Team Reset

6 O Dever de um Veterano


Algumas horas se passaram desde que a ultima luta contra Lyall ocorreu, mas estranhamente Shishi e Kaya não acordavam dos golpes que levaram na barriga. Isso preocupava bastante Hanako e Miki, afinal as duas ainda estavam acompanhando os garotos desde que os resgataram. – Miki-chan... O Shii-chan ainda não acordou desde aquela batalha, eu estou começando a ficar angustiada. – As duas mulheres estavam conversando no telefone, discutindo sobre uma possibilidade sobre o que estava acontecendo. – Você acha que algo pode ter acontecido antes de nós termos chegado lá? – Miki se fechou os olhos pensando em algum fato que possa ter deixado passar, mas não achava nenhuma lógica naquilo. Mas a mulher olhou para Kaya e percebeu algo que parecia muito fora do normal, ela parecia um pouco suada e tinha uma expressão diferente no rosto, Miki tirou o lençol e percebeu que havia algumas marcas subindo dos pés para cima do corpo dela. – Hanako-chan! Olhe para o corpo do Akamatsu-kun e veja de há algo de estranho, agora! – Ela tinha um tom sério e imperativo, algo que nunca tinha mostrado antes. Hanako descobriu o lençol que cobria Shishi e viu as mesmas marcas presentes na garota. Isso era realmente estranho... O que aquilo significava?

Enquanto tentavam resolver o problema, Kai estava voltando para casa quando uma mulher de olhos vermelhos e cabelos curtos, castanhos em um penteado Chanel usando uma calça jeans rasgada e uma camisa regata, estilam bem estranho pra falar a verdade. – O que você quer? – Questionou o garoto, alguém parar na sua frente daquele jeito só poderia querer alguma coisa, e informação de um lugar que não era. – Você é Rokushiki Kai, certo? — Pela expressão que Kai fez, apesar de não ter sido surpresa por ela saber seu nome, indicava uma confirmação que ela queria, fazendo um sorriso brotar nos lábios dela. – Então é realmente você, sinto muito... Mas eu terei que colocar você pra dormir um pouco. – Ele sorriu, mostrando que achou interessante a atitude daquela mulher, ela carregava um tom irônico na voz também. — E o que pretende fazer para me “deitar”, hein? – A luva dele se formava nos braços e ele adquiria uma postura de batalha. A mulher balançou a cabeça em gesto de desaprovação, e apontou um dedo para Kai, fechando o olho esquerdo como se estivesse mirando em algum ponto dele. – Bang! – Algo bem mais rápido que os movimentos dele, mais rápido do que qualquer coisa que já viu. Apenas com aquela onomatopeia e o gesto dela foram capazes de atirá-lo a alguns metros de distância sem o menor esforço. – Tsc... Achou que era capaz de me derrotar sozinho? Vocês Resets são bem arrogantes, né? – Falou de forma zombeteira, a mulher não revelou seu nome nem nada, mas era alguém que sabia da existência do Time. – Não vai me dizer que você é... – Nem conseguiu terminar a frase e a mulher o interrompeu, balançou a cabeça de um lado pro outro mais uma vez. – Não estrague a surpresa, garoto. Enfim... Eu tenho que dar um fim em você, então fique quieto, tá? – Ela se aproximou dele e se ajoelhou perto dele. Fechou o punho e uma energia roxa envolveu a mão dela por inteiro, então ela deu um murro na barriga de Kai, ele desmaiou com a força do golpe. E então as marcas que surgiram nos outros dois garotos apareceram em Kai também... Mas na luta de Kaya e Shishi ela não estava lá, como diabos ela teria feito algo? Não tinha nem como se pensar naquilo, ela olhou para o corpo de Kai e o colocou nos ombros como se fosse um peso de nada. – Muito bem, agora vamos levar vocês para o desespero. Ela andou e andou para perto da escola, de algum modo ela conseguiu deixar o corpo dele em casa, a mulher ainda teve a audácia de pegar o celular dele e mandar uma mensagem para Akayuri chamando-a para vê-lo. Após alguns minutos ela chegou lá e se deparou com uma grande surpresa...

