Team Reset

13 O Nascimento do Agente Zero.


Hanako morreu nos braços de Shishi após protegê-lo de um ataque fatal, e em meio a isso, revelou uma verdade escondida dentro dela há muito tempo. A própria mulher sabia que de todos os momentos aquele era o pior para ter contado... Mas agora nada podia ser feito. Naquele momento, o garoto não pensava que era realmente irmão dela, sentia apenas o ódio de alguém querido ser assassinada levianamente pelos seus inimigos, apertou tanto o punho ao ponto do sangue escorrer de suas mãos. O olhar dele demonstrava apenas raiva e rancor. Soltou um grito que liberou sua fúria e instantaneamente a eletricidade começou a percorrer seu corpo, era como se nenhuma interferência estivesse acontecendo. – Eu juro que vou matar cada um de vocês! Nem que seja a ultima coisa que eu faça! – Dito isso correu para cima de Lyall primeiro, desferindo um soco rápido com toda a força do garoto concentrada, atirando o agente pela floresta e arrancando a grama no caminho. Já não parecia o mesmo de costume, era como um demônio sedento por sangue. Em seguida correu para perto de Joe e tentou dar um chute girando o corpo para ter mais força, o homem desviou com certa facilidade do ataque, sorrindo ao ver como ele estava, deu uma gargalhada bem animada. – Isso mesmo! Quero ver você ter coragem de matar todos nós ao mesmo tempo! – Joe puxou sua espada enquanto Shishi tentava atacá-lo insanamente. O garoto sequer parecia pensar em como atacar, a corrente elétrica emanada pelo corpo dele estava assustadoramente forte com aquele aumento temporário de poder gerado pela raiva. O homem balançava sua espada liberando a energia que cortava quase tudo ao redor, Shishi aparentemente conseguia desviar daquilo, continuava atacando-o com socos, nos quais eram desviados facilmente. Em um desses desvios, Joe abriu a guarda do garoto e preparou um golpe que definitivamente acabaria com a vida do menino de olhos cinzas. Porém, algo pareceu impedi-lo de terminar aquela investida, foi como se algo tivesse o contido. Joe então saltou para se afastar do garoto e os três agentes desapareceram na escuridão.

O fato de terem “evaporado” não fazia diferença, a raiva dele continuava a mesma. Aproximou-se de uma árvore próxima e iniciou uma série de golpes sem perspectiva de parada, usava sua própria habilidade contra o tronco da planta. O punho dele havia se ferido ainda mais, parou até sentir-se cansado. Caiu de joelhos no chão e apertou as mãos na terra da floresta. Seus companheiros chegaram próximos a ele, também atônitos por causa da cena que presenciaram. Kaya apertou as mãos enquanto pensava em como poderia acalmá-lo. – Fique calmo, Shishi-kun... – O garoto olhou para ela, sentiu a raiva inflando dentro de seu peito, era impossível manter a calma em um momento como aquele. – Como eu posso me acalmar? A pessoa mais importante para mim morreu... Antes de morrer ela me chama de “irmãozinho”, como você quer que eu mantenha o controle agora? – Praticamente gritava com Kaya, mas não podiam culpá-lo, viveu sozinho toda a vida e ao descobrir que possuía uma família, a pessoa estava morta. Socou o chão novamente e se levantou afastando dos seus companheiros, precisava de muitas respostas sobre o ocorrido, iria buscá-las no mesmo instante. Akayuri chegou perto do garoto e segurou a mão dele. – Aonde você vai, Shi-kun? – Shishi olhou para Akayuri, não conseguia mais sorrir. Soltou o próprio braço, e deu as costas para eles novamente. – Vou atrás de respostas. – Então correu atrás da única pessoa na qual tinha certeza que possuía alguma resposta...

