Team Reset
24 Mundos Diferentes que se Cruzam! A primeira missão de Miu e Narumi
Dois anos se passaram desde a luta contra Lyall para impedir o Armageddon. Shishi se tornou monitor de sua antiga escola e passou a tomar conta de Narumi e Miu, garotas que encontrou em meio à batalha e que decidiu vigiar, já que não perderam a memória por conta do Milagre. Após isso, um novo inimigo que se intitulava “Governo Mundial” surgiu, alegando que raptaram todos os antigos amigos de Shishi.
O rapaz recebeu um pacote de sua irmã mais velha Hanako, na qual continham peças para a construção de um robô. Seu nome era Beet J. Stag, e ele seria de grande ajuda nas batalhas que estavam por vir.
Em meio a tantos acontecimentos, as duas garotas decidiram que também iriam entrar naquela nova Guerra. Por conta de tal decisão, foram treinadas pelo veterano e foram capazes de dominar seus poderes completamente.
Durante esse treinamento, J fora enviado para investigar uma ação estranha em um local desértico, incomum para os padrões japoneses. Acabou sendo descoberto pelos inimigos, e fora derrotado com apenas um golpe pelo principal inimigo dos Novos Resets.
Entretanto, um grande problema estava para ocorrer: Enquanto o robô era destruído, Shishi estava sendo teleportado para aquele local. O próprio rapaz sentiu um distúrbio enquanto seus dados eram processados para serem materializados. Devido a uma pressão enorme sobre o corpo, acabou desmaiando por algum tempo.
– O-onde eu estou? – Abriu os olhos, ainda atordoado devido à imensa pressão que quase esmagou seu corpo. Ao conseguir focalizar a visão corretamente, olhou de um lado para o outro. Observou que estava perto da entrada de uma caverna. Perguntava-se quão longe havia caído do seu destino original. Tentou se levantar, mas o corpo não queria se mover de acordo com sua vontade. Suas pernas tremiam bastante e era bem difícil até de respirar. Apoiou-se nas rochas próximas de onde ele havia caído. Ainda estava com as duas espadas amarradas na cintura e o celular no bolso. Quando olhou para a tela viu que estava sem sinal, o que era bem estranho, já que conseguia ouvir o barulho de carros a alguns quilômetros de distância dali.
– J... O que aconteceu com você? – Não conseguia deixar de se preocupar. Tinha a certeza de que não poderia ser algum tipo de defeito na construção dele, ou alguma falta de reparo. Uma sensação de angustia se espalhava pelo peito dele a cada minuto que passava.
Percebeu duas fortes presenças se aproximando rapidamente de onde ele estava. Uma delas veio por trás e envolveu o braço no peito dele. A outra apontava uma espada bem no pescoço dele. Reconheceu o homem que apontava a espada para ele por conta do chapéu que usava e das vestimentas relativamente antigas.
– Olha só. Temos algo bem interessante aqui. Não é normal alguém andar por aí carregando duas espadas. – Uma voz feminina sussurrava em seu ouvido. Logo a pessoa que estava na frente de Shishi recuou, em seguida sentiu um chute nas costas que o fazendo rolar na grama. Desembainhou as espadas e se preparou para um novo ataque. A mulher tinha duas pistolas personalizadas em mãos, nas quais tinha ornamentos nos cabos parecidos com rostos de cachorros.
– Este é Gock, e este outro é Magock... E eu sou Escape! Tenho certeza que você vai me achar bem interessante. – Levou os lábios suavemente até cada uma das armas conforme falava. Em um movimento bem rápido começou a disparar inúmeros tiros na direção de Shishi. O rapaz girou as espadas nas mãos, tentando rebater o máximo de projéteis possíveis. Era um trabalho difícil até mesmo para ele, ela era muito mais ágil do que imagina. Observava cada movimento dele como se fosse um animal feroz atrás de sua presa. Ele podia ver o brilho maligno no olhar de Escape. A “jovem” correu na direção dele, guardando as armas na parte de trás das vestimentas. Começou a desferir chutes em Shishi, em todos os locais possíveis: Tronco, barriga e nos braços. Apenas alguns deles atingiam o objetivo, o resto era facilmente bloqueado por ele. Por fim, tomou um belo chute no peito que o fazendo voar e se chocar contra uma árvore.
