Team Reset
15 O passado perturbador de Miki e Rin.
– Akamatsu-kun... Sua irmã mais velha despertou...
E assim, Shishi recebeu a noticia na qual esperava havia alguns dias. O Jikan Gaeshi, feitiço usado pela Chefe para fazer o tempo voltar e assim trazer a irmã dele de volta. O custo de energia requerido pelo feitiço era imenso, portanto, o corpo de quem seria afetado pela magia levaria um tempo para se recuperar. Deixando tudo isso de lado, o garoto sentiu sua convicção se abalar levemente, sabia que aquele momento chegaria, e provavelmente teria de lutar com ela, ainda que fosse a ultima coisa no mundo que pretendesse fazer. Rin segurou o rosto dele com os dedos sorrindo. – Quer mesmo ir, Akamatsu-kun? Dessa vez você não precisa ir se não estiver em condições. – Ele fez um gesto negativo com a cabeça, levou as mãos até os bolsos do casaco e sorriu. – Não se preocupe. Pra mim, você não é a pessoa que falam... Você não é o mal absoluto, dentro de você há justiça. Se não houvesse, nenhuma oferta teria sido feita pra mim. Além disso, eu decidi acreditar nessa sua justiça, se eu não fizer isso, estarei traindo tanto a mim quanto a você.
Com isso, Rin sorriu e deu um beijinho de leve na bochecha dele, fazendo-o ficar um pouco vermelho. – Obrigado. E então, pretende vê-la das sombras? – Fez mais um gesto negativo, conforme ia em direção a janela olhou para a floresta em volta da construção. – E, além disso, Rin-san... Eu sempre tive vontade de te perguntar algo... – Fez-se um silêncio, Shishi interpretou como um sinal de resposta para prosseguir com a pergunta. – Você e a Miki brigaram por algum motivo? Pelo que eu vi da ultima vez, vocês não pareciam inimigas de verdade. – Ela abriu um sorriso maior, colocou a mão na cabeça do garoto, empurrando-o suavemente, em seguida andou em direção a porta. – Você saberá logo logo, Akamatsu-kun. Venha comigo, está na hora... De nós resolvermos alguns assuntos pendentes. – O garoto a seguiu, tinha a certeza que em poucos minutos, conseguiria as respostas para as suas perguntas.
Naquele mesmo instante, A diretora estava em sua própria casa, junto com Kaya e Akayuri, discutindo sobre os últimos incidentes. Estava na cara que todas estavam bem decepcionadas pelo fato de Shishi ter realmente passado para o lado inimigo, sem sequer explicar as suas devidas razões, embora Miki tivesse suas suspeitas e precisasse apenas de uma confirmação. A samurai olhou para o chão e cruzou os braços. – O Shii-kun não tem mais jeito, não é? Então o único meio agora é... – A porta da sala se abriu, o que foi estranho, mais ninguém naquele momento conseguiria abrir a entrada, com exceção de Kai. Porém, ele havia sumido sem dar notícias desde a luta contra Shishi, e isso causou uma grande surpresa, afinal, a pessoa que havia entrado era uma pessoa totalmente inesperada. – Hm? O que tem o Shii-chan? Único meio de quê? – Todas as três se viraram, totalmente perplexas pela voz inesquecível de Hanako. Podiam jurar que ela estava morta, ficou claro que o corpo da jovem tinha desaparecido no momento em que foi atingida pelo golpe dos outros Agentes. A diretora correu para dar um forte abraço na sua amiga, deixando-a praticamente sem ar. Parecia até mesmo querer soltar uma lágrima ou outra, mas deveria manter sua postura como líder. – Por que isso, Miki-chan? Aconteceu algo enquanto estive dormindo? – Miki arregalou um pouco os olhos... Dormindo não era uma boa definição para o ocorrido. – Você não se lembra de nada, Hana-chan? – Hanako ergueu uma sobrancelha, não se recordava de absolutamente nada. Levaram alguns minutos para explicar totalmente o que tinha acontecido, a irmã mais velha até entrou em choque ao ouvir tudo.