Miki e Hanako tinham terminado a conversa no telefone, as duas olhavam para os garotos que estavam cuidando e ficaram pensando em como aquelas marcas surgiram, quando o celular de Miki tocou novamente. A mulher o atendeu achando que era Hanako novamente, mas quando olhou no visor do aparelho que era Akayuri logo atendeu, a sensei nunca ligava a não ser que fosse uma emergência. – Miki-san... O Kai-kun está com umas marcas no corpo. Eu não sei como surgiram, mas me mandaram uma mensagem do celular dele pedindo pra eu vê-lo... E quando cheguei encontrei ele nesse estado. – O sangue de Miki gelou naquele momento, alguém havia atacado Kai também, ele não estava na luta contra Lyall... Então alguém havia armado alguma coisa contra os três garotos e isso era imperdoável, porque eles sabiam que os três garotos eram por assim dizer, “o elo mais fraco” do time. Com menos experiência contra alguém de nível superior e ainda mais sozinho seria praticamente impossível de conseguir até mesmo fugir. – Sim, Akayuri-chan... Estou sabendo, aconteceu o mesmo com o Akamatsu-kun e a Akimoto-san. Eu vou investigar isso e depois falo com você, ok? – Do outro lado da linha Akayuri concordou falando um “sim” bem xoxo, bastante triste com o fato de aquilo ter acontecido com os garotos.

Shishi, Kaya e Kai começaram a emitir sons que pareciam como o de uma pessoa sonhando, querendo se comunicar sobre alguma coisa... Ganidos e alguns gemidos de dor eram ouvidos pelas três que estavam acordadas. Isso era desesperador.

- O que você faria se todos os seus amigos... Todos aqueles que você idolatrou por toda a sua vida morressem aqui e agora? – Dizia uma voz grossa e paralisante na mente de Shishi... Uma imagem se projetava na mente dele, seus amigos do Time e os seus heróis de uma vida toda, Kamen Riders, Super Sentais... Todos pegavam fogo na mente dele, aquela imagem era de deixar qualquer um arrepiado. Os gritos de todos pedindo por ajuda... E ele estava ali, sem poder se mexer, sem exibir qualquer reação que pudesse para assistir os que pegavam fogo. Aos poucos iam desaparecendo, um por um no meio da escuridão que era aquele pesadelo maldito. Shishi gritava desesperado e esse era um grito externo, Hanako conseguia ouvi-lo perfeitamente com ele dormindo... Ela sentia a raiva se acumulando em seu peito, tirando sua racionalidade a cada instante que passava e a fúria de ver seu otouto naquele estado deplorável e sem poder ajudá-lo de maneira alguma, era como se fosse o pesadelo dele apenas transformado em realidade... A única coisa que podia fazer era segurar a mão dele bem forte, sentindo o calor da febre que o acometia. – Shii-chan... Aguente firme, por favor... – Hanako sentia vontade de chorar ao ver seu irmãozinho daquele jeito, inerte e gritando feito um louco com as marcas subindo ainda mais pelo corpo, a febre aumentando ainda mais... A mesma coisa também acontecia com os outros dois garotos...

- O que você faria se a pessoa quem você tanto respeita, quem você tanto gosta sumisse para sempre? — Dizia aquela mesma voz, agora na mente de Kaya. Projetava-se a imagem de Shishi, virando de costas com uma expressão que parecia de decepção para com ela, a garota queria estender a mão para tentar puxar para perto de si, mas seu corpo não se movia... A imagem do garoto aos poucos ia sumindo naquela treva densa que era a mente dela. Tentou gritar mas sua voz não saía, a voz dela apenas saía no mundo real sendo escutado por Miki, que também sentia sua fúria se intensificando pelo corpo. Seja lá quem fez isso com ela teria que pagar e muito caro. A mulher deu um beijo na testa febril da garota e segurou a mão dela firmemente tentando mostrar que ela estava ali.

- O que você faria se todos descobrissem um segredo que você jamais revelou a ninguém? Algo que você não poderia contar nem sob tortura... Uma verdade que acabaria completamente com a sua imagem... — A voz seca inundava a mente de Kai com aquilo, uma imagem borrada de duas pessoas sendo desintegradas pela escuridão bem lentamente, como se quisesse ver o desespero aflorando pela mente e coração dentro dele. “Não’s” eram ouvidos por Akayuri, que sentia também o desespero que o garoto demonstrava, as marcas crescendo como nos outros dois e a febre ficando mais e mais alta a cada momento que ele passava tendo o pesadelo, a garota sentia sua ira crescendo, um sentimento que ela nunca tinha deixado passar pelo seu corpo de forma tão intensa, ela tremia de tal modo que parecia que estava com frio... Algo precisava ser feito e de forma urgente antes que algo de grave acontecesse.

