Technocracy
6 Kapitel 5 - Welt
Helene e o moreno caminhavam pelo lado oeste de Licht. Pelo que Helene conhecia daquele lugar, e não era muito, parecia que eles estavam indo para a área 12. Ela não gostava muito daquele lugar. E para piorar, aquele lugar era onde se encontrava a maioria dos rebeldes.
Durante o caminho Helene tentou fugir algumas vezes, mas foi em vão. E ela continuava andando com o moreno, do qual ela não sabia o nome. Da última vez que ela perguntou ele disse:
— Meu nome não é importante. E não faça perguntas sem sentido de novo.
Eles andaram por mais alguns minutos, até chegar à área 12. As ruas daquele lugar sempre estavam cheias de pessoas. E pessoas suspeitas. Eles olhavam para Helene de soslaio.
Ela sabia que seria assim. Ela era uma das Agentes de Segurança Digital mais conhecidas. E aquele lugar estava cheio de pessoas que cometiam crimes contra o conselho. Eles só poderiam imaginar que ela estava ali para investigar alguma coisa.
Mas talvez por que ele estava ali, aquilo não passava dos olhares maldosos que eles lhe dirigiam.
Eles continuaram caminhando até um prédio no final daquela rua. O estado do prédio não era dos melhores, as construções na área 12 raramente recebiam reformas.
Os dois entraram e subiram para o 35º andar. O penúltimo naquele prédio. O moreno foi até uma das portas, apartamento 3502, e a abriu. Dentro do apartamento não havia muita coisa. A sala estava um pouco empoeirada, as janelas fechadas, os móveis desarrumados. Parecia não ser usado por muito tempo.
— Sente-se, por favor. E desculpe-me pelo estado do apartamento, eu raramente venho aqui. — ele indicou o sofá a Helene. Ela limpou um pouco da poeira antes de se assentar.
O moreno se sentou de frente para Helene e ficou encarando-a por um tempo, em silêncio. A jovem começou a ficar nervosa. Ela não tinha a mínima idéia do que estava passando pela cabeça do moreno agora. E sua mente só conseguia pensar nas piores hipóteses.
— Você não se lembra de nada do seu passado, não é? — ela concordou.
Não que Helene não conseguisse se lembrar de nada do passado, mas algumas partes da sua memória eram um completo vazio.
— Parece que eles apagaram sua memória, então...
— Olha! Sobre o que diabos você está falando!?
— Ora, ora. Se acalme. Você ao menos se lembra do que aconteceu há alguns anos, não se lembra?
— Aquele... massacre?
— Exato. Um grupo de rebeldes conseguiu hackear o sistema do conselho e roubou informações valiosas que eles esconderam de nós todos esses anos.
— Informações valiosas. — ela disse em um tom irônico. — Não há nada nos computadores do conselho.
— Informações sobre esse mundo... e sobre nós. E principalmente, a verdade sobre a “guerra”. Os rebeldes conseguiram essas informações e estavam planejando um ataque contra o conselho. Foi quando eles perseguiram e assassinaram todos os rebeldes. Ou, ao menos, era o que eles pensavam.
— E você é um dos rebeldes, então?
— Huhuhu. Não. Eu não tenho nada a ver com aquilo.
— Mas você parece saber bastante sobre isso.
— Você deveria saber também... se eles não tivessem apagado sua memória.
— O que...!?
— Está na hora de irmos. Eles já nos encontraram aqui.
— Hã!?
— Você não acha que o conselho deixaria pessoas conversando calmamente sobre assuntos assim, acha? Vamos para um lugar mais seguro. Eu só tenho que pegar uma coisa antes.
Helene e o moreno saíram do apartamento e desceram as escadas. Eles caminharam por uma rua estreita, rodeada por construções que pareciam abandonadas. Eles viravam em mais ruas estreitas que pareciam iguais. Talvez por que aquele lugar todo parecesse abandonado.