Kaya estava quieta até então, já que havia sido um baque tão grande a antiga perda de Hanako, elas eram bem próximas... E a própria mulher era a favor da relação dela com Shishi. – A Hanako-san está viva... Como? – A Diretora estava pensativa. Foi até a estante cheia de livros na diretoria e pegou um deles, começou a folheá-lo rapidamente, logo sua expressão se tornou bem séria e ela fechou o livro. – É como eu imaginava... O método que a minha irmã usou para trazer a Hana-chan de volta vou um feitiço chamado “Jikan Gaeshi”, como o próprio nome já diz, ele é usava para reverter o fluxo do tempo. Entretanto, a quantidade de energia é imensa. E isso explica aquela energia no local próximo. E tenho quase cem por cento de certeza... O Akamatsu-kun fez isso para trazer a Hana-chan de volta a vida. – O Choque das garotas não foi tão grande quanto deveria ser, estava um pouco óbvio que Shishi tinha se aliado aos seus inimigos para conseguir algo... A vida de sua irmã de volta, e agora que conseguiu, ficava a grande dúvida, por que continuava se mantendo como inimigo delas?
Miki olhou para o relógio na parede do local e suspirou, guardou o livro de volta na instante e andou para a saída. – Tudo será resolvido agora... Finalmente chegou a hora... De nos encontrarmos de verdade depois de tanto tempo. – Ela olhou para a porta e encostou a mão nela, como se estivesse hesitando em abri-la. Virou um pouco o rosto para sua face ficar a vista. Mostrava um sorriso no rosto, algo bem contraditório diante da situação atual. – Akimoto-san, fique aqui e descanse. Você não se recuperou totalmente da luta contra aqueles dois. – A garota queria protestar, mas não havia escolha, sentia-se um pouco exausta, embora sua cabeça se mantivesse fixamente no que estava para ocorrer.
Assim, Shishi, Hanako e Akayuri seguiram as gêmeas até chegarem numa praia deserta. Tudo estava relativamente normal até os dois irmãos baterem os olhos um no outro. A força de vontade do garoto desabou... Era agora um inimigo e deveria apenas manter sua pose, mesmo que não fosse atacá-la de jeito nenhum. A primeira a tomar uma atitude foi Miki. – Após todo esse tempo... Eu não esperava que nossa reunião acontecesse dessa forma. – Rin abriu um sorriso, quase uma gargalhada. Olhou para quem estava ao redor delas. – Estou vendo... E também reunimos um bom numero de pessoas também, não é? – A diretora encarou-a ainda com uma expressão séria. – Por que escolheu o Akamatsu-kun? – A Chefe da Organização fechou os olhos diante da pergunta, continuou sorrindo e cruzou os braços. – Direto ao ponto como sempre, não é? E não entendo o motivo de tal pergunta, você deveria saber muito bem o motivo de escolhê-lo.
Miki ergueu uma sobrancelha e ficou levemente surpresa, era algo do passado que aparentemente ainda afrontava sua irmã. – Não diga que... Foi por culpa daquilo? – Rin assentiu discretamente, então ergueu a mão direita e manteve seu olhar nela, como se aquela parte do corpo lembrasse algo que lhe aconteceu. – Sim. E eu escolhi o Akamatsu-kun exatamente por ele ser totalmente diferente do que as pessoas normalmente são... Ele é leal e confiável, para mim isso basta. – A de olhos castanhos sentiu sua fúria aumentar levemente, cerrou os punhos e andou alguns passos para frente. – E para isso você atacou a Hana-chan?
– Sobre isso, devo dizer que foi algo não esperado por mim... Uma obra dos meus outros três agentes... Eles decidiram atacá-la por conta própria. Eu apenas ofereci um meio ao Akamatsu-kun de trazê-la de volta. – Enquanto falava, até mesmo Hanako estava perdendo a cabeça, logo invocou seu tridente, bem como Akayuri. A Samurai invocava sua katana e as chamas cresciam lentamente em sua lâmina. Correram para cima da chefe, sendo impedidas por Shishi. O garoto recuou um pouco, notando-se que ele ainda sentia os ferimentos da batalha anterior. – Vocês não vão atrapalhar. Essa luta é apenas delas... Se quiserem um oponente, eu estou aqui.
