Technocracy
5 Kapitel 4 - Begegnung
Helene nem ao menos olhara antes de atirar. Ela foi guiada pela porta. Assim que ela se abriu a jovem atirou.
Mas se ela tivesse olhado antes aquele líquido vermelho não estaria pingando agora no chão da casa.
— Gaaaaaah! — um grito. Simultaneamente a pessoa que gritou levou a mão esquerda ao ombro direito, onde Helene havia acertado.
Para a sorte daquela pessoa Helene não era uma boa atiradora então o tiro pegou apenas de raspão.
Um homem alto estava parado perto da porta, com a mão no ombro direito. Ele usava um sobretudo preto que só deixava à mostra as botas pretas. Parecia algum dos rebeldes. Tinha a pele morena. O cabelo castanho-claro se estendia até pouco abaixo do ombro. Ele olhava para Helene com aqueles olhos negros profundos.
Provavelmente o grito de antes foi mais de susto do que de dor. Ele parecia bem calmo, apesar de Helene continuar apontando a arma para ele.
E, claro, as mãos dela continuavam tremendo.
O homem lançou um olhar sério para Helene, e ela pressionou ainda mais a arma. Seus dedos estavam quase brancos de tão forte que ela estava segurando a arma. Mas as mãos dela continuavam tremendo e ela sabia, muito bem, que não conseguiria atirar.
— Então é você mesma. — o homem pegou um computador de bolso e olhou da tela do computador para Helene tentando confirmar alguma coisa. Só então ele prosseguiu. — Você é Helene. — ela deu um passo para trás. Queria ficar longe daquele homem. — Estranho, estranho. Você não tem um sobrenome, e tampouco este nome é alemão. O que significa que... — ele caminhou até Helene, e ela apenas recuava instintivamente.
Mas aquele recuo tinha um limite: a parede; E assim que as costas de Helene encostaram-se na parede ela segurou com força a arma na frente do rosto. Isso, porém, não impediu o homem de prosseguir. Ele segurou a mão de Helene.
— Você é uma forasteira. — ele lançou um olhar severo para Helene e um barulho de tiro ecoou pelo quarto.
Helene havia atirado novamente, mas o tiro acertou apenas a parede ao lado. O homem continuava segurando as mãos de Helene e impedindo que ela mirasse nele.
Ele sabia que mesmo que ela fosse uma péssima atiradora era impossível que ela errasse um tiro àquela distância. Eles estavam próximos demais.
— Eu não posso estar errado. A descrição bate, o nome bate. Até mesmo a personalidade bate. Você é Ela.
Helene não estava entendendo mais nada. Ela olhou para onde a garotinha de antes estava, ela provavelmente estava muito mais assustada com tudo o que aconteceu.
Mas a garotinha não estava em nenhum lugar naquela sala. Ela desaparecera. Helene não sabia como. Talvez a garotinha nunca estivesse ali, para começar. Ela não sabia. Ela não queria pensar sobre isto.
— Você é Ela não é?
Helene não sabia. Ela nem ao menos sabia de quem aquele homem estava falando.
— Não é? — ele estava ficando impaciente. Ele apertou a mão de Helene mais e mais forte.
— Ughh. — ela gemeu e a arma caiu no chão.
— Responda! — ele pressionou o corpo dela contra a parede.
— E-Eu não sei do que você está falando. — era possível ver o medo nos olhos da jovem. Ela estava tremendo.
O homem deu um longo suspiro, pegou a arma no chão, então se levantou. Helene não tinha a mínima idéia do que estava acontecendo. Ele caminhou até a porta e se virou novamente para Helene. Ele tinha uma expressão um pouco mais suave no rosto.
— Parece que você perdeu as memórias. — ele fez uma pausa. — Não, perdeu não seria bem a palavra certa. Você apenas não consegue se lembrar. — ela fez uma cara de quem não estava entendendo nada. — Mas vamos deixar isso para uma outra hora. Mais importante agora... — ele fez uma pausa e lançou outro olhar severo para Helene. — Foi você quem matou o diretor geral de Segurança da Informação, Klaus Schieffler, não foi?
