Team Reset
23 O Treinamento: Miu e Narumi se tornam oficialmente membros do Team Reset?
Shishi e seu recém-montado robô J partiram em uma missão para tentar descobrir os verdadeiros ideais dos novos inimigos. Porém, os dois foram impedidos pelas gêmeas Rin e Miki, também dominadas pelo chamado Governo Mundial. Após mostrar uma parte dos poderes que o Armor Mode reservava, mesmo assim não foram capazes de derrotar as duas. Então, ambos retornaram para a Diretoria sem nenhuma informação.
Ao chegar lá, Narumi e Miu perguntaram o que significava o “Reset Project”. Shishi explicou que era um projeto para criar um grupo no qual protegeria o planeta do Armageddon, o incidente que ocorreu dois anos antes. E que quase todos os seus companheiros de batalha foram transformados em inimigos. Após explicar pelo menos uma parte da dúvida delas, já que omitira outras coisas, as jovens pediram para participar das missões.
No fim, o rapaz aceitou a proposta delas. Mas, fez algo que parecia bem estranho. Foi como se as tivesse atacado com uma rajada de energia sombria. Após isto, J o ajudou a carregá-las até um armazém mais antigo e afastado de qualquer área urbana. Lá ficariam bem mais tranquilo caso o garoto precisasse fazer algo.
Algumas horas depois de elas ficarem desacordadas, acordaram sentadas em cadeiras de ferro, sentindo a cabeça doer bastante. A primeira visão foi a de Shishi em pé e em braços cruzados, ao lado dele estava J, o robô.
– Senpai... O que você está fazendo? Onde estamos? – Ele tinha um olhar bem sério, e parecia até com vontade de fazer alguma coisa. Andou para se afastar um pouco mais delas. Falou algo no ouvido da máquina e ele se afastou. Foi até um pequeno baú no canto da arena que havia ali dentro e o abriu. Retirou uma katana e a moveu de cima para baixo, como se testasse o peso e como ficava sua movimentação.
– Eu vou precisar esclarecer algumas coisas a vocês. – Aproximou-se delas e tocou a parte inversa da lâmina do rosto de cada uma. Em seguida, andou mais um pouco até ficar atrás delas. Cortando as cordas que as amarravam. – Primeiro: Se acham que este treinamento é brincadeira, aconselho vocês duas a desistir agora, antes que as conseqüências sejam irreversíveis. – Parou um pouco para falar, voltando a posição original em que estava.
– Se quiserem continuar com isso... A hora de pensar é agora. Eu cortei as cordas para dar a oportunidade de fugirem. – Apoiou a ponta da katana no chão, enquanto esperava pela resposta das duas.
Narumi se levantou, sentia o próprio corpo tremer levemente de medo. Ao mesmo tempo, Miu também se levantou, estava um pouco inquieta com aquela nova faceta do veterano. Era bem assustador o jeito no q
Narumi se levantou, sentia o próprio corpo tremer levemente de medo. Ao mesmo tempo, Miu também se levantou, estava um pouco inquieta com aquela nova faceta do veterano. Era bem assustador o jeito no qual ele passou a tratá-las.
– Nós vamos continuar. Queremos te ajudar. – Aquela fala da mais velha pareceu irritar um pouco Shishi. Ele ergueu a sobrancelha e movimentou a espada na direção de Narumi. Se ela não tivesse desviado, provavelmente teria sofrido um corte do ataque.
– Senpai! Por que fez isso? Ela poderia ter se machucado de verdade! – Miu questionou os atos dele. Realmente não entendia o motivo de ele estar tão alterado daquele jeito.
– Vocês estão brincando comigo, não é? Acham que eu estou fazendo isso para pegar leve com vocês? Pensaram que algum inimigo pegaria leve com vocês? Nunca! — Dizia em meio a diversos ataques que desferia nas garotas. Elas instintivamente conseguiam desviar de cada um. – Além disso, vocês não devem entrar nessa luta pelos outros, quanto mais fazem isso, mais irão se machucar. Seus oponentes utilizarão suas próprias falhas contra você, e isso se tornará o seu réquiem. – Desferiu um ataque tão forte, que acabou por cortar uma das cadeiras que elas estavam sentadas. Tinha um brilho no olhar no qual se semelhava ao de um monstro. Como se ele nunca tivesse sido uma boa pessoa.
– Se vocês não querem que isso dê resultado, fujam daqui agora mesmo, antes que eu decida pôr um fim na vida de vocês. – Apontou a espada na direção delas, levando o braço esquerdo para as costas. – J! Jogue o baú para elas!