E com isso, Hanako ficou boquiaberta com a atitude do irmãozinho. Perguntava-se para onde havia ido aquele garoto inocente e que sempre buscava ajudar os outros. Ainda que soubesse da pose dele e do motivo de tê-lo feito se aliar aos inimigos, agora que estava ali tão perto dele, não conseguia entender o porquê dele continuar daquela forma. – Shii-chan... Por quê? Eu estou aqui, não estou? Então porque ainda continua assim? – Shishi apertou a mão em volta do cabo da kodachi e abaixou levemente a cabeça. Rin desviou o olho de Miki, tentando prestar mais atenção na conversa do garoto. – A Rin-san... Não é tão malvada quanto vocês pensam. Se ela fosse, não teria me dado a oportunidade de trazer minha esperança de volta. Garanto que nenhuma de vocês aqui soube como me senti no momento em que a perdi... E depois da chance que ela me deu, eu decidi acreditar na justiça dentro dela. Agora estou disposto a fazer tudo o que for necessário para ajudá-la. – Todas se surpreenderam com as palavras dele, realmente parecia o mesmo Shishi... Mas do lado errado.
A Diretora esboçou um leve sorriso por causa das palavras dele. Akayuri sussurrava no ouvido dela. – Miki-san? O que houve entre vocês duas pra... – Mesmo daquela distância, Rin começou a falar de maneira que todos pudessem ouvir. – Posso muito bem contar a história pra vocês...
–----------------------------------------------Flashback-------------------------------------------------------
– Miki-nee! Não está na hora de irmos pra escola? – A jovem Rin gritava para a irmã gêmea de dentro de casa. A de olhos azuis tinha um grande sorriso no rosto, o que mostrava o contraste de passado e futuro, para algo ter acontecido, deveria ter sido muito grave. – O pai e a mãe não vão nos levar? – Miki apareceu no mesmo cômodo de Rin, fazendo um gesto negativo com a cabeça. – Eles pediram pra avisar que estão ocupados no laboratório, por isso teremos que ir andando. – A pequena chefe abriu um largo sorriso, acenando com a mão esquerda. As duas prepararam o lanche e arrumaram seus materiais. Assim que andaram para fora de casa deram de cara com dois homens na porta. Um deles estava com um chapéu, e devido ao sol forte, seu rosto estava coberto por uma sombra, ou talvez a memória de Rin tivesse bloqueado a imagem.
– Hoje vocês ficarão com a gente, tudo bem? – Aos olhos de uma criança aqueles dois homens não tinham nada de errado, mas caso um adulto o tivesse visto, certamente estranharia o fato de dois outros adultos estarem se aproximando de uma dupla de crianças pequenas.
O homem da direita tinha olhos castanhos e entrou na casa, enquanto o outro apenas fazia companhia a elas. E após alguns minutos de conversa, gritos eram ouvidos de dentro da casa, chamando a atenção das gêmeas. O adulto puxou-as pelo braço e levantaram-as, dessa maneira, elas sentiam muita dor. Gritavam e choravam, sem sinal de resposta por parte de alguém na rua. – Não adianta gritar. Não há ninguém para salvar vocês. – Rin usou a lancheira que tinha em mãos para acertar o homem na barriga e tirar seu ar. O movimento deu certo, apenas por alguns instantes, tempo suficiente para as duas correrem até um local um pouco mais seguro. Era visível o desespero no qual as duas mostravam, afinal, algo ocorria dentro de suas casas... Algo que as afetaria pelo resto da vida. Entreolharam-se e seguraram as mãos uma da outra. – O que vamos fazer, Miki-nee? – Antes que a de olhos castanhos pudesse responder, sentiram os cabelos sendo puxados pelo homem. Em um golpe de leve ele desmaiou Miki e a lançou no chão. Enquanto isso, o outro trazia os corpos dos pais dela nos ombros.
– Boa sorte, crianças. Agora vocês dependerão de si próprias. – Ele soltou uma gargalhada fria, e então também desmaiou a pequena Rin. Jogou-a no chão e ela acabou batendo a cabeça em uma parte de concreto da casa. Isso explicaria o porquê dela não lembrar exatamente quem o homem era... Assim como Miki.
–-------------------------------------- Fim do flashback ----------------------------------------------------
– Você realmente mudou desde que isso aconteceu... Mas eu não esperava que você desaparecesse, e que sua desconfiança nas pessoas nos levasse a isso. – Os outros três recuaram suavemente, não sabiam do passado delas.
– Não exatamente... Eu confio em poucas pessoas. O Akamatsu-kun é uma delas. Você sabe muito bem que se não fosse por isso, eu nunca teria dado uma chance para ele.
