Teenage Dream

4 Stand By Me


Notas iniciais
Desculpem a demora, aqui está!

Ao tocar do último sinal, os corredores da escola pareciam uma selva: alguns passavam apressados para chegar a suas casas, outros se demoravam fazendo brincadeiras entre amigos, atrapalhando o fluxo. Vacinado, Kurt já se habituara a esperar alguns minutos na sala, evitando assim encontros desagradáveis.

Rachel e Finn estavam na mesma sala de História que Kurt, mas a garota o obrigava o amado a sentar-se na primeira fileira com ela. Kurt, como sempre, ficava na última fileira mais perto da janela, e geralmente dividia sua mesa com quem sobrasse. Finn saiu da sala junto com os demais, enquanto Rachel foi até a mesa de Kurt para falar-lhe.

- Achei que você estava ansioso pra aula acabar! – disse Rachel, sentando-se ao seu lado.

- Estava, mas não tenho tanta pressa de sair daqui... – disse Kurt, com um sorriso triste.

- Lá não vai ser assim, sabe... – começou a garota, séria. – Em Nova York. Nossos dias de incompreendidos estão acabando! – finalizou, com um sorriso otimista.

- Será mesmo? – disse ele, cansado. – Bom, só de estar perto da Broadway vou me sentir melhor... – sorriu.

- Exatamente! – exclamou, com os olhos brilhando. – Vamos nos divertir muito juntos, eu e você! E depois, o Blaine e talvez o Finn... – seu sorriso se desfez, tímido.

- O que foi? – perguntou o garoto, preocupado.

- Nada! Estou bem. – disse Rachel, disfarçando seu desconforto. – Enfim, acho que vou-

- Rachel... – disse Kurt, pegando sua mão. – Obrigado por estar aqui por mim. Fico feliz de te ter por perto.

Essa simples frase fez os olhos da garota se encherem de lágrimas. A verdade era que dificilmente recebia manifestações espontâneas de afeto, uma vez que nunca tivera muitos amigos. A amizade de Kurt havia se tornado parte de seu cotidiano, e isso a alegrava muito. Por isso, o mero fato de ser levada em conta lhe tocou profundamente.

- Obrigada Kurt! – disse, abraçando o amigo. – Por tudo!

Ficaram abraçados por um tempo, até o faxineiro expulsá-los da sala. Kurt estava feliz: independente do que acontecesse, sabia que sempre teria Rachel como amiga. Sentiu-se até culpado por pensar que ela se sairia mal na entrevista – e, ao mesmo tempo, seu medo cresceu. Respirou fundo, despediu-se da garota e foi até o estacionamento, buscar seu carro, enquanto ela foi encontrar Finn.

Foi aí que se lembrou do ocorrido mais cedo: seu carro estava completamente imundo! Já podia ouvir os comentários sarcásticos de seus concorrentes quando passasse pela entrada da faculdade...Pensou em pedir o carro do pai emprestado, mas não daria tempo. Pedir carona para Finn, talvez? Ou então...

Supresa! Ao chegar a sua vaga, encontrou seu carro novinho em folha, limpo e até encerado. O responsável por tal proeza levantou-se, uma vez que acabara de calibrar os pneus: Blaine sorria e acenava, dizendo em seguida:

- Você tem cuidar melhor desse carro!

Kurt riu, deslumbrado. Era incrível a capacidade de Blaine de sempre superar suas expectativas! Foi até o encontro deste, abraçando-o.

- Você não existe! Como arranjou tempo pra tudo isso? – perguntou.

- Bom, minha última aula era de espanhol... – começou o garoto, com um semblante travesso. – E você sabe como eu já falo espanhol muy bien, então...

- Sei, sei! – disse, tentando repreendê-lo, sem sucesso. – Por que você tem que ser tão perfeito? Assim não sobra nada pra eu fazer!

- Você não precisa fazer nada! – disse Blaine, segurando-lhe as mãos. – Aliás, tem uma coisa sim... Você tem que arrasar na reunião de hoje! – completou, dando-lhe um selinho.

Ambos entraram no carro, radiantes. A faculdade onde aconteceriam as entrevistas para a NIADA era a uma hora do colégio, então, não podiam perder tempo. Colocaram o novo CD do Maroon Five para tocar e seguiram viagem, conversando sobre futilidades. Mal sabiam que em outro carro, com o mesmo destino, o clima era bem outro...

Ao chegarem à faculdade, espantaram-se: havia dezenas de estudantes caminhando de um lado para o outro do saguão. Todos tinham um estilo, digamos, artístico: viam-se boinas, meias coloridas, saias rodadas, sobretudos e encharpes, às vezes numa só pessoa. Mais uma vez, Kurt sentiu certo pavor de ver tantos garotos semelhantes a si. Blaine percebeu, e, colocando suas mãos nos ombros do garoto, sussurou em seu ouvido:

- Relaxa, amor. Eles não chegam aos seus pés! – conseguiu arrancar um sorriso do namorado.

Foram até o balcão principal, e uma das recepcionistas os atendeu com notável entusiasmo:

- Bem-vindos! – seu sorriso destacou-se pelo seu forte batom vermelho. — Podem dizer-me seus nomes, meus queridos?

- Kurt Hummel! – respondeu. E virando-se para Blaine: — E ele é um... Amigo!

- Entendo... – disse a mulher, digitando o nome do garoto com falso descaso. Provavelmente não era o primeiro garoto gay que atendera. – Aqui está sua senha, vá até aquele outro balcão quando ela aparecer em um dos painéis luminosos!

