Teenage Dream

7 Capítulo Seis- Verão


Notas iniciais
Espero que gostem

Capítulo Seis- Verão

“Quando eu te conheci no verão

Ao som das batidas do meu coração

Nós nos apaixonamos

Enquanto as folhas alaranjavam” –Summer, Calvin Harris

Caminhar pelas ruas de Los Angeles já parecia tão comum quanto andar pelas de Sun West, o calor, o agito, a rotina da cidade era contagiante. Fora que eu já estava há um mês ali, então tinha conhecido muita gente legal e tido experiências maravilhosas.

Minha irmã estava sempre me levando a festas, pois com a minha identidade falsa eu poderia ir aonde quisesse, mas eu sempre evitava exagerar nessas ocasiões, pois não queria pagar de adolescente estúpida para os amigos tão legais dela. Eu estava adorando a viagem e ficaria ali pelo resto da minha vida, mas sabia que meus pais não permitiriam nem em seus sonhos que eu fosse para lá de vez com apenas dezesseis anos, mesmo que confiassem cegamente em Rachel.

O único grande problema da viagem era a saudade que eu estava dos meus amigos, mesmo que falasse todo dia com eles por mensagem. Tirando Lucy, que preferia me ligar toda tarde, dizendo que não éramos amiguinhas de mensagens, sim de telefonemas, pois nos conhecíamos a tempo demais para não nos falarmos decentemente.

–O que eu estava falando mesmo? –ela se perdeu no meio de uma história.

–Do cabelo de Alexander –murmurei entediada, continuando a andar em direção ao restaurante onde minha irmã me esperava, praticamente nunca nos comiamos no apartamento, pois Rachel odiava cozinhar e não me deixava fazer nada.

–Ah sim! –Lucy exclamou –O cabelo dele é divino, tão macio e cheiroso –suspirou.

–Tenho certeza que sim –continuei murmurando. Adorava minha amiga, na verdade a amava, mas não aguentava quando ela falava de Alexander –seu namorado –sem parar, não que ela só falasse dele, mas como estava apaixonada obviamente ele seria seu assunto preferido.

–Eu estou te irritando, não é? –ela concluiu.

–Um pouco –admiti.

–Ai amiga, desculpa, sabe que eu sou egoísta assim muitas vezes –foi totalmente sincera em sua frase –Então, me conte como estão as coisas ai para você? Conte tudo! Não quero mais ter que falar de nada sobre mim –exigiu bem humorada, disposta a me deixar no comando por um momento.

–Tudo bem, vou a festas com a minha irmã, durmo no sofá porque ela não quer dividir a cama comigo, até porque ela sempre está com um cara e eu não iria ficar lá na hora do sexo, não é? –ri e Lucy também –A colega de quarto dela é chata, mas passa mais tempo com o namorado, então não tenho que olhar muito para ela mesmo. Basicamente é isso que faço por aqui, vou as praias, muito melhores do que as de Sun West, festas, reuniões com os amigos da Rach, nada demais.

–Algum garoto? Já ficou com alguém?

–Não, os caras que eu acabo dançando nas festas sempre são os amigos da minha irmã e alguns já ficaram com ela, seria tão estranho ficar com um deles.

–Então, na próxima festa tente dançar com um desconhecido –sugeriu.

–E me agarrar com um cara que nunca vi na vida? –entrei no restaurante, localizando minha irmã em uma das mesas.

–Sim, por que não? Rê, isso é absolutamente normal hoje em dia –Lucy falou –Não vai ser uma vadia só por beijar alguém e ao mesmo tempo estará se divertindo.

–Tudo bem –concordei, me sentando diante da minha irmã –Hoje vamos para uma festa e eu fico com alguém, não importa quem seja ou o que vão pensar –o que falei fez com que Rachel me olhasse chocada, apenas sorri para a expressão dela.

–Isso, esta é minha garota! –Lucy comemorou –Te ligo amanhã, beijos.

–Beijos –desliguei e Rachel continuava surpresa –Que foi?

–Estou tão orgulhosa de você –falou –Toda madura, sem se importar com a opinião alheia, vai se sair tão bem no mundo adulto quando for sua hora.

–Valeu –ri, dando uma olhada no cardápio –Aqui tem tantas opções, eu sofro para comer algo em Sun West.