– Tsc... Se com ela já está difícil... Quando aquele cara resolver lutar, vai ficar muito pior. – Shishi sabia muito bem quem eram aqueles dois. Tentava não se mostrar tão surpreso quanto a situação em que se encontrava. Deu-se conta de que não estava de fato em seu próprio mundo, mas em outro alternativo. A prova disso era o simples fato de pessoas que não existiam na sua dimensão estarem ali o confrontando.
– Você não me parece muito assustado, garoto... Além disso, não me parece um humano normal. Nenhum humano comum conseguiria se defender de tantos tiros. Quem é você? – O homem de chapéu ficou com uma expressão séria, diferente das anteriores, na qual ele parecia um grande cafajeste por conta do sorriso irônico constante em seus lábios.
Shishi chegou até a dar um risinho com a pergunta dele. De fato, não era um humano comum. Qualquer um já teria tremido nas bases de medo. – Não sei. Não sou eu quem decide isso, Basco Ta’Jolokia.
Basco o encarou. Não fazia a mínima ideia de como aquele jovem sabia o seu nome. Concluiu que havia duas opções: Aniquilá-lo... Ou torná-lo útil. Os olhos dele brilharam em um tom avermelhado. Logo após isso, seu próprio corpo começou a emitir uma aura vermelha. O ar começava a ficar carregado de energia. Os lábios dele racharam e então seu corpo tomou uma forma totalmente diferente. – Você sabe meu nome, garoto... Isso é prova de que você não é normal. Mas, acho que pode me ser útil. – Moveu-se numa velocidade incrível e o golpeou na barriga para deixá-lo atordoado. Shishi cuspiu uma boa quantidade de sangue por conta do ataque. Levou a mão até o local atingido e se levantou com um pouco de dificuldade. Escape surgiu por trás dele e o segurou pelo braço, imobilizando-o. Já não havia mais nada que fosse possível fazer para se libertar.
Basco “materializou” uma espécie de Corneta, chamada de Rapparatta. Shishi sabia muito bem o que ela podia fazer. Roubava os Poderes Ocultos dos seus heróis de infância, ainda que isso fosse apenas num programa de televisão. Levou o item até os lábios e tocou um som agudo. Ele penetrava dolorosamente nos ouvidos do rapaz. Shishi queria cobrir os próprios ouvidos por conta da agonia que o fazia sentir. Chegou até mesmo a gritar, aquilo era praticamente uma tortura. Depois de cinco minutos ouvindo o som, ele desabou no chão, sem forças. Seu olho esquerdo estava com uma coloração escura, diferente do outro, que tinha uma tonalidade cinzenta. Fechou os olhos, sentia sua consciência se esvaindo pouco a pouco. Escape se aproximou de Basco com um sorriso no rosto.
– E então, Basco... O que faremos com esse garoto? Ele me parece ser muito bom. – A jovem também tinha um sorriso no rosto. Normalmente ela estava acostumada a utilizar metaroids como ferramentas. Mas desta vez, a ideia de poder utilizar um humano aos seus interesses lhe parecia muito melhor.
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Ao mesmo tempo em que tudo isso acontecia, Narumi e Miu acordavam no armazém. Perceberam que seus corpos estavam bem descansados para quem fora forçado a chegar até o limite. Estranharam o fato de que o veterano não estava mais no local. Pararam para notar que J também não se encontrava mais ali.
Narumi se levantou ainda cambaleante e foi até um móvel onde estavam suas coisas. Pegou o celular e ficou alguns momentos o encarando, como se esperasse por algum sinal do mais velho. Miu se aproximou discretamente dela, sussurrando algumas palavras em seu ouvido. Pela sua expressão estava mais do que claro que ela também estava preocupada. Tentou ligar para ele e ouviu a mensagem: Este número não existe, verifique se não há nenhum problema com a operadora ou se apenas o número foi inserido corretamente.
A mais nova olhou diretamente para Narumi, mordendo os lábios devido à sensação ruim que lhe acometia. – Acho que nós deveríamos procurá-lo, Narumi-san.
Ela estava pensando a mesma coisa. Mas não fazia a menor ideia de onde começar a procurar. Não sabia nem mesmo o local que ele foi. Olhou para o chão e ficou o observando até que algo lhe viesse na mente. – Miu... Vamos até a Diretoria. Lá deve ter alguma informação sobre onde ele foi.
