Teenage Dream
40 Capítulo Trinta e Nove – Esperança
Notas iniciais
Capítulo Trinta e Nove – Esperança
“Então eu abaixo minha cabeça
E junto minhas mãos e rezo
Para ser somente sua, eu rezo
Para ser somente sua eu sei agora
Você é minha única esperança” –Only Hope, Mandy Moore
Lucy tinha sido minha amiga por tanto tempo que eu não conseguia nem contar, mas ela esteve lá durante toda minha vida. Crescemos, brincamos, brigamos, rimos, choramos, amaldiçoamos e gritamos palavras de amor ao vento, tudo juntas.
De mãos dadas, como ela fez questão de frisar ao me dar a pulseira que pendia em me braço.
Eu vi Lucy sofrer, se reerguer e se libertar. De uma menina triste e com a vida falsa, a vi se transformar em alguém que realmente queria ser e feliz. Era por isso que pensar em não ter Lucy ao meu lado doía.
Porque um mundo sem Lucy era vazio e horrível, porque ela tinha prometido nunca me deixar sozinha também. Porque eu não suportaria viver sem tê-la me alegrando, me brigando e dizendo que eu tinha que ser forte.
Eu não conseguiria viver sem ter minha melhor amiga ao meu lado, simplesmente isso.
–– Renesmee, acho melhor você ir para casa –– Alec falou, afagando meu braço.
–– Não vou a lugar algum –– murmurei, sem tirar os olhos das duas bonequinhas de mãos dadas em minha pulseira.
Lucy tinha desmaiado ainda na praia, logo depois a ambulância chegou e ela foi levada para o hospital. Estava passando por uma cirurgia, uma cesárea para que o bebê pudesse nascer.
Ninguém tinha me dito nada, mas eu não era ingênua ao ponto de pensar que ambos não estivessem correndo sérios riscos de morrerem. Ela tinha perdido muito sangue, desmaiado e tinha dito cair. O bebê e minha melhor amiga poderiam morrer, o que seria ruim de qualquer forma.
–– Amor, você está grávida –– Alec voltou a falar.
–– Alec, para –– implorei –– Você lembra quando seu irmão morreu? Lembra quando Demetri morreu? Você sabe o que a dor de perder alguém significa, eu não saio daqui até ter certeza de que Lucy e o bebê dela estão bem –– teimei o encarando.
–– Claro que eu me lembro de tudo isso, é por conhecer essa dor que quero que você vá para casa, porque seria devastador que você tivesse algo que fizesse o bebê e a si mesma passarem mal –– tocou em meu rosto.
–– Me perdoa, mas eu não quero me afastar dela –– respirei fundo, apesar de eu estar em uma sala de espera fria, me sentia mais perto de Lucy do que em qualquer outro lugar da cidade –– Eu fui a única pessoa que esteve ao lado dela desde sempre, que sabia tudo sobre ela, não será agora que a deixará sozinha.
–– Tudo bem –– Alec suspirou, me puxando para seu lado.
–– Aqui, peguei para você não ficar com frio –– Rachel apareceu com uma muda de roupas para mim.
–– Obrigada –– agradeci, louca para poder tirar as roupas do casamento.
–– Vem, eu te levo para o banheiro –– ela me ajudou a levantar.
A sala de espera estava cheia de amigos de Lucy e Riley e da família do loiro, ele tinha ido até o lado de fora respirar um pouco, já que não pode entrar na sala de cirurgia com a esposa. Mas, quando retornei do banheiro, vestindo roupas quentes e confortáveis, Riley estava voltando também.
–– Nessie –– ele sussurrou meu apelido e seu rosto, que até então estava livre de lágrimas, foi tomado por elas.
Apenas o abracei, sentindo sua dor muito próxima da minha. Lucy e o bebê eram tão importantes para nós dois, que estávamos igualmente desesperados, o que nos fez chorar juntos.
–– Eu não sabia que ela tinha caído –– murmurou desesperado –– Eu devia ter notado algo.
–– Não se culpe, Riley. Passei o dia com Lucy e ela não deixou com que eu percebesse nada –– suspirei –– O bebê vai ficar bem, okay? E ela também, Lucy sempre se reergueu, não é agora que vai deixar de ser forte.
–– Eu espero que sim –– Riley chorou mais um pouco em meus braços.
