Notas iniciais
▲ Olar ▲ Gente, nem eu sei mais o que tô fazendo com o Kanato, sério JSDSDJKSDJKSSD. Esse menino não é normal, não faço ideia se estou representando ele como deve! Tô é louca já. ▲ Quero avisar uma coisa pra vocês: talvez eu escreva outra fanfic de DL, por isso, quero que votem no personagem que gostariam que fosse o principal na próxima fic. Vou deixar as votações abertas até dia 14, ok? Comentem aqui nesse capítulo ou mandem mensagem respondendo.

Capítulo VI: Circo

[05h15min]

Kanato caminhava em linha reta pelo telhado da mansão, pouco preocupado se poderia tropeçar e acabar caindo. Na verdade, essa preocupação sequer passava por sua cabeça. O garoto andava desajeitado, contando seus passos enquanto segurava firmemente o urso de pelúcia que levava para todo o lugar. Teddy parecia se divertir tanto quanto ele olhando a paisagem lá de cima e chegando à ponta do telhado. Kanato, sem dar tanta atenção à queda, equilibrou-se com apenas um dos pés, olhando para a vista que tinha do lado de baixo da casa naquela altura que havia chegado.

Voltou a sua postura normal e segurou Teddy em frente ao seu rosto, sorrindo meigamente enquanto ouvia o urso contar uma piada. Kanato soltou uma risada baixa e divertida, como se estivesse ouvindo um segredo.

Abaixou Teddy segurando-o novamente contra seu corpo, e olhou para o céu por alguns segundos.

— Teddy, daqui a pouco já vai amanhecer — puxou assunto com o pelúcia. — Sim, sim. Eu também detesto a luz do dia. O sol deixa tudo tão quente e abafado, fora que as melhores coisas são feitas no período da noite, ele não devia acabar assim — virou seu rosto novamente para Teddy. — Eu concordo, Teddy! A luz do dia é incomodativa, e as pessoas ficam muito ativas nesse horário... — exclamou com raiva, acalmando seu humor em seguida. — Mas eu gosto de ver as pessoas correndo em círculo. É legal olhar daqui de cima... Todos parecem formigas indo de um lado para o outro. E eu gosto de esmagar formigas, elas são pequenas e frágeis — continuou conversando com ursinho por um tempo. Mesmo que ninguém parecesse ouvi-lo, Kanato conseguia, isso bastava para ele. Teddy não precisava de ninguém além de Kanato. Será que com o urso de pelúcia de Aoi isso também acontecia? — O quê? Acha que devo dar um presente para Aoi, Teddy? — sorriu, parecendo gostar da ideia. As sugestões de Teddy no geral já eram muito boas. — Mas que ótima ideia! Se ela for uma das noivas de sacrifício... Ela tem que me escolher, né? Por isso devo tentar agradá-la de vez em quando. Mas com o que devo presenteá-la, Teddy? — aproximou a orelha da boca de Teddy, atento. — Perfeito! Eu irei dar um animal para ela. Ela deve se sentir sozinha aqui na mansão... Deve ser bom ter um amigo pra conversar. Ela vai ficar tão feliz que irá me amar para sempre!

O garoto penteou seus cabelos roxos com os dedos, soltando um suspiro convencido.

— Teddy, fique aqui vigiando pra mim — colocou-o sentado no telhado, ajeitando seu tapa-olho. — Eu vou procurar algo para dar pra Aoi. Guarde meu segredo, está bem? — virou a cabeça para o lado, com um jeito meigo.

Tempo depois, o mesmo garoto passava uma fita decorativa para presentes em volta do corpo de uma pequena pombinha que havia acabado de matar. Com uma expressão decepcionada, comentou:

— Você não deveria ter morrido tão fácil assim, pombinha — fechou a cara incomodado, apertando a barriga da ave com o dedo indicador. — Pensei que não tinha te acertado tão forte, mas parece que arranquei sua cabeça. Será que Aoi ficará incomodada com esse detalhe? — fez bico, pensativo. — Não. Ela irá gostar, tenho certeza. Mas pra garantir, irei preparar outra surpresa pra ela. Ela vai ficar feliz assim... — riu baixo, despenando o pombo.

