –organizada por mim –seria na lanchonete de papai, fora do horário normal de atendimento e a de Riley na casa de Alec, que tinha voltado para Sun West no dia anterior, mas com uma força do destino ainda não havia cruzado meu caminho.

Lucy não quis nada muito exagerado na sua festa, até porque estava grávida e não podia ultrapassar muitos limites, então eu tive que ser contida naquilo. Mas não deixei de lado música alta, bebida e vários jogos de despedida de solteira que a faziam ficar constrangida por envolverem cunho sexual.

Eu teria contratado alguns strippers, como tinha certeza de que teriam algumas na despedida de Riley, mas minha amiga descobriu meus planos e os interrompeu, alegando que aquilo não estava nos limites. Então tive que me contentar com a bebida.

––Renesmee, desce daí, você está muito bêbada ––Lucy choramingou, mas eu continuava dançando em cima da mesa.

––Você devia subir aqui e fazer o mesmo ––protestei ––Só sobramos nós aqui.

––Não, obrigada ––ela resmungou ––Riley já está vindo me buscar para irmos para casa e você vai pegar carona com a gente.

––Ai que saco, eu deveria ter obrigado as outras a ficarem, mas todas são mulheres casadas, ou tem alguém para comer elas ––esbravejei ––Preciso de sexo!

––Oi Renesmee, precisa de um prostituto? ––ouvi a voz divertida de Riley e o vi entrando acompanhado de Alexander, que parecia exausto.

––Vocês tiveram stripper na sua festa? Porque aqui foi bem parado e sem graça ––desci da mesa, pegando uma nova garrafa de vodca para beber.

––Já deu, você já bebeu demais ––Lucy tirou a garrafa de mim.

––Não tivemos, você é um péssimo amigo cara, eu merecia no mínimo uma stripper ––Riley reclamou com Alec, que riu.

––Seu idiota, não acredito que vou casar com você ––Lucy respirou fundo ––Vamos embora, preciso descansar e amanhã temos o jantar de ensaio.

––Eu ainda não quero ir embora ––bati o pé.

––Renesmee, coopera ––Lucy pediu irritada ––Riley bebeu, você bebeu, não posso bancar a babá as vésperas do meu casamento. Estou grávida e preciso ir para casa dormir um pouco, então não dê uma de bêbada a essa hora.

––Mas eu ainda estou me divertindo ––balancei meu corpo ao som da música.

––Deveríamos ficar um pouco mais, amor ––Riley piscou para ela.

––Se quiser fica, eu vou para casa dormir ––a loira resmungou, pegando a chave do carro e saindo da lanchonete.

––Merda, ela não pode me odiar agora que vamos casar ––Riley a seguiu.

Eu ri, sem saber o real motivo e me joguei em uma cadeira, recuperando minha garrada de vodca. Aquilo era incrível, eu deveria me casar com aquela garrafa e ter como amante um maço de cigarros, nem me importava de Alexander achar que eu estava viciada.

––Alexander! ––exclamei o nome dele, despertando para o fato que o mesmo estava no mesmo ambiente que eu depois do que tínhamos passado.

––Eu acho que você precisa ir para casa, bebeu demais. Vamos, eu te levo ––ele disse sério.

––E você por acaso não bebeu? ––engoli um pouco mais da vodca.

––Bebi, mas não tanto quanto você.

––Dane-se, eu não me importo ––bebi mais ––Eu te odeio, você me abandonou.

––Renesmee, eu não vou discutir com você nesse estado.

––Eu te amo, acho que é por isso que doeu tanto e agora te odeio ––continuei a falar ––Cadê a Irina?

––Em Londres ––respondeu ––E você deveria estar em casa, dormindo.

––Ainda está com ela?

––No que isso importa? ––questionou ––Você me odeia.

––É, eu te odeio ––ia virar mais um copo, quando senti a crescente vontade de vomitar e após botar tudo para fora, nos sapatos caros de Alec, tudo apagou para mim.

**

Eu nunca fui fã de acordar cedo, mas o que eu mais odiava era quando mamãe me acordava de forma abrupta. Aquilo era irritante e me deixava menos disposta ainda para acordar, mas naquele momento eu queria a voz dela para me despertar, pois queria abrir os olhos e não conseguia de forma alguma.

Um barulho de conversas desconexas soava perto de mim, mas eu não conseguia identificar sobre o assunto que elas tanto falavam. Então exigi que meu cérebro cooperasse e que eu acordasse, consegui após muito esforço.

A luz forte me incomodou de imediato, mas a figura de mamãe vindo até mim me obrigou a manter os olhos abertos. Ela estava com uma expressão super preocupada e eu não entendia exatamente o porque, apesar de lembrar vagamente de ter passado mal na lanchonete após a festa de Lucy.

––Filha, como você está?

––Com sede ––murmurei com a voz rouca.

––Aqui ––Lucy, que também entrou em meu campo de visão, me estendeu um copo com água.

––O que eu tenho? ––perguntei vendo minha irmã –que estava na cidade para o casamento de Lucy –, Riley, meu pai e Alexander no quarto de hospital no qual eu estava.

––O médico fez alguns exames, tem menos de uma hora que chegou aqui ––mamãe explicou.

––Reza para sair bem dessa, Masen, ou eu mesma te mato ––Lucy ameaçou e vi lágrimas em seus olhos.

––Gente, isso é culpa da bebida, relaxem ––Rachel piscou para mim, afinal ela mesma já tinha passado mal após algumas bebidas a mais.

––É, não é nada demais ––bocejei.

––Ei, isso aqui está cheio! ––o médico, que devia ser o responsável por mim, exclamou quando entrou em meu lindo e pequeno quarto hospitalar ––Será que posso conversar com a paciente a sós?

––Mas ela é minha filha ––papai disse irritado.

––Senhor, são procedimentos médicos ––o médico falou.

––Já voltamos, querida ––mamãe levou todo mundo para fora, mas Alec permaneceu ali.

––Você pode ir embora ––o encarei.

––Não, eu sou médico e te socorri, quero saber o que tem ––ele se aproximou da minha cama.

––Você é cirurgião, acho que meu exagero com álcool não te diz respeito.

––Posso perguntar sua relação com a senhorita Masen? ––o médico, que vi se chamar Marcus Simpson, perguntou para Alec.

––Sou ex-namorado dela ––ele respondeu e tive vontade de socá-lo por usar aquele termo depois de tantos anos.

––Então acho que isso pode dizer respeito a ele também, senhorita ––o médico se voltou para mim.

––Como? ––indaguei confusa.

––Você está grávida.

Notas finais
Surpresos? Não? Me deixem saber, por favor, comentem! Beijos. Lola Royal. 04.03.15