- A entrevista é por ordem de chegada? – perguntou Kurt.

- É sim. Mas, de qualquer forma, estamos esperando exatamente o número de inscritos. — explicou a mulher – Receio que seu amigo deva permanecer no saguão durante a entrevista... Ele é uma graça! – acrescentou baixinho, piscando.

- Oh... Obrigado! – agradeceu, enrubescido. Blaine, sem graça, fingiu não ter escutado. – Tenha um bom dia!

- Você também! – disse ela. — Boa sorte!

Voltaram para a parte central, procurando algum lugar para sentar. Pelo caminho, viam alguns candidatos fazendo performances improvisadas, a fim de intimidar seus concorrentes. Outros, por outro lado, pareciam estar à beira de um ataque de nervos. Kurt os observava sem conseguir produzir qualquer julgamento, concentrado como estava.

Encontraram uns bancos livres e sentaram-se, próximo de um dos painéis. Ainda faltavam quinze senhas para a vez de Kurt chegar – não sabia se isso era pouco ou muito, uma vez que o número de entrevistadores lhe era desconhecido. Observando todos em volta como uma criança, Blaine pergunta:

- Por que uma faculdade como a NYADA faz entrevistas, afinal? Não seria mais fácil fazerem audições?

- As audições são na etapa seguinte – explicou Kurt. – Olha quantos candidatos, só na nossa região! Seria muito cansativo ouvir um solo de cada um... Além disso, eles têm um perfil de aluno muito bem definido.

- Entendi... – disse Blaine. – Ei, aquela menina não participou das Seletivas lá na escola?

- O quê?! – exclamou Kurt. E, ao olhar na mesma direção de Blaine, avistou aquela figura aparentemente inofensiva, mas extremamente intimidadora: Harmony. Aproveitando que a garota ainda não havia notado sua presença, virou-se para o outro lado:

- Não olhe diretamente nos olhos dela! – disse, dramático. – O que ela faz aqui afinal? Ela ainda é do segundo ano!

- Calma, Kurt! – disse Blaine, se divertindo com a situação. – Vou chamar ela aqui...

- Não! – gritou Kurt, chamando a atenção da garota, que começou a acenar efusivamente.

- Olha só o que você fez! – riu Blaine, acenando para a garota.

- Você é um homem morto... – rosnou Kurt, sorrindo em seguida.

- Olá, Kurt! – exclamou Harmony. — Que bom que você veio!

- Oi, Harmony! – cumprimentou, virando-se para Blaine: — Esse é Blaine, meu namorado!

- Nossa! Que casal mais lindo! – a garota falava alto, como se estivesse em cena. – Muito prazer!

- O prazer é meu, acredite! – sorriu Blaine, olhando para o namorado.

- Vocês devem estar se perguntando o que eu vou estou fazendo aqui! – disse a garota. – Alguns membros do meu grupo vieram fazer a entrevista, então viemos todos dar uma força!

- Oh, isso é muito legal da parte de vocês... – disse Kurt, com falso ânimo.

- É! Fizemos uma apresentação faz uma meia hora, pra eles ganharem confiança! – disse animada. – Eu insisti pra que um deles fosse a voz principal, mas eles disseram que eu canto melhor... Que besteira, né?

- Ah, isso é porque eles ainda não escutaram o Kurt cantando Defying Gravity! – disse Blaine, no mesmo tom da garota. – É maravilhoso!

- Uau... Seria interessante mesmo! – disse a garota, num tom um tanto desafiador. – Nós vamos fazer uma festa musical na sexta... Por que vocês não aparecem por lá? Chamem a Rachel também!

- Claro! Vamos adorar! – disse Blaine, rapidamente.

- Sim, estaremos lá... – disse Kurt, hesitante.

- Ótimo! – exclamou a garota, num grande sorriso. – Tenho que ir agora... Mais uma apresentação, sabe como é!

- Até sexta, Harmony! – sorriu Blaine.

- Até! – disse a garota, um pouco desconcertada.

- O que foi isso?! – repreendeu Kurt, quando a garota já estava longe.

- Qualé, vai ser legal! – disse Blaine, animado. – Daí você põe essa garota no lugar dela!

- Seu maluco! Isso porque você nunca viu o grupo dela se apresentando! – disse Kurt, desanimado.

— “A Rachel canta bem”,” a Harmony canta bem”... – imitou Blaine, virando os olhos. — Você precisa acreditar mais em você, Kurt...

Ouviram um bip e olharam para o painel: a senha de Kurt estava sendo chamada. Tinha passado muito rápido! Seu coração batia num ritmo acelerado, respirava forte. Blaine segurou o rosto do namorado gentilmente, dizendo-lhe:

- Kurt, fica calmo. Concentre-se e seja você mesmo! – Kurt concordava, respirando fundo. — E independente de qualquer coisa, eu te amo mais que tudo.

Beijou-lhe a testa e sorriu. O garoto agradeceu e, estufando o peito, foi até o balcão específico. A atendente indicou-lhe o caminho da sala onde seria sua entrevista. Foi até as escadas e, antes de subir, olhou novamente para Blaine, que sorria para ele. Tranquilizou-se novamente com esse olhar, e subiu as escadas confiante.

Vendo o namorado subindo, Blaine cruzava os dedos, torcendo pelo namorado. Mentalizava a aprovação de Kurt como se fosse a sua própria. Ouviu uma voz atrás de si:

- Você fica uma graça quando tá preocupado, sabia?

Notas finais
Minha inspiração é movida a reviews :D vamos vamos!