Team Reset
12 Momento de Desespero.
Notas iniciais
Mais ou menos três semanas após o incidente com os pais de Kaya, os garotos já haviam se recuperado totalmente dos ferimentos e viviam naquela normalidade na qual estavam acostumados. A pressão psicológica imensa que sofriam por não saber quando a Organização faria um novo ataque, aquilo era uma das piores coisas que sentiam. Também conhecida como a famosa frase: A calmaria que vem antes da tempestade.
Shishi estava em casa com a Hanako, os dois preparavam um jantar especial. O garoto cortava os legumes e algumas frutas e Hanako fazia a carne. A jovem teve algumas aulas de como cozinhar depois que se conheceram. – Hana-san? Eu preciso te perguntar uma coisa... Tem problema? – Ela fez um “não” sinalizando que não havia problema algum. O garoto suspirou e então decidiu fazer de uma vez a pergunta. – Você tem família, Hana-san? Quer dizer... Nunca te vi comentando algo relacionado a isso. – A mulher deu uma leve estremecida ao ouvir a pergunta, bateu-lhe a duvida se contava logo a verdade ou não... Sabia que se falasse de uma vez acabaria assustando o garoto ou ele acharia que é brincadeira.
– Bem... Eu sou orfã, Shii-chan. Cheguei a conhecer meus pais, mas eles acabaram morrendo em um acidente. – Nada do que ela disse era mentira até então, apenas omitiu o fato de ter um irmão e que ele estava bem do seu lado. Realmente tinha medo do que ele poderia fazer se descobrisse a verdade.
– Entendi, então somos bem parecidos. – O garoto deu um sorriso, vendo que tudo o que tinha feito estava pronto. Hanako também terminou a sua parte do jantar e murmurou. – Somos mais parecidos do que você imagina... – Jantaram e conversaram por algumas horas. Pareciam bem felizes convivendo juntos. Assim que estavam prontos para dormir, o telefone da casa de Shishi tocou. – Se importa em atender pra mim, Hana-san? Eu vou ajeitar algumas coisas aqui... – Shishi levou os pratos e arrumou o que estava bagunçado enquanto a Hanako conversava ao telefone com a diretora. Parecia ser algo bem sério, já que a mulher estava bem atenta ao que Miki dizia. Alguns minutos depois desligou o telefone e subiu para se arrumar. Por se conhecerem bastante, o garoto também foi para o próprio quarto e se vestiu.
– Shii-chan, temos uma missão... – Pareceu até que Shishi reclamaria de ter uma missão àquela hora, mas olhou para a mulher e deu um sorriso. – Vamos lá então. – Assim que pudesse comentar mais alguma coisa, Hanako o interrompeu. – Miki-chan não vai conseguir nos enviar até lá, teremos de ir andando.
Ele fez um gesto meio nervoso, tinha se acostumado a ser teleportado para os locais graças a Diretora. Portanto, arrumou algumas coisas para a viagem e então seguiu com Hanako.
Após mais ou menos duas horas de caminhada madrugada adentro os dois chegaram em uma floresta, podiam sentir os frios pingos de chuva que caíam sobre seus corpos. O local estava inabitado, algo que seria óbvio de se pensar por estarem num lugar como esse no meio da noite. Estavam relativamente tranqüilos até uma risada ecoar pelo local, os dois encostaram suas costas ficando numa posição na qual eles não ficavam com pontos cegos, tirando a parte de cima deles.
Então, três figuras saltaram de árvores próximas. Eram os Três Agentes que aparentemente estavam esperando o surgimento dos dois. Tanto que a dupla ficou bem surpresa ao ver quem os encurralou. – Vocês? Como sabiam...? – Kazumi sorriu discretamente para Shishi. – Nós vigiamos vocês, garoto. Estamos sempre um passo à sua frente, nunca conseguirão sair na nossa frente. – Shishi e Hanako tentaram invocar suas armas, não obtiveram uma resposta. Lyall cruzou os braços e olhou para eles enquanto mostravam um pouco de medo por estarem desarmados. – Esclarecerei tudo para vocês... Essa floresta emana um campo eletromagnético imenso, os humanos normais diriam que se assemelha ao “Triângulo das Bermudas”. De todo jeito, esse tal campo causa interferência em todas as ações que necessitem de tecnologia. E a ajuda não chegará a vocês a tempo, preparem-se para morrer. – O Agente de cabelos castanhos lisos apontou a mão para Shishi e uma energia negra o envolveu levantando-o. Parecia apertar os braços do garoto ao corpo, pois ele começou a gritar de dor. Hanako mostrava-se bastante agoniada ao ver aquilo, mas também fora presa pela energia emanada da outra mão de Lyall, parecia que não havia realmente esperança para os dois. – Hana-san... Eu tenho que salvá-la... – O garoto tentava desesperadamente tentar se livrar daquilo que o prendia, entretanto, parecia algo impossível de se fazer. Lyall o jogou em direção as árvores, onde o garoto bateu com as costas bem no tronco, cuspiu um pouco de sangue. Shishi bateu o punho no chão e apertou a mão na terra, sujando-se um pouco. Levantou-se e então gritou bem alto, livrando-se da energia que o prendia. Correu e então saltou para acertar um chute em Lyall, sendo bloqueado pela mão dele, foi jogado no chão novamente. Hanako estava preocupada com ele, tinha medo do que poderia acontecer caso ele continuasse se machucando. – Chega, Shii-chan! Vai ser pior para você se... – A jovem não conseguiu nem completar a frase, levou um tapa de Kazumi. A Agente agarrou o rosto dela e o apertou, aproximando-os. – Silêncio... Ou você perderá o show.