De repente os três garotos se levantaram e aquilo pareceu como se tivessem melhorado, mas o corpo febril e as marcas subindo pelo corpo denunciavam que não estavam melhores. A íris deles aos poucos estava se tornando totalmente preta com o medo, o desespero e a tristeza das imagens em sua mente que iam tomando conta de tudo... Eles repetiam as mesmas palavras repetidamente. – Não há mais esperança, os sonhos se foram... Só restou o medo. – As três mulheres encostaram os garotos que vigiavam na cama, e decidiram se encontrar numa rua a mais ou menos 2 km de onde estavam cada uma, lá poderiam se reunir com calma e pensar. Demoraram meia hora para chegar lá e se encontrarem.

Quando se encontraram, o que podia ser visto eram as faces tristes, mas ao mesmo tempo cheias de ódio pelo que fizeram aos garotos. – Hanako-chan, Akayuri-chan... Eu tenho uma ideia de onde a pessoa que fez isso pode estar... – Dizia em alguns intervalos para respirar, de tão rápido que correu para chegar ao local combinado de forma rápida. – Se formos àquele mesmo parque em que o Akamatsu-kun e a Akimoto-san foram raptados, poderemos descobrir uma resposta... Não sabemos o que vamos encontrar lá, estão dispostas mesmo assim a ir lá? – O Silêncio de Hanako e Akayuri era suficiente para mostrar o quanto estavam determinadas a lutar. Invocaram suas armas, a katana de Akayuri que estava prestes a incendiar, a armadura branca e o tridente de Hanako. Até mesmo Miki invocava a arma dela, dois leques de design chinês surgiam nas mãos dela. A Diretora abriu os leques e surgia um dragão idêntico ao da mitologia Chinesa e fez algo semelhante a uma dança com os leques, um portal circular se abria. – Vamos... – Hanako e Akayuri entraram primeiro e Miki foi logo depois para poder fechar o portal. Imediatamente estavam dentro daquele mesmo parque, e uma presença era sentida, com duas vozes (uma masculina e uma feminina) anunciavam.

- Nós sabíamos que vocês viriam correndo. – Duas pessoas saltavam de uma árvore, uma delas era facilmente reconhecida como Lyall, mas a outra era uma mulher de olhos vermelhos, cabelo curto em penteado Chanel e castanho com um sorriso malandro no rosto. Akayuri apontou a espada para ela. – Quem é você? – A inimiga fez um muxoxo de decepção para Akayuri, então foi andando para se aproximar dela beeem calmamente. – Aaahn? Hanabi-chan, que direta. Gostei disso, já que queres uma resposta, uma resposta será dada... Eu sou a segunda Agente Especial da Organização, Kazumi... A Manipuladora de Sonhos e de Formas. E por falar nisso, como estão meus garotos? Suponho que em péssimo estado já que eu os ataquei. -... “Manipuladora de sonhos e formas”, aquilo explicava tudo o que elas queriam saber. Na verdade não era Lyall naquele momento e sim a tal Kazumi, que tomou a forma dele e atacou Shishi e Kaya no parque. – Desfaça o que você fez com os garotos, agora! – A voz de Hanako estava diferente do normal, séria e cheia de rancor pelos feitos da oponente. Kazumi fez um gesto com o dedo, balançando-o da direita para a esquerda. – Receio que não, minha cara Takajima-chan. Mas podemos fazer um trato, né? Uma luta justa. Se ganharem de nós dois juntos eu libero o “feitiço” dos meus garotos, mas se perderem... Eles morrem e vocês ainda terão de passar pelo mesmo processo, feito? – Elas concordaram sem sequer pensar se ganhariam ou não, mas tinham total confiança de que poderiam vencer a batalha. – Eu só gostaria de dizer uma coisa antes da luta começar... Nosso humor está péssimo. – Afirmou Akayuri, aquela frase resumia tudo o que aconteceu com os garotos e como isso refletiu nelas.

A Sensei fez sua espada pegar fogo e disparou uma rajada de fogo contra Kazumi e Lyall, Hanako balançou o tridente fazendo a ventania expandir e deixar a chama mais forte ainda. Miki atirou um de seus Leques em direção a combinação de ataques das outras duas, e surpreendentemente a arma não sofreu nenhum dano... Pelo contrário, se juntou ao combo delas, que gritaram em conjunto. – Hell Fan! – O leque atingia os dois inimigos no peito, na barriga e no rosto em sequência e de maneira bem forte, com a velocidade da arma intensificada pelo vento e ainda queimando a pele onde tocava... Era um poder assustador. O Vento e o fogo se extinguiam e o leque voltava para a mão da Diretora. – Hanako-chan, agora! – A mulher de olhos cinzentos entendeu apenas com aquela fala e girou o tridente para frente em uma volta circular completa gerando um pequeno furacão, Miki fez um movimento com os braços usando os leques que aumentaram a potência daquele furacão. Lyall e Kazumi desviaram antes que fossem atingidos em cheio. – Akayuri-chan, Hanako-chan, Ganma Two! – As duas assentiram e jogaram a arma uma pra outra, Akayuri ficou com o tridente e Hanako com a katana. A Diretora uniu os dois leques com as mãos e atirou nos Agentes Especiais, eles desviaram, mas aquilo era apenas uma distração para o ataque que estava por vir. As duas garotas cruzaram as suas armas e as apontaram para Kazumi. — Flame Hurricane! – O fogo se formava indo do tridente para a espada, e um furacão também era feito do mesmo jeito, apenas indo da espada para o fogo, então eles se uniram e foram em direção a Kazumi, que por estar distraída do golpe de Miki foi impossível de desviar.