Andou até chegar em seu objetivo: Shirahoshi. Sabia que a única pessoa que poderia esclarecer-lhe tudo era a Diretora. Lembrou-se do fato de que elas já se conheciam a muito tempo, então deveriam partilhar do segredo que Hanako escondia há tanto tempo. Entrou no colégio e foi logo para a diretoria, como esperado, Miki estava lá sentada na poltrona, parecia tão abalada quando Shishi. – Akamatsu-kun? O que faz aqui? – Ele bateu com as mãos na mesa, as lágrimas caíam dos olhos dele e o corpo do garoto começou a tremer. – A Hanako me chamou de “irmãozinho”... Tenho certeza que você sabe tudo sobre isso... Me explique, por favor... – Ela apontou a mão para o sofá e ele se sentou, Miki se sentou do lado dele e segurou sua mão. – Eu conheço a Hana-chan há muito tempo, e sei muito sobre ela inclusive... Uma das coisas que ela me contou é que tinha um irmãozinho... Ela vivia com os avós junto com você, mas você era novo e provavelmente não se lembra disso... Então, pelo que eu soube através da Hana-chan, os seus avós desapareceram sem deixar vestígios... Então, sob o meu comando, ela colocou você numa casa e resolveu treinar para procurar os seus parentes vivos... Nunca chegou a encontrá-los. Alguns anos se passaram e ela decidiu ir atrás de você de uma vez, embora estivesse sempre te observando. Tenho certeza que ela se arrepende muito do tempo que ficou sem te ver, como deve ter sido angustiante para ele não ver o seu crescimento, a pessoa que você se tornou... Por outro lado, ficou feliz ao ver quem você se tornou... – Shishi baixou a cabeça e pareceu querer chorar mais uma vez, porém, engoliu o choro e levantou a cabeça com uma expressão séria. – Existe algum meio para trave-la de volta? – Miki fez um “não” com a cabeça, era fácil ver que até mesmo a diretora tinha vontade de chorar por causa de sua melhor amiga falecida. O garoto virou-se em direção a porta, estava quase saindo quando Miki o chamou. – Aonde vai, Akamatsu-kun? O que vai fazer? – Ele virou o rosto para a diretora, deu um leve sorriso, embora claramente falso. – Vou andar um pouco... Até, Miki-san.

Quando saiu do colégio, voltou até a floresta onde sua irmã tinha sido atacada. Foi até o exato lugar em que ela havia sido morta. Ajoelhou-se no lugar e apertou a mão no chão, segurando um pouco de terra. Não sabia o que fazer dali pra frente, não tinha certeza se iria se vingar da Organização por ter tirado a vida dela ou se continuaria lutando para proteger o mundo da destruição.

O garoto sentiu uma presença se aproximando dele, então olhou para trás e... Era a Diretora. Por que ela o seguiu? Não, não era ela. A mulher possuía uma aparência igual, com exceção dos olhos azuis claros que se destacavam naquela noite. Shishi se levantou e olhou com estranheza para a mulher. – Miki-san? Não... Você é diferente. – A mulher sorriu e levou direito ao rosto do garoto, virou-o para analisá-lo. – Eu não sou a Miki... Mas eu sei o que você quer do fundo do seu coração. – Aquilo chamou a atenção de Shishi, ela soltou o rosto dele e aproximou o rosto, olhando-o nos olhos. – Eu posso trazer sua preciosa irmã de volta. – A ultima frase da mulher chamou totalmente a atenção do garoto. – Finalmente... Quem é você?

- Quem sou eu? – A mulher mordeu os lábios e deu um risinho, então olhou nos olhos do garoto. – Eu... Sou Suzuko Rin. Também sou conhecida como a “Chefe” da Organização. – Shishi deu um passo para trás, arregalou os olhos por não acreditar que sua inimiga tinha procurado-o pessoalmente, mas também não podia negar a chance que tinha sido dada. – Você realmente pode trazê-la de volta? – Rin assentiu, mas então passou a olhar para o garoto de forma séria. – Entretanto, há duas condições... Você terá de me ajudar nesse ritual mágico... E o segundo... – A mulher fez uma pausa que causou suspense. – Você, Akamatsu-kun... Terá de se juntar a nós.

De certa forma, o que ela disse fez com que ele se assustasse. Juntar-se a quem sempre combateu. Cerrou os punhos e olhou para Rin. – Está certo. Farei como quiser. – Rin deu um sorriso discreto, fazendo um gesto para o garoto, indicando que ele deveria segui-la. Entraram num lugar onde as trevas pareciam cobrir intensamente, estava mais escuro do que o normal, como se nem a luz conseguisse penetrar ali. Bem no centro havia uma pedra com duas kodachis enfiadas nela. – Akamatsu-kun, concentre toda a sua energia para retirá-la de lá e provavelmente conseguirá, assim que conseguir jogue sua energia em mim. Será o suficiente para eu conseguir usar o feitiço.

