Notas iniciais
Tretas, tretaaas :3 hohoho~ espero que se divirtam com esse capítulo.

Eu nunca entrava na biblioteca, por isso Mikasa e Armin haviam ficado tão surpresos ao saber que estive lá naquele dia. Não havia nada que me interessava lá, eu não gostava de ler e não agüentava o silêncio. Não era o lugar pra mim, de forma alguma.

Entretanto, acabo indo para lá, após tentar falar com Levi na hora do almoço e ver que ele estava ocupado. Mikasa não havia aparecido para comer comigo e nem Armin, então acabei por vagar pela escola por alguns minutos até decidir entrar no recanto dos estudiosos, apenas para matar tempo.

Estava no lugar errado e no momento errado. Mas não pude me controlar, foi impossível. Ver meu melhor amigo sendo empurrado por Jean contra uma prateleira para ter um beijo roubado de forma nada gentil ferve meu sangue. Vou até eles, pego Jean pela camiseta e o acerto um soco na bochecha.

“Eren, pare!”

Ignoro Armin e tento socá-lo novamente, mas Jean torce meu braço para o lado e chuta minha barriga. Nesse momento senti que essa briga seria feia.

Logo alguém vem nos separar, ouvindo os gritos de Armin desesperado para que parássemos. Mikasa aparece não muito depois, acredito que ela tenha um sexto sentido que a avisasse quando eu entrava em brigas. Mas eu já estava com o olho roxo e o nariz sangrando nesse ponto. Jean estava sentado no chão, com o lado do rosto vermelho e sangue escorrendo de sua boca. Nunca acabávamos bem.

“Eren!” Mikasa grita, segurando-me pelos braços. “O que deu em você?!”

“Esse canalha...” Aponto para Jean. “Não chegue perto do Armin, ouviu?!”

“Vai arrumar alguém para punhetar, seu babaca.”

“Parem!” Armin grita, tapando os ouvidos.

Se Mikasa não estivesse me segurando, eu teria voado em Jean novamente. Mas logo somos interrompidos por um supervisor, que aparece para nos levar à secretaria. Dou uma olhada para trás antes de sair da biblioteca e vejo Armin chorando, e Annie estava ao seu lado tentando acalmá-lo. Mas o que diabos!?

Não permitem que Mikasa aguarde comigo na secretaria, já que ela estava muito exaltada. Jean é levado para conversar com o diretor primeiro, e sou obrigado a aguardar no sofá até que me chamem. Dou sorte que Levi não estava ali, por algum motivo, mas ele logo surge de uma das salas do corredor.

“Céus, o que houve com você?” Ele pergunta, franzindo as sobrancelhas ao ver meu estado.

Não encontro ânimo para responder. Queria cavar um buraco para me esconder, qualquer coisa a ser visto por ele nesse estado.

“Você precisa limpar seu rosto.” Ele caminha até o fundo da sala, pegando uma caixa branca de primeiros socorros.

“Não se preocupe.” Digo, mas ele já estava vindo em minha direção. “Não é nada.”

“Seu nariz está ensangüentado.” Ele ri ironicamente, tomando o lugar ao meu lado no sofá.

Ele abre o kit e, de cara, abre um pacote de luvas plásticas para vesti-las. Logo pega um algodão e o umedece com água boricada, assim segurando meu queixo com sua mão esquerda para me manter parado enquanto limpa meu rosto.

“Quer me contar o que aconteceu?” Ele pergunta, concentrado em limpar o sangue.

“Briguei com o Jean.” Suspiro.

“E por quê?”

“Ele... Ele estava abusando do Armin.”

Suas sobrancelhas se franzem.

“Como?”

“Roubou um beijo dele, na biblioteca.” Começo a explicar, assistindo a cena novamente em minha cabeça. “Não consegui ver aquela cena sem ficar com ódio. Armin é uma pessoa tão pura e inocente; queria quebrar a cara daquele idiota vendo-o ser tão bruto com ele.”

Levi apenas concorda com a cabeça, entendendo a situação.

“Você é um cara legal, Eren.” Levi diz, terminando de limpar meu rosto e jogando os algodões sujos em uma lixeira próxima. “Mas deveria controlar sua raiva.”

“Eu estava indo bem. Mas ver aquilo…”

“Não precisa resolver tudo nos socos, você poderia ter interrompido e esclarecido a situação com palavras.”

“Eu sei. Mas...” Desço meu olhar ao chão. Já não havia encarado Levi desde que ele entrou, sem jeito.

“Esqueça isso por enquanto.” Ele diz, tirando as luvas. “Você precisa conversar com seu amigo depois. Ele vai precisar.”