Aoi andava pelo corredor, com o intuito de chegar até a sala de estar. Enquanto perambulava, escutou um som suave; espalhando melancolia pelo cômodo, com um agudo muito bem afinado. Encantada, e com a curiosidade à flor da pele, a garota parou em frente ao quarto de onde vinha o som, olhando pela porta aberta. O Sakamaki mais velho com o queixo acomodado no violino entrava em um ritmo suave e lento da música com uma precisão e a calma que não o faltava. Efetuava os acordes, deslizando o arco e pressionando seus dedos contra as quatro cordas do instrumento. Era um som lindo!

Shuu não era o mais educado dos irmãos — não que houvesse um que fosse a cortesia em pessoa, por assim dizer —, mas tinha que admitir que ele era um excelente musicista, além de ter um gosto musical bem refinado. Confessava não esperar tudo àquilo dele, mas mesmo um rapaz tão bruto, encontrava na música clássica um jeito nobre de se expressar.

— O que está fazendo aí? — ele indagou objetivamente, abrindo as pálpebras na direção da porta, onde Aoi continuava parada, parecendo sem graça por ele ter a notado.

— Desculpa, Shuu, não queria interromper sua música — falou. — Eu estava passando e te ouvi tocar... É um som tão lindo. Não sabia que você tocava violino.

— Gosta de violino? — arqueou minimamente a sobrancelha, ajeitando seus fones de ouvido.

— É meu instrumento musical favorito — confessou. Era um milagre ter uma conversa tranquila com Shuu sem ele a mandar para fora, estava até mesmo estranhando, mas poderia muito bem se acostumar com aquilo. — Há quanto tempo você toca?

— Desde pequeno. Mas fazia tempo que não segurava um violino, o último que tive foi quebrado por alguém — olhou para o lado, distraído. — Enfim. Encontrei esse entre alguns pertences antigos e abandonados no porão. Mas creio que perdi a prática como musicista.

— Não, de modo algum. Você toca muito bem...

— Valeu — agradeceu desinteressado.

— Ah, você está aí, Aoi! — Kanato falou entrando pela janela do quarto, o que a pregou um belo de um susto.

Aoi arregalou os olhos. Quando Kanato a via com um de seus irmãos costumava surtar por ciúmes, mas ele estava distraído pelo o que notara, pelo menos isso não aconteceria. Mas o motivo dessa animação dele a preocupava também, ele não ficava ansioso à toa.

— Eu trouxe um presente pra você — sorriu, escondendo algo atrás das costas.

A garota pareceu ainda mais preocupada ao perceber que as mangas de Kanato estavam sujas do que parecia ser sangue. Mesmo assim, a melhor opção era manter a calma e descobrir do que se tratava.

— Presente? Pra mim? — sorriu forçadamente, tentando parecer interessada. — Não precisava me comprar nada...

— Eu não comprei, eu capturei — estendeu as mãos mostrando a ave morta com um lanço vermelho na barriga. — É pra você. Gostou, Aoi? — sorriu empolgado.

Engoliu seco.

Não... Teria mesmo que dizer que gostou daquilo?!

Kanato perfurou todo o corpo e retirou a cabeça do bicho, Aoi que não estava acostumada a matar nem uma mosca, estava enojada e com pena ao mesmo tempo.

— K-Kanato, não é certo fazer isso — tentava encarar sem se sentir enojada. — Não precisava matar... A pombinha... Por minha causa...

Ele ergueu levemente os ombros, perguntando seriamente:

— Por quê?

— Como assim “por que”, Kanato?

— Ela iria morrer um dia de qualquer jeito, ter feito a morte chegar agora não faz diferença — falou, olhando para a pomba e apertando-a com um olhar frustrado. — Mas vejo que meu esforço não me levou a nada! Você não gostou, não é?

Ele já estava começando a ficar irritado, Aoi não podia permitir isso. Seria bem pior se ele ficasse frustrado. E pelo olhar de Shuu assistindo a cena de canto, ela notou que se falasse que não gostou, seria uma completa burrice naquela situação.

— Eu... Adorei! — disse o surpreendendo. Kanato pareceu um pouco mais aliviado, sorrindo sem mostrar os dentes. — Obrigada, Kanato. Nunca recebi... Um presente tão bonito — aspirou algumas vezes, tomando coragem para segurar o pombo. Só de sentir o sangue dele no meio dos seus dedos ou olhar seu corpo sem cabeça, já queria vomitar. Porém, não queria irritar Kanato. E por mais louco que ele tivesse sido, ele se preocupou em presenteá-la. Nunca seria o presente mais adequado, porém... Vindo dele parecia algo bom. Não é?

