Teenage Dream
5 Out Of My Head
- Sebastian?! – exclamou Blaine, surpreso. – O que faz aqui?
- Nossa, é tão surpreendente mesmo eu estar aqui? – perguntou, sorrindo. – Eu já sou do quarto ano... Eu acharia estranho você estar aqui, se não fosse pelo... – parou, fingindo esquecer.
- Kurt. – completou Blaine, desconfortável. Sabia o quando Kurt se incomodava com ele, mas seria rude de sua parte ignorar o rapaz: — Então você quer entrar pra NYADA?
- Não, bobinho! Tava brincando contigo. – disse Sebastian, no tom charmoso de sempre. – Minha prima veio fazer a entrevista e queria um apoio, então...
- Ah, sim... – disse Blaine, sem jeito. Sentou-se em um dos bancos, afastando-se do outro.
- Você parece tenso, Blaine... Até demais, eu diria! – disse Sebastian, sentando ao seu lado. – O Kurt consegue, se ele é tão bom como você diz... Não é mesmo?
- Não é tão simples assim, Sebastian! – disse Blaine, um pouco irritado. – É que são só vinte vagas pro país inteiro!
- Tudo isso me parece discurso de perdedor – disse Sebastian, ousado. – Quando você liderava os Warblers você dizia coisas desse tipo? – sorriu, para quebrar a tensão.
- Não, eu... – Blaine se viu confuso. Será que não acreditava no potencial de Kurt? Suspirou. – Eu só não quero aumentar a pressão em cima dele.
- Que namorado dedicado... – comentou Sebastian. – Parece até eu, no ano passado...
- Você? – disse Blaine, espantado.
- É... Eu sei que não tenho cara de “namorado”, mas a verdade é bem outra... – disse ele, com o sorriso provocativo de sempre. – Eu fazia tudo por ele. Era mais velho que eu também, o Scott.
- Que coincidência... – disse Blaine, cínico.
- Dá uma olhada no meu Facebook se quiser, ainda tenho uma foto dele lá! – disse Sebastian, não levando a provocação a sério. – Era tudo muito romântico, até ele ir pra faculdade. Ele foi atrás dos sonhos dele e eu fiquei sem os meus, porque vivia em função dele.
- Ok, você claramente está dizendo isso pra tentar arruinar meu namoro com o Kurt! – disse Blaine, incomodado.
- Estou falando o que você precisa ouvir! – disse Sebastian, numa seriedade até então desconhecida por Blaine. Olhou-o fixamente nos olhos e disse-lhe: — Olha, Blaine, vamos encarar os fatos, tá bem? Sim, eu estou interessado em você. Mas estou te dizendo essas coisas justamente por querer o que é melhor pra você.
Blaine nada disse, apenas desviou o olhar. Era a primeira vez que Sebastian explicitava suas intenções de um modo direto, porém não insinuante. Percebendo a relutância do outro, Sebastian continuou:
- Eu, você e até o Kurt sabemos do que você é capaz. – começou. — Será que vale mesmo a pena viver os sonhos de outra pessoa? Você tem poder pra realizar os seus!
- Você não me conhece tão bem, Sebastian... – resmungou, irritado. Por que as palavras do rapaz o atingiam de tal maneira?
- Não além do que você me permite... – disse Sebastian, num falso contentamento. – Deixe-me pôr dessa forma: se vocês dois estivessem concorrendo esse ano, acha mesmo que o Kurt teria alguma chance?
- Já chega! – Blaine levantou-se rapidamente, afastando-se das investidas e das palavras de Sebastian. A resposta de seu subconsciente à pergunta do outro lhe deu um choque de realidade. – Isso não tem nada a ver comigo e com o Kurt! Eu não sou egoísta ao ponto de me achar melhor que ele. Não sou mais essa pessoa.
- Se não tem nada a ver mesmo, por que ficou tão nervoso? – e, ao ver o outro dando-lhe as costas, acrescentou: — Ok, vou te deixar em paz agora. Mas se você mudar de idéia e achar que a minha história se parece minimamente com a sua, pensa no que eu te falei.