–– Senhor Biers? –– nos viramos a menção do sobrenome de Riley, nos deparando com uma enfermeira.
–– É ele –– gesticulei para Riley quando o mesmo ficou mudo.
–– O bebê está bem –– a enfermeira falou, tirando um peso enorme de cima de mim.
–– Lucy, como Lucy está? –– Alexander perguntou por todos nós.
–– A senhora Biers teve um deslocamento prematuro da placenta, perdeu muito sangue e continua inconsciente. Foi preciso fazer uma histerectomia, ainda assim ela precisa de uma transfusão urgente de sangue.
–– Não –– disse aos prantos, tentando compreender tudo aquilo ao mesmo tempo –– O sangue dela é raro e os pais dela não iriam se importar nem um pouco com uma transfusão.
–– Qual o tipo de sangue dela? –– Alexander perguntou me colocando em seus braços.
–– O negativo –– murmurei.
–– É o meu tipo sanguíneo, Nessie –– disse perto do meu ouvido –– Ela vai ficar bem, não se desespera –– pediu.
–– É sério?
–– É sim –– beijou minha testa.
–– Eu posso ser o doador –– Alec se manifestou –– Posso fazer a doação agora mesmo.
–– Ótimo, pode me acompanhar –– a enfermeira assentiu –– Senhor Biers, você pode ir ver o bebê agora mesmo.
–– Posso? –– perguntou ainda chocado.
–– Posso ir junto? –– indaguei.
–– Sim –– a enfermeira confirmou, ela conduziu a mim e a Riley para o berçário da UTI e depois seguiu com Alec para onde ele faria o processo de doação.
Riley e eu passamos por alguns procedimentos, para então podermos entrar onde o bebê estava. Meu coração batia desesperadamente a cada vez que eu estava mais perto de onde ele ou ela estava, como se fosse meu próprio filho.
–– É uma linda menina –– a enfermeira, que estava conosco ali, comunicou.
–– Oh que coisinha fofa –– novas lágrimas, mas daquela vez de felicidade, transbordaram de meus olhos –– Riley, ela é linda! –– exclamei para meu amigo, que também estava chorando.
O bebê estava respirando com ajuda de aparelhos, mas nem aquilo ou o fato de ser pequena demais, tiravam seu encanto. Ela era uma princesinha, tão linda quanto Lucy era e aquilo só me fazia amar ainda mais aquele serzinho.
–– Minha princesa, mamãe ama tanto você –– sussurrei para a incubadora –– Ela vai te encher de mimos, amor e carinho. Vocês serão tão unidas e nunca irão se afastar, você tem a melhor mãe do mundo, eu juro.
–– E se Lucy não sobreviver? E se ela não sobreviver? –– Riley perguntou assustado.
–– Elas vão ficar bem, Riley! –– exclamei.
–– Eu preciso ver a Lucy –– ele deixou o local com pressa.
–– Ela vai ficar bem, não vai? –– perguntei para a enfermeira.
–– Apesar da insuficiência respiratória, tudo indica de que ela ficará bem em breve, só vai precisar ganhar peso para poder ir para casa –– respondeu, dando um sorriso tranquilizador para mim.
–– Posso segurá-la?
–– Por algum tempo –– falou, abrindo a incubadora para que eu pudesse pegar a bebê.
A sensação de ter a filha de Lucy em meus braços foi mágica, me fez sorrir e chorar ao mesmo tempo. Aproveitei o fato de estar usando uma mascara para beijar sua testa por um momento, o que fez com que ela abrisse os olhos.
Azuis como o céu pela manhã, assim como os da mãe. Era uma parte de Lucy ali, uma parte que eu já amava. Uma parte que eu mataria para proteger.
–– Você ficará bem, princesa –– sussurrei –– Sua mãe logo estará com você, ouviu? E sempre que quiser alguém para conversar, pode correr para mim. Prometo ser a melhor madrinha do mundo, prometo que eu nunca vou te deixar sozinha, princesa.
–– Precisa colocará de volta na incubadora –– a voz da enfermeira me despertou.
Concordei, devolvendo a filha de Lucy para o local onde ficaria protegida até a mãe acordar. Ela era tão linda, eu poderia passar o resto da minha vida a admirando sem me cansar.
–– Sabe qual o nome que os pais querem colocar nela?