–Espere virar Vegana, só vai piorar, mas logo você vai para alguma faculdade e geralmente fica mais prático encontrar comiga perto de lugares assim –comentou despreocupadamente –Alias, já decidiu qual curso e faculdade pretende cursar.

–Eu não vou para a faculdade –desviei meu olhar do cardápio, encarando os olhos esverdeados de Rachel.

–Como assim você não vai para a faculdade? –ela questionou perplexa –Renesmee, você precisa fazer uma faculdade, para ser uma profissional competente, com boas referências. Olha, não precisa ser nenhuma da Ivy League, mas não perca uma oportunidade tão boa quanto a de ir para uma Universidade e melhorar até mesmo sua forma de pensar sobre a vida.

–Papai não fez faculdade alguma e é um ótimo profissional, a lanchonete vai cada vez melhor –lembrei.

–É diferente, sabe muito bem disso, papai herdou o dinheiro para montar a lanchonete e tem um ótimo espírito de empreendedorismo. É isso que você quer? Assumir a lanchonete com ele? Sinceramente, nunca pensei que seria isso, pois você ficou com tanta raiva de Emmett quando ele perdeu a bolsa da faculdade e teve que ir ajudar o papai no negocio.

–Não, não quero isso –sussurrei.

–Então o que você quer, Nessie? Esse é meu último ano de faculdade, papai e mamãe não vão ficar sem dinheiro para pagar a sua. Eu trabalho naquela livraria e consigo uma boa grana para ajudar nas minhas despesas, se você precisar eu te ajudo a pagar a faculdade, mas acho que com as suas notas e sua porção de atividades extracurriculares conseguiria ao mínimo uma bolsa parcial.

–Rachel, eu não quero ser uma garota de faculdade –contei –Não quero me preocupar com a irmandade que estou, não quero professores irritantes, não quero prazos. Quero poder viajar por todo o mundo e escrever, só quero isso.

–Pelo amor de Deus –minha irmã estava irritada –Você é tão ingênua, como acha que vai conseguir isso tudo sem dinheiro? Vai ter dezessete anos quando se formar na escola, nem mesmo vai ser maior de idade, mamãe com certeza não vai te apoiar nessa maluquice, quer passar o resto da sua vida sofrendo por ter tomado uma decisão baseada em contos de fada?

É muito legal imaginar que vai ter a vida livre e do jeito que quiser, sem o pai e a mãe te irritando e falando o que deve ou não fazer, mas não é assim que funciona, Renesmee. Como vai se alimentar? Comprar roupas? Publicar um livro? Sabe que não é tão simples assim publicar, você pode escrever muito bem, mas as editoras só querem os grandes escritores, que já são conhecidos, muitos começam com auto publicação e isso custa muito caro.

E se no meio disso tudo você encontrar o amor da sua vida e acabar engravidando? Um filho requer dinheiro, sabe disso, papai e mamãe dão maior duro para cuidar de todos nós. Como vai ficar se não tiver dinheiro nem para fraldas? –ela disse tudo de forma enfática –Vamos Renesmee, responda!

–Não sei –bufei –Mas pode ter certeza de que não vou engravidar sem ter uma gigantesca quantia de dinheiro. Quanto aos livros, posso pedir um empréstimo no banco e arranjar outro trabalho para me manter. Simples.

–Não acredito que estou ouvindo isso de você, pensei que finalmente tinha deixado de ser uma garotinha e estava se tornando uma mulher! –exclamou brava.

–Mas foi você quem me mandou aproveitar a vida –a lembrei.

–Não era assim, jogando tudo para o alto, como se o futuro não importasse. Você ao menos tem que ter uma noção de o que realmente quer, se seu desejo é viajar e escrever, faça uma faculdade que possa abranger isso. Vire uma jornalista como a mamãe e tente todos os jornais do mundo, vire uma correspondente, vai poder conciliar com seus livros, isso não irá atrapalhar.

–Eu não sei o que quero, sou apenas uma garotinha –encostei minha testa na mesa –É tudo muito assustador, Rachel.

–Renesmee, me olhe! –levantei a cabeça para minha irmã.

–Ter medo da vida não adianta nada –disse séria –Você não pode se esconder, esse seu plano é utópico demais, ele não vai acontecer se você não arranjar um jeito de realizá-lo. Se for por esse caminho vai acabar tendo uma vida ridícula e eu não quero isso para você, pirralha.