O Robô seguiu as ordens de Shishi, e então lançou o baú para elas. Esperava que as duas escolhessem algumas armas dali de dentro. – Andem. Eu não vou lutar com alguém que não tem noção nenhuma, e ainda por cima desarmado.
Apoiou mais uma vez a espada no chão, enquanto esperava pela reação delas. Miu abriu o baú e procurou algo que lhe parecesse útil. Escolheu duas adagas relativamente mecanizadas como a espada que Shishi usou quando estava lutando ao lado de J.
Narumi pegou um arco de metal e uma aljava com flechas feitas de aço. Tinha certa experiência nisso por seus pais praticarem a caça nas horas vagas, já que eram descendentes dos britânicos.
– Nada mal. Agora já podemos ir para a primeira lição. – Antes de começar a explicar, Shishi olhou discretamente para elas. Percebeu que estavam com os braços abaixados e esperando pela fala dele. Pegou impulso e correu rapidamente na direção delas. Mudou a direção da espada para golpear Miu com a parte lateral da lâmina e com força suficiente para derrubá-la no chão e fazê-la gemer um pouco de dor. – Não se deve abaixar a guarda quando o inimigo está na sua frente.
– Então é assim? Vamos mesmo ter que lutar por nossas vidas contra você? – A mais velha perguntou. Por mais que implicasse com o veterano, não achava legal vê-lo daquele jeito. Um monstro que não sentia pena de nada nem de ninguém era como se o tempo que o trio passou junto não tivesse servido para nada. Quando se deu conta de que não havia mais jeito, sacou uma das flechas da aljava e apontou na direção de Shishi. Pulou o fio do arco enquanto segurava a parte de trás da flecha, mirando sua ponta nas costas dele.
Atirou a flecha tão rapidamente quanto se preparou para lançá-la. O rapaz percebeu facilmente a movimentação dela e girou o corpo, movimentando o braço diagonalmente e cortando o aço ao meio. Abriu um sorriso ao receber o ataque. Já era um sinal de pelo menos ela estar reagindo ao treino. – Oooh, muito bem. Estou vendo que já está criando coragem, mas... Só coragem não é o suficiente. – Shishi saltou na direção de Narumi e a chutou levemente no braço para empurrá-la. Ficando frente a frente para o baú. Pegou outra espada de lá e então o chutou para longe. Girou as duas espadas em mãos e deu uma gargalhada.
– Já faz um tempo que eu não luto desse jeito... – Apontou as duas espadas para Miu e correu na direção dela. Fez um movimento em falso, como se fosse atacá-la de cima para baixo, tanto que ela posicionou as duas adagas acima da testa. Em uma reação rápida do rapaz, ele abaixou os braços antes mesmo de seu corpo se mover para cortá-la verticalmente, mudando a posição do golpe e fazendo pequenos ferimentos no antebraço dela. – Niitouryuu. – Voltou à posição original, abaixando os braços e olhando para a mais nova. Esperava alguma ação por parte dela após o ataque.
– O movimento dele foi bem mais rápido do que eu esperava... Como? – Shishi suspirou e se aproximou de Miu, olhou-a de cima para baixo por ela ser mais baixa.
– É simples, criança. Você não observou todos os detalhes, como a minha postura corporal nem nada do tipo. Se fizesse isso... – Escutou o som do ar sendo cortado, e então empurrou Miu para frente e cortou as duas flechas que vinham em sua direção com dois movimentos braçais. Deixou escapar outro sorrisinho ao ver aquilo. – Hmm, então você consegue atirar mais de uma flecha? Interessante. Mas, mesmo se fizerem isso, não serão capazes nem de tocarem em mim. E sabem o motivo disso?
Fez-se um silêncio no armazém. Era como se as duas garotas esperassem pela resposta. Ambas seguravam com um pouco mais de força as próprias armas. A raiva daquele “novo Shishi” fazia com que elas se sentissem de tal maneira.
– A razão é simples. Se lutarem individualmente, não conseguirão sequer me fazer suar. Tentem trabalhar em dupla, e acredito que mostrarão algum resultado. – De algum jeito, a frase pareceu fazer sentido para elas. Elas se entreolharam e sorriram. Logo em seguida, Miu tentou apunhalar Shishi com as adagas bem na barriga. O ataque não deu certo por ele estar atento e ter bloqueado com o cabo da espada a tempo. Alguns segundos após, ouviu os zumbidos de várias flechas indo na direção dele. Movimentava o rosto e o corpo de maneira ágil, não se deixando atingir por nenhum dos ataques.
– Muito bem, estão aprendendo rápido. Já posso pegar mais pesado com vocês. J, agora! – Por trás de Shishi, os olhos do robô começaram a brilhar e lentamente a armadura dourada se formou no corpo dele. Ficou ainda mais óbvio que ele não tinha mesmo a mínima intenção de pegar leve.