— Que bom que você gostou. Teddy vai ficar feliz... E agora você vai ter com quem conversar, além de Bunny.

Era impressionante a capacidade dele em ser adorável e estranho ao mesmo tempo. Miyamoto sorriu de lado, ainda tentando agir normalmente, o que não era seu forte.

— Essa... Era a surpresa que você tinha pra mim?

— Claro que não — aproximou ficando a centímetros de seu rosto. Ele estava com um sorriso bem travesso, como de uma criança prestes a aprontar alguma coisa, o que era bem visível já que no geral, ele se comportava mesmo como um garotinho. — Quero te levar pra um lugar. Você vai ir.

— Eu...

— Você vai ir — destacou. — Vou buscar Teddy para nos acompanhar — sorriu. — Estarei te esperando no jardim. Não demore, eu odeio esperar — disse desaparecendo.

— O que ele...? — balançou a cabeça negativamente, preocupada.

Shuu olhou para o pombo que ela tinha em mãos, passando o dedo indicador sobre o sangue quase seco que saía da ave e levando até os lábios. Aoi o encarou sem entender, ouvindo-o rir tão baixo quanto um murmuro.

— Não sei dizer se você é sortuda ou uma pobre coitada — constatou. — Se eu fosse você, guardaria bem isso. Kanato irá conferir se está cuidando bem do cadáver.

— Hã... — suspirou. — Está bem. Obrigada pela ajuda, Shuu.

— Não estou te ajudando por me preocupar com você. Estou garantindo que estará viva até eu sentir fome — estalou os dedos, guardando o violino e voltando a encará-la antes de ir até a porta. — Querendo ou não, seu sangue ainda tem um gosto fantástico — passou por ela, ligando a música não tão alta e ouvindo-a pelos fones. — Tome cuidado com Kanato. As coisas com ele podem ser... Intensas demais para humanos.

Seguia Kanato um tanto quanto preocupada. Além de estar matando aula ao lado dele, o que deixaria Reiji furioso, ele não falou em momento algum onde pretendia levá-la, e isso era terrível.

— Você está muito quieta, Aoi — comentou calmamente. — Está se sentindo bem?

— Estou... Mas você ainda não me disse onde estamos indo. Deveríamos estar na escola...

— Não se preocupe. Está tudo bem — para ele era fácil falar. — Escola não é necessário, apenas um atraso.

— Tem certeza? Acho que Reiji irá ficar irritado.

— Não importa o que Reiji irá achar disso — falou com a voz quase se alterando. — Você está comigo, é o suficiente. Não precisa de mais ninguém. Não é, Teddy? — parou de andar depois de um tempo, olhando para frente. — Chegamos.

— É aqui? — encarou. Não tinha nada perigoso, na verdade, era um espaço bem amplo, havia alguns brinquedos e barracas, parecia ser um circo abandonado. — Kanato, por que me trouxe aqui?

— Você faz muitas perguntas — olhou para ela, sorrindo levemente. — Para descobrir, você terá que entrar, né? — Aoi olhou em volta, não conseguia enxergar tão bem por conta do escuro, mas se assustou com o barulho de uma ave noturna que havia acabado de sair de uma árvore por perto. — Aoi, estou esperando — disse irritado com a demora, na metade do caminho que ela já devia ter cruzado.

— Já estou indo — o seguiu um tanto inquieta. Kanato abriu uma passagem em uma grande barraca de circo, onde parecia ser o cenário de apresentações, visto que havia vários holofotes ao palco e muitos acentos em volta. Ele virou a cabeça para o lado de dentro, como sinal para que ela adentrasse. Aoi fechou o punho e seguiu o caminho até lá.

— Eu adoro esse lugar — começou. — Lugares vazios e abandonados são tão bonitos. É como se, mesmo não tendo ninguém, as almas vagassem por esses espaços — colocou Teddy sentado na platéia. Aoi achava o ursinho bem estranho, às vezes Teddy parecia mover sua boca, simplesmente sorrir. Era difícil descrever sem parecer loucura ou coisa de sua cabeça. — Esse foi um circo especial, Aoi.

— Especial?