–Mas eu não sei o que quero, Rach. As vezes acho que nem ser escritora é para mim, não escrevi absolutamente nada durante essas férias, parece que minha única serventia é ser sempre a pessoa em segundo plano –podia sentir as lágrimas se acumulando em meus olhos –Eu tenho medo de nunca me destacar em nada.

–Todos se destacam em algo, cada pessoa é diferente da outra e tem um talento em mãos, confia em mim, vai encontrar o seu, basta querer –ela afagou meu rosto –Promete que vai repensar isso de não ir para a faculdade? Pode não ser seu sonho, mas pense que pode ser bem legal e enriquecedor.

–Vou pensar nisso –acenei com a cabeça –Mas não prometo que irei para uma faculdade.

–Ao menos prometa que vai usar esse ano para se descobrir.

–Como assim?

–Se descubra Renesmee –Rachel sorriu –Descubra do que realmente gosta, filmes, livros, músicas. Conheça seu corpo, isso sou eu mandando você transar. Assista o Sol se pôr e nascer.

–Está me dando uma lista? –perguntei confusa.

–Ah, isso é uma excelente ideia! –Rachel pareceu contente e puxou meu celular da minha mão –Que tal uma lista de coisas para se fazer antes da sua formatura?

–Está falando sério? Isso é ridículo, coisa de filme bobo –não adiantou reclamar, Rachel já digitava em meu celular a bendita lista, ela não falou mais nada, apenas continuou digitando e só voltou-se para mim quando terminou.

–Pronto, isso será o que você terá que fazer –passou o celular para mim, revirei os olhos para ela, antes de ler a enorme lista.

1.Defina sua música, filme e livro preferidos

2.Faça sexo

3.Veja o Por do Sol

4.Veja o Nascer do Sol

5.Durma sob as estrelas

6.Beije na chuva

7.Plante uma árvore

8. Dê uma festa em casa

9.Aprenda a dirigir

10. Aprenda a tocar um instrumento

11.Tenha um cachorro

12.Nade pelada

13.Faça uma tatuagem

14.Pinte o cabelo, ou faça mechas coloridas

15. Viaje com os amigos

16. Vá a um show de algum famoso

17.Faça trabalho voluntário

18.Fique bêbada

19.Mate aula

20.Finja ser outra pessoa

21.Ria até chorar, não por qualquer besteira

22.Dançar loucamente

23.Infrinja uma lei

24.Faça um boneco de neve

25.Beije seu melhor amigo

26.Beije um estranho, não vale saber o nome

27.Cante no meio da rua

28.Escreva uma carta par si mesma e abra dez anos depois

29.Escreva um livro, mesmo que fique horrível

30.Se apaixone verdadeiramente

Fiquei sem reação depois de ler tudo aquilo, tinham coisas normais, que eu faria sem problema algum, mas Rachel tinha abusado em outras. Na maioria delas para falar a verdade, como infringir uma lei seria uma boa experiência para auto descoberta?

–Sem chances, não vou fazer nada disso –neguei.

–Vai sim, isso vai ser muito legal e divertido –ela falou –Quem me dera ter pensado em algo assim quando tinha sua idade.

–Rachel, eu não vou nadar pelada –falei entredentes –Muito menos fazer uma tatuagem, papai e mamãe me matariam por isso. Não vou dar conta de escrever um livro até minha formatura e quem sabe se vou ter a oportunidade de ir ao show de alguém famoso, não quero nem comentar sobre fazer sexo. Festa e um cachorro, eles também nunca permitiriam nem um dos dois. Sobre beijar meu melhor amigo, é completamente nojento, Demetri é quase um irmão para mim.

–Confesse qual o pior item da lista para você –Rachel apoiou os cotovelos na mesa e sua cabeça sobre suas mãos, me olhando como uma criança curiosa.

–O último –fiz uma careta –Eu não quero me apaixonar de verdade, muito menos no meu último ano de colégio, vou acabar sofrendo.

–Pirralha, você tem mesmo que colocar os itens dessa lista em prática –disse empolgada –Será muito divertido e no final você vai ter lembranças fantásticas.

–Rachel, eu não vou infringir a lei.

–Tá, sei que tem uns ai bem absurdos –riu baixinho –Mas não os retire da lista, caso apareça a oportunidade certa vá lá e os realize, senão tudo bem, tente ao mínimo realizar a maioria.