Concentrou suas forças nos braços que seguravam as espadas. No mesmo instante, as lâminas delas começaram a brilhar. Aponto uma das armas para Miu e a outra para Narumi. Quando pretendia liberar a energia, ouviu um grito vindo da mais nova. Ao mesmo tempo, ouviu um som de várias flechas sendo disparadas em sua direção. Segundos após movimentar os braços, se deu conta de que seus dois braços estavam congelados, e que havia vários cortes na armadura dourada, no qual emitiam uma energia escura.
Shishi levantou a espada, segurando o cabo para cima, dessa maneira, a ponta da espada ficaria na direção da jovem caída. Fez a menção de perfurá-la, mas acabou ouvindo o som de gelo se quebrando e algo sendo quebrado. A garota abriu os olhos e viu a espada cravada no braço do veterano e a parte congelada se despedaçando aos poucos. Logo em seguida jogou a espada no chão e estendeu a mão para que Miu a segurasse.
– Bom trabalho. Vocês finalmente despertaram seus poderes. Agora podemos passar para a fase dois do treinamento de vocês. – Ficaram tão em choque devido à mudança repentina de personalidade dele, que passaram alguns segundos sem esboçar alguma reação.
– A-ahn? Como assim, senpai? – Ergueram uma sobrancelha ao vê-lo voltando a ser gentil novamente. Pensaram se seria alguma armadilha dele, e que o rapaz ainda queria matá-las novamente.
– Eu sei que é difícil de acreditar, mas... Para despertar essas habilidades, às vezes é preciso confrontar uma situação na qual vocês pensem que vão morrer. Pelo menos, foi assim com todos nós. Acho que é o meio mais eficiente. – Ao ouvi-lo, Miu segurou a mão dele e se levantou. Em seguida limpou a sujeira do vestido.
– Só que... Eu devo dizer algo a vocês. A segunda parte do treinamento é ainda pior. Vocês terão que aprender a dominar suas habilidades por completo. Usá-las quando quiserem e como quiserem. Aviso de antemão... Eu não vou pegar leve com vocês. – Shishi brandiu as duas espadas para elas, e correu, tentando desferir um golpe em cada uma delas. As garotas desviaram as investidas dele com mais facilidade do que antes.
Narumi conseguia atirar algumas flechas com a energia escura, mas não com a mesma potência de antes. Esses “tiros” o rapaz conseguia segurar com as mãos caso se concentrasse direito. – Eu tenho um jeito mais prático.
Acumulou a energia dourada nas lâminas, mas quanto mais fazia isso, se sentia cada vez mais cansado e sem forças. Sabia que só poderia usar os golpes da armadura até certo ponto, mas ele precisava acabar com o treino logo de uma vez. – Tentem se concentrar em algo que querem proteger com as próprias mãos. Pensem com toda a vontade do mundo, como se nada mais importasse.
Então, as duas fecharam os olhos e começaram a pensar nas coisas que lhe eram mais importantes. Família, amigos da escola, até mesmo o mundo em que viviam. Em um canto da própria mente, Miu chegou até mesmo a pensar em proteger o veterano, embora ele não precisasse muito. Mas queria retribuí-lo de alguma maneira, afinal, ele já as ajudou bastante. Sacrificou boa parte de seu tempo para protegê-las. Mais de uma vez inclusive.
– Estão prontas? – Quando se preparou para liberar a energia. Sentiu um arrepio na espinha. Sabia muito bem o que era aquela sensação quando trajava a armadura. Voltou-se para J e então ele lhe sussurrou algo no ouvido. Por dentro do traje, Shishi mordeu os lábios e sentiu um pouco de hesitação. – J, você pode investigar aquilo pra mim? Irei assim que terminar o treinamento delas.
Ele fez um “sim” com a cabeça e então se teleportou para o local onde o inimigo estava. Quando Shishi se voltou para perto das duas garotas, elas o questionaram sobre o motivo dele ter parado de repente. Respondeu que não era nada demais, e que poderiam prosseguir com o treinamento. – Acredito que já pensaram no que devem proteger... Eu vou atacar com tudo, não tenham medo de errar. A Hesitação pode ser o túmulo de vocês.
Cruzou as espadas e apontou para elas. Não tinha a mesma expressão assassina de antes, apenas mantinha o foco nas duas. A energia luminosa ficava cada vez mais forte até chegar ao seu limite. O próprio Shishi sentia o seu corpo ficar mais exausto a cada instante que concentrava aquele poder.
Podia perceber também que a temperatura no ambiente era reduzida conforme cristais de gelo giravam com mais intensidade ao redor das adagas de Miu. O armazém também se tornava mais escuro por conta da flecha de energia escura que se acumulava no arco de Narumi.