–– Não –– balancei a cabeça –– Eles pensaram em alguns nomes, mas não chegaram a decidir nada, até lá ela é só uma princesa –– sorri para o bebê na incubadora –– Eu vou ir ver sua mamãe agora, logo mais estarei de volta para te ver.
Deixei o berçário da UTI, um pouco mais calma, caminhei até o quarto para onde Lucy tinha sido levada. Riley estava sentado ao lado dela, com a mão da loira nas suas, ainda completamente abalado.
–– Riley, elas vão ficar bem, confie em mim –– murmurei para ele.
–– Vou te deixar a sós com ela –– ele murmurou de volta –– Ver como Alec está se saindo com a doação.
–– Faça isso –– afaguei seu rosto, o deixando sair do quarto.
Assumi sua posição ao lado de Lucy, tomando a mão delas na minha. Estava gelada e aquilo me agoniou, pois me lembrava muito de quando Demetri estava no chão a poucos passos de mim, paralisado e com toda certeza gelado.
–– Lucy, eu sei que você deve estar me ouvindo, porque seu espírito, alma ou coisa assim não deve ter saído daqui ainda –– comecei a falar como uma paranoica –– Então me escute, você tem uma filha incrível. Ela é linda demais Lucy, você a amará tanto que não conseguirá pensar em outra coisa que não seja ela.
E ela tem seus olhos amiga –– contei olhando para o rosto de Lucy, torcendo para que os olhos dela se abrissem –– Ela é como você, ela é sua metade, ela é sua filha e você tem que vê-la!
Por favor, acorde –– implorei –– Sabe o quanto é estranho estar conversando com um corpo desacordado? Eu não sou espírita, mas acho que deveria procurar o centro mais perto para fazer você retornar para seu corpo, só que nós duas sabemos o quanto eu sou questionadora, então isso pode ser um problema.
–– Você é tão irritante, Renesmee –– os lábios de Lucy sussurraram, para em seguida seus olhos se abrirem –– Oi Rê.
–– Você acordou –– respirei aliviada, beijando sua testa como tinha feito minutos antes com sua filha –– Obrigada por acordar!
–– É uma menina? –– perguntou com a voz fraca, pude notar o quanto ela estava fraca.
–– Uma linda menina –– respondi, beijando sua mão –– Você se apaixonará por ela assim que a vê –– afirmei.
–– Ela está bem?
–– É uma lutadora como você –– afirmei.
–– Você foi a primeira a segurá-la?
–– Sim –– confirmei.
–– Obrigada por estar com ela –– Lucy apertou minha mão de volta o máximo que pode –– Eu estou tão cansada Rê, poderia dormir e nunca mais acordar –– lágrimas rolaram por seu rosto.
–– Você pode dormir, Lucy –– afaguei seu cabelo –– Mas vai acordar de novo e ter sua filha perto de si. Sempre existe esperança de dias melhores, não esqueça disso –– sequei suas lágrimas.
Lucy respirou fundo, então se permitiu dormir. Não sai do lado dela depois daquilo, velando seu sono, a cada mudança em sua respiração eu estava a um ponto de gritar por socorro, mas então ela voltava ao normal.
Algum tempo depois, Alec e Riley entraram no quarto. O loiro foi imediatamente beijar o rosto da esposa, tomando a outra mão dela nas suas, enquanto meu recente marido veio me abraçar.
–– Você está bem? –– me perguntou.
–– Estou –– assenti, me apoiando nele –– Lucy acordou por um momento –– informei –– Já contei sobre a filha.
–– Eu a segurei –– Riley nos olhou, os olhos brilhantes diante sua fala.
–– Ela é muito parecida com a mãe –– Alec completou.
–– E a transfusão? –– indaguei.
–– Estão fazendo exames com meu sangue, até isso acabar já deve ter amanhecido, então farão a transfusão –– ele murmurou –– Acho que agora você pode ir para a casa e descansar, foi um dia muito longo para você.
–– Alec já falei que não vou a lugar algum –– continuei com minha mão na de Lucy –– Riley, vocês não escolheram um nome para menina? A pequena precisa de um nome, apesar de que eu adoraria que ela se chamasse Princesa.
–– Não chegamos nem perto de decidir um nome, íamos fazer isso nos próximos meses –– Riley resmungou –– Vou deixar Lucy escolher, é a única vez que ela vai poder fazer isso.
–– Do que está falando? –– perguntei confusa.