–Rachel...

–Já pensou em dormir sob as estrelas? –perguntou, se referindo ao item cinco da lista -O teto do nosso quarto lá na casa dos nossos pais é decorado com estrelas, agora imagine dormir olhando para as de verdade, como deve ser lindo e impressionante.

–Tem razão –pensei, seria muito legal fazer aquilo –Tudo bem, vou tentar cumprir alguns itens dessa lista maluca, mas não prometo nada –a salvei em meu celular.

–Não precisa ser em ordem e sempre que cumprir um item o risque, vai ver o quanto será prazeroso ver que está quase acabando e cumprindo todos.

–É, quem sabe –dei de ombros, voltando ao cardápio.

Tive que ouvir Rachel falar durante o almoço inteiro sobre alguns itens que eu tinha na lista, mas que ela já tinha cumprido. Foi bem constrangedor quando ela admitiu que já tinha nadado nua na praia de Sun West, preferi nem me atentar ao detalhes, mas as outras experiências realmente pareciam empolgantes e revigorantes.

Quando voltamos para o apartamento dela, peguei papel e caneta, transcrevendo a lista para lá, ficar com ela no meu celular não era muito seguro. A guardei em minha bolsa e sai com a minha irmã, pois ela tinha algo para me mostrar.

–Uma ONG? –perguntei confusa, quando o carro dela parou na frente de uma.

–Qual o item sete da lista? –ela perguntou para mim, peguei a lista na minha bolsa e o li:

–Plante uma árvore.

–Essa ONG trabalha com reflorestamento, todos que se associam a ela plantam uma árvore. Mas nem pense que isso conta como trabalho voluntário, esse tem que ser algo diferente.

–Tudo bem –ri e sai com ela do carro.

Rachel já era associada, então já tinha sua árvore plantada. Me associei em questão de minutos, o que eu teria de fazer depois de plantar a árvore seria basicamente ajudar a ONG sempre que possível, seja com doações ou divulgações, mas não era nada constante.

Conseguiram um lugar para minha planta próxima a de Rachel, o que eu adorei, pois a dela ainda estava pequena, então as duas cresceriam juntas, como nós duas. Era uma boa forma de simbolizar nossa união como irmãs e foi mágico plantar uma árvore, o contato com a natureza, o Sol fraco de fim da tarde em meu corpo, minha irmã me auxiliando. Se eu ainda tinha duvidas de se ia ou não cumprir aquela lista, foi ali que tomei a decisão de que iria.

Risquei o item número sete com um orgulho imenso de mim mesma, era algo pequeno, mas só de imaginar que era para ajudar o planeta me dava uma paz interior. Entendi perfeitamente o intuito de Rachel com aquele papo de auto descoberta, pois eu estava começando a me entender melhor e por consequência aos outros.

Naquela noite fomos para uma festa, na casa de um colega de faculdade da minha irmã. Apesar de eu ter aceitado com alguns caras que eu não ouvi ela falando que já tinha ficado, não consegui me atrever a ficar com nenhum, mesmo que fossem lindos, eu estava travada.

–Ei, a festa está muito chata para você estar escondida aqui? –olhei para o lado e vi o dono da casa, eu estava na cozinha, onde ninguém queria ficar, só quando iam atrás de comida ou bebida, mas logo saiam.

–Não, a festa está muito legal –sorri para ele –Eu só estou dando um tempo.

–Quem dá um tempo no meio de uma festa? –ele se recostou ao meu lado no balcão –Você é estranha, garota.

–Ei! –o olhei horrorizada.

–Desculpa –ele gargalhou –Mas é a verdade.

–Não sou estranha, sou só uma adolescente estúpida de dezesseis anos, nada demais –tentei me defender, mas acabei rindo e ele também.

–Sou Daniel, a propósito, não lembro se Rachel nos apresentou.

–Apresentou, assim que nós duas chegamos, acho que alguém bebeu demais –apontei para o copo de cerveja na mão dele.

–Sou só um cara de vinte e um anos estúpido –ele piscou para mim e bebeu mais um pouco –Você é muito gostosa! –me avaliou dos pés a cabeça, indiscretamente.

–E você é direto –corei até a raiz dos cabelos.

–Quer dançar? –ele deixou seu copo de lado –Prometo me comportar, afinal eu posso ser preso se fizer algo com você.

