Team Reset

7 Vivendo para o Futuro.


Alguns dias após o ataque da nova Agente Especial, todos se recuperaram e viviam normalmente, mesmo com aquela ansiedade que sempre havia de ocorrer algum ataque quando menos esperavam. Shishi e Akayuri receberam a “missão” de comprar alguns suprimentos para as suas casas, afinal saco vazio não para em pé. Nas mãos dos dois garotos tinham várias sacolas cheias de frutas, verduras, carnes e outros tipos de comida que serviriam para preparar refeições diferentes. – Tem certeza que eu não preciso carregar as suas sacolas também? – Ela balançou a cabeça da esquerda para a direita. – Não precisa desse cavalheirismo todo comigo, Shishi-kun. Nós somos amigos não é? – Ele sorriu e continuou andando, queria pelo menos fazer esse favor em troca. – Ah, é verdade... Eu ainda não te agradeci direito por aquele dia, né? Então, Arigatou gozaimaaaasu, Akayuri-san! – O garoto curvou o corpo em mais ou menos quarenta e cinco graus para fazer a reverência, e quando se levantou tinha um sorriso bem bobo na cara. Aquele agradecimento tinha soado como uma brincadeira. – Shishi-kun, baaaaka! Eu fiz o que deveria fazer. – Ela sorriu e deu um soco de leve nas costas dele.

Andaram mais uns quarenta metros quando Akayuri parou de repente, deixando as sacolas com as comidas caírem no chão, Shishi se abaixou e pegou as coisas que ela havia deixado cair, e quando olhou para frente viu um homem parado a mais ou menos 10 metros. Ele tinha os cabelos bagunçados e a barba malfeita, olheiras no rosto de quem não dormia há bastante tempo, os olhos dele eram castanhos assim como seus cabelos. Os olhos dele miravam fixamente a garota. – Hanabi-san... Você me trocou por esse garoto? – Ela arregalou os olhos e sua pele ficou pálida, não tinha como reagir. Shishi não entendeu o porquê daquela reação da garota, mas sentiu a aura diferente que aquele homem emanava... Remetia a aura de alguém que havia ganhado poderes da Organização e isso era algo muito ruim, dava para notar só de olhar para o rosto dele. – Por quê?... — O homem então apontou a mão para Akayuri e o chão se abriu, uma rocha foi em direção a ela. Mas a garota continuava ali parada e sem se mexer. Shishi largou as coisas que havia comprado e invocou sua arma se atirando na rocha tentando golpeá-la com a perna, mas ela era bem mais resistente do que apontava. Destruiu-a em vários pedaços, mas acabou machucando um pouco a perna direita ainda que não demonstrasse isso. – Esse cara... Foi manipulado pela Organização. E ele é bem forte. – O garoto estava se preparando para correr quando Akayuri o impediu, estava com os olhos marejados como se aquele homem causasse aquilo nela. Antes que pudesse perguntá-la porque foi impedido, sentiu o peso de uma rocha atingindo-o bem nas costas e o fazendo se chocar contra uma parede. O impacto foi bem forte e ele saiu com uns belos arranhões e com o braço direito sangrando, além da perna que já estava machucada. A garota invocou sua espada e a fez pegar fogo, atirando o fogo perto de uma poça que estava ali perto para causar uma cortina de fumaça. Assim que fez a fumaça surgir apoiou Shishi no ombro e o levou para sua própria casa.

Chegaram lá e deram de cara com Miki, que parecia estar saindo de lá. Ela ficou bem surpresa ao ver o garoto sendo carregado por Akayuri e já estar ferido depois de tão pouco tempo. – Akamatsu-kun, você não consegue ficar longe de confusão né? – Ela riu e ajudou a garota a trazê-lo para dentro de casa, podendo então tratar dos ferimentos dele, enfaixou o braço do garoto para estancar o sangramento do braço e algumas outras faixas na perna que havia machucado também, e uns band-aids nos arranhões menores que tinha no resto do corpo. – Quem era aquele cara? – Disse em meio a alguns gemidos de dor do braço que ainda teimava em sangrar um pouco, deixando o curativo marcado com o vermelho intenso do sangue dele. – Miki-san, eu preciso sair um pouco. – A mulher fez um gesto com a cabeça indicando que sim. Shishi esperou Akayuri sair para poder comentar algo sem que ela ouvisse. – Miki-san! Porque a deixou sair? Ela pode ser atacada a qualquer momento por aquele lá! – Ela olhou para baixo e se aproximou do garoto sentando-se ao lado dele. – Akamatsu-kun, eu vou ter que te explicar algo... Por enquanto deixe isso quieto para os outros membros do Time, mas só existe uma pessoa que poderia deixá-la da forma que você descreveu... Alguém que pertence ao passado dela, algo que ela quer esquecer. – Ele olhou para Miki, esperando que ela contasse. – Isso foi há quatro anos... Foi quando nos conhecemos... No nosso país alguns pais ainda seguem a tradição dos Samurais, a família da Akayuri-chan era uma delas. Os pais dela queriam um casamento arranjado, quando ela tinha por volta de treze anos.