Blaine bufou e permaneceu em silêncio. Diante disso, Sebastian colocou as mãos nos bolsos e afastou-se lentamente, virando-se uma vez mais para dizer:
- A gente se vê, Blaine. Eu sei que sim.
A ausência de Sebastian causou-lhe alívio imediato, como se tivesse tirando um grande peso de seus ombros. Sentou-se, atordoado, passando seus dedos pelos cabelos ajeitados com gel. Sabia que Sebastian dissera tudo aquilo justamente para pôr coisas em sua cabeça. Prometera a si mesmo não se deixar levar pelo poder de persuasão do outro. Então, por que se sentia tão mal?
Balançou a cabeça, afastando ecos das palavras de Sebastian que giravam em órbita ao redor de sua cabeça, num ritmo alucinado. “Tenso até demais”, “Vivia em função dele”, “Sabemos do que você é capaz”: assombrou-se com a hipótese de que, talvez, tudo aquilo teria algum fundamento. Não se lembrava da última vez que reservara tempo para seus planos individuais. Sempre pensava que ainda era cedo demais, afinal, estavam no terceiro ano. Mas agora se pegava com medo de que, quando finalmente pensasse em si, fosse tarde demais.
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Chegou ao segundo andar e virou à direita, como a atendente lhe orientara. Um corredor muito comprido, com sete portas à esquerda – algumas já fechadas, outras não. Foi até a quinta porta, ainda aberta e espiou em seu interior: uma sala de aula completamente vazia, exceto por duas carteiras; uma na frente da outra – uma delas, obviamente, já ocupada pela entrevistadora, que se revelou uma garota um pouco mais velha do que ele.
Ao vê-lo, ela rapidamente se levantou e sorriu, apresentando-se:
- Olá, Kurt! Meu nome é Evelyn, e sou quem eu quem vai entrevistá-lo!
- Muito Prazer, Evelyn! – cumprimentou Kurt, um tanto mais calmo.
A aparência da moça não era, de maneira alguma, intimidadora. Usava um vestido branco na altura dos joelhos, com a cintura bem marcada. Seus cabelos castanhos ondulados emolduravam o rosto delicado, destacado pelos brilhantes olhos negros que possuía.
Esta fez sinal para que ambos se sentassem. Antes de pegar a prancheta que se encontrava sobre sua carteira, a garota disse:
- Vamos começar com um joguinho! Consegue adivinhar quem eu sou? – desafiou ela, colocando as mãos na cintura.
Kurt estranhou a pergunta, mas não encontrou dificuldades:
- Maria de West Side Story? – respondeu.
- Na mosca! – exclamou Evelyn, dando uma risadinha. – Ok, na verdade isso não faz parte do processo, eu só gosto de brincar com os candidatos!
- Você era aluna da NYADA? – perguntou Kurt, curioso, rapidamente acrescentando – Que mal lhe pergunte...
- Ainda sou, na verdade – respondeu a garota, deixando-o ainda mais confuso. E completou: — Na verdade foi idéia dos alunos essa entrevista – da minha turma, pra ser mais específica. Ano que vem será nosso último ano na NYADA, então queremos ajudar o máximo que pudermos agora!
- Oh, entendo... – disse Kurt, sorrindo.
- Bem, vamos começar de uma vez... – disse ela, pegando a prancheta e examinando-a, enfim. – Kurt Hummel... Acho que a primeira coisa que notei foi sua ausência de créditos. – disse a garota, séria. – Isso te dá uma bela desvantagem... Pode me justificar isso?
Kurt respirou fundo, tentando manter a calma. Sabia que isso viria à tona cedo ou tarde – mas por que tão cedo?! Lembrou-se de Harmony, com seus créditos fetais, e sentiu raiva. Concentrou-se em dar uma resposta sincera, mas bem trabalhada:
- Na verdade, nunca me encaixei muito bem nos grupos da escola. E por isso não me interessava em ficar mais tempo dentro dela. – explicou Kurt. – Entrei no Glee Club no segundo ano, porém, e aos poucos fui mudando meus conceitos... Fiquei em segundo lugar na votação do grêmio estudantil esse ano, infelizmente. – finalizou, com um sorriso resignado.