–– Amor, você ouviu tudo o que a enfermeira nos falou mais cedo? –– Alec me questionou.
–– Acho que posso ter deixado alguns detalhes passarem batidos, ou ainda não parei para pensar em todos –– suspirei, tentando entender do que ele estava falando.
–– Se lembra que ela falou que Lucy passou por uma histerectomia? –– fiz um gesto positivo com a cabeça, deixando com que ele continuasse a falar –– Bom, isso é o termo médico para retirada do útero. O sangramento era muito intenso e essa foi a saída que eles encontraram para manter Lucy viva.
–– E isso significa que ela não vai mais poder ter filhos? –– sussurrei, vendo Riley beijar mais uma vez o rosto da esposa.
–– Sim –– Alec assentiu
–– Ela vai ficar bem –– entoei o que parecia ser meu hino das últimas horas.
–– Nós vamos –– Riley me corrigiu e eu assenti.
–– Tudo bem, sei que você não quer ir embora, mas o que acha de comer algo na lanchonete daqui? Todo mundo já foi comer, dormir e eu realmente preciso ver você alimentada, ao mínimo –– Alec teimou.
–– Tá, vamos lá –– deixei com que ele me levasse para a lanchonete terrível do hospital, eu já estava com saudades da comida de Lucy.
–– Então, nosso casamento foi completamente fora dos eixos –– Alec disse quando no sentamos em um canto da lanchonete, com comida suficiente para uma pequena família –– Acho que conseguiu não ter nenhuma tradição.
–– Eu te amo –– arredei minha cadeira na direção da dele –– Eu amo estar casada com você, é uma merda que tenha começado no meio dessa confusão toda, mas isso não muda nada –– acrescentei.
–– Não muda nada para mim também –– ele me abraçou –– Quando essa confusão toda passar, acho que poderemos rir um pouco disso e contar para as meninas quantas emoções elas viveram enquanto ainda estavam nas barrigas das mães dela.
–– Meninas? –– me virei para ele, confusa com aquilo –– Que meninas Alexander?
–– Meninas, quem disse isso? –– ele bebeu um pouco de chá, como o maldito inglês que era.
–– Alexander, você se referiu a duas meninas nas barrigas de suas mães, o que quer dizer com isso? –– indaguei, já suspeitando do que ele tinha dito.
–– Amor, não sei do que está falando –– continuou concentrado em seu chá.
–– Alexander Henry Cullen, você descobriu o sexo do bebê, não foi? Depois de todo o trabalho que tivemos para não vermos, pedindo para eles cobrissem no ultrassom, você simplesmente largou isso tudo de lado para satisfazer sua curiosidade.
–– Ei, foi você quem inventou a ideia de não saber o sexo do bebê –– ele acusou divertido –– Além do mais, eu trabalho nesse hospital, foi muito fácil acessar os registros dos ultrassons e os ver sem o embasamento que pedimos para não vermos o sexo.
Bufei, revoltada por ele ter feito aquilo. Não cedi nem mesmo quando ele começou a beijar meu rosto e pescoço, apesar de ser a forma mais fácil que ele conseguia para me fazer ceder, mas eu ainda estava irritada. Até que algo se despertou em minha mente.
Eu estava tão tensa, preocupada e nervosa desde Lucy passando mal na festa. O nascimento de sua filha e tudo mais, que precisei de muito mais tempo para absorver aquilo que Alec tinha deixado escapar.
Seria uma menina, eu teria uma filha também. Uma garotinha tão linda e encantadora quando a filha de Riley e Lucy, aquilo foi o suficiente para que minhas mãos encontrassem minha barriga.
–– Charlotte, você é você –– sussurrei, sentindo um sorriso imenso tomar conta de meu rosto.
–– Do que a chamou? –– Alec perguntou, parando de beijar meu pescoço.
–– Charlotte –– sorri para ele.
–– Como a protagonista do seu primeiro livro? Aquele que você me deu quando fui para Londres anos atrás.
–– Sim –– voltei a olhar para minha barriga –– Ei meu amor, você é uma menina tão forte quanto a sua tia, não é? –– indaguei para o bebê em meu ventre.
–– Com certeza ela será –– Alec afagou minha barriga –– Então, ela vai se chamar Charlotte como a garotinha do seu livro que conversava com as estrelas e pedia desejos a elas? –– me perguntou sorridente, afinal a criança que era a protagonista do meu livro adorava conversar com estrelas.