–Vamos lá –aceitei, Daniel deu um enorme sorriso e segurou em minha mão.

Ele era gostoso também, não pouco, muito. Alto, cabelos castanhos claros, olhos castanhos quase verdes, um porte atlético e sabia muito bem como dançar e sussurrar no meu ouvido como eu era bonita e dançava bem.

Não lembro quem deu o primeiro passo, mas quando me dei conta Daniel já estava com a boca na minha e nos beijávamos para valer. As mãos dele estavam na minha cintura e as minhas no pescoço dele, tentei dar o melhor beijo da minha vida, para que ele não me achasse uma adolescente idiota e inexperiente.

–Vamos para o meu quarto? –ele perguntou depois do beijo –Continuou prometendo me comportar.

–Vamos –aceitei.

Daniel realmente não tentou nada demais, nem ao menos me arrastou para a cama dele. Ficamos sentados em um sofá que tinha ali, apenas nos beijando, o máximo que chegamos foi com as mãos dele tocando em minha pele por debaixo da camiseta, mas ele se deteve na região da barriga.

–Daniel? Renesmee? –nos viramos para porta e vimos Rachel nos olhando com um sorrisinho sarcástico –Eu já estou indo embora, quer ficar? –ela me perguntou.

–Não –neguei prontamente, Daniel podia ser gostoso, beijar bem e ser simpático, mas definitivamente não iria riscar o número dois da lista com um cara que tinha acabado de conhecer.

–Tudo bem –Rachel segurou uma risada –Te vejo no carro –piscou para mim –Daniel, excelente festa.

–Valeu –ele agradeceu rindo, deixamos ela ir embora para falarmos qualquer coisa –Então, foi bom te conhecer.

–É, digo o mesmo –levantei do sofá e ele logo se levantou.

–Posso te ver amanhã? –questionou.

–Para que? –perguntei confusa.

–Podemos repetir o que fizemos hoje –uma de suas mãos ajeitou minha camiseta, cobrindo minha barriga.

–Se souber onde a Rach mora, aparece –tentei soar o mais despreocupada possível.

–Vou aparecer –ele me puxou para mais um beijo –Vai embora, antes que pare de prometer me comportar.

–Talvez você possa não se comportar em breve –sussurrei no ouvido dele e depois de um selinho deixei seu quarto.

–Sua vadia! –Rachel gritou divertida quando entrei no carro dela –Sabe quantas garotas querem ficar com Daniel? Nem eu já consegui ficar com ele. Você é foda! –me parabenizou.

–Valeu –coloquei o cinto –Ele beija muito bem e é tão legal.

–Conversaram muito?

–Ele é legal beijando –me corrigi, percebendo que não tínhamos falado quase nada de relevante.

–Vadia –Rachel voltou a gritar rindo.

Eu realmente não esperava que Daniel fosse aparecer, mas no meio da tarde, enquanto pintava as unhas de Rachel, ele surgiu. Foi tão surpreendente que eu mal me dei conta de que ele estava me mandando ir trocar de roupa para irmos a praia.

Fomos apenas nós dois, pois minha irmã era um amor de pessoa que não seria uma empata naquele momento. Com aquele passeio consegui conhecer Daniel melhor, ele era estudante de biologia como minha irmã, filho único e era nativo do Texas.

Conversamos sobre outras coisas, mas nossa principal vontade era ficarmos nos beijando. Ele me fez entrar na água, mesmo que eu não quisesse molhar o cabelo, mas foi tão divertido ficar com ele ali, que nem reclamei depois.

–Prova esse –Daniel me deu um pouco do seu sorvete, estávamos na areia, devorando sorvetes e nos beijando ocasionalmente.

–Muito bom –peguei mais um pouco –É de que?

–Morango com champanhe.

–Seu alcoólatra –gargalhei –Ai, licença –vi meu telefone tocar e me vi obrigada a atender, pois já era a quinta ligação de Lucy –Oi Lu.

–Ei, tudo bem? –ela perguntou.

–Tudo ótimo –dei um pouco do meu sorvete para Daniel, mas ele me roubou um beijo, me lambuzando –Idiota –ri dele.

–Eu? Por quê? –ela questionou confusa.

–Não você, o Daniel –ri mais um pouco.

–Quem é Daniel?

–Um cara que prometeu se comportar –brinquei, fazendo com que ele risse.