- Tem algum motivo especial para essa repulsa à sua escola? — perguntou Evelyn.
- Bem, o fato de eu ser gay não me fazia muito popular. Até me transferi para a Academia Dalton por um tempo, pra evitar o bullying, que era um pouco pesado... – disse ele rapidamente, envergonhado. – Mas não estou pedindo nenhum tratamento especial por isso, até porque não devo ser o único entre os candidatos!
- Não mesmo! – concordou ela, escrevendo na prancheta. – Mas sabe, os candidatos constroem todo o seu Ensino Médio se focando na NYADA. Deduzo que você a descobriu recentemente... – disse a garota, num tom preocupado.
- É, isso é... Isso é verdade. – admitiu Kurt, tenso.
- Mas tenho uma boa notícia. — começou a garota, sorrindo. – Dependendo do que eu escrever aqui, suas chances podem aumentaram consideravelmente. – a garota se aproximou e disse, num tom brincalhão: — Então vê se capricha, hein?
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Já havia se passado um bom tempo desde a saída de Kurt – e da conversa com Sebastian. Blaine tinha descido até a cafeteria, indicada carinhosamente pela recepcionista que os atendera na entrada, para espairecer. Folheava a Vogue da semana tomando goles de seu café expresso médio, o pedido de sempre. Olhou em volta, e uma figura familiar lhe chamou a atenção.
- Oh, Finn! Oi! – acenou para o rapaz, que acabara de retirar seu pedido no balcão. Este foi ao seu encontro. Parecia agitado; mal o reconhecera de primeira.
- Oi, Blaine! – sorriu, sem jeito. – O Kurt foi faz tempo?
- É, já faz um tempinho sim... – respondeu, largando a revista. – E a Rachel?
- Ela acabou de subir... – respondeu Finn, um tanto hesitante. – Comprei os muffins que ela gosta, pra ela comer depois...
-Hm... – Blaine já havia captado algo estranho no ar, mas antes ponderou se devia se intrometer ou não. Talvez Finn se sentisse desconfortável... Bem, tarde demais: — O que aconteceu entre vocês dois, hein?
Finn ficou surpreso com a intervenção de Blaine. A verdade é que ainda não se sentia totalmente confortável ao lado do cunhado, mas a verdade era que estava mesmo precisando de alguém no momento. E se ele estava disposto a escutar...
- Cara... – começou Finn. – Você tem que prometer não contar pro Kurt. Ele e a Rachel são próximos demais, ele vai ficar sabendo no fim das contas...
- Pode confiar em mim, Finn. – disse Blaine, sério.
- Estava tudo bem até eu chegar à escola. – começou ele. – A treinadora Beiste me disse que outro caça-talentos viria ao treino de hoje, e que eu devia me preparar muito bem.
- O-oh... – Blaine fez uma careta. – Isso não vai acabar bem...
- Não mesmo... – disse Finn, bufando. – Depois da nossa serenata, no almoço, decidi explicar a situação pra Rachel. Meu, não sei se o Kurt ficou assim por causa do nervosismo, mas ela estava fora de si! Não foi nem um pouco compreensiva, se afastou de mim chorando. O que eu devia fazer numa situação dessas? É o meu futuro também, caramba!
Essa última frase deixou Blaine arrepiado. Flashes da conversa com Sebastian tornavam a incomodá-lo. Continuou ouvindo da história de Finn, que, como bom namorado que era, deixou de lado o treino do dia para trazer a namorada à entrevista. Mesmo assim, brigaram o caminho inteiro e a garota subiu as escadas sem dirigir-lhe uma palavra.
- Eu provavelmente não seria escolhido, de novo... – concluiu Finn, submisso.
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