*****
— Depois da guerra nuclear, a raça humana foi quase dizimada. — Jürgem disse, depois de tomar mais um gole de chá.
— Eu sei disso.
— Não. Não sabe. — o jovem estava longe daquele Jürgem alegre e afeminado de sempre. Ele parecia outra pessoa. — Tudo o que você sabe a respeito disso não passa de mentiras inventadas pelo conselho. Eles implantaram memórias falsas em todas as pessoas.
O jovem colocou a xícara de chá sobre a mesinha de centro.
— Depois da guerra, a raça humana foi quase dizimada. A atmosfera do planeta estava cheia de toxinas e radiação. Para que os humanos sobreviventes continuassem vivos eles criaram os domos. E o ciclo da vida continuou, com humanos se reproduzindo e voltando às suas vidinhas pacatas. — ele riu.
— O que tem de engraçado nisso?
— Os humanos nunca pensaram em construir domos.
— O quê!? Mas então...
— Nós somos humanos criados artificialmente. A raça humana foi extinta há anos atrás. Nenhum sobrevivente foi encontrado depois da construção dos domos.
— Hmpf. Se for assim, quem foi que nos construiu?
— Antes da guerra, havia um projeto de alguns cientistas para a criação de humanos artificialmente. Esses foram os únicos sobreviventes da guerra. O organismo deles era muito mais resistente às toxinas e à radiação. — ele se levantou. — Os sobreviventes construíram os domos e continuaram o projeto dos cientistas, eles aperfeiçoaram o projeto e chegaram à ultima geração de humanos artificiais: nós; Infelizmente, nem com todos esses anos eles foram capazes de consertar o principal defeito dos humanos artificiais.
— Principal... defeito?
— Nenhum dos humanos artificiais... pode se reproduzir. — Jürgem se levantou e foi até o quarto, voltando depois com o que parecia um computador de mão. — É a triste verdade. Mesmo depois de todos esses anos eles não conseguiram encontrar nada para consertar isso.
— M-Mas... e todas as pessoas que ficaram grávidas e... minha mãe... e...
— Todas elas morreram assim que a criança nasceu, não é?
— S-Sim... pensando nisso agora... todas morreram após o parto.
— Elas nunca estiveram grávidas de verdade. Para que a humanidade não seja extinta, eles continuam o desenvolvimento de humanos artificiais. E para que ninguém desconfie, eles implantam uma bactéria que se desenvolve no útero. Quando chega a hora, eles trocam a grávida pelo filho.
— Uma... bactéria...?
— Uhum. Bem, mas com tanto tempo se desenvolvendo, os danos são irreversíveis, e eles são descartados. Mas isso deve acabar em breve. Talvez a próxima geração seja capaz de se reproduzir.
Jürgem foi para trás de Sabine e colocou o computador de mão perto do pescoço dela. Brilhando em azul estavam alguns números e letras.
— RL-1259. — ele leu em voz alta. — Acho que você sabe demais agora.
— Quem é você? — ela estava com medo. Ela queria sair dali. Mas seu corpo simplesmente não se movia.
— Eu...? Ora, ora. Você deveria saber. Afinal, fui eu quem a criou.
— Você... me criou?
— Uhum.
O jovem pegou uma arma de um dos bolsos do casaco e apontou-a para a cabeça de Sabine.
— Assim, eu tenho todo o direito de te destruir também. Não é?
Ele apertou o gatilho. O corpo de Sabine caiu para frente, sobre a mesinha de centro. O sangue vermelho escorria do corpo da jovem e se misturava com os cacos de vidro, agora espalhados pelo chão.
— Ora, ora. Você fez uma bagunça aqui, não é? — ele riu, depois pegou o telefone e discou alguns números. — E então?
— Nada ainda. — a voz do outro lado respondeu.
— Vocês são tão lentos. — ele disse se jogando no sofá. — Peguem ela agora!
— Estamos fazendo todo o possível.
— Então façam o impossível! E tragam ela viva! — ele disse realmente irritado e desligou o telefone.
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