Lyall disparou algo invisível contra Shishi, golpeando no peito. O garoto não sabia se era por não poder usar suas habilidades ou pelo inimigo parecer mais forte. Não sabia mais o que poderia fazer contra ele, seus amigos não chegariam a tempo de salvá-los. A única coisa que tinha certeza era que tiraria Hanako dali mesmo ao custo de sua própria vida. Assim que a oportunidade lhe apareceu, saltou por cima de Lyall e puxou Hanako de perto de Kazumi, de um modo que conseguiu abraçá-la enquanto voava. – Fuja, Hana-san... Eu vou cuidar dos três de algum jeito. – A mulher balançou a cabeça negativamente, não podia deixar que seu irmãozinho mais novo se sacrificasse por ela. Lutaria junto a ele até o final. – Não posso deixar você se sacrificar por mim, Shii-chan... – Então uma explosão separou os dois, lançando-os bem longe um do outro. Kazumi e Lyall estavam com as mãos apontadas para eles.
Disparavam rajadas de energia nos dois sem piedade nenhuma, soltavam gemidos de dor a cada explosão ao redor e quando os atingia. Ao longe, passos de um grupo de pessoas eram ouvidos, deveriam ser os outros Resets que haviam chegado para ajudar. Porém, não conseguiam transpor uma barreira que fora colocada pelos Agentes. Joe que até então estava calado, olhou para os recém-chegados e debochou. – Vejam, garotos! Os seus preciosos amigos sendo exterminados bem em sua frente sem que possam fazer nada!
Por fim, os três agentes levantaram as mãos e luzes de cores azul, vermelha e roxa se uniram. Apontaram aquilo para Shishi e concentraram por alguns momentos, uma bola de pura força foi atirada para ele. O garoto chegou até a fechar os olhos esperando o golpe final que tomaria, mas aparentemente não o havia atingido, embora tivesse sentido o impacto quando abriu os olhos a luz o ofuscava, alguém havia entrado na frente dele... Pelo que reconheceu, era Hanako. Ela havia tomado o ataque por ele. A mulher desabou, e só não caiu com tudo por ter sido segurada por Shishi. A expressão dela era de alguém que estava totalmente sem forças, tanto que olhava para o garoto com uma expressão vazia. Ele apertou os braços nela sentindo que a vida dela estava indo embora, não era possível conter os sentimentos naquele momento, as lágrimas de Shishi caíam no rosto dela. A jovem sorria para ele, tentando reconfortá-lo de algum jeito. – Não chore, Shii-chan... Não foi culpa sua. – Conhecia-o tão bem que sabia como ele estava se sentindo, pensava que poderia ter feito alguma coisa para desviar do ataque e isso não teria acontecido, agora não havia como voltar atrás. – Não fale, Hana-san... Poupe suas energias, eu vou dar um jeito de tirar você daqui... – Ela levou dois dedos aos lábios dele para silenciá-lo, não parecia sentir dor alguma apesar de estar em seu leito de morte.
– Eu só sinto por uma coisa, Shii-chan... Eu gostaria de contar a verdade para você, queria ter passado mais tempo com você... Meu irmãozinho... – As ultimas palavras dela fizeram o garoto entrar em choque, não podia mais perguntar nada pois o corpo de Hanako havia desaparecido na escuridão, como se nunca tivesse existido.
A partir dali, tudo começaria a se explicar, as peças do quebra-cabeça finalmente se juntariam. Porém, o que aconteceria no futuro afetaria principalmente Akamatsu. Como os jovens se comportariam? O futuro é incerto e o vento do destino os guiaria...
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