Olharam no GPS dos celulares para se localizarem. Não estavam tão distantes assim de Shirahoshi, era até mais perto do que imaginavam. Tiveram de cumprimentar a maior parte de seus colegas de escola, o que não era tão bom assim, já que não apareciam há alguns dias. Tentaram se esquivar ao máximo das perguntas e foram imediatamente para a Diretoria.
A primeira coisa que checaram foi o computador. Tinham a certeza de que todos os dados para a missão estavam inseridos ali. Miu ligou a máquina e logo foi em busca dos dados. Achou um programa chamado “Instant Teleport System”, ou STI. Entendeu que era o mecanismo usado por ele e J para se transportarem de um local a outro em um pequeno espaço de tempo. Leu atentamente às instruções que eram dadas no tutorial do programa e então digitou algo. Era um código de liberação para programar o teleporte em pelo menos dois minutos dali pra frente. Utilizou os mesmos dados para o ultimo teleporte do veterano.
– Narumi-san, nós vamos para o mesmo lugar do Senpai em alguns minutos. De acordo com as instruções, iremos para o mesmo lugar em que ele foi enviado após terminar o treinamento. – A mais velha concordou. E então as duas se moveram para certo ponto da sala, bem em uma localização central. Lentamente, puderam sentir os corpos delas se desfazendo e parecendo que se tornaram números. Era uma sensação bem estranha até. Sentiram seus corpos sendo pressionados por uma força imensa. Perderam a consciência da mesma maneira como ocorreu com Shishi.
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Quando Shishi acordou, estava sentado em uma cadeira. Sua mente estava totalmente vazia, mas ao mesmo tempo uma dor grande o deixava atordoado. Uma grande claridade ofuscava sua visão. Olhou de um lado para o outro se viu em um local aparentemente abandonado e também duas pessoas em sua frente. Sua memória tentava puxar o nome deles, mas era muito difícil. Não conseguia se recordar nem mesmo do próprio nome. A jovem se ajoelhou perto dele e o encarou, como se o analisasse dos pés a cabeça. Pensava em uma maneira de utilizá-lo para seus próprios interesses. – Olá, garoto. Você se lembra de alguma coisa?
O rapaz estreitou os olhos, sentindo a cabeça doer ainda mais. Sentia uma aura diferente dela, como se suas intenções não fossem tão boas quanto pareciam. Mas se não tinha nenhuma lembrança, acabou imaginando que ela seria alguém conhecida. – Você... Sabe quem eu sou?
Escape deixou escapar um sorriso malandro. O outro homem que estava lá, que se apresentou como Basco Ta’Jolokia colocou a mão sobre o ombro de Shishi. Fez um gesto com a cabeça indicando que sim. – Seu nome é Akamatsu Shishi. Suas memórias foram roubadas... E nós sabemos quem fez isso.
Ele sentiu a raiva crescer em seu peito. Não imaginava que alguém poderia roubar suas memórias a troco de algo. Queria encontrar quem fez aquilo e acabar com essa pessoa.
– Nós sabemos onde eles estão. Venha conosco e nós traremos suas memórias de volta. – Escape ajudou Shishi a levantar. Agora mais do que nunca, o rapaz era extremamente manipulável, e não havia nada que se pudesse fazer a respeito disso. Os seguiria pelo menos até que tivesse suas memórias de volta.
Paralelamente, Narumi e Miu foram transportadas para dentro da cidade. – Não sabiam exatamente qual cidade era, e aparentemente não era a cidade delas. Olharam ao redor e viram três pessoas bloqueando a passagem delas. Um usava uma camisa social preta, calça social preta e uma gravata branca. Também tinha um chapéu xadrez de couro um jeito um jeito bem diferente e com cabelos ondulados nas pontas. O outro homem era um rapaz de pelo menos um e oitenta de altura e usava calça jeans escura, camiseta branca, uma jaqueta de couro preta e também tinha uma luva apenas na mão esquerda. Entre eles, uma jovem que aparentava ter entre seus vinte anos, uma blusa listrada por baixo de uma jaqueta amarela, uma mini-saia e também por baixo uma meia-calça que parecia cobrir as pernas por inteiro.
As duas garotas se sentiam um pouco acuadas por conta dos olhares duros do trio. Eles não pareciam maus, só estranhavam bastante o modo como surgiram: Aparecendo do nada e sem saber onde estava, algo possível de perceber só pelo rosto delas.
