Technocracy
4 Kapitel 3 - Mörder
Helene chegou ao bar que Jürgem falara: Liebe; Ela não entendia porque alguém colocaria esse nome em um bar. Definitivamente, vida era algo que não combinava com aquela atmosfera.
A jovem foi até o balcão. Helene conhecia o amigo de Jürgem, mas não gostava muito dele.
— Olha quem temos aqui. Helene.
— Boa tarde para você também Hans. Eu só vim aqui buscar algumas peças que o Jürgem pediu.
— Ah, claro. Eu vou buscá-las.
Ele entrou em uma porta nos fundos da loja. Não demorou muito e ele voltou com uma caixa e uma sacola e as deixou em cima do balcão.
— Como anda o Jürgem? — Ele perguntou com um pouco de receio.
No passado Jürgem e Hans tiveram um caso e o jovem de cabelos coloridos acabou saindo realmente machucado daquela relação. Ele chegou até mesmo a pensar em suicídio.
— Não é da sua conta — Ela disse irritada, então pegou as coisas e saiu da loja.
A rua estava um pouco deserta, mas uma coisa chamou realmente a atenção de Helene: uma pessoa parada do outro lado da rua. Aquela pessoa olhava atentamente para todos os lados na rua, quando seus olhares finalmente pararam em Helene.
Não. Aquilo não era uma pessoa.
— Auto... bot? — ela murmurou para si mesma, mas ela sabia que aquilo também não era um auto-bot.
Ela ignorou aquilo e começou a andar até o lugar onde estacionara o carro. Virou à esquerda na esquina e andou mais alguns metros; o estacionamento ficava no outro quarteirão, mas então ela virou à direita na outra esquina, indo na direção oposta.
Aquilo que ela vira mais cedo a estava seguindo. Ela sabia disso. Mas ela não sabia ainda o que a estava seguindo.
Virou à esquerda em uma rua estreita e escura, então olhou discretamente para trás. Não havia ninguém ali. Talvez fosse apenas alguma coisa da sua cabeça. Depois de ver uma coisa daquelas no apartamento de Jörn ela não ficaria tão surpresa se tudo isso fosse sua mente lhe pregando peças.
Helene andou um pouco mais calma, então se deparou com uma parede; era uma rua sem saída. Ela olhou novamente ao redor. Não havia ninguém naquela rua além dela, estava certa disso, mas ela sentia que alguma coisa estava atrás dela. Ela não sabia porque, mas ela podia sentir. E dessa vez, ela tinha certeza que não era apenas sua cabeça. Era por isso que ela não queria voltar por aquela viela e ir ao estacionamento. Devia ter outro jeito.
Infelizmente ela não conhecia muito bem aquela área.
Helene olhou ao redor, quando um som metálico foi ouvido na viela. Alguma coisa deveria ter caído. Ela olhou na direção do som; caído no chão estava uma latinha de cerveja que continuou a rolar até parar perto do pé de Helene.
Ela pegou a latinha. Em um dos lados ela estava manchada de vermelho profundo. O líquido carmesim escorria pela latinha de cerveja e caia no chão, bem perto dos pés de Helene. O olhar dela se direcionou para frente em um impulso. Havia o corpo de um homem no chão. E mais à frente, aquilo que estava a seguindo mais cedo.
Ela se lembrou o que era aquilo. O robô responsável pela segurança da cidade. Na verdade, ele era uma espécie de “lixeiro”, que cuidava de dar um fim nas pessoas da lista negra do Conselho.
A respiração de Helene estava descontrolada. O coração dela batendo rápido. Ela olhou novamente para a cena à sua frente. Aquele robô continuava parado ali, imóvel. Talvez aquele homem fosse o alvo dele. Mas o lixeiro continuava ali, parado. E o pior: ele estava olhando para Helene.
Sem pensar a jovem atirou na porta ao seu lado e a forçou para entrar. O lugar estava escuro e, provavelmente, vazio. Ela não tinha certeza, mas isso não importava agora. Empurrou a primeira coisa pesada que cruzara sua visão. Isso deveria segurar a porta por um tempo, já que o sofá estava posicionado perfeitamente para completar a barreira. Talvez aquilo o que tenha empurrado fora uma escrivaninha, ela não tinha certeza, mas isso também não importava.
Helene se sentou no chão, recostando-se na parede. Um longo silêncio se seguiu. O pensamento daquela coisa não estar atrás dela passou diversas vezes por sua cabeça. Talvez fosse só a imaginação dela tentando pregar peças. Tinha de ser isso. Ela não fizera nada para entrar para a lista negra do Conselho.
Ou fizera?
Teve aquele problema com Jörn e Kirstin. Mas não deveria ser isso. Não podia ser isto.