–– Sim –– eu ri –– Sei que é bobo, mas ninguém além de você e eu lemos aquela história, ninguém conhece aquela Charlotte melhor do que eu. Pode parecer mais bobo ainda por ela ter algumas características misturadas nossas...
–– Seu cabelo ruivo e meus olhos azuis –– Alec disse de um jeito doce.
–– Azuis da cor do mar, amor –– beijei sua bochecha –– Então, já que você destruiu minha surpresa de descobrir sobre o sexo do bebê apenas na hora do parto, o nome pode ser Charlotte?
–– Óbvio que pode ser Charlotte! ––exclamou empolgado –– É um excelente nome, combina muito com nosso sobrenome também –– começou divagar.
–– Sim, Charlotte Cullen é extremamente lindo –– concordei –– Mas ainda estou com raiva por você ter descoberto o sexo, isso foi errado.
–– Desculpe-me amor –– segurou em meu rosto, me beijando no nariz –– Te animaria se eu revelasse onde será nossa casa?
–– Se eu me lembro bem, você contaria a mim aonde era a casa que comprou, durante a nossa lua de mel e sei que é terrível, mas essa é nossa lua de mel –– gesticulei ao redor.
–– É, isso é meio deprimente –– ele bebeu mais um pouco de seu chá.
–– Alexander, pare de beber chá –– protestei –– Conte logo onde é a casa secreta que você comprou!
–– A casa ao lado da de Lucy –– respondeu, conseguindo que eu ficasse estática –– A casa da direita –– completou.
–– Você está brincando comigo?
–– Não –– balançou a cabeça –– Assinei o contrato no inicio dessa semana, Riley me ajudou a manter tudo em segredo. Como você queria que eu escolhesse a casa e lhe surpreendesse, decidi escolher essa. Alias, você não acha que está muito ligada a surpresas ultimamente?
–– Eu gosto de surpresas, mas isso não é o ponto dessa conversa, estamos falando que você nos comprou uma casa ao lado da de Lucy e Riley.
–– É, foi isso que fiz. Sei o quanto você e Lucy querem criar os bebês juntos, então quando Riley ficou sabendo que a casa ao lado da deles estava a venda, imediatamente a procurei comprar. O melhor é que é perto da lanchonete, da casa dos meus pais e nosso quarto terá vista para a praia.
–– Sei que isso pode parecer meio fútil, por ser só uma casa, mas você é o melhor marido do mundo! –– exclamei, para beijá-lo em seguida –– Vou estar ao lado de Lucy, com Miguel, Charlotte e a Little Princess, isso será incrível.
–– Little Princess?
–– A filha dela e de Riley–– ri –– Eles ainda não pensaram em um nome, então eu vou chamá-la assim até que seja nomeada.
–– Ela é uma menina tão linda –– Alec me colocou em seus braços –– Espero que ambas saiam logo do hospital, posso ser médico, mas não suporto esse lugar, apesar de amar meu trabalho.
–– Alec, eu tenho uma surpresa para você também –– murmurei, achando que aquela seria a melhor hora para contar aquilo.
–– Qual?
–– Eu vou fazer faculdade.
–– Como? –– perguntou confuso –– Mas, como? Não estou entendendo nada, dá para explicar melhor?
–– A cidade vai inaugurar uma faculdade comunitária em agosto, eu estou inscrita em literatura inglesa. Quero me formar e ser professora na escola –– contei.
–– Isso é sério?
–– Sim –– respondi animada –– Temos dois filhos agora, eu amo todas as viagens que fiz, mas não quero me afastar deles. Nem carregá-los pelo mundo e privá-los de ter uma casa estável, com família e amigos os cercando como foi comigo. Você passou com isso com tantas mudanças dos seus pais, o trabalho intenso deles, não quero isso para nossos filhos.
–– Eu te amo! –– Alec me beijou, me fazendo além de sorrir, rir.
–– Eu também te amo.
–– Você vai ser a melhor professora do mundo, eu prometo que vou te ajudar em tudo que for preciso. Vou mudar meus turnos no hospital, para ficar com as crianças, enquanto você estiver na faculdade. E será a melhor aluna da turma –– segurou em minhas mãos, as beijando.