Levanto o rosto para enfim olhar para Levi, e ele me olhava com uma expressão serene. Meu coração palpita por um instante ao vê-lo tão perto.

“O que quer dizer?” Tento retornar ao assunto, ao perceber que havia parado com minha boca entreaberta.

“Bom...” Ele pende a cabeça para o lado, ainda me olhando. “Acho que Armin gosta de Jean. Analisando tudo que me contou até hoje, pelo menos.”

Engulo seco.

“Converse com ele, ok? Sei que não gosta de Jean, mas faça isso pelo Armin. Ele precisa de seu apoio.”

Quero beijá-lo. O pensamento toma minha cabeça de repente, enquanto observo como seus lábios finos se movem ao falar comigo. Ele continuava me encarando, sua expressão tão diferente das primeiras vezes que nos vimos. Tão diferente da expressão que ele guarda para as outras pessoas. Era como se eu tivesse, assim, delicadamente e lentamente, atingido um patamar diferente. Ele me considerava. Ele falava comigo. Ele gostava de mim.

“Você…” Levi continua, agora virando o rosto para o lado. “Não sabia que ele era gay, certo?”

“Não.” Forço-me a prestar atenção no que ele dizia. “Armin nunca falava comigo sobre seus sentimentos.”

“Sim...” Ele suspira. “Você tem problemas com isso?”

“Não.”

Ele torna a olhar para mim, quase sorrindo.

“Que bom.”

Logo sou chamado para ir conversar com o diretor e sou obrigado a deixar Levi. Mas minha cabeça não sai daquele momento no sofá. O momento em que percebi o que havia dentro de mim.

~*~

Queria convocar uma reunião de emergência imediatamente com Mikasa e Armin, como costumávamos fazer de brincadeira alguns anos atrás para que conversássemos. Mas, primeiro, tenho que ouvir sermões do diretor, que chama meu pai para me dar mais sermões. Levo uma suspensão de dois dias, assim como Jean. Os reais motivos da briga não são ditos, obviamente. Como já havíamos brigado outras três vezes sem motivo, ninguém nos questiona sobre o que foi dessa vez.

Vou para casa e sou deixado de castigo, não poderia sair por uma semana. Ótimo, eu raramente saio mesmo, apenas continuaria jogando League of Legends meu final de semana inteiro. E conversando com o Levi pelo Facebook, claro.

Mikasa volta para casa logo após as aulas, trazendo Armin consigo como a pedi por mensagem. Papai apenas me deixou em casa e voltou para o hospital, então tínhamos a casa inteira para nós.

Havia muito que queria conversar com os dois, e muito que poderia contar a eles, ainda mais após me dar conta de meus sentimentos com relação a Levi. Mas esse era o momento de Armin falar. Finalmente, após nunca revelar nada para nós. Para mim principalmente, como logo descubro. Aparentemente Mikasa havia descoberto sobre seus sentimentos quanto a Jean e estava tentando ajudá-lo. Eu era o único que não havia desconfiado de nada.

“Eren...” Armin enxuga as lágrimas. Ele havia chorado o tempo inteiro durante nossa conversa. “Eu sou gay. E eu gosto muito do Jean. Desculpa.”

Apenas o puxo sobre o sofá para um abraço. Mikasa, sentada sobre a mesa de centro logo a nossa frente, não contém um sorriso.

“Não se desculpe.” Forço-me a dizer, sem jeito. “Eu que peço desculpas. Pela minha desatenção, por ficar cego odiando Jean sem motivos quando você já gostava dele. Mas... se ele fizer algo com você de forma tão bruta novamente...”

“Ele não estava sendo bruto, Eren.” Ele explica, saindo do abraço. “Você chegou do nada e entendeu errado. Estávamos brincando; ele nunca me forçou a nada.”

“Achei que ele estava roubando um beijo seu.”

“Não!” Ele balança a cabeça negativamente. “Já havíamos nos beijado antes. Estávamos apenas brincando.”

Suspiro fundo, tentando apagar de minha mente a imagem negativa que tinha. Ia confiar em Armin.

“Mas então...” Começo, curioso. “Como você descobriu que gostava dele? E como foi o começo?”

“Bom...” Armin levanta suas pernas para cima do sofá e as abraça. “Lembra quando Mikasa nos contou sobre aquele boato de que Jean havia ficado com outro menino em uma festa?”

“Lembro.” Concordo com a cabeça. Havia completamente me esquecido de tal fofoca, já que assuntos sobre Jean nunca me interessavam. “Nossa, isso já faz um tempo.”