Narumi olhou para eles. Ficou sem saber o que fazer. Não tinha como adivinhar se eles seriam bons ou maus. A mais velha chegou até mesmo a colocar a mão nas costas, pensando que tivesse trazido o arco consigo, mas se deu conta que ele estava largado no chão do armazém. Como eu pude ser tão burra? Pensou. Não sabia se estava indo para território inimigo, e ainda assim estava desarmada. Entretanto, o de chapéu a ajudou a se levantar, dando até uma pequena limpada na poeira que estava na blusa dela. Ficou sem saber o que fazer por alguns instantes, no fim, agradeceu para ele com um gesto de cabeça.
– E então, como duasojou-chans como vocês vieram parar aqui? E ainda se materializando do nada? – Questionou, ainda tentando entender como elas surgiram ali. Pensou em questionar sua “outra metade”. Achou que seria melhor não, pelo menos por enquanto.
– Pela expressão de vocês, acho que estavam procurando algo... Ou alguém. – A jovem observava as duas com certo interesse. Na verdade, pensava que se as ajudasse, poderia ganhar alguma jóia ou algo do tipo delas. Ela própria deixou escapar um sorriso ao imaginar que conseguiria algo em troca de ajuda.
– Pare com isso, Luka. – O Homem da luva falou como se soubesse exatamente o que ela estava pensando, ou talvez só a conhecesse muito bem. – Finalmente, o que as trouxe aqui? Posso sentir que não são exatamente desse mundo.
Ajeitava a luva, fazendo parecer que dependendo da resposta delas, acabaria com a vida das duas ali mesmo, sem mesmo uma oportunidade de reação. Ambas tentaram manter a calma e explicar tudo direitinho, sem deixar nenhuma brecha na história. Não teriam condições de procurar pelo Veterano sem ajuda.
– Nós estamos procurando pelo nosso Senpai. – Miu respondeu. Teve uma leve impressão de que poderia confiar naqueles três. E de fato, eles não eram pessoas ruins, mesmo que a jovem de colete amarelo não parece tão gentil.
– Senpai? Ele veio para cá do mesmo jeito que vocês? – O homem de chapéu perguntou, e as garotas assentiram. Em seguida, ele pediu perdão pelos maus modos e se apresentou. Seu nome é Hidari Shoutarou, trabalha como detetive na Agência de Detetive de outra garota que também se chamava Narumi, logo apresentou também os que estavam com ele. A moça se chamava Luka Milffy, e aparentemente ela era uma Pirata vinda do Espaço, algo um pouco complicado de se entender na primeira vez. O rapaz de jaqueta e uma luva era Nobori Taiga. Disseram que ele era Rei de uma raça de monstros que tentava parar de roubar a energia vital dos humanos... Preferiu achar que ele seria somente um Rei comum.
– No nosso mundo... Nós, ou pelo menos nosso senpai está lutando contra um grupo chamado “Governo Mundial”. Não sabemos muito bem os objetivos reais deles, mas podemos garantir que não é algo bom. E, além disso, eles raptaram os antigos companheiros dele e estão fazendo com que eles lutem a seu favor.
Shoutarou cerrou os punhos. Uma das coisas que mais lhe faziam sentir raiva era alguém que manipulavam os outros. Não teve a melhor das experiências lutando contra a Museum e a Foundation X. A partir dali, tomou a decisão de que ajudaria Narumi e Miu a encontrarem o tal senpai.
O Rei Fangire sentia um pequeno distúrbio no ambiente, pressentindo que algo aconteceria. Era uma habilidade inerente a ataques apenas de monstros de sua raça, mas com o passar do tempo, era algo relacionado a qualquer coisa que fosse de encontro a sua vontade. Assim que se deu conta de que algo estava vindo, se colocou na frente das meninas para protegê-las de qualquer impacto.
De repente uma grande cortina de fumaça cobriu o local onde estavam, Luka logo se afastou, indo para uma área na qual não fosse pega. Mesmo assim, ainda não era possível ver o que se passava lá dentro. Shoutarou passou a cobrir a retaguarda das duas, temendo que algum ataque pudesse ocorrer pelas costas. Segurava o próprio chapéu por conta da ventania que estava acometendo a área.
Assim que a fumaça se dissipou Luka foi a primeira pessoa a reconhecer quem estava por trás daquilo. Estreitou os olhos assim que observou Escape e Basco com aquele maldito sorriso cínico.