– Entendo... Chegou a hora de resolvermos tudo, não é? – Ela invocou os leques e assumiu sua postura de batalha. Sua gêmea sacou sua pistola, tinha um sorriso diferente no rosto, como se esperasse aquilo há muito tempo. – Afastem-se, garotos. Esse lugar vai virar um campo de guerra. – Miki movimentou os leques e uma onda de energia foi em direção a Rin. Ela esquivou com certa facilidade do ataque. Porém, uma parte da energia chegou até onde Shishi estava, causando uma pequena surpresa por causa do impacto. – A Miki tinha toda essa força escondida? E nunca mostrou... É impressionante. E a Rin-san está conseguindo evitar... – A chefe revidou o ataque da irmã disparando alguns tiros, pegando de raspão nos braços e nas pernas da Diretora.
– Rin... O que acha de largarmos as armas e lutarmos decentemente? – Hanako recuou ainda mais com aquele comentário. Por ser a pessoa que mais conhece Miki, certamente saberia o que ela queria dizer. – Ela está pensando mesmo naquilo? – A diretora começou a tocar no local onde seria a alça de seu sutiã, parecia procurar algo lá. Tirou duas coisas que seriam como adesivos de salicilato de metila, procurou os também na área do joelho, e para isso teve de rasgar a calça jeans dos joelhos até o final. Então, quando os tirou, mexeu os ombros e os joelhos. Sentiu uma sensação de alivio percorrendo o corpo.
Ao mesmo tempo, uma imagem de um pentagrama se formou na frente dela. Entretanto, o símbolo logo se quebrou e uma grande energia a envolveu. – Está pronta, Miki? – A diretora assentiu e no instante seguinte ela sumiu, reaparecendo atrás de Rin e atingindo-a com um chute nas costas. Miki estava pronta para atacar novamente quando sentiu seu corpo sendo imobilizado por algo. – Você ficou bem forte, Rin. Fico feliz em saber que agora pode andar com as próprias pernas. – Após falar, o punho dela pegou fogo e ela movimentou o braço rapidamente para atingir a irmã e queimá-la. Porém, numa reação rápida, a chefe movimentou a perna e atingiu a mão da outra com o pé. O contato entre fogo e eletricidade criou uma pequena explosão, afastando as duas uma da outra. Miki apontou a palma da mão para a jovem. Agora, seu olhar já demonstrava seriedade extrema, mantendo-se totalmente atenta à batalha. – Jusei! – Então, seu braço teve um leve recuo e o ar se deslocou no caminho até Rin, atingindo-a no ombro. Surpreendentemente, ela sequer recuou com o ataque.
A de olhos azuis concentrou energia nas duas pernas e saltou bem alto, usou novamente a energia das pernas para cair com tanta velocidade quanto subiu. Os outros três ali presentes sentiram o impacto do ataque e a grande cortina de fumaça que se formou logo em seguida.
– Akayuri-chan... Você notou? – Hanako sussurrou para a Samurai, enquanto permaneciam com os olhos em Shishi. – Sim, Hanako-san. As habilidades da Miki parecem muito com as nossas... Assim como a dela parece muito com a do Shii-kun. Eu me pergunto o porquê disso. Está certo que a Miki nos deu nossas habilidades, mas... – Enquanto conversavam ouviam apenas os sons de batalha dentro da fumaça, o fogo calor do fogo que a diretora utilizava para atacar, bem como a eletricidade de Rin. Após mais ou menos cinco minutos de choque intenso, ouviram o grito de cada uma delas e o som de uma explosão ainda maior, lançando as duas para longe da fumaça e a dispersando.
O garoto saltou rapidamente assim que avistou Rin voando, segurou-a para prevenir algum tipo de choque na cabeça. Hanako fez o mesmo com Miki, segurou-a antes que pudesse cair de mau jeito. Os irmãos apenas trocaram olhares e se viraram, aquilo foi o suficiente para se entender. Da próxima vez, se encontrariam não mais como parentes e sim como inimigos.
E, questionando-se do motivo delas terem lutado dentro da fumaça. Shishi a carregou até sua casa, imaginando que Hanako levaria Miki até a casa dela.
Enquanto isso, um homem estava sentado na poltrona de Rin. Três pessoas estavam ajoelhadas na sua frente, como se fizessem uma reverência. Ele se levantou e olhou pro telão, nele mostravam as imagens da batalha entre as duas gêmeas. – Vamos iniciar nosso plano... Duas pedras no meu sapato estão fora de combate.
Continua...
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