–– De novo, você é o melhor marido do mundo –– afaguei seu cabelo –– E essa pode não ser nossa lua de mel dos sonhos, mas até agora tivemos boas noticias para nos alegrarmos, então isso que importa, eu estou ao seu lado e eu sempre vou querer estar –– sorri.
–– Nunca mais vamos nos afastar, eu nunca mais ficarei longe do amor da minha vida.
–– Ai deixa de ser bobo, romantismo é brega –– brinquei, ganhando uma gargalhada de Alec, o que fez algumas pessoas que estavam na lanchonete nos olharem de modo irritado.
Logo depois, voltamos para o quarto em que Lucy estava. Eu peguei no sono na poltrona que tinha ali, enquanto Alec e Riley conversavam sobre construir uma casinha na árvore para as crianças entre as nossas casas.
Na manhã seguinte, com todos os exames realizados, Alec recebeu o sinal verde para poder realizar a doação para Lucy. Horas depois, ela já estava recebendo o sangue dele, mas a recuperação era arrastada e a loira só acordou no fim da tarde, bem na hora que eu voltei de da casa dos meus sogros, depois de ter ido tomar um banho e dormir um pouco.
–– Ei, pronta para conhecer sua filha? –– abri a porta do quarto de Lucy, ela ainda estava fraca, mas já estava com permissão de ver sua cria, que estava igualmente se recuperando.
–– É sério que já vou poder vê-la? –– Lucy tentou se sentar sozinha, mas Riley a manteve no mesmo lugar.
–– Que tipo de madrinha eu seria se não conseguisse que minha afilhada fosse ver a mãe e vice versa? –– sorri animada –– Minha sogra e Alexander estão com ela lá no berçário, logo mais ele estará aqui com nossa Little Princess.
–– Para de chamar minha filha assim, parece que ela é uma marca de lingerie –– Riley torceu o nariz.
–– Não mandei vocês não pensarem em um nome –– rebati –– Ai vem eles! –– gritei, vendo Alec entrar com uma incubadora móvel no quarto, onde a Little Princess estava, olhando para tudo ao seu redor.
–– Renesmee, amor, você não pode gritar perto de bebês –– ele falou suavemente.
–– Desculpe –– sussurrei, indo ajudar Riley a sentar Lucy.
–– Deus, ela é perfeita! –– a loira exclamou encantada –– Amor, ela é linda –– falou para Riley, que assentiu sorrindo.
–– Como você –– beijou o rosto de Lucy, que já estava lavado em lágrimas.
–– Pronta para pegá-la? –– Alec perguntou, abrindo a incubadora.
–– Sim, estou –– Lucy assentiu.
Alexander pegou nossa afilhada em seus braços, depois a passando com delicadeza para os de Lucy. A pequena estava com aparelhos lhe auxiliando a respirar, ainda assim não pareceu estranhar a mudança de posição.
Lucy não tirava os olhos da filha, mesmo que a cada segundo eles estivessem mais cheios de lágrimas. Ela passava o dedo gentilmente pelo rosto e mãos da bebê, como se quisesse decorar com o tato como a menina era.
–– Riley disse que eu não poderei mais ter filhos –– Lucy murmurou, me fazendo querer matar seu marido por já ter contado aquilo –– Mas eu não me importo –– aquilo fez com que eu me surpreendesse para valer –– Eu já tenho o mundo em minhas mãos –– levantou seu rosto para nós.
–– Tem sim –– sorri para ela, afagando seu cabelo, que ela com certeza retocaria o loiro em breve, não que ela não fosse linda morena.
–– Você é tudo para mim, Little Princess –– sussurrou para a filha –– Mas não se preocupe, esse apelido clichê que sua madrinha te deu não durará muito –– sorriu para a menina em seus braços.
–– Escolheu o nome? –– Riley perguntou para a esposa.
–– Sim –– Lucy não conseguia desviar os olhos da garotinha em seus braços, que estava olhando para a mãe de volta –– Hope.
–– Hope, isso soa tão bem –– sorri, sentindo lágrimas em meus próprios olhos.
–– Ela é minha esperança –– Lucy deixou com que a mãozinha da filha envolvesse seu dedo –– Você é a minha vida, Hope –– disse para a filha –– Eu te amo tanto, eu esperei tanto por você. Eu nunca deixarei ninguém te machucar, eu prometo que nunca te machucarei.
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