– Basco! O que você veio fazer aqui? – Ela estava com o Sabre e o Revólver em mãos, pronta para revidar qualquer tipo de hostilidade vinda dele. Taiga retirou a própria luva lentamente, revelando uma marca com formato de coroa tanto na palma da mão, quanto na parte inversa. Shoutarou apenas fixou o olhar nos dois oponentes quase ao mesmo tempo em que a pirata fez isso.
Então, Basco inseriu algumas Ranger Keys em sua Rapparatta, invocando quatro “Sextos Membros”. Eles eram: ShinkenGold, Go-on Silver, DekaBreak e Shurikenger.
Eles se posicionaram de modo que ficaram na frente de Basco e Escape. Os dois tinham em mente que as Ranger Keys serviriam apenas para mera distração enquanto faziam o que queriam pela cidade.
– Basco... Você acha que as Ranger Keys vão segurar aqueles três por tempo suficiente? – Escape perguntou ao outro, não tinha tanta certeza se apenas quatro das chaves dele seriam o mínimo para segurá-lo. DekaBreak, ShinkenGold e Shurikenger foram na direção de Luka, Taiga e Shoutarou respectivamente. A Go-On Silver foi até Miu e Narumi para atacá-las.
Os três defendiam-se dos ataques, levemente preocupados com elas duas. Pensavam que elas não conseguiriam se defender do ataque do Ranger. Porém, não podiam mais se preocupar com elas por enquanto. Elas teriam de dar um jeito no oponente por si próprias.
A Go-On Silver tentava golpeá-las com as adagas. Miu notou que as armas que a marionete usava eram bem semelhantes às dela, então tinha uma pequena noção de como se defender. Em alguns momentos, Narumi tentava golpear as costas da Ranger com chutes para desequilibrá-la. A mais velha sentia a falta do seu arco e das flechas ali. Seria muito mais fácil lutar caso estivesse com a sua arma. Desejou do fundo da arma poder lutar com o arco e utilizá-lo junto com sua habilidade. Quando se deu conta, o arco e a aljava cheia de flechas se materializaram na frente dela e ficaram parados no ar. Narumi ficou surpresa por pelo menos cinco segundos até Go-On Silver atacá-la. A garota pegou a aljava e a colocou nas costas, empunhando o arco logo em seguida. Rebatia os ataques dela usando o próprio arco, e então afastou a marionete com um empurrão. Sentiu o poder percorrendo seu corpo, e então se concentrou em um único ponto na corda do arco. A energia negra começou a se acumular na corda, tomando um formato semelhante as das flechas dela. Então, disparou o raio negro na direção da Go-On Silver. O impacto com o peito da Ranger causou uma pequena explosão que a lançou até uma árvore próxima. Voltou-se para Miu como se quisesse chamar a atenção dela. – Miu! Deseje que sua arma esteja aqui e agora! – A mais nova ficou sem entender, mas quando viu que Narumi estava com as armas, tentou imaginar as adagas surgindo na sua frente. Ouviu um zumbido de algo voando bem próximo a ela, junto a um som que dizia “Mission Six: Full Power”. Aquilo de atrapalhava de certa forma a sua concentração. Abriu os olhos e viu um traço prateado indo na direção de Narumi exatamente na hora em que ela gritou. Desejou que suas adagas estivessem com ela, e então por impulso levantou os braços para defender o golpe pela mais velha.
O ar foi ficando mais frio de maneira gradual. Miu havia fechado os olhos ao levantar os braços no movimento de defesa. Estava com as adagas em mãos e invocou inconscientemente uma parede de gelo na qual impediu a investida da Go-On Silver. A própria garota não esperava que fosse fazer aquilo. Mas ainda assim, ficou bem alegre por ter salvado a rival. Miu se aproximou dela com um sorriso no rosto, demonstrando alívio. Narumi estava com o coração até acelerado. Por um momento, achou que tomaria aquele golpe em cheio. E caso isso acontecesse, algo muito ruim teria acontecido.
– Vamos acabar com isso logo, Miu. – A mais nova concordou com as palavras de Narumi, então apontou suas adagas na direção da Ranger. O corpo dela começou a congelar, começando o processo pelos pés. Após pelo menos dois minutos, o corpo inteiro da marionete estava em meio ao gelo.