----------------Inicio do Flashback-----------------

- Okaa-sama, eu não vou me casar com ele! Eu não quero ser forçada a casar com alguém que não gosto! – O rosto dela ainda era bem semelhante ao que é atualmente. As únicas mudanças no corpo dela do tempo que passou eram a altura, algumas feições no rosto e no corpo que havia desenvolvido se tornando o de uma mulher adulta, mesmo que ainda tivesse a idade de Shishi e dos outros garotos.

- Você casará assim mesmo, Akayuri! É para o bem da nossa família. Esse rapaz é uma boa pessoa, e o principal... A família dele é poderosa e possui muitas riquezas! – A Akayuri “chibi” estava praticamente chorando, rejeitando aquele casamento forçado, no fundo queria conhecer alguém no qual pudesse amar e criar sua própria família e não um casamento arranjado daqueles, que tinham uma grande possibilidade de ser um casamento sem amor.

- Eu não quero casar, eu não vou me casar! Eu te odeio Okaa-sama! – Ela saiu correndo para dentro de uma floresta perto da casa onde morava, levantando a saia do kimono, senão tropeçaria caso tentasse correr com ele. Foi para uma casinha do tamanho de uma casinha de um cachorro de grande-porte. Ficou lá dentro secando as lágrimas com o vestido, estava com as bochechas vermelhas e com os olhos um pouco “inchados” por estar chorando. Não sabia o que fazer, não queria contrariar sua mãe ou as leis de sua família... Mas também não queria que seus parentes sofressem por aquilo, tinha de pensar em um jeito de resolver aquilo sem ter que fugir (que era o seu plano principal até o momento). Passou horas pensando em uma maneira alternativa de fugir daquele casamento forçado sem que ninguém tivesse algum problema. Não havia nenhum meio, ela teria de fugir para não viver uma vida infeliz. Enquanto pensava naquilo sua mãe a encontrou e a levou para fora da casinha. – Akayuri! Fugir é inútil, você vai encontrar com ele daqui a pouco... Limpe as lágrimas do seu rosto para podermos nos encontrar com ele.

Foram andando de volta a casa e ao chegar lá entraram em um quarto de estilo antigo cheio de vasos antigos e que pareciam bastante caros. Sentado em uma mesa havia um rapaz de mais ou menos dezessete ou dezoito anos, tinha cabelos castanhos arrumados e seus olhos eram da mesma cor do cabelo, ele tinha um sorriso alegre e sentia seu coração bater mais rápido ao ver a garota... Claramente um sinal de que havia se apaixonado por ela à primeira vista. – Esse é o seu noivo, Akayuri-chan... – A mãe dela dizia com um sorriso no rosto, eles se apresentaram e ficaram conversando até tarde da noite. Então o tal homem foi embora e a garota ficou sozinha em seu quarto pensando no que fazer, sabia que ele estava sentindo algo por ela... Não queria magoá-lo ou fazê-lo se sentir mal, não tinha saída... Qualquer caminho que escolhesse poderia dar errado de alguma forma. Talvez estivesse sendo egoísta por não querer casar. Era a única saída. Passou a noite pensando em escrever uma carta dizendo que fugiria de casa, teria de escolher as palavras cuidadosamente para não machucar tanto o homem quanto sua própria mãe.

Então o dia raiou e a sua progenitora entrou no quarto avistando de primeira a carta que tinha deixado na cama. Ela abriu e a leu.