Ela respirou fundo, tentando se acalmar, mas a respiração dela continuava alterada. O coração dela continuava a bater rápido, era tão forte que ela conseguia até mesmo ouvir isto. Nessas horas, o silêncio estava começando a incomodar um pouco.
Os olhos dela percorreram mais uma vez aquele lugar escuro. Deveria ser alguma casa abandonada. Ou talvez o dono apenas não estivesse em casa. Mesmo assim, ela sentia que havia algo estranho naquele lugar. Alguma coisa estava errada. Ela não sabia o que era e também não tinha vontade de se levantar para ver o que era. Só queria que aquela coisa fosse embora para que o pesadelo terminasse logo.
Sons de passos ecoaram alto por causa do silêncio assustador. Eles não vinham de dentro da casa; vinham do lado de fora. E então, repentinamente eles pararam. O silêncio incomum voltou a reinar. Mas foi só por alguns segundos. Um som ainda mais alto ecoou.
— Aaaaaah! — Helene gritou, se levantando e se afastando da parede.
Ela correu para longe da porta, mas ela acabou tropeçando na mesinha de centro; o lugar estava realmente escuro. Os cacos do vidro da mesinha de centro estavam espalhados pelo carpete.
Os sons de tiro continuavam. E seguindo esses, o som de algo batendo forte contra alguma coisa de metal. Provavelmente o robô contra a porta.
Helene sabia que tinha de sair dali. As batidas contra a porta continuavam. Mesmo com todas as coisas na frente da porta, ela sabia que o robô a arrombaria em pouco tempo. Levantou-se e correu, sem saber para onde ia. Seu braço estava doendo. Então entrou em uma porta, no fundo da sala.
A jovem tentava recuperar o fôlego. Por algum motivo sentia um estranho sentimento de nostalgia naquele lugar. Ela se perguntava se já estivera ali antes. Os olhares da jovem foram roubados por alguma coisa no canto do quarto. Uma garotinha, que parecia assustada.
— Você... está bem? — Helene disse se aproximando daquela garotinha.
Mas ela não respondeu. Continuava encolhida no canto do quarto e parecia chorar.
— Temos que sair daqui. Aquela coisa vai matar qualquer um no caminho — Helene disse pegando a mão da garotinha, mas ela não se levantou; continuava pressionando o corpo contra a parede.
Helene ouviu o som de alguma coisa de metal batendo fortemente contra o chão. A porta deveria ter sido arrombada, afinal. Elas não tinham muito tempo para sair dali. E pior, a única porta naquele quarto era a que dava para a sala. Estavam em um beco sem saída.
A Agente olhou para a garotinha novamente. Apesar de escuro, ela conseguia ver claramente o rosto daquela menina. Ela se parecia com Helene. Mais do que isso, ela fazia Helene se lembrar de coisas que tinha certeza de nunca ter visto antes.
Talvez seja isso o que eles chamam de deja vu?
Ela pensou e deu um longo suspiro. A casa estava em silêncio. Um silêncio que não era normal. Talvez aquela coisa estivesse apenas esperando. Ou analisando o lugar para procurar fontes de calor.
Deveria ser isso. Só poderia ser isso. Em pouco tempo aquela coisa iria entrar por aquele quarto e atirar nas duas pessoas ali.
Helene soltou a mão da garotinha e pegou sua arma, apontando-a para a porta. Assim que a porta se abrisse ela teria apenas uma chance para destruir aquela coisa. Só havia um pequeno problema neste plano. Helene não era muito boa com armas. Ela tinha uma péssima pontaria. E como se isso não bastasse, aquela coisa era bem resistente e tinha apenas alguns pontos fracos. E Helene não sabia se conseguiria parar aquela coisa com apenas um tiro.
Mas uma coisa é certa. Uma vez que a porta fosse aberta ela não teria uma segunda chance. Ela tinha que acabar com isso em um tiro. Respirou fundo. Suas mãos estavam tremendo. Ela precisava se acalmar ou não conseguiria nem ao menos acertar o tiro.
Tentou se acalmar, novamente. Seu coração continuava batendo rápido. Sua respiração continuava alterada. E suas mãos continuavam tremendo. Mesmo assim ela apontou a arma para a porta. Calculou, mais ou menos, a provável localização do ponto fraco daquele robô.
— Droga — ela murmurou. Suas mãos continuavam tremendo.
Ela segurou a arma com mais força. Colocando toda sua esperança naquele tiro.
Tem que funcionar. Tem que funcionar. Tem que funcionar.
Ela continuava repetindo aquelas palavras mentalmente. Mas suas mãos não paravam de tremer. Então a porta se abriu bruscamente e fez um alto barulho ao bater na parede. Mas um barulho ainda mais alto foi ouvido no quarto. Helene havia atirado assim que ela se abriu.
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