– É agora... Ataquem com todo o espírito que tiverem. – Sussurrou, liberando toda a energia das espadas e a atirando na direção das garotas. As duas liberaram seus poderes com força total, impedindo que o ataque do veterano as atingisse, criando uma intensa explosão de luz lá dentro.
O lugar parecia um frigorífico abandonado. Do lado de onde Shishi estava para trás tudo fora congelado pelo golpe de Miu. Assim como o gelo tinha uma tonalidade mais escura por conta do outro ataque vindo de Narumi. Parte da armadura do rapaz estava destruída, o restante possuía uma fina camada de gelo por cima. Desativou a vestimenta e se ajoelhou ao lado delas. Colocou a mão sobre o peito delas e pronunciou algumas palavras em uma língua antiga. Lentamente os ferimentos dela se curavam pouco a pouco. Levantou-se após se certificar de que elas estavam realmente dormindo.
– Acho que não tenho muitas coisas para ensiná-las mais. A partir daqui posso lutar sem me preocupar em morrer e deixá-las sozinhas. – Embainhou as duas espadas e se virou para a saída do armazém abandonado, perguntava-se se J estava bem o suficiente. Sabia muito bem que o robô não era muito bom em ser discreto. – Espero que esteja tudo bem...
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Enquanto Shishi prosseguia com o treinamento, J fora teleportado para uma área relativamente desértica, bem parecida com o deserto do Arizona. Ele andava tranquilamente procurando por algo que lhe chamasse a atenção. Virou o rosto para a direita e viu um grupo de homens conversando. Achou aquilo bem suspeito e decidiu ir até eles e conferir o que estava acontecendo.
Um dos homens notou e arqueou uma sobrancelha para ele. Nunca tinha visto um robô daquele tipo antes. Era bem estranho até, alguém como ele estar andando sem rumo por um deserto praticamente sem vida. – Quem é... Ou melhor, o que é você? – Perguntou ainda analisando da cabeça aos pés a estrutura da máquina.
– Meu nome é Beet J. Stag! – Todos os ali presentes deram uma gargalhada com a reação do robô. Chegaram a pensar que poderia ser um projeto de ciências de alguma escola. Porém, ele não havia gostado nada das gargalhadas. Andou “calmamente” até um dos que estavam em sua frente. Segurou-o pelo braço e o jogou para trás, quebrando a mesa na qual eles estavam sentados anteriormente.
– Ei! O que você está fazendo, seu robô maldito? – Todos os inimigos foram na direção de J para atacá-lo, mas ele era bem mais forte do que aparentava.
– Eu estou fazendo apenas o que é do meu interesse. – Os homens insistiam em se levantar para atacar J. Ele apenas se concentrava em derrubar todos eles. Era bem difícil para eles sequer movê-lo da posição original. O robô era bem mais forte do que parecia.
– Olha só o que temos aqui... Senão é aquele tal robô do Herói. O que o traz até aqui? – J se virou para o homem. Era o mesmo que havia atacado Shishi e as garotas outras vezes, ainda que não estivesse presente na primeira vez, tinha alguns dados sobre as investidas dele. Apesar de sua expressão diferente, ele parecia mostrar algum tipo de raiva ou ressentimento contra o homem.
– Você! O homem que causou aquela dor estranha no Akamatsu! – Correu de maneira desajeitada por ser uma máquina. Tentou desferir um soco no rosto dele. Desviou de maneia bem ágil, conforme encarava o aspecto frio do robô. De fato, ele era bem mais humano do que muitos que já vira na vida.
– Hm, pelo visto, quem construiu você foi bem inteligente. Possui uma emoção humana muito bem desenvolvida, eu diria. Talvez pudesse ser bem útil para mim... Mas não. – Usou o antebraço para bloquear mais um golpe de J, e então concentrou uma energia verde no punho e perfurou o peito dele, puxando-lhe alguns fios e os arrancando. Pouco a pouco, o brilho no olhar dele ia se esvaindo. Os dados em seu processador pareciam sumir por conta da energia que não conseguia circular. A última coisa que conseguiu fazer foi pensar em algumas palavras. Eletricidade percorria todo o corpo dele enquanto seu sistema entrava em colapso. Sentia a tentativa de Shishi de se teleportar para o local. – Hanako-sama... Me perdoe.
E então, mesmo enquanto seu corpo se transformava em dados, Shishi conseguiu sentir que havia algo de errado com J. Uma perturbação no momento do teleporte o fez perder a consciência por alguns momentos, deixando-o com a sensação de incerteza do que aconteceria.
Continua...
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