Rapidamente, a mais velha puxou uma flecha da aljava e a apontou na altura do coração dela. Fechou um dos olhos, queria que sua mira fosse perfeita e que derrotasse o oponente de imediato. Largou o fio do arco e a flecha negra percorreu uma boa distância até atravessar o peito da chave. O gelo se partiu e um brilho dourado emanou dentro dele, logo a Go-On Silver voltava a ser apenas uma Ranger Key.
Observaram de longe a luta dos outros três. Parecia que eles estariam se saindo bem quando um trovão “rugiu” e caiu bem no meio deles. Dividindo o local em heróis e vilões. Soou como um trovão normal até eles notarem que ainda emitia traços de eletricidade pelo chão. Quando a cegueira causada pelo clarão passou, Miu e Narumi avistaram uma silhueta familiar ao longe. Tinha um olho cinza e outro castanho bem escuro, quase em um negro em tom de trevas. O cabelo curto estava um pouco bagunçado, e ele usava um sobretudo negro por cima da calça jeans e da camiseta branca. Andava lentamente na direção do trio. Tinha duas espadas presas por uma corrente na cintura.
– Então foram vocês que pegaram minha memória... — Ele desembainhou as duas espadas e continuou andando para a direção de Taiga, Luka e Shoutarou. Desapareceu da vista dos três e ressurgiu lá em cima, disparando também um pequeno raio na direção deles. Desviaram com calma, por pensarem que seria algo fraco. Mas quando a energia tocou o chão causou uma bela explosão.
– Ei Ei! Isso é válido mesmo? Como um garoto desse tem tanto poder? – Shoutarou reclamou, sentindo-se um pouco indignado por conta do pequeno raio que foi lançado e no qual causou uma explosão bem maior do que esperavam.
Só após o ataque Miu e Narumi se deram conta de quem ele era afinal. Reconheceram pelo olho cinza único. Estranharam o fato de que ele estava com uma das íris totalmente escurecida. Além disso, não conseguiam entender o que ele queria dizer com “memória roubada”. Mas, com certeza havia um motivo para ele estar atacando o grupo delas.
Taiga estreitou o olhar e avistou Basco com um sorriso discreto na face. Logo entendeu que aquilo também era parte do plano dele. Porém, ainda não fora avisado por Narumi e Miu que aquele garoto era seu senpai, o que tornava a situação bem mais complicada. O Rei apontou a palma da mão esquerda na direção de Shishi. Narumi correu até ele e segurou seu braço antes que ele pudesse fazer qualquer movimento de ataque.
– Espere, Taiga-san! Aquele é o nosso senpai! – Após a fala de Narumi, o rapaz hesitou. Se ele realmente era quem as duas garotas procuravam, não havia motivo para machucá-lo gravemente. Ainda assim, precisava livrá-lo do controle de Basco, e aparentemente devolver suas memórias.
– Luka, Shoutarou! Venham até aqui, rápido! – Ao ouvirem o King, os dois se juntaram perto dele para escutarem o que ele tinha para dizer. Prestaram bastante atenção no plano no qual ele começou a contar. Era um pouco arriscado, mas talvez o único meio de fazer com que as duas recuperassem a memória de Shishi.
A pirata abriu um sorriso logo após entender o plano. Não era exatamente uma demonstração de felicidade, era uma risada que sempre dava quando algum inimigo estava prestes a tomar uma surra. Shoutarou tirou o chapéu da cabeça e o soprou para limpá-lo um pouco, já que estava cheio de poeira por culpa de Shishi.
O trio correu na direção dos Rangers. Logo um brilho os envolveu. Uma aura amarelada envolveu Luka, assim como uma aura negra cobria Shoutarou e Taiga. Atravessaram os inimigos como se fossem feitos de papel. Em seguida, os oponentes voltaram a se tornar Ranger Keys. Ao longe, Basco murmurava alguns palavrões, reclamando de as chaves não conseguiram segurar as pontas o suficiente.
Entretanto, Shishi se virou para dar atenção a eles novamente. Movimentou as espadas, fazendo um formato de “X” no ar, ele se tornou uma bela rajada de eletricidade. O King entrou na frente do ataque e o repeliu com a mão esquerda. Fez um sinal com a outra mão e então Luka atacou Shishi com seu sabre. Taiga saltou na direção de Basco e Escape. Pôde ver que Shoutarou fazia o mesmo. Após isso, ficaram frente a frente com eles. Basco bloqueou o golpe com a Rapparatta, e Escape se defendeu de um soco do homem de chapéu com as pistolas.