“Quase um ano... mas foi ai. Eu já achava Jean bonitinho, e ao saber que ele poderia ser gay também... fiquei feliz. Quase explodi quando Mikasa disse que ele estaria em nossa sala esse ano, e decidi que aproveitaria a oportunidade. Por isso me ofereci para ajudá-lo em matemática.”

“E deu certo, hein?” Rio suavemente. “Mas como você fez?”

“Eu não fiz nada, na verdade. Nada muito explicito. Só às vezes jogava verde pra ver se ele correspondia, como Mikasa havia me instruído, e ele o fazia. Até que nos beijamos, na biblioteca mesmo.” Ele conta, mordendo seu lábio inferior. “Meu primeiro beijo, com alguém que eu gosto muito. Nunca estive tão feliz, Eren.”

Não resisto em sorrir com ele.

“Então Mikasa te ajudou bastante?” Olho para ela, ainda sentada na beirada da mesa, apenas escutando. “Quando descobriu sobre eles?”

“Ah, desconfiei logo que Armin se ofereceu para ajudá-lo a estudar. Sempre que Jean aparecia em nossas conversas o Armin ficava vermelho, então estava quase óbvio.” Ela diz.

“Sou um idiota por não ter percebido.” Sacudo a cabeça.

“Você tem que ficar mais atento ao seu redor.” Ela afirma, suspeita. Se Armin não houvesse nos interrompido a seguir, teria pressionado-a a me dizer algo.

“Eren...” Armin chama, e eu me viro em sua direção. “Sei que é pedir demais, mas... Será que pode não brigar mais com Jean? Por mim? Digo—não quero que sejam amigos, mas gostaria que pudessem se cumprimentar civilizadamente hora ou outra. Já que provavelmente você me verá com ele bastante de agora em diante...”

“Ele te pediu em namoro?”

Armin afirma com a cabeça.

“Sim, ontem.” Ele sorri.

Suspiro fundo. Acho que por Armin eu conseguiria ser civilizado com Jean, faria um esforço.

“Farei o possível. Mas peça a ele que não me provoque.”

“Já pedi, mas o farei novamente.” Ele prontamente diz. “Não entendo a repulsão que sentem um pelo outro, poderiam ser amigos se decidissem se conhecer melhor. Mas não forçarei vocês a isso, claro.”

Pensar em ser amigo dele me dava um nó no estômago, mas tento ignorar.

Logo depois Mikasa nos sugere que víssemos algum seriado para nos distrairmos. Decidimos continuar de onde paramos em The walking dead, com direito a pipoca e refrigerante.

Sinto que tenho os melhores amigos do mundo.

~*~

Entro no Facebook mais tarde, após Armin ir embora quase meia-noite. Logo mando uma mensagem para Levi, que estava com o status offline e com certeza já havia ido dormir mesmo.

“Ei. Não apareci mais cedo porque Armin veio aqui e conversamos. Estamos OK. Até disse pra ele que vou tentar ser civilizado com Jean...” Digito, rindo. “Eles estão namorando. Achei bonitinho e fiquei feliz por ele.”

Envio esse pedaço de mensagem e continuo digitando.

“Acho que Mikasa está escondendo algo de mim, temo que tenha a ver com aquela Annie. Não sei se é o que penso. Mikasa já ficou com meninos, então não faz muito sentido. E a Annie não parece lésbica, sei lá. Acho que não é isso. Mas vou esperar que ela me conte.”

Clico em enter mais uma vez e me surpreendo ao ver o ícone indicando que as mensagens haviam sido lidas aparecer.

“Vai dormir, Jaegar.” Ele envia, e eu rolo os olhos. “Brincadeira.”

Ele demora um tempinho, digitando uma nova mensagem.

“Você tem que conversar com sua irmã também. Às vezes acho que a única pessoa que você conversa sou eu.”

“Não era assim, sabe.” Digito, rindo. “Antes de te conhecer, eu digo. Mas gosto de falar com você.”

“Fico feliz. Mas não ignore seus amigos.”

Conversamos mais um pouco sobre isso, e ele me manda parar de pensar no assunto até falar propriamente com Mikasa. Não muito depois ele diz que está quase dormindo no teclado, e eu o deixo ir.

“Durma bem.” Envio, esperando que ele já tivesse ido.

“Você também.” Ele me surpreende com a resposta. “Nos vemos amanhã?”

“Não, estou suspenso =(“

“Ah, havia me esquecido. Bom, te vejo amanhã online, então."

“Com certeza. ;)”

Vou dormir com um calor em meu peito.

Notas finais
Finalmente caiu a ficha do Eren, né? xD Próximo capítulo sai na quarta, até lá n_n