Helene levou a mão à boca para suprimir um grito. Ela nem ao menos sabia que aquele homem fora assassinado. E depois, ela seria a última pessoa que mataria aquele homem. Ela não tinha motivos. Ele fora o mentor de Helene. Ele era como um pai para Helene.
Mas se ele estava acusando Helene deste crime. Talvez fosse por isso que aquele robô a estava perseguindo mais cedo. Assim que ela se lembrou do robô ela começou a se perguntar onde ele estava. Ela tinha certeza de que ele havia arrombado a porta.
— Na sua ficha constam dois assassinatos: Jörn Anhert e Klaus Schieffler. — ele continuou. — Eu sei que não foi você quem matou Jörn, mas não tenho certeza quanto a Klaus. Foi você, não foi?
— E-Eu nunca faria uma coisa dessas!
— Entendo, entendo. Então o conselho está atrás de você... mas isso seria... — ele se calou assim que percebeu que estava pensando auto demais. — De qualquer forma temos que sair daqui. Não vai demorar muito para que eles mandem outro “lixeiro”.
— Hmpf.
— Você tem duas escolhas: Ir comigo, ou morrer aqui.
— Como se isso fosse escolha. — ela murmurou, mas se levantou e começou a seguir o homem.
*****
Jürgem estava andando de um lado para o outro no quarto. Ele estava impaciente. Muito impaciente.
— Ela não pode ter feito isso. — ele pensava alto. — Ela não pode ter feito isso. Impossível.
Então ele parou de repente e correu novamente para o computador.
— Eu me esqueci completamente. Aquele e-mail que Helene recebeu mais cedo. Só pode ser isso.
Antes que o jovem pudesse digitar qualquer coisa sua atenção foi completamente roubada.
— B-Biene!? — ele olhava surpreso para a jovem à porta do seu quarto. — O que aconteceu!?
A mão esquerda de Sabine tentava inutilmente parar o sangramento do seu braço direito. Embora não fosse nada muito sério, a manga da blusa estava bastante manchada de vermelho.
— Você deveria saber. — ela lançou um olhar mais sério para o jovem de cabelos coloridos e ele deu um longo suspiro. — Você armou isso, não foi? — ela pegou alguns papéis dentro do casaco. — Você... você matou o Jörni. — ela bateu com força contra a mesa, ainda segurando os papéis. — Você não podia... não podia ter feito isso... você... — a voz dela estava tremendo. Os olhos dela cheios de lágrimas, mas ela se esforçava para segurá-las.
Ela não queria chorar na frente daquele garoto.
Jürgem se levantou e foi para a outra sala. Ele nem olhou para Sabine.
— Vou fazer um chá para você se acalmar um pouco. Acho melhor conversarmos aqui na sala, também. — ele disse mais calmo do que o normal.
Sabine tentou se acalmar um pouco também e foi se sentar no sofá da sala. Jürgem fez um pouco de chá para os dois e trouxe algum tempo depois. Sabine estava impaciente.
— Você está tirando conclusões precipitadas, Biene. — ele disse colocando um pouco de chá na xícara da jovem, então começando a encher a dele. — Eu não tenho nada a ver com isso. Jörni praticamente se suicidou.
— N-Não minta!
— Ora, ora. Se acalme. — ele se sentou no sofá de frente para Sabine. — Tome um pouco de chá. Vai ser impossível ter uma conversa assim, não acha. — ela não disse nada, então ele continuou. — Ele estava interessado em uma informação, eu só expliquei a ele como conseguí-la.
— Então...
— Mas não foi ele quem roubou aquelas informações. Isso eu posso lhe afirmar com certeza. — ele fez uma pequena pausa, para provocar a jovem à sua frente. — Alguém está brincando conosco. Estão jogando. No fim, nós somos apenas marionetes que fazem tudo o que nos mandam.
— Onde você quer chegar...?
— Hmm... precisamos falar de algumas outras coisas primeiro. Sobre ela, principalmente.
— Ela...?
— Ai, ai. Vai ser mais longo do que eu imaginava. Pois bem, vamos começar do início, então. — ele colocou a xícara sobre a bandeja na mesinha de centro. — Ainda há tempo de desistir, esta história é algo que você, com certeza, não gostaria de ouvir. Ainda mais em um tempo como este.
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