– Normalmente, eu não atacaria uma dama. Mas, acho que você não é nem de longe uma dama. – Shoutarou chutou-a na barriga e a lançou para longe. O rei tentava distrair Basco o máximo que podia. Se estivesse certo, a chave para seu plano estava na Rapparatta. Porém, ele precisaria da ajuda das duas garotas para conseguir tomar o item dele.
– Abra seus olhos, garoto! Você não vê que está sendo usado pelo Basco para nos atacar? – O contato do sabre da pirata com as espadas de Shishi liberavam inúmeras faíscas. Ela só não sabia se era devido aos poderes dele, ou se era só o atrito entre as armas. Luka fazia o máximo que podia para tentar salvar o veterano. Mas era bem difícil lutar igualmente com ele. Suas habilidades com espadas eram exímias, conhecia apenas uma pessoa que fosse tão bom utilizando essa arma.
Ao longe, puderam ouvir os passos de Miu e Narumi se deslocando para onde estavam Basco e Escape. Narumi atirou algumas flechas de jeito bem preciso por cima dos ombros de Taiga. O ataque foi um sucesso, já que ela conseguiu afastar Escape do King, e fazê-la se distrair do seu aliado.
Enquanto isso, Narumi se aproximou furtivamente por trás de Shoutarou e congelou o chão ao redor de Basco assim que o Detetive se afastou. Pouco a pouco os pés do Corsário também eram cobertos pela onda de frio criada pela garota. Ele se viu num beco sem saída. Não poderia escapar a não ser que usasse sua forma verdadeira. Logo, o próprio Basco emitia uma intensa aura vermelha. O Ambiente parecia ficar mais pesado, como se o tempo estivesse desacelerando.
Rapidamente, Narumi olhou para Basco e apontou uma flecha na mão em que estava a corneta. Concentrou o máximo de energia que lhe restava e disparou. Consequentemente, a flecha ficou mais rápida do que o costume. Atingiu em cheio a mão do inimigo, fazendo-o largar a Rapparatta. Miu saltou rapidamente na direção em que o item estava voando. Segurou-o e se vangloriou por alguns instantes, tempo suficiente para Basco assumir definitivamente sua verdadeira forma, repelir os oponentes e correr na direção dela. Por sorte, um deles gritou e a garota teve tempo suficiente para congelar a corneta, jogá-la no chão e destruí-la. Basco deixou escapar um “Não” bem sonoro. Ergueu a espada visando desferir um golpe em Miu, mas logo fora impedido por algo. Só teve tempo de notar um clarão branco a defendendo. Quando percebeu, Shishi estava na frente dela, com as espadas bloqueando o golpe do corsário.
– Acho que eu não preciso dizer muita coisa... – Eletricidade subia pelas pernas dele, desferiu um chute bem veloz no peito de Basco para afastá-lo da garota. Ele se virou e colocou a mão no cabelo dela. Tinha um sorriso no rosto, mas sua expressão demonstrava muita seriedade, como se não tivesse gostado nem um pouco de ser manipulado e ter suas memórias roubadas. – Vocês fizeram um bom trabalho, garotas.
Ele estralou discretamente os dedos da mão e voltou a atenção para os dois inimigos. A eletricidade percorria dos pés até a espada que estava na mão direita. Levantou o braço e fez parecer que ele absorvia os raios vindos do céu. – Chou Densetsu! Raikou Giri! – Mexeu rapidamente o braço, se deslocando e criando uma corrente de energia que danificava e paralisava o corpo dos inimigos. Em seguida, cravou as duas espadas no chão com bastante força e as deixou lá. Dando as costas para Basco e Escape. Um pouco de energia começava a circular pelo terreno, mas por enquanto nada acontecia.
– Não dê as costas para um inimigo, garoto! – Basco tentou se mover para onde Shishi estava e atacá-lo pelas costas. Deu-se conta de que não podia se mexer. Então, as espadas voltaram para as mãos de Shishi.
– Rekkouha. — Discretamente, a energia ficava mais intensa debaixo dos dois inimigos. Após pelo menos um minuto de silêncio profundo, um pilar de luz emergiu da terra, praticamente vaporizando Basco e Escape.