Shishi se aproximou da pedra e fechou os olhos, soltou um grito enquanto concentrava o máximo de energia que podia e aos poucos o lugar escuro ia se iluminando com a eletricidade branca que emanava. O grito do garoto ecoava por toda a floresta, ofuscando até mesmo Rin que estava bem próxima. Quando chegou ao ponto da eletricidade estalar em volta dele, pegou as duas kodachis e as retirou da pedra. Sentiu como se toda aquela energia de trevas estivesse o envolvendo, a cada segundo que passava parecia que estava perdendo a consciência, as íris dos olhos dele estavam escurecendo. Encolheu um pouco o corpo e fechou os olhos, lembrou-se do motivo de estar ali, de ter aceitado ser um membro da organização. Enrijeceu o corpo novamente e concentrou toda a energia nas armas. Rin deu um sorriso e apontou as mãos para ele. – Agora, Akamatsu-kun! – Ele lançou a energia na direção da mulher e ela a pegou como se não fosse nada. Abriu os braços e fechou os olhos. – Jikan Gaeshi! – Lançou aquele imenso poder que fora concentrado em um ponto no chão, exatamente onde Hanako tinha sido atingida. Como Rin sabia o local exato de onde ela estava naquele momento era difícil de explicar.

Shishi levantou a cabeça, teve dificuldade para focalizar a visão. Viu o corpo de sua irmã em pé, como se nada tivesse acontecido. Então, Rin estalou os dedos e ela sumiu. O garoto se levantou, preocupado por não saber onde a sua irmã havia sido mandada. – Pra onde... ? – Ela levou a mão à boca dele, silenciando-o mais uma vez. – Ela estará em casa em segurança, não se preocupe. Mas, de agora em diante, você é meu Agente Zero.

Enquanto isso, na sala da Diretoria, Miki detectou um sinal anormal de energia, no qual vinha exatamente do ponto onde Shishi estava. Ligou para Kai, Kaya e Akayuri para que fossem lá imediatamente. E também se certificou de que iria lá também, estava desconfiado do que aquilo poderia ser. À medida que andavam para a floresta, os garotos percebiam aquele clima pesado no ar, como se a força da gravidade tivesse se intensificando bastante, tornando difícil a respiração. – O que é isso? – Comentou Kai, ofegante.

A diretora tinha acabado de avistar a esfera negra dentro da floresta, reconheceu apenas a pessoa que estava do lado de fora... E convenhamos, não era tão difícil de saber quem era. – Não pode ser... – Rin olhou para Miki e deu um sorriso para ela, andando calmamente para perto da irmã gêmea. – Há quanto tempo, Miki. Passaram-se alguns anos desde que nos vimos, não foi? – Aquela parecia uma reunião familiar bem comum até, com a exceção que as duas disputavam o destino do mundo, a salvação ou a destruição, dois pólos totalmente diferentes. A Diretoria invocou os leques, quando lançou um deles em direção a irmã um raio escuro passou voando pelo lado da chefe da organização e repeliu a arma. Miki se espantou com aquele ataque, então olhou além de Rin, avistou alguém se aproximando, era a causa da energia que havia detectado, surpreendentemente, era da pessoa que menos esperava estar ali.

- Não... Akamatsu-kun? Por que você está com ela? – Agora que viu o garoto mais de perto, pôde perceber a diferença mais gritante. Antes as íris dos olhos dele eram cinzas, agora a íris do olho esquerdo dele estava escura como a noite, praticamente igual às trevas que rondavam o ambiente. Demonstrava também uma expressão diferente, mais dura que aço. A diretora olhava para ele com súplica. – Por que, Akamatsu-kun? De tantos para se aliar... Logo a Organização? – O punho dele se fechou em volta das kodachis, olhou para Miki e deu um sorriso que soou bem demoníaco. – Eu estou agindo para meu próprio bem... Já que não vou conseguir salvar o mundo, tentarei pelo menos salvar a mim mesmo. – Apontou a arma da mão esquerda para ela. – Não se engane, Miki. Na próxima vez que cruzarmos caminhos, será como inimigos. Isso vale o mesmo para vocês. – Claramente estava se referindo aos seus antigos companheiros.

- Você ouviu, irmã. Agora o Akamatsu-kun é meu guarda pessoal... Vou chamá-lo de Agente Zero. – Os dois se voltaram para a escuridão que cobria a floresta, e quando correram para procurá-los, haviam sumido.

A vida deles viraria de cabeça para baixo no futuro, Akamatsu havia se tornado o “Agente Zero” e protegeria Rin mesmo que custasse sua vida, com toda a certeza isso geraria batalhas sangrentas entre ele e seus antigos amigos. Entretanto, apenas o próprio garoto sabia o real motivo de ter se bandeado para o lado inimigo, tinha a certeza de que futuramente se arrependeria por ter feito isso, ainda que a única certeza era de ter uma família.