- Ei, Lyall! Vamos recuar! – O inimigo estava pronto para recuar quando Miki começou a sentir o corpo pesar. Kazumi viu uma oportunidade disso e se levantou, apontando o dedo para Miki. Ela fez o mesmo “Bang” quando atacou Kai e Hanako pulou na frente dela e desviou aquele “impacto” com a lâmina da espada coberta com vento. Akayuri olhou para Miki, sabia que em algum momento aquilo aconteceria com ela. No entanto, não era tempo para pensar, apoiou o tridente nas costas e foi correndo em direção a Lyall, girou o tridente e fez a ponta da arma incendiar para em seguida liberar o fogo visando atingi-lo. O garoto desviava, mas já estava se sentindo afetado pelos ataques que já havia sofrido, assim escapar ficava mais e mais complicado. Hanako corria para frente de Kazumi e usava a espada coberta de vento para cortá-la de algum jeito, a inimiga desviava de todos os ataques. Realmente era muito difícil derrotar um Agente Especial lutando sem nenhum companheiro, mas isso não seria motivo para desistir não é? As duas se distanciaram e aumentaram a força nas armas que haviam trocado... O fogo no tridente que Akayuri segurava cobria praticamente toda a arma, e em volta de onde Hanako estava a ventania era muito forte.

- Hell Fire!

- Heaven’s Tornado!

­As duas garotas liberaram as energias gritando o nome dos ataques, Akayuri simulou uma perfuração com o tridente na hora de disparar a intensa quantidade de chamas em Lyall, Hanako girou a Katana em meia-lua antes de disparar a quantidade de vento que fez tudo balançar na floresta que elas estavam. Os golpes atingiram os dois oponentes em cheio, foram atirados para um rochedo próximo ao fim da floresta. Tinham ferimentos por todo o corpo.

Miki se aproximava das outras duas e apontava os leques na direção dos Agentes. A expressão dela era bem cansada e ao mesmo tempo bastante determinada em salvar os garotos.

- A ultima coisa que deveriam ter feito foi mexer com nossas “crianças”...

- Sim! É nosso dever como Sempais protegê-los...

- Ensiná-los tudo o que aprendemos, todos os erros que cometemos um dia para que não cometam o mesmo erro... E assim possam trilhar um caminho no qual nós, aqueles que os ensinaram e eles próprios tenham orgulho disso! É por isso que... Tirar a esperança, os sonhos e qualquer outra coisa de alguém que ainda está aprendendo a viver é imperdoável!

- A frase foi dita por Miki, Hanako e Akayuri respectivamente. Apenas a ultima parte sobre “Tirar os sonhos” foi dito com todas as mulheres falando em conjunto, os inimigos se sentiram acuados, sabiam que se continuassem lutando poderiam perder ou acabar morrendo. Decidiram retirar-se do local rapidamente no momento em que Kazumi apontou seu dedo para o chão e criou uma cortina de poeira. Hanako e Akayuri correram para onde a cortina de poeira estava, mas era tarde demais. Devolveram suas armas uma para a outra e foram em direção a Diretora. – Miki-chan, você está bem? – Hanako perguntava, ajudando a mulher a se levantar colocando-a nos ombros. Miki sorriu respondendo tranquilamente. – Uhum, é só que faz muito tempo que eu luto desse jeito, né? Meu corpo acaba sentindo o quanto estou enferrujada. – Akayuri também se aproximou e colocou o outro braço de Miki, andando de volta à diretoria para tratar de Miki, e dos seus próprios ferimentos.

Os garotos agora estavam deitados em suas camas, voltando a ter sonhos e não pesadelos como tinham antes. E então, quando acordassem seria contado tudo o que aconteceu, linha por linha.