Os dois fugiram bem rápido, tanto que Shishi não precisou dar mais atenção a elas. As kouhais observavam o pequeno confronto, um tanto assustadas com o poder dele até. Não sabiam qual era a extensão dele, mas agora tinham uma boa noção do que poderia fazer.
– S-senpai... – Narumi estava boquiaberta. A partir dali, pensaria duas vezes antes de fazer qualquer trocadilho, implicar com ele e afins... Ou não. Mas mesmo assim, Shishi se mostrava mais assustador a cada dia que descobriam sobre a guerra. O rapaz embainhou as espadas e fez uma breve reverência para os outros três. – Eu peço desculpas pelo trabalho que dei a vocês. Deveria ter imaginado que Basco e Escape estariam tramando algo contra mim.
Luka fez um gesto negativo com a cabeça, tinha um sorriso no rosto. Dessa vez, era uma demonstração de felicidade, já que tinham conseguido trazê-lo de volta. – Não foi nada. Mas da próxima vez, me traga uma jóia como pagamento.
A expressão dele ficou séria quando escutou “da próxima vez”. Sabia que aquele encontro nunca mais aconteceria, eram dois mundos totalmente diferentes e que não estavam destinados a se cruzarem. Suspirou, e então voltou a atenção para Luka. – Olha, eu acho que isso nunca acontecerá novamente, mas... Ainda há um problema.
Narumi chegou mais perto e de maneira bem silenciosa. Tanto que Shishi e o trio já até tinham esquecido que ela ainda estava ali. – Mas ainda tem um problema. Como voltaremos pro nosso mundo?
Taiga tomou a frente. Tinha um sorriso no rosto, o que indicava que ele possuía uma solução para os problemas deles. – Isso é fácil. Eu sei como tirar vocês daqui.
Os outros três ficaram bem felizes ao saber que teriam como sair daquele mundo, mesmo que ele não fosse tão ruim assim. Infelizmente, não era o local no qual pertenciam. E ainda havia outro problema: J. Algo acontecera com o robô para que Shishi tenha sido teleportado para um mundo diferente. Um erro na programação, provavelmente. Porém, tinham a certeza de que fora algo causado por outra pessoa e não por defeitos na máquina.
Por fim, o Rei os guiou até um castelo gigantesco no formato de Dragão. Entraram pela boca dele... Foi uma situação bem estranha, já que ele parecia bem vivo. Disseram que o nome dele era Castle Doran. Ficaram de frente para uma porta trancada por uma chave. Taiga explicou que ela só abria de tempos em tempos, quando o mundo precisava de ajuda ou alguma coisa parecida.
– Então, acho que isso é uma despedida. – Shishi sorriu e agradeceu por ter sido salvo mais uma vez. Luka se aproximou e lhe deu um beijinho no rosto, o que causou uma pontada de ciúmes nas duas garotas. Os três riram discretamente ao perceberem a cena e então cumprimentaram uns aos outros. Shoutarou sorriu e se aproximou de Shishi, dando-lhe uma tapinha no ombro – Você seria de grande ajuda. Não gostaria de ficar aqui em nosso mundo?
Ele balançou a cabeça, embora pudesse ficar ali... Não era uma opção. Havia muitas batalhas para travar, pessoas para resgatar e um inimigo a combater. E, além disso, tinha duas garotas, bem agitadas por sinal para tomar conta. – Não será necessário. Este mundo já está bem protegido por vocês.
Trocaram sorrisos. Não havia mais nenhuma palavra a ser dita entre eles. As portas daquela sala se abriram, emitindo uma luz dourada bem forte. Ela sugou os três para dentro e os fez ter a mesma sensação de quando foram jogados naquela dimensão diferente. Quando acordara, estavam em um deserto. Observaram um prédio de pelo menos dez andares ali no meio, que com certeza chamava bastante a atenção. Miu chamou a atenção de seu Senpai. Perguntou-lhe o que deveria ser feito. Ele suspirou e sua expressão ficou séria mais uma vez.
– J está aqui em algum lugar. Vamos resgatá-lo... Afinal, ele é nosso amigo também. – Ninguém questionou. As duas tinham a mesma sensação. Sabiam que ele era um presente da irmã de seu senpai, e tinham o dever de resgatá-lo. O Robô era uma peça chave para ajudar a proteger o mundo.
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