–Rê, estou muito confusa.

–Falo com você melhor depois –prometi –Preciso mesmo desligar agora.

Lucy gritou tanto de alegria quando eu contei para ela sobre Daniel, que eu senti pena de qualquer um que tivesse escutado seus gritos. Passamos horas conversando, sobre o quanto eu tinha me divertido com ele naquele dia e no anterior, como também falei que ele iria me buscar no dia seguinte para sairmos de novo. Ela estava tão empolgada com a minha história que nem ao menos mencionou o namorado naquele dia, o que foi excelente, pois era a minha hora de ter um pouco de atenção

–Não quero que você vá embora –Daniel fez bico e beijou meu pescoço.

Dei um meio sorriso e beijei os lábios dele por um instante. Estávamos ficando há quase um mês, era super legal estar com ele, saíamos juntos para vários lugares e ele não era meu namorado, então não se tornou irritante em momento algum, só que no dia seguinte eu teria que voltar para Sun West, pois minhas férias estavam no fim e eu precisaria estar lá antes do aniversário de Lucy e das aulas.

–Eu volto, não sei quando, ai deixo você fazer aquilo que disse que faria –o olhei cheia de segundas intenções.

Daniel riu e me deitou no sofá, deslizando sua boca novamente para meu pescoço, fazendo uma trilha até minha boca. O máximo que tínhamos chegado era ambos sem camisa e mãos bobas, mas estava muito claro que eu não queria fazer sexo e ele era muito maduro em respeitar isso, ainda tirando sarro da minha cara depois, para não nos constranger.

–Vai falar comigo por Skype? –ele questionou, parando de me beijar.

–Vou fazer esse esforcinho por você –suspirei teatralmente.

–Droga, você é tão gostosa –ele gemeu, me fazendo lembrar da primeira vez que ficamos juntos.

–Sou é? –minha mão passeou pela frente de sua calça jeans.

–Ness –seu hálito quente bateu contra a pele do meu pescoço, mas continuei o tocando, mesmo com as roupas nos separando –Para, você não vai continuar isso mesmo.

–Desculpa –dei um sorriso amarelo, parando imediatamente.

–Tão pura –ele zombou de mim, mas não me insultei com aquilo –Quem sabe a gente não faz sexo virtual, vai ser bacana –chocou seu corpo contra o meu, fazendo com que eu sentisse como tinha o deixado.

–É, quem sabe a gente tenta isso –murmurei, concentrada demais nos movimentos dele contra mim, teria chegado muito perto de fazer outra coisa, se a porta não tivesse se aberto, revelando a colega de quarto da minha irmã, só fiz empurrar Daniel e ele prontamente se sentou cobrindo seu colo com uma almofada.

–Procurem um quarto –a morena fez uma careta e foi para seu quarto.

–Gostei da sugestão dela –ele voltou a me beijar.

–Já está tarde, melhor você ir –comentei.

–Quer que eu te deixe no aeroporto amanhã?

–Não, odeio despedidas –o acompanhei até a porta.

–Poxa, podíamos protagonizar uma daquelas cenas bem quentes no meio da multidão.

–Vai embora –bati no braço dele e ri.

–Sério agora, foi bom passar esse tempo com você –Daniel beijou minha bochecha –Te vejo no Skype, para o sexo virtual.

–Pode contar com isso –brinquei, pelo menos esperava estar brincando e o beijei.

Daniel foi embora logo depois e eu fiquei encostada na porta, olhando para o nada, meu verão tinha sido perfeito demais. Não mudaria nada dele.

Tentei não chorar quando Rachel me deixou no aeroporto na manhã seguinte, mas não me controlei e algumas lágrimas chegaram ao meu rosto. Sentiria muito a falta da minha irmã, mas ela prometeu nos visitar nos feriados, disse que queria que eu pensasse melhor sobre a faculdade e realizasse o maior número de itens possíveis da lista que criou para mim, concordei e entrei no avião.

Nem em meu pior pesadelo imaginei que a cena que vi, quando sai do portão de desembarque em Sun West, fosse acontecer. Estava tudo certo para Lucy ir me buscar no aeroporto, mas quem estava ali, segurando uma plaquinha com meu nome e vários corações ao redor, era Alexander.

Notas finais
Por favor, comentem Beijos. Lola Royal. 09.10.14