“Okaa-sama, eu sei que isso vai ser muito difícil para você... Mas eu não quero correr o risco de viver uma vida infeliz só porque você quer aumentar as suas riquezas e seu poder se casando com uma família de poderio igual ou ainda maior... É injusto colocar sua filha no meio de toda essa história só por uma questão de vaidade. Eu gostaria que algum dia você me perdoasse e, por favor, mostre essa carta para ele também... Queria que ele não se machucasse tanto assim também. Ass: Akayuri. “

---------Fim do Flashback-----------

- E alguns dias depois eu a encontrei num parquinho em uma Rua em Kyoto, a acolhi e desde então ela tem treinado comigo... Por isso temos uma relação tão forte uma com a outra. Agora você entende Akamatsu-kun? Ela nunca quis falar isso com ninguém, você é o primeiro a saber dessa história. E ainda soube dela por mim. Essa luta é dela e a Akayuri-chan a travará sozinha! – Shishi apertou as mãos na roupa e se levantou peitando Miki de alguma forma, ainda que sentisse um pouco de receio em fazer isso com a Diretora. – Eu sinto muito, Miki-san... Mas eu não posso fazer isso, não consigo ficar aqui sentado enquanto ela pode estar lá se machucando ou até mesmo algo pior com aquele cara! Se a Organização o manipulou para que ficasse contra ela então ele não sabe medir suas atitudes! Você sabe melhor do que todo mundo como isso pode afetar uma pessoa. – O garoto a encarava olhando nos olhos dela, a mulher sorriu em resposta a aquilo pensando no quanto Shishi havia crescido desde que se juntou ao Time... E pensar que ele era apenas um otaku antissocial que não tinha amigos, agora estava decidido a proteger alguém. – Akayuri-san é alguém muito importante para mim, por isso, Miki-san... Eu quero sua ajuda, me deixe encontrá-la, por favor! – Suplicava, enquanto a Diretora não esbanjava nenhuma reação concreta. Ela apenas tirou o celular do bolso e abriu a tampa do celular, olhando para um pontinho vermelho que havia em um mapa... Era o sinal que o celular de Akayuri enviava para o dela. Miki deu o endereço para onde ela estava indo ao garoto e ele logo se levantou para ir até o local. – Akamatsu-kun, tenha cuidado. Você ainda está muito ferido. Sua situação pode piorar ainda mais se você se esforçar muito. – Ele olhou para ela e sorriu, fazendo um sinal de “ok” com o braço que estava bom. Então abriu a porta e correu olhando atentamente para o celular procurando pelo endereço dela, ativou sua armadura com um pouco de relutância sentindo a dor da perna que estava machucada, concentrou a eletricidade branca nas pernas e depois a liberou para voar ao endereço que lhe fora passado. Miki refletia de forma alta enquanto o garoto ia ao encontro de Akayuri. – Do jeito que ela é hoje... Eu acho que ela vai encarar o destino que lhe foi imposto...

Voou por mais ou menos cinco minutos até chegar a um ponto próximo de onde o sinal era enviado. Pousou de um mau jeito e acabou caindo nos cascalhos que ficavam ali próximos, se ralando mais ainda do que já estava. – Droga... Eu estou pior do que eu pensava, mas eu não vou cair aqui... Não mesmo. – A perna dele queimava de dor, tentou se levantar, sentindo a perna tremer como nunca. Continuou a caminhar mancando bastante pela perna machucada. Se tivesse que lutar isso seria um problema gigante, afinal ele usava as pernas para lutar... E com uma delas feridas tornaria muito difícil de lutar, principalmente com um inimigo daqueles, que atira rochas grandes. Avistou Akayuri e o outro homem de longe, ela estava se aproximando pouco a pouco. Shishi se encostou a um rochedo que ficava ali para repousar um pouco a perna, porventura acabou escutando um pouco a conversa deles.