— Sim. Muitas pessoas que vieram até aqui, não saíram nunca mais — colocou as mãos para trás, balançando levemente os ombros como se estivesse envergonhado com alguma coisa. — Eu te trouxe aqui porque você é especial pra mim, quero te mostrar meus lugares favoritos no mundo. Vai ser tão divertido, eu posso fazer inúmeras coisas com você sem que você possa reclamar de nada.

— Kanato, se gosta de mim nesse sentido, deve saber que não é assim que as coisas funcionam. Isso não é relacionamento. É algo abusivo. Em um relacionamento não pode haver agressões ou exigências assim...

— Isso NÃO é importante agora, Aoi — interrompeu firmemente. — Eu não te trouxe aqui pra isso.

— Então para quê? Para chupar meu sangue? — provocou, ousada.

Ele abaixou a cabeça, suspirando.

— Eu detesto suas provocações e seu ar de deboche — aproximou, puxando o cabelo dela para trás. — Não irei provar seu sangue. Não ainda.

— Então...? — Kanato acertou-lhe um golpe na cabeça, fazendo-a desmaiar.

Dor. Leve, mas ainda assim, dor. Aoi sentia seu corpo pressionado, e sua testa dolorida com o golpe que recebeu. Abriu os olhos pouco a pouco, tentando identificar o local em que estava.

Aoi, não pode se dar ao luxo de lutar ao lado dele. Você deve proteger as pessoas dessas aberrações, não se juntar a elas. Você e qualquer um dos Sakamaki’s, são inimigos naturais” — ouvia uma voz dizer repetidamente, mas mesmo assim, não conseguia reconhecê-la.

De onde estava vindo?

— Quem está... Falando?

— Uh? — Kanato se aproximou. — Ah, você acordou Aoi.

— O que você estava falando? — indagou fraca.

— Eu não sei do que está falando, só agora vi que acordou — sorriu. — Você deve estar delirando. Pobrezinha. Desculpe, não devia ter te acertado tão forte. Não fui cavalheiro, e irei compensar minha falta de modos com você — abaixou-se, lambendo a testa dela.

Ela ergueu o pescoço assim que ele se afastou, e foi naquele momento que percebeu que seu corpo estava amarrado e virado de ponta cabeça, e ainda estava naquele circo terrível em que Kanato a levou. Seu corpo parecia ser pendurado como uma cruz invertida.

Tentou se soltar, falhando miseravelmente.

— Kanato! Solte-me, por favor — disse se sacudindo. — O que pensa que está fazendo?! Tire-me daqui agora!

Kanato se virou indo até uma pequena banca com umas facas, encarando Teddy do auditório antes de voltar a olhar para Aoi mirando uma das facas ao alvo em volta dela.

— Esse era um dos espetáculos mais famosos do circo: — ele falou, empolgado. — O arremesso de facas. Sempre achei interessante como a assistente nunca era atingida por uma das facas. Sabe, eu estava louco pra testar minha mira também — lançou contra o alvo, acertando perto do braço da garota, mas ainda assim, atingindo a madeira.

— Kanato... Não faça isso...

— Por que não? Teddy está se divertindo — pegou outra faca. — E você também irá gostar se der uma chance ao jogo — continuou a mirar e jogar as facas com tudo, rindo alto. Aoi tentava ao máximo encolher seu corpo e não se mexer, mas o desesperado já estava tomando conta quando seu pé esquerdo foi atingido de raspão.

— CHEGA! — a garota gritou, o que pelo incrível que pareça, o fez abaixar a faca que tinha em mão. — Não sei se na sua cabeça isso é normal, mas Kanato, isso é doentio! Como pode achar que irei gostar de você se fizer isso comigo? Você me deixa desesperada. Eu não gosto do que você faz, e está muito enganado se acha que irei deixar você fazer o que bem entende comigo. Se foi assim com suas outras parceiras eu não sei, mas comigo não será! Eu não irei morrer pra cumprir um de seus caprichos. Seu mimado!

Kanato ficou quieto por mais tempo que ela esperava. Aoi não negava que seu coração estava bem mais aliviado dizendo tudo aquilo, foi uma descarga emocional tão grande que não houve tempo de temer o que ele viesse a fazer.

Mas uma coisa era certa: nem Kanato e nem Teddy estavam com uma expressão agradável.