- Eu sinto muito por ter estragado a sua vida... Eu sei que você queria ter se casado comigo, mas... Agora eu cresci, já sei quais são minhas responsabilidades... – Ela olhou para o chão, se lembrando dos amigos que fez desde que conheceu Miki. Nunca tinha sido tão feliz em sua vida... O coração dela tentava decidir entre aceitar sua responsabilidade e lutar junto a seus amigos para salvar o mundo. Cada palavra dela ia pesando em sua mente em seu coração. Será que seus companheiros aceitariam que ela saísse do grupo por alguém que decidiu sua vida? No entanto, a única pessoa que estava ali ouvindo aquela conversa sabia o que fazer. – Eu não vou aceitar isso... – Disse baixinho enquanto vinha se aproximando de onde os outros dois estavam, fazia isso mancando bastante ainda. A garota se virou e avistou Shishi andando lentamente para onde estavam. O homem avistou o garoto e olhou para ele com ódio. – Você! Não vai tomá-la de mim! – Deu uma pisada no chão, levantando uma rocha e a atirou em Shishi. O garoto fez a eletricidade branca percorrer o corpo e ele levantou a perna machucada em direção ao projétil que o atingia, a eletricidade saiu da perna dele e destruiu e rocha em vários pedaços, mas quando ele colocou a perna de volta no chão sentiu a dor passar por todo o seu corpo como se seu próprio golpe tivesse se voltado contra ele... Impressionantemente ele não soltou nenhum som de dor, estava aguentando até onde podia com tudo aquilo. – Akayuri-san... Você não precisa se casar com ele só por ser sua responsabilidade... Eu não sei nada disso de amor, mas eu acho que se ele realmente te ama deveria entender porque você fugiu... Você é nossa Sensei... Não, mais do que isso. Eu preciso de você, nós precisamos de você... Como poderemos ter orgulho de nós mesmos sem você para nos ensinar? Eu não aceito isso! – A garota olhou para ele, não sabia o que dizer diante das palavras dele. A mente dela era como se fosse uma balança. – Você quer correr o risco de viver tristemente só por causa dessa sua obrigação? Se você deixar de lutar o mundo pode acabar, não lembra? Não viva pelo passado, você tem que viver pelo presente e pelo futuro... Eu não vou deixar você ir... Seja com qualquer um do Time... Não vou deixar nenhum de vocês ir embora. Menos o Kai, eu não gosto dele. – Shishi deu uma risada para quebrar aquele momento meloso que estava no ar, era muito estranho aquilo, ele geralmente era bem “alto astral”. Mas aquele momento feliz também foi quebrado quando o garoto empurrou Akayuri e um segundo depois disso uma rocha o atingiu bem no peito ele saiu voando alguns metros de distância. Ele cuspiu bastante sangue com aquilo, o ferimento do braço já machucado estava aberto novamente o sangue escorria. O garoto não tinha mais força nenhuma para se levantar, sentiu a visão ficando turva com o peso da pedra em cima dele. – Shishi-kun! – A garota correu para perto dele, invocou sua espada e começou a golpeá-la com sua arma para tentar destruir a espada de cima dele. Ela fechou os olhos, rezando para conseguir quebrar a espada. Shishi abriu seus olhos ali e o que ela faria se ele morresse? Não podia deixar isso acontecer. Sentiu sua mão esquerda pesando, e quando abriu os olhos viu uma katana de lâmina um pouco maior do que a que estava na mão direita. A garota esbugalhou os olhos ao ver a outra arma se materializar do nada na mão dela, não importava, contanto que a ajudasse a destruir aquela pedra que esmagava Shishi. Trocou a katana maior para a mão direita e deixou a menor na esquerda, apontou as duas armas para a pedra e as fez incendiar. Desferiu vários golpes com as katanas pegando fogo. Após mais ou menos cinco ataques com cada arma ela se virou e colocou a espada menor no chão. A rocha que estava em cima de Shishi se partiu em várias partes e o peso que estava sobre ele foi liberado. O garoto começou a tossir num reflexo de seu corpo para recuperar o ar que estava sendo tomado. – Descanse um pouco, Shishi-kun. É minha vez de lutar agora. – Ela sorriu,pegando a espada que estava no chão e foi em direção ao homem, a face dele demonstrava a de alguém que já havia perdido a sanidade há muito tempo. As armas dela se incendiaram novamente, então ela golpeou o homem com dois cortes horizontais na barriga. – Sinto muito... Mas eu não vou com você. Vou ficar e lutar. – Ela deu as costas para ele, voltando para onde Shishi estava. – Eu vou levar você a um hospital primeiro, Shishi-kun.

E então Akayuri o levou para um hospital próximo onde Shishi pudesse ser tratado de maneira apropriada... Mas quando os outros membros souberam disso, foram logo perguntando o que aconteceu, a resposta dos dois foi simples e direta. – Apenas um problema com casamentos.

Agora, os dois garotos estão com suas esperanças renovadas, e mais decididas ainda a proteger o mundo da ameaça que era a Organização... Sem